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CoMA, um suspiro de renovação em meio ao status quo dos festivais brasileiros

Por Felipe Ernani

Foto destaque por Matthew Magrath

Não importa qual seja o festival da sua preferência — Rock in Rio, Lollapalooza, Bananada, etc. — uma reclamação que você com certeza já fez é: “de novo essa banda?”. Essa reclamação não se aplica ao Festival CoMA, que aconteceu em Brasília entre os dias 10 e 12 de agosto de 2018. Aliás, não só às bandas: o festival manteve uma estrutura básica, mas foi completamente diferente da sua primeira edição (2017).

Uma das grandes propostas do CoMA (Convenção de Música e Arte) é, como o nome sugere, fugir do formato tradicional adotado pela maioria dos festivais Brasil afora. Enquanto alguns destes apostam cada vez mais em medalhões ou em bandas recorrentes para manter um público fiel, o festival brasiliense não tem medo de se arriscar e trazer artistam que fujam do mainstream. Também não tem medo de diversificar o próprio público, confiando em vários fatores além das bandas para fidelizar a audiência: um deles, e talvez o mais importante, é toda a experiência que o envolve.

Além de ter proporcionado uma espécie de Esquenta para o festival (realizado nos dias 28 e 29 de julho, em parceria com o Conjunto Nacional) contando com shows gratuitos de bandas novas e estabelecidas no cenário, o CoMA oferece desde o ano passado conferências/palestras sobre os mais diversos temas (relacionados à música ou não). Nesse ano, um dos temas mais explorados foi a indústria de jogos, inclusive com palestras gratuitas oferecidas na sexta-feira pré-festival. Outra parceria sensacional montada pela organização foi com a Indie Week Toronto, evento que acontece anualmente no Canadá com bandas independentes e que em 2017 teve a participação dos brasileiros do Scalene e Trampa (cujos membros fazem parte da organização do CoMA).

Sobre essa parceria, o começo “não oficial” do festival foi justamente na quinta-feira (09 de agosto), no evento Road to Indie Week — uma espécie de seletiva, com 5 bandas pré-selecionadas (Toro, Moara, Augusta, Alarmes e Mdnght Mdnght) competindo por 2 vagas nessa semana cultural canadense. O evento aconteceu na Cervejaria Criolina e as bandas Toro e Augusta se classificaram e vão representar a cena brasiliense lá no Canadá. Congrats!

O final de semana, com os eventos principais do festival, começou em grande estilo. Na sexta-feira, a Pré do Slap se mostrou uma versão mais organizada e voluptuosa da festa de abertura realizada no ano passado. Dessa vez, além de contar com DJ Set de figuras importantes das festas brasilienses e de algumas bandas nacionais (Far From Alaska + Supercombo + Plutão Já Foi Planeta), o evento teve também um show do MC Rashid. Tudo correu bem, apesar do ingresso relativamente caro comparado ao festival (R$40 pela festa vs. R$30 pelos dois dias de festival, pra quem comprou antecipadamente) e de um leve atraso. Uma das partes mais legais da festa era a mesa de beer pong montada e super bem organizada: jogava-se gratuitamente e os vencedores ainda ganhavam copos exclusivos da festa.

Invasão de palco no show da Supercombo (Foto: Matthew Magrath)

No sábado, primeiro dia no Complexo da FUNARTE, o festival começou com um leve sinal negativo: a entrada do público foi liberada enquanto algumas bandas ainda passavam som, o que se transformou em um atraso significativo no início do festival. No fim, esse acabou sendo praticamente o único momento negativo de todo o festival. O restante do dia correu super bem, sem atrasos entre as apresentações e sem nenhum problema técnico.

Como no ano passado, as performances se dividiram em 4 palcos + 1 tenda eletrônica: os palcos principais (Norte e Sul), o Clube do Choro e o cobiçado Planetário, além da Tenda Conexões. Nesse primeiro dia, o grande destaque dos palcos principais ficou por conta da apresentação da Supercombo e isso não se deu necessariamente pela banda em si. O público compareceu em peso e participou ativamente, coisa que não aconteceu tão fortemente com os shows do Rincon Sapiência e do ÀTTØØXÁ, que foram excelentes mas acabaram sendo um pouco prejudicados pelo atraso do começo do dia e cansaço das pessoas que estavam desde cedo. O que não significa, de jeito nenhum, que foram shows desanimados: o público que ainda tinha energia fez uma troca sensacional com os artistas e mostrou que cada vez mais a diversificação dos ritmos pode e vai tomar conta dos festivais.

É impossível deixar de falar também na performance estonteante da Elza Soares. Não só pela arte e paixão envolvidas em tudo que ela faz, mas pela importância de todo seu trabalho e pela consolidação da mudança de direção dos seus anos mais recentes de carreira, colocando-a sem dúvidas em um posto de rainha que é abraçado com carisma e humildade pela artista.

Além disso, as bandas que tocaram mais cedo também cumpriram com louvor seus papéis, especialmente o Menores Atos e o Maglore, que abriram respectivamente os palcos Sul e Norte com apresentações maduras e dignas de headlinear qualquer festival. Entre as surpresas, a banda Cachimbó que abriu o Clube do Choro com sua mistura de regionalidades e ritmos e a Alarmes com um show diferente e ousado estão entre as que deixaram marcas positivas.

Vale ressaltar, nesse momento, a quantidade de experiências simultâneas que o CoMA oferece — não só para justificar o tamanho desse texto, como para explicar porquê é humanamente impossível viver tudo que o festival proporciona. Os shows nos palcos principais são alternados, mas acontecem simultaneamente com as apresentações no Clube do Choro, no Planetário e na Tenda Conexões e ainda com as conferências. Além disso, ainda tivemos novidades esse ano: um espaço de Live Karaokê aberto ao público; mesa de beer pong (a mesma da festa de abertura) e até um simulador de corrida da Red Bull.

Apresentação do Gustavo Bertoni no Planetário (Foto: Matthew Magrath)

Dito isso, uma das experiências indispensáveis do festival é assistir a algum show no Planetário. As filas ficam enormes e poucos são atendidos (cabem apenas 80 pessoas no local), mas a proximidade e o intimismo são justamente alguns dos charmes desse formato. Apesar de infelizmente não ter conseguido ver o show do Gustavo Bertoni, tive o prazer de ver a canadense Julie Neff proporcionado uma performance inesquecível que misturava suas próprias músicas com alguns covers famosos, culminando em uma última música tocada de forma totalmente acústica (sem microfonação, sem nada) iluminada apenas pelas estrelas do domo. Se você vier pro CoMA do ano que vem, tire algum tempo e não deixe de viver isso: cada apresentação ali é única e especial.

