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PicniK Festival @ Fonte da Torre de TV

Por Tayane Sampaio

Nos dias 24 e 25 de junho, a Fonte da Torre de TV, em Brasília, foi ocupada pelos moradores da Cidade. O que tirou as pessoas de casa, nesse final de semana frio de inverno, foi mais uma edição do PicniK, um dos eventos mais completos do DF.

O PicniK, que começou pequeno, como uma pequena feira de economia colaborativa, virou um evento que reúne multidões em pontos chaves da cidade, como a Praça dos Cristais, no Setor Militar Urbano, ou no Parque da Cidade. Lá você encontra de tudo: roupas, ilustrações, calçados, itens de decoração e até aplicação de piercing. O evento ainda conta com uma vasta área de alimentação, que inclui uma área com MUITAS opções veganas, além de espaços para meditação, massagem, brinquedos infláveis pra criançada e até uma tenda de música eletrônica.

A música não é o foco principal do evento, mas, ultimamente, os lineups do Festival têm atraído muitos fãs da música independente. Geralmente, a quantidade de bandas é modesta, mas a última edição foi em dose dupla, com dois dias de muita música. Depois de uma rápida cerimônia de abertura shamanica, começou a maratona de shows e, nos dois dias, assistimos às apresentações das bandas Transquarto, Brancunians, Teach Me Tiger, Firefriend, Congo Congo, Ava Rocha, Bixiga 70, Supervibe, The Raulis, The Dead Rocks, The Blank Tapes, Glue Trip, Mustache e os Apaches, O Terno, Tagore e Cassino Supernova.

O sábado começou com a viagem transcendental da Transquarto. O quarteto brasiliense, formado por Davi Mascarenhas (guitarra), Pepy Araújo (bateria), Gata Marques (baixo) e Tarso Jones (teclado) passa por várias sonoridades, por meio de suas experimentações. Até o momento, o grupo tem apenas um trabalho lançado, o EP Entre Baleias, que conta com duas faixas, mas só nesses quase vinte minutos de som, a banda já te prende com uma apresentação cheia de camadas.

Continuando com a prata da casa, a Brancunians foi a próxima banda a subir no palco. De chapéu, GAP GAP (voz e guitarra), Ana Laura Rodrigues (sintetizadores), Victor Chater (bateria), Rodrigo da Cruz (guitarra) e Fabio Resende (baixo) tocaram músicas de seu trabalho de estreia, +bsb, que tem um pé na psicodelia.

Logo depois, o trio mineiro Teach Me Tiger, formado por Chris Martins (voz e sintetizadores), Yannick Falisse (guitarra e voz) e Felipe Continentino (bateria), fez sua estreia em solo brasiliense. A apresentação da banda seguiu a tônica do disco de estreia, Two Sides: um bonito e harmonioso contraste entre a leveza do dream pop e o peso  do trip hop, que, misturados à outras sonoridades, resultam em um som extremamente sexy.

Julia Grassetti (voz e baixo), Caca Amaral (bateria) e Yury Hermuche (voz e guitarra), da Firefriend, subiram no palco do PicniK após o trio mineiro. O som denso, meio destoante e cheio de ruídos dos paulistanos segurou a onda da viagem do Teach Me Tiger e preparou o público pra brisa do Congo Congo.

Firefriend | Por Tayane Sampaio

O Congo Congo é composto por nomes de peso da cena belorizontina: André Travassos (voz e guitarra), Victor Magalhães (teclado), Gustavo Cunha (guitarra), Yannick Falisse (baixo), Leonardo Marques (guitarra) e Pedro Hamdan (bateria). A banda não cai na mesmice do psicodélico, que é um dos subgêneros mais saturados da atualidade, e consegue dar uma cara nova e legal para o estilo. A agitação do vocalista, que se movimenta bastante no palco, convida o público para dançar. O show terminou em clima de festa, com a participação de Yury Hermuche.

Performática e poderosa, Ava Rocha fez um dos shows mais esperados do dia. A cada música cantada, uma peça de roupa do figurino de Ava ia para o chão. A artista exala confiança e domina o palco e o público, que tem a oportunidade de vê-la bem de perto e até de contribuir com seu ritual. O público foi ao delírio com a apresentação, principalmente nas músicas do autêntico Ava Patrya Yndia Yracema, último álbum lançado pela cantora.

Encerramos a noite com um palco cheio, ocupado pelos músicos do Bixiga 70. Décio 7 (bateria), Rômulo Nardes (percussão), Gustávo Cék (percussão), Marcelo Dworecki (baixo), Mauricio Fleury (teclas e guitarra), Cris Scabello (guitarra), Cuca Ferreira (saxofone barítono), Daniel Nogueira (saxofone tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete) levaram a plateia à loucura. O instrumental dançante do grupo animou e aqueceu o público, que lotou a lona de circo em que o palco estava montado.

Congo Congo | Por Tayane Sampaio

O domingo começou com mais uma promessa da nova safra de bandas DF, a Supervibe. Sand Lêycia (bateria), João Ramalho (voz e guitarra) e Deivison Alves (baixo) apresentaram as canções de seu EP de estreia, Clarão. O psicodélico mais pesado da banda proporciona um show intenso, mas que tem alguns momentos mais leves e divertidos, com um indie rock bem executado.

Ava Rocha | Por Tayane Sampaio

Os veteranos da The Dead Rocks chegaram com tudo no palco do PicniK. Com direito a uniforme e a coreografias ensaiadas, Johnny Crash (guitarra), Paul Punk (baixo) e Marky Wildstone (bateria) animaram o público. Apesar do visual à la Beatles, o trio apresentou um set super dinâmico de surf music.

Na sequência, os recifenses do The Raulis deram continuidade à onda de surf music instrumental iniciada pela Dead Rocks. Em formato de trio, Arthur Soares (guitarra), Rafael Cunha (bateria) e Gabriel Izidoro (baixo) trouxeram a sensação de beira de praia pro centro da Capital Federal.

Os americanos da The Blank Tapes fizeram um show extremamente condizente com o clima leve de fim de tarde de um domingo. Matt Adams (voz e guitarra) e companhia mostraram uma gostosa psicodelia litorânea, cheia de solos de guitarra.

A Glue Trip, que é da Paraíba, deu continuidade ao clima praiano deixado pelas bandas anteriores, mas com muito mais calor, peso e energia. Com um dos melhores shows do Festival, a banda sabe muito bem transpor as músicas para o palco e fazer o público dançar e se envolver com a performance. Lucas Moura (voz e guitarra), Gabriel Araújo (baixo e voz), Uirá Garcia (guitarra, sintetizador e voz) e CH Malves (bateria) contaram com a ajuda do público pra cantar várias músicas e, em “Elbow Pain”, rolou a participação de uma mini fã, que surgiu do público, vestida de princesa e com uma guitarra de plástico em mãos. Um dos momentos mais bonitos e significativos do final de semana.

Em uma pausa na psicodelia, os paulistas da Mustache e os Apaches transformaram a tenda do PicniK em uma grande festa. Axel Flag (voz, percussão e viola), Jack Rubens (bandolim, lap steel, dobro, guitarra e voz), Lumineiro  (washboard, bateria e voz), Pedro Pastoriz (banjo, guitarra, kazoo e voz) e Tomas Oliveira (contrabaixo, piano e voz) bebem do folk raíz, mas transformam isso em uma linguagem totalmente nova. Um grupo grande, com vários instrumentos inusitados, em que todo mundo canta. A “bagunça” do palco terminou no público, pois a banda finalizou a apresentação do melhor jeito possível: no meio da galera.

O Terno | Por Tayane Sampaio

O clima da euforia deixado pelo show suado da Mustache e os Apaches só cresceu, pois agora o público se amontoava à espera d’O Terno. Tim Bernardes (voz e guitarra), Guilherme d’Almeida (baixo) e Biel Basile  (bateria), que tinham tocado na Cidade há pouco tempo, com o Boogarins, foram recebidos com muitos gritos dos fãs. O frisson do público, que começou antes do trio subir ao palco, se estendeu durante todo o show. Em alguns momentos, os fãs cantavam mais alto que Tim.

