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Bananada 20: a receita mudou, mas a mistura deu tão certo quanto nas outras 19 edições

Por Felipe Ernani (texto) e Gabriel Arruda (fotos)

Quem já foi ao Bananada sabe que é uma experiência única. O festival goiano não tem a grandiosidade de um Lollapalooza ou Rock in Rio, e errou em 2017 quando apostou em uma edição maior: o público saiu feliz, mas os organizadores nem tanto. O grande desafio para 2018, então, era tornar o festival novamente viável sem prejudicar a experiência do público. Desafio aceito e cumprido, ainda que com ressalvas.

Fabrício Nobre, idealizador e organizador do festival, deu um passo arriscado quando alterou o local de realização. Saindo do amplo Centro Cultural Oscar Niemeyer, o Bananada 20 foi realizado no estacionamento do shopping Passeio das Águas. Mas essa não foi a única mudança: nova estrutura para os palcos, sistema cashless para compra de bebidas e comidas e um lineup que tentou misturar não apenas ritmos como também os artistas já estabelecidos com aqueles que reforçam a espetacular cena independente do país.

Fui enviado pelo Canal RIFF para cobrir o “evento principal”, o final de semana dos dias 11, 12 e 13 de maio. Vale lembrar que o festival começou na segunda (dia 07 de maio) e, durante a semana, foram várias apresentações pela cidade de Goiânia e quem cobriu para o RIFF foram alguns dos artistas participantes!

Falando do final de semana: no primeiro dia, como era de se esperar quando se realizam tantas mudanças de uma vez só, muita coisa deu errado. Especialmente as filas, enormes. Mas a organização mostrou sua competência em resolver problemas e, nos outros dois dias, tudo correu perfeitamente. Ainda que as opções de alimentação tenham deixado a desejar (especialmente para quem foi nos últimos anos, com muita variedade sempre), o grande destaque foi o chope Colombina: produzido localmente, delicioso e vendido a um preço justo (3 por 20 reais). Além disso, repetindo o sucesso de 2017, o festival ofereceu água à vontade durante os 3 dias, tornando a experiência muito mais agradável (e saudável).

A estrutura para os palcos principais era excelente  —  quiçá até melhor que nos anos anteriores. Porém, nos palcos menores, atrações que exigiam um pouco mais de clareza  —  como Fresno e Holger  —  acabaram ficando bastante prejudicadas; em contrapartida, as bandas mais barulhentas  —  casos de Hellbenders e gorduratrans, por exemplo  —  usaram a acústica a seu favor.

Hellbenders - por Gabriel Arruda
Hellbenders – por Gabriel Arruda

Das apresentações, a preferida do público pareceu ser a do ÀTØØXXÁ, com um segundo lugar bem próximo para o BaianaSystem. O fato é que ambos os grupos baianos simplesmente não aceitaram que alguém ficasse parado durante seus shows  —  e o público, sem hesitar, obedecia. Além desses, destacamos também a linda homenagem Refavela 40 de Gilberto Gil  —  que só não foi mais apreciada pois o público aguardava impaciente a aparição do homenageado (Gilberto só entrou no palco para o terço final do show)  —  e a sempre incrível e emocionante performance de Francisco, el Hombre.

Em uma missão quase sobre-humana de tentar estar em vários lugares ao mesmo tempo para assistir todos os shows sensacionais que o festival propôs  —  especialmente considerando que os palcos menores e maiores tinham atrasos diferentes  —  tentei capturar a maior parte dessa experiência nos stories que estão na parte de destaques do instagram do Canal RIFF.

Falando agora da experiência pessoal e parcial, os shows que destaco nos palcos maiores (além dos supracitados) foram o da chilena Javiera Mena (uma grata surpresa), o da sempre performática banda goiana Carne Doce e o do Heavy Baile, que mesmo se apresentando às 3 da manhã fez o público gastar o que restava de energia. Por outro lado, apesar dos repertórios sensacionais, Rincon Sapiência e Pabllo Vittar acabaram deixando um pouco a desejar  —  no caso do rapper, talvez seja uma decepção pessoal por ter visto o show com banda completa no Lollapalooza, que me pareceu muito mais impactante; o caso de Pabllo é um pouco mais complexo. A performance foi incrível; no entanto, o público parecia assistir o show apenas aguardando o próximo hit  —  talvez seria o caso de um show um pouco menor.

