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Resenha: Lulu Santos @Vivo Rio

Por Laura Tardin (texto e fotos)

Hoje é noite de Lulu

Noite boa, casa cheia. Aliás, o sold out foi decretado dias antes – já não havia ingressos disponíveis para sábado desde a semana anterior. Pudera. Lulu Santos é (e foi, e vai continuar sendo) um dos grandes artistas pop do Brasil, consagrado por décadas de hits e sucessos que embalam casais, gerações e novelas.

A turnê “Canta Lulu” teve início no Vivo Rio, nos dias 6 e 7 de abril, e ainda passa por Porto Alegre no 21 e São Paulo no 5 de maio. Talvez a data dupla no RJ se deva ao fato de o artista ser carioca e, aos 64 anos, estar longe de perder o swing de quem canta que vai pra Califórnia.

Apresentando-se para uma plateia de perfil mais adulto, a qual mais da metade do público presente estava disposto sentado às mesas, eu achei que era a pessoa mais nova presente – opa, vi um menino de uns nove anos com o pai. Moleque bom -, num grande mar de grupos de amigos de trinta, quarenta ou cinquenta anos que levantava os celulares para filmar as músicas (ou filmar a eles próprios recitando cada palavra das canções – One Direction que se cuide).

No repertório, quase trinta músicas que fizeram nossas vidas, tipo “Toda Forma de Amor” e “Aviso aos Navegantes”. Também teve muita faixa da Rita Lee (ô seu Lulu, queria saber o motivo!), tipo “Desculpe o Auê”.

Foi em 1995 que “Assim Caminha a Humanidade” era a faixa de abertura da Malhação. Lulu tem outros vários sucessos, como “Apenas mais uma de Amor” e “Um Certo Alguém”. Aliás, parece de propósito que ele fale tanto de amor… “Sou flagelado da paixão, retirante do amor, desempregado do coração” (“Tudo Azul”): qual melhor jeito de ser sucesso de rádio?

Lulu, além de romântico, se importa com acessibilidade. Foi o primeiro show que eu vi com tradutora de libras. A moça (moça, queria saber seu nome, você é tão elementar quanto próprio Lulu) ficou dançando e interpretando as quase duas horas de show.

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No pré-bis, rolou um medley de “Sereia/Califórnia/Onda”, clássica. Mas minha grande música favorita dele é “Tempos Modernos”, onde Lulu vê um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera. Só faltou dizer aquele “Fora Temer”, Lulu!

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Resenha: Oh Wonder + Zara Larsson @Circo Voador

Por Natalia Salvador

Se tem uma coisa que eu gosto em shows de artistas internacionais, principalmente quando se trata da primeira experiência deles no Brasil, é observar o rosto dos músicos e bailarinos. Não é nenhuma novidade que o público brasileiro é, vamos chamar, intenso e energético. E foi exatamente isso que levei dos shows de Oh Wonder e Zara Larsson, na última terça-feira (20), no nosso amado Circo Voador. A apresentação foi um dos side shows do festival Lollapalooza – que acontece nesse final de semana em São Paulo -, organizado pela plataforma Queremos! em parceria com a Heineken.

Apesar da casa não estar tão cheia, totalmente esperado para um show terça-feira à noite, a plateia carioca não deixa a desejar. Com poucos minutos de atraso, a dupla Oh Wonder subiu ao palco ao som dos gritos quase histéricos dos fãs. Com poucos músicos de apoio no palco – só um baterista e um baixista (confirmar na foto) – os ingleses se bastam em cima do palco. Os timbres de voz doce se completam às notas dos teclados e é quase impossível não se apaixonar. Ali eles apenas comprovam o porque do sucesso repentino na internet enquanto divulgavam música sem pretensão no Soundcloud.

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Oh Wonder @2018

O setlist foi bem equilibrado entre canções de “Oh Wonder” e “Ultralife”, os dois álbuns de estúdio da dupla. Drive, Livewire, Dazzle, HighonHumans, Heavy e Lifetime eram as mais aguardadas e não ficaram de fora. Depois de um belo discurso sobre ser você mesmo e defender as inciativas e princípios que acreditamos, Josephine introduziu All We Do, que foi ovacionada pelo público. Body Gold, primeira música composta para o projeto, também fez barulho!