O penúltimo show do Festival ficou por conta dos pernambucanos da Tagore. Em turnê para divulgar o disco Pineal, Tagore Suassuna (voz, violão e guitarra), Julio Castilho (baixo, guitarra e teclado), Caramuru Baumgartner (percussão e teclado), Alexandre Barros (bateria e sample) e João Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados) chegaram em Brasília com energia pra dar e vender. O quinteto, que diz ter referências que vão de Tom Zé a Tame Impala, mostra um rock psicodélico totalmente abrasileirado, cheio de sonoridades pertencentes à música nacional, principalmente a nordestina. Pulando de um lado pro outro, com os cabelos na cara e de pés descalços, o frontman do grupo incita a plateia a curtir e interagir com o som tanto quanto ele faz no palco.

O encerramento da edição do PicniK Festival foi especial e cheia de significado. O Cassino Supernova, grupo super conhecido e respeitado na cena brasiliense, fez um show em homenagem ao Pedro Souto, prolífico músico brasiliense e baixista da banda, que faleceu no começo do ano. Gustavo Halfeld (guitarra), Raphael Valadares (guitarra), Márlon Tugdual (bateria) e Gorfo (voz), apresentaram os sucessos da banda, já conhecidos e cantados por um grupo expressivo de pessoas que ficaram para ver a banda.

Depois de dois dias de muita música e energia boa, fica a expectativa pra próxima edição do Festival!

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Resenha: The Maine @ Arena Futebol Clube

Por Gabriel Menezes e Tayane Sampaio

Brasília pode te proporcionar algumas experiências interessantes. Tipo ir no show de uma banda gringa que tem quase 800.000 likes no Facebook, mas parecer que você está no show daquela banda do underground nacional, que ainda tem poucos, mas fervorosos, fãs. Isso praticamente resume o show do The Maine em Brasília.

Na última sexta-feira (21), os estadunidenses fizeram o pequeno palco do Arena Futebol Clube ficar gigante.  Em turnê com o novo disco, Lovely Little Lonely, a banda voltou ao Brasil pela quinta vez, apesar dessa apresentação ter sido a estreia do quinteto em Brasília. O show, com clima intimista, virou praticamente um culto, tamanha a dedicação dos fãs em cantar (muito) alto todos os versos de todas as músicas.

Os integrantes do The Maine não foram os primeiros a subir no palco, pois a abertura ficou por conta de Michael Band. Michael, que estava acompanhado apenas de seu violão, fez uma apresentação encantadora. O folk muito bem tocado conquistou os ouvidos da plateia, que, apesar da ansiedade para a apresentação principal, recebeu muito bem o músico e até fez alguns pedidos de música. O cantor, que se declarou fã do grupo do Arizona, foi escolhido pela própria banda para abrir os shows de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

Michael Band | Por Tayane Sampaio

Logo depois do show de Michael e dos devidos ajustes no palco, foi a vez do The Maine aparecer, minutos depois dos fãs puxarem um coro apaixonado de “Into Your Arms”. John O’Callaghan, o vocalista do grupo, começou o show pedindo pra galera guardar os celulares e curtir um show de rock como as pessoas faziam antes dos smartphones. A banda já abriu o show com muita energia, ao som de “Black Butterflies & Dèjà Vu”, faixa do novo álbum, que os fãs cantaram a plenos pulmões. Em seguida, eles tocaram “Am I Pretty?”, que fez as poucas pessoas que estavam mais contidas também tirarem o pé do chão.

The Maine | Por Tayane Sampaio

Não é só John que tem uma presença de palco impecável, a sinergia dos músicos é fantástica. Garrett Nickelsen (baixo), Kennedy Brock (guitarra), Jared Monaco (guitarra) e Pat Kirch (bateria) não param um segundo e também não deixam o público ficar parado. John disse que queria ver todo mundo suando e realmente conseguiu. Logo no começo do show, em “Like We Did (Windows Down)”, ele subiu na grade e dividiu o microfone com o público. Os fãs retribuíram o carinho e a entrega da banda com balões brancos, durante a balada “(Un)Lost”.

The Maine | Por Tayane Sampaio

Durante toda a apresentação, houve uma troca de energia muito boa entre público e banda. Kennedy e Garrett eram só sorrisos. A animação estava tão grande que o quinteto deixou a triste “Raining in Paris” fora do setlist e tocou “Taxi”, música que nunca tinha sido tocada ao vivo e era uma das mais pedidas pelos fãs brasileiros, desde que a tour começou.

Um dos pontos altos da apresentação foi “Girls Do What They Want”, um clássico do grupo. Nessa hora, o vocalista já tinha se desfeito da jaqueta e da camiseta e foi assim que ele foi parar no meio da galera, rodeado pelos fãs que gritavam a letra da música e pulavam sem parar. John voltou ao palco com dois ajudantes, Tatyana e Fillipe, pra terminar de cantar a música no palco.

O show reuniu canções de vários momentos da banda, de discos mais recentes até os mais antigos. O pedido de “zero phones” de O’Callaghan foi ignorado, mas, ainda assim, foi um momento muito bonito de conexão entre artista e fã. Depois de pouco mais de uma hora de total catarse, a despedida foi ao som de “Another Night on Mars”.

O show é um dos que vale muito a pena ver ao vivo. Sem dúvidas, foi uma noite memorável. Os caras amam o Brasil e, provavelmente, vão voltar em breve. Então, se você ainda não foi a um show do The Maine, não perde a próxima chance!

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Resenha: Bananada 2017 @ Centro Cultural Oscar Niemayer

Por Gabriel Oliveira e Tayane Sampaio

Entre os dias 08 e 14 de maio desse ano, aconteceu a 19ª edição do Festival Bananada, em Goiânia. Com um dos melhores line-ups do ano, o festival era o lugar que qualquer fã de música independente queria estar.

Durante os três primeiros dias, os shows aconteceram nos bares, pubs, teatros e casas de show da capital goiana; na quinta-feira, aconteceu um “evento teste” no local que abriga os shows no final de semana, o espaçoso e aconchegante Centro Cultural Oscar Niemayer, que recebe o público até no domingo.

Este ano, foram montados quatro palcos: o Palco Spotify, com curadoria da Casa do Mancha; de frente pro Spotify estava o Palco SLAP, uma parceria com o selo da Som Livre, que, mais para o fim da noite, virava a tenda de música eletrônica El Club; o Palco Skol, um dos principais, que acomodou alguns dos shows com maior público; e o palco principal, Chilli Beans, que ficava logo na entrada do CCON.

Na sexta-feira, o RIFF desembarcou em terras goianas para acompanhar os três últimos dias do furacão Bananada. Os correspondentes Gabriel e Tayane, que já contaram tudo sobre o Festival, nesse vídeo aqui, agora contam como foram os shows mais interessantes que viram por lá.

GABRIEL OLIVEIRA

SEXTA – No Palco SLAP, a Plutão Já Foi Planeta foi a última atração da noite. O show contou com uma legião de fãs, que cantava todas as músicas. O grupo tocou faixas de seus dois álbuns, Daqui Pra Lá e o novo A Última Palavra Fecha a Porta. A banda fez um show enorme para um palco pequeno, o público estava interagindo e isso fez com que eles se soltassem cada vez mais.

Uma das cantoras mais esperadas do dia, sem dúvidas, era a Céu. Com público fiel, desde o lançamento do aclamado Tropix, a cantora encerrou as atividades do Palco Skol. Céu não deixou a desejar e embalou seus maiores sucessos, que foram cantados pela maioria do público que ocupava a grade.

Céu | Por Gabriel Oliveira

O último show da noite foi o do Jaloo, que se apresentou no Palco El Club. O paraense conquistou o público com a apresentação, cantando os sucessos do seu álbum de estreia, #1. Apesar de já estar bem tarde, o público pareceu não se importar com a hora e apenas aproveitou o festival. “Chuva” foi um dos momentos mais marcantes da apresentação, pois todo o público cantou e dançou junto com o cantor, que se jogou na plateia, literalmente. Divertido, Jaloo interagiu, conversou e até mandou uns memes para o público.