Francisco, el Hombre - por Gabriel Arruda
Francisco, el Hombre – por Gabriel Arruda

Quanto aos palcos menores, sem dúvidas o show do menores atos foi o grande destaque pessoal. Porém, as performances do Molho Negro e d’As Bahias e a Cozinha Mineira (que teve até Pabllo Vittar no palco) foram sensacionais. Não podemos deixar passar em branco também os outros artistas excelentes que passaram por esses palcos: BRVNKSErmoGiovani CidreiraEma StonedLutreBlastfemmeViolins, e tantas outras que mostram a força da cena independente nacional e que renovam as esperanças no futuro da música brasileira.

A “nova” receita do Bananada deu bastante certo. Não dá pra saber ao certo quais serão os próximos passos do festival  —  só sabemos que o Bananada 2019 acontecerá e já tem data (29/04/2018 a 05/04/2019)  —  mas o fato é que a vigésima edição do festival mostrou o que ele tem de melhor: uma mistura de estilos, de bandas grandes e pequenas, de gente de todos os cantos do país, unidos pela música e pela experiência incrível do festival goiano.

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Resenha: Moonspell @Teatro Odisseia

Por Hiram Alem | Fotos Daniel Croce

“Somos memórias de lobos que rasgam a pele

Lobos que foram homens

E o tornarão a ser”

No dia 25 de abril, uma quarta-feira, os Moonspell (sim, no plural, como eles mesmos se chamam) tocaram no Teatro Odisseia, localizado bem no centro da Lapa, polo da boemia carioca. O show estava previsto para as 21h30, após o Meet&Greet com os fãs que estavam no local desde as 16h. Dentro da casa não havia venda de produtos da banda como de costume, todavia, apoiada em uma mesa próxima da entrada estava a editora do “Purgatorial”, livro de poemas e contos de Fernando Ribeiro. Para quem não sabe, Fernando, o vocalista, além de cantor é poeta e filósofo, tendo escritos diversos livros já esgotados na Europa, mas que encontram-se coletados na edição brasileira lançada em 2015.

Após diversos problemas para tocarem aqui no ano passado, quando foram trapaceados por uma produtora desonesta, os metaleiros lusitanos retornam para a turnê de seu novo álbum “1755”. Escrito inteiramente em português, 1755 fala sobre o terremoto que assolou Lisboa no dia 1º de Novembro (feriado de Todos os Santos) de 1755, tendo magnitude entre 8,5 e 9 na escala Richter e com estimativa de pelo menos 10 mil mortes.

Às 21h30 Fernando Ribeiro entra no palco portando sua lanterna e assume o microfone com um crucifixo de madeira amarrado. O show abre com as quatro primeiras músicas do álbum novo: uma regravação mais calma e gélida de Em Nome do Medo, 1755, In Tremor Dei e Desastre. O destaque aqui, para além do figurino da banda é uma máscara de Médico da Peste utilizada pelo vocalista. A máscara era utilizada para proteger os profissionais da saúde de possíveis doenças transmitidas pelo miasma de corpos em decomposição. As letras, sempre críticas à sociedade e às instituições religiosas são uma marca registrada da banda, que também incorporam elementos místicos à muitas de suas canções, como Awake, que possui trechos gravados do famoso ocultista inglês Aleister Crowley lendo um poema.

A próxima música foi um clássico da banda, obrigatória em quase todos os shows: Opium, inspirada e com trechos do poema “Opiário” do xará Fernando Pessoa. Dentro do esperado para a casa em questão, dado seu tamanho e acústica, o som da banda estava impecável.

Após duas músicas do álbum anterior, Extinct, a banda retorna ao 1755 com Evento e Todos os Santos, essa última tendo um videoclipe extremamente crítico da política internacional atual. Outro destaque é um crucifixo gigante de madeira com um laser potente, o qual Fernando apontava e iluminava o público. A banda pausa por alguns instantes e então volta com Fernando vestindo por sobre suas roupas uma capa e clama a todos os “Vampiros” da plateia antes de tocar Vampiria e Alma Mater.

Outro destaque à parte é Lanterna dos Afogados, aquele momento do show em que todo mundo sente um aperto no peito, ainda mais nessa versão mais arrastada e dolorosa, em comparação com a original dos Paralamas do Sucesso. Uma homenagem mais do que digna dos Moonspell à história da música brasileira e, sobretudo, do rock brasileiro.