Voltando ao tópico principal, os shows do domingo pareciam claramente voltados a um público diferente do sábado (com algumas exceções) e assim foi. A média de idade parecia maior, mas os shows continuaram atendendo a todos os gostos. A Céu fez talvez o grande show da noite, com um repertório excelente e com certeza com o público mais presente. Um dos mais esperados da noite, o Plutão Já Foi Planeta começou sem muita resposta do público, mas depois de algumas músicas e participações no palco a banda conquistou os presentes, ainda que majoritariamente aqueles que já eram familiarizados com a banda. No entanto, a Flora Matos foi uma gratíssima surpresa ao lado dos chilenos do Apokálipo que chegaram até a (literalmente) derrubar uma luz do Clube do Choro.

No entanto, assim como o show da Elza Soares foi o mais importante do sábado, no domingo foi a vez da Linn da Quebrada dar voz ao público LGBT e periférico da melhor maneira possível. Uma performance visceral, imprescindível nos tempos atuais e com uma atitude quase inigualável entre os outros artistas não só do festival como de todo o país.

Apresentação do Plutão Já Foi Planeta (Foto: Matthew Magrath)

Pra resumir, o CoMA fez o que todos os festivais brasileiros têm medo de fazer: fugiu do status quo. Não apostou em grandes medalhões, deu espaço a grandes nomes que andam meio esquecidos pelo mainstream (afinal, os headliners do domingo foram Chico César e Mundo Livre S/A) e se propuseram ao desafio de não repetir absolutamente nenhuma banda que já havia tocado na edição anterior. Esse e todos os outros desafios impostos sobre o festival foram superados e resultaram em (mais) uma experiência inesquecível para a cultura do Centro-Oeste, que cada vez mais vê o CoMA se consolidar no cenário nacional e finalmente colocar Brasília no circuito de festivais.

Voa, CoMA! Nos vemos em 2019!

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Um Festival para todas as tribos, O Festival CoMA

foto destaque por Breno Galtier

Música, arte, diversão, quem não gostaria de tudo isso num mesmo lugar? pois então, você pode ter acesso a tudo isso e muito mais na segunda edição do Festival CoMA (Convenção de Música & Arte) que acontece nesse final de semana (10 a 12 de agosto) em Brasília. E aproveitando que estaremos por lá, vamos tentar resumir o que é o Festival e como funciona.

O CoMa reúne shows de todos os estilos, palestras com os maiores nomes de conteúdo musical, festivais, games e tantas outras coisas que a gente resolveu dividir tudo isso em tópicos para que vocês possam entender um pouco mais.

Shows

Com um line up diversificado e para todos os gostos, o CoMA traz esse ano alguns nomes como Elza Soares, Chico César, Mundo Livre S/A, Céu, Menores Atos, Plutão já foi Planeta. A cena local com Alarmes, Cachimbó, Augusta, entre outros. E também atrações internacionais como a canadense Julie Neff e os chilenos do Apokálipo. Todas as atrações serão distribuídas em quatro palcos: Norte e Sul que são os palcos externos, Clube do Choro e Planetário, além da tenda eletrônica.

line up

Mas antes de tudo isso acontecer teremos outros shows, como por exemplo o Road to Indie Week que é uma parceria entre o Festival CoMA e o festival canadense Indie Week onde 5 bandas brasilienses Toro, Moara, Banda Augusta, Alarmes e MDNGHT MDNGHT  irão se apresentar e 2 serão selecionadas para tocar no festival no Canadá em novembro. O local escolhido para as apresentações é a Cervejaria Criolina e esse rolê todo acontece amanhã (09). Além disso, também ocorre o lançamento do novo EP da banda ETNO intitulado “Escarlate“, e o ingresso custa R$ 5,00.

E também a final do Brasília Independente, competição de bandas com trabalhos autorais realizada pelo DF TV. A mesma ocorrerá no Clube do Choro na sexta-feira (10), a partir das 18 hrs e a entrada é gratuita. Das 10 bandas escolhidas duas vão receber um troféu do Brasília Independente e ganhar, cada um, uma reportagem contando sua história e trajetória musical. o encerramento fica por conta de Dillo e seu show Guitarráfrica.

Conferências

Mais de 20 painéis que vão envolver debates sobre música, conteúdo, festivais, intercambio musical, mercado latino americano, inovações e tendências. Tudo isso no Centro de Convenção Ulysses Guimarães, que faz parte do complexo CoMA. As convenções serão divididas entre sábado e domingo, de acordo com o cronograma no site oficial. Terão acesso apenas os que adquiriram o Passaporte + Conferência Festival.

Conferência Games

A Conferência de Games será apenas na sexta-feira (10). Vai rolar participação do Yuri Uchiyama que é criador da Games Academy e Cofundador e CEO da Gamers Club, maior plataforma de esportes eletrônicos brasileira, e Pablo ‘xrm Oliveira que é narrador da Counter Striker Global Offensive, entre outros. No total serão 11 palestrantes falando sobre assuntos relacionados a programação e produção de games. Na convenção de games a entrada é gratuita e será no Planetário.

Festa

Na sexta-feira (10), a partir das 22 horas no Estádio Mané Garrincha, vai rolar a  Pré do Slap – Festa de Abertura do Festival CoMA que vai contar com atrações como Rashid, DJ Set das bandas Supercombo + Plutão Já Foi Planeta+ Far From Alaska, Dj A + DJ Chicco Aquino e  Gabriella Buzzi (Coletivo Índio).  O ingresso custa R$ 40,00, ou caso você tenha adquirido o Passaporte + Conferência Festival entra sem custo nenhum.

O CoMA ainda libera desconto para hospedagem no Hotel Meliã, que fica ao lado do Complexo. O “meu copo eco” onde estarão disponíveis 5 opções de copos que você pode adquirir por 5 reais. se quiser pode levar pra casa de recordação, se não quiser pode devolver no final do dia e receber de volta os R$ 5,00.

São três tipos de ingresso, o Acesso que dá direito a um dia de festival, o Passaporte Festival que dá direito aos dois dias do festival (11 e 12) e o Passaporte + Conferência Festival que dá acesso aos dois dias de festival, conferências e a Festa de Abertura.

Valores, horários e maiores informações vocês encontram em www.festivalcoma.com.br

Conheça a banda Humbold, representante da nova safra do rock brasiliense

Por Tayane Sampaio

A Humbold surgiu como um projeto individual, sem muitas pretensões. A Les Millows, banda anterior do Guilherme de Paula (voz e guitarra), tinha acabado e, sozinho, ele começou a botar no papel todas as ideias que estavam martelando sua cabeça. Tudo foi tomando forma e expandiu para além da jornada solo de Guilherme. Atualmente, a Humbold é formada por Lorena Lima (baixo), Guilherme Breda – Guizão (guitarra), Matheus Grossi (bateria) e Guilherme.

As letras da banda são cheias de significados e se moldam a várias realidades. A narrativa, com começo, meio e fim, remete à ideia de travessia: por lugares, sentimentos, lembranças, sensações. O instrumental, muito bem trabalhado e executado, também conta uma história, que se entrelaça com os versos e cria um universo cheio de canções de fácil identificação.