No quesito simpatia, os dois levaram nota 11! O sorriso estampado no rosto durante cada música mostrava da maneira mais clara o que eles estavam sentindo. Depois de passar um dia curtindo a cidade maravilhosa, com direito a praia em Ipanema e tudo, a energia não podia ser melhor! “Nós comemos açaí, fomos à praia e lá estavam nos oferecendo caipirinha às 10h da manhã. Definitivamente nós estamos no Rio de Janeiro”, contou Josephine. Depois de muitos pedidos, os dois voltaram ao palco saltitantes e encerraram o show com Ultralife e Drive.

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Oh Wonder @2018

Mudando quase que radicalmente o cenário do Circo Voador, a doçura e leveza de Oh Wonder deram espaço para o clima sexy e dançante do pop de Zara Larsson. A sueca subiu ao palco com banda, backing vocal, bailarinas e muitos falsetes. As primeiras palavras de Zara em Never Forget You não foram ouvidas, microfone ainda desligado ou plateia ensurdecedora? Fica ai o questionamento. A certeza é que a jovem cantora, de apenas 20 anos, é muito popular entre o público LGBT, certeza de uma noite de muita diversão!

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Zara Larsson @2018

Symphony – parceria com Clean Bandit -, Girls Like, Ain’tMyFault e Lush Love marcaram presença no setlist. Além dos grandes sucessos autorais, a cantora inclui músicas de companheiros de estrada. Ed Sheeran e Cardi B fizeram parte de pot-pourris: Shape of You acompanhou Don’t Let Me Be Yours, enquanto que Bodak Yellow deu força para I Would Like. Para atender aos pedidos incessantes dos fãs, Zara voltou para o bis performando uma música que não costuma estar em seu repertório, One Mississippi lavou a alma dos fãs.

Apesar da vibe diferente, os shows se complementaram para quem se dispôs as experiências. O combo de estreia de Oh Wonder e Zara Larsson no Brasil funcionou muito bem, pelo menos para os cariocas que não vão ao Lollapalooza no fim de semana. Eu certamente vou passar mais algumas semanas ouvindo os CDs no repeat e lembrando do rostinho da dupla inglesa completamente anestesiada. A grande lição é que uma noite e um festival como esses comprovam que tem espaço para todo mundo curtir e se divertir junto. Afinal, música é isso, né?

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Baco Exu do Blues + Don L @Circo Voador

Por Gustavo Chagas (texto e fotos) | @gustavochagas

Noite de rap no Circo Voador com dois dos mais aclamados mcs da atualidade, Don L e Baco Exu do Blues. Além disso, eles lançaram dois discaços ano passado, “Roteiro para Ainouz, vol.3” e “Esú”, respectivamente. Escutem!!

Don L foi o primeiro a subir ao palco, e, serei sincero, eu não tava curtindo tanto. A expectativa tava alta e, eu sou meio averso ao uso de auto tune na voz, recurso que, infelizmente, ta ficando cada vez mais comum no rap. Mas eu fui ficando mais empolgado ao longo do show, muito por causa da galera, que agitava e cantava tudo!

Aliás, parabéns ao público que foi em peso dar moral a esses dois artistas!

Mas vamos ao que(m) interessa. Esse é o terceiro show do Baco que assisto desde novembro e, esse foi de longe o melhor! Já virou lenda que o Baco perde a voz durante as apresentações, mas eu nunca presenciei nenhum problema nesses três shows. Ontem a voz dele estava especialmente boa.

Tocou praticamente todo o “Esú” e mais as duas novas, e ÓTIMAS, faixas novas: “Facção Carinhosa” e “Sinfonia do Adeus”. Eu sempre fico esperando que ele toque a musica “Onze”, que é a minha preferida, mas, por enquanto ainda não rolou. Tô aqui na torcida, Baco!

Show irretocável, que se não fossem dois pequenos problemas, teria sido perfeito. Na música “Imortais e Fatais”, rolou um pequeno esquecimento por parte de Baco e, ele não cantou um dos melhores versos da musica (“Você não aproveita a vida, mas quer a imortalidade”). Nada demais, ninguém deve ter percebido.

Outro problema foi quando a galera começou a pedir por “Sulicídio“, o que visivelmente incomodou Baco, tanto que começou o beat da música, ele se retirou do palco, meio que querendo dizer me incluam fora dessa.

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Galera, parem de pedir “Sulicídio“, sério, já passou! Apreciem o que o Baco produziu depois disso. Muito provavelmente 80% das pessoas que estavam lá ontem conheceram Baco por causa dessa música, ou seja, ela já cumpriu sua função. Olhem pra frente porque os futuros discos prometem – e muito!