SÁBADO – No sábado, Consuelo, banda da capital brasileira, deu início aos trabalhos no Palco SLAP.  Era perceptível que a vocalista Cláudia Daibert estava bem contente. A cantora vestiu um figurino bacana, brincou com os sintetizadores e se mostrou disposta a conversar com o público. A plateia se aglomerou para assistir a performance da banda, que é composta por Vavá Afiouni (Passo Largo), o violão de João Ferreira (Natiruts), a guitarra de Marcus Moraes (Passo Largo), os sopros de Esdras Nogueira (Móveis Coloniais de Acaju) e a bateria de Thiago Cunha (Passo Largo).

O segundo show do SLAP foi o da goiana Bruna Mendez, que cantou e encantou. Na segunda-feira (08), a artista fez uma apresentação mais intimista no Sesc Centro, já pro Festival Bananada. A apresentação, leve e harmoniosa, contou com uma galera ajudando Bruna a cantar as músicas. A cantora parecia um pouco tímida e as poucas interações com o público foram bem rápidas, já emendando na próxima música. Com um dos melhores shows do festival, Mendez deixou transparecer seu amor pela música por meio de sua performance.

O show dos goianos da Carne Doce foi um dos mais esperados. João Victor Santana (guitarra e sintetizador), Ricardo Machado (bateria), Anderson Maia (baixo), Macloys Aquino (guitarra) e Salma Jô (voz e sintetizador) se apresentaram no Palco Skol, que estava totalmente lotado, com pessoas ansiosas pela explosão trazida pela banda. Logo nos primeiros segundos do show, se escutava o som da guitarra de Macloys, a bateria de Ricardo, o baixo de Anderson e os gritos do público, ensandecido. Salma entrou totalmente performática, com um sorriso no rosto, e cantou “Princesa”, faixa título do segundo álbum do grupo. Sem perder o ritmo, a apresentação foi forte, representativa e não teve sequer um momento de silêncio total; Salma conversou com o público e falou sobre a felicidade de estar tocando em casa.

Carne Doce | Por Tayane Sampaio

DOMINGOTeto Preto se apresentou no palco Skol, um show que talvez não esperasse tomar tamanha proporção pela vocalista Angela Carneosso e o seu grupo, que conta com L_cio (bateria), Zopelar (sintetizador), Bica (percussão e trombone). Com uma performance livre, Carneosso se apresentou nua, dançando, rebolando e, além de tudo, amando a vibração do público, que acompanhou boquiaberto todo o show. Com uma mistura de bossa nova e uma pegada totalmente eletrônica, provavelmente o som foi uma grande surpresa para quem não conhecia. Laura representou mostrou muito bem o poder de sua música e de seu corpo.

Um numeroso público, posicionado no Palco Chili Beans, aguardava o show da Tulipa Ruiz. Vencedora de um Grammy Latino, com o álbum Dancê, a cantora apresentou músicas do seu último álbum, que é extremamente empoderador. Com uma potência vocal sem igual, Tulipa consegue cativar o público com seu timbre e carisma, sendo conhecida pelo seu bom humor. O show ainda teve a participação de Lineker, que subiu ao palco para cantar ‘’Só Sei Dançar Com Você’’, que foi um momento bonito e marcante da apresentação. Encantadora, Tulipa encerrou o show agradecendo o carinho e o amor que os seus fãs ali presentes passavam.

Tulipa Ruiz | Por Tayane Sampaio

E para encerrar as atividades do Palco Skol, o Bananada contou com ninguém mais, ninguém menos que Karol Conka, artista que exala empoderamento feminino em suas músicas. Conka, que apresenta o tão aclamado Batuk Freak, cantou os seus hits como ‘’Do Gueto ao Luxo’’ e ‘‘Gandaia’’, e suas parcerias com o DJ Boss In Drama, como ‘‘Toda Doida’’ e ‘‘Farofei’’. Com um palco vasto, Karol, acompanhada do DJ Hadji, mostrou sua sensacional presença de palco e total domínio do público.

TAYANE SAMPAIO

SEXTA – Na sexta-feira, o primeiro grande show da noite foi o dos cariocas da Ventre, no Palco Chilli Beans. Quem não os conhece, pode achar que o alvoroço ao redor do nome da banda é só hype, mas basta assistir a um show do grupo pra entender o motivo de tanto entusiasmo dos fãs. Larissa Conforto (bateria), Hugo Noguchi (baixo) e Gabriel Ventura (guitarra e voz) têm apenas um álbum lançado, mas entre as poucas faixas de seu repertório, a banda consegue transitar entre momentos leves, quase meditativos, a uma explosão de sentimentos e sons. Larissa, que ocupa o centro do palco com sua bateria, usa muito bem sua força e sua voz para fazer um discurso que pede respeito às mulheres e as chama para fazer música.

Ventre | Por Tayane Sampaio

Os paulistas do E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante fizeram a melhor apresentação do dia no Palco Spotify. Mesmo com problemas técnicos, o show da banda foi uma imersão em um turbilhão sensações. A mudança entre momentos de introspecção e de total catarse são muito bem trabalhados nas músicas e, principalmente, nas performances de Rafael Jonke (bateria), Luden Viana (guitarra), Luccas Villela (baixo) e Lucas Theodoro (guitarra e sintetizadores). Além de dividir o nome, Villela e Theodoro dividem muito bem o palco, que fica pequeno pra tanta energia da dupla.

O último grande show da noite foi o do BaianaSystem, no Palco Chilli Beans, e não poderia ser diferente. Com um dos melhores shows da atualidade, o grupo fez o público dançar durante toda a apresentação. As mil e uma sonoridades trazidas pelo som da guitarra baiana de Beto Barreto, o baixo de SekoBass, a guitarra de Juninho Costa, a percussão de Japa System e as bases eletrônicas de João Meirelles e Mahal Pitta casam com perfeição com a voz e disposição de Russo Passapusso. Toda a identidade audiovisual do grupo, assinada por Felipe Cartaxo, torna a experiência ainda mais incrível. Poucas bandas de rock conseguem ter um som tão pesado quanto o samba-reggae do BaianaSystem.


SÁBADO – No sábado, o público chegou mais cedo no Centro Cultural Oscar Niemayer. Quem estava na primeira apresentação do Palco Spotify não deve ter se arrependido, pois quem deu início à programação foi o JP Cardoso. Com um dos shows mais divertidos do Festival, JP cumpre o que promete no título do seu álbum e embarca o público em uma leve e gostosa viagem pelas ondas sonoras das canções do Submarine Dreams, seu álbum de estreia. Sabe aquela viagem à praia com os amigos, com direito a várias lembranças boas e pores do sol de tirar o fôlego? Esse foi o show do JP. Mesmo sendo noite, o mineirinho conseguiu ensolarar o palco.

Ainda no Palco Spotify, Luiza Lian fez uma das apresentações mais especiais de todo o Festival Bananada. A paulistana levou a experiência audiovisual de seu disco Oyá Tempo ao CCON, acompanhada pelas batidas de Charlie Tixier. Luiza, que teve um dos maiores públicos daquele palco, criou um ambiente totalmente imerso no conceito de seu álbum, pois, além das músicas e das projeções, a artista levou ao público uma bonita cenografia e figurino. Com suas canções que remetem do jazz ao candomblé, Lian consegue inserir o ouvinte em sua narrativa e instigá-lo a conhecer melhor a divindade-musa inspiradora de suas músicas.