Com influência de bandas gigantes como Queens of the Stone Age e Muse, a Humbold conseguiu incorporar essas referências na sonoridade da banda, mas sem perder sua identidade ou cair na mesmice do rock de arena.

Em uma conversa descontraída, Guilherme nos contou mais sobre a Humbold, sua trajetória e processo criativo.

Humbold 2017 por Lai Victoria
Humbold 2017 por Lai Victoria

Como a Humbold nasceu?

Eu escrevi umas duas músicas no começo da banda, bem no comecinho mesmo, e depois comecei a procurar uma galera pra poder tocar. Perguntei se uma amiga, Ana Clara, não pilhava e aí ela chamou a Lorena, que foi a primeira pessoa da formação atual a entrar na banda. A gente foi pra estúdio, começou a testar umas músicas, aí tive a ideia de fazer os EPs. No final de 2015, já estávamos com as gravações adiantadas, o “I” já estava praticamente gravado, só faltavam as baterias. Conheci o Anderson (MDNGHT MDNGHT)  e convidamos ele pra gravar, sem compromisso, se ele curtisse a gente veria o que fazer no futuro. O Guizão também foi mais ou menos assim. Ele é meu amigo há anos, a gente já tocou muito, mas sem ter banda. Tinha um espaço na banda pra segundo guitarrista, mas era pra ser um cara que pensa em guitarra sem fazer sons de guitarra, um cara que pudesse tocar teclado, sintetizadores, guitarra ambiência… que é uma coisa que nem todo guitarrista faz. Era a vaga pra um Guizão e ele acabou topando.

Nota da Redatora: Nesta semana, a banda anunciou que Anderson Freitas saiu da banda.

Apesar de cada EP ter identidade musical e temática diferentes, todas as músicas lançadas até agora fariam sentido em um único álbum. Por que vocês decidiram lançar três EPs ao invés de um álbum completo?

Porque também tem uma questão de direção musical. O “I”, por exemplo, foi produzido pelo Bepo (MDNGHT MDNGHT); o “II” e “III” foram produzidos pelo Victor Hormidas (Ape X and The Neanderthal Death Squad), um cara muito mais focado em metal. O estilo de produção é muito diferente, e isso foi deliberado. A ideia seria que o primeiro EP fosse bem diferente, com uma pegada bem mais intimista, melancólica, com elementos eletrônicos. Isso é uma coisa que a gente sabia que queria extrair mais do Bepo, ele tem um ouvido muito bom pra esse tipo de timbre, pra teclados e tal, e eu queria que cada EP soasse mais ou menos como os pais deles. O segundo e o terceiro, que gravamos com o Victor, soam um pouco mais parecidos entre si, mas eles têm uma pegada diferente. O segundo é mais despido, mais cru, não tem tanta firula; o terceiro foi o que a gente decidiu pirar, em questão de timbres e instrumental… são instrumentais muito grandiosos, foi o que a gente se deu mais liberdade. Então, assim, do ponto de vista de direção musical, fazia sentido gravar três EPs, porque, embora eles sejam parecidos, eles não têm aquela coesão que a gente espera de um CD, pelo menos pra gente. E, do ponto de vista conceitual, nós queríamos lançar o primeiro pra poder ser digerido de uma forma, o segundo ser digerido de outra forma e o terceiro também.

Com qual dos EPs você mais se identifica e por quê?

No momento, o terceiro. Ele tem um quê de otimismo, mas não é um otimismo besta, é um otimismo um pouco mais maduro, mais realista. Fiquei um tempo sem escutar e recentemente eu fui ouvir e pensei “cara, era exatamente isso que eu queria que tivesse acontecido, tá do jeito que eu queria!”. Ele tá falando comigo de uma forma que eu nunca pensei que ia falar, porque eu escrevi isso. Tá sendo muito bacana essa experiência. O mais legal é que o “III” foi o que mais teve colaborações de pessoas de fora e dos outros integrantes da banda.

Como funcionou o processo de composição dos EPs?

A parte de letra foi composta toda no começo. Primeiro, eu escrevi umas quatro ou cinco músicas, que, aparentemente, não dialogavam tanto entre si, elas tinham mais ou menos a mesma vibe, na época. Tanto é que algumas músicas estão no “III”. Depois que eu cheguei numas seis ou sete músicas escritas, percebi que existia meio que uma linha narrativa, um conceito no que eu estava fazendo. Eu entendi o que eu queria fazer, aí comecei a escrever até que chegou em um ponto em que tínhamos umas dezessete músicas. Eu comecei a revisitar as letras, pra ver o que eu podia reajustar dentro do conceito fechado, porque algumas coisas que eu escrevi foram saindo, mas depois eu vi que faziam sentido e fui reescrevendo algumas coisas.

Além da música, teve alguma outra coisa que inspirou a criação da série de EPs?

Não teve uma fonte de literatura, mas foi muito uma questão pessoal, sempre foi uma coisa muito pessoal pra mim. Eu sempre tive essa ligação muito forte com o mar. Na minha infância e adolescência, eu ia pescar com o meu pai, a gente passava dias dentro de um barco, no meio do mar do Pernambuco. Era uma coisa que eu estava acostumado, que gostava e me intrigava muito. Sempre gostei muito de como o mar é uma figura de linguagem e também uma força da natureza tão incrível. Meu livro favorito, por exemplo, é “O Velho e o Mar”, do Hemingway.  Quando comecei a escrever, eu sabia mais ou menos o que eu queria contar, eu gosto muito de histórias que você pode contar de forma clara, mas que tem uma história mais simbólica de fundo. Eu gosto dessas histórias que você tem um subtexto mais alegórico, por isso tem algumas palavras e algumas figuras que a gente repete muito, porque elas adquirem significados diferentes dependendo do momento que elas entram.

 Vocês afirmam que a banda não é o começo ou o destino, mas a viagem. Querendo ou não, essa viagem tem que levar vocês a algum lugar. Qual seria o destino dos sonhos de vocês?

A reposta clichê seria “quero tocar em estádios”. Sempre imaginamos a Humbold como banda de palcos grandes, achamos que funcionamos melhor em palcos grandes e isso é uma coisa que a gente sempre gostou muito. Do ponto de vista de sucesso, acho que uma banda que me vem muito à cabeça, quando penso de sucesso pra Humbold, seria The Dear Hunter. Eles não são uma banda muito grande, não estouraram, mas tem uma coisa que eu admiro absurdamente neles: como são íntegros com o que eles fazem e como eles conseguem fazer coisas de excelente qualidade. As pessoas que gostam da banda são apaixonadas não só pela banda, mas pelo conceito das músicas, do projeto que eles fazem. Eu acho que o objetivo é você tocar com uma plateia que você não precisa subestimar pra poder alcançar, pra que você possa trabalhar conceitos dentro do seu disco, não precisar apelar pra alguém ou alguma coisa.

