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A Despedida do Onda @breve

‏Texto Camila Borges , Fotos Felipe Indini

Para a física, uma Onda é uma perturbação oscilante de alguma grandeza física no espaço e periódica no tempo. Para outros (me incluo nessa) foi um dos álbuns mais profundos, cheios de significados. Começar uma resenha desta maneira diferente foi a única maneira que encontrei pra citar melhor a despedida. Foi uma noite memorável, cheia de amigos, fãs, bandas e histórias pra contar.

Na última sexta-feira (15), o palco da vez foi o Breve. Casa de shows que fica em São Paulo, conhecida por receber bandas alternativas no geral.

Começamos a noite com O Grande Babaca (Gabriel Olivieri) mostrando algumas gravações que você pode ouvir na internet, inclusive uma canção inédita apenas para quem esteve no show, por enquanto. Pra quem ainda não conhece vale a pena ouvir.

A segunda banda da noite foi a Hover, banda de Petrópolis/RJ que conta com Saulo von Seehausen (guitarrista e vocalista), Lucas Lisboa (guitarrista), Felipe Duriez (guitarrista), Álvaro Cardozo (baterista) e Leandro Bronze (baixista). Mostram boa parte do repertório do seu ótimo “Never Trust The Weather”, e entre uma música e outra  rolaram muitas declarações não só de amor, mas gratidão e amizade a principal banda da noite.

Eis que chega a parte mais esperada para  muitos, a última chance de ouvir o Onda na íntegra, ao vivo. A troca entre a Alaska e público é uma das coisas mais impressionantes que acontecem show após show e naquele dia não foi diferente. A evolução e a paixão pelo que fazem é notável, sou suspeita pra falar.

Durante a apresentação rolaram algumas participações, como por exemplo a do André Vinco (Ceano) invadindo o palco e dividindo o microfone durante Alto-mar. Mariana Ávila em O Resto é Silêncio (ok, nessa hora não deu pra segurar a emoção e já tinha um bocado de gente aos prantos).

Foto Leo Rodrigues

Durante muitas músicas a voz do público se misturava com a do vocalista, outrora eram apenas eles e mais ninguém. Muitos ali vieram desde o catarse, outros de muito antes, outros de pouco tempo. A emoção tomou conta do show durante muitas vezes, deixando muitos sem palavras.

O fim da apresentação chegou com as últimas 3 músicas: Onda, Euforia com a sua nova “roupagem” bem diferente daquela que ouvimos no EP, e Vista. Esta última com invasão de muitos amigos ao palco, e como sempre a plateia acompanhando em alto e bom som os músicos. Logo após toda essa loucura ainda tivemos uma breve surpresa: uma das músicas novas. Ainda sem nome,por enquanto, ela é chamada de 16 pela própria banda.

Foram dois anos de Onda, com muitos shows, 3 videoclipes, participações especiais. Mas o que realmente fica é a marca e algumas lições que o álbum deixa em cada um que se dispôs a conhecê-lo, a interpretá-lo e principalmente acreditar no que era proposto quando talvez ninguém mais acreditaria.

 

 

 

 

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Scracho faz show de comemoração aos 10 anos do A Grande Bola Azul @Circo Voador

Texto: Natalia Salvador / Fotos: Thais Huguenin 

Você já sentiu como se o tempo tivesse parado? Ou como se um momento, distante do que você vive hoje, voltasse, mesmo que só por uns instantes. Mas sem peso nenhum! Foi assim que eu e, acredito que, muitas outras pessoas se sentiram no Circo Voador nesse último domingo (10/12). Em comemoração aos 10 anos de lançamento do CD A Grande Bola Azul, a banda Scracho organizou alguns shows para fazer uma festa com os fãs. Spoiler: as expectativas foram superadas!

Gabriel Elias | por Thaís Huguenin

Com os ingressos esgotados em questão de horas de venda era certo que o Circo ia ficar pequeno para tantas memórias. Em um típico domingo carioca, Gabriel Elias deu início a noite. O cantor apresentou músicas autorais, mas não deixou de fora a nostalgia. Catch Side, Forfun, Edu Ribeiro, Charlie Brown Junior e The Calling entraram para o setlist. Apesar do grande público que acompanhava o show de abertura, muitas pessoas ainda chegavam no local e aproveitavam para garantir o merch especial da festa, que além de camisetas e bonés ainda contava com um copo exclusivo!

