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Festival Dosol 2017: Mais de 35 artistas e muita diversidade musical

Por Felipe Sousa | Felipdsousa

Já falamos aqui que os festivais nacionais vêm ganhando força e mostrando que o país pode sim produzir grandes eventos.

Mais um, que já é tradicional na cena, o Festival Dosol chega com mais de 35 atrações para a edição de 2017. O evento acontecerá nos dias 11 e 12 de novembro em Natal, Rio Grande do Norte, e também contará com sideshows do dia 13 ao 19.

O festival traz uma diversidade musical enorme, e muito rica, contando com artistas de várias partes do país.  Dentre os nomes já confirmados, estão a Menores Atos (RJ), Gorduratrans (RJ) – que recentemente lançou seu segundo, e excelente álbum “Paroxismos” -, Liniker e os Caramelows (SP), Projeto Rivera (CE), BRVNKS (GO), e mais.

Mais nomes e informações sairão em breve, mas você já pode garantir seu ingresso, e acompanhar tudo na página oficial da produtora Dosol no facebook.

E lembrando que todos os eventos que mencionamos aqui estão listados na nossa agenda de shows. Fica ligado que estamos sempre atualizando e te deixando por dentro do que tá rolando.

 

 

Resenha: Imperadores do Underground! Medulla + menores atos @Imperator

Por João H Faber | Fotos Gustavo Chagas

Mais uma vez, o Centro Cultural João Nogueira – eterno Imperator – foi, ipsis litteris, o centro das atenções do rock underground. No coração da Zona Norte carioca e já acostumado a receber bandas independentes com frequência, neste último domingo, 8 de janeiro, o Imperator foi invadido pelo “Movimento”. O motivo? Medulla, que, depois de muito tempo longe de sua cidade, voltava a apresentar-se no Rio.

A banda formada pelos irmãos gêmeos Keops e Raony Andrade, e que hoje conta ainda com o guitarrista Alex Vinicius e o baixista Tuti AC, veio apresentar seu último trabalho, o álbum “Deus e o Átomo”, lançado em setembro de 2016. Trazendo elementos do trap, jazz, rap, hardcore, folk e eletrônico, esse segundo álbum de inéditas da banda é, sem dúvida, um álbum de transição. Muito embora a espiritualidade tenha sempre estado presente nas canções da banda, até mesmo de maneira patente em algumas delas, “Deus e o Átomo” contém uma temática própria, menos áspera, que corre em paralelo às gravações anteriores, e inaugura um novo rumo para o Medulla.

Com uma produção impecável e participações de peso, o álbum sintetiza uma nova proposta para a banda depois de mais de dez anos de carreira. E, no último domingo à noite, o Medulla teria uma grande responsabilidade pela frente: mostrar a seu público cativo, que sempre acompanhou a banda, que essa nova proposta pode coexistir com o antigo Medulla – e agradar tanto quanto. Para isso, somou-se ao line up da noite um relevante power trio para abertura do evento.

Grandes canções, Menores Atos

Encarregada de abrir o evento, a banda carioca menores atos (em minúscula mesmo) vestiu a camisa, assumiu a responsa e fez, como sempre, uma belíssima apresentação. Sinceros e intensos, tal qual se classificam, Cyro Sampaio (guitarra e vocais), Celso Lehnemann (baixo) e Ricardo “Bola” Mello (bateria) mostram muita determinação no palco e baseiam seu show no álbum ‘Animalia‘, lançado em fevereiro de 2014.

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Muito embora as letras de faixas deste primeiro álbum da banda sejam ainda balbuciadas com timidez pelo público em geral, os fãs assíduos – e que não são poucos – fazem questão de entoar a plenos pulmões as canções que, para eles, já viraram verdadeiros hinos, como “Doisazero“, “Passional” e “Sobre Cafés e Você”. A introdução no repertório de músicas que não integram a lista do Animalia deixa a pista de que as composições da banda andam a pleno vapor e que pode vir material novo por aí ainda esse ano – material esse que é aguardado ansiosamente.