Escute:

https://open.spotify.com/embed/artist/2CwHBqjCDTJYcZMCzM60Yk

Foto da capa: Marcella Lasneaux

Entrevista Banda Trampa

por Camila Borges

A banda brasiliense Trampa acabou de lançar o lyric vídeo da música Heróis, canção inédita que presta homenagem, de acordo com a banda, a todos os “heróis” que lutam ou lutaram pra fazer do mundo um lugar melhor. E nós do Canal Riff conversamos com a banda sobre a experiência no Canadá onde estiveram recentemente, novidades e projetos futuros.

Canal Riff:  Vocês se apresentaram no Canadá entre os meses de maio e início de junho desse ano, aliás não é a primeira vez que vocês estiveram por lá e já devem ter muitos fãs. Como é a recepção da galera? Como foi a experiência? Já pensaram em gravar em outro idioma?

Banda Trampa: A galera de lá é incrivelmente carinhosa e receptiva, mesmo com a gente tocando nosso repertório que é quase inteiramente em português! O público de lá é bem diverso, de todas as idades e de várias vertentes do rock, só que lá a gente não sente tanto o sectarismo de estilos que acontece no Brasil, sabe? Então, essa experiência em todas as vezes que a gente foi lá foi incrível! E é sempre bom ver como outros mercados se comportam, principalmente em países em que o rock é uma marcante e clara parte da cultura local.
Sobre gravar em outro idioma, temos novidades! Ainda esse ano lançamos um EP com algumas músicas em inglês chamado Never Forget! Uma delas inclusive é uma colaboração com uma galera muito massa lá de Toronto chamada Black Absynthe. Se quiserem sentir um gostinho desse novo trabalho, nós colocamos sorrateiramente um vídeo no YouTube com a música Never Forget (clique aqui para ouvir).

Canal Riff: A Trampa tem um pouco mais de 10 anos de carreira, 3 discos, vários shows dentro e fora do Brasil. Hoje depois de todo esse percurso, como vocês se sentem? Quais as principais mudanças?

Banda Trampa: A gente se sente super bem depois desse trajeto todo. Já erramos e acertamos várias vezes, já viajamos pro exterior e isso está cada vez mais constante, já tocamos acústico, com orquestra, em casas de show de todos os portes, em todas as regiões do país e trocamos de integrantes várias vezes. Ter vivido isso tudo agrega muito, seja em vivência, experiência, visão de mundo, mercado, música e tal, mas o que importa mesmo agora é que estamos nos sentindo totalmente renovados e cheios de energia.

Canal Riff: Brasília sempre foi o berço de ótimas bandas seja nos anos 80 e 90, e é claro que agora também. E tenho certeza que vocês têm um bom percentual nessa nova leva e já tem uma certa experiência, qual o conselho que vocês dariam pra quem pretende ter uma banda?

Banda Trampa: Acho que o ideal pra todas as pessoas, em qualquer linha de trabalho que seja, seria se envolver profundamente com o que faz. Conheça todas as nuances do que você quer fazer, saiba a parte técnica, mas deixe seu toque pessoal, seja apaixonado. A arte ainda puxa mais esse quê emocional, já que lidamos com expressões e sentimentos humanos. Como diria um grande amigo nosso: “É um mercado de pessoas” ou seja, você tem que saber lidar com elas, em qualquer ponta do negócio, no palco, com o público, contratantes, produtores, merchandising e etc.. “Não seja um babaca” é um conselho incrível também e outra frase dele ótima é: “Não é que seja difícil, mas é bem trabalhoso.” Saiba que é uma empresa e vai dar MUITO trabalho mas SEMPRE vai valer a pena!

Canal Riff: Como funciona o processo de composição, arranjos? Vocês começam por algum ponto ou não tem uma ordem certa?

Banda Trampa: Ah, isso varia bastante! Já fizemos de várias maneiras diferentes tipo: com alguém chegando com uma música bem estruturada e a gente termina de arranjar, ou só com uma idéia inicial de letra e fazemos tudo, ou alguém chega com um riff fera e partimos daí, ou através de jams em ensaios onde saem várias idéias, ou gravando em casa com instrumentos eletrônicos, etc. Não temos uma fórmula pra isso. O que mudou desde que o Diego começou a nos produzir é que temos voltado bastante nas canções que supostamente estão prontas e acabamos mudando várias coisas, tentando fugir da sensação de conforto, sabe? Nada mais é sagrado e nada tá pronto e finalizado até sair o disco.

Canal Riff: O último álbum de estúdio foi o “Viva la Evolución” em 2016 e vocês irão lançar um vinil ainda esse ano. Como surgiu essa ideia?

Banda Trampa: Esse vinil que se chamará “Trampa a Sinfonia” é uma homenagem aos dez anos do primeiro show idealizado pelo falecido Maestro Sílvio Barbato e ele contará com músicas dos nossos três discos, todas com um arranjo especial feito unicamente pra esse trabalho. Nós já íamos fazer uma homenagem, mas a ideia de como faríamos veio do Diego Marx, nosso produtor e do Tomás Bertoni do Scalene após verem um show acústico nosso na Fnac. Eles gostaram muito dos arranjos que nós fizemos pra aquele show e sugeriram somarmos aquele formato aos arranjos de orquestra do grande Maestro Joaquim França e do próprio Sílvio Barbato. E funcionou! Ficaram ótimas!

Canal Riff: Além do vinil, mais algum projeto pra 2018? e os próximos projetos da banda?

Banda Trampa: Temos o vinil ” Trampa a Sinfonia“, nosso primeiro EP em inglês “Never Forget”, novos videoclipes, shows, viagens, turnês, seja no Brasil ou fora. Sobre os próximos passos da banda, temos uma intenção bem grande de reforçarmos nossa carreira no exterior mas sem abandonar os shows por aqui! Essa é a meta principal!

 

Resenha: Scalene, Versalle, Alarmes e Delittus no @Teatro Mars

Por Camila Borges / Fotos Yuri Corrêa

Se você queria um show de rock com casa cheia, com muita energia e vitalidade, sem dúvida você encontraria no Teatro Mars (casa de shows muito conhecida em São Paulo) no último sábado (21). O destaque da noite era a Banda Scalene com a turnê de seu último álbum de estúdio “magnetite” (2017), sendo o primeiro show do ano na capital paulista. Além disso, a banda lançou recentemente uma extensão do seu álbum intitulado “+gnetite” na última sexta-feira (20).

Mas antes da atração principal tivemos três bandas de ótima qualidade mostrando seu trabalho, são elas Delittus, Alarmes e Versalle. A casa, programada para abrir às 17 horas, teve um levo atraso de mais ou menos 40 minutos, o que pode ter resultado na redução de tempo de uma bandas de abertura.