Após um breve intervalo de alguns minutos, os Moonspell retornam ao palco para as três últimas músicas: Everything Invaded, Mephisto e, claro, a já tradicional música de encerramento: Full Moon Madness. A matilha dos Moonspell agradeceu profusamente a todos que compareceram para o show no meio da semana, ainda mais após terem sido atualizados de tudo que vem acontecendo aqui no Rio de Janeiro. Na saída, fãs do lado de fora conseguiram alguns autógrafos e fotos antes que a banda fosse levada para continuar sua turnê em São Paulo, Recife e Belo Horizonte.

PLAYLIST COM A SETLIST DO SHOW:

Obs: Falta a música “Night Eternal” do álbum de mesmo nome, lançado em 2008, pois este não encontra-se no Spotify

Resenha: Ceano, Sound Bullet e Broove na @Avenida Paulista

por Camila borges

São Paulo sem dúvida é o lugar onde se concentra o maior número de músicos, principalmente se for em um domingo ensolarado na famosa Avenida Paulista. O evento gratuito que rolou no domingo (22) pós feriado, entre vários outros que ocorriam naquele mesmo horário, trouxe as bandas Ceano, Sound Bullet e Broove tocando para quem quisesse ouvir.

Começamos pela Ceano, banda de Campinas que já havia se apresentado em São Paulo algumas vezes e que trouxe no seu repertório uma mescla de seus dois discos “O Último Andar” e “Índice”. Formada por André Vinco (voz e guitarra) Leonardo Rodrigues (baixo), Arthur Balista (bateria) e Otávio Oliveira (guitarra), a Ceano é uma banda independente que traz o som que vai do simples ao mais complexo, atingindo em cheio a atenção das pessoas que passavam despretensiosamente na grande avenida. Músicas como “Terminal”, “Décimo Quinto”, “A palavra saudade só existe em russo”, “Objeto de estudo n°0002”, “Náutica & Marina”, “A Represa”, “Laguna” e “Introdução à navegação” foram apresentadas diante de olhos curiosos e outros emocionados de alguns fãs que estavam por ali. Tivemos também a música “O homem que chorava”, contando com a participação de André Ribeiro (Banda Alaska). Talvez o que defina melhor a Ceano seja a parte intimista, são músicas do cotidiano, alegres, emotivas, são muitas sensações que se misturam. Melhor ouvir e se deixar levar por tudo isso.

A próxima é a Sound Bullet, banda carioca de indie rock com influências do post-punk revival e rock alternativo ao math rock. Formada por Guilherme Gonzalez (voz e guitarra), Fred Mattos (baixo), Rodrigo Tak-ming (guitarra) e Pedro Mesquita (bateria), já é conhecida como uma das bandas mais atuantes do atual cenário independente carioca. Trouxe consigo o repertório do Ep “Ninguém está Sozinho”, e do seu ótimo álbum “Terreno” onde conta histórias sobre humanidade, medo, alegria, entre tantos outros sentimentos que convivem conosco. Músicas como “Incorporar”, “Ambição”, “Doxa”, “O que me prende?”, “When it goes wrong”, “Em Um Mundo de Milhões de Buscas”, “Aceitar Perdão”, “Amanheci” e “Ser Só Um” fizeram parte da setlist. A banda teve um bom número de fãs que compareceram ao local cantando e dançando muito animados. Mas até quem não a conhecia deu seus passos sutis enquanto aproveitava o som das músicas. É um show que deve ser apreciado.

Última a se apresentar, a Broove que também vem de Campinas, tem no seu som uma mistura de MPB e rock com elementos do Soul e do groove. a setlist conta com as músicas como “Tema de Broove”, “Ícaro”, “Janeiro”, “Proa”, entre outras. Ainda contou com a participação de André Vinco (Ceano) na música “Sesdotempo”. Apresentou sua versão de “O homem que Chorava/ Onde a Poeira ainda Desce”, canções das bandas Ceano e Vagale. A Broove não deixou o público desanimar, e um destaque para o vocalista Bruno Lucas por sua simpatia e descontração. Foi um bom show para se aproveitar e sentir o fim de tarde.

