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Porão do Rock comemora 20 anos abrindo portas para um novo futuro

Por Felipe Ernani

Em 1998, uma equipe de produtores e 15 bandas que ensaiavam nos subsolos do Plano Piloto de Brasília resolveram colocar a mão na massa e transformar aqueles ensaios em um festival — surgia, então, o Porão do Rock, nomeado sugestivamente em referência ao local de ensaio das bandas. 20 anos e 20 edições depois, quase 700 artistas já passaram pelos palcos do que veio a se tornar o maior festival de rock do Distrito Federal, desde nomes locais até mega atrações como Muse e Suicidal Tendencies.

Nos últimos anos, o Porão não viveu a sua melhor fase. Ainda que oferecesse atrações bem interessantes (como a presença de Elza Soares e Baiana System na edição de 2017), os problemas de infraestrutura e até mesmo a despopularização do gênero que nomeia o festival se tornaram empecilhos no constante crescimento do evento. No entanto, a história parece começar a mudar agora.

Nessa edição comemorativa de 20 anos, o Porão do Rock abriu as portas para um novo futuro. Diversificou as atrações, investiu na infraestrutura para que o evento corresse sem atrasos (até com alguns adiantamentos!) e sem problemas técnicos e aumentou a duração para dois dias. O resultado foi excelente.

No primeiro dia de festival, os palcos principais — localizados um do lado do outro, no mesmo formato do Rock in Rio — contaram com atrações de vários gêneros e localidades. Os principais nomes da noite, CPM 22 e Nação Zumbi & BNegão, já são contrastantes por si só. Mas o contraste vai além, trazendo, por exemplo, a segunda aparição consecutiva do Braza logo depois do rap rock do Pavilhão 9 que se apresentou após a música quase cigana dos brasilienses d’O Tarot.

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Apresentação d’O Tarot no Porão do Rock 2018. (Foto: Felipe Ernani)

Os shows em si tiveram qualidade compatível com o tamanho do festival. O bom público do primeiro dia respondeu muito bem especialmente aos shows do Braza e CPM 22 — este último colocou até o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, dentro de uma rodinha punk. Nação Zumbi & BNegão fizeram um show recheado de mensagens políticas e de alertas importantes, se tornando talvez o show mais impactante da noite. Vale ressaltar também a (ótima) ousadia de recrutar a OBMJ (Orquestra Brasileira de Música Jamaicana), que fez uma apresentação excelente e com repertório variado.

Enquanto isso, como já é de praxe no festival, os fãs da música pesada tinham seu próprio recinto, um pouco afastado dos palcos principais e com uma programação também excelente. Como estava sozinho, foi difícil acompanhar ambos os palcos. Mas consegui assistir ao ótimo show do Project 46, que deixou todos os presentes headbanging do começo ao fim.

No domingo, infelizmente, o público não compareceu tanto quanto no sábado. Naturalmente, o evento concorreu com o festival Green Move, gratuito e com a presença de Pitty e Jota Quest. Porém, as bandas não pareceram se importar: a começar pela Molho Negro, que fez um show irretocável para os poucos que chegaram cedo. Uma constante desse dia, inclusive, foi a manifestação “Ele Não”, que estava estampada na guitarra de João Lemos, guitarrista e vocalista da banda paraense.

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Guitarra de João Lemos, da Molho Negro. (Foto: Felipe Ernani)

O “Ele Não” também apareceu várias vezes no telão durante o show da Lupa, cujo repertório incluiu duas músicas novas e pareceu agradar muito aos (vários) fãs que trajavam os merchs da banda, ainda que tenha sido o único show com alguns problemas técnicos notáveis. Em seguida, a conexão latino-brasileira do Francisco, El Hombre mostrou que segue infalível em animar festivais e, é claro, apresentou a canção Bolsonada que serviu como mensagem e hino da noite.

Por outro lado, no palco pesado, fiz questão de assistir um show pelo qual estava ansiosíssimo: o da banda de hardcore mineira Pense. E, de fato, foi uma catarse do começo ao fim — contando com diversos momentos do vocalista Lucas Guerra descendo para a plateia e, no final, com esta subindo ao palco durante a execução de Eu Não Posso Mais. A mensagem positivista no meio do instrumental agressivo da banda soa como uma lembrança de que no meio de toda essa tempestade sociopolítica atual, existe uma esperança e devemos sempre lembrar dos valores aos quais nos apegamos para manter essa esperança viva.

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Apresentação da Pense no Porão do Rock 2018. (Foto: Felipe Ernani)

Por fim, talvez as atrações mais “arriscadas” da noite tenham sido Cordel do Fogo Encantado e Letrux, nos palcos principais. E foram apostas certeiras: público diferente, comparecendo em peso e renovando as possibilidades do festival para os próximos anos. Porém, a noite acabou com shows de bandas mais tradicionais dentro do circuito do Porão do Rock —o que naturalmente também tem o seu devido valor.  Plebe Rude Barão Vermelho comandaram a festa que terminou com o último show do Matanza em Brasília, que encerrou a noite e parecia estar encerrando, realmente, um ciclo.

E que esse novo ciclo do Porão do Rock possa continuar fomentando a cultura em Brasília por mais 20 (e muitos) anos, abrindo espaço para as bandas independentes locais e trazendo ao público do Centro-Oeste shows cada vez mais diversos e interessantes. Se essa edição servir como modelo, com certeza assim será.

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Por que não respeitamos o funk?