A primeira banda a se apresentar foi a Delittus, que nasceu em 2006 na cidade de Novo Hamburgo/RS, mas que desde 2010 reside em São Paulo. Já se ouvia o som ainda quando o público adentrava o local. Formada por Matt Chelios (voz e guitarra), Burn Eidelwein (guitarra e voz), Johny Silva (baixo) e Fell Rios (bateria), a banda apresentou músicas como “Se um Dia”, “O Mesmo Sol”, “My Name is Human” (cover de Highly Suspect), “Teu silêncio”, “Me dê um Sinal”, “Se te faz Feliz” e a mais aclamada e conhecida pelos fãs “O Impossível”. Talvez a banda fosse um pouco diferente no som em comparação as próximas que viriam a seguir, mas com seu rock melódico conseguiram animar o público que já se encontrava empolgado.

Foto Max Laux

A segunda banda da noite foi a Alarmes. Diretamente da capital do país, formada por Arthur Brenner (voz e guitarra), Lucas Reis (baixo) e Gabriel Pasqua (bateria), possui um EP, um álbum de estúdio, e esse ano lançou dois singles “” e “Évora”. Sendo uma das bandas que vem forte na atual cena brasiliense e com muitos shows na bagagem (inclusive uma turnê na Espanha e Portugal), a mesma lança uma abertura explosiva ao som da intro de “Black Skinhead” de Kanye West onde o público já começa a se animar. Logo após vem com as baladas “Incerteza de um Encontro Qualquer”, “”, “Gruta”, “Sem Querer Dizer”, “A Carta”, “Mas não Sei” onde o público acompanha no refrão, “Évora” onde já se forma uma roda no meio do Teatro Mars, e encerrando sua apresentação com “Cada um Por Si”. A banda sabe como prender o público, mesmo aquele que ainda não a conhecia, e principalmente interagir e fazer com que cada parte do seu corpo se mexa de acordo com a melodia. Para quem ainda não conhece é melhor começar a ouvir.

Foto Yuri Corrêa

A terceira banda é a Versalle, banda de rock formada em Porto Velho/RO , uma curiosidade é que de inicio havia a proposta de ser uma banda cover. Mas que graças ao vocalista Criston resolveu mudar apenas para autorais (e a gente agradece). A banda ficou mais conhecida após a participação no programa Superstar, da Globo. Formada por Criston Lucas (voz e guitarra), Igor Jordir (bateria) e Miguel Pacheco (baixo), a Versalle devido ao tempo curto (muito provavelmente por conta do atraso do inicio dos shows) apresentou poucas músicas, entre elas uma inédita  “Soma”, além dos clássicos “Sem Hesitar”, “Marte”, “Verde Mansidão” e “Algum Tempo Atrás”. A banda apesar do tempo corrido interagiu algumas vezes com o público que em certas alturas respondeu. Poderia ter sido um pouco melhor? Poderia, se o tempo fosse relativamente maior, mas no resumo foi um bom show tanto para os fãs que estavam no local como para aqueles que ainda não conheciam. E claro, uma boa preparação para banda seguinte.

Foto Yuri Corrêa

E finalmente a banda mais esperada da noite. A Scalene vem com a turnê do seu álbum mais recente “magnetite”, mas que também conta com alguns sucessos dos álbuns anteriores “Éter” e “Real/Surreal”. O show começa com o som da música “tempo” (do recém lançado EP +gnetite) ainda sem a banda estar no palco. Logo após, para delírio do público, sobem ao palco Gustavo Bertoni (voz e guitarra), Tomás Bertoni (guitarra e voz), Lucas Furtado (baixo e voz), Philipe “mkk” (bateria e voz) e Samyr Aissami (guitarra, teclado, percussão e voz) que começam aquela que seria uma noite de sábado agitada com “extremos pueris”, primeira faixa do atual álbum. A banda passa por vários sucessos como “esc”, “Histeria”, “Sonhador II”,” Surreal”, entre outras. A nova “zamboni” é muito bem recebida pelo público que forma rodas no meio do teatro e faz o seu famoso bate cabeça. Destaque para a balada “Entrelaços” com as luzes de celular dos fãs abrilhantando o cenário do local, a recém incluída na setlist “trilha”, e se encaminhando para o fim do show com o trio “O Peso da Pena”, “Danse Macabre” e “Legado”.

Foto Yuri Corrêa

A interação e troca de energia entre banda e fãs é notável até mesmo para aquele que ainda não a conhece. A Scalene pende entre a calmaria e a loucura, é 8 ou 80. O público mais do que empolgado acompanha nas palmas, nas rodas, nas vozes, nas luzes. Não há uma pessoa sequer no local que não estivesse exausta ao termino do show, porém ela também sabe que voltará para casa tendo a noção de que presenciou uma das melhores noites, exatamente o que a banda sabe proporcionar a todos que vão aos seus shows.

Resenha: Festival CoMA

Por Aline Barbosa (fotos) e Tayane Sampaio (texto)

De 04 a 06 de agosto, Brasília sediou o que tem tudo pra ser O FESTIVAL da cidade, assim como o Lollapalooza está para São Paulo, o Rock in Rio pro Rio de Janeiro e o Bananada para Goiânia. Só que o Festival CoMA foi muito além dos shows. Seguindo a lógica do nome, Convenção de Música e Artes, o festival se preocupou em abranger o cronograma para atividades que envolvem a indústria musical no geral, muito além da parte fonográfica. Sendo assim, quem comprou o passaporte para os três dias de evento pôde aproveitar palestras, pitches com novos artistas, oficinas e os shows, é claro.

Com estrutura gigantesca, que ocupou o espaço entre o Clube do Choro, Planetário e o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, o CoMa mostrou que já chegou querendo crescer e firmar sua marca no circuito de festivais brasileiros. O line-up foi composto por grandes nomes da música independente e muitas bandas locais. Mesmo com alguns pontos a melhorar, como o acesso da impressa e a segurança, o Festival CoMA foi uma bonita celebração da música e nós contamos pra vocês quais foram nossos shows preferidos.

EMICIDA

Emicida | Por Aline Barbosa

O rapper, que tinha uma multidão à sua espera, não decepcionou. Com um show extremamente longo para um festival, Emicida não deixou a peteca cair e fez o público participar do show inteiro. Desde 2015 divulgando o segundo álbum de estúdio, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, a apresentação do músico é extremamente dinâmica e pesada. Além da presença de palco invejável de Emicida, que circula pelo palco inteiro, o tempo todo, a banda que o acompanha é um destaque do show.

BALEIA

Baleia | Por Aline Barbosa

No seu terceiro show na Capital, o segundo promovendo o disco Atlas, a banda mostrou a força do último álbum e como cresceram no palco. No última passagem por Brasília, na festa Play!, a banda apresentou um show improvisado, pois Gabriel Vaz estava sem voz e o grupo teve que ensaiar, horas antes do show, uma apresentação sem o segundo vocalista. Com todo o time em campo, no CoMA, o Baleia mostrou toda a grandiosidade do Atlas, um álbum muito denso e conceitual. As músicas, cheias de camadas, ficam ainda mais potentes ao vivo e funcionam muito bem com as faixas do primogênito da banda, Quebra Azul. Sofia Vaz, uma das vocalistas, cresceu muito em sua performance, que está mais marcante e desenvolta.