Scracho | por Thaís Huguenin

Próximo às 20h da noite, Scracho assumia o palco para dar início a uma noite intensa, saudosa e emocionante. Além de Diego Miranda (guitarra e vocal), Caio Correa (baixo e vocal) e Dedé Teicher (bateria e vocal), o trio contou com a participação de Gabriel Leal, ex-guitarrista. Além dele, outra guitarra marcava presença no palco – o que, para mim, não parecia fazer muito sentido. Vários balões azuis e brancos tomaram conta do Circo Voador e, como dizem os jovens, foi tiro atrás de tiro!

Universo Paralelo, Quando eu voltar, A Vida Que Eu Quero, Então Vai foram só alguns dos muitos clássicos que tocaram em muitos aparelhos de mp3 e mp4 nos anos de 2007, 2008 e 2009. Apesar do tempo, as letras estavam na ponta da língua e a plateia acompanhava a plenos pulmões. Eu já disse nesse texto que a festa estava linda? Para acompanhar em Mais Um Dia, Rodrigo Stallone – primeiro baterista da banda – assumiu as baquetas.

Scracho | por Thaís Huguenin

Como no Rio de Janeiro tudo vira grito de futebol, já era de se esperar que em algum momento alguém ia puxar um. “OOH VOLTA SCRACHO” foi o escolhido da vez. Em seguida, Gabriel palestrou sobre o quanto aquele momento era importante e o quanto tudo que eles viveram mudou a vida deles – e a as nossas também, mas não precisava de tantas palavras. O show seguiu com Você Mudou e Canção Pra Te Mostrar, com direito a Diego e um violão sozinhos no palco. Mas o ponto alto do bloco ficou por conta de Quase de Manhã, comandada a capela pelo público.

A festa era do AGBA, mas algumas músicas de Boto Fé e Mundo a Descobrir não ficaram de fora – e nem podiam. Faz Sentido, #Tudobem, Cuida de mim, Bem-te-vi, Passa e Fica e Som Sincero não deixaram ninguém parado. Mas o grande momento da noite ficou por conta de Lado Bê, que contou com a participação de Rodrigo Costa, Vitor Isensee e André Fialho, o Dedeco. Não teve uma pessoa que não gritava nesse momento. Eu vi pessoas se abraçando e uma energia fora do comum. Sim, meus caros, nossa adolescência estava ali, vivinha! Como já era de se esperar, no fim da música o ex-vocalista do Dibob se jogou na galera.

Scracho | por Thaís Huguenin

Apesar de alguns poucos erros, o calor e a superlotação da casa, foi uma linda festa e, sem dúvidas, memorável. Acredito que nem todos os presentes tenham uma ligação tão forte com a infância/adolescência como eu tenho, mas era nítida a emoção em cada rostinho. E a música é tudo isso, história, lembrança, carinho, amor, alegria, emoção… É você, fã, se aprimorar de um conteúdo para expressar tudo que está ai dentro de você. Ver um Circo Voador lotado ovacionando 3 bandas do underground carioca de alguns anos atrás me fez ter esperança de que todo artista pode ter seu – merecido – momento de reconhecimento.  Obrigada por isso, Scracho.  

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Resenha: Porão do Rock 2017

Por Aline Barbosa (fotos) e Tayane Sampaio (texto)

O que tinha tudo pra ser um dia de muita música e diversão, se tornou uma noite caótica. A 20ª edição do Porão do Rock, que aconteceu sábado (25), em Brasília (DF), ficou marcada pela chuva, atrasos, problemas técnicos e cancelamentos.

O descontentamento começou pelo bar. Apesar de ter vários foodtrucks no espaço do evento, com muitas opções para alimentação, o bar era exclusivo do Festival e os preços estavam salgados: a garrafa de água custava R$ 6,00 e a lata de energético, da marca Red Bull, estava R$18,00(!!!).

Às 15h, horário marcado para abertura dos palcos Budweiser e Brasília Capital do Rock, uma pequena fila já se formava na entrada principal do Festival. Fila que só foi crescendo, já que os portões foram abertos com mais de duas horas de atraso. Enquanto isso, do lado de dentro, o BaianaSystem ainda passava o som e o vocalista, Russo Passapusso, demonstrava insatisfação por não conseguir passar o som como queria.

Com quase três horas de atraso, foi dado início à programação do Palco Budweiser. Todas as bandas tiveram o tempo de show reduzido, com intuito de diminuir o atraso. Na primeira música, a banda Lupa já enfrentou problemas com equipamento desligando e até com queda de energia no palco. Do outro lado, no Palco Claro, a Ego Kill Talent passou algumas horas tentando ajeitar as coisas.