Por Felipe Ernani

Nos anos mais recentes, o funk brasileiro se estabeleceu de vez como a música das pistas de dança pelo Brasil todo. Hoje, faz sucesso tanto nas festas de onde se originou — os famosos bailes funks — quanto entre as celebridades e alta sociedade do país.

Mas, ainda assim, perdura a marginalização do gênero e o preconceito com os artistas deste. Algumas pessoas ainda insistem em agir como se só ouvissem funk de forma irônica. Outros ouvem e gostam, “mas só em festa”. Respeitar o gênero ainda é muito difícil. Por quê?

Pouco a pouco, os argumentos vão caindo. Não por boa vontade do público que é contra ele, mas porque os artistas têm se esforçado e investido cada vez mais e o resultado é palpável.

O funk deixou de ser música (exclusivamente) da favela. Passou a ser um patrimônio cultural brasileiro exportado para outros países — claro que o primeiro exemplo que vem à cabeça é o de Anitta, que desde o início da carreira sempre exaltou a cultura do funk e recentemente o exportou (de forma mais compreensiva para o exterior) com “Vai Malandra”.

Mas não é só a Anitta. Mesmo dentro do Brasil, cada vez mais artistas são influenciados diretamente pelo funk carioca. O BRAZA, banda formada por 3 dos 4 integrantes do extinto Forfun, tem influências claríssimas do gênero que serão expostas para o Brasil e o mundo quando a banda subir no palco do Lollapalooza, no domingo (25). E o próprio Forfun, no seu disco de despedida, Nu (2014), não apenas se mostrou influenciado pelo funk como o homenageou e falou sobre ele na música “O Baile Não Vai Morrer.

Um dos principais argumentos de quem se posicionava contra essa cultura era a “falta de qualidade” nas músicas produzidas. Aí, recentemente, aparece o MC Fioti com “Bum Bum Tam Tam, usando um sample da “Partita em Lá Menor de Bach em cima de um beat e transformando uma das melodias mais “requintadas” da música em uma “flauta envolvente”. Ou o MC Livinho, que era violinista de igreja, e hoje em dia compõe músicas extremamente melódicas e ricas em detalhes como “Fazer Falta. Ou até mesmo o MC G15, que no seu hit “Deu Onda” faz uma quebra de melodia e harmonia que é pouquíssimo usada na música pop.

Não à toa, MC Fioti foi mais um que exportou sua canção. “Bum Bum Tam Tam” recentemente ganhou versão internacional com participações de nomes estrangeiros conhecidos, como Future e J Balvin.

E não são só as músicas: recentemente, uma amiga que está em Portugal mandou uma foto de um cartaz mostrando que o MC Kevinho vai se apresentar por lá em breve. Kevinho, inclusive, é um dos nomes que mais ajudou nessa “explosão” do funk.

O garoto de Campinas teve seu primeiro hit com “Tumbalatum” e esperava-se que, como a grande maioria dos outros MCs, o sucesso seria passageiro. Mas ele (e sua equipe) soube se estabelecer e lançar hit após hit: “Olha a Explosão”, “Encaixa”, “O Grave Bater”, “Rabiola”…

E, parando pra analisar, todos os hits de Kevinho seguem uma fórmula parecida; no entanto, todos têm detalhes que os diferenciam, mesclam o funk com algum ritmo diferente, trazem alguma participação de um artista de outro nicho, usam algum instrumento que não é da linguagem comum do funk, e isso transforma cada uma dessas músicas em muito mais do que só uma melodia grudenta.

Mas agora chegamos no ponto crucial do começo do texto: com tudo isso, por que o funk ainda é marginalizado e ainda sofre preconceito no Brasil, se até fora do país o ritmo já é aceito e amado?

A resposta não está tão longe. O “brasileiro médio” — nesse caso, o público não marginalizado — não consegue aceitar a fluidez dos movimentos artísticos. Não consegue ficar em paz sabendo que o seu amado rock e a sua querida MPB estão ficando obsoletos e cedendo espaço para o funk, para o rap/hip hop, e para os gêneros que buscam a cada dia se inovar mais. Mais do que isso, não entendem que a função da música não é eleger o melhor guitarrista do mundo, é fazer o ouvinte sentir algo, e isso o funk tem feito muito bem. Há muito a aprender com o funk brasileiro, e quem se recusa a aceitá-lo só vai ficando cada vez mais atrasado.

TOP 10: OS MELHORES SHOWS DE 2017

Por Natalia Salvador

Quando você ama assistir shows e, finalmente, mora em um lugar que te oferece diferentes opções todo fim de semana é uma baita realização. Em 2017 eu tive a oportunidade de cobrir e curtir por lazer diferentes espetáculos, nada mais justo que relembrar aqueles que marcaram o ano, pelo menos para mim (e que a gente já fica doido pra ver de novo). Prometo não me estender muito, então vem conhecer meu TOP 10 de melhores shows de 2017!

  1. FRESNO + VITAL

O Imperator, por si só, já tem uma energia completamente diferente de todas as outras casas de show do Rio de Janeiro. Toda vez que eu piso lá a sensação de que algo grandioso está para acontecer. E foi exatamente isso que presenciei neste culto sold out. Além de tudo que envolvia o show da Fresno – comemoração dos 18 anos e minha primeira vez vendo eles como headliners -, uma das coisas que mais me chamou atenção foi o quanto o público acolheu e abraçou a banda de abertura, a Vital.