CUATRO PESOS DE PROPINA

Cuatro Pesos de Propina | Por Aline Barbosa

Os uruguaios foram uma grata surpresa e fizeram o melhor show do festival. Lugar pequeno, público ansioso; palco pequeno, banda gigante. Logo nos primeiros acordes, a Cuatro Pesos mostrou ao que veio: fazer o povo dançar! Com uma sonoridade singular e esbanjando o ritmo latino, a banda tem uma interação ótima. O vocalista, Gastón Puentes, transborda simpatia e logo no início do show, coberto de suor, foi pro meio da galera, que foi à loucura. O grupo estava em turnê com a banda brasileira Francisco, El Hombre, que também tocou no Festival, e convidou os amigos Mateo, Sebastián e Juliana para algumas músicas. A sintonia entre o público dançante e a banda hiperativa foi tanta que, no fim do show, eles não queriam deixar o palco e saíram dançando, enquanto o pessoal da técnica aguardava para troca de palco.

 

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PicniK Festival @ Fonte da Torre de TV

Por Tayane Sampaio

Nos dias 24 e 25 de junho, a Fonte da Torre de TV, em Brasília, foi ocupada pelos moradores da Cidade. O que tirou as pessoas de casa, nesse final de semana frio de inverno, foi mais uma edição do PicniK, um dos eventos mais completos do DF.

O PicniK, que começou pequeno, como uma pequena feira de economia colaborativa, virou um evento que reúne multidões em pontos chaves da cidade, como a Praça dos Cristais, no Setor Militar Urbano, ou no Parque da Cidade. Lá você encontra de tudo: roupas, ilustrações, calçados, itens de decoração e até aplicação de piercing. O evento ainda conta com uma vasta área de alimentação, que inclui uma área com MUITAS opções veganas, além de espaços para meditação, massagem, brinquedos infláveis pra criançada e até uma tenda de música eletrônica.

A música não é o foco principal do evento, mas, ultimamente, os lineups do Festival têm atraído muitos fãs da música independente. Geralmente, a quantidade de bandas é modesta, mas a última edição foi em dose dupla, com dois dias de muita música. Depois de uma rápida cerimônia de abertura shamanica, começou a maratona de shows e, nos dois dias, assistimos às apresentações das bandas Transquarto, Brancunians, Teach Me Tiger, Firefriend, Congo Congo, Ava Rocha, Bixiga 70, Supervibe, The Raulis, The Dead Rocks, The Blank Tapes, Glue Trip, Mustache e os Apaches, O Terno, Tagore e Cassino Supernova.

O sábado começou com a viagem transcendental da Transquarto. O quarteto brasiliense, formado por Davi Mascarenhas (guitarra), Pepy Araújo (bateria), Gata Marques (baixo) e Tarso Jones (teclado) passa por várias sonoridades, por meio de suas experimentações. Até o momento, o grupo tem apenas um trabalho lançado, o EP Entre Baleias, que conta com duas faixas, mas só nesses quase vinte minutos de som, a banda já te prende com uma apresentação cheia de camadas.

Continuando com a prata da casa, a Brancunians foi a próxima banda a subir no palco. De chapéu, GAP GAP (voz e guitarra), Ana Laura Rodrigues (sintetizadores), Victor Chater (bateria), Rodrigo da Cruz (guitarra) e Fabio Resende (baixo) tocaram músicas de seu trabalho de estreia, +bsb, que tem um pé na psicodelia.

Logo depois, o trio mineiro Teach Me Tiger, formado por Chris Martins (voz e sintetizadores), Yannick Falisse (guitarra e voz) e Felipe Continentino (bateria), fez sua estreia em solo brasiliense. A apresentação da banda seguiu a tônica do disco de estreia, Two Sides: um bonito e harmonioso contraste entre a leveza do dream pop e o peso  do trip hop, que, misturados à outras sonoridades, resultam em um som extremamente sexy.

Julia Grassetti (voz e baixo), Caca Amaral (bateria) e Yury Hermuche (voz e guitarra), da Firefriend, subiram no palco do PicniK após o trio mineiro. O som denso, meio destoante e cheio de ruídos dos paulistanos segurou a onda da viagem do Teach Me Tiger e preparou o público pra brisa do Congo Congo.

Firefriend | Por Tayane Sampaio

O Congo Congo é composto por nomes de peso da cena belorizontina: André Travassos (voz e guitarra), Victor Magalhães (teclado), Gustavo Cunha (guitarra), Yannick Falisse (baixo), Leonardo Marques (guitarra) e Pedro Hamdan (bateria). A banda não cai na mesmice do psicodélico, que é um dos subgêneros mais saturados da atualidade, e consegue dar uma cara nova e legal para o estilo. A agitação do vocalista, que se movimenta bastante no palco, convida o público para dançar. O show terminou em clima de festa, com a participação de Yury Hermuche.

Performática e poderosa, Ava Rocha fez um dos shows mais esperados do dia. A cada música cantada, uma peça de roupa do figurino de Ava ia para o chão. A artista exala confiança e domina o palco e o público, que tem a oportunidade de vê-la bem de perto e até de contribuir com seu ritual. O público foi ao delírio com a apresentação, principalmente nas músicas do autêntico Ava Patrya Yndia Yracema, último álbum lançado pela cantora.

Encerramos a noite com um palco cheio, ocupado pelos músicos do Bixiga 70. Décio 7 (bateria), Rômulo Nardes (percussão), Gustávo Cék (percussão), Marcelo Dworecki (baixo), Mauricio Fleury (teclas e guitarra), Cris Scabello (guitarra), Cuca Ferreira (saxofone barítono), Daniel Nogueira (saxofone tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete) levaram a plateia à loucura. O instrumental dançante do grupo animou e aqueceu o público, que lotou a lona de circo em que o palco estava montado.

Congo Congo | Por Tayane Sampaio

O domingo começou com mais uma promessa da nova safra de bandas DF, a Supervibe. Sand Lêycia (bateria), João Ramalho (voz e guitarra) e Deivison Alves (baixo) apresentaram as canções de seu EP de estreia, Clarão. O psicodélico mais pesado da banda proporciona um show intenso, mas que tem alguns momentos mais leves e divertidos, com um indie rock bem executado.

Ava Rocha | Por Tayane Sampaio

Os veteranos da The Dead Rocks chegaram com tudo no palco do PicniK. Com direito a uniforme e a coreografias ensaiadas, Johnny Crash (guitarra), Paul Punk (baixo) e Marky Wildstone (bateria) animaram o público. Apesar do visual à la Beatles, o trio apresentou um set super dinâmico de surf music.

Na sequência, os recifenses do The Raulis deram continuidade à onda de surf music instrumental iniciada pela Dead Rocks. Em formato de trio, Arthur Soares (guitarra), Rafael Cunha (bateria) e Gabriel Izidoro (baixo) trouxeram a sensação de beira de praia pro centro da Capital Federal.