No decorrer da noite, os palcos Brasília Capital do Rock e Budweiser foram fechados, por conta da chuva, e alguns equipamentos foram danificados. Daí em diante, todos os shows deveriam acontecer no Palco Claro, mas o evento foi encerrado com o BaianaSystem, que fez um show extremamente prejudicado pelos equipamentos defeituosos, a ponto de não se conseguir entender o que o vocalista falava, devido às caixas de som estouradas. Sem qualquer aviso oficial ao público, tanto no evento quanto na fanpage, os shows do Black Alien, Krisiun, Deceivers e Dark Avengers foram cancelados.

Mesmo com estrutura gigantesca, o público do festival foi tímido, ainda mais depois da chuva torrencial e da sequência de raios e relâmpagos que iluminaram o céu de Brasília. Sem lugar pra se abrigar, quem estava na área VIP correu para o camarote, e quem estava na pista comum tentou se esconder nas tendas da praça de alimentação, que não cabia muita gente. Mesmo com todos os problemas, boa parte do público permaneceu no local para curtir os shows, como os fãs da Dona Cislene, que enfrentaram a chuva cantando alto.

Confira, abaixo, quais foram nossos shows preferidos do Porão do Rock 2017.

O TAROT

O grupo, que foi um dos vencedores da terceira e última Seletiva de Bandas, organizada pelo Festival, só confirmou o que já vem mostrando pelos palcos da Cidade: que é um dos destaques da nova cena musical de Brasília. Com um show bem pensado, enérgico e divertido, O Tarot animou o público que estava no Palco Claro. Algumas pessoas, na grade, trajando camisetas da banda, ficaram um bom tempo ali, guardando lugar pra ver tudo o mais perto do palco possível.

Com visual cigano, Caio Chaim (voz e teclados), Lucas Gemelli (guitarra, acordeon e backing vocal), Victor Neves (baixo), Vinicius Pires (guitarra) e Vítor Tavares (bateria) levaram músicos convidados para abrilhantar mais a apresentação. Tom Suassuna (violino), Isadora Pina (saxofone) e Isabella Pina (percussão) ajudaram o grupo na performance.

O Tarot | Por Aline Barbosa

A entrega dos músicos no palco é um ponto forte da banda, que se movimenta e interage bastante. Caio, o vocalista, é bem performático e soube aproveitar os espaços vazios do palco, sempre indo de encontro aos companheiros de banda, que pareciam se divertir muito tocando. Mesmo correndo de um lado pro outro, Caio consegue segurar o tranco e manter o bom desempenho vocal.

O Tarot tocou algumas músicas de seu primeiro EP, Zero (2016), que tem uma sonoridade dançante, que transborda ritmos latinos. “Certezas Supostas”, “Ballet de Barraco” e “Cabeceira” foram os destaques da apresentação.

EGO KILL TALENT

Com passagens pelos festivais mais importantes do País, além de passagens pela França, Reino Unido, Holanda, Portugal e Espanha, o Ego Kill Talent tocou pela primeira vez em Brasília. O grupo, de São Paulo, foi um dos mais aguardados no Palco Claro.

Jonathan Correa (vocal), Raphael Miranda (bateria e baixo), Theo van der Loo (guitarra e baixo), Jean Dolabella (bateria e guitarra) e Niper Boaventura (baixo e guitarra) conseguem fazer um show dinâmico, mesmo com as trocas de instrumento, que quase passam despercebidas.

Ego Kill Talent | Por Aline Barbosa

O grupo tocou algumas músicas de seu primeiro álbum, homônimo, que foi lançado este ano. Com uma sonoridade que passa por vários subgêneros clássicos do rock, como o grunge e o stoner, o EKT realiza um show versátil, com vários momentos, mesmo tendo um som mais pesado, carregado nas guitarras.

Sem dúvidas, o público gostou do que ouviu. Quando você olhava pra grade, via pessoas gritando as letras junto com o vocalista, ajudando a banda com palmas no ritmo da música e de olhos vidrados no palco, pra não perder um segundo sequer do show.