Resenha: O Terno + Boogarins @Circo Voador

Por Natalia Salvador

É oficial! Decretei aqui que o Circo Voador é uma das casas de show mais mágicas do Rio de Janeiro. Não tem uma noite que eu tenha passado nesse lugar que não me fez ficar encantada com alguma coisa. Seja produção, público, energia ou banda. No último sábado, 03 de março, foi a vez de O Terno e Boogarins e, é claro que não seria muito diferente. Com casa cheia, cada banda trocava sinceridade e intensidade – na medida – com o público.

Quem abriu a noite foram os paulistas d’O Terno, que levaram boa parte do público presente. O Circo Voador acompanhava alto cada música apresentada pelo trio. Além disso, a banda também contou com o apoio de três incríveis musicistas. A inclusão de metais no novo show deixou tudo ainda mais bonito e, depois de certo tempo dos cariocas esperando por outra apresentação após o lançamento de Melhor do Que Parece, parecia o reencontro ideal. Em cima do palco, Tim, Biel, Guilherme e o trio de metais tocavam em perfeita sintonia.

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O Terno @2018

No repertório, músicas do último CD eram a maioria. A História Mais Velha do Mundo, Não Espero Mais, Deixa Fugir e Lua Cheia foram as primeiras da noite. Um dos grandes destaques da apresentação ficou por conta dos solos. Principalmente de Biel Basile, na bateria, e do trio de metais. Douglas Antunes e Amilcar Rodrigues também participaram das gravações do terceiro disco da banda. O show seguiu com Eu Confesso, Depois que a Dor Passar, Nó, além de O Orgulho e o Perdão – um dos pontos altos da noite. Bote ao Contrário e Volta, não ficaram de fora. Ao se aproximar do fim do show, Culpa ganhou coreografia e palmas e engatou em Ai, Ai, Como Eu Me Iludo e Melhor do Que Parece. Depois de calorosos pedidos de “mais um”, a banda voltou ao palco e encerrou a noite com 66, sucesso do primeiro CD – lançado em 2012.

Não muito tempo depois, o quarteto goiano de Indie Rock Psicodélico subiu ao palco trazendo o show do novo disco Lá Vem a Morte, lançado em junho de 2017, e provocando uma experiência diferente para o público. Dinho Almeida, Benke Ferraz, Raphael Vaz e Ynaiã Benthroldo apresentam um show bastante linear. A luz baixa e o instrumental das músicas te convidam a viajar no mundo dos Boogarins. A platéia já estava menos cheia e não cantava tão alto as músicas, era uma outra proposta de envolvimento. Foimal, Doce, 6000 dias e Lucifernandis chamaram atenção na apresentação da banda que já se apresentou em diferentes e importantes festivais pelo mundo – como  Primavera Sound, Coachella, Lollapalooza e South by Southwest.

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Boogarins @2018

A diferença entre as bandas se somou na noite de sábado. Não sei se todos ali, já que muitos estavam presentes por conta da segunda banda, concordariam comigo, mas o encaixe seria ainda melhor com a ordem de shows invertida. Com um show muito mais enérgico e apaixonado, O Terno se reforça como um dos grandes nomes do cenário atual.

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Resenha: Mayer Hawthorne @Blue Note

Por Gustavo Chagas (texto e fotos) I @gustavochagas

Mayer Hawthorne fez duas apresentações esgotadas no Rio de Janeiro no último dia 24 de janeiro, e, que sorte de quem foi! Provavelmente, foram os melhores shows que ninguém ficou sabendo esse ano na cidade. O show aconteceu no Blue Note, filial carioca do tradicional clube de jazz Nova Iorquino, que tem capacidade pra cerca de 350 pessoas.

Em sua quarta vez no Brasil (segunda que eu assisto), Mayer Hawthorne mostrou que tem um público fiel aqui, e desde a volta as raízes mais dançantes em seu último disco “Man About Town“, de 2016, eu tava esperando muito a volta dele por aqui.
Estranhei quando vi que iria ser um show com a plateia sentada, já que os shows dele costumam ser agitados. Demorou um pouco pra eu me acostumar, mas assim que me toquei que não tinha ninguém atrás de mim, e que eu poderia levantar pra dançar a hora que quisesse, dei uma relaxada.
Deu pra ver o que Hawthorne estava a vontade com aquela formatação de plateia, já que aquela era a segunda sessão do dia. E, amigos, que show! Ele tocou absolutamente tudo que um fã poderia querer ouvir. “Designer Drug“, “Fancy Clothes”, “Back Seat lover”, “Henny and Ginger Ale”, marcaram o inicio do show e cobriram bem a fase mais recente da sua carreira. Umas das minhas preferidas, “Crime”, parceria de Mayer com o rapper Kendrick Lamar, foi o ponto alto da noite!
Com a plateia totalmente conquistada, Mayer Hawthorne comecou a mandar varios hits de sua fase mais antiga. “Just Aint gonna work out”, “I wish it would rain”, “Green Eyed Love”, até fechar a primeira parte do show, com todos os convidados já de pé, com a dançante “The Walk”.
Confesso que perdi a voz com “Maybe so, Maybe no”, primeira musica do bis.
Tenho como meta em 2018 ir a pelo menos 100 shows. Esse foi o sexto. E ainda faltando 94 shows, duvido que esse saíra do meu top 5 do ano.

