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Resenha: Scalene, Versalle, Alarmes e Delittus no @Teatro Mars

Por Camila Borges / Fotos Yuri Corrêa

Se você queria um show de rock com casa cheia, com muita energia e vitalidade, sem dúvida você encontraria no Teatro Mars (casa de shows muito conhecida em São Paulo) no último sábado (21). O destaque da noite era a Banda Scalene com a turnê de seu último álbum de estúdio “magnetite” (2017), sendo o primeiro show do ano na capital paulista. Além disso, a banda lançou recentemente uma extensão do seu álbum intitulado “+gnetite” na última sexta-feira (20).

Mas antes da atração principal tivemos três bandas de ótima qualidade mostrando seu trabalho, são elas Delittus, Alarmes e Versalle. A casa, programada para abrir às 17 horas, teve um levo atraso de mais ou menos 40 minutos, o que pode ter resultado na redução de tempo de uma bandas de abertura.

A primeira banda a se apresentar foi a Delittus, que nasceu em 2006 na cidade de Novo Hamburgo/RS, mas que desde 2010 reside em São Paulo. Já se ouvia o som ainda quando o público adentrava o local. Formada por Matt Chelios (voz e guitarra), Burn Eidelwein (guitarra e voz), Johny Silva (baixo) e Fell Rios (bateria), a banda apresentou músicas como “Se um Dia”, “O Mesmo Sol”, “My Name is Human” (cover de Highly Suspect), “Teu silêncio”, “Me dê um Sinal”, “Se te faz Feliz” e a mais aclamada e conhecida pelos fãs “O Impossível”. Talvez a banda fosse um pouco diferente no som em comparação as próximas que viriam a seguir, mas com seu rock melódico conseguiram animar o público que já se encontrava empolgado.

Foto Max Laux

A segunda banda da noite foi a Alarmes. Diretamente da capital do país, formada por Arthur Brenner (voz e guitarra), Lucas Reis (baixo) e Gabriel Pasqua (bateria), possui um EP, um álbum de estúdio, e esse ano lançou dois singles “” e “Évora”. Sendo uma das bandas que vem forte na atual cena brasiliense e com muitos shows na bagagem (inclusive uma turnê na Espanha e Portugal), a mesma lança uma abertura explosiva ao som da intro de “Black Skinhead” de Kanye West onde o público já começa a se animar. Logo após vem com as baladas “Incerteza de um Encontro Qualquer”, “”, “Gruta”, “Sem Querer Dizer”, “A Carta”, “Mas não Sei” onde o público acompanha no refrão, “Évora” onde já se forma uma roda no meio do Teatro Mars, e encerrando sua apresentação com “Cada um Por Si”. A banda sabe como prender o público, mesmo aquele que ainda não a conhecia, e principalmente interagir e fazer com que cada parte do seu corpo se mexa de acordo com a melodia. Para quem ainda não conhece é melhor começar a ouvir.

Foto Yuri Corrêa

A terceira banda é a Versalle, banda de rock formada em Porto Velho/RO , uma curiosidade é que de inicio havia a proposta de ser uma banda cover. Mas que graças ao vocalista Criston resolveu mudar apenas para autorais (e a gente agradece). A banda ficou mais conhecida após a participação no programa Superstar, da Globo. Formada por Criston Lucas (voz e guitarra), Igor Jordir (bateria) e Miguel Pacheco (baixo), a Versalle devido ao tempo curto (muito provavelmente por conta do atraso do inicio dos shows) apresentou poucas músicas, entre elas uma inédita  “Soma”, além dos clássicos “Sem Hesitar”, “Marte”, “Verde Mansidão” e “Algum Tempo Atrás”. A banda apesar do tempo corrido interagiu algumas vezes com o público que em certas alturas respondeu. Poderia ter sido um pouco melhor? Poderia, se o tempo fosse relativamente maior, mas no resumo foi um bom show tanto para os fãs que estavam no local como para aqueles que ainda não conheciam. E claro, uma boa preparação para banda seguinte.

Foto Yuri Corrêa

E finalmente a banda mais esperada da noite. A Scalene vem com a turnê do seu álbum mais recente “magnetite”, mas que também conta com alguns sucessos dos álbuns anteriores “Éter” e “Real/Surreal”. O show começa com o som da música “tempo” (do recém lançado EP +gnetite) ainda sem a banda estar no palco. Logo após, para delírio do público, sobem ao palco Gustavo Bertoni (voz e guitarra), Tomás Bertoni (guitarra e voz), Lucas Furtado (baixo e voz), Philipe “mkk” (bateria e voz) e Samyr Aissami (guitarra, teclado, percussão e voz) que começam aquela que seria uma noite de sábado agitada com “extremos pueris”, primeira faixa do atual álbum. A banda passa por vários sucessos como “esc”, “Histeria”, “Sonhador II”,” Surreal”, entre outras. A nova “zamboni” é muito bem recebida pelo público que forma rodas no meio do teatro e faz o seu famoso bate cabeça. Destaque para a balada “Entrelaços” com as luzes de celular dos fãs abrilhantando o cenário do local, a recém incluída na setlist “trilha”, e se encaminhando para o fim do show com o trio “O Peso da Pena”, “Danse Macabre” e “Legado”.

Foto Yuri Corrêa

A interação e troca de energia entre banda e fãs é notável até mesmo para aquele que ainda não a conhece. A Scalene pende entre a calmaria e a loucura, é 8 ou 80. O público mais do que empolgado acompanha nas palmas, nas rodas, nas vozes, nas luzes. Não há uma pessoa sequer no local que não estivesse exausta ao termino do show, porém ela também sabe que voltará para casa tendo a noção de que presenciou uma das melhores noites, exatamente o que a banda sabe proporcionar a todos que vão aos seus shows.

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Resenha: Festival CoMA

Por Aline Barbosa (fotos) e Tayane Sampaio (texto)

De 04 a 06 de agosto, Brasília sediou o que tem tudo pra ser O FESTIVAL da cidade, assim como o Lollapalooza está para São Paulo, o Rock in Rio pro Rio de Janeiro e o Bananada para Goiânia. Só que o Festival CoMA foi muito além dos shows. Seguindo a lógica do nome, Convenção de Música e Artes, o festival se preocupou em abranger o cronograma para atividades que envolvem a indústria musical no geral, muito além da parte fonográfica. Sendo assim, quem comprou o passaporte para os três dias de evento pôde aproveitar palestras, pitches com novos artistas, oficinas e os shows, é claro.

Com estrutura gigantesca, que ocupou o espaço entre o Clube do Choro, Planetário e o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, o CoMa mostrou que já chegou querendo crescer e firmar sua marca no circuito de festivais brasileiros. O line-up foi composto por grandes nomes da música independente e muitas bandas locais. Mesmo com alguns pontos a melhorar, como o acesso da impressa e a segurança, o Festival CoMA foi uma bonita celebração da música e nós contamos pra vocês quais foram nossos shows preferidos.

EMICIDA

Emicida | Por Aline Barbosa

O rapper, que tinha uma multidão à sua espera, não decepcionou. Com um show extremamente longo para um festival, Emicida não deixou a peteca cair e fez o público participar do show inteiro. Desde 2015 divulgando o segundo álbum de estúdio, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, a apresentação do músico é extremamente dinâmica e pesada. Além da presença de palco invejável de Emicida, que circula pelo palco inteiro, o tempo todo, a banda que o acompanha é um destaque do show.

BALEIA

Baleia | Por Aline Barbosa

No seu terceiro show na Capital, o segundo promovendo o disco Atlas, a banda mostrou a força do último álbum e como cresceram no palco. No última passagem por Brasília, na festa Play!, a banda apresentou um show improvisado, pois Gabriel Vaz estava sem voz e o grupo teve que ensaiar, horas antes do show, uma apresentação sem o segundo vocalista. Com todo o time em campo, no CoMA, o Baleia mostrou toda a grandiosidade do Atlas, um álbum muito denso e conceitual. As músicas, cheias de camadas, ficam ainda mais potentes ao vivo e funcionam muito bem com as faixas do primogênito da banda, Quebra Azul. Sofia Vaz, uma das vocalistas, cresceu muito em sua performance, que está mais marcante e desenvolta.

CUATRO PESOS DE PROPINA

Cuatro Pesos de Propina | Por Aline Barbosa

Os uruguaios foram uma grata surpresa e fizeram o melhor show do festival. Lugar pequeno, público ansioso; palco pequeno, banda gigante. Logo nos primeiros acordes, a Cuatro Pesos mostrou ao que veio: fazer o povo dançar! Com uma sonoridade singular e esbanjando o ritmo latino, a banda tem uma interação ótima. O vocalista, Gastón Puentes, transborda simpatia e logo no início do show, coberto de suor, foi pro meio da galera, que foi à loucura. O grupo estava em turnê com a banda brasileira Francisco, El Hombre, que também tocou no Festival, e convidou os amigos Mateo, Sebastián e Juliana para algumas músicas. A sintonia entre o público dançante e a banda hiperativa foi tanta que, no fim do show, eles não queriam deixar o palco e saíram dançando, enquanto o pessoal da técnica aguardava para troca de palco.

 

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PicniK Festival @ Fonte da Torre de TV

Por Tayane Sampaio

Nos dias 24 e 25 de junho, a Fonte da Torre de TV, em Brasília, foi ocupada pelos moradores da Cidade. O que tirou as pessoas de casa, nesse final de semana frio de inverno, foi mais uma edição do PicniK, um dos eventos mais completos do DF.

O PicniK, que começou pequeno, como uma pequena feira de economia colaborativa, virou um evento que reúne multidões em pontos chaves da cidade, como a Praça dos Cristais, no Setor Militar Urbano, ou no Parque da Cidade. Lá você encontra de tudo: roupas, ilustrações, calçados, itens de decoração e até aplicação de piercing. O evento ainda conta com uma vasta área de alimentação, que inclui uma área com MUITAS opções veganas, além de espaços para meditação, massagem, brinquedos infláveis pra criançada e até uma tenda de música eletrônica.

A música não é o foco principal do evento, mas, ultimamente, os lineups do Festival têm atraído muitos fãs da música independente. Geralmente, a quantidade de bandas é modesta, mas a última edição foi em dose dupla, com dois dias de muita música. Depois de uma rápida cerimônia de abertura shamanica, começou a maratona de shows e, nos dois dias, assistimos às apresentações das bandas Transquarto, Brancunians, Teach Me Tiger, Firefriend, Congo Congo, Ava Rocha, Bixiga 70, Supervibe, The Raulis, The Dead Rocks, The Blank Tapes, Glue Trip, Mustache e os Apaches, O Terno, Tagore e Cassino Supernova.

O sábado começou com a viagem transcendental da Transquarto. O quarteto brasiliense, formado por Davi Mascarenhas (guitarra), Pepy Araújo (bateria), Gata Marques (baixo) e Tarso Jones (teclado) passa por várias sonoridades, por meio de suas experimentações. Até o momento, o grupo tem apenas um trabalho lançado, o EP Entre Baleias, que conta com duas faixas, mas só nesses quase vinte minutos de som, a banda já te prende com uma apresentação cheia de camadas.

Continuando com a prata da casa, a Brancunians foi a próxima banda a subir no palco. De chapéu, GAP GAP (voz e guitarra), Ana Laura Rodrigues (sintetizadores), Victor Chater (bateria), Rodrigo da Cruz (guitarra) e Fabio Resende (baixo) tocaram músicas de seu trabalho de estreia, +bsb, que tem um pé na psicodelia.

Logo depois, o trio mineiro Teach Me Tiger, formado por Chris Martins (voz e sintetizadores), Yannick Falisse (guitarra e voz) e Felipe Continentino (bateria), fez sua estreia em solo brasiliense. A apresentação da banda seguiu a tônica do disco de estreia, Two Sides: um bonito e harmonioso contraste entre a leveza do dream pop e o peso  do trip hop, que, misturados à outras sonoridades, resultam em um som extremamente sexy.

Julia Grassetti (voz e baixo), Caca Amaral (bateria) e Yury Hermuche (voz e guitarra), da Firefriend, subiram no palco do PicniK após o trio mineiro. O som denso, meio destoante e cheio de ruídos dos paulistanos segurou a onda da viagem do Teach Me Tiger e preparou o público pra brisa do Congo Congo.