Luiza Lian | Por Tayane Sampaio

Maria Gadú também presentou o público com uma apresentação emocionante. Quem só conhece a artista pela estourada “Shimbalaiê” ficou de queixo caído com a evolução de Gadú, que tem o palco e o público na palma da mão. A blusa divertida da cantora e guitarrista, com estampa de bananas, destoou da atmosfera densa e visceral criada pelas músicas do ótimo Guelã, último álbum da artista, e músicas de seus trabalhos anteriores. Acompanhada por Federico Puppi (violoncelo), Lancaster Pinto (baixo) e Felipe Roseno (bateria), Gadú parecia estar rasgando o próprio coração no palco, tamanha a entrega da artista, que fez um show comovente.


DOMINGO – No domingo, no Palco Spotify, o começo do fim não poderia ter sido mais bonito. Os mineiros da El Toro Fuerte fizeram a trilha sonora para o por do sol que acontecia atrás do palco. Diego Arcanjo (baixo, guitarra, voz), Gabriel Martins (bateria), João Carvalho (voz, guitarra, baixo) e Fábio de Carvalho (guitarra, voz) fizeram uma apresentação intensa, assim como o álbum de estreia da banda, chamado Um Tempo Lindo Pra Estar Vivo. A apresentação foi tão intensa que teve gente na plateia que não segurou o choro, mas em pouco tempo as lágrimas deram lugar pra sorrisos e abraços. Nem mesmo uma corda de guitarra estourada tirou o clima do show, que tinha um público muito interessado e um quarteto em ótima sintonia.

El Toro Fuerte | Por Tayane Sampaio

Boa parte do público do Palco Spotify saiu correndo pro Palco Skol, que já estava nos ajustes finais para receber o Rakta. A iluminação exclusivamente vermelha, com muita fumaça, quase sufocante, acompanhou muito bem o post punk extremamente bem executado pelo trio. A experimentação de Carla Boregas (baixo e voz), Paula Rebellato (teclado e voz) e Nathalia Viccari (bateria) mostra que nem só de guitarra vive o rock e cria uma atmosfera única, que casa muito bem com os “inferninhos” do underground. Talvez, se a banda tivesse tocado em um palco menor, a experiência de ver o trio seria ainda mais libertadora.

No palco Chilli Beans, aconteceu um dos encontros mais legais do rock goiano. Hellbenders e Black Drawing Chalks se enfrentaram numa espécie de competição em que o público saiu ganhando. As bandas tocaram músicas de seus repertórios e rolou até uma versão de “Mexicola”, do Queens of the Stone Age. As bandas foram acompanhadas pelo público, que encheu o Palco, tanto na voz quanto no bate-cabeça, além das recorrentes rodas punk. Não dava muito tempo de respirar, pois, quando Diogo Fleury (voz/Hellbenders) terminava uma música, Edimar Filho (voz/BDC) já emendava outra. O público saiu do palco com um sorriso no rosto e suor escorrendo pela testa.


Veja as fotos que tiramos dos shows que assistimos aqui.

Entrevista: Idyh

Por Tayane Sampaio

O título de “Capital do Rock” talvez não faça mais tanto sentido, mas, certamente, Brasília é a capital da música. A cena musical da Cidade está borbulhando e, com a união entre as próprias bandas, a agenda cultural está sendo preenchida pelos eventos no estilo faça você mesmo.

Além disso, tem muita gente nova se apresentando ao público brasiliense. Muitas bandas, que mal lançaram material, já mostram um som original e que tem muito potencial. O entrevistado de hoje, Idyh, é um exemplo dessa nova geração.

Idyahuri Nunes lançou, no final de março, seu primeiro EP, “Ávidos Impulsos”. As quatro músicas são consequência de mais de uma década de envolvimento com o mundo da música, que começou bem cedo, aos 13 anos, quando Idyh ganhou seu primeiro violão.

Conheça, na entrevista abaixo, um pouco mais de Idyh.


Nessa sua iniciação com o violão, quais artistas eram sua inspiração? Quem te fez querer aprender a tocar?

Eu comecei a aprender tocar violão com umas revistinhas de cifras que tinha antigamente. Meu tio me deu uma caixa dessas revistas e lá tinha de tudo, mas principalmente coisas do rock nacional, como Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Engenheiros do Havaí e outras coisinhas mais. Sobretudo, Legião Urbana foi essencial pra que eu aprendesse que se pode fazer uma música boa com apenas dois ou três acordes. Eu demorei menos de um mês com o violão pra já me aventurar a compor canções (que eram, basicamente, histórias cantadas).

Essas primeiras influências ainda te inspiram, hoje em dia?

Não posso negar que subjetivamente ainda sou influenciado, pouco, mas sou. Reconheço o valor que tiveram na minha construção musical e ainda os admiro, mas confesso que depois de consumir tanta música diferente, de vários gêneros, países e épocas, eu acabei pluralizando mais o meu gosto e sendo influenciado por outras várias coisas também.

E quais são essas outras influências?

Aconteceram marcos na minha vida, que mudaram não apenas meu gosto musical, como também minha percepção do mundo. O primeiro grande impacto musical da adolescência foi o contato com os Beatles. Nessa época eu tinha uns 14 anos e ouvia a discografia incessantemente. Logo depois eu fui descobrindo o classic rock e me deparei com o show “The Song Remains the Same”, do Led Zeppelin, e essa experiência foi orgástica. Depois veio Dylan, o indie rock e outras coisas variadas de fora como o jazz e o blues. Paralelamente a isso, eu continuava a ouvir muita música brasileira por influência do meu pai, e a partir daí eu fui mergulhando na parte mais melancólica disso tudo, até que eu me deparei com Milton Nascimento e Radiohead. Eu poderia citar mil bandas e artistas mas acho que, definitivamente, os sons que realmente foram divisores de águas na minha vida foram o disco “Clube da Esquina”, do Lô Borges e Milton Nascimento, e o “In Rainbows”, do Radiohead. Até hoje eu sou fortemente influenciado por eles.

As músicas do seu EP têm uma sonoridade bem diferente, entre si, mas conversam muito bem. Essas composições são mais recentes ou estão misturadas com coisas mais antigas, de quando você começou a compor?

A canção mais antiga é a “Mil Motivos”, que, inclusive, eu tocava com uma banda que tive há uns sete anos atrás. A “Seremos Nós?” é derivada de uma outra música chamada “Recitar”, e foi dela também que veio a “Fez Morada”, ou seja, uma música acabou virando três. Já “Estilhaços” veio no meio do processo de gravação do EP. Na época, eu estava vivendo um término de relacionamento, nisso acabei desistindo de uma outra música e coloquei “Estilhaços” no meio, já aproveitando a conveniência da situação.

Todo o processo de gravação das músicas foi longo, durou mais de dois anos. No final das contas, o EP saiu como você tinha pensado ou o resultado foi completamente diferente do planejado?

Assim, se fosse hoje, eu não gravaria nenhuma das músicas, por questão de fase mesmo. Nesse período de dois anos eu mudei muito a minha forma de compor, então as músicas acabaram sofrendo diversas alterações, pois eu queria adaptá-las à minha nova fase de produção. Obviamente que não deu totalmente certo, pois as músicas acabaram ganhando vida própria e eu vi que se eu mudasse demais elas se descaracterizariam com o que eu havia pensado inicialmente, o que não faria muito sentido pra mim. A parte boa foi o amadurecimento dos arranjos que elas ganharam no processo. No fim das contas, o resultado estético foi surpreendente para mim, e eu não acho que poderia ter ficado melhor. Essas canções representam uma fase válida da minha vida e, apesar de eu ter mudado bastante, as músicas não perderam seu valor.

Você chamou um time de peso pra gravação do álbum. Como rolou a aproximação com a galera? Vocês já se conheciam ou o primeiro contato foi o convite pra participarem do projeto?

A ideia, de início, era meio megalomaníaca e queria envolver músicos mais famosos como Cícero, Silva e outros, mas eu percebi que era prepotência demais pra um EP de estreia e congelei essa ideia. Comecei o processo de gravação apenas com meu amigo Janary Gentil, que foi também quem produziu o disco. Através do Janary eu conheci o Arthur Lôbo, que assumiu o baixo; o Arnoldo Ravizzini, bateria; Walter Cruz, teclados; e Kelton Gomes que fez algumas vozes e guitarras. Todos eles são músicos de nome aqui em Brasília. Houve até um convite ao Gustavo Bertoni, do Scalene, pra participar, mas ele estava com a agenda conturbada por causa daquele boom do Superstar. Conversamos por um tempo, mas iria ficar corrido demais pra ele, e meio que não deu em nada. Até tentei chamar alguns amigos mais próximos, mas também não deu muito certo.