Os americanos da The Blank Tapes fizeram um show extremamente condizente com o clima leve de fim de tarde de um domingo. Matt Adams (voz e guitarra) e companhia mostraram uma gostosa psicodelia litorânea, cheia de solos de guitarra.

A Glue Trip, que é da Paraíba, deu continuidade ao clima praiano deixado pelas bandas anteriores, mas com muito mais calor, peso e energia. Com um dos melhores shows do Festival, a banda sabe muito bem transpor as músicas para o palco e fazer o público dançar e se envolver com a performance. Lucas Moura (voz e guitarra), Gabriel Araújo (baixo e voz), Uirá Garcia (guitarra, sintetizador e voz) e CH Malves (bateria) contaram com a ajuda do público pra cantar várias músicas e, em “Elbow Pain”, rolou a participação de uma mini fã, que surgiu do público, vestida de princesa e com uma guitarra de plástico em mãos. Um dos momentos mais bonitos e significativos do final de semana.

Em uma pausa na psicodelia, os paulistas da Mustache e os Apaches transformaram a tenda do PicniK em uma grande festa. Axel Flag (voz, percussão e viola), Jack Rubens (bandolim, lap steel, dobro, guitarra e voz), Lumineiro  (washboard, bateria e voz), Pedro Pastoriz (banjo, guitarra, kazoo e voz) e Tomas Oliveira (contrabaixo, piano e voz) bebem do folk raíz, mas transformam isso em uma linguagem totalmente nova. Um grupo grande, com vários instrumentos inusitados, em que todo mundo canta. A “bagunça” do palco terminou no público, pois a banda finalizou a apresentação do melhor jeito possível: no meio da galera.

O Terno | Por Tayane Sampaio

O clima da euforia deixado pelo show suado da Mustache e os Apaches só cresceu, pois agora o público se amontoava à espera d’O Terno. Tim Bernardes (voz e guitarra), Guilherme d’Almeida (baixo) e Biel Basile  (bateria), que tinham tocado na Cidade há pouco tempo, com o Boogarins, foram recebidos com muitos gritos dos fãs. O frisson do público, que começou antes do trio subir ao palco, se estendeu durante todo o show. Em alguns momentos, os fãs cantavam mais alto que Tim.

O penúltimo show do Festival ficou por conta dos pernambucanos da Tagore. Em turnê para divulgar o disco Pineal, Tagore Suassuna (voz, violão e guitarra), Julio Castilho (baixo, guitarra e teclado), Caramuru Baumgartner (percussão e teclado), Alexandre Barros (bateria e sample) e João Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados) chegaram em Brasília com energia pra dar e vender. O quinteto, que diz ter referências que vão de Tom Zé a Tame Impala, mostra um rock psicodélico totalmente abrasileirado, cheio de sonoridades pertencentes à música nacional, principalmente a nordestina. Pulando de um lado pro outro, com os cabelos na cara e de pés descalços, o frontman do grupo incita a plateia a curtir e interagir com o som tanto quanto ele faz no palco.

O encerramento da edição do PicniK Festival foi especial e cheia de significado. O Cassino Supernova, grupo super conhecido e respeitado na cena brasiliense, fez um show em homenagem ao Pedro Souto, prolífico músico brasiliense e baixista da banda, que faleceu no começo do ano. Gustavo Halfeld (guitarra), Raphael Valadares (guitarra), Márlon Tugdual (bateria) e Gorfo (voz), apresentaram os sucessos da banda, já conhecidos e cantados por um grupo expressivo de pessoas que ficaram para ver a banda.

Depois de dois dias de muita música e energia boa, fica a expectativa pra próxima edição do Festival!

Resenha: The Maine @ Arena Futebol Clube

Por Gabriel Menezes e Tayane Sampaio

Brasília pode te proporcionar algumas experiências interessantes. Tipo ir no show de uma banda gringa que tem quase 800.000 likes no Facebook, mas parecer que você está no show daquela banda do underground nacional, que ainda tem poucos, mas fervorosos, fãs. Isso praticamente resume o show do The Maine em Brasília.

Na última sexta-feira (21), os estadunidenses fizeram o pequeno palco do Arena Futebol Clube ficar gigante.  Em turnê com o novo disco, Lovely Little Lonely, a banda voltou ao Brasil pela quinta vez, apesar dessa apresentação ter sido a estreia do quinteto em Brasília. O show, com clima intimista, virou praticamente um culto, tamanha a dedicação dos fãs em cantar (muito) alto todos os versos de todas as músicas.

Os integrantes do The Maine não foram os primeiros a subir no palco, pois a abertura ficou por conta de Michael Band. Michael, que estava acompanhado apenas de seu violão, fez uma apresentação encantadora. O folk muito bem tocado conquistou os ouvidos da plateia, que, apesar da ansiedade para a apresentação principal, recebeu muito bem o músico e até fez alguns pedidos de música. O cantor, que se declarou fã do grupo do Arizona, foi escolhido pela própria banda para abrir os shows de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

Michael Band | Por Tayane Sampaio

Logo depois do show de Michael e dos devidos ajustes no palco, foi a vez do The Maine aparecer, minutos depois dos fãs puxarem um coro apaixonado de “Into Your Arms”. John O’Callaghan, o vocalista do grupo, começou o show pedindo pra galera guardar os celulares e curtir um show de rock como as pessoas faziam antes dos smartphones. A banda já abriu o show com muita energia, ao som de “Black Butterflies & Dèjà Vu”, faixa do novo álbum, que os fãs cantaram a plenos pulmões. Em seguida, eles tocaram “Am I Pretty?”, que fez as poucas pessoas que estavam mais contidas também tirarem o pé do chão.

The Maine | Por Tayane Sampaio

Não é só John que tem uma presença de palco impecável, a sinergia dos músicos é fantástica. Garrett Nickelsen (baixo), Kennedy Brock (guitarra), Jared Monaco (guitarra) e Pat Kirch (bateria) não param um segundo e também não deixam o público ficar parado. John disse que queria ver todo mundo suando e realmente conseguiu. Logo no começo do show, em “Like We Did (Windows Down)”, ele subiu na grade e dividiu o microfone com o público. Os fãs retribuíram o carinho e a entrega da banda com balões brancos, durante a balada “(Un)Lost”.

The Maine | Por Tayane Sampaio

Durante toda a apresentação, houve uma troca de energia muito boa entre público e banda. Kennedy e Garrett eram só sorrisos. A animação estava tão grande que o quinteto deixou a triste “Raining in Paris” fora do setlist e tocou “Taxi”, música que nunca tinha sido tocada ao vivo e era uma das mais pedidas pelos fãs brasileiros, desde que a tour começou.