Finalizando o show com a visceral “Sereno”, o menores atos mostra que não se prende a rótulos ou modismos, e consegue com facilidade se conectar com o público, angariando mais admiradores a cada apresentação. Esperamos que o surto de inspiração que gerou o Animalia se repita e, em breve, a banda possa nos brindar com mais um fascinante álbum.

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 Filhos do Átomo

Jogando em casa, logo que subiu ao palco, o Medulla tomou conta do Imperator. Com uma presença irretocável, os gêmeos Keops e Raony provaram que são a espinha dorsal e a alma da banda, que passou por grandes mudanças nos últimos anos.

Abrindo o show com o sampler da poesia intitulada “70×7”, composta e declamada pelo rapper Síntese, a banda obedeceu a sequencia do álbum e emendou com a catártica “Deus”, faixa que finca a bandeira da nova direção do Medulla. Está mais do que claro que o bom momento que a banda vive perpassa as canções e as apresentações ao vivo. E o público presente no Imperator ontem à noite abraçou “Deus e o Átomo” como se fizesse parte dessa revelação elementar; um breve passeio pela plateia mostrou que as canções “A Paz”, “Travesseiro Azul” e, em especial, “Abraço” são candidatas a novos hits da banda, uma vez que já são habilmente cantadas pela grande maioria.

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Vale ainda o destaque para a participação ao vivo da rapper Helena D’Troia, que roubou a cena em “Separação” e agitou o Imperator. Com uma abordagem singular quando comparada às demais faixas do álbum recém-lançado, “Separação” é uma música direta, sem disfarces e com um refrão cativante, tendo proporcionado talvez o melhor momento das inéditas executadas pelo Medulla: uma verdadeira declaração de amor do público à arte da banda.

Vem Cá Ver Que o Novo é Bom

Quando se consolida uma carreira frutífera, com diversos trabalhos e uma base de fãs apaixonados, por vezes ocorre de ser surpreendido com o pedido de uma ou outra canção que já não entra mais no setlist. Nada mais normal, ainda mais em se tratando do Medulla, que está na ativa há tanto tempo. Os pedidos de clássicos da banda, em especial de algumas músicas que integram o primeiro álbum deles (‘O Fim Da Trégua’, 2006), vinham aos montes e tiveram que ser, por vezes, contidos pelos vocalistas. Justo, uma vez que se tratava do show de lançamento de um álbum novo e os rapazes estavam orgulhosos, doidos para mostrar o belo álbum que arquitetaram.

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Em compensação, o Medulla não deixou de lado o fan service… Para atender aos mais fiéis, a banda intercalou as inéditas com músicas antigas, como “Salto Mortal” (O Fim Da Trégua, 2006), “O Novo” (‘Talking Machine’, 2009) e “Eterno Retorno” (‘Capital Erótico’, 2010), esta última que contou com a participação de Cyro Sampaio, do menores aos, nos vocais e também com a presença inusitada de Dudu Valle, ex-guitarrista do Medulla, que não hesitou nem um pouco, subiu ao palco e reforçou o coro. Mas quem conduziu a música de verdade foi o público.

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Diga-se de passagem, o público do Imperator na noite de ontem conduziu o show inteiro, deixando até os músicos do Medulla arrepiados lá em cima do palco. Em “Perigo” (‘O Homem Bom’, 2013) e “Prematuro Parto Fórceps” (‘Akira‘, 2008), ficou a sensação de que a galera não queria que as músicas acabassem… Mesmo depois do fim, os refrãos seguiram sendo cantados num mantra quase infinito, emocionando quem ainda não sabia o que era um show do Medulla no Rio de Janeiro.