BRAZA

O grupo carioca, que tem feito shows lotados por onde passa, apresentou o Tijolo por Tijolo (2017) aos brasilienses. O Braza foi um dos primeiros shows que realmente encheu, depois da Elza Soares. O público do Palco Claro cantou junto com a banda e cantou alto, bem alto. Isso surpreendeu, principalmente pela sonoridade da banda não se encaixar no “padrão” Porão do Rock.

Danilo Cutrim (guitarra e voz), Vitor Isensee (teclados e voz) e Nícolas Christ (bateria), acompanhados pelo baixista Pedro Lobo, fizeram o público dançar durante todo o show. Sem muito tempo pra desperdiçar, o grupo emendou uma música na outra e o público, ligado, acompanhou o ritmo frenético. Assim como acompanhavam o reggae de Danilo na dança, o pessoal ia à loucura com as rimas de Vitor.

Braza | Por Aline Barbosa

Conhecidos por shows quentes, os músicos se empolgaram durante a apresentação. Se empolgaram tanto que Vitor desceu do palco e foi pra grade e, depois, pro meio da galera, que o recebeu de braços abertos.

Além de tocar as músicas do álbum mais recente, o trio não deixou de tocar os sucessos do primeiro álbum, Braza (2016). Pra finalizar, os cariocas mandaram uma sequência de hits: “Jaya”, “Ela me Chamou para Dançar um Ragga” e “Segue o Baile”, que deixou o público em êxtase.

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Observação: devido aos atrasos (que causaram choque de horários), distância do palco e chuva, infelizmente não vimos os shows do Palco Brasília Capital do Rock.

RESENHA: CASTELLO BRANCO @TEATRO IPANEMA

Por Natalia Salvador 

No início de outubro, Castello Branco lançou seu segundo CD. Com 11 faixas e uma capa incrível, o disco vem colecionando elogios e críticas positivas. No último dia 7 de novembro, era a vez do Rio de Janeiro desfrutar do Sintoma ao vivo e não fez feio: duas sessões esgotas – até demais – em plena terça-feira. Não seria por menos!

A fila dava voltas na porta do Teatro Ipanema e a hora foi extrapolada para acomodar todos dentro do estabelecimento. Mesmo com atraso e vendo que nem todos teriam lugar, o público estava animado para o show.  Eu fui bailarina durante 10 anos e ouvir os 3 sinais, mesmo que da plateia, ainda me dão borboletas no estômago. Era hora de começar.

Antes de Lucas entrar, os músicos que o acompanhavam tomaram lugar enquanto um belo texto era declamado nas caixas de som. A música que abriu o espetáculo foi Assuma, em seguida Mãeana subiu ao palco para cantar Providência. O amor e admiração entre os dois transbordava, era, definitivamente, um momento mágico!

Castello Branco e Mãeana @2017

Na sequência, Tem Mais que Eu – música do CD Serviço, de 2013 – e Não Me Confunda animaram a plateia, que já não estava tão confortável nas cadeiras e acompanhou o cantor, mesmo que tímida, na dança. Claramente aquela noite não era pra se desfrutar sentada em fileiras. Castello Branco é emocionante, é ritmo, é emoção, é o corpo que se manifesta! Em um dos momentos de troca com o público, Lucas falou de seu processo de composição e seguiu com Kdq, dedicando a uma pessoa especial em sua vida, Lôu Caldeira.

A noite foi cheia de momentos incríveis e emocionantes. Luiza Brina, Thiago Barros, Ricardo Braga, Ico dos Anjos e Tomás Tróia, acompanhavam Lucas. Mas, a presença que mais iluminou aquele lugar, sem dúvidas, foi a de Verônica Bonfim. O Peso do Meu Coração ganhou uma performance de fazer qualquer um sorrir involuntariamente.

Castello Branco e Verônica Bonfim @2017

Crer-Sendo e Cara a Cara também estiveram presentes no setlist. A segunda sessão precisava começar, mesmo que ali ninguém quisesse ir embora. Necessidade foi a responsável por fechar a noite e levou todo mundo para a beira do palco. Foi, finalmente, o momento de extravasar toda a energia e alegria que aquele momento nos proporcionava.

O momento mágico deixou um gostinho de quero mais. Acho que, além de mim, o público espera Castello Branco voltar em um outro tipo de ambiente. Ei, Lucas, vem dançar com a gente mais uma vez!

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Resenha: Daughter @Circo Voador

Por Hiram Alem | Fotos: Eduardo Magalhães/Queremos

Os portões se abriram às 21h no Circo Voador (Rio de Janeiro) e o público chegava aos poucos naquela véspera de feriado. Dentro do Circo havia um stand da Queremos! vendendo produtos com a marca da plataforma e vários posters da Daughter para serem levados de graça pelo público.