Um dos pontos altos da apresentação foi “Girls Do What They Want”, um clássico do grupo. Nessa hora, o vocalista já tinha se desfeito da jaqueta e da camiseta e foi assim que ele foi parar no meio da galera, rodeado pelos fãs que gritavam a letra da música e pulavam sem parar. John voltou ao palco com dois ajudantes, Tatyana e Fillipe, pra terminar de cantar a música no palco.

O show reuniu canções de vários momentos da banda, de discos mais recentes até os mais antigos. O pedido de “zero phones” de O’Callaghan foi ignorado, mas, ainda assim, foi um momento muito bonito de conexão entre artista e fã. Depois de pouco mais de uma hora de total catarse, a despedida foi ao som de “Another Night on Mars”.

O show é um dos que vale muito a pena ver ao vivo. Sem dúvidas, foi uma noite memorável. Os caras amam o Brasil e, provavelmente, vão voltar em breve. Então, se você ainda não foi a um show do The Maine, não perde a próxima chance!

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Festival CoMA: Brasília anuncia grande festival, confira o Line-Up

Por Gabriel Menezes | @menezessgabriel

O Brasil tem sido palco de grandes festivais e agora é a vez de Brasília, em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (22/6) foi anunciado o line-up e todas informações sobre Festival CoMAConvenção de Música e Arte.

A proposta é atrair os holofotes para capital durante o final de semana de 4 a 6 de agosto, com mais de 50 shows e 36 painéis, a programação reúne representantes da música de diversos estilos e traz grandes profissionais da área para falar sobre o mercado.

Lenine e Emicida são os headliners do festival, que conta com grandes nomes da música brasileira, como Clarice Falcão, Scalene, Silva e Far From Alaska. Além dos vários artistas nacionais, o CoMA também terá atrações internacionais como a banda O’Brother (foto). Confira o line-up completo logo abaixo:

O festival também será uma ótima oportunidade para quem busca conhecimento e network com programadores de festivais, imprensa e compradores de música. Serão 36 painéis, onde acontecerão palestras, debates e rodadas de negócios. Bandas poderão se inscrever para serem avaliadas por selos e terem orientação sobre administração de carreira, criação artística e comunicação por profissionais de renome em sessões de mentoring.

Serão cinco palcos localizados em pontos turísticos de Brasília (Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Funarte, Clube do Choro e Planetário).  Valores de R$ 10 (1 dia), R$ 50 (VIP – 1 dia), R$ 80 (VIP – 2 dias) e R$ 125 (credencial conferência 2 dias – passaporte completo). Compra de ingressos pelo site http://festivalcoma.com.br/

Resenha: Guns N’ Roses @Estádio Mané Garrincha

Por Bruno Britto

E havia quem dissesse que o Guns N’ Roses nunca mais seria o mesmo.

Domingo, dia 20 de novembro, foi último show da turnê “Not In This Lifetime Tour” em terras tupiniquins. O local escolhido para tal encerramento foi o Estádio Nacional de Brasília, o Mané Garrincha, e o que ocorreu foi realmente digno de tal palco.

Desde cedo observávamos a presença dos fãs no local, tanto em filas como na área externa do estádio, confraternizando e compartilhando a ansiedade. O evento foi bastante organizado, com as filas fluindo de forma surpreendentemente rápidas e bastante sinalizado.

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O show de abertura ficou por conta dos brasilienses da Plebe Rude, que fez um show bastante empolgado, principalmente por estarem tocando em casa. O público, apesar da casa ainda não estar cheia, aplaudida bastante. A banda mostrou muita maturidade e uma excelente relação com a platéia, que já ficou bastante animada para o que vinha a seguir.

Eram por volta das 20h45 quando foi ouvido o primeiro grito de Axl Rose, que entrou no palco acompanhado de Slash, Duff Mckagan, Frank Ferrer, Richard Fortus, Dizzy Reed e Melissa Reese. Ao som de “It’s So Easy”, a banda iniciou o show, para delírio dos presentes. Logo em seguida, executaram “Mr. Brownstone” e a faixa que deu o nome ao último álbum, “Chinese Democracy”, cantada em uníssono pelos presentes. O público já estava completamente rendido ao Guns N’ Roses nesse ponto.

Axl mostrou que realmente recuperou bastante da sua qualidade vocal ao cantar “Welcome To The Jungle”, que levou a galera ao delírio, já emendando com a agitada “Double Talkin’ Jive”. Em seguida, o clima ficou um pouco mais lento, com a belíssima “Sorry”. “Better”, “Estranged”, “Live and Let Die” e “Rocket Queen” não deixaram ninguém ficar desanimado, mesmo que a chuva, bastante forte antes do show, já retornasse, ainda que tímida.

Logo após tocarem “You Could Be Mine”, vemos Duff Mckagan tomar a frente (e vocais) da banda para ouvirmos  “Can’t Put Your Arms Around A Memory” e “Attitude”. Após isso, os versos iniciais de “This I love” chegaram para emocionar a todos os presentes, com destaque para o solo magistral de Slash. “Used To Love Her” também foi muito bem recebida por todos, com um clima inclusive de nostalgia. Porém, foi em “Civil War” que a banda chegou ao ápice do show, sendo a música da noite. “Coma” também não ficou atrás, sendo a banda ovacionada ao perceberem que a música seria tocada.

Após tantos clássicos, Slash nos presenteia com um solo e o tema de “The Godfather”, para depois performar os riffs de “Sweet Child o’ Mine” para completo delírio do público presente no Mané Garrincha, que cantarolava até o solo da música. “Out Ta Get Me” veio para dar uma acalmada nos ânimos, até que Slash e Richard Fortus fizeram o instrumental de “Wish You Were Here”, do Pink Floyd. E como tocou esse Fortus! O guitarrista saiu extremamente consagrado após o show, sendo bastante elogiado por todos.

Em um momento bastante simbólico, a chuva na capital federal voltou, trazendo com ela a bela “November Rain”, em um momento emocionante, onde era possível observar grande parcela do público em lágrimas. “Yesterdays” também continuou a onda de emoção, sendo uma das grandes surpresas do setlist e abrindo as portas para uma das mais esperadas da noite, “Knockin’ On Heavens Door”, momento de maior interação da banda com os fãs. “Nightrain” veio depois e encerrou a primeira parte do show, onde a banda saiu do palco agradecendo a todos.

A gritos de “Guns-N’-Roses” do público, o grupo voltou executando “Angie” e a balada “Patience”, tão famosa por sua introdução. “The Seeker”, do lendário grupo The Who e “Paradise City” vieram para encerrar de vez o show.

O público saiu bastante satisfeito e alegria era contagiante. Muitos, inclusive, ainda ficaram na área externa do estádio, em um momento de muita euforia e de felicidade. Pelo que foi observado, Brasília vai falar desse show por muito tempo.


Gostaria de agradecer ao amigo, e riffeiro por um dia, Saymon Oliveira pelo auxílio nas fotos e vídeos.

setlist

Guns N’ Roses Setlist Estádio Mané Garrincha, Brasília, Brazil 2016, Not in This Lifetime