 

Resenha: Lulu Santos @Vivo Rio

Por Laura Tardin (texto e fotos)

Hoje é noite de Lulu

Noite boa, casa cheia. Aliás, o sold out foi decretado dias antes – já não havia ingressos disponíveis para sábado desde a semana anterior. Pudera. Lulu Santos é (e foi, e vai continuar sendo) um dos grandes artistas pop do Brasil, consagrado por décadas de hits e sucessos que embalam casais, gerações e novelas.

A turnê “Canta Lulu” teve início no Vivo Rio, nos dias 6 e 7 de abril, e ainda passa por Porto Alegre no 21 e São Paulo no 5 de maio. Talvez a data dupla no RJ se deva ao fato de o artista ser carioca e, aos 64 anos, estar longe de perder o swing de quem canta que vai pra Califórnia.

Apresentando-se para uma plateia de perfil mais adulto, a qual mais da metade do público presente estava disposto sentado às mesas, eu achei que era a pessoa mais nova presente – opa, vi um menino de uns nove anos com o pai. Moleque bom -, num grande mar de grupos de amigos de trinta, quarenta ou cinquenta anos que levantava os celulares para filmar as músicas (ou filmar a eles próprios recitando cada palavra das canções – One Direction que se cuide).

No repertório, quase trinta músicas que fizeram nossas vidas, tipo “Toda Forma de Amor” e “Aviso aos Navegantes”. Também teve muita faixa da Rita Lee (ô seu Lulu, queria saber o motivo!), tipo “Desculpe o Auê”.

Foi em 1995 que “Assim Caminha a Humanidade” era a faixa de abertura da Malhação. Lulu tem outros vários sucessos, como “Apenas mais uma de Amor” e “Um Certo Alguém”. Aliás, parece de propósito que ele fale tanto de amor… “Sou flagelado da paixão, retirante do amor, desempregado do coração” (“Tudo Azul”): qual melhor jeito de ser sucesso de rádio?

Lulu, além de romântico, se importa com acessibilidade. Foi o primeiro show que eu vi com tradutora de libras. A moça (moça, queria saber seu nome, você é tão elementar quanto próprio Lulu) ficou dançando e interpretando as quase duas horas de show.

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No pré-bis, rolou um medley de “Sereia/Califórnia/Onda”, clássica. Mas minha grande música favorita dele é “Tempos Modernos”, onde Lulu vê um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera. Só faltou dizer aquele “Fora Temer”, Lulu!

Resenha: Oh Wonder + Zara Larsson @Circo Voador

Por Natalia Salvador

Se tem uma coisa que eu gosto em shows de artistas internacionais, principalmente quando se trata da primeira experiência deles no Brasil, é observar o rosto dos músicos e bailarinos. Não é nenhuma novidade que o público brasileiro é, vamos chamar, intenso e energético. E foi exatamente isso que levei dos shows de Oh Wonder e Zara Larsson, na última terça-feira (20), no nosso amado Circo Voador. A apresentação foi um dos side shows do festival Lollapalooza – que acontece nesse final de semana em São Paulo -, organizado pela plataforma Queremos! em parceria com a Heineken.

Apesar da casa não estar tão cheia, totalmente esperado para um show terça-feira à noite, a plateia carioca não deixa a desejar. Com poucos minutos de atraso, a dupla Oh Wonder subiu ao palco ao som dos gritos quase histéricos dos fãs. Com poucos músicos de apoio no palco – só um baterista e um baixista (confirmar na foto) – os ingleses se bastam em cima do palco. Os timbres de voz doce se completam às notas dos teclados e é quase impossível não se apaixonar. Ali eles apenas comprovam o porque do sucesso repentino na internet enquanto divulgavam música sem pretensão no Soundcloud.

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Oh Wonder @2018

O setlist foi bem equilibrado entre canções de “Oh Wonder” e “Ultralife”, os dois álbuns de estúdio da dupla. Drive, Livewire, Dazzle, HighonHumans, Heavy e Lifetime eram as mais aguardadas e não ficaram de fora. Depois de um belo discurso sobre ser você mesmo e defender as inciativas e princípios que acreditamos, Josephine introduziu All We Do, que foi ovacionada pelo público. Body Gold, primeira música composta para o projeto, também fez barulho!

No quesito simpatia, os dois levaram nota 11! O sorriso estampado no rosto durante cada música mostrava da maneira mais clara o que eles estavam sentindo. Depois de passar um dia curtindo a cidade maravilhosa, com direito a praia em Ipanema e tudo, a energia não podia ser melhor! “Nós comemos açaí, fomos à praia e lá estavam nos oferecendo caipirinha às 10h da manhã. Definitivamente nós estamos no Rio de Janeiro”, contou Josephine. Depois de muitos pedidos, os dois voltaram ao palco saltitantes e encerraram o show com Ultralife e Drive.

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Oh Wonder @2018

Mudando quase que radicalmente o cenário do Circo Voador, a doçura e leveza de Oh Wonder deram espaço para o clima sexy e dançante do pop de Zara Larsson. A sueca subiu ao palco com banda, backing vocal, bailarinas e muitos falsetes. As primeiras palavras de Zara em Never Forget You não foram ouvidas, microfone ainda desligado ou plateia ensurdecedora? Fica ai o questionamento. A certeza é que a jovem cantora, de apenas 20 anos, é muito popular entre o público LGBT, certeza de uma noite de muita diversão!

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Zara Larsson @2018

Symphony – parceria com Clean Bandit -, Girls Like, Ain’tMyFault e Lush Love marcaram presença no setlist. Além dos grandes sucessos autorais, a cantora inclui músicas de companheiros de estrada. Ed Sheeran e Cardi B fizeram parte de pot-pourris: Shape of You acompanhou Don’t Let Me Be Yours, enquanto que Bodak Yellow deu força para I Would Like. Para atender aos pedidos incessantes dos fãs, Zara voltou para o bis performando uma música que não costuma estar em seu repertório, One Mississippi lavou a alma dos fãs.

Apesar da vibe diferente, os shows se complementaram para quem se dispôs as experiências. O combo de estreia de Oh Wonder e Zara Larsson no Brasil funcionou muito bem, pelo menos para os cariocas que não vão ao Lollapalooza no fim de semana. Eu certamente vou passar mais algumas semanas ouvindo os CDs no repeat e lembrando do rostinho da dupla inglesa completamente anestesiada. A grande lição é que uma noite e um festival como esses comprovam que tem espaço para todo mundo curtir e se divertir junto. Afinal, música é isso, né?

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Baco Exu do Blues + Don L @Circo Voador

Por Gustavo Chagas (texto e fotos) | @gustavochagas

Noite de rap no Circo Voador com dois dos mais aclamados mcs da atualidade, Don L e Baco Exu do Blues. Além disso, eles lançaram dois discaços ano passado, “Roteiro para Ainouz, vol.3” e “Esú”, respectivamente. Escutem!!

Don L foi o primeiro a subir ao palco, e, serei sincero, eu não tava curtindo tanto. A expectativa tava alta e, eu sou meio averso ao uso de auto tune na voz, recurso que, infelizmente, ta ficando cada vez mais comum no rap. Mas eu fui ficando mais empolgado ao longo do show, muito por causa da galera, que agitava e cantava tudo!

Aliás, parabéns ao público que foi em peso dar moral a esses dois artistas!

Mas vamos ao que(m) interessa. Esse é o terceiro show do Baco que assisto desde novembro e, esse foi de longe o melhor! Já virou lenda que o Baco perde a voz durante as apresentações, mas eu nunca presenciei nenhum problema nesses três shows. Ontem a voz dele estava especialmente boa.

Tocou praticamente todo o “Esú” e mais as duas novas, e ÓTIMAS, faixas novas: “Facção Carinhosa” e “Sinfonia do Adeus”. Eu sempre fico esperando que ele toque a musica “Onze”, que é a minha preferida, mas, por enquanto ainda não rolou. Tô aqui na torcida, Baco!

Show irretocável, que se não fossem dois pequenos problemas, teria sido perfeito. Na música “Imortais e Fatais”, rolou um pequeno esquecimento por parte de Baco e, ele não cantou um dos melhores versos da musica (“Você não aproveita a vida, mas quer a imortalidade”). Nada demais, ninguém deve ter percebido.

Outro problema foi quando a galera começou a pedir por “Sulicídio“, o que visivelmente incomodou Baco, tanto que começou o beat da música, ele se retirou do palco, meio que querendo dizer me incluam fora dessa.

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Galera, parem de pedir “Sulicídio“, sério, já passou! Apreciem o que o Baco produziu depois disso. Muito provavelmente 80% das pessoas que estavam lá ontem conheceram Baco por causa dessa música, ou seja, ela já cumpriu sua função. Olhem pra frente porque os futuros discos prometem – e muito!

Resenha: O Terno + Boogarins @Circo Voador

Por Natalia Salvador

É oficial! Decretei aqui que o Circo Voador é uma das casas de show mais mágicas do Rio de Janeiro. Não tem uma noite que eu tenha passado nesse lugar que não me fez ficar encantada com alguma coisa. Seja produção, público, energia ou banda. No último sábado, 03 de março, foi a vez de O Terno e Boogarins e, é claro que não seria muito diferente. Com casa cheia, cada banda trocava sinceridade e intensidade – na medida – com o público.

Quem abriu a noite foram os paulistas d’O Terno, que levaram boa parte do público presente. O Circo Voador acompanhava alto cada música apresentada pelo trio. Além disso, a banda também contou com o apoio de três incríveis musicistas. A inclusão de metais no novo show deixou tudo ainda mais bonito e, depois de certo tempo dos cariocas esperando por outra apresentação após o lançamento de Melhor do Que Parece, parecia o reencontro ideal. Em cima do palco, Tim, Biel, Guilherme e o trio de metais tocavam em perfeita sintonia.

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O Terno @2018

No repertório, músicas do último CD eram a maioria. A História Mais Velha do Mundo, Não Espero Mais, Deixa Fugir e Lua Cheia foram as primeiras da noite. Um dos grandes destaques da apresentação ficou por conta dos solos. Principalmente de Biel Basile, na bateria, e do trio de metais. Douglas Antunes e Amilcar Rodrigues também participaram das gravações do terceiro disco da banda. O show seguiu com Eu Confesso, Depois que a Dor Passar, Nó, além de O Orgulho e o Perdão – um dos pontos altos da noite. Bote ao Contrário e Volta, não ficaram de fora. Ao se aproximar do fim do show, Culpa ganhou coreografia e palmas e engatou em Ai, Ai, Como Eu Me Iludo e Melhor do Que Parece. Depois de calorosos pedidos de “mais um”, a banda voltou ao palco e encerrou a noite com 66, sucesso do primeiro CD – lançado em 2012.

Não muito tempo depois, o quarteto goiano de Indie Rock Psicodélico subiu ao palco trazendo o show do novo disco Lá Vem a Morte, lançado em junho de 2017, e provocando uma experiência diferente para o público. Dinho Almeida, Benke Ferraz, Raphael Vaz e Ynaiã Benthroldo apresentam um show bastante linear. A luz baixa e o instrumental das músicas te convidam a viajar no mundo dos Boogarins. A platéia já estava menos cheia e não cantava tão alto as músicas, era uma outra proposta de envolvimento. Foimal, Doce, 6000 dias e Lucifernandis chamaram atenção na apresentação da banda que já se apresentou em diferentes e importantes festivais pelo mundo – como  Primavera Sound, Coachella, Lollapalooza e South by Southwest.

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Boogarins @2018

A diferença entre as bandas se somou na noite de sábado. Não sei se todos ali, já que muitos estavam presentes por conta da segunda banda, concordariam comigo, mas o encaixe seria ainda melhor com a ordem de shows invertida. Com um show muito mais enérgico e apaixonado, O Terno se reforça como um dos grandes nomes do cenário atual.

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Resenha: Mayer Hawthorne @Blue Note

Por Gustavo Chagas (texto e fotos) I @gustavochagas

Mayer Hawthorne fez duas apresentações esgotadas no Rio de Janeiro no último dia 24 de janeiro, e, que sorte de quem foi! Provavelmente, foram os melhores shows que ninguém ficou sabendo esse ano na cidade. O show aconteceu no Blue Note, filial carioca do tradicional clube de jazz Nova Iorquino, que tem capacidade pra cerca de 350 pessoas.