Finalizando sua apresentação com a poderosa “Estamos Ao Vivo”, Keops e Raony convidaram o público para ver um novo Medulla. E o novo, de fato, amedronta, desafia, e mostra que pode, sim, ser bom. Enquanto as canções de “Deus e o Átomo” ainda estavam sendo digeridas, a banda voltou ao palco, porque o público fez valer seu direito ao encore. Para a consagração da noite, o Medullla entregou um “Movimento Barraco” (Capital Erótico, 2010) quase que improvisado, surpreendendo uma vez mais ao contar com Dudu Valle na guitarra. Em meio a saltos e empurrões, gritos e melodias, o Imperator mostrou que o Rio de Janeiro é, sem sombra de dúvida, a casa do Medulla.

Resenha: Codinome Winchester e menores atos @Vizinha 123

Por Alan Bonner | @Bonnerzin | Fotos Gustavo Chagas

A residência da Agência Milk em parceria com a produtora Speed Rock na Vizinha 123 (Botafogo, Rio de Janeiro) começou da melhor maneira possível! Tivemos a oportunidade de curtir, em plena quarta-feira pré-olímpica (03/08/2016), o encontro entre os visitantes sul-mato-grossenses da Codinome Winchester e os anfitriões cariocas da menores atos.

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Para falar sobre a Codinome Winchester, primeiro precisamos imaginaro seguinte cenário: um Dave Grohl made in Brasil na bateria, um baixista que parece ter saído de uma banda de folk rock, uma dupla de guitarristas que produzem um som bem modernoso e um vocalista que é a mistura de Ney Matogrosso com Ozzy Osbourne com vários efeitos vocais. Agora imagine aquela galera que faz uma viagem par ao Rio de Janeiro pela primeira vez e a empolgação que os acomete ao avistar a praia, o Cristo e o Pão de Açúcar. Essa foi a vibe do show da Condinome Winchester. E que show! E que banda! O som impressionou muito os presentes, mesmo aqueles que já conheciam o material apresentado. O som dos caras ao vivo se compara a uma volta de montanha-russa de olhos vendados: você nunca sabe o que está por vir e sempre se surpreende positivamente quando vê o que é. Destaque para a performance do vocalista Fillipe Saldanha, um frontman como manda o figurino: voz ótima, afinação, e uma interação com o público que, como diz Mano Brown, é “talvez até confusa, mas real e intensa”. Fica a ótima primeira impressão que a banda deixou em terras fluminenses e a sensação de que, se a banda fosse de um grande centro, já teria uma repercussão muito maior.

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Após essa loucura sonora, foi a hora de chegar mais para frente do palco para soltar a voz ao som dos nossos favoritos da menores atos. E elogiar os caras aqui no Canal RIFF é chover no molhado: já fizemos session com a banda, resenhamos vários shows, escrevemos matérias e em breve publicaremos uma entrevista. Decidimos, então, por ver o show sob outra perspectiva, a dos fãs. E é incrível como as pessoas parecem se identificar com as letras. As letras são berradas por todos, não só pela beleza que elas tem, como também pela verdade que elas transmitem. Um grito intenso, de quem passou por tudo aquilo que Cyro e companhia vão narrando ao longo de todas as nove músicas que a banda toca quase sempre que se apresenta. Ah, só pra não deixar de elogiar: um showzaço, “curto porém braseiro”, como de costume. Os meninos estão a cada dia mais entrosados no palco e o som continua redondo e tocante. E é por isso que não enjoamos e vamos a todos: todo show da menores é como se fosse o primeiro. Já foi em algum? Não perca a chance. Faça esse bem para seu coração e sua alma.

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Agora como headliner, menores atos retorna para maratona de shows em São Paulo

Você, caro leitor do Canal RIFF, muito provavelmente já se deparou por aqui com esse nome escrito em caixa baixa: menores atos – uma das bandas mais interessantes atualmente do underground.

Formada por Cyro Sampaio (voz e guitarra), Ricardo Mello (voz e bateria) e Celso Lehnemann (baixo), o trio é carioca. E, até por isso, volta e meia temos o prazer de encontrá-los por aqui (leia resenhas anteriores aqui). Mas, para você, de São Paulo e região, a hora de encontra-los é agora!

