Resenha: Porão do Rock 2017

Por Aline Barbosa (fotos) e Tayane Sampaio (texto)

O que tinha tudo pra ser um dia de muita música e diversão, se tornou uma noite caótica. A 20ª edição do Porão do Rock, que aconteceu sábado (25), em Brasília (DF), ficou marcada pela chuva, atrasos, problemas técnicos e cancelamentos.

O descontentamento começou pelo bar. Apesar de ter vários foodtrucks no espaço do evento, com muitas opções para alimentação, o bar era exclusivo do Festival e os preços estavam salgados: a garrafa de água custava R$ 6,00 e a lata de energético, da marca Red Bull, estava R$18,00(!!!).

Às 15h, horário marcado para abertura dos palcos Budweiser e Brasília Capital do Rock, uma pequena fila já se formava na entrada principal do Festival. Fila que só foi crescendo, já que os portões foram abertos com mais de duas horas de atraso. Enquanto isso, do lado de dentro, o BaianaSystem ainda passava o som e o vocalista, Russo Passapusso, demonstrava insatisfação por não conseguir passar o som como queria.

Com quase três horas de atraso, foi dado início à programação do Palco Budweiser. Todas as bandas tiveram o tempo de show reduzido, com intuito de diminuir o atraso. Na primeira música, a banda Lupa já enfrentou problemas com equipamento desligando e até com queda de energia no palco. Do outro lado, no Palco Claro, a Ego Kill Talent passou algumas horas tentando ajeitar as coisas.

No decorrer da noite, os palcos Brasília Capital do Rock e Budweiser foram fechados, por conta da chuva, e alguns equipamentos foram danificados. Daí em diante, todos os shows deveriam acontecer no Palco Claro, mas o evento foi encerrado com o BaianaSystem, que fez um show extremamente prejudicado pelos equipamentos defeituosos, a ponto de não se conseguir entender o que o vocalista falava, devido às caixas de som estouradas. Sem qualquer aviso oficial ao público, tanto no evento quanto na fanpage, os shows do Black Alien, Krisiun, Deceivers e Dark Avengers foram cancelados.

Mesmo com estrutura gigantesca, o público do festival foi tímido, ainda mais depois da chuva torrencial e da sequência de raios e relâmpagos que iluminaram o céu de Brasília. Sem lugar pra se abrigar, quem estava na área VIP correu para o camarote, e quem estava na pista comum tentou se esconder nas tendas da praça de alimentação, que não cabia muita gente. Mesmo com todos os problemas, boa parte do público permaneceu no local para curtir os shows, como os fãs da Dona Cislene, que enfrentaram a chuva cantando alto.

Confira, abaixo, quais foram nossos shows preferidos do Porão do Rock 2017.

O TAROT

O grupo, que foi um dos vencedores da terceira e última Seletiva de Bandas, organizada pelo Festival, só confirmou o que já vem mostrando pelos palcos da Cidade: que é um dos destaques da nova cena musical de Brasília. Com um show bem pensado, enérgico e divertido, O Tarot animou o público que estava no Palco Claro. Algumas pessoas, na grade, trajando camisetas da banda, ficaram um bom tempo ali, guardando lugar pra ver tudo o mais perto do palco possível.

Com visual cigano, Caio Chaim (voz e teclados), Lucas Gemelli (guitarra, acordeon e backing vocal), Victor Neves (baixo), Vinicius Pires (guitarra) e Vítor Tavares (bateria) levaram músicos convidados para abrilhantar mais a apresentação. Tom Suassuna (violino), Isadora Pina (saxofone) e Isabella Pina (percussão) ajudaram o grupo na performance.

O Tarot | Por Aline Barbosa

A entrega dos músicos no palco é um ponto forte da banda, que se movimenta e interage bastante. Caio, o vocalista, é bem performático e soube aproveitar os espaços vazios do palco, sempre indo de encontro aos companheiros de banda, que pareciam se divertir muito tocando. Mesmo correndo de um lado pro outro, Caio consegue segurar o tranco e manter o bom desempenho vocal.