Em sua quarta vez no Brasil (segunda que eu assisto), Mayer Hawthorne mostrou que tem um público fiel aqui, e desde a volta as raízes mais dançantes em seu último disco “Man About Town“, de 2016, eu tava esperando muito a volta dele por aqui.
Estranhei quando vi que iria ser um show com a plateia sentada, já que os shows dele costumam ser agitados. Demorou um pouco pra eu me acostumar, mas assim que me toquei que não tinha ninguém atrás de mim, e que eu poderia levantar pra dançar a hora que quisesse, dei uma relaxada.
Deu pra ver o que Hawthorne estava a vontade com aquela formatação de plateia, já que aquela era a segunda sessão do dia. E, amigos, que show! Ele tocou absolutamente tudo que um fã poderia querer ouvir. “Designer Drug“, “Fancy Clothes”, “Back Seat lover”, “Henny and Ginger Ale”, marcaram o inicio do show e cobriram bem a fase mais recente da sua carreira. Umas das minhas preferidas, “Crime”, parceria de Mayer com o rapper Kendrick Lamar, foi o ponto alto da noite!
Com a plateia totalmente conquistada, Mayer Hawthorne comecou a mandar varios hits de sua fase mais antiga. “Just Aint gonna work out”, “I wish it would rain”, “Green Eyed Love”, até fechar a primeira parte do show, com todos os convidados já de pé, com a dançante “The Walk”.
Confesso que perdi a voz com “Maybe so, Maybe no”, primeira musica do bis.
Tenho como meta em 2018 ir a pelo menos 100 shows. Esse foi o sexto. E ainda faltando 94 shows, duvido que esse saíra do meu top 5 do ano.

Resenha: Tim Bernardes @ Theatro Net

Por Natalia Salvador

Recomeçar foi um dos discos brasileiros mais comentados em 2017. O lançamento de Tim Bernardes, fora da banda O Terno, foi muito esperado e superou às expectativas do público e da crítica. Os shows de lançamento têm sido feitos de maneira mais leve e tranquila, por isso, cada capital por onde Tim passa aguarda ansiosa pela oportunidade de desfrutar deste espetáculo ao vivo. O Canal RIFF não poderia perder a oportunidade de estar presente neste dia tão especial e, de quebra, ainda batemos um papo com o multi-instrumentista. Confira!  

Tim Bernardes @ 2018

O cenário simples e minimalista nos fazia sentir como se estivéssemos dentro de um quarto com Tim. Era o momento dele nos mostrar seu íntimo, da maneira mais verdadeira que poderia. Em entrevista exclusiva, o cantor contou como foi lançar um trabalho solo. “Foi um processo completamente diferente dos discos que eu já tinha feito com O Terno. Eu sempre fui 100% focado na banda e, vira e mexe, compunha uma canção que tinha uma pegada bem mais pessoal”, explicou. O paulista ainda disse que escolheu músicas que, de alguma forma, tinham a ver com a temática de estar sozinho, de ver uma estrutura ruir – seja por uma mudança, um relacionamento, etc -, e o silêncio. “O disco é o meio do caminho, o limbo até, de fato, algo recomeçar. O tempo que eu guardei essas músicas eu não tinha nem coragem de mostrar para as pessoas, deixava elas guardadas e de tempo em tempo eu ouvia e continuava gostando delas”, concluiu.

Se as gravações já são emocionantes, ao vivo a coisa fica ainda mais bonita! Acompanhado de um piano e duas guitarras, onde se divide a cada música, Tim apresentou músicas do álbum solo, suas composições com O Terno, além de versões de canções de outros artistas. No meio de lindas performances de Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Black Sabbath, Belchior, entre outros, o grande destaque da noite ficou por conta de Soluços, música de Jards Macalé. Entre as canções da banda, Volta e Melhor Do Que Parece, presentes no último disco, não ficaram de fora do set list. Além disso, a iluminação baixa também te transporta para o universo de Tim.

Tim Bernardes @ 2018

O público cantava mais tímido a maioria das músicas, pareciam estar ali apenas observando e absorvendo o que o multi-instrumentista havia preparado. “Eu to bem feliz! Eu sabia que estava fazendo um disco e que eu achava as canções bonitas, estava caprichando e que seria algo que eu, como ouvinte, gostaria de ouvir. Mas eu não tinha certeza do quanto eu queria lançar e expor ele num primeiro momento, que eu ainda estava tímido. No meio do processo, que eu vi ele tomando força e virando uma grande coisa assumi a ideia de lançar mesmo, fazer clipe, divulgação e chegar no máximo de pessoas possível. Até agora é o disco que eu mais consegui me realizar musicalmente”, confessou.