Resenha: Tim Bernardes @ Theatro Net

Por Natalia Salvador

Recomeçar foi um dos discos brasileiros mais comentados em 2017. O lançamento de Tim Bernardes, fora da banda O Terno, foi muito esperado e superou às expectativas do público e da crítica. Os shows de lançamento têm sido feitos de maneira mais leve e tranquila, por isso, cada capital por onde Tim passa aguarda ansiosa pela oportunidade de desfrutar deste espetáculo ao vivo. O Canal RIFF não poderia perder a oportunidade de estar presente neste dia tão especial e, de quebra, ainda batemos um papo com o multi-instrumentista. Confira!  

Tim Bernardes @ 2018

O cenário simples e minimalista nos fazia sentir como se estivéssemos dentro de um quarto com Tim. Era o momento dele nos mostrar seu íntimo, da maneira mais verdadeira que poderia. Em entrevista exclusiva, o cantor contou como foi lançar um trabalho solo. “Foi um processo completamente diferente dos discos que eu já tinha feito com O Terno. Eu sempre fui 100% focado na banda e, vira e mexe, compunha uma canção que tinha uma pegada bem mais pessoal”, explicou. O paulista ainda disse que escolheu músicas que, de alguma forma, tinham a ver com a temática de estar sozinho, de ver uma estrutura ruir – seja por uma mudança, um relacionamento, etc -, e o silêncio. “O disco é o meio do caminho, o limbo até, de fato, algo recomeçar. O tempo que eu guardei essas músicas eu não tinha nem coragem de mostrar para as pessoas, deixava elas guardadas e de tempo em tempo eu ouvia e continuava gostando delas”, concluiu.

Se as gravações já são emocionantes, ao vivo a coisa fica ainda mais bonita! Acompanhado de um piano e duas guitarras, onde se divide a cada música, Tim apresentou músicas do álbum solo, suas composições com O Terno, além de versões de canções de outros artistas. No meio de lindas performances de Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Black Sabbath, Belchior, entre outros, o grande destaque da noite ficou por conta de Soluços, música de Jards Macalé. Entre as canções da banda, Volta e Melhor Do Que Parece, presentes no último disco, não ficaram de fora do set list. Além disso, a iluminação baixa também te transporta para o universo de Tim.

Tim Bernardes @ 2018

O público cantava mais tímido a maioria das músicas, pareciam estar ali apenas observando e absorvendo o que o multi-instrumentista havia preparado. “Eu to bem feliz! Eu sabia que estava fazendo um disco e que eu achava as canções bonitas, estava caprichando e que seria algo que eu, como ouvinte, gostaria de ouvir. Mas eu não tinha certeza do quanto eu queria lançar e expor ele num primeiro momento, que eu ainda estava tímido. No meio do processo, que eu vi ele tomando força e virando uma grande coisa assumi a ideia de lançar mesmo, fazer clipe, divulgação e chegar no máximo de pessoas possível. Até agora é o disco que eu mais consegui me realizar musicalmente”, confessou.

Dentre as músicas de Recomeçar, a que mais se destaca é Não. Ao vivo isso não seria diferente. Além dela, Tanto Faz, Quis Mudar, Talvez, Ela Não Vai Mais Voltar, As Histórias do Cinema, e Ela, não ficaram de fora do set list – e nem poderiam. A verdade é que, conforme o show vai avançando, mais a gente quer ouvir. É como se fosse aquele grupinho de amigos tocando na sala em mais uma reunião entre vocês, você só quer ficar ali curtindo aquele momento por um tempinho. Mas uma hora, infelizmente, chega ao fim.