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Fotos: Pedro Arantes

Afinal, neste final de semana o menores atos faz uma mini turnê do álbum “animalia” (de 2014) pelo estado vizinho. O três shows serão na capital, no lendário Hangar 110, além de Santo André e Campinas.

O que pode se esperar é um show carregado de letras marcantes, com o público cantando todas as músicas – do início ao fim. Lógico que essa expectativa também é da própria banda, que sabe da crescente fanbase que tem em Sampa.

“Em São Paulo tem sido sempre ótima a troca. O público vem crescendo a cada vez que voltamos e a cantoria rola solta!”, disse Cyro, em entrevista ao RIFF.

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Fotos: Pedro Arantes

O primeiro compromisso é o retorno (agora como headliner) ao histórico Hangar 110, sexta-feira, dia 22. Conhecido como um dos palcos mais importantes para o cenário alternativo nacional, o Hangar recebe novamente o menores atos, com produção da Fusa Records em parceria com a Mundo Alternativo. No sábado, 23, o trio toca no Santo Rock Bar, em Santo André. O evento começa às 15 horas e também tem produção da Mundo Alternativo. Para fechar a visita, no domingo, 23, a banda viaja para Campinas, onde toca no Bar do Zé. A abertura fica por conta de outro trio, o ótimo e esquizofrênico Odradek, de Piracicaba, lançando novo álbum .

Assista ao clipe de Sereno, filmado em São Paulo, durante uma das passagens da banda pela cidade:

E, claro, ouça o álbum “animalia“:


S E R V I Ç O

22/7 – Hangar 110 – São Paulo  – 19hrs

R$ 15 (estudante antecipado – limitados) | R$ 20 (promocional antecipado) | R$ 30 (na porta)

Ponto de Venda: Loja 255: Galeria do Rock – R. 24 de Maio, 62 – Loja 255 – Fone: 3361-6951

Evento: https://goo.gl/Rzxohg
 23/7 (Sábado) – Santo Rock Bar – Santo André – 15 hrs

R$ 20 (antecipado) | R$ 25 (na porta)

Evento: https://goo.gl/1iRdOJ

24/7 – Bar do Zé – Campinas – 17hrs

R$ 10 (com nome na lista) | R$ 15 (sem nome na lista)

Evento: https://goo.gl/7eKVUj


Recentemente o RIFF gravou uma session com menores atos. Confira o resultado:

Resenha: menores atos, Incendiall, Estado Livre e Divine Glory @República Pub

Por Alan Bonner (texto e fotos) | @Bonnerzin 

Festas de aniversário costumam ter alguma bebida que é a sensação da festa – e que deixa todo mundo bem feliz. Na festa de aniversário do República Pub no sábado passado (9 de julho), o drink da noite era o puro suco do underground! Os ingredientes dessa explosão de sabores foram algumas colheres bem servidas de menores atos, flambadas pela Incendiall e temperadas por pitadas de Estado Livre e Divine Glory. Tudo isso servido num recipiente perfeito para essa combinação explosiva: um local com toda pinta de um “rock club” em uma cidade importante para o cenário independente, como é São Gonçalo/RJ.

A noite começou com os niteroienses da Divine Glory e seu post-hardcore que toca em temas espirituais com uma boa dose de peso. A banda, composta por Wallace Freitas (vocal e guitarra), Johan Muniz (bateria e vocal) e Lucas Lassance (baixo) tocou as músicas do recém-lançado EP “Nunca É Tarde” e fez uma abertura de noite de respeito.

Estado Livre @2016
Estado Livre @2016

Os gonçalenses da Estado Livre vieram a seguir com um hardcore repleto de críticas sociais e muita fúria. A banda voltou à ativa recentemente e soltou toda a energia acumulada no palco do República Pub em um show intenso, que fez a galera se animar bastante.