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Antes do atração principal, quem abriu foi Mari Romano, uma artista que reúne em sua banda diversos nomes experientes na música brasileira como Marcelo Callado e Gustavo Benjão. A sonoridade é brasileiríssima, remetendo muito às décadas passadas da mpb mas com aquela pegada indie. A presença de palco e bom humor da Mari ajudavam a criar um clima descontraído, conversando e brincando com o público, ela dançava e pulava o tempo todo junto com as músicas. O show ainda contou com a participação de Pedro Pastoriz, também do mesmo selo de Mari, a paulista “Risco”.

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Às 23h em ponto, fazendo jus à nacionalidade da banda, o trio inglês entra no palco. No primeiro minuto de New Ways, a música de abertura, já dava pra perceber que a banda era impecável ao vivo e não deixava absolutamente nada a desejar para o som de estúdio, evocando atmosfera etérea, “dream-like” tão característica deles. O público cantava junto em quase todas as músicas. Gritos de “angel!” e “linda” ecoavam a cada intervalo entre as músicas, deixando a vocalista Elena sorrindo de alegria e timidez. Na hora de interagir com o público, sua voz e movimentos eram muito mais contidos, tímidos, mas transbordando carisma e sorrisos contagiantes.

De todos os momentos, talvez o ápice do show tenha sido quando a banda tocou Youth e todos cantavam a plenos pulmões e de celulares acesos. Uma curiosidade é que a banda não tocou nenhuma de suas músicas do seu álbum mais recente, The Calm Before the Storm, mas isso talvez se deva ao fato dele ter sido lançado em setembro desse ano (2017). Por fim, encerraram o show com a dançante Fossa, que botou todo mundo pra se mexer.

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Após o fim do show, os fãs se amontoaram na saída para esperar pelos integrantes que, após algum tempo, apareceram e carinhosamente assinaram todos os posteres e tiraram selfies com todo mundo, sorrindo, abraçando e conversando. Durante a conversa com os fãs, o baterista Remi Aguilella se revelou fã de bandas brasileiras como Sepultura, Soulfly e… Cansei de Ser Sexy!. Após garantir meu autógrafo e fotos, retornei para casa já ansioso pela próxima vez

Na turnê brasileira a banda se apresentou ainda em São Paulo, no dia 15, e no dia 16, em Porto Alegre.


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Daughter Setlist Circo Voador, Rio de Janeiro, Brazil 2017

 

Resenha: Liniker + Letrux @Circo Voador

Por Fernanda Alves

Duas palavras definem a última noite de sexta no circo voador: Lacre e climão. Não há outra forma de descrever, só se deixar “bagunçar”!

Letrux abriu o espetáculo mostrando seu novo trabalho: “Letrux – em noite de climão”, de nome extremamente apropriado para ocasião. Sua voz marcante e sua presença performática contagiaram o público numa espécie de catarse coletiva. Entre sorrisos falsos, versos marcados pela ironia, deboche, libertação e sussurros eróticos, um convite a mergulhar nas pistas de dança. Não havia quem ficasse parado ou indiferente às suas letras e canções, claramente inspirado pela temática da separação, mas exploradas com leveza e humor (longe da sofrência dos sertanejos). Do começo ao fim do show, a cantora, que se jogou nos braços (literalmente) da plateia, manteve a energia lá em cima de uma forma vibrante.

Depois da pausa pra se recompor após o furacão Letrux, Liniker subiu ao palco ao som de Remonta, sucesso de seu mais recente álbum. E o que podemos dizer sem parecer clichê?

Quem esteve no Circo viu o quanto impactante é vê-lx e ouvi-lx !

O show do Liniker e os Caramelows é uma experiência desafiadora e transformadora. Sua imagem indefinível elimina a existência do gênero, embaralhando convicções. É a voz forte e grave que sai da boca pintada de vermelho. Mas tudo isso teria apenas um efeito estético se sua voz não desse conta do recado. Sua música e presença são arrebatadoras e seu discurso é o que vive no dia a dia.

Sua instrumentação sai dos anos 1970 e encontra o discurso contemporâneo das ruas, da causa, do homem, da mulher. Toda uma mistura de gêneros representada em suas canções. Às vezes percussão, às vezes guitarra, às vezes teclado, mas tudo com a imprecisão de um som saindo de um vinil.