O “Ávidos Impulsos” ainda é recente, mas você já tem planos para o próximo lançamento?

Tenho planos de gravar um clipe e lançar em breve. Isso vai depender de muitos fatores, mas a ideia é lançar esse ano. Também tenho três álbuns fechados, guardadinhos, esperando para serem gravados. Cada álbum tem exatas doze faixas. No decorrer dos shows, eu tocarei algumas dessas músicas, mas o lançamento talvez demore um pouco, pois antes disso deve rolar algum single.


Escute o “Ávidos Impulsos” aqui:

Entrevista: Scalene

 

Por Tayane Sampaio

O que vem depois do Éter? E de um Grammy Latino? Nos últimos anos, os brasilienses da Scalene vêm acumulando uma sequência de vitórias: seja o prêmio de “Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa”, uma agenda cheia ou uma legião de fãs chapadões pelos riffs de guitarra!

Sem dúvidas, todo esse reconhecimento é fruto do árduo trabalho do quarteto, ao longo dos oito anos de banda. Em um dos momentos mais frenéticos da carreira, os meninos arrumaram tempo pra compor e gravar as músicas do próximo disco.

O baixista da banda, Lucas Furtado, mais conhecido como Lukão, nos contou algumas coisas sobre o novo álbum, que você lê na entrevista abaixo.


Primeiro, o que todo mundo quer saber: vocês já têm uma previsão para a data de lançamento do novo álbum?

Ainda não! A única coisa que sabemos é que vai sair no segundo semestre, mas queremos lançar o mais rápido possível!

 

É a primeira vez que a banda grava fora do DF, longe de casa. Por que escolheram São Paulo?

Tivemos a oportunidade de utilizar o estúdio da Red Bull Station em São Paulo, que é um lugar incrível tanto pela vibe do lugar (que recebe exposições e abriga artistas e estudantes) quanto pelo estúdio em si, que conta com equipamentos de ponta e uma equipe fenomenal. Foi uma escolha fácil e contribuiu muito para a qualidade do disco.

 

Tem alguma música antiga, não lançada, que vocês tiraram da gaveta e deram uma cara nova ou as músicas desse novo álbum são todas composições atuais?

Quando “sobra” alguma música da produção de um disco anterior, geralmente a descartamos porque quando inicia o processo de composição de um novo CD estamos em um novo estágio da banda, com outra mentalidade e buscando outras sonoridades. Por isso só trabalhamos com novas composições a cada disco.

 

Geralmente a banda trabalha um conceito pro álbum. Isso vai se repetir?

Sim e esse conceito vai ficar bem claro pra galera quando o disco sair. É bem direto ao ponto.

 

Tem algum tempo que vocês estão com um músico de apoio nos shows, o Samyr (namí, Aloizio, Divinas Tetas), que também participou da gravação do novo disco. Ele contribuiu, de alguma forma, no processo de composição?

O Samyr é, além de um grande amigo, uma influência positiva na vida de todos nós. Com certeza ele contribuiu para a composição, mas de uma forma mais indireta, mostrando novas sonoridades a abordagens musicais e não necessariamente compondo partes específicas de músicas

 

Se vocês tivessem que escolher uma música da Scalene, dos lançamentos anteriores, para ser um “resumo” do próximo álbum, qual seria?

Essa pergunta não tem resposta pelo simples fato de que até dentro dos outros trabalhos é difícil escolher uma música que resume o álbum inteiro. O que podemos dizer é que o próximo disco vai ser diferente do ÉTER assim como o ÉTER é diferente do Real/Surreal.

 

No decorrer dos anos deu pra perceber que, aos poucos, vocês estão abraçando mais influências brasileiras na sonoridade da banda. Quais são os artistas brasileiros que mais têm inspirado vocês?

Metá Metá, francisco, el hombre, Elza Soares, BaianaSystem, Kiko Dinucci e vários outros.

No geral, o que os fãs devem esperar para esse primeiro semestre do ano?

Muitos shows e ficar ligados nas notícias da banda, porque vem coisa boa por aí!


Confira o RIFFPÉDIA que gravamos com a Scalene:


Escute o último álbum da banda, Éter, aqui:

Resenha: Elza Soares @ Caixa Cultural Brasília

Por Tayane Sampaio

No primeiro final de semana de abril, Elza presentou Brasília com o seu espetáculo. Após duas sessões no sábado (01), A Mulher do Fim do Mundo voltou ao palco da Caixa Cultural Brasília, no domingo, e cantou para um público ansioso. A grande fila de espera para as possíveis desistências já mostrava o quão especial seria a apresentação que estava por vir.

Um pouco depois das 19h e dos três sinais que anunciam o começo da apresentação, a ficha técnica do espetáculo foi narrada, como de costume. Em seguida, as cortinas se abriram, revelando um palco cheio: Elza Soares, soberana, acompanhada de Guilherme Kastrup (bateria); Rodrigo Campos, (guitarra e cavaco), Rovilson Pascoal (guitarra e violão); Marcelo Cabral (baixo, synth e violão de 7 cordas); e Gustavo da Lua (percussão).

Elza Soares @2017

Imponente, na versão voz e emoção, assim como no álbum, Elza deu boas-vindas ao público com “Coração do Mar”, poema de Oswald de Andrade musicado por José Wisnik. A música de abertura dá a tônica de todo o show: cru, politizado, realista, brasileiro, de arrepiar da cabeça aos pés; apresentado por uma mulher, negra, de origem pobre, que sabe muito bem o que está cantando e falando.

Logo em seguida a banda dá o ar da graça, para a execução da faixa título do álbum. Os músicos, excelentes, abrilhantam ainda mais o desabafo de Elza, mas, o tempo todo, fica bem claro que sua voz é o principal instrumento do grupo, que transita com facilidade entre momentos de melancolia e euforia.

Guilherme Kastrup @2017

O show é, como um todo, emocionante, mas tem alguns momentos marcantes, cheios de significado, como em “A Carne”, “Maria da Vila Matilde” e “Pra Fuder”. Além de cantar as canções, que por si só já são fortes, Elza dá recados importantes sobre racismo, violência contra a mulher e sobre a liberdade sexual feminina.

Antes e depois da apresentação, conversei com várias pessoas, que circulavam perto da entrada do teatro. Eu queria conhecer o público, que era bem diverso, então fiz várias perguntas. É o seu primeiro show da Elza? Como está a expectativa? O que você achou do álbum “A Mulher do Fim do Mundo”? E por aí vai… Mas, teve um depoimento que me deixou emocionada.

Conversei com a Rosana Castro (29), antes e depois do show, e, no final, perguntei qual foi a música que mais a emocionou. A resposta foi “então, eu não esperava… na verdade não foi a música, porque eu já ouvi a música muitas vezes. Mas, ela repetia a palavra ‘negra’ e cada vez que ela falava a palavra ‘negra’ é como se ela fosse quebrando uma parte de mim, assim. Eu não tava esperando, eu não tava esperando mesmo. Foi essa parte da música (A Carne) que, eu não sei… aconteceu alguma coisa ali. Foi incrível!”

Rosana traduziu bem o sentimento. É isso! A voz de Elza entra na pele, cutuca as feridas e nos transforma. Você entra no teatro esperando só mais uma apresentação musical, mas sai de lá com um exemplo vivo de força, perseverança e empoderamento. Não é só um show, é uma experiência de vida.

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Quando o show termina, você consegue entender toda a cenografia de palco. Elza está apenas ocupando o lugar que lhe é de direito: o trono da música brasileira.

Resenha: Ellefante, Marrakitá e Phill Veras @Funarte Brasília

Por Tayane Sampaio

Abril começou muito bem para quem acompanha a cena musical da Cidade. Sábado (01), aconteceu a sexta edição do Brasília Sessions, evento que tem tudo para se tornar uma das datas mais esperadas pelos brasilienses fãs de música. Dessa vez, quem compareceu ao Teatro Plínio Marcos, no Complexo Cultural FUNARTE, assistiu às apresentações das bandas Ellefante, Marrakitá, Cachimbó, Renato Gurgel e Phill Veras.

Mesmo sendo a edição com o maior público, que lotou o teatro, o evento não perdeu sua essência e o ar intimista. O formato com três apresentações no palco principal e dois pocket shows, que acontecem enquanto o palco central é arrumado para a próxima apresentação, foi mantido. Essa dinâmica funciona muito bem, pois o tempo de espera entre uma apresentação e outra é bem curto.

A Ellefante, formada por Fernando Vaz (voz e guitarra), Adriano Pasqua (baixo) e João Dito (bateria), foi a primeira a se apresentar. Quando a banda começou a tocar, um pouco depois das 19h, os espectadores ocupavam um terço da capacidade total do teatro. Quem chegou só para o último show perdeu a melhor apresentação da noite.

Ellefante @2017

O trio, que nasceu há pouco tempo, traz uma proposta muito bonita e original. A sonoridade da banda não segue um padrão e é justamente isso que faz o show ser tão bom de assistir. Entre as baladas, com um toque de blues, e as músicas mais vibrantes, com bateria minimalista e um quê de bossa nova, o grupo também mostra influências do folk, pop e rock.

Além das belíssimas harmonizações vocais, os integrantes compartilhavam olhares e sorrisos divertidos entre uma canção e outra. Mesmo com pouco tempo de banda, a Ellefante já tem um show interessante e interativo, em que os integrantes dominam bem o espaço e têm um ótimo entrosamento, além de parecerem muito à vontade para falar e brincar com a plateia.

Um dos pontos fortes da banda é o bonito timbre de voz e a versatilidade de Fernando. Na sensível “Começo”, ele presentou o público com uma ótima performance vocal, que em alguns momentos lembra o australiano Matt Corby.

No final dos shows, conversamos com o vocalista, que classificou a experiência de tocar no Brasília Sessions como sensacional, tanto pela oportunidade de tocar em um teatro tão tradicional, como pela chance de apresentar a sua música às pessoas que foram ao evento por causa dos outros artistas. O músico disse, ainda, que o primeiro álbum do trio está previsto para agosto e deve ter entre dez e treze faixas, incluindo as músicas já lançadas em sessões ao vivo. Antes disso, a banda ainda toca no Atomic Music Festival, com o The Maine, o famoso “grupo emo do Arizona”.

Enquanto o palco da Marrakitá era montado, Renato Gurgel começou sua apresentação, que atraiu a atenção de toda a plateia para a parte superior da sala. Acompanhado por Paulo Lessa (guitarra), Renato apresentou, pela primeira vez, o seu trabalho autoral ao público brasiliense. A serenidade da voz de Gurgel se espalhou pelo local e aqui e acolá tinha alguém balançando a cabeça no ritmo do bom samba-forró do rapaz.

Renato Gurgel @2017

O agora duo Marrakitá se apresentou após o pocket show do Renato. João Pedro Mansur (voz e guitarra), que tocou na edição anterior do evento, e Marcos dos Santos (bateria e voz) se apresentaram com dois músicos de apoio: o baixista Pedro Miranda e o guitarrista Henrique Alvim.

O último single lançado pelo grupo, “Santuário”, fez parte da setlist, assim como algumas músicas do álbum “Coisas Selvagens”, de 2015. Infelizmente, os músicos não apresentaram as músicas do excelente “Ao Vivo Em Casa” (2014), EP de estreia da banda, que, à época, era um quarteto.

Marrakitá @2017

O baterista da Marrakitá é um show à parte. Marcos executa os movimentos com bastante energia e canta todas as músicas, sem deixar o sorriso sair do rosto. Dá gosto de vê-lo tocar. Além dos agradecimentos do vocalista à produção do Brasília Sessions, os músicos não interagiram muito com a plateia e deixaram o palco sem se despedir.

A Cachimbó ficou responsável pelo segundo pocket show da noite. Sem dúvidas, o eletropop de Laianna Victória (voz), João Pedro de Oliveira (teclado, sintetizador e percussão) e Paulo Batista (guitarra) merecia o palco principal. As batidas criadas por João Pedro embalam as dancinhas esquisitas da vocalista, que esbanja carisma e faz com que você queira se juntar a ela na coreografia à la Ian Curtis. Fica a vontade de que, em um futuro próximo, a banda volte com um número mais longo.

Cachimbó @2017

Para encerrar mais uma bem-sucedida edição do Brasília Sessions, Phill Veras entrou pulando no palco, após alguns minutos de atraso e de vários gritos do público, que clamava pelo músico. O maranhense, acompanhado do exímio guitarrista André Araújo, passeou por músicas de todos os seus três álbuns. Os fãs do cantor lotaram a FUNARTE e cantaram alto as canções de Veras, que foi bem recebido em sua estreia na Capital.

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Como sempre, a noite foi mais do que agradável. Pequenos detalhes, como banheiros inclusivos, mostram o cuidado e dedicação da produção, que respeita muito o trabalho dos artistas convidados e seu público. A produtora Marcella Imparato nos contou que o objetivo é crescer, mas sempre valorizando a cena autoral e local, além de fazer esse intercâmbio cultural com artistas de outros estados. Fica aqui a nossa torcida para que o Brasília Sessions cresça mais a cada edição.

Você pode acompanhar as novidades do Brasília Sessions clicando aqui. 

A VERSÃO 3.0 DE JONATHAN TADEU: “FANTASMAS”, O PRIMEIRO SINGLE DO NOVO ÁLBUM

Por Tayane Sampaio

Desde a sua estreia como artista solo, Jonathan Tadeu, que também é fotógrafo, videomaker e cofundador do coletivo Geração Perdida de Minas Gerais, transforma situações e inquietudes do cotidiano em canções. A honestidade parece ser uma das causas da admirável produtividade de Jonathan, que lançou o primeiro álbum, “Casa Vazia”, em 2015, e apenas um ano depois nos presentou com o comovente e bonito “Queda Livre”.

Jonathan é um artista em constante evolução. Apesar do pouco espaço de tempo entre um CD e outro, o músico mostrou, em seu segundo disco, que já estava em uma versão melhorada de si mesmo. Sem perder a identidade ou a sinceridade cortante presente em trabalho de estreia, o mineiro encontrou uma forma mais ensolarada de lutar contra os demônios do passado. Entre guitarras dedilhadas e letras martirizantes, Jonathan também dá espaço para um otimismo reconfortante nas músicas do “Queda Livre”.

Para o terceiro álbum, “Filho do Meio”, que virá ao mundo no dia 04 de abril, o músico promete mudanças. São muitas as novidades para o próximo lançamento, o que só confirma o desprendimento do compositor para seguir padrões ou tentar se encaixar em rótulos. Começando pela capa do álbum, que você vê abaixo. Pela primeira vez, o cantor aparece na capa do próprio disco. Jonathan se apresenta, aos ouvintes desavisados, pelas lentes do fotógrafo e videomaker Flávio Charchar. A palavra final, em relação à escolha da foto pra capa, ficou por conta dos fãs que contribuem financeiramente com o trabalho do artista, por meio da plataforma APOIA.se.

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Jonathan Tadeu © Flávio Charchar

A sonoridade da obra de Jonathan também está em processo de transformação. O indie e sadcore, presentes no tão polêmico “rock triste”, darão lugar à uma atmosfera mais R&B. A guitarra, sua fiel companheira, dará espaço aos sintetizadores. Os temas das canções também tendem a mudar, pois, agora o músico narra acontecimento mais recentes, como estar em turnê com os amigos, laços de amizade perdidos, o casamento recente e sua relação com Belo Horizonte. João Carvalho (El Toro Fuerte, Rio Sem Nome, Sentidor), produtor do álbum, afirma que o disco será mais “dedo na ferida”.

O primeiro single dessa nova fase, “Fantasmas”, é uma animadora prévia do que está por vir. Com uma introdução melancólica, seguida de uma bela performance vocal do músico, a canção cresce e explode com as batidas que também iniciam o declínio da faixa, que termina com um quê de canção de ninar. Abaixo, você confere o clipe da música.

O vídeo, simples e extremamente bonito, conversa com os outros trabalhos audiovisuais do cantor, que quase sempre retratam momentos cotidianos, que tratamos como irrelevantes na correria do dia a dia, mas que, no fundo, estão carregados de significados. Dirigido por Charchar, o clipe é o primeiro da carreira de Jonathan que não foi autodirigido.

Misterioso, o vídeo nos deixa cheios de questionamentos quanto ao seu significado. A letra, muita curta, também deixa um espaço vazio para livre interpretação. Mas, no final das contas, dá pra encarar o ato corriqueiro de fazer a barba como uma espécie de culto de renovação.  Talvez o vídeo seja uma metáfora para essa onda de mudanças na vida de Jonathan, a total entrega ao processo de composição de um álbum, a confiança em deixar outras pessoas intervirem em sua obra, e, por fim, o resultado: a mesma pessoa, mas com uma cara nova e pronta para “começar tudo de novo”.

No final das contas, fica um sentimento bom ao ver que Jonathan não se entregou à passividade, ao status quo de destaque na cena independente brasileira, e ainda procura se reinventar, sair da sua zona de conforto, mas sem deixar sua essência de lado. Ainda falta um pouco para podermos conferir o resultado completo dessa nova fase, mas, pelo que pudemos ver e ouvir até agora, vem coisa muito boa por aí!

Confira o tracklist de “Filho do Meio”:

1. Fantasmas
2. Sorriso Amarelo
3. Deus Sempre Mata Os Saudosistas Primeiro
4. Lupe de Lupe
5. Questão de Classe
6. Festa de Despedida
7. Araxá 500
8. Alicerce

Resenha: Zander, Dias, ADI e Nada Em Vão @Círculo Operário do Cruzeiro

Por Tayane Sampaio

Sábado (18/02), o Canal RIFF marcou presença no Círculo Operário do Cruzeiro, que foi palco do aniversário de 5 anos da Acetona Produções. Os brasilienses fãs de hardcore ganharam uma noite nostálgica, com direito a apresentação de banda que não tocava há muito tempo e a show de reunião de banda que já acabou. A produtora trouxe, assim como em seu primeiro evento, a banda Zander para ser a principal atração da noite, além das bandas locais Nada em Vão, ADI e Dias.

A Acetona, que já produziu shows de renomadas bandas da cena underground nacional, como Menores Atos e Bullet Bane, também está com um divertido projeto, que acontece às terças-feiras, no Club 904. “A Fantástica Fábrica de Bandas” é uma espécie de karaokê para bandas, que, com inscrição prévia, podem se apresentar no palco do Clube da ASCEB.

A Nada Em Vão deu início às comemorações.  Por volta das 21h, Lucas Cardoso (voz), Pedro Tavares (guitarra), Delton Porto (bateria) e César Oliveira (baixo) já estavam a postos. Com músicas relativamente curtas, mas com mensagens fortes e concisas, a caçula da noite apresentou, quase na íntegra, as canções de seus dois EPs: “Nada em Vão”, de novembro de 2015, e “Sempre em Frente”, lançado um ano após o debut da banda.

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Nada Em Vão @2017

O show do grupo contou com duas participações especiais. A primeira, de Regis Matsumoto para ajudar Lucas nos vocais do cover de “We”, dos veteranos do Descendents. A segunda participação foi mais espontânea e veio da plateia, que, mais ao fim da apresentação, já entoava as músicas junto com a banda.

O punk rock tocado pelo grupo não tem nada de niilista e se destaca justamente pela mensagem positiva que entrega. De acordo com o baixista, César, e o vocalista, Lucas, a Nada Em Vão tenta sempre transmitir boas energias por meio de suas composições, dando ênfase ao lado bom da vida e trazendo indagações que estimulem seus ouvintes a buscar a melhor versão de si.

Depois de um pequeno intervalo para troca de palco, a segunda banda do lineup, ADI, começou sua apresentação, com um setlist que contemplou todas as canções do último EP da banda, “Sobre os Dias que Não Vão Voltar”, lançado no final do ano passado, sem muito alarde, além de músicas de trabalhos mais antigos.

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ADI @2017

Gustavo Hildebrand (voz e guitarra), Rafael Rezende (guitarra), Gustavo Portella (baixo) e Thales Maia (bateria) foram muito bem recebidos pelo público, que, provavelmente, estava com saudade de ver a banda nos palcos. Os fãs de longa data da banda puderam matar a saudade de alguns clássicos, como “Retrato Que Eu Fiz”, “Falhas Perfeitas” “Edu” e “Mundo Inteiro”, a mais pedida em uma enquete feita pela banda na página do evento. Deu pra matar a saudade da ADI, mas a apresentação e as novas músicas deixaram um gostinho do quero mais.

A banda, que ficou 8 anos sem lançar novos trabalhos, surpreendeu ao soltar o EP de inéditas. O baterista, Thales, contou pra gente que essas músicas estavam guardadas há uns 4 anos e que sofreram algumas modificações, ao longo do tempo, até que eles resolveram gravá-las. Nos últimos anos, a banda fez um show aqui e acolá e as coisas devem continuar assim, já que nem todos os integrantes residem no DF.

A Dias, terceira banda a ser apresentar, foi responsável por alguns dos momentos mais bonitos da noite. Manoel Neto (voz), Fill Braga (guitarra), Leandro Correia (guitarra), Bruno Formiga (baixo) e Arnoldo Ravizzini (bateria) se reuniram, após cinco anos do término da banda, para matar a saudade dos palcos e do público, que aproveitou cada segundo da apresentação.

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Dias @2017

Os mais próximos do palco cantaram com Manoel durante todas as dez músicas do set, intercalando os berros com bate-cabeça. A banda começou a apresentação com “Vazio”, do EP de 2008, mas o palco pegou fogo quando o grupo resgatou músicas do começo da carreira, como “Procura” e “Aprender”, do primeiro EP (2004).

Nostálgico, o vocalista lembrou do começo da banda, quando matava aula para ensaiar e de quando trocava correspondência com Gabriel Zander e comprava fita K7 da Noção de Nada. Apesar da recepção calorosa da galera, a banda já tinha falado que o show não seria uma volta às atividades, e sim uma oportunidade para a banda lembrar os bons momentos que viveram juntos.

Outro intervalo, para o público recuperar o fôlego do show eletrizante do Dias, e a Zander subiu no palco do Círculo Operário para fechar a noite. Com mais pessoas para ver o show e com caras novas próximas ao palco, a quarta e última apresentação da noite foi iniciada. Perto de meia-noite, Gabriel Zander (voz e guitarra), Gabriel Arbex (guitarra), Marcelo Mauni (baixo) e Bruno Bade (bateria) tocaram os primeiros acordes de “Bandida e Malvista” e de cara emendaram mais duas músicas no “Flamboyant”, álbum que o grupo veio lançar.

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Zander @2017

O público, mais uma vez, não deixou a desejar. Muitas vezes o coro gritado dos fãs silenciava a voz de Bill, que é um vocalista com uma ótima presença de palco. O bate-cabeça continuou, rolavam uns stage dives e até uma pequena invasão de palco rolou, mais para o final do show. Em “Humaitá”, música do primeiro álbum completo da banda, “Brasa” (2010), o caos tomou conta da frente do palco. A Zander tocou músicas de todos os seus trabalhos lançados, exceto do Ep’tizer. Uma das canções mais pedidas foi “Dezesseis”, do trabalho de estreia, o EP “Em Construção” (2008).

Bill lembrou ao público que a banda estava vendendo seus produtos de merchandising, ao lado do palco, e o quanto era importante o apoio dos fãs para que a banda conseguisse seguir lançando trabalhos e fazendo shows. O vocalista também lembrou das bandas locais e da importância delas para que bandas de fora toquem na cidade e elogiou os presentes pelo suporte à cena local. Antes de finalizar o show, a Zander anunciou que tinha acabado de fechar outra apresentação, na Casa da Val, e convidou a galera para comparecer. Por fim, a banda se despediu com “Até a Próxima”.

A Acetona teve uma bonita festa de aniversário e compartilhou o presente com os fãs. A produtora homenageou, de certa forma, a cena de uns anos atrás trazendo a Dias, que teve uma importância muito grande para o hardcore do DF e mostrou que a capital ainda tem muita coisa nova a oferecer.

O pioneirismo do The Maine no marketing de relacionamento

Por Tayane Sampaio

Perto de lançar o próximo álbum de inéditas, “Lovely Little Lonely”, o famoso grupo do Arizona, The Maine, mostra, mais uma vez, entender muito bem de relacionamento com o público. A banda, que tem um histórico de ótimas estratégias para fidelização dos fãs, ainda consegue se reinventar e arrumar novas formas de envolver seus admiradores na trajetória da banda.

Em uma geração que tem tantas informações à disposição e tantas formas de acessá-las, o gosto musical muitas vezes traz a sensação de identificação e pertencimento a um grupo. Mas, como fazer esse sentimento durar se também vivemos na era do desinteresse e das relações líquidas? O quinteto parece ter encontrado a resposta para essa complicada equação.

São dez anos de banda, cinco álbuns de estúdio e nove EPs. Com certeza, toda a experiência na estrada e lançamentos ajudaram o grupo a aprimorar a forma de se comunicar com os fãs. Mas, desde o começo, a banda soube como fazer esse vínculo entre fã e artista ser um de seus maiores trunfos. A base de fãs do The Maine, espalhada ao redor do mundo, parece ser uma das mais fiéis e os jovens músicos sabem como retribuir o carinho que recebem.

Presença online

O rol de ações de marketing de relacionamento deles é admirável para uma banda tão nova. Eles estão em todos os cantos da Internet: Facebook, Instagram, Twitter, Youtube, Snapchat e Tumblr. Além do perfil da banda, todos os integrantes estão presentes nas redes sociais, desde o vocalista John O’Callaghan, que gosta de usar o Twitter de forma mais poética, ao baterista Pat Kirch, que usa muito bem os 140 caracteres do microblog, com bastante frequência, para interagir com os fãs e atualizá-los sobre a banda.

No Instagram, você pode acompanhar banalidades do dia a dia dos músicos, fotos de apresentações, informações sobre a agenda de shows e até registros dos bastidores. O fotógrafo Guadalupe Bustos, que acompanha o grupo em várias ocasiões, faz lindos registros de vários momentos do quinteto.

O Youtube é outra ferramenta que a banda utiliza com maestria. A conta, criada há 5 anos, tem 441 vídeos, até o momento. Desde a criação da página, o espaço é usado para a comunicação com o público e consegue aumentar a sensação de proximidade entre ídolo e fã. Lá você encontra de tudo: videoclipes, os músicos explicando suas composições, anuncio de shows, os bastidores da tour, vídeos respondendo as perguntas dos fãs, registro de shows, documentários sobre a passagem da banda em outros países e a lista continua. No final do ano passado, eles lançaram uma série de vídeos, chamada “Miserable Youth”, com os bastidores da gravação do novo álbum.

Vantagens para os fãs

Mesmo com a forte presença online, a banda não se limita à rede de computadores para estreitar os laços de amizade com os fãs. Quem curte a banda pode facilmente conhecê-los, pois o Meet & Greet já virou uma tradição. Enquanto várias bandas cobram uma taxa extra pelo encontro com os fãs, antes ou depois do show, os estadunidenses fazem isso gratuitamente. Nos shows que acontecerão no Brasil, em julho, os primeiros 400 ingressos vendidos também dão direito ao encontro com Kennedy Brock, Garrett Nickelsen, Jared Monaco, Pat e John.

Em 2015, o grupo anunciou a tour “Free For All”, com treze shows gratuitos, passando por nove estados norte-americanos. No site oficial, a banda disse que a tour era uma forma de agradecer aos fãs que foram a inúmeros shows, assim como aos que nunca conseguiram ir a um show por falta de dinheiro.

Este ano, alguns fãs que compraram o “LLL” na pré-venda foram surpreendidos pelo Pat, que ligou para agradecer pela compra e apoio. O baterista prometeu, pelo seu Twitter, que continuará a contatar os fãs até a estreia do álbum, em abril. Outra ação promocional do álbum, mais especificamente da música de trabalho “Bad Behavior”, deixou os fãs alvoroçados: a banda fez uma aparição surpresa na casa de uma fã e tocou o single para ela, no fundo de um caminhão.

O grupo, que começou independente, foi pra gravadora e agora está independente de novo, criou o coletivo “8123” e chamou alguns artistas amigos para se juntarem a eles. O coletivo tem como objetivo desenvolver a carreira dos artistas envolvidos no projeto, trabalhando tanto o lado comercial quanto a conexão com os fãs, reconhecendo que estes são uma força motriz da indústria. Aliás, a banda deixa bem claro o seu “pé no underground” quando o assunto é entrevista. Mesmo com todo o reconhecimento da mídia, eles não deixam de conceder entrevistas para veículos pequenos. Você encontra entrevista do grupo no podcast da Alternative Press, no site da Billboard, assim como em blogs independentes e sem tanto alcance de público.

Sucesso absoluto no Brasil desde sua primeira visita, em 2011, os meninos também criaram uma loja só para os fãs da América do Sul, que vende produtos de merchandising da/para a “8123 Family”. Lá você encontra CDs, camisetas, bonés, etc, com preços bem próximos dos produtos de bandas brasileiras e com frete nacional.

Uma nova forma de promoção

E quando parecia que o grupo tinha usado todas as cartas da manga, o The Maine surpreendeu, novamente. Ontem (28), a banda anunciou a campanha de divulgação do “Lovely Little Lonely”. Afirmando que não tem interesse em fazer parte da indústria musical tradicional, o grupo deixou na mão dos fãs a promoção do novo álbum e da tour, dizendo que “vocês são a nossa gravadora”.

Chamada “#WEARE8123”, a campanha também funciona como uma espécie de competição, em que os fãs têm recompensas. A banda oferece várias alternativas para os fãs ajudarem a espalhar o som do novo álbum: vendendo o álbum por meio de um link personalizado, vendendo uma edição limitada em lojas físicas, promovendo a tour, o álbum ou pedindo a música de trabalho nas rádios locais.

Foram disponibilizados no site oficial flyers do álbum e tour, que podem ser baixados e impressos; assim como artes para divulgação nas redes sociais, como a capa do álbum, foto promocional, capa para canal no YouTube, link dos eventos, entre outros.

No caso do representante de vendas, a cada álbum vendido pelo link personalizado, 5% do valor vai para o fã. Esse valor será revertido em um cartão-presente da loja oficial da banda. Além disso, os líderes de venda semanais terão acesso a um grupo que terá um chat com a banda toda segunda-feira, até o lançamento do álbum. Toda venda conta pontos e os dez melhores vendedores terão prêmios exclusivos, como ingressos vitalícios para os shows da banda, uma música acústica escrita para você, um show acústico privado, vídeo chamada com os integrantes, cartões-presente e muito mais.

Sem dúvidas, a banda conseguiu criar uma boa relação com seu público e aprendeu a impulsionar o amor dos fãs para criar algo muito maior do que uma mera troca comercial. O grupo tem fãs que os acompanham desde o começo, que cresceram junto com a banda e que se sentem parte da história do The Maine.

Você pode saber mais sobre o concurso #WEARE8123 aqui.