Tim Bernardes @ 2018

Mas se engana quem pensou que Tim deu um tempo. Além de seguir apresentando Recomeçar pelo Brasil afora, o cantor tem importantes encontros marcados com O Terno. A banda se apresenta no segundo dia do Lollapalooza Brasil e os meninos estão animados. “Eu acho que vai ser legal, vão pessoas do Brasil inteiro. To com essa sensação de que vai ser o maior encontro mundial de fãs d’O Terno até então”, contou sorrindo. E as surpresas não param por ai, Tim contou ao Canal RIFF que eles estão com um novo show, renovado, e querem curtir esse momento. Mas, também estão ensaiando coisas novas e parece que vem novidade por ai! Então fica ligado no Tim Bernardes, na banda O Terno e não da mole de perder.

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A Despedida do Onda @breve

‏Texto Camila Borges , Fotos Felipe Indini

Para a física, uma Onda é uma perturbação oscilante de alguma grandeza física no espaço e periódica no tempo. Para outros (me incluo nessa) foi um dos álbuns mais profundos, cheios de significados. Começar uma resenha desta maneira diferente foi a única maneira que encontrei pra citar melhor a despedida. Foi uma noite memorável, cheia de amigos, fãs, bandas e histórias pra contar.

Na última sexta-feira (15), o palco da vez foi o Breve. Casa de shows que fica em São Paulo, conhecida por receber bandas alternativas no geral.

Começamos a noite com O Grande Babaca (Gabriel Olivieri) mostrando algumas gravações que você pode ouvir na internet, inclusive uma canção inédita apenas para quem esteve no show, por enquanto. Pra quem ainda não conhece vale a pena ouvir.

A segunda banda da noite foi a Hover, banda de Petrópolis/RJ que conta com Saulo von Seehausen (guitarrista e vocalista), Lucas Lisboa (guitarrista), Felipe Duriez (guitarrista), Álvaro Cardozo (baterista) e Leandro Bronze (baixista). Mostram boa parte do repertório do seu ótimo “Never Trust The Weather”, e entre uma música e outra  rolaram muitas declarações não só de amor, mas gratidão e amizade a principal banda da noite.

Eis que chega a parte mais esperada para  muitos, a última chance de ouvir o Onda na íntegra, ao vivo. A troca entre a Alaska e público é uma das coisas mais impressionantes que acontecem show após show e naquele dia não foi diferente. A evolução e a paixão pelo que fazem é notável, sou suspeita pra falar.

Durante a apresentação rolaram algumas participações, como por exemplo a do André Vinco (Ceano) invadindo o palco e dividindo o microfone durante Alto-mar. Mariana Ávila em O Resto é Silêncio (ok, nessa hora não deu pra segurar a emoção e já tinha um bocado de gente aos prantos).

Foto Leo Rodrigues

Durante muitas músicas a voz do público se misturava com a do vocalista, outrora eram apenas eles e mais ninguém. Muitos ali vieram desde o catarse, outros de muito antes, outros de pouco tempo. A emoção tomou conta do show durante muitas vezes, deixando muitos sem palavras.

O fim da apresentação chegou com as últimas 3 músicas: Onda, Euforia com a sua nova “roupagem” bem diferente daquela que ouvimos no EP, e Vista. Esta última com invasão de muitos amigos ao palco, e como sempre a plateia acompanhando em alto e bom som os músicos. Logo após toda essa loucura ainda tivemos uma breve surpresa: uma das músicas novas. Ainda sem nome,por enquanto, ela é chamada de 16 pela própria banda.

Foram dois anos de Onda, com muitos shows, 3 videoclipes, participações especiais. Mas o que realmente fica é a marca e algumas lições que o álbum deixa em cada um que se dispôs a conhecê-lo, a interpretá-lo e principalmente acreditar no que era proposto quando talvez ninguém mais acreditaria.

 

 

 

 

Scracho faz show de comemoração aos 10 anos do A Grande Bola Azul @Circo Voador

Texto: Natalia Salvador / Fotos: Thais Huguenin 

Você já sentiu como se o tempo tivesse parado? Ou como se um momento, distante do que você vive hoje, voltasse, mesmo que só por uns instantes. Mas sem peso nenhum! Foi assim que eu e, acredito que, muitas outras pessoas se sentiram no Circo Voador nesse último domingo (10/12). Em comemoração aos 10 anos de lançamento do CD A Grande Bola Azul, a banda Scracho organizou alguns shows para fazer uma festa com os fãs. Spoiler: as expectativas foram superadas!