Zero, Você Fez Merda, Louise Du Brésil e Funzy mostram que o barulho que começou a ser feito quando surgiu na mídia não era em vão. Liniker “passou pra dar um cheiro” e mostrou que mais do que algo a dizer, elx têm algo a cantar.

A gente fica mordidx, não fica?”

Resenha: Maluma @Vivo Rio

Por Laura Tardin (texto e fotos)

Na noite de 10 de novembro, tivemos a chance de ver, no Vivo Rio, um artista que está na crista da onda – ou talvez, na crista de sua primeira onda, tendo em conta de que ele é nascido em 1994 – o colombiano Maluma.

Para quem minimamente entende de música pop, Maluma é figurinha fácil: fez parceria com Anitta (“Sim ou Não”), Shakira (“Chantaje”), Ricky Martin (“Vente Pa’Ca”) e possui sucessos creditados em sua própria conta, como “Felices los Cuatro” e “El Perdedor”. Maluma é representante do estilo reggaeton, que talvez tenha tido sua primeira aparição em terras brasileiras lá na virada da década, com o estouro de “Impacto” de Daddy Yankee e “Danza Kuduro”, de Don Omar e Lucenzo, que até mesmo virou abertura de novela.

Mas, não se engane: o reggaeton não é de hoje e nem é do tipo de estilo musical que irá passar rapidamente. As batidas repetitivas talvez lembrem a repetição no funk e no sertanejo brasileiros, mas nenhum destes três estilos tem pouco a contar quando se fala de juventude e cultura local. O reggaeton, algo que mistura primordialmente sonoridade caribenha, rap e beat eletrônico, debutou lá nos anos 90 e já teve outras fases áureas antes de 2017. É que, como sempre, existe uma curiosa barreira entre Brasil e América Latina – acredito que esta tenha sido responsável pela demora da chegada do ritmo às nossas rádios, já que o reggaeton se espalhou como vírus até o Ushuaia.

No Rio, o show do Maluma ocorreu na festa “Sigue Bailando“, cuja proposta musical era misturar hits brasileiros e internacionais (inclusive os latinos – e para quem acredita que ritmo latino ainda esteja resumido numa canção de Gloria Estefan, sugiro um pouco de reggaeton). O público tem cara de que estaria ali com ou sem Maluma, mas vê-se algumas fãs com faixas, cartazes e bandeiras. Apesar de recém casados, os brasileiros dominam canções de reggaeton na ponta da língua e nos pés que dançam.

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Maluma surge, com um pouco de atraso, cercado de belas bailarinas, uma banda completa e dois cantores de apoio – precisamos de alguém que seja Shakira e Anitta ao mesmo tempo. Mas ele é a grande estrela do show. Com sex appeal, muito suor e caras e bocas, Maluma encanta a plateia, em boa parte feminina, e faz um show talvez um pouco arrastado ao executar longas versões de suas músicas pop.

O moço é jovem, bonito e fresco, e abusa dos recursos de convocar os lados esquerdo e direito da plateia para ver quem grita mais alto. Em dado momento do show, depois de ter arranhado um português que arrancou suspiros, ele diz que precisa encontrar uma namorada – coisas que valem a atenção acontecem a partir daí – e duas meninas sobem ao palco. A primeira, de doze anos, ganha um presente e uma música fofa no violão (tudo bem? Ou não tudo bem? Qual o verdadeiro apelo de Maluma com as pré-adolescentes?). A segunda, que ganha um “ahora sí” ao subir ao palco, ganha abraços e troca um selinho com o astro. O menino é fanfarrão, mas quem disse que isso é ruim?

“Felices los Cuatro” é executada no bis e certamente é a música mais aclamada (e filmada nos celulares). Apesar da superficialidade que aparenta Maluma, essa canção tem uma letra que pode gerar bons e maduros debates. Me pergunto se os presentes entendem algum carajo de espanhol – se entendessem, cantariam com tanto ânimo?

Resenha: Raimundos + Supercombo @Vivo Rio

   Por Thaís Huguenin (texto e fotos)

A semana do feriado foi agitada para os rockeiros de plantão por conta do Rio Art Mix. Um festival que aconteceu nos dias 2 e 3 de Novembro no Vivo Rio e prometia ter “o melhor da cena, juntando as novas gerações e os clássicos da música brasileira”. Com mais de 10 atrações, ele trouxe grandes nomes como Raimundos, CPM22, Black Alien e Supercombo. O grande diferencial dele, além de dar espaço para bandas independentes, foi a oportunidade delas terem uma boa estrutura para se apresentarem, coisa bem rara em espaços que recebem esse tipo de evento.