O show seguinte foi o mais aguardado de alguns meses para esse riffeiro que vos escreve. Era a segunda apresentação dos cariocas da Incendiall, que voltou aos palcos no mês passado e já promete álbum novo e shows com bandas de peso como Plastic Fire e Pense. O show contou com algumas músicas do “Sobre status, cartões e cheques” e do vindouro novo álbum, e deu pra sentir que os caras estão com sangue nos olhos para gravar e tocar. O hardcore agradece!

menores atos @2016
menores atos @2016

Por fim, tivemos os emocionários da menores atos, provocando uma verdadeira catarse no República. Um show “curto, porém intenso”, como a banda tem feito desde o lançamento do aclamado “Animalia” (2014) e que tem feito o público cantar cada vez mais alto nos shows. Tão alto que dava pra ouvir as vozes mesmo estando colado na caixa de som (o que não era difícil, pelo espaço pequeno). Essa energia do público foi o ingrediente que faltava para ferver o caldo e tornar a noite completa. Às bandas que resistem, fazem seu som a despeito das dificuldades, aos que promovem shows dessas bandas, às pessoas que apoiam o cenário independente… um brinde!

Resenha: Menores Atos, Literal, Cliva e Incendiall @Planet Music

Por Igor Gonçalves | @igoropalhaco | Fotos: Fernando Valle

Por motivos de não está fácil essa vida, só hoje lhes trago a resenha do show que aconteceu no último dia 18 de junho, na Planet Music em Cascadura. Contamos com apresentações das bandas Literal, Cliva, Incendiall e também, daquela que já podemos convidar para a macarronada de domingo de tão íntimos, Menores Atos.

Nesse clima montanhoso (pelo menos para nós cariocas) muita gente encontra dificuldades em encontrar formas de se aquecer e se divertir. Sábado eu escolhi ir me aquecer em Cascadura e acabei me surpreendendo com quão além de “apenas aquecimento” o evento foi. Por isso, um primeiro agradecimento ao Luciano Paz, um dos grandes embaixadores do underground nacional. Na histórica Planet Music, um clima imediato de acolhimento e união. Era como se todos, apesar das diferenças de estilos, estivessem ali com os mesmos objetivos e mesmas expectativas.

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Literal @2016

Abrindo o evento, Literal subiu ao palco. A banda mostrou um grunge enérgico e com muita vontade. O público gostou por ter a oportunidade de fazer rodas em algumas músicas e extravasar um pouco. Eu particularmente não consegui aproveitar muito o show. Possivelmente por ter ido ao evento com uma vibe diferente ou por simplesmente não ser muito o meu estilo. Apreciadores do grunge, ouçam a Literal e depois me xinguem pelo meu mau gosto.

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Cliva @2016

A Cliva assumiu os instrumentos e, na introdução da primeira música, já fez a galera que havia sentado para tomar mais uma cerveja levantar. Fiquei feliz em conhecer a banda. Me fez lembrar muito a época de ascensão do hardcore nacional, que nos trouxe bandas como Dead Fish e CPM 22. A distorção das guitarras e a presença de palco do vocalista da Cliva (PW) com certeza influenciou no aumento de temperatura da frienta Planet Music.

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Incendiall @2016

Graças à propaganda de amigos, eu estava com uma certa expectativa para o próximo show. A Incendiall, para quem não sabe, é ex-banda do Cyro (vocalista e guitarrista da Menores Atos). Eles pararam, pois tiveram que dar atenção a questões pessoais e, durante esse intervalo nasceu a Menores Atos. A Incendiall apresenta um hardcore de raiz. Aquele hardcore de várzea que te abraça e te dá vontade de esgoelar a letra e pular. Eu gostei demais do show e eles conquistaram minha atenção. Esse ano eles estão voltando aos palcos com pequenas mudanças na formação e, segundo o vocalista (Thiago), já tem música pronta e algumas outras para serem finalizadas e fecharem um novo álbum. Uma banda que com certeza merece a nossa atenção.