Firefriend | Por Tayane Sampaio

O Congo Congo é composto por nomes de peso da cena belorizontina: André Travassos (voz e guitarra), Victor Magalhães (teclado), Gustavo Cunha (guitarra), Yannick Falisse (baixo), Leonardo Marques (guitarra) e Pedro Hamdan (bateria). A banda não cai na mesmice do psicodélico, que é um dos subgêneros mais saturados da atualidade, e consegue dar uma cara nova e legal para o estilo. A agitação do vocalista, que se movimenta bastante no palco, convida o público para dançar. O show terminou em clima de festa, com a participação de Yury Hermuche.

Performática e poderosa, Ava Rocha fez um dos shows mais esperados do dia. A cada música cantada, uma peça de roupa do figurino de Ava ia para o chão. A artista exala confiança e domina o palco e o público, que tem a oportunidade de vê-la bem de perto e até de contribuir com seu ritual. O público foi ao delírio com a apresentação, principalmente nas músicas do autêntico Ava Patrya Yndia Yracema, último álbum lançado pela cantora.

Encerramos a noite com um palco cheio, ocupado pelos músicos do Bixiga 70. Décio 7 (bateria), Rômulo Nardes (percussão), Gustávo Cék (percussão), Marcelo Dworecki (baixo), Mauricio Fleury (teclas e guitarra), Cris Scabello (guitarra), Cuca Ferreira (saxofone barítono), Daniel Nogueira (saxofone tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete) levaram a plateia à loucura. O instrumental dançante do grupo animou e aqueceu o público, que lotou a lona de circo em que o palco estava montado.

Congo Congo | Por Tayane Sampaio

O domingo começou com mais uma promessa da nova safra de bandas DF, a Supervibe. Sand Lêycia (bateria), João Ramalho (voz e guitarra) e Deivison Alves (baixo) apresentaram as canções de seu EP de estreia, Clarão. O psicodélico mais pesado da banda proporciona um show intenso, mas que tem alguns momentos mais leves e divertidos, com um indie rock bem executado.

Ava Rocha | Por Tayane Sampaio

Os veteranos da The Dead Rocks chegaram com tudo no palco do PicniK. Com direito a uniforme e a coreografias ensaiadas, Johnny Crash (guitarra), Paul Punk (baixo) e Marky Wildstone (bateria) animaram o público. Apesar do visual à la Beatles, o trio apresentou um set super dinâmico de surf music.

Na sequência, os recifenses do The Raulis deram continuidade à onda de surf music instrumental iniciada pela Dead Rocks. Em formato de trio, Arthur Soares (guitarra), Rafael Cunha (bateria) e Gabriel Izidoro (baixo) trouxeram a sensação de beira de praia pro centro da Capital Federal.

Os americanos da The Blank Tapes fizeram um show extremamente condizente com o clima leve de fim de tarde de um domingo. Matt Adams (voz e guitarra) e companhia mostraram uma gostosa psicodelia litorânea, cheia de solos de guitarra.

A Glue Trip, que é da Paraíba, deu continuidade ao clima praiano deixado pelas bandas anteriores, mas com muito mais calor, peso e energia. Com um dos melhores shows do Festival, a banda sabe muito bem transpor as músicas para o palco e fazer o público dançar e se envolver com a performance. Lucas Moura (voz e guitarra), Gabriel Araújo (baixo e voz), Uirá Garcia (guitarra, sintetizador e voz) e CH Malves (bateria) contaram com a ajuda do público pra cantar várias músicas e, em “Elbow Pain”, rolou a participação de uma mini fã, que surgiu do público, vestida de princesa e com uma guitarra de plástico em mãos. Um dos momentos mais bonitos e significativos do final de semana.

Em uma pausa na psicodelia, os paulistas da Mustache e os Apaches transformaram a tenda do PicniK em uma grande festa. Axel Flag (voz, percussão e viola), Jack Rubens (bandolim, lap steel, dobro, guitarra e voz), Lumineiro  (washboard, bateria e voz), Pedro Pastoriz (banjo, guitarra, kazoo e voz) e Tomas Oliveira (contrabaixo, piano e voz) bebem do folk raíz, mas transformam isso em uma linguagem totalmente nova. Um grupo grande, com vários instrumentos inusitados, em que todo mundo canta. A “bagunça” do palco terminou no público, pois a banda finalizou a apresentação do melhor jeito possível: no meio da galera.