Gabriel Elias | por Thaís Huguenin

Com os ingressos esgotados em questão de horas de venda era certo que o Circo ia ficar pequeno para tantas memórias. Em um típico domingo carioca, Gabriel Elias deu início a noite. O cantor apresentou músicas autorais, mas não deixou de fora a nostalgia. Catch Side, Forfun, Edu Ribeiro, Charlie Brown Junior e The Calling entraram para o setlist. Apesar do grande público que acompanhava o show de abertura, muitas pessoas ainda chegavam no local e aproveitavam para garantir o merch especial da festa, que além de camisetas e bonés ainda contava com um copo exclusivo!

Scracho | por Thaís Huguenin

Próximo às 20h da noite, Scracho assumia o palco para dar início a uma noite intensa, saudosa e emocionante. Além de Diego Miranda (guitarra e vocal), Caio Correa (baixo e vocal) e Dedé Teicher (bateria e vocal), o trio contou com a participação de Gabriel Leal, ex-guitarrista. Além dele, outra guitarra marcava presença no palco – o que, para mim, não parecia fazer muito sentido. Vários balões azuis e brancos tomaram conta do Circo Voador e, como dizem os jovens, foi tiro atrás de tiro!

Universo Paralelo, Quando eu voltar, A Vida Que Eu Quero, Então Vai foram só alguns dos muitos clássicos que tocaram em muitos aparelhos de mp3 e mp4 nos anos de 2007, 2008 e 2009. Apesar do tempo, as letras estavam na ponta da língua e a plateia acompanhava a plenos pulmões. Eu já disse nesse texto que a festa estava linda? Para acompanhar em Mais Um Dia, Rodrigo Stallone – primeiro baterista da banda – assumiu as baquetas.

Scracho | por Thaís Huguenin

Como no Rio de Janeiro tudo vira grito de futebol, já era de se esperar que em algum momento alguém ia puxar um. “OOH VOLTA SCRACHO” foi o escolhido da vez. Em seguida, Gabriel palestrou sobre o quanto aquele momento era importante e o quanto tudo que eles viveram mudou a vida deles – e a as nossas também, mas não precisava de tantas palavras. O show seguiu com Você Mudou e Canção Pra Te Mostrar, com direito a Diego e um violão sozinhos no palco. Mas o ponto alto do bloco ficou por conta de Quase de Manhã, comandada a capela pelo público.

A festa era do AGBA, mas algumas músicas de Boto Fé e Mundo a Descobrir não ficaram de fora – e nem podiam. Faz Sentido, #Tudobem, Cuida de mim, Bem-te-vi, Passa e Fica e Som Sincero não deixaram ninguém parado. Mas o grande momento da noite ficou por conta de Lado Bê, que contou com a participação de Rodrigo Costa, Vitor Isensee e André Fialho, o Dedeco. Não teve uma pessoa que não gritava nesse momento. Eu vi pessoas se abraçando e uma energia fora do comum. Sim, meus caros, nossa adolescência estava ali, vivinha! Como já era de se esperar, no fim da música o ex-vocalista do Dibob se jogou na galera.

Scracho | por Thaís Huguenin

Apesar de alguns poucos erros, o calor e a superlotação da casa, foi uma linda festa e, sem dúvidas, memorável. Acredito que nem todos os presentes tenham uma ligação tão forte com a infância/adolescência como eu tenho, mas era nítida a emoção em cada rostinho. E a música é tudo isso, história, lembrança, carinho, amor, alegria, emoção… É você, fã, se aprimorar de um conteúdo para expressar tudo que está ai dentro de você. Ver um Circo Voador lotado ovacionando 3 bandas do underground carioca de alguns anos atrás me fez ter esperança de que todo artista pode ter seu – merecido – momento de reconhecimento.  Obrigada por isso, Scracho.  

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Resenha: Porão do Rock 2017

Por Aline Barbosa (fotos) e Tayane Sampaio (texto)

O que tinha tudo pra ser um dia de muita música e diversão, se tornou uma noite caótica. A 20ª edição do Porão do Rock, que aconteceu sábado (25), em Brasília (DF), ficou marcada pela chuva, atrasos, problemas técnicos e cancelamentos.

O descontentamento começou pelo bar. Apesar de ter vários foodtrucks no espaço do evento, com muitas opções para alimentação, o bar era exclusivo do Festival e os preços estavam salgados: a garrafa de água custava R$ 6,00 e a lata de energético, da marca Red Bull, estava R$18,00(!!!).

Às 15h, horário marcado para abertura dos palcos Budweiser e Brasília Capital do Rock, uma pequena fila já se formava na entrada principal do Festival. Fila que só foi crescendo, já que os portões foram abertos com mais de duas horas de atraso. Enquanto isso, do lado de dentro, o BaianaSystem ainda passava o som e o vocalista, Russo Passapusso, demonstrava insatisfação por não conseguir passar o som como queria.

Com quase três horas de atraso, foi dado início à programação do Palco Budweiser. Todas as bandas tiveram o tempo de show reduzido, com intuito de diminuir o atraso. Na primeira música, a banda Lupa já enfrentou problemas com equipamento desligando e até com queda de energia no palco. Do outro lado, no Palco Claro, a Ego Kill Talent passou algumas horas tentando ajeitar as coisas.

No decorrer da noite, os palcos Brasília Capital do Rock e Budweiser foram fechados, por conta da chuva, e alguns equipamentos foram danificados. Daí em diante, todos os shows deveriam acontecer no Palco Claro, mas o evento foi encerrado com o BaianaSystem, que fez um show extremamente prejudicado pelos equipamentos defeituosos, a ponto de não se conseguir entender o que o vocalista falava, devido às caixas de som estouradas. Sem qualquer aviso oficial ao público, tanto no evento quanto na fanpage, os shows do Black Alien, Krisiun, Deceivers e Dark Avengers foram cancelados.

Mesmo com estrutura gigantesca, o público do festival foi tímido, ainda mais depois da chuva torrencial e da sequência de raios e relâmpagos que iluminaram o céu de Brasília. Sem lugar pra se abrigar, quem estava na área VIP correu para o camarote, e quem estava na pista comum tentou se esconder nas tendas da praça de alimentação, que não cabia muita gente. Mesmo com todos os problemas, boa parte do público permaneceu no local para curtir os shows, como os fãs da Dona Cislene, que enfrentaram a chuva cantando alto.

Confira, abaixo, quais foram nossos shows preferidos do Porão do Rock 2017.

O TAROT

O grupo, que foi um dos vencedores da terceira e última Seletiva de Bandas, organizada pelo Festival, só confirmou o que já vem mostrando pelos palcos da Cidade: que é um dos destaques da nova cena musical de Brasília. Com um show bem pensado, enérgico e divertido, O Tarot animou o público que estava no Palco Claro. Algumas pessoas, na grade, trajando camisetas da banda, ficaram um bom tempo ali, guardando lugar pra ver tudo o mais perto do palco possível.

Com visual cigano, Caio Chaim (voz e teclados), Lucas Gemelli (guitarra, acordeon e backing vocal), Victor Neves (baixo), Vinicius Pires (guitarra) e Vítor Tavares (bateria) levaram músicos convidados para abrilhantar mais a apresentação. Tom Suassuna (violino), Isadora Pina (saxofone) e Isabella Pina (percussão) ajudaram o grupo na performance.

O Tarot | Por Aline Barbosa

A entrega dos músicos no palco é um ponto forte da banda, que se movimenta e interage bastante. Caio, o vocalista, é bem performático e soube aproveitar os espaços vazios do palco, sempre indo de encontro aos companheiros de banda, que pareciam se divertir muito tocando. Mesmo correndo de um lado pro outro, Caio consegue segurar o tranco e manter o bom desempenho vocal.

O Tarot tocou algumas músicas de seu primeiro EP, Zero (2016), que tem uma sonoridade dançante, que transborda ritmos latinos. “Certezas Supostas”, “Ballet de Barraco” e “Cabeceira” foram os destaques da apresentação.

EGO KILL TALENT

Com passagens pelos festivais mais importantes do País, além de passagens pela França, Reino Unido, Holanda, Portugal e Espanha, o Ego Kill Talent tocou pela primeira vez em Brasília. O grupo, de São Paulo, foi um dos mais aguardados no Palco Claro.

Jonathan Correa (vocal), Raphael Miranda (bateria e baixo), Theo van der Loo (guitarra e baixo), Jean Dolabella (bateria e guitarra) e Niper Boaventura (baixo e guitarra) conseguem fazer um show dinâmico, mesmo com as trocas de instrumento, que quase passam despercebidas.

Ego Kill Talent | Por Aline Barbosa

O grupo tocou algumas músicas de seu primeiro álbum, homônimo, que foi lançado este ano. Com uma sonoridade que passa por vários subgêneros clássicos do rock, como o grunge e o stoner, o EKT realiza um show versátil, com vários momentos, mesmo tendo um som mais pesado, carregado nas guitarras.

Sem dúvidas, o público gostou do que ouviu. Quando você olhava pra grade, via pessoas gritando as letras junto com o vocalista, ajudando a banda com palmas no ritmo da música e de olhos vidrados no palco, pra não perder um segundo sequer do show.

BRAZA

O grupo carioca, que tem feito shows lotados por onde passa, apresentou o Tijolo por Tijolo (2017) aos brasilienses. O Braza foi um dos primeiros shows que realmente encheu, depois da Elza Soares. O público do Palco Claro cantou junto com a banda e cantou alto, bem alto. Isso surpreendeu, principalmente pela sonoridade da banda não se encaixar no “padrão” Porão do Rock.

Danilo Cutrim (guitarra e voz), Vitor Isensee (teclados e voz) e Nícolas Christ (bateria), acompanhados pelo baixista Pedro Lobo, fizeram o público dançar durante todo o show. Sem muito tempo pra desperdiçar, o grupo emendou uma música na outra e o público, ligado, acompanhou o ritmo frenético. Assim como acompanhavam o reggae de Danilo na dança, o pessoal ia à loucura com as rimas de Vitor.

Braza | Por Aline Barbosa

Conhecidos por shows quentes, os músicos se empolgaram durante a apresentação. Se empolgaram tanto que Vitor desceu do palco e foi pra grade e, depois, pro meio da galera, que o recebeu de braços abertos.

Além de tocar as músicas do álbum mais recente, o trio não deixou de tocar os sucessos do primeiro álbum, Braza (2016). Pra finalizar, os cariocas mandaram uma sequência de hits: “Jaya”, “Ela me Chamou para Dançar um Ragga” e “Segue o Baile”, que deixou o público em êxtase.

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Observação: devido aos atrasos (que causaram choque de horários), distância do palco e chuva, infelizmente não vimos os shows do Palco Brasília Capital do Rock.

RESENHA: CASTELLO BRANCO @TEATRO IPANEMA

Por Natalia Salvador 

No início de outubro, Castello Branco lançou seu segundo CD. Com 11 faixas e uma capa incrível, o disco vem colecionando elogios e críticas positivas. No último dia 7 de novembro, era a vez do Rio de Janeiro desfrutar do Sintoma ao vivo e não fez feio: duas sessões esgotas – até demais – em plena terça-feira. Não seria por menos!

A fila dava voltas na porta do Teatro Ipanema e a hora foi extrapolada para acomodar todos dentro do estabelecimento. Mesmo com atraso e vendo que nem todos teriam lugar, o público estava animado para o show.  Eu fui bailarina durante 10 anos e ouvir os 3 sinais, mesmo que da plateia, ainda me dão borboletas no estômago. Era hora de começar.

Antes de Lucas entrar, os músicos que o acompanhavam tomaram lugar enquanto um belo texto era declamado nas caixas de som. A música que abriu o espetáculo foi Assuma, em seguida Mãeana subiu ao palco para cantar Providência. O amor e admiração entre os dois transbordava, era, definitivamente, um momento mágico!

Castello Branco e Mãeana @2017

Na sequência, Tem Mais que Eu – música do CD Serviço, de 2013 – e Não Me Confunda animaram a plateia, que já não estava tão confortável nas cadeiras e acompanhou o cantor, mesmo que tímida, na dança. Claramente aquela noite não era pra se desfrutar sentada em fileiras. Castello Branco é emocionante, é ritmo, é emoção, é o corpo que se manifesta! Em um dos momentos de troca com o público, Lucas falou de seu processo de composição e seguiu com Kdq, dedicando a uma pessoa especial em sua vida, Lôu Caldeira.

A noite foi cheia de momentos incríveis e emocionantes. Luiza Brina, Thiago Barros, Ricardo Braga, Ico dos Anjos e Tomás Tróia, acompanhavam Lucas. Mas, a presença que mais iluminou aquele lugar, sem dúvidas, foi a de Verônica Bonfim. O Peso do Meu Coração ganhou uma performance de fazer qualquer um sorrir involuntariamente.

Castello Branco e Verônica Bonfim @2017

Crer-Sendo e Cara a Cara também estiveram presentes no setlist. A segunda sessão precisava começar, mesmo que ali ninguém quisesse ir embora. Necessidade foi a responsável por fechar a noite e levou todo mundo para a beira do palco. Foi, finalmente, o momento de extravasar toda a energia e alegria que aquele momento nos proporcionava.

O momento mágico deixou um gostinho de quero mais. Acho que, além de mim, o público espera Castello Branco voltar em um outro tipo de ambiente. Ei, Lucas, vem dançar com a gente mais uma vez!

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