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Menores Atos @2016

Chega esperada hora da Menores Atos. O baterista oficial da banda (Ricardo Mello) estava presente, mas ainda em fase de recuperação. O substituto (Felipe Fiorini) segue comandando a cozinha da banda sem prejudicar o instrumental.

Cyro, acompanhado de sua fiel escudeira Cort, deu início ao show com o tranquilizante tapping inicial de Animalia. Meus amigos, que energia! Tive a sensação de que todos sabiam as letras e cantavam em um volume respeitoso à voz do Cyro afim de não ouvir apenas as próprias vozes.

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O show arrebatou os corações presentes. É incrível a capacidade deles de fazer como se as músicas tivessem sido feitas individualmente para cada um ali. Muitos choraram sem nenhuma vergonha de demonstrar emoções enquanto berravam ou cochichavam as letras. A primeira grande participação do público veio ao final de Transtorno com o público fazendo um coro de “PREPARAR, APONTAR! PUXANDO O GATILHO!”. Na saideira Sereno, uma parte dos vocais é feita pelo baterista que, como dito anteriormente, estava presente, mas não pôde tocar por estar se recuperando de problemas de saúde. Se aproximando da parte dele, eis que sobe no palco uma pessoa da plateia e tem o microfone cedido por Cyro para, junto com o restante do público, cantar energicamente a parte do Ricardo. Em meio à stage dives, o participante devolve o microfone ao pedestal e desce (também com stage dive) do palco. Se aproxima onde seria uma outra participação de Ricardo e sobe uma outra pessoa para puxar o coro novamente. Foi uma linda noite. Garanto que sentirei uma dor no peito caso eu perca futuras oportunidades de assistir Menores Atos novamente. Por isso, caro leitor do RIFF, vá o quanto antes assistir a esse trio. Você merece.


Conheça mais de Menores Atos na RIFF Session 360º:

Resenha: A maturidade de Hover, Avec Silenzi e Menores Atos na Kult Kolector

Por Alan Bonner | @Bonnerzin

O cenário independente de música costuma reunir bandas com propostas nem sempre parecidas, mas que, por fazerem parte da cena em uma determinada época, acabam tocando nos mesmos eventos, tornando a coisa bastante interessante para quem gosta de descobrir novos artistas. A Kult Kolector, localizada na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro) e que costuma abrir espaço para diversas bandas alternativas em seu palco proporcionou mais uma dessas noites na sexta-feira (03/06/2016), onde o destaque foi justamente a diversidade de sons, e, claro, a qualidade das bandas.

A casa recebeu o show de lançamento do álbum “Avec III”, do trio carioca Avec Silenzi. O line up ainda contou com os petropolitanos da Hover em mais uma apresentação da turnê do recém-lançado “Never Trust The Weather” e com os também cariocas da menores atos em mais um show da turnê do aclamado “Animalia”.

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Hover

Antes de mais nada, é preciso elogiar duas coisas. Em primeiro lugar, a estrutura da casa. Por mais que fique devendo um pouco em relação à acomodação do público (por exemplo, grandes filas se formaram na porta do banheiro, pois havia apenas um para cada sexo disponível em um evento que recebeu cerca de cem pessoas), a estrutura de som e a acústica do local são bem acima da média em relação a outros picos.