Fresno@2017 por Natalia Salvador
  1. MENORES ATOS + ODRADEK + AVEC

A primeira vez de um ser humano num show da Menores Atos é pra nunca mais esquecer. Acho que posso dispensar apresentações, o trio faz a platéia se emocionar, chorar e cantar o mais alto que pode. O show no Estúdio Aldeia marcou o encerramento da turnê do Animalia e a banda está trabalhando em um novo CD. Nesta noite de inéditos, para mim, também tive a grande chance de conhecer a banda Odradek. Um instrumental pesado e envolvente.

  1. MEDULLA + HOVER + NVRA

O CD Deus e o átomo foi um dos grandes elogiados de 2016, nada melhor que começar 2017 com um showzão desses, não é mesmo? O diferencial de ver shows no Estúdio Aldeia é a vibe intimista do lugar e a proximidade que você consegue ter dos artistas. A entrega dos irmãos Raony e Keops envolve e empolga o público. Além deles, a Hover, que também tem um show completinho e cheio de energia somou para a noite ser incrível. Cada apresentação deles na cidade é uma emoção diferente, coisa de casa mesmo.  

  1. R.SIGMA + COMODORO

Sim, eu só conheci R.Sigma em 2017 – que bom que os dias de glória chegam para todos. No único show que a banda realizou no Rio de Janeiro a maioria do público estava matando as saudades depois de quase 6 anos em hiato. Acho que foi esse cenário que tornou tudo tão especial. Na abertura, a Comodoro tomou conta do palco e colocou os poucos presentes para dançar – e acompanhar toda a malemolência de Fred Rocha, vocalista. Quando R.Sigma entrou no palco a casa já estava cheia e o coro permaneceu por todo o show. Além disso, Tomás Tróia que viriam novidades por ai. Durante o semestre, a banda lançou uma música inédita, fez outros shows e seguimos acompanhando os próximos passos – ATENTOS!   

  1. HANSON

Vocês tem uma lembrança clara dos primeiros contatos com algo que gostem muito? Minha primeira grande lembrança com a música foi com esse trio de irmãos americanos. Eu era muito novinha e ganhei o cd de estréia deles – conto essa história completinha na resenha desse show. 20 anos depois, tive a chance de ver um show comemorativo que contemplou diferentes fases de Zac, Taylor e Isaac – primeiro grande amor de muitas. Foi uma noite nostálgica e de muito amor, é estranhamente incrível quando você consegue perceber a troca fácil e respeitosa entre os músicos no palco. Uma noite família, literalmente.

  1. CASTELLO BRANCO

Não sei vocês, mas uma das coisas que mais me chama atenção em shows é a performance dos vocalistas. Depois de assistir ao show do R.Sigma, fui em busca de mais informações sobre Lucas Castello Branco e me deparei com um projeto incrível. Meses depois lá estava eu impactada com a leveza e ternura, muito diferentes da energia apresentada na frente da banda, do lançamento de Sintoma. O show solo do Castello é aquela saída perfeita com carinha de domingo tranquilo, que é pra começar a semana com o maior sorriso no rosto!

Castello Branco@2017 por Natalia Salvador
  1. BRAZA

Qual banda que tem 2 anos de estrada, 2 discos lançados e entrega ao público 2 horas de show? Danilo, Nicolas e Vitor fazem um verdadeiro espetáculo em cima do palco. A energia deles é anestesiante, do início ao fim. A galera, canta, dança e se entrega. Ver os 3 fazendo música juntos ainda contribui para aquele falso consolo da saudade que os fãs sentem do Forfun. Os caras fizeram história e agora estão escrevendo uma nova. Ciclos.  

  1. ALASKA (Rio novo Rock + Despedida em Petrópolis)

Se trazer dois shows da mesma banda para um TOP 10 é errado, eu não quero estar certa. Em 2017 a Alaska teve dois grandes momentos no Rio de Janeiro. Uma das primeiras edições do Rio Novo Rock do ano contou com a partição dos paulistas e os cariocas da Two Places At Once. Como comentado anteriormente, o Imperator é um senhor palco e a noite não poderia ser outra coisa se não memorável, com direito a setlist especial e invasão de palco.

Mas a festa ficou linda mesmo na despedida do Onda, que aconteceu em Petrópolis. Eu não sei o que acontece, mas os shows da Alaska na Cidade Imperial tem uma emoção diferente. É claro que os petropolitanos não iam deixar esta ser uma despedida normal. O público, fiel, cantava tão alto que muitas vezes roubava o lugar dos músicos. Uma das características mais marcantes dos shows da banda, é a troca entre os músicos, seja nos sorrisos, carinhos ou nos finos que um tira do instrumento do outro. É uma experiência de entrega diferente de tudo que eu já vi.

Alaska@2017 por Natalia Salvador
  1. SCRACHO

Você provavelmente está se perguntando que ano é hoje ou porque raios Scracho está no segundo lugar dessa lista. Pois bem, no último mês do ano – famoso 45 minutos do segundo tempo – eu, sem dúvidas, presenciei a maior festa do ano! Celebrando 10 anos de lançamento do primeiro cd, A Grande Bola Azul, Dedé, Diego e Caio reuniram grandes amigos e lendas do underground carioca para um show de lavar a alma e fazer os jovens adolescentes de 10 anos atrás muito felizes. Foram 2 horas de nostalgia, entrega e gargantas arranhando no dia seguinte, em um Circo Voador abarrotado.  

  1. AURORA

Aurora é a prova viva de que fadas existem. Eu já pensava sobre isso assistindo alguns vídeos internet afora, mas depois que tive a oportunidade de ver a jovenzinha norueguesa de apenas 21 anos emocionar os públicos por todas as cidades brasileiras que passou, eu pude ter certeza. Sabe quando você sente a energia passando pelo corpo, os pelinhos arrepiando e os olhos se encherem de lágrimas? Foi assim que me senti o show inteiro. Sem grandes estruturas, a inocência, ternura e compaixão que habitam Aurora ficam evidentes em cima do palco. Esta, sem dúvidas, foi melhor experiência musical de 2017!

Aurora@2017 por Natalia Salvador

Resenha: Porão do Rock 2017

Por Aline Barbosa (fotos) e Tayane Sampaio (texto)

O que tinha tudo pra ser um dia de muita música e diversão, se tornou uma noite caótica. A 20ª edição do Porão do Rock, que aconteceu sábado (25), em Brasília (DF), ficou marcada pela chuva, atrasos, problemas técnicos e cancelamentos.

O descontentamento começou pelo bar. Apesar de ter vários foodtrucks no espaço do evento, com muitas opções para alimentação, o bar era exclusivo do Festival e os preços estavam salgados: a garrafa de água custava R$ 6,00 e a lata de energético, da marca Red Bull, estava R$18,00(!!!).

Às 15h, horário marcado para abertura dos palcos Budweiser e Brasília Capital do Rock, uma pequena fila já se formava na entrada principal do Festival. Fila que só foi crescendo, já que os portões foram abertos com mais de duas horas de atraso. Enquanto isso, do lado de dentro, o BaianaSystem ainda passava o som e o vocalista, Russo Passapusso, demonstrava insatisfação por não conseguir passar o som como queria.

Com quase três horas de atraso, foi dado início à programação do Palco Budweiser. Todas as bandas tiveram o tempo de show reduzido, com intuito de diminuir o atraso. Na primeira música, a banda Lupa já enfrentou problemas com equipamento desligando e até com queda de energia no palco. Do outro lado, no Palco Claro, a Ego Kill Talent passou algumas horas tentando ajeitar as coisas.

No decorrer da noite, os palcos Brasília Capital do Rock e Budweiser foram fechados, por conta da chuva, e alguns equipamentos foram danificados. Daí em diante, todos os shows deveriam acontecer no Palco Claro, mas o evento foi encerrado com o BaianaSystem, que fez um show extremamente prejudicado pelos equipamentos defeituosos, a ponto de não se conseguir entender o que o vocalista falava, devido às caixas de som estouradas. Sem qualquer aviso oficial ao público, tanto no evento quanto na fanpage, os shows do Black Alien, Krisiun, Deceivers e Dark Avengers foram cancelados.

Mesmo com estrutura gigantesca, o público do festival foi tímido, ainda mais depois da chuva torrencial e da sequência de raios e relâmpagos que iluminaram o céu de Brasília. Sem lugar pra se abrigar, quem estava na área VIP correu para o camarote, e quem estava na pista comum tentou se esconder nas tendas da praça de alimentação, que não cabia muita gente. Mesmo com todos os problemas, boa parte do público permaneceu no local para curtir os shows, como os fãs da Dona Cislene, que enfrentaram a chuva cantando alto.

Confira, abaixo, quais foram nossos shows preferidos do Porão do Rock 2017.

O TAROT

O grupo, que foi um dos vencedores da terceira e última Seletiva de Bandas, organizada pelo Festival, só confirmou o que já vem mostrando pelos palcos da Cidade: que é um dos destaques da nova cena musical de Brasília. Com um show bem pensado, enérgico e divertido, O Tarot animou o público que estava no Palco Claro. Algumas pessoas, na grade, trajando camisetas da banda, ficaram um bom tempo ali, guardando lugar pra ver tudo o mais perto do palco possível.

Com visual cigano, Caio Chaim (voz e teclados), Lucas Gemelli (guitarra, acordeon e backing vocal), Victor Neves (baixo), Vinicius Pires (guitarra) e Vítor Tavares (bateria) levaram músicos convidados para abrilhantar mais a apresentação. Tom Suassuna (violino), Isadora Pina (saxofone) e Isabella Pina (percussão) ajudaram o grupo na performance.

O Tarot | Por Aline Barbosa

A entrega dos músicos no palco é um ponto forte da banda, que se movimenta e interage bastante. Caio, o vocalista, é bem performático e soube aproveitar os espaços vazios do palco, sempre indo de encontro aos companheiros de banda, que pareciam se divertir muito tocando. Mesmo correndo de um lado pro outro, Caio consegue segurar o tranco e manter o bom desempenho vocal.

O Tarot tocou algumas músicas de seu primeiro EP, Zero (2016), que tem uma sonoridade dançante, que transborda ritmos latinos. “Certezas Supostas”, “Ballet de Barraco” e “Cabeceira” foram os destaques da apresentação.

EGO KILL TALENT

Com passagens pelos festivais mais importantes do País, além de passagens pela França, Reino Unido, Holanda, Portugal e Espanha, o Ego Kill Talent tocou pela primeira vez em Brasília. O grupo, de São Paulo, foi um dos mais aguardados no Palco Claro.

Jonathan Correa (vocal), Raphael Miranda (bateria e baixo), Theo van der Loo (guitarra e baixo), Jean Dolabella (bateria e guitarra) e Niper Boaventura (baixo e guitarra) conseguem fazer um show dinâmico, mesmo com as trocas de instrumento, que quase passam despercebidas.