Nós estivemos no segundo dia e conferimos os shows do Monstros do Ula Ula, Deia Cassali, Rocca Vegas, Rico Dalasam, Supercombo e Raimundos. Confesso que de todos esses nomes só conhecia os dois últimos, mas esse é o ponto interessante de um festival: estar aberto para conhecer bandas novas.

Rio ArtMix Festival
Monstros do Ula Ula

Os shows foram relativamente curtos, mas o bastante para cativar o público. Seja com a descontração em cima do palco dos Monstros de Ula Ula – não poderíamos esperar nada menos de uma banda com esse nome -, os covers e homenagens da Deia Cassali ou com o rock enérgico do Rocca Vegas, que contou com as participações de peso do Léo Ramos (Supercombo), Drenna Rodrigues (Drenna) e Maurício Kyann (Nove Zero Nove) durante a apresentação.

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Supercombo

Menos de uma semana depois de terem tocado no Teatro Rival, com Glória e Zimbra, a Supercombo retornou ao Rio. Um pouco arriscado, mas os fãs deram um show à parte e a banda se apresentou como se não viessem para cá há meses. Quem assumiu a bateria nos últimos shows e se juntou com Léo Ramos, Carol Navarro, Paulo Vaz e Pedro Ramos, foi André Dea, do Sugar Kane.

 O pontapé inicial foi dado por “Jovem” – essa música conta com a participação de Dinho Ouro Preto (Capital Inicial) na releitura da Session da Tarde divulgada no dia do show. Seguida por “Fundo do Mar”, “Campo de Força”, “Magaiver” e “Monstros”. Eles continuaram costurando o setlist com canções do Sal Grosso (2011), Amianto (2014) e Rogério (2016), fazendo o que sabem de melhor e não deixando ninguém parado. A conclusão é que a cada vez que a turnê Rogério passa por aqui, e já foram umas 5, é diferente e sempre muito boa.

Rico Dalasam-2
Rico Dalasam

Quem continuou com o show foi o Rico Dalasam, representante do rap da noite. De nome, você pode até não reconhecê-lo de primeira, mas a minha dica é: “Todo Dia”, hit do carnaval desse ano. Sim, ele é intérprete da música junto com a Pabllo Vittar. Com voz marcante, uma mistura de ritmos incorporada em suas músicas e um discurso sobre aceitação da identidade de gênero, ele foi a grande surpresa do festival.

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Os responsáveis por fechar a noite foram os Raimundos. Completando 30 anos de carreira, os brasilienses mostraram porque estão tanto tempo na estrada. Com uma extensa lista de álbuns, eles conseguiram agradar a todos tocando desde “Mulher de Fases”, “Baculejo”, “A mais pedida” até cover de “Love Of My Life”, do Queen. O resultado foi o público cansado, sem voz, mas com um sorriso que não cabia no rosto.

 

Resenha: Raquel Reis e LaBaq @Antonieta Café

Por Tayane Sampaio

Em outubro (21), o Antonieta Café foi palco da oitava edição do Brasilia Sessions. O projeto, sempre preocupado com questões que vão além da realização de shows, abriu espaço para a discussão sobre o protagonismo feminino na indústria musical e contou com um line-up composto apenas por mulheres.

Às 18 horas, Eli Moura, Marcella Imparato e Larissa Nalini deram início à roda de conversa, que foi aberta ao público. O grupo discutiu questões que envolvem a presença da mulher na música, de maneira holística, e suas nuances. Apesar da gratuidade, poucas mulheres estiveram presentes nesse momento, o que só reforça a necessidade de se criar esses espaços para discussão e incentivar a participação da mulher no meio musical.

Quem abriu a noite foi a brasiliense Raquel Reis. Acompanhada de Gabriel Oliveira (guitarra), Zé Assumpção (baixo), Lucas Gemelli (acordeon) e Tom Suassuna (violino), Raquel apresentou, na íntegra, seu trabalho de estreia, Quitinete, que será lançado ainda este mês. Com arranjos especiais para o evento, Raquel mostrou sua versatilidade no palco. A musicista, que esbanja doçura e potência vocal, funciona muito bem sozinha, voz e violão, mas mostrou estar mais do que preparada para liderar uma banda no palco.