O Tarot tocou algumas músicas de seu primeiro EP, Zero (2016), que tem uma sonoridade dançante, que transborda ritmos latinos. “Certezas Supostas”, “Ballet de Barraco” e “Cabeceira” foram os destaques da apresentação.

EGO KILL TALENT

Com passagens pelos festivais mais importantes do País, além de passagens pela França, Reino Unido, Holanda, Portugal e Espanha, o Ego Kill Talent tocou pela primeira vez em Brasília. O grupo, de São Paulo, foi um dos mais aguardados no Palco Claro.

Jonathan Correa (vocal), Raphael Miranda (bateria e baixo), Theo van der Loo (guitarra e baixo), Jean Dolabella (bateria e guitarra) e Niper Boaventura (baixo e guitarra) conseguem fazer um show dinâmico, mesmo com as trocas de instrumento, que quase passam despercebidas.

Ego Kill Talent | Por Aline Barbosa

O grupo tocou algumas músicas de seu primeiro álbum, homônimo, que foi lançado este ano. Com uma sonoridade que passa por vários subgêneros clássicos do rock, como o grunge e o stoner, o EKT realiza um show versátil, com vários momentos, mesmo tendo um som mais pesado, carregado nas guitarras.

Sem dúvidas, o público gostou do que ouviu. Quando você olhava pra grade, via pessoas gritando as letras junto com o vocalista, ajudando a banda com palmas no ritmo da música e de olhos vidrados no palco, pra não perder um segundo sequer do show.

BRAZA

O grupo carioca, que tem feito shows lotados por onde passa, apresentou o Tijolo por Tijolo (2017) aos brasilienses. O Braza foi um dos primeiros shows que realmente encheu, depois da Elza Soares. O público do Palco Claro cantou junto com a banda e cantou alto, bem alto. Isso surpreendeu, principalmente pela sonoridade da banda não se encaixar no “padrão” Porão do Rock.

Danilo Cutrim (guitarra e voz), Vitor Isensee (teclados e voz) e Nícolas Christ (bateria), acompanhados pelo baixista Pedro Lobo, fizeram o público dançar durante todo o show. Sem muito tempo pra desperdiçar, o grupo emendou uma música na outra e o público, ligado, acompanhou o ritmo frenético. Assim como acompanhavam o reggae de Danilo na dança, o pessoal ia à loucura com as rimas de Vitor.

Braza | Por Aline Barbosa

Conhecidos por shows quentes, os músicos se empolgaram durante a apresentação. Se empolgaram tanto que Vitor desceu do palco e foi pra grade e, depois, pro meio da galera, que o recebeu de braços abertos.

Além de tocar as músicas do álbum mais recente, o trio não deixou de tocar os sucessos do primeiro álbum, Braza (2016). Pra finalizar, os cariocas mandaram uma sequência de hits: “Jaya”, “Ela me Chamou para Dançar um Ragga” e “Segue o Baile”, que deixou o público em êxtase.

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Observação: devido aos atrasos (que causaram choque de horários), distância do palco e chuva, infelizmente não vimos os shows do Palco Brasília Capital do Rock.

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Brasilia Sessions surpreende em sua última edição do ano

Por Tayane Sampaio

Se você acompanha as resenhas que postamos aqui no site, provavelmente já conhece o Brasilia Sessions. Quem não conhece, tá perdendo tempo! O projeto, que sempre promove novos artistas locais e proporciona o intercâmbio musical entre artistas de todo o país, dessa vez, trará à Capital três artistas gringos. Em parceria com o Norsk Fest, evento que acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro, e com apoio da Embaixada da Noruega no Brasil, a nona edição do Brasilia Sessions apresentará os noruegueses Sondre Lerche, Greni, e Alexander von Mehren, além da incrível banda brasiliense Oxy.

Sondre Lerche retorna ao país para apresentar seu último trabalho, o dançante Pleasure (2017), um álbum carregado no synthpop. Sondre, que tem uma relação próxima com a