Ego Kill Talent | Por Aline Barbosa

O grupo tocou algumas músicas de seu primeiro álbum, homônimo, que foi lançado este ano. Com uma sonoridade que passa por vários subgêneros clássicos do rock, como o grunge e o stoner, o EKT realiza um show versátil, com vários momentos, mesmo tendo um som mais pesado, carregado nas guitarras.

Sem dúvidas, o público gostou do que ouviu. Quando você olhava pra grade, via pessoas gritando as letras junto com o vocalista, ajudando a banda com palmas no ritmo da música e de olhos vidrados no palco, pra não perder um segundo sequer do show.

BRAZA

O grupo carioca, que tem feito shows lotados por onde passa, apresentou o Tijolo por Tijolo (2017) aos brasilienses. O Braza foi um dos primeiros shows que realmente encheu, depois da Elza Soares. O público do Palco Claro cantou junto com a banda e cantou alto, bem alto. Isso surpreendeu, principalmente pela sonoridade da banda não se encaixar no “padrão” Porão do Rock.

Danilo Cutrim (guitarra e voz), Vitor Isensee (teclados e voz) e Nícolas Christ (bateria), acompanhados pelo baixista Pedro Lobo, fizeram o público dançar durante todo o show. Sem muito tempo pra desperdiçar, o grupo emendou uma música na outra e o público, ligado, acompanhou o ritmo frenético. Assim como acompanhavam o reggae de Danilo na dança, o pessoal ia à loucura com as rimas de Vitor.

Braza | Por Aline Barbosa

Conhecidos por shows quentes, os músicos se empolgaram durante a apresentação. Se empolgaram tanto que Vitor desceu do palco e foi pra grade e, depois, pro meio da galera, que o recebeu de braços abertos.

Além de tocar as músicas do álbum mais recente, o trio não deixou de tocar os sucessos do primeiro álbum, Braza (2016). Pra finalizar, os cariocas mandaram uma sequência de hits: “Jaya”, “Ela me Chamou para Dançar um Ragga” e “Segue o Baile”, que deixou o público em êxtase.

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Observação: devido aos atrasos (que causaram choque de horários), distância do palco e chuva, infelizmente não vimos os shows do Palco Brasília Capital do Rock.

INGRESSOS DO PORÃO DO ROCK JÁ ESTÃO À VENDA

​​Por Tayane Sampaio

Este ano, o Porão do Rock chega à 20ª edição. Após um adiamento, o festival está confirmado para o dia 25 de novembro, no estacionamento do Estádio Nacional, o antigo Mané Garrincha.
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Mantendo a tradição, o festival realizou as seletivas de artistas locais para integrar o line-up. Após três etapas seletivas, as bandas brasilienses O Tarot , Maria Sabina & a Pêia, Mofo, Agressivo Pau Pôdi, Eufohria e Lupa foram selecionadas para se apresentar no palco do Porão do Rock.
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O grande destaque dessa edição é a curadoria. O festival, que sempre investiu nos dinossauros do rock nacional como headliners, está buscando renovar sua cartela de artistas, desde o ano passado, e, dessa vez, surpreendeu. Os nomes que mais chamam atenção, Elza Soares, BaianaSystem e Céu, foram destaques em vários festivais nacionais (e internacionais!) durante o ano. O Sepultura também é headliner dessa edição.
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Apesar da curadoria antenada e acertada, muitos fãs do festival estão reclamando, nas redes sociais, da “falta de rock” na escalação das atrações principais, que, inclusive, tocaram na última edição do Rock in Rio, em setembro.
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O BaianaSystem, por exemplo, banda que mistura o sound system com a guitarra baiana, tem um dos melhores shows da atualidade, pesadíssimo e com direito a roda punk. Mais rock and roll do que muito show de rock propriamente dito. Elza Soares, A Mulher do Fim do Mundo, do alto dos seus 80 anos, tem fôlego pra fazer um show incrível e deixar muito moleque no chinelo.
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Os ingressos do festival custam R$ 20,00, meia-social, condicionado à doação de 1kg de alimento não perecível, e já estão à venda, no site da Bilheteria Digital.
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SERVIÇO
Data: 25/11/2017
Horário: a partir das 15h
Local: estacionamento do Estádio Nacional
Mais informações: http://www.poraodorock.com.br/

Braza nos convida a dançar um Ragga

Por Maria Paula

Após lançarem o segundo clipe do álbum “Tijolo Por Tijolo” (2017), muita gente quis aprender a coreografia de ritmo envolvente que a dançarina Thainá Santos junto ao Danilo Cutrim, vocalista da banda Braza, fazem no intercalar do clipe (link lá embaixo).

Ela Me Chamou Para Dançar Um Ragga”, quarta faixa do segundo álbum da Braza, na verdade convidou muitos a dançarem e conhecerem o ragga, gênero da música eletrônica surgido em meados dos anos 80, com influências do dancehall jamaicano (uma mistura de reggae mas com instrumentação digital).

Então afastem as cadeiras, sofás, o que tiver ocupando espaço, chamem um parceiro ou parceira, e caiam na dança ragga, porque “Ela me chamou para dançar um ragga…”.

Aproveitem e ouçam o álbum completo disponibilizado pela banda e em todas as plataformas digitais:

Clipe:

Coreografia:

Conheça o Festival das Estações Música Brasil

  Por Felipe Sousa | @Felipdsousa

Festival anunciado em São Paulo conta com excelentes artistas da nova geração da música brasileira.

 

Se por um lado 2017 tem sido um ano cheio de grandes discos lançados no mundo da música, por outro, tem sido um belo ano aqui no Brasil quando falamos em festivais.  E pra confirmar isso, a Agência Pindorama anunciou no último domingo (09), a primeira edição de inverno do Festival das Estações da Música, que prestigia artistas nacionais da nova geração.

BRAZA – Que recentemente lançou álbum novo; Tijolo por Tijolo -, francisco, el hombre, R.Sigma, Vivendo do Ócio, Carne Doce e NDK  vão animar o evento que acontecerá em São Paulo, dia 25 de agosto. Além dos seis ótimos nomes, DJ’s trarão em seus sets artistas como Tim Maia e Caetano Veloso.

Os valores dos ingressos variam entre R$ 30,00 e R$ 80,00 (meia entrada) e podem ser adquiridos online no Clube do Ingresso ou em pontos de vendas físicos, confira aqui.

 

 

 

 

 

Lista: 32 Álbuns de Junho pra ouvir agora!

  Por Felipe Sousa | @Felipdsousa

Entre materiais nacionais e internacionais, listamos os principais discos lançados em junho. Em duas coisas temos que concordar riffeiros, uma é que 2017 está voando, já chegamos ao fim do primeiro semestre, e a segunda é que esse tem sido um ano de muitos e – grandes -lançamentos no mundo da música.

O mês de junho nos surpreendeu com rock, pop, hip-hop; com bandas retornando, outras estreando…  Definitivamente foi um mês lindo pra quem gosta de música.

Vamos conferir a lista de novidades, e ao final, conta pra gente de qual você curtiu mais, e qual você não aguenta mais esperar que saia. Divirta-se.

  1. Braza – Tijolo por Tijolo

Para se estabelecer de vez, a banda Braza lançou seu segundo disco. “Tijolo por Tijolo” é uma mistura incrível de rock, reggae, rap e letras com grande apelo social. O Riff  já falou desse belo trabalho do grupo carioca, e você pode conferir tudo na nossa Resenha e ouvi-lo logo abaixo.

  1. Halsey – Hopeless Fountain Kingdom

A estadunidense Ashley Nicolette Frangipane, mais conhecida como Halsey, divulgou seu segundo álbum de estúdio, intitulado “Hopeless Foutain Kingdom”.  Com boa repercussão, o pop do seu novo trabalho estreou no topo da Billboard.

  1. Beach Fossils – Somersault

“Somersault” é o quarto álbum da banda e é sem dúvida o melhor já produzido. Trazendo consigo a marca registrada da Beach Fossils em sua sonoridade – um jungle pop com indie rock, numa releitura do som dos anos 60.  Bom disco.

  1. Alt-J – Relaxer

Depois de três anos sem material inédito, o Alt-J veio diferente com o seu “Relaxer”. Vozes em loop, momentos de psicodelia e arranjos um tanto minimalistas compõem o álbum. Ouça:

  1. Rancid – Trouble Maker

Aquele punk rock que nós adoramos. O Rancid disponibilizou no último dia 09 o seu excelente nono disco de estúdio, intitulado “Trouble Maker”. Ouça abaixo.

  1. Rise Against – Wolves

Lançado no dia 09, “Wolves” é o mais novo trabalho da banda, que conta com a produção de Nick Raskulinecz, conhecido por já ter trabalhado com a Stone Sour. O punk rock do Rise passou pelas terras brasileiras esse ano, quando tocaram no Maximus Festival, e o Riff esteve lá. Você pode conferir tudo o que rolou na nossa Cobertura do Evento.

  1. Katy Perry – Witness

Com 15 faixas, e participações de Migos e Nicki Minaj, Kate lançou, sem muito brilho, “Whitness”, seu quinto álbum.

  1. Chuck Berry – CHUCK

Uma pena termos de nos despedir de músicos brilhantes como Chuck. Um gênio nas guitarras e com inúmeros hits, como “Johnny B. Goode” e “Roll Over Beethoven”, Chuck nos deixou em 18 de março de 2017.

Mas com certeza seu nome vai ser lembrado pra sempre como um astro, e seu álbum póstumo vai nos ajudar com isso. Ouça “Chuck” e mantenha viva a memória do músico.

  1. Phoenix – Ti Amo

“Ti Amo” é com certeza um dos discos mais legais lançados esse ano. Depois de quatro anos sem material inédito, o Phoenix está de volta em clima de romance, paixão e muito dança. Ouça e nos conte o que achou.

  1. Cigarettes After Sex – Cigarettes After Sex

O Cigarrettes é uma banda com grande potencial dentro do indie pop. E por isso seu mais novo trabalho, homônimo, foi tão esperado por todos.

O som é ambientado em melancolias, sexo, reflexões, mas num todo, mesmo que não seja ruim, decepciona um pouco com sua monotonia. Ouviu? O que achou?

  1. Young Thug – Beautiful Thugger Girls

Além de seu tradicional hip-hop e trap, Young Thug apresentou em sem primeiro álbum de estúdio, “Beautiful Thugger Girls”, influência do R&B. São 14 faixas de um excelente disco.

  1. Lorde – Melodrama

A jovem Lorde lançou em junho o que pode ser o favorito a levar o prêmio de álbum pop do ano.

“Melodrama” é o segundo disco da cantora e é excelente. Vale a pena ouvir.

  1. Mallu Magalhães – Vem

Primeiro trabalho inédito em seis anos, “Vem”, é um compilado de influências da música brasileira. Samba, MPB, jovem guarda, ambientam o novo álbum da paulista Mallu Magalhães.