O Terno | Por Tayane Sampaio

O clima da euforia deixado pelo show suado da Mustache e os Apaches só cresceu, pois agora o público se amontoava à espera d’O Terno. Tim Bernardes (voz e guitarra), Guilherme d’Almeida (baixo) e Biel Basile  (bateria), que tinham tocado na Cidade há pouco tempo, com o Boogarins, foram recebidos com muitos gritos dos fãs. O frisson do público, que começou antes do trio subir ao palco, se estendeu durante todo o show. Em alguns momentos, os fãs cantavam mais alto que Tim.

O penúltimo show do Festival ficou por conta dos pernambucanos da Tagore. Em turnê para divulgar o disco Pineal, Tagore Suassuna (voz, violão e guitarra), Julio Castilho (baixo, guitarra e teclado), Caramuru Baumgartner (percussão e teclado), Alexandre Barros (bateria e sample) e João Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados) chegaram em Brasília com energia pra dar e vender. O quinteto, que diz ter referências que vão de Tom Zé a Tame Impala, mostra um rock psicodélico totalmente abrasileirado, cheio de sonoridades pertencentes à música nacional, principalmente a nordestina. Pulando de um lado pro outro, com os cabelos na cara e de pés descalços, o frontman do grupo incita a plateia a curtir e interagir com o som tanto quanto ele faz no palco.

O encerramento da edição do PicniK Festival foi especial e cheia de significado. O Cassino Supernova, grupo super conhecido e respeitado na cena brasiliense, fez um show em homenagem ao Pedro Souto, prolífico músico brasiliense e baixista da banda, que faleceu no começo do ano. Gustavo Halfeld (guitarra), Raphael Valadares (guitarra), Márlon Tugdual (bateria) e Gorfo (voz), apresentaram os sucessos da banda, já conhecidos e cantados por um grupo expressivo de pessoas que ficaram para ver a banda.

Depois de dois dias de muita música e energia boa, fica a expectativa pra próxima edição do Festival!

Resenha: The Maine @ Arena Futebol Clube

Por Gabriel Menezes e Tayane Sampaio

Brasília pode te proporcionar algumas experiências interessantes. Tipo ir no show de uma banda gringa que tem quase 800.000 likes no Facebook, mas parecer que você está no show daquela banda do underground nacional, que ainda tem poucos, mas fervorosos, fãs. Isso praticamente resume o show do The Maine em Brasília.

Na última sexta-feira (21), os estadunidenses fizeram o pequeno palco do Arena Futebol Clube ficar gigante.  Em turnê com o novo disco, Lovely Little Lonely, a banda voltou ao Brasil pela quinta vez, apesar dessa apresentação ter sido a estreia do quinteto em Brasília. O show, com clima intimista, virou praticamente um culto, tamanha a dedicação dos fãs em cantar (muito) alto todos os versos de todas as músicas.

Os integrantes do The Maine não foram os primeiros a subir no palco, pois a abertura ficou por conta de Michael Band. Michael, que estava acompanhado apenas de seu violão, fez uma apresentação encantadora. O folk muito bem tocado conquistou os ouvidos da plateia, que, apesar da ansiedade para a apresentação principal, recebeu muito bem o músico e até fez alguns pedidos de música. O cantor, que se declarou fã do grupo do Arizona, foi escolhido pela própria banda para abrir os shows de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

Michael Band | Por Tayane Sampaio

Logo depois do show de Michael e dos devidos ajustes no palco, foi a vez do The Maine aparecer, minutos depois dos fãs puxarem um coro apaixonado de “Into Your Arms”. John O’Callaghan, o vocalista do grupo, começou o show pedindo pra galera guardar os celulares e curtir um show de rock como as pessoas faziam antes dos smartphones. A banda já abriu o show com muita energia, ao som de “Black Butterflies & Dèjà Vu”, faixa do novo álbum, que os fãs cantaram a plenos pulmões. Em seguida, eles tocaram “Am I Pretty?”, que fez as poucas pessoas que estavam mais contidas também tirarem o pé do chão.