Dentre as músicas de Recomeçar, a que mais se destaca é Não. Ao vivo isso não seria diferente. Além dela, Tanto Faz, Quis Mudar, Talvez, Ela Não Vai Mais Voltar, As Histórias do Cinema, e Ela, não ficaram de fora do set list – e nem poderiam. A verdade é que, conforme o show vai avançando, mais a gente quer ouvir. É como se fosse aquele grupinho de amigos tocando na sala em mais uma reunião entre vocês, você só quer ficar ali curtindo aquele momento por um tempinho. Mas uma hora, infelizmente, chega ao fim.

Tim Bernardes @ 2018

Mas se engana quem pensou que Tim deu um tempo. Além de seguir apresentando Recomeçar pelo Brasil afora, o cantor tem importantes encontros marcados com O Terno. A banda se apresenta no segundo dia do Lollapalooza Brasil e os meninos estão animados. “Eu acho que vai ser legal, vão pessoas do Brasil inteiro. To com essa sensação de que vai ser o maior encontro mundial de fãs d’O Terno até então”, contou sorrindo. E as surpresas não param por ai, Tim contou ao Canal RIFF que eles estão com um novo show, renovado, e querem curtir esse momento. Mas, também estão ensaiando coisas novas e parece que vem novidade por ai! Então fica ligado no Tim Bernardes, na banda O Terno e não da mole de perder.

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A Despedida do Onda @breve

‏Texto Camila Borges , Fotos Felipe Indini

Para a física, uma Onda é uma perturbação oscilante de alguma grandeza física no espaço e periódica no tempo. Para outros (me incluo nessa) foi um dos álbuns mais profundos, cheios de significados. Começar uma resenha desta maneira diferente foi a única maneira que encontrei pra citar melhor a despedida. Foi uma noite memorável, cheia de amigos, fãs, bandas e histórias pra contar.

Na última sexta-feira (15), o palco da vez foi o Breve. Casa de shows que fica em São Paulo, conhecida por receber bandas alternativas no geral.

Começamos a noite com O Grande Babaca (Gabriel Olivieri) mostrando algumas gravações que você pode ouvir na internet, inclusive uma canção inédita apenas para quem esteve no show, por enquanto. Pra quem ainda não conhece vale a pena ouvir.

A segunda banda da noite foi a Hover, banda de Petrópolis/RJ que conta com Saulo von Seehausen (guitarrista e vocalista), Lucas Lisboa (guitarrista), Felipe Duriez (guitarrista), Álvaro Cardozo (baterista) e Leandro Bronze (baixista). Mostram boa parte do repertório do seu ótimo “Never Trust The Weather”, e entre uma música e outra  rolaram muitas declarações não só de amor, mas gratidão e amizade a principal banda da noite.

Eis que chega a parte mais esperada para  muitos, a última chance de ouvir o Onda na íntegra, ao vivo. A troca entre a Alaska e público é uma das coisas mais impressionantes que acontecem show após show e naquele dia não foi diferente. A evolução e a paixão pelo que fazem é notável, sou suspeita pra falar.

Durante a apresentação rolaram algumas participações, como por exemplo a do André Vinco (Ceano) invadindo o palco e dividindo o microfone durante Alto-mar. Mariana Ávila em O Resto é Silêncio (ok, nessa hora não deu pra segurar a emoção e já tinha um bocado de gente aos prantos).

Foto Leo Rodrigues

Durante muitas músicas a voz do público se misturava com a do vocalista, outrora eram apenas eles e mais ninguém. Muitos ali vieram desde o catarse, outros de muito antes, outros de pouco tempo. A emoção tomou conta do show durante muitas vezes, deixando muitos sem palavras.

O fim da apresentação chegou com as últimas 3 músicas: Onda, Euforia com a sua nova “roupagem” bem diferente daquela que ouvimos no EP, e Vista. Esta última com invasão de muitos amigos ao palco, e como sempre a plateia acompanhando em alto e bom som os músicos. Logo após toda essa loucura ainda tivemos uma breve surpresa: uma das músicas novas. Ainda sem nome,por enquanto, ela é chamada de 16 pela própria banda.

Foram dois anos de Onda, com muitos shows, 3 videoclipes, participações especiais. Mas o que realmente fica é a marca e algumas lições que o álbum deixa em cada um que se dispôs a conhecê-lo, a interpretá-lo e principalmente acreditar no que era proposto quando talvez ninguém mais acreditaria.