  1. Bratislava – Fogo

Com participação de Gustavo Bertoni – Scalene -, a Bratislava lançou “Fogo”, um dos bons discos nacionais lançados até aqui.

  1. Esteban Tavares – Eu, Tu e o Mundo

Tavares vinha soltando uma faixa por semana até o dia 09, quando finalmente disponibilizou seu terceiro disco na íntegra. “Eu, Tu e o Mundo” chega pela gravadora Sony Music, e está disponível em todas as plataformas digitais.

  1. Royal Blood – How Did We Get So Dark?

‎Mike Kerr e Ben Thatcher formaram em 2013 o Royal Blood arrebentando logo de cara com seu disco de estreia – Homônimo – (2014). Agora em 2017, o duo soltou o “How Did We Get So Dark?”, com dez faixas com a sonoridade característica do Royal e que o faz ser os dos ótimos nomes da nova geração do rock. Ouça.

  1. Fleet Foxxe – Crack-Up

Mais complexo, mais maduro e muito bem produzido. Esse é o novo disco do Fleet Foxes – Crack-Up. Após seis anos de hiato, o grupo volta com um excelente registro.

  1. Portugal. The Man – Woodstock

Cinco anos desde “Evil Friends”, Portugal. The Man está de volta com “Woodstock”, seu oitavo disco. Ouça abaixo.

  1. Dead Fish – XXV Ao Vivo em SP

No dia 09 o Dead Fish liberou o áudio do seu novo DVD “XXV Ao Vivo em SP”. São 34 faixas com vários sucessos da carreia da banda, e participações especiais de Braza e CPM 22.

  1. DJ Khaled – Grateful

Com Rihanna, Alicia Keys, Beyoncé, Travis Scott e outros, DJ Khaled liberou no dia 23 seu mais novo disco, intitulado “Grateful”.

  1. Radiohead – OK Computer: OKNOTOK 1997-2017

No dia 23 o Radiohead lançou uma edição comemorativa de 20 anos de um de seus mais belos álbuns. O disco intitulado “OK Computer: OKNOTOK 1997-2017” tem todas às vinte faixas presentes na primeira versão, agora remasterizadas. Ouça.

  1. Imagine Dragons – Evolve

Contagiante como sempre, mas ainda necessitando de evolução – parecem perceber e tentar isso – o Imagine Dragons chega com o seu mais novo álbum – Evolve. Se esse não é uma obra prima, ao menos ficamos na expectativa de que se arrisquem mais no próximo disco.

  1. Beach House – B-Sides and Rarities

“B-Sides and Rarities” é um coletânea com sobras do Beach House. São quatorze faixas, muitas já conhecidas pelo público como “Saturn Song” e a versão de “Play The Game”, do Queen.

  1. Ana Gabriela – EP Do Quarto pro Mundo

Com quatro faixas e produção de Tó Brandileone, do 5 a Seco, o primeiro trabalho da paulista Ana Gabriela está disponível em todas as plataformas digitais depois de ter feito grande sucesso em seu canal no youtube.

  1. Curumin – Boca

“Boca”, conta com treze faixas e com uma incrível pluralidade de assuntos. O Quarto álbum da carreira solo de Luciano Nakata, o Curumin, traz em suas composições reflexões sobre diversos aspectos da sociedade e nossas interações pessoais.

  1. Jay-Z – 4:44

Com surpresa e polêmica, Jay-Z liberou no dia 30 com exclusividade no serviço de streaming Tidal – do qual é dono – o disco “4:44”. No registro o rapper conta com as colaborações de Frank Ocean, Damian Marley e Gloria Carter, mãe do cantor. Acesse o link abaixo caso queira se inscrever no serviço e ouvir novo som do rapper.

http://tidal.com/us

  1. Stone Sour – Hydrograd

Quinze faixas compõem o”Hydrograd”, sexto álbum da banda Stone Suor,  liderada por Corey Taylor.

Depois de quatro anos sem material novo, mas que vem em constate evolução, a Stone Suor mostra um trabalho mais maduro e bem produzido. Ouça.

  1. Belga – Âmbar

 “Âmbar” é o segundo EP da carreira da banda Belga. Depois de se passarem pouco mais de um mês de seu primeiro EP homônimo, Âmbar é mais um registro de ótima qualidade de um rock alternativo muito bem produzido. Ouça:

  1. Boogarins – Lá Vem a Morte

Psicodélico e agora mais do que nunca experimental, o Boogarins lançou “Lá vem a Morte”, o seu excelente segundo disco de estúdio. Ouça abaixo.

  1. Gorduratrans – Paroxismos

Barulhento e com uma qualidade ímpar. Esse é o segundo disco da carreira dos cariocas da Gorduratrans – Paroxismos. Ouça e prestigie o excelente registro dos caras.

  1. All Time Low – Last Young Renegade

Dois anos após “Future Hearts”, All Time Low disponibiliza novo material inédito. “Last Young Renegade” traz dez faixas e você pode conferir na íntegra no link abaixo.

  1. Big Boi – Boomiverse

O rapper Big Boi, do Outkast, acaba de lançar seu terceiro álbum solo — Boomiverse. São doze faixas no disco, que conta com participações de artistas como, Adam Levine do Maroon 5e Snoop Dogg.

 

 

 

Os Tijolos de Braza

Por Maria Paula

Ainda com a música Segue o Baile na cabeça, pertencente ao primeiro álbum auto intitulado Braza (2016), praticamente no início de junho a banda nos faz uma surpresa maravilhosa, seu mais novo álbum Tijolo Por Tijolo, estando disponível em todas as plataformas digitais!