The Maine | Por Tayane Sampaio

Não é só John que tem uma presença de palco impecável, a sinergia dos músicos é fantástica. Garrett Nickelsen (baixo), Kennedy Brock (guitarra), Jared Monaco (guitarra) e Pat Kirch (bateria) não param um segundo e também não deixam o público ficar parado. John disse que queria ver todo mundo suando e realmente conseguiu. Logo no começo do show, em “Like We Did (Windows Down)”, ele subiu na grade e dividiu o microfone com o público. Os fãs retribuíram o carinho e a entrega da banda com balões brancos, durante a balada “(Un)Lost”.

The Maine | Por Tayane Sampaio

Durante toda a apresentação, houve uma troca de energia muito boa entre público e banda. Kennedy e Garrett eram só sorrisos. A animação estava tão grande que o quinteto deixou a triste “Raining in Paris” fora do setlist e tocou “Taxi”, música que nunca tinha sido tocada ao vivo e era uma das mais pedidas pelos fãs brasileiros, desde que a tour começou.

Um dos pontos altos da apresentação foi “Girls Do What They Want”, um clássico do grupo. Nessa hora, o vocalista já tinha se desfeito da jaqueta e da camiseta e foi assim que ele foi parar no meio da galera, rodeado pelos fãs que gritavam a letra da música e pulavam sem parar. John voltou ao palco com dois ajudantes, Tatyana e Fillipe, pra terminar de cantar a música no palco.

O show reuniu canções de vários momentos da banda, de discos mais recentes até os mais antigos. O pedido de “zero phones” de O’Callaghan foi ignorado, mas, ainda assim, foi um momento muito bonito de conexão entre artista e fã. Depois de pouco mais de uma hora de total catarse, a despedida foi ao som de “Another Night on Mars”.

O show é um dos que vale muito a pena ver ao vivo. Sem dúvidas, foi uma noite memorável. Os caras amam o Brasil e, provavelmente, vão voltar em breve. Então, se você ainda não foi a um show do The Maine, não perde a próxima chance!

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Festival CoMA: Brasília anuncia grande festival, confira o Line-Up

Por Gabriel Menezes | @menezessgabriel

O Brasil tem sido palco de grandes festivais e agora é a vez de Brasília, em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (22/6) foi anunciado o line-up e todas informações sobre Festival CoMAConvenção de Música e Arte.

A proposta é atrair os holofotes para capital durante o final de semana de 4 a 6 de agosto, com mais de 50 shows e 36 painéis, a programação reúne representantes da música de diversos estilos e traz grandes profissionais da área para falar sobre o mercado.

Lenine e Emicida são os headliners do festival, que conta com grandes nomes da música brasileira, como Clarice Falcão, Scalene, Silva e Far From Alaska. Além dos vários artistas nacionais, o CoMA também terá atrações internacionais como a banda O’Brother (foto). Confira o line-up completo logo abaixo:

O festival também será uma ótima oportunidade para quem busca conhecimento e network com programadores de festivais, imprensa e compradores de música. Serão 36 painéis, onde acontecerão palestras, debates e rodadas de negócios. Bandas poderão se inscrever para serem avaliadas por selos e terem orientação sobre administração de carreira, criação artística e comunicação por profissionais de renome em sessões de mentoring.

Serão cinco palcos localizados em pontos turísticos de Brasília (Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Funarte, Clube do Choro e Planetário).  Valores de R$ 10 (1 dia), R$ 50 (VIP – 1 dia), R$ 80 (VIP – 2 dias) e R$ 125 (credencial conferência 2 dias – passaporte completo). Compra de ingressos pelo site http://festivalcoma.com.br/

Resenha: Guns N’ Roses @Estádio Mané Garrincha

Por Bruno Britto

E havia quem dissesse que o Guns N’ Roses nunca mais seria o mesmo.

Domingo, dia 20 de novembro, foi último show da turnê “Not In This Lifetime Tour” em terras tupiniquins. O local escolhido para tal encerramento foi o Estádio Nacional de Brasília, o Mané Garrincha, e o que ocorreu foi realmente digno de tal palco.