Raquel Reis  | Por Tayane Sampaio

Mesmo sem ter um álbum completo oficialmente lançado, a brasiliense já mostrou algumas das canções do álbum na internet e já fez vários shows, inclusive fora do Distrito Federal. Isso, atrelado à simpatia de Raquel, faz com que o público seja dinâmico e interativo. Um dos momentos mais especiais foi em “Casa”, que a galera cantou junto, antes mesmo de Raquel pedir.

A sintonia do grupo não ficou apenas no uniforme (todos estavam com blusas vermelhas). Raquel e banda fizeram um show muito bem pensado e que, sem dúvidas, aumentou a curiosidade de quem já acompanha o seu trabalho e está ansioso para ver o álbum de estreia lançado.

Raquel Reis | Por Tayane Sampaio

No segundo ato da noite, o palco foi ocupado apenas por uma pessoa, uma guitarra e alguns pedais. A incrível LaBaq preencheu o vazio do palco com suas melodias angelicais, que reverberaram por todo o ambiente.

LaBaq | Por Tayane Sampaio

Com apenas um álbum, VOA (2016), mas muita experiência na música, LaBaq consegue criar um universo particular em seu show. As músicas, que são uma combinação perfeita de leveza e força, funcionam melhor ainda ao vivo e envolvem o público em uma atmosfera emocionante, como em “Quiçá”, que você vê abaixo. A participação da plateia emocionou LaBaq e todos os presentes.

A musicista, além de se apresentar sozinha, gerencia todas as esferas de sua carreira e esse envolvimento da artista em todos os detalhes transparece em seu trabalho, criando uma identidade ímpar.

A oitava edição do Brasilia Sessions foi cheia de sorrisos e sentimentos à flor da pele, mas também foi cheia de questionamentos e perguntas ainda sem respostas. Fica a gratidão ao espaço (sempre) aberto a questões importantes para a evolução da cena musical da Cidade e a vontade de que as discussões criem desdobramentos e soluções para os problemas apresentados.

LaBaq | Por Tayane Sampaio

Você pode acompanhar as novidades do Brasilia Sessions clicando aqui. 

Resenha: Green Day + The Interrupters @Jeunesse Arena

Por Gustavo Chagas (texto e fotos) I @gustavochagas

Sorriso no rosto. Se tivesse que definir o show do Green Day com uma frase, essa seria perfeita.

Sete anos depois de sua última passagem pelo Brasil, eles voltam com a turnê do mais recente álbum, o “Revolution Radio“.

A noite começou com o punk oitentista, com toques de ska, do The Interrupters. Show honesto, divertido e direto ao ponto! Merece uma vinda solo ao Brasil e, merece também sua atenção!

Por volta das 21h40, a Jeunesse Arena, que recebeu um bom público, foi tomada pelos acordes de “Bohemiam Raphsody”, do Queen. Público cantando, todo mundo feliz. O baterista Tré Cool entra no palco fantasiado de coelho e começa reger a galera ao som de “Blitzkrieg Bop”, do Ramones. Pronto. Antes mesmo de tocarem um acorde, o Green Day já estava com o público na mão.

Eles abriram o show com o petardo “Know Your Enemy”, que foi seguida por “Bang Bang”, primeiro single do último álbum. O que se viu a partir daí, foi uma sequência de hits.

Isso aqui tá lindo demais!! Green FUCKING Day no palco!! #coberturariff

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Em um show que durou cerca de duas horas e meia, o Green Day cobriu toda a sua discografia. “Minority”, “She”, “Basket Case” e “Jesus of Suburbia” foram os destaques.

A dinâmica do show foi idêntica a do show de 2010: muita pirotecnia, fãs sendo chamados pra subir no palco e sendo agraciados com guitarras e brindes, muitos pedidos de coro e de “cadê a mais de vocês, Rio?!!”. Até o encerramento do show, com “Good Riddance (time of your life)”, foi igual. Mas, isso foi problema? De jeito nenhum!

Desde que viraram banda de arena, o vocalista Billy Joe vem se aperfeiçoando na arte de dominar o público! Ele não deixa os ânimos caírem em nenhum momento! E, mesmo o show sendo muito parecido com o de 2010, você não se importa. Não se importa por que eles se tornaram tão hábeis em deixar o público feliz, que você se deixa levar, e sai de lá com um sorriso no rosto.

São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, não deixem de ir nessa celebração da música!