Ao olharmos a capa, ficamos encantados com sua beleza e poética com o título. Desenvolvida pela banda em conjunto com Vagner DoNasc. e Marcel Gonçalves. O intuito aqui não é mergulhar no significado de cada música, pois como em qualquer outra arte, cada pessoa tem seu ponto de vista no momento da apreciação. Por isso, tentarei ser direta e mostrar o por quê de ouvir o Tijolo Por Tijolo.

O mesmo foi gravado por Pedro Garcia, BRAZA (Nícolas Christ – bateria; Danilo Cutrim – guitarra e Voz; Vitor Isensee – teclado e voz) e Pedro Lobo durante o verão e outono de 2017, nos estúdios Neblina e Cantos do Trilho, no Rio de Janeiro. Sendo mixado por Pedro Garcia no estúdio Garcia Mix Room, Laranjeiras, no Rio de Janeiro. E masterizado por Chris Hanzsek no estúdio Hanzsek Audio, Snohomish, em Washington.

Contando com acréscimos de Pedro Lobo no baixo e vocais de apoio, de Lelei Gracindo no saxofone, Vander Nascimento no trompete, Jhonson de Almeida no trombone, e Mafran do Maracanã na percussão. Percebo que nas passagens das faixas do álbum, são marcadas por estes instrumentos, além da guitarra de Danilo.

A abertura do “Tijolo” ficou com Ande, que tem clipe gravado na cidade do Rio de Janeiro, trazendo elementos corriqueiros no compasso da música. Muito show. E com esta noção de irmos adiante, somos convocados para uma sessão, “é brisa, é BRAZA, é braço, é bala de canhão”. Isso é Selecta trazendo gírias corriqueiras num ritmo de dança envolvente, com destaque o trecho “Vida vivendo em nós/ Na batida, em melodia e voz”. Percorrendo essa vida corriqueira da batida encontramos desigualdades sociais, e Moldado em Barro nos mostra isso, com um toque da guitarra que me lembrou Baiana System, banda que também traz temas sociais em  suas composições. Entre tantos trechos a destacar,  posso dizer que o “Guerreiro na Babylon/ Talha seu destino, é por desatino ou não”.

Em Ela Me Chamou Para Dançar Um Ragga, quero aprender essa dança, isso sim! Um estilo de dança que vem da Jamaica e traz um reggae eletrônico bem envolvente. A música seguinte possui o mesmo nome do álbum, Tijolo Por Tijolo. Considerá-la  chave do significado do álbum, não se aplica, pois cada música parece simbolizar um tijolo que forma um muro pessoal, não uma barreira, mas nos sentido da construção  do próprio ser. A flauta introduzida nesta faixa, se permitam sentir sua suavidade, sensacional.

E Chão chão terra terra? Que letra. Destaco somente este refrão: “Amor não tem sinônimo Alma não tem gênero/ Poder não é virtude/ E a vida é sopro efêmero/ Chão, Chão. Terra, Terra/ O ser humano erra”.

Em DUBrasilis temos o instrumental de Braza, e aconselho que fechem os olhos e sintam a vibe. É raro uma banda brasileira incluir som instrumental num álbum, porém há uma voz que fala da diversidade racial brasileira; também percebam as puxadas fortes da guitarra.

E sim, “a dança é oração”, trecho da faixa Racha a canela, que tem a participação do DJ Negralha. Mais uma faixa envolvente na batida e composição, e lembrem que as “vibes nunca mentem, vibes don’t don’t lie”.

Em Exército Sem Fala, temos a participação especial da Sister Nancy, a primeira mulher DJ de dancehall, que canta muito, direto da Jamaica. Se não a conhecem, recomendo o chamado hino do reggae Bam Bam. Nesta música ela complementa a mensagem do amor, num exército onde não há “Força armada e o bom senso é o comandante”.

E para fechar ou não o álbum, temos o questionamento Qual é o rosto de Deus. Me fez lembrar a temática da música Oxalá, pertencente ao álbum “Braza” e que teve videoclipe, mas o pensamento da faixa é diferente, voltado mais às nossas dúvidas pessoais, sendo que ”Ninguém sabe a verdade, mas nunca será tarde/ Enquanto um problema for uma oportunidade.” E este refrão  mexe com nosso interior “Diz pra mim qual é o rosto de Deus/ Talvez seja o seu, talvez seja o meu/ Ou nada, ou tudo, ou luz”.

Para não concluir, Tijolo Por Tijolo traz mensagens para nossa vida, enfrentamentos, de momentos alegres ou tristes, mas principalmente reflexivas, e que diante de dificuldades podemos superá-las, e sempre lembrarmos que não estamos só. Somos seres humanos, em nossa individualidade, mas assim como na dança, faz mais sentido a aprendizagem ao estarmos junto com o outro, nos desenvolvermos com e para o outro. Que possamos superar nossos “tijolos” e montarmos nossos muros e construirmos casas com outros muros.

Por quê ouví-lo?

Se não conhecem a banda, saibam que recomendo o  álbum anterior, denominado Braza, pois ambos se complementam, e mostram quem é o Braza, em sua plenitude. Também recomendo, se possível, o show ao vivo deles! Eles trazem ritmos do rap, reggae e rock, composições sobre problemas sociais, o cotidiano da sociedade, enfim, eles continuam a trazer a arte do dia a dia para a  musicalidade.


E aí, qual a sua faixa favorita do Tijolo Por Tijolo?