Desde cedo observávamos a presença dos fãs no local, tanto em filas como na área externa do estádio, confraternizando e compartilhando a ansiedade. O evento foi bastante organizado, com as filas fluindo de forma surpreendentemente rápidas e bastante sinalizado.

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O show de abertura ficou por conta dos brasilienses da Plebe Rude, que fez um show bastante empolgado, principalmente por estarem tocando em casa. O público, apesar da casa ainda não estar cheia, aplaudida bastante. A banda mostrou muita maturidade e uma excelente relação com a platéia, que já ficou bastante animada para o que vinha a seguir.

Eram por volta das 20h45 quando foi ouvido o primeiro grito de Axl Rose, que entrou no palco acompanhado de Slash, Duff Mckagan, Frank Ferrer, Richard Fortus, Dizzy Reed e Melissa Reese. Ao som de “It’s So Easy”, a banda iniciou o show, para delírio dos presentes. Logo em seguida, executaram “Mr. Brownstone” e a faixa que deu o nome ao último álbum, “Chinese Democracy”, cantada em uníssono pelos presentes. O público já estava completamente rendido ao Guns N’ Roses nesse ponto.

Axl mostrou que realmente recuperou bastante da sua qualidade vocal ao cantar “Welcome To The Jungle”, que levou a galera ao delírio, já emendando com a agitada “Double Talkin’ Jive”. Em seguida, o clima ficou um pouco mais lento, com a belíssima “Sorry”. “Better”, “Estranged”, “Live and Let Die” e “Rocket Queen” não deixaram ninguém ficar desanimado, mesmo que a chuva, bastante forte antes do show, já retornasse, ainda que tímida.

Logo após tocarem “You Could Be Mine”, vemos Duff Mckagan tomar a frente (e vocais) da banda para ouvirmos  “Can’t Put Your Arms Around A Memory” e “Attitude”. Após isso, os versos iniciais de “This I love” chegaram para emocionar a todos os presentes, com destaque para o solo magistral de Slash. “Used To Love Her” também foi muito bem recebida por todos, com um clima inclusive de nostalgia. Porém, foi em “Civil War” que a banda chegou ao ápice do show, sendo a música da noite. “Coma” também não ficou atrás, sendo a banda ovacionada ao perceberem que a música seria tocada.

Após tantos clássicos, Slash nos presenteia com um solo e o tema de “The Godfather”, para depois performar os riffs de “Sweet Child o’ Mine” para completo delírio do público presente no Mané Garrincha, que cantarolava até o solo da música. “Out Ta Get Me” veio para dar uma acalmada nos ânimos, até que Slash e Richard Fortus fizeram o instrumental de “Wish You Were Here”, do Pink Floyd. E como tocou esse Fortus! O guitarrista saiu extremamente consagrado após o show, sendo bastante elogiado por todos.

Em um momento bastante simbólico, a chuva na capital federal voltou, trazendo com ela a bela “November Rain”, em um momento emocionante, onde era possível observar grande parcela do público em lágrimas. “Yesterdays” também continuou a onda de emoção, sendo uma das grandes surpresas do setlist e abrindo as portas para uma das mais esperadas da noite, “Knockin’ On Heavens Door”, momento de maior interação da banda com os fãs. “Nightrain” veio depois e encerrou a primeira parte do show, onde a banda saiu do palco agradecendo a todos.

A gritos de “Guns-N’-Roses” do público, o grupo voltou executando “Angie” e a balada “Patience”, tão famosa por sua introdução. “The Seeker”, do lendário grupo The Who e “Paradise City” vieram para encerrar de vez o show.

O público saiu bastante satisfeito e alegria era contagiante. Muitos, inclusive, ainda ficaram na área externa do estádio, em um momento de muita euforia e de felicidade. Pelo que foi observado, Brasília vai falar desse show por muito tempo.


Gostaria de agradecer ao amigo, e riffeiro por um dia, Saymon Oliveira pelo auxílio nas fotos e vídeos.

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Guns N’ Roses Setlist Estádio Mané Garrincha, Brasília, Brazil 2016, Not in This Lifetime