O segundo ponto a se destacar é a maturidade das bandas. O cenário independente deixou de ser sinônimo de algo amador e sem qualidade faz tempo, e quem ainda tem essa concepção certamente não está acompanhando a cena com a atenção que ela merece. E o evento da Kult foi só mais uma prova disso. Os músicos tem uma qualidade absurda e não devem a nada a nenhuma banda de renome. Os álbuns tem uma produção excelente e a execução ao vivo, que alguns artistas já consagrados ficam devendo em qualidade, chega a ser melhor ainda que a experiência em estúdio. Os materiais de promoção e divulgação dos discos e dos shows deixam muita peça publicitária de horário nobre no chinelo. Tocar cover? Pra que? É tudo autoral e muito bem feito! Enfim, é possível se alongar aos montes aqui para falar sobre a qualidade das bandas que se apresentaram e da cena como um todo. Esse parágrafo é justamente para abrir o olho de quem ainda não está atento à safra maravilhosa do rock nacional que ganhou notoriedade nos últimos três anos e que está ganhando corpo rumo aos grandes palcos (vide Scalene, Far From Alaska, Suricato…).

Avec Silenzi formação trocada @Kult Kolector 1
Avec Silenzi

Voltando ao evento, quem abriu a noite foi a Hover, que criou um clima de boas vindas com There’s No Vampire in Antarctica, at Least for 6 Months e logo a seguir tratou de botar a casa abaixo com Hawkeyes, ambas do “Never Trust the Weather”. Ao longo do set, impressionou como a banda trouxe ainda mais peso às músicas em relação ao que foi feito no estúdio, principalmente as do EP de estreia da banda, “Open Road”, que tem uma pegada muito mais pop do que “NTTW”. A banda manteve essa marca ao longo do set, mesmo em músicas mais elaboradas como Teeth e I’m Homesick. Outra coisa que chamou a atenção foi como as três (!) guitarras da banda não se “atropelam” e soam muito bem. Isso geralmente é um desafio grande para as bandas durante suas performances, mas não pareceu um problema em momento nenhum para os ótimos Saulo von Seehausen, Felipe Duriez e Lucas Lisboa. A cozinha da banda, formada por Pedro Fernandes (baixo) e Álvaro Cardozo (bateria) também não faz por menos e mantém intenso o andamento das músicas. Enfim, um show bem porrada, pra bater cabeça e tudo.

menores atos @Kult Kolector 1
menores atos

Após um pequeno percalço com o acerto do som, a Avec Silenzi subiu ao palco para apresentar as músicas do seu novo álbum, além de outras preciosidades dos outros dois discos. E logo de cara foi possível perceber a experiência transcendental que seriam aqueles 50 minutos de set. Nos primeiros acordes e efeitos sonoros, a banda convida o público para uma jornada que certamente não é no plano em que vivemos. A interessante combinação de elementos de trip-hop, post-rock, música eletrônica, efeitos sonoros psicodélicos e uma pitadinha de death metal feita por Duda Souza (bateria), Rafael Ferreira (baixo) e Renan Vasconcelos (guitarra e efeitos) faz até aquele que não está prestando muita atenção no show entrar na viajar junto com os caras. E que músicos fantásticos! Quando você acha que já foi surpreendido ao máximo com toda a técnica do trio, Renan e Rafael trocam os instrumentos entre si para tocar a última música. Sensacional! A banda é ótima e certamente o novo álbum vai repercutir bastante.

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Para fechar a noite com chave de ouro, a menores atos ganhou o palco para fazer um set curto, mas pulsante e com uma participação incrível do público. A plateia praticamente dividiu os vocais com Cyro Sampaio e sua guitarra, o aniversariante Celso Lehnemann e seu baixo e Felipe Fiorini e sua bateria, substituindo o “titular” do posto Ricardo Mello, que passa por problemas de saúde. A banda parece estar se encontrando com o novo membro, e os erros de execução presentes na última apresentação quase não ocorreram (só um pequeno deslize no início de “Oceano”). No show, o que vimos foi o que tem se visto em todas as apresentações da banda. Uma linda introdução, precedendo “Animalia”, e depois o desfile de letras fortes, acordes muito criativos e um ritmo forte e pulsante. E show da menores atos não tem muito o que dizer, é só sentir. É “preparar, apontar, puxar o gatilho” da garganta e cantar da primeira até a última música. E sair rouco, mas de alma lavada.

Conheça mais da menores atos aqui no RIFF: