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Oxy, Alexander von Mehren, Greni e Sondre Lerche @Canteiro Central

Por Aline Barbosa (fotos) e Tayane Sampaio (texto)

No primeiro sábado de dezembro (02), o Espaço Cultural Canteiro Central recebeu a última edição do ano do Brasilia Sessions. Em parceria com o Norsk Fest, evento que tem o intuito de divulgar a cultura norueguesa no Brasil, e com apoio da Embaixada da Noruega no Brasil, o projeto trouxe à cidade os músicos Alexander von Mehren, Greni e Sondre Lerche. Pra completar o line-up e manter a tradição de promover artistas locais, a banda Oxy foi a primeira a subir no palco.

A Oxy, desde a primeira música, conseguiu se livrar do estigma de banda de abertura e mostrou que estava no mesmo patamar dos outros artistas que pisariam naquele palco. A segurança da vocalista, Sara Cândido, contrasta com o rosto jovem e o pouco tempo de atividade do grupo. Dançante, Sara lidera a banda, que também é formada por Blandu Correia (guitarra), Lucas Eduardo Pereira (guitarra),  Marcelo Vasconcelos (bateria). Thiago Neves assumiu o baixo nessa apresentação.

Oxy | Por Aline Barbosa

Representante do shoegaze, a banda conseguiu pegar o gênero oitentista e dar uma cara atual e cheia de personalidade. A apresentação do grupo, baseada em seu primeiro EP, homônimo, lançado este ano, é bem interessante e mistura elementos do dream pop e uma pitada de rock psicodélico. A Oxy é uma das bandas mais interessantes dessa nova fase da música do DF e foge de todos os clichês do rock brasiliense. É bom ficar de olho nessa galera!

Alexander von Mehren, que também toca com Sondre Lerche, foi o primeiro artista norueguês a se apresentar. Acompanhado de Chris Holm (baixo) e David Heilman (bateria), o pianista tocou músicas do seu álbum de estreia, Aéropop (2013), além de uma inédita. As composições do músico são cativantes e ele tem um repertório que conta com músicas instrumentais, que bebem na fonte do jazz; músicas em francês, com uma pegada mais pop; e em inglês, com carinha de Beatles.

Alexander von Mehren | Por Aline Barbosa

Alexander tem uma técnica e intimidade incrível com o instrumento. Mas, mesmo com essas pequenas variações em seu repertório, ficou a impressão de que se a apresentação se estendesse demais ficaria monótona e até um pouco deslocada. Talvez, se o artista fosse o primeiro a se apresentar faria mais sentido.

O clima “chill out music” ficou no passado assim que Øystein Greni pisou no palco. O músico, ex-vocalista de uma das principais bandas de rock da Noruega, a Bigbang, ainda carrega toda a energia do rock and roll nas suas músicas e performance. Empunhando sua guitarra, acompanhado de Waldemar Unstad (baixo) e Kristian Syvertsen (bateria), Greni já começou o show mostrando seu lado pop, que foi eternizado em seu primeiro álbum solo, Pop Noir, lançado no começo deste ano.

Greni | Por Aline Barbosa

Experiente no mundo da música, Greni fez uma apresentação recheada de participações do público. O músico foi na beira do palco, arrancou acompanhamento com palmas, em várias músicas, e fez a galera cantar “Can I Be the Song” juntinho. Em meio às explosões de energia da banda, alguns momentos foram reservados para as necessárias baladas, que sempre funcionam muito bem. Eu, que não conhecia o artista, fiquei surpresa com algumas pessoas na plateia cantando todas as músicas.

Pra finalizar a noite norueguesa, Sondre Lerche deu início à sua apresentação com uma das músicas mais dançantes do seu último álbum, a agitada “Soft Feelings”. A música, com uma batida extremamente pop, abre muito bem o último lançamento de Lerche, Pleasure (2017), assim como o show. A euforia do músico foi tão grande que ele acabou enroscando a guitarra no pedestal.

Em um momento mais calmo e acústico, Sondre pegou seu violão e revisitou o começo de sua carreira. Em “Modern Nature”, música do seu primeiro álbum, Faces Down (2001), o artista ganhou ajuda do público, que fez bonito no contracanto. O músico também incluiu no setlist músicas de outros álbuns mais antigos, como o Two Way Monologue (2004) e Phanton Punch (2007).

Um pouco do que foi o maravilhoso show do @sondrelerche na 9a edição do #brasiliasessions 🎶

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No palco, Sondre é muito elétrico. Ele não para quieto, sempre indo de um lado ao outro e até subindo nas caixas de som pra ficar mais perto do público. Durante o show, ele foi se empolgando, tirando peças de roupa, e terminou sem camisa, no meio do público, dançando abraçado às pessoas. Depois disso, o músico foi pro camarim e sua banda (David Heilman, Chris Holm e Alexander von Mehren) emendou numa jam alucinante, que deve ter durado mais de 20 minutos e funcionou muito bem com a cenografia de palco. No começo, o público continuou ali, esperando o retorno pro bis, mas depois perceberam que Lerche não retornaria. Esse fim de show foi um dos mais esquisitos e legais que já presenciei.

A nona edição do Brasilia Sessions ficou marcada pelos ritmos dançantes, alegria e pelas belíssimas projeções (com muitas imagens de Brasília, inclusive) que passavam no fundo do palco. Uma ótima forma de terminar o ano!

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Você pode acompanhar as novidades do Brasília Sessions clicando aqui. 

 

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Resenha: Porão do Rock 2017

Por Aline Barbosa (fotos) e Tayane Sampaio (texto)

O que tinha tudo pra ser um dia de muita música e diversão, se tornou uma noite caótica. A 20ª edição do Porão do Rock, que aconteceu sábado (25), em Brasília (DF), ficou marcada pela chuva, atrasos, problemas técnicos e cancelamentos.

O descontentamento começou pelo bar. Apesar de ter vários foodtrucks no espaço do evento, com muitas opções para alimentação, o bar era exclusivo do Festival e os preços estavam salgados: a garrafa de água custava R$ 6,00 e a lata de energético, da marca Red Bull, estava R$18,00(!!!).

Às 15h, horário marcado para abertura dos palcos Budweiser e Brasília Capital do Rock, uma pequena fila já se formava na entrada principal do Festival. Fila que só foi crescendo, já que os portões foram abertos com mais de duas horas de atraso. Enquanto isso, do lado de dentro, o BaianaSystem ainda passava o som e o vocalista, Russo Passapusso, demonstrava insatisfação por não conseguir passar o som como queria.

Com quase três horas de atraso, foi dado início à programação do Palco Budweiser. Todas as bandas tiveram o tempo de show reduzido, com intuito de diminuir o atraso. Na primeira música, a banda Lupa já enfrentou problemas com equipamento desligando e até com queda de energia no palco. Do outro lado, no Palco Claro, a Ego Kill Talent passou algumas horas tentando ajeitar as coisas.

No decorrer da noite, os palcos Brasília Capital do Rock e Budweiser foram fechados, por conta da chuva, e alguns equipamentos foram danificados. Daí em diante, todos os shows deveriam acontecer no Palco Claro, mas o evento foi encerrado com o BaianaSystem, que fez um show extremamente prejudicado pelos equipamentos defeituosos, a ponto de não se conseguir entender o que o vocalista falava, devido às caixas de som estouradas. Sem qualquer aviso oficial ao público, tanto no evento quanto na fanpage, os shows do Black Alien, Krisiun, Deceivers e Dark Avengers foram cancelados.

Mesmo com estrutura gigantesca, o público do festival foi tímido, ainda mais depois da chuva torrencial e da sequência de raios e relâmpagos que iluminaram o céu de Brasília. Sem lugar pra se abrigar, quem estava na área VIP correu para o camarote, e quem estava na pista comum tentou se esconder nas tendas da praça de alimentação, que não cabia muita gente. Mesmo com todos os problemas, boa parte do público permaneceu no local para curtir os shows, como os fãs da Dona Cislene, que enfrentaram a chuva cantando alto.

Confira, abaixo, quais foram nossos shows preferidos do Porão do Rock 2017.

O TAROT

O grupo, que foi um dos vencedores da terceira e última Seletiva de Bandas, organizada pelo Festival, só confirmou o que já vem mostrando pelos palcos da Cidade: que é um dos destaques da nova cena musical de Brasília. Com um show bem pensado, enérgico e divertido, O Tarot animou o público que estava no Palco Claro. Algumas pessoas, na grade, trajando camisetas da banda, ficaram um bom tempo ali, guardando lugar pra ver tudo o mais perto do palco possível.

Com visual cigano, Caio Chaim (voz e teclados), Lucas Gemelli (guitarra, acordeon e backing vocal), Victor Neves (baixo), Vinicius Pires (guitarra) e Vítor Tavares (bateria) levaram músicos convidados para abrilhantar mais a apresentação. Tom Suassuna (violino), Isadora Pina (saxofone) e Isabella Pina (percussão) ajudaram o grupo na performance.

O Tarot | Por Aline Barbosa

A entrega dos músicos no palco é um ponto forte da banda, que se movimenta e interage bastante. Caio, o vocalista, é bem performático e soube aproveitar os espaços vazios do palco, sempre indo de encontro aos companheiros de banda, que pareciam se divertir muito tocando. Mesmo correndo de um lado pro outro, Caio consegue segurar o tranco e manter o bom desempenho vocal.

O Tarot tocou algumas músicas de seu primeiro EP, Zero (2016), que tem uma sonoridade dançante, que transborda ritmos latinos. “Certezas Supostas”, “Ballet de Barraco” e “Cabeceira” foram os destaques da apresentação.

EGO KILL TALENT

Com passagens pelos festivais mais importantes do País, além de passagens pela França, Reino Unido, Holanda, Portugal e Espanha, o Ego Kill Talent tocou pela primeira vez em Brasília. O grupo, de São Paulo, foi um dos mais aguardados no Palco Claro.

Jonathan Correa (vocal), Raphael Miranda (bateria e baixo), Theo van der Loo (guitarra e baixo), Jean Dolabella (bateria e guitarra) e Niper Boaventura (baixo e guitarra) conseguem fazer um show dinâmico, mesmo com as trocas de instrumento, que quase passam despercebidas.

Ego Kill Talent | Por Aline Barbosa

O grupo tocou algumas músicas de seu primeiro álbum, homônimo, que foi lançado este ano. Com uma sonoridade que passa por vários subgêneros clássicos do rock, como o grunge e o stoner, o EKT realiza um show versátil, com vários momentos, mesmo tendo um som mais pesado, carregado nas guitarras.

Sem dúvidas, o público gostou do que ouviu. Quando você olhava pra grade, via pessoas gritando as letras junto com o vocalista, ajudando a banda com palmas no ritmo da música e de olhos vidrados no palco, pra não perder um segundo sequer do show.

BRAZA

O grupo carioca, que tem feito shows lotados por onde passa, apresentou o Tijolo por Tijolo (2017) aos brasilienses. O Braza foi um dos primeiros shows que realmente encheu, depois da Elza Soares. O público do Palco Claro cantou junto com a banda e cantou alto, bem alto. Isso surpreendeu, principalmente pela sonoridade da banda não se encaixar no “padrão” Porão do Rock.

Danilo Cutrim (guitarra e voz), Vitor Isensee (teclados e voz) e Nícolas Christ (bateria), acompanhados pelo baixista Pedro Lobo, fizeram o público dançar durante todo o show. Sem muito tempo pra desperdiçar, o grupo emendou uma música na outra e o público, ligado, acompanhou o ritmo frenético. Assim como acompanhavam o reggae de Danilo na dança, o pessoal ia à loucura com as rimas de Vitor.

Braza | Por Aline Barbosa

Conhecidos por shows quentes, os músicos se empolgaram durante a apresentação. Se empolgaram tanto que Vitor desceu do palco e foi pra grade e, depois, pro meio da galera, que o recebeu de braços abertos.

Além de tocar as músicas do álbum mais recente, o trio não deixou de tocar os sucessos do primeiro álbum, Braza (2016). Pra finalizar, os cariocas mandaram uma sequência de hits: “Jaya”, “Ela me Chamou para Dançar um Ragga” e “Segue o Baile”, que deixou o público em êxtase.

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Observação: devido aos atrasos (que causaram choque de horários), distância do palco e chuva, infelizmente não vimos os shows do Palco Brasília Capital do Rock.

Brasilia Sessions surpreende em sua última edição do ano

Por Tayane Sampaio

Se você acompanha as resenhas que postamos aqui no site, provavelmente já conhece o Brasilia Sessions. Quem não conhece, tá perdendo tempo! O projeto, que sempre promove novos artistas locais e proporciona o intercâmbio musical entre artistas de todo o país, dessa vez, trará à Capital três artistas gringos. Em parceria com o Norsk Fest, evento que acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro, e com apoio da Embaixada da Noruega no Brasil, a nona edição do Brasilia Sessions apresentará os noruegueses Sondre Lerche, Greni, e Alexander von Mehren, além da incrível banda brasiliense Oxy.

Sondre Lerche retorna ao país para apresentar seu último trabalho, o dançante Pleasure (2017), um álbum carregado no synthpop. Sondre, que tem uma relação próxima com a música brasileira, desde o início de sua jornada musical, já se apresentou em Recife, Fortaleza, São Paulo e Porto Alegre, em 2015.

Greni, ex-vocalista da banda de rock Bigbang, também já esteve no Brasil. Essa será sua quarta visita ao País, segunda como artista solo. Muitas vezes intitulado como representante da surf music norueguesa, Oystein Greni está divulgando seu último disco, Pop Noir, lançado também este ano.

O pianista, compositor e produtor Alexander Von Mehren fecha o line-up norueguês dessa edição do Brasília Sessions. Alexander tocará músicas do seu álbum de estreia, Aéropop (2013), além de novas composições.

A prata da casa, dessa vez, é a surpreendente Oxy. Do shoegaze ao dreampop, passando pelo psicodélico, a banda, que teve sua estreia no começo do ano, está ganhando os palcos da Cidade e os ouvidos de quem acompanha a cena local. Liderada por Sara Cândido e Blandu Correira, a Oxy representará muito bem a efervescente cena musical brasiliense.

A venda dos ingressos já está acontecendo, pela plataforma Sympla, e os preços variam de R$ 35,00 (meia-entrada, segundo lote) a R$ 100,00 (ingresso + meet and greet com Sondre Lerche ou Greni). O primeiro lote de ingressos está esgotado.

SERVIÇO
Ingressos: http://bit.ly/BrasiliaSessions-NorskFest
Data: 02/12/2017 (sábado)
Horário: a partir das 21h
Local: Canteiro Central
Mais informações: http://www.facebook.com/brasiliasessions

Entrevista: Aloizio e a Rede

Por Tayane Sampaio

Existem alguns momentos só nossos, em que criamos universos individuais pra fugir de todo o caos ao nosso redor. Nessas horas, encontramos silêncio no barulho, achamos a solidão na multidão. Mas, como fugir quando o olho do furacão está dentro da gente?

No clipe de “o filme q eu não quero ver”, Aloizio perambula por alguns dos lugares mais movimentados de Brasília: Rodoviária do Plano Piloto, Setor Comercial Sul e Eixão. As locações contrastam com a solidão do protagonista, que tenta fugir de si mesmo em meio à multidão, mas, no fim das contas, sozinho, expurga suas dores por meio de uma confissão cantada.

Dirigido e gravado por Thaís Mallon, e com produção de Gustavo Pastorino e do próprio cantor, o clipe é a primeira produção audiovisual do próximo álbum do brasiliense, que agora responde como Aloizio e a Rede.

Após o show de pré-lançamento do clipe, que aconteceu em Brasília, dia 09/11, conversamos com o músico sobre o novo single e essa nova fase de sua carreira. Confira, abaixo, o clipe e a entrevista.

Primeiro, mate a nossa curiosidade. Já tem previsão de quando sai o álbum? Já está finalizado? Já tem um nome?
O nome do disco é Sombra Cega e vai sair, provavelmente, entre março e abril do ano que vem. Já finalizamos as músicas, mas não gravamos ainda. Vamos gravar depois do Réveillon, no Rio de Janeiro.

Você tinha uma banda de apoio, mas sempre assinou como um artista solo. O que é “A Rede” e como ela vai funcionar?
Então, a carreira solo aconteceu meio que sem querer. O Lafusa parou de tocar e eu tinha umas músicas e resolvi que eu queria gravá-las. Comecei gravando sozinho, no meu quarto, todos os instrumentos. Só que eu não estava gostando, estava ficando muito Lafusa ainda. Aí comecei a fazer shows aleatórios, tocando músicas que eu gostava e outras antigas também. Um belo dia o Samyr Aissami perguntou se poderia tocar bateria comigo, ele nunca tinha tocado bateria em nenhuma banda, e eu topei. Depois, eu chamei o Pedro Broggini, que era um amigo de São Paulo, e o Felipe Fernandes, que era um amigo muito antigo do Rio; a gente acabou se juntando e já era uma banda. Pro Esquina do Mundo, compomos tudo juntos, eu sempre fiquei meio incomodado… Até discutimos isso, antes de lançar, e eles acharam que eu tinha que assinar como Aloizio, só que aí várias pessoas começaram chamar de “banda Aloizio”, então eu percebi que era isso. Eu preciso valorizar essas pessoas de alguma forma, daí veio essa ideia de “A Rede”, porque, além dos três estarem comigo sempre, o disco envolveu muita gente. Eu viajei muito, então conheci um monte de gente no caminho e acaba que todo show eu toco com pessoas diferentes, todo show é diferente, e eu acho que isso é o diferencial da parada. Os meninos, Samyr, Felipe e Pedro, são os oficiais, eles que compõem comigo, eles são A Rede oficial. Mas, nos shows, não tem como, vai continuar sendo uma mistura de músicos.

Por que “o filme q eu não quero ver” foi escolhida como o primeiro single? Pra você, o que essa música significa dentro do álbum?
Eu fiquei muito tempo produzindo música eletrônica, quando me mudei pro Rio. Era uma coisa que eu nunca tinha feito, música totalmente sozinho. A Débora [amiga do Aloizio] foi lá pro Rio e ficamos uma noite conversando sobre problemas de relacionamento, e aí eu comecei a pensar sobre autorresponsabilidade, de parar de culpar o outro pelo que acontece com a gente e ser mais consciente. Eu fiquei pensando muito nisso, comecei a entrar num momento super nostálgico. Ela foi dormir, eu apaguei a luz da sala, tava com o estúdio montado lá, e dei o REC. Tudo escuro, eu escrevi as três primeiras frases no computador e, quando terminei, eu fiquei uma meia hora escutando em looping, e chorando pra caraca… de repente, eu não queria mais chorar, eu falei “Nossa, acho que foi!”. Depois, eu mandei a música e pedi opinião pra umas três pessoas, a versão demo mesmo, que eu tô emocionado pra caramba, e todo mundo ficou meio sem saber o que falar. Eu toquei a música pro público, pela primeira vez, no Sofar Sounds de Sorocaba e, quando eu comecei a tocar, a galera começou a sair da sala… Quando terminou, demoraram pra aplaudir, eles tavam muito… sabe quando todo mundo fica com o olhar perdido, porque lembrou de alguma coisa? No fim do show, a galera fez quase uma fila pra comentar da música e eu percebi que ela tinha tido um grande impacto em mim e, ocasionalmente, em outras pessoas. Todo lugar que eu toquei, a música teve essa força. Eu achei que era pertinente falar sobre isso agora, falar sobre autorresponsabilidade.

As imagens do clipe casam perfeitamente com as emoções que a música passam. O resultado final foi o esperado, desde o começo, ou houve muitas mudanças? Como foi o processo de criação do clipe (as ideias foram só suas ou mais alguém interferiu)?
A primeira coisa que eu pensei foi em trabalhar com esse lance de luz e sombra, porque eu tinha visto um vídeo do Moses Sumney, acho que é do NOWNESS, que fizeram um contra luz que dá a sensação de vazio, só a silhueta dele. Quando eu vi aquilo, eu falei “Caraca, é isso!”, porque isso de eu nunca aparecer é justamente pra pessoa sentir que é ela também, que ela se preenche naquele vazio, de alguma forma. E a música é isso, preencher o vazio, nem que seja só a constatação. De cara, foi isso. Eu queria que fosse filmado por uma mulher e não tinha como ser outra pessoa, principalmente porque com a Thaís eu tenho essa facilidade de termos referências parecidas. Quando eu mandei pra ela, Moses Sumney, sombra, pôr do sol de Brasília, ela já veio com o Pinterest lotado de coisa e, apesar da ideia inicial, eu deixei nas mãos dela.

Você é de Brasília, mas está morando em São Paulo, atualmente. No contexto do clipe e da música, São Paulo seria a locação perfeita. Por que você escolheu gravar em Brasília?
Foi pra trabalhar com a Thaís. De primeira, eu pensei em São Paulo, mas acho que, cada vez mais, eu tô nesse processo de identificação e, por mais que eu more em SP, esse aqui é meu bairro, então acho que a experiência aqui é muito mais profunda pra mim. Eu representaria SP de uma forma muito subjetiva. Apesar de morar lá há muito tempo, eu ainda não conheço perfeitamente. Mas, caminhar sozinho no meio da Rodoviária é uma solidão esquisitamente absurda. Brasília tá sempre vazia, de repente você encontra todo mundo e aí você poderia se sentir acolhido, de alguma forma, mas acaba cada um em um universo completamente diferente. Tem uma cena no clipe, que sou eu caminhando naquela parte do comércio da Rodoviária e as pessoas que passam por mim são inacreditáveis. Não sei, ficou um retrato muito forte do Brasil. São 120 quadros por segundo, é muito lento. Passa uma mulher muito preocupada, com uma blusa da Avon, escrito “fale comigo”, e aí passa um cara, que você vê que ele tá muito cansado, com roupa de trabalho, mas ainda são quatro da tarde, ele deve estar correndo pra fazer alguma coisa, enfim… em Brasília, eu saberia onde ir pra me sentir daquela forma.

Esse single destoa das músicas do Esquina do Mundo que, no geral, é um álbum bastante ensolarado. Qual a vibe do próximo álbum? Está mais pra Esquina do Mundo ou pra “o filme q eu não quero ver”?
É diferente. Eu quis fazer esse segundo disco como se fosse o meu primeiro. Vivendo no mundo da música, toda hora você escuta as pessoas falando em suprir as necessidades do mercado e eu preferi que fosse da forma mais sincera possível. O lance do Sombra Cega é exatamente isso de luz e sombra, Yin-yang, então, você vai ter o sol e vai ter as trevas, acho que não tem meio do caminho. A ideia é mostrar os extremos. Essa música que eu cantei pra minha mãe, por exemplo, assim como no “o filme q eu não quero ver”, o foco é no que está sendo falado, que é uma parada que eu passei a gostar quando eu comecei a pesquisar hip hop acapella.

Então você diria que a alma desse próximo disco está nas letras?
Então, Yin-yang, vai ter as duas coisas. O disco novo tem um lado mais canção, que no outro não tinha tanto. A Rede sempre parte do pressuposto que a primeira ideia é sempre a ruim e a segunda, provavelmente, também. A gente costuma seguir depois da terceira, então, teremos canções, mas também vai ter muita experimentação sonora, que é o que torna divertido fazer essa parada.

Eu costumo associar o Esquina do Mundo com o mar. Não sei explicar, mas é uma coisa que penso sempre que escuto esse álbum. Pra você, o novo álbum lembra o quê?
Transe. A gente não compôs percussão pro Esquina do Mundo. Chegamos pra gravar, o Samyr achou umas congas no corredor do estúdio e começou a tocar e ele sabia fazer, mesmo sem nunca ter tocado antes. Resolvemos levar pra dentro do estúdio e ficou incrível, daí decidimos gravar. Levamos isso pro show e virou o diferencial. Isso mexeu muito comigo, até comecei a me policiar, porque eu tava fazendo show de costas pro publico, pra assistir o que tava acontecendo. Eu comecei a viver uns momentos meio espirituais tocando, eu não sabia explicar direito e hoje eu tenho uma leve noção do que acontece. Acho que o segundo disco tem canções que surgiram desse momento em que eu entro em transe. Eu acho que o disco tem essa vibe, que é o que eu tento trazer pro show, de ficar com as pessoas em outro lugar, só que ao mesmo tempo. Acho que é isso. Todo mundo entrar em transe, mas pra um lugar melhor.

Suas influências do primeiro pro segundo álbum mudaram muito? Fala aí um(a) artista que você descobriu nesse meio tempo e que acabou influenciando nessa nova fase.
Muito. Acho que, principalmente, a Fiona Apple e o disco The Idler Wheel…. Quando eu cheguei pra gravar as vozes do Esquina do Mundo, em Los Angeles, eu entrei no carro do meu amigo, pra ir pro estúdio, e ele colocou esse disco, dizendo que era a melhor referência pra gravar vozes. Acho que ela e a Elis Regina foram minhas grandes influências, porque as duas são “o filme q eu não quero ver”, isso de cantar com tudo o que você tem, não se importar com nada, deixar doer o tanto que dá pra doer. É uma música, ela acaba, pode ir lá que você volta. A Elis sempre foi uma influência muito grande e eu não reconhecia. Todo mundo falou muito de Cazuza, no Esquina do Mundo. Eu achei engraçado, mas, se você olhar, tem algumas coisas, o blues abrasileirado. Metá Metá foi foda de conhecer, também. Eu tive uma conversa rápida, uma vez, com o Kiko Dinucci e com o Guilherme Kastrup, e eles me contaram sobre o processo deles fazendo o disco da Elza Soares, que é a mesma ideia que eu tenho com os meninos, de desconstruir. Todo mundo é roqueiro, mas a gente não escuta mais rock, como balanceia isso? Eles são assim também, só que estão muito à frente, arriscando, sabe? Eles são bem mais velhos que a gente e estão se arriscando muito mais. Vai ter umas loucuras no disco, talvez a maioria das pessoas não gostem, mas a gente gosta.

Aproveitando o momento indicação, qual foi sua última descoberta da música brasileira?
Tem duas coisas que me impressionaram de primeira, quando eu escutei. A primeira, o Bolhazul, aqui de Brasília, eu descobri sem querer, no YouTube. A outra é uma banda do Rio, que até lançou um disco essa semana, a Astro Venga. Eles são um trio, como se fosse, sei lá, o The Jimi Hendrix Experience, só que eles tocam música brasileira.

Você está com um projeto de música eletrônica, assinando como LØWZ. Como surgiu a vontade de fazer esse tipo de musica? O próximo álbum vai ter alguma influência disso?
Eu fui pros Estados Unidos gravar o primeiro disco meio que sozinho, na louca. Juntei uma grana e resolvi fazer isso. Um amigo trabalhava em um estúdio, em LA, e disse que eu poderia gravar de graça com ele. Eu comecei a ir pro estúdio e tava lá o Diplo, o Chris Brown, e eu comecei a ver, de longe, como essa galera trabalhava e meu amigo começou a me explicar tudo. É um processo muito certinho, tem os beatmakers, os producers, os songwriters… eles produzem umas vinte músicas por dia, se dividem em grupos. Eu percebi uma maneira de compor que eu nunca tinha feito, que é sentar, listar o que a música tem que ter e fazer. Eu percebi que várias pessoas estavam produzindo sozinhas e decidi fazer isso, quando eu voltasse pro Brasil. Isso me possibilitou trabalhar com outras pessoas e virar produtor mesmo, eu tô trabalhando com um monte de gente, que vai na minha casa gravar, de pop, a beat, dub, hip hop… Isso me abriu um leque de opções e a ideia é experimentar. Acho que, no Sombra Cega, ainda não vai estar tão explícito.

Isso começou mais como um exercício de criatividade do que uma parada de inspiração, então?
Sim. Eu já tenho uns dois discos prontos, como LØWZ, mas eu ainda não consigo organizar, porque as ideias têm um lado bem pop mesmo e outro bem dark, tipo música eletrônica experimental.

O bloco de carnaval que você faz parte, o Divinas Tetas, foi sucesso total e continua tirando a galera de casa, mesmo depois do carnaval. Quais são os próximos passos desse projeto?
O Divinas Tetas é uma coisa totalmente sem controle, a gente tá começando a entender agora o que aconteceu. A coisa tomou uma proporção muito maluca, a gente tocou no CoMA, o festival dos melhores da música autoral… A gente tem pretensão de transformar em várias coisas, mas queremos amadurecer mais. Queremos transformar em um espetáculo, com mais performance, tentando contar, de alguma forma, a história daquele momento do Brasil, que estamos vivendo de novo, por acaso. Também vamos lançar um EP autoral, eu já fiz a primeira música. Não sabemos se vai dar tempo de gravar pro carnaval. Estamos vendo como vai funcionar compor em treze pessoas. O bloco quer sair viajando pelo Brasil, se divertindo, fazendo carnaval.

Você toca em São Paulo, dia 26, com Baleia e Scalene. É muito doido, porque o público-alvo das bandas é bem diferente e muito parecido, ao mesmo tempo. O que a galera pode esperar do Aloizio e a Rede nesse dia, principalmente quem ainda não conhece o seu trabalho? você preparou um show específico pra esse dia?
Acho que Baleia e A Rede têm uma conexão, um caminho musical parecido. Scalene, na verdade, só veio de outro canto, que é muito mais rock, mas acabaram de lançar um disco muito mais puxado pra música brasileira. Acho que isso vem, obviamente, dos meninos terem passado a escutar mais música brasileira. Esse show, na verdade, representa exatamente esse momento, em que a gente pode ser diferente e tocar junto e ao mesmo tempo estamos cada vez mais criando uma identidade do que é produzido aqui. O Scalene estar soando mais brasileiro já mostra que a banda se arrisca e isso abre portas pro pensamento de outras bandas também, pois eles estão próximos de muita gente do cenário independente. Eu fiquei muito feliz quando soube que esse show ia acontecer. Apesar de ser de Brasília, estou vivendo muito forte a cena de SP; Scalene vive a cena do Brasil inteiro; e Baleia é o maior representante do RJ. É muito massa esse encontro. Rola uma preocupação, mas as outras vezes que toquei com Scalene foram bem diferentes, tanto de fazer um show mais pesado e perceber que a galera esperava algo mais leve, como ter feito um show mais instrospectivo, achar que não tinham gostado, e depois saber que a galera tinha curtido muito. Mas tenho a sensação de estar nivelado, o “Sombra Cega” tem coisas muito pesadas e a gente vai tocar, mas também vai rolar “o filme q eu não quero ver”, pra galera dar uma chorada.

Escute Aloizio e a Rede:

Exclusivo: Documentário mostra a trajetória da banda mineira Young Lights

Por Tayane Sampaio

Fazer parte de uma banda não deve ser uma tarefa fácil. Ter banda é dividir um sonho, a estrada, o tempo e até os pensamentos mais íntimos. É se permitir estar vulnerável perto daquelas pessoas e deixar que elas encaixem as peças que estão faltando no seu quebra-cabeça.

A Young Lights, um dos destaques da cena mineira, decidiu compartilhar com o mundo como tem sido a aventura de dividir o palco e a vida entre companheiros de banda. Em “Chasing Ghosts“, um documentário de quase vinte minutos, produzido pelo escocês Stuart McIntyre e lançado com exclusividade no Canal RIFF, o grupo mostra o dia a dia de uma banda independente brasileira.

O documentário, que conta com depoimentos dos integrantes e de amigos da banda, mostra vários momentos do grupo: os perrengues na estrada e a catarse nos palcos, divulgando os dois primeiros trabalhos, o EP “An Early Winter” (2013) e o álbum “Cities” (2014), pelo triângulo mineiro, interior e capital de São Paulo; e em estúdio, com Leonardo Marques (Diesel, Transmissor, carreira solo), gravando o próximo álbum da banda, homônimo, que será lançado ainda este mês, pelo selo musical “quente”.

Young Lights” será o primeiro trabalho do grupo feito totalmente em equipe, já que os álbuns anteriores são frutos da época em que a Young Lights era um projeto solo do vocalista Jairo Horsth. Jairo (voz e violão), João Pesce (baixo), Gentil Nascimento (bateria) e Vitor Ávila (guitarra) contam, no filme, a trajetória da banda até aqui.

Veja, abaixo, o documentário na íntegra:

Foto: Antonio Andrade

INGRESSOS DO PORÃO DO ROCK JÁ ESTÃO À VENDA

​​Por Tayane Sampaio

Este ano, o Porão do Rock chega à 20ª edição. Após um adiamento, o festival está confirmado para o dia 25 de novembro, no estacionamento do Estádio Nacional, o antigo Mané Garrincha.
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Mantendo a tradição, o festival realizou as seletivas de artistas locais para integrar o line-up. Após três etapas seletivas, as bandas brasilienses O Tarot , Maria Sabina & a Pêia, Mofo, Agressivo Pau Pôdi, Eufohria e Lupa foram selecionadas para se apresentar no palco do Porão do Rock.
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O grande destaque dessa edição é a curadoria. O festival, que sempre investiu nos dinossauros do rock nacional como headliners, está buscando renovar sua cartela de artistas, desde o ano passado, e, dessa vez, surpreendeu. Os nomes que mais chamam atenção, Elza Soares, BaianaSystem e Céu, foram destaques em vários festivais nacionais (e internacionais!) durante o ano. O Sepultura também é headliner dessa edição.
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Apesar da curadoria antenada e acertada, muitos fãs do festival estão reclamando, nas redes sociais, da “falta de rock” na escalação das atrações principais, que, inclusive, tocaram na última edição do Rock in Rio, em setembro.
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O BaianaSystem, por exemplo, banda que mistura o sound system com a guitarra baiana, tem um dos melhores shows da atualidade, pesadíssimo e com direito a roda punk. Mais rock and roll do que muito show de rock propriamente dito. Elza Soares, A Mulher do Fim do Mundo, do alto dos seus 80 anos, tem fôlego pra fazer um show incrível e deixar muito moleque no chinelo.
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Os ingressos do festival custam R$ 20,00, meia-social, condicionado à doação de 1kg de alimento não perecível, e já estão à venda, no site da Bilheteria Digital.
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SERVIÇO
Data: 25/11/2017
Horário: a partir das 15h
Local: estacionamento do Estádio Nacional
Mais informações: http://www.poraodorock.com.br/

Resenha: Raquel Reis e LaBaq @Antonieta Café

Por Tayane Sampaio

Em outubro (21), o Antonieta Café foi palco da oitava edição do Brasilia Sessions. O projeto, sempre preocupado com questões que vão além da realização de shows, abriu espaço para a discussão sobre o protagonismo feminino na indústria musical e contou com um line-up composto apenas por mulheres.

Às 18 horas, Eli Moura, Marcella Imparato e Larissa Nalini deram início à roda de conversa, que foi aberta ao público. O grupo discutiu questões que envolvem a presença da mulher na música, de maneira holística, e suas nuances. Apesar da gratuidade, poucas mulheres estiveram presentes nesse momento, o que só reforça a necessidade de se criar esses espaços para discussão e incentivar a participação da mulher no meio musical.

Quem abriu a noite foi a brasiliense Raquel Reis. Acompanhada de Gabriel Oliveira (guitarra), Zé Assumpção (baixo), Lucas Gemelli (acordeon) e Tom Suassuna (violino), Raquel apresentou, na íntegra, seu trabalho de estreia, Quitinete, que será lançado ainda este mês. Com arranjos especiais para o evento, Raquel mostrou sua versatilidade no palco. A musicista, que esbanja doçura e potência vocal, funciona muito bem sozinha, voz e violão, mas mostrou estar mais do que preparada para liderar uma banda no palco.

Raquel Reis  | Por Tayane Sampaio

Mesmo sem ter um álbum completo oficialmente lançado, a brasiliense já mostrou algumas das canções do álbum na internet e já fez vários shows, inclusive fora do Distrito Federal. Isso, atrelado à simpatia de Raquel, faz com que o público seja dinâmico e interativo. Um dos momentos mais especiais foi em “Casa”, que a galera cantou junto, antes mesmo de Raquel pedir.

A sintonia do grupo não ficou apenas no uniforme (todos estavam com blusas vermelhas). Raquel e banda fizeram um show muito bem pensado e que, sem dúvidas, aumentou a curiosidade de quem já acompanha o seu trabalho e está ansioso para ver o álbum de estreia lançado.

Raquel Reis | Por Tayane Sampaio

No segundo ato da noite, o palco foi ocupado apenas por uma pessoa, uma guitarra e alguns pedais. A incrível LaBaq preencheu o vazio do palco com suas melodias angelicais, que reverberaram por todo o ambiente.

LaBaq | Por Tayane Sampaio

Com apenas um álbum, VOA (2016), mas muita experiência na música, LaBaq consegue criar um universo particular em seu show. As músicas, que são uma combinação perfeita de leveza e força, funcionam melhor ainda ao vivo e envolvem o público em uma atmosfera emocionante, como em “Quiçá”, que você vê abaixo. A participação da plateia emocionou LaBaq e todos os presentes.

A musicista, além de se apresentar sozinha, gerencia todas as esferas de sua carreira e esse envolvimento da artista em todos os detalhes transparece em seu trabalho, criando uma identidade ímpar.

A oitava edição do Brasilia Sessions foi cheia de sorrisos e sentimentos à flor da pele, mas também foi cheia de questionamentos e perguntas ainda sem respostas. Fica a gratidão ao espaço (sempre) aberto a questões importantes para a evolução da cena musical da Cidade e a vontade de que as discussões criem desdobramentos e soluções para os problemas apresentados.

LaBaq | Por Tayane Sampaio

Você pode acompanhar as novidades do Brasilia Sessions clicando aqui. 

Resenha: Festival CoMA

Por Aline Barbosa (fotos) e Tayane Sampaio (texto)

De 04 a 06 de agosto, Brasília sediou o que tem tudo pra ser O FESTIVAL da cidade, assim como o Lollapalooza está para São Paulo, o Rock in Rio pro Rio de Janeiro e o Bananada para Goiânia. Só que o Festival CoMA foi muito além dos shows. Seguindo a lógica do nome, Convenção de Música e Artes, o festival se preocupou em abranger o cronograma para atividades que envolvem a indústria musical no geral, muito além da parte fonográfica. Sendo assim, quem comprou o passaporte para os três dias de evento pôde aproveitar palestras, pitches com novos artistas, oficinas e os shows, é claro.

Com estrutura gigantesca, que ocupou o espaço entre o Clube do Choro, Planetário e o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, o CoMa mostrou que já chegou querendo crescer e firmar sua marca no circuito de festivais brasileiros. O line-up foi composto por grandes nomes da música independente e muitas bandas locais. Mesmo com alguns pontos a melhorar, como o acesso da impressa e a segurança, o Festival CoMA foi uma bonita celebração da música e nós contamos pra vocês quais foram nossos shows preferidos.

EMICIDA

Emicida | Por Aline Barbosa

O rapper, que tinha uma multidão à sua espera, não decepcionou. Com um show extremamente longo para um festival, Emicida não deixou a peteca cair e fez o público participar do show inteiro. Desde 2015 divulgando o segundo álbum de estúdio, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, a apresentação do músico é extremamente dinâmica e pesada. Além da presença de palco invejável de Emicida, que circula pelo palco inteiro, o tempo todo, a banda que o acompanha é um destaque do show.

BALEIA

Baleia | Por Aline Barbosa

No seu terceiro show na Capital, o segundo promovendo o disco Atlas, a banda mostrou a força do último álbum e como cresceram no palco. No última passagem por Brasília, na festa Play!, a banda apresentou um show improvisado, pois Gabriel Vaz estava sem voz e o grupo teve que ensaiar, horas antes do show, uma apresentação sem o segundo vocalista. Com todo o time em campo, no CoMA, o Baleia mostrou toda a grandiosidade do Atlas, um álbum muito denso e conceitual. As músicas, cheias de camadas, ficam ainda mais potentes ao vivo e funcionam muito bem com as faixas do primogênito da banda, Quebra Azul. Sofia Vaz, uma das vocalistas, cresceu muito em sua performance, que está mais marcante e desenvolta.

CUATRO PESOS DE PROPINA

Cuatro Pesos de Propina | Por Aline Barbosa

Os uruguaios foram uma grata surpresa e fizeram o melhor show do festival. Lugar pequeno, público ansioso; palco pequeno, banda gigante. Logo nos primeiros acordes, a Cuatro Pesos mostrou ao que veio: fazer o povo dançar! Com uma sonoridade singular e esbanjando o ritmo latino, a banda tem uma interação ótima. O vocalista, Gastón Puentes, transborda simpatia e logo no início do show, coberto de suor, foi pro meio da galera, que foi à loucura. O grupo estava em turnê com a banda brasileira Francisco, El Hombre, que também tocou no Festival, e convidou os amigos Mateo, Sebastián e Juliana para algumas músicas. A sintonia entre o público dançante e a banda hiperativa foi tanta que, no fim do show, eles não queriam deixar o palco e saíram dançando, enquanto o pessoal da técnica aguardava para troca de palco.

 

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PicniK Festival @ Fonte da Torre de TV

Por Tayane Sampaio

Nos dias 24 e 25 de junho, a Fonte da Torre de TV, em Brasília, foi ocupada pelos moradores da Cidade. O que tirou as pessoas de casa, nesse final de semana frio de inverno, foi mais uma edição do PicniK, um dos eventos mais completos do DF.

O PicniK, que começou pequeno, como uma pequena feira de economia colaborativa, virou um evento que reúne multidões em pontos chaves da cidade, como a Praça dos Cristais, no Setor Militar Urbano, ou no Parque da Cidade. Lá você encontra de tudo: roupas, ilustrações, calçados, itens de decoração e até aplicação de piercing. O evento ainda conta com uma vasta área de alimentação, que inclui uma área com MUITAS opções veganas, além de espaços para meditação, massagem, brinquedos infláveis pra criançada e até uma tenda de música eletrônica.

A música não é o foco principal do evento, mas, ultimamente, os lineups do Festival têm atraído muitos fãs da música independente. Geralmente, a quantidade de bandas é modesta, mas a última edição foi em dose dupla, com dois dias de muita música. Depois de uma rápida cerimônia de abertura shamanica, começou a maratona de shows e, nos dois dias, assistimos às apresentações das bandas Transquarto, Brancunians, Teach Me Tiger, Firefriend, Congo Congo, Ava Rocha, Bixiga 70, Supervibe, The Raulis, The Dead Rocks, The Blank Tapes, Glue Trip, Mustache e os Apaches, O Terno, Tagore e Cassino Supernova.

O sábado começou com a viagem transcendental da Transquarto. O quarteto brasiliense, formado por Davi Mascarenhas (guitarra), Pepy Araújo (bateria), Gata Marques (baixo) e Tarso Jones (teclado) passa por várias sonoridades, por meio de suas experimentações. Até o momento, o grupo tem apenas um trabalho lançado, o EP Entre Baleias, que conta com duas faixas, mas só nesses quase vinte minutos de som, a banda já te prende com uma apresentação cheia de camadas.

Continuando com a prata da casa, a Brancunians foi a próxima banda a subir no palco. De chapéu, GAP GAP (voz e guitarra), Ana Laura Rodrigues (sintetizadores), Victor Chater (bateria), Rodrigo da Cruz (guitarra) e Fabio Resende (baixo) tocaram músicas de seu trabalho de estreia, +bsb, que tem um pé na psicodelia.

Logo depois, o trio mineiro Teach Me Tiger, formado por Chris Martins (voz e sintetizadores), Yannick Falisse (guitarra e voz) e Felipe Continentino (bateria), fez sua estreia em solo brasiliense. A apresentação da banda seguiu a tônica do disco de estreia, Two Sides: um bonito e harmonioso contraste entre a leveza do dream pop e o peso  do trip hop, que, misturados à outras sonoridades, resultam em um som extremamente sexy.

Julia Grassetti (voz e baixo), Caca Amaral (bateria) e Yury Hermuche (voz e guitarra), da Firefriend, subiram no palco do PicniK após o trio mineiro. O som denso, meio destoante e cheio de ruídos dos paulistanos segurou a onda da viagem do Teach Me Tiger e preparou o público pra brisa do Congo Congo.

Firefriend | Por Tayane Sampaio

O Congo Congo é composto por nomes de peso da cena belorizontina: André Travassos (voz e guitarra), Victor Magalhães (teclado), Gustavo Cunha (guitarra), Yannick Falisse (baixo), Leonardo Marques (guitarra) e Pedro Hamdan (bateria). A banda não cai na mesmice do psicodélico, que é um dos subgêneros mais saturados da atualidade, e consegue dar uma cara nova e legal para o estilo. A agitação do vocalista, que se movimenta bastante no palco, convida o público para dançar. O show terminou em clima de festa, com a participação de Yury Hermuche.

Performática e poderosa, Ava Rocha fez um dos shows mais esperados do dia. A cada música cantada, uma peça de roupa do figurino de Ava ia para o chão. A artista exala confiança e domina o palco e o público, que tem a oportunidade de vê-la bem de perto e até de contribuir com seu ritual. O público foi ao delírio com a apresentação, principalmente nas músicas do autêntico Ava Patrya Yndia Yracema, último álbum lançado pela cantora.

Encerramos a noite com um palco cheio, ocupado pelos músicos do Bixiga 70. Décio 7 (bateria), Rômulo Nardes (percussão), Gustávo Cék (percussão), Marcelo Dworecki (baixo), Mauricio Fleury (teclas e guitarra), Cris Scabello (guitarra), Cuca Ferreira (saxofone barítono), Daniel Nogueira (saxofone tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete) levaram a plateia à loucura. O instrumental dançante do grupo animou e aqueceu o público, que lotou a lona de circo em que o palco estava montado.

Congo Congo | Por Tayane Sampaio

O domingo começou com mais uma promessa da nova safra de bandas DF, a Supervibe. Sand Lêycia (bateria), João Ramalho (voz e guitarra) e Deivison Alves (baixo) apresentaram as canções de seu EP de estreia, Clarão. O psicodélico mais pesado da banda proporciona um show intenso, mas que tem alguns momentos mais leves e divertidos, com um indie rock bem executado.

Ava Rocha | Por Tayane Sampaio

Os veteranos da The Dead Rocks chegaram com tudo no palco do PicniK. Com direito a uniforme e a coreografias ensaiadas, Johnny Crash (guitarra), Paul Punk (baixo) e Marky Wildstone (bateria) animaram o público. Apesar do visual à la Beatles, o trio apresentou um set super dinâmico de surf music.

Na sequência, os recifenses do The Raulis deram continuidade à onda de surf music instrumental iniciada pela Dead Rocks. Em formato de trio, Arthur Soares (guitarra), Rafael Cunha (bateria) e Gabriel Izidoro (baixo) trouxeram a sensação de beira de praia pro centro da Capital Federal.

Os americanos da The Blank Tapes fizeram um show extremamente condizente com o clima leve de fim de tarde de um domingo. Matt Adams (voz e guitarra) e companhia mostraram uma gostosa psicodelia litorânea, cheia de solos de guitarra.

A Glue Trip, que é da Paraíba, deu continuidade ao clima praiano deixado pelas bandas anteriores, mas com muito mais calor, peso e energia. Com um dos melhores shows do Festival, a banda sabe muito bem transpor as músicas para o palco e fazer o público dançar e se envolver com a performance. Lucas Moura (voz e guitarra), Gabriel Araújo (baixo e voz), Uirá Garcia (guitarra, sintetizador e voz) e CH Malves (bateria) contaram com a ajuda do público pra cantar várias músicas e, em “Elbow Pain”, rolou a participação de uma mini fã, que surgiu do público, vestida de princesa e com uma guitarra de plástico em mãos. Um dos momentos mais bonitos e significativos do final de semana.

Em uma pausa na psicodelia, os paulistas da Mustache e os Apaches transformaram a tenda do PicniK em uma grande festa. Axel Flag (voz, percussão e viola), Jack Rubens (bandolim, lap steel, dobro, guitarra e voz), Lumineiro  (washboard, bateria e voz), Pedro Pastoriz (banjo, guitarra, kazoo e voz) e Tomas Oliveira (contrabaixo, piano e voz) bebem do folk raíz, mas transformam isso em uma linguagem totalmente nova. Um grupo grande, com vários instrumentos inusitados, em que todo mundo canta. A “bagunça” do palco terminou no público, pois a banda finalizou a apresentação do melhor jeito possível: no meio da galera.

O Terno | Por Tayane Sampaio

O clima da euforia deixado pelo show suado da Mustache e os Apaches só cresceu, pois agora o público se amontoava à espera d’O Terno. Tim Bernardes (voz e guitarra), Guilherme d’Almeida (baixo) e Biel Basile  (bateria), que tinham tocado na Cidade há pouco tempo, com o Boogarins, foram recebidos com muitos gritos dos fãs. O frisson do público, que começou antes do trio subir ao palco, se estendeu durante todo o show. Em alguns momentos, os fãs cantavam mais alto que Tim.

O penúltimo show do Festival ficou por conta dos pernambucanos da Tagore. Em turnê para divulgar o disco Pineal, Tagore Suassuna (voz, violão e guitarra), Julio Castilho (baixo, guitarra e teclado), Caramuru Baumgartner (percussão e teclado), Alexandre Barros (bateria e sample) e João Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados) chegaram em Brasília com energia pra dar e vender. O quinteto, que diz ter referências que vão de Tom Zé a Tame Impala, mostra um rock psicodélico totalmente abrasileirado, cheio de sonoridades pertencentes à música nacional, principalmente a nordestina. Pulando de um lado pro outro, com os cabelos na cara e de pés descalços, o frontman do grupo incita a plateia a curtir e interagir com o som tanto quanto ele faz no palco.

O encerramento da edição do PicniK Festival foi especial e cheia de significado. O Cassino Supernova, grupo super conhecido e respeitado na cena brasiliense, fez um show em homenagem ao Pedro Souto, prolífico músico brasiliense e baixista da banda, que faleceu no começo do ano. Gustavo Halfeld (guitarra), Raphael Valadares (guitarra), Márlon Tugdual (bateria) e Gorfo (voz), apresentaram os sucessos da banda, já conhecidos e cantados por um grupo expressivo de pessoas que ficaram para ver a banda.

Depois de dois dias de muita música e energia boa, fica a expectativa pra próxima edição do Festival!

Resenha: The Maine @ Arena Futebol Clube

Por Gabriel Menezes e Tayane Sampaio

Brasília pode te proporcionar algumas experiências interessantes. Tipo ir no show de uma banda gringa que tem quase 800.000 likes no Facebook, mas parecer que você está no show daquela banda do underground nacional, que ainda tem poucos, mas fervorosos, fãs. Isso praticamente resume o show do The Maine em Brasília.

Na última sexta-feira (21), os estadunidenses fizeram o pequeno palco do Arena Futebol Clube ficar gigante.  Em turnê com o novo disco, Lovely Little Lonely, a banda voltou ao Brasil pela quinta vez, apesar dessa apresentação ter sido a estreia do quinteto em Brasília. O show, com clima intimista, virou praticamente um culto, tamanha a dedicação dos fãs em cantar (muito) alto todos os versos de todas as músicas.

Os integrantes do The Maine não foram os primeiros a subir no palco, pois a abertura ficou por conta de Michael Band. Michael, que estava acompanhado apenas de seu violão, fez uma apresentação encantadora. O folk muito bem tocado conquistou os ouvidos da plateia, que, apesar da ansiedade para a apresentação principal, recebeu muito bem o músico e até fez alguns pedidos de música. O cantor, que se declarou fã do grupo do Arizona, foi escolhido pela própria banda para abrir os shows de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

Michael Band | Por Tayane Sampaio

Logo depois do show de Michael e dos devidos ajustes no palco, foi a vez do The Maine aparecer, minutos depois dos fãs puxarem um coro apaixonado de “Into Your Arms”. John O’Callaghan, o vocalista do grupo, começou o show pedindo pra galera guardar os celulares e curtir um show de rock como as pessoas faziam antes dos smartphones. A banda já abriu o show com muita energia, ao som de “Black Butterflies & Dèjà Vu”, faixa do novo álbum, que os fãs cantaram a plenos pulmões. Em seguida, eles tocaram “Am I Pretty?”, que fez as poucas pessoas que estavam mais contidas também tirarem o pé do chão.

The Maine | Por Tayane Sampaio

Não é só John que tem uma presença de palco impecável, a sinergia dos músicos é fantástica. Garrett Nickelsen (baixo), Kennedy Brock (guitarra), Jared Monaco (guitarra) e Pat Kirch (bateria) não param um segundo e também não deixam o público ficar parado. John disse que queria ver todo mundo suando e realmente conseguiu. Logo no começo do show, em “Like We Did (Windows Down)”, ele subiu na grade e dividiu o microfone com o público. Os fãs retribuíram o carinho e a entrega da banda com balões brancos, durante a balada “(Un)Lost”.

The Maine | Por Tayane Sampaio

Durante toda a apresentação, houve uma troca de energia muito boa entre público e banda. Kennedy e Garrett eram só sorrisos. A animação estava tão grande que o quinteto deixou a triste “Raining in Paris” fora do setlist e tocou “Taxi”, música que nunca tinha sido tocada ao vivo e era uma das mais pedidas pelos fãs brasileiros, desde que a tour começou.

Um dos pontos altos da apresentação foi “Girls Do What They Want”, um clássico do grupo. Nessa hora, o vocalista já tinha se desfeito da jaqueta e da camiseta e foi assim que ele foi parar no meio da galera, rodeado pelos fãs que gritavam a letra da música e pulavam sem parar. John voltou ao palco com dois ajudantes, Tatyana e Fillipe, pra terminar de cantar a música no palco.

O show reuniu canções de vários momentos da banda, de discos mais recentes até os mais antigos. O pedido de “zero phones” de O’Callaghan foi ignorado, mas, ainda assim, foi um momento muito bonito de conexão entre artista e fã. Depois de pouco mais de uma hora de total catarse, a despedida foi ao som de “Another Night on Mars”.

O show é um dos que vale muito a pena ver ao vivo. Sem dúvidas, foi uma noite memorável. Os caras amam o Brasil e, provavelmente, vão voltar em breve. Então, se você ainda não foi a um show do The Maine, não perde a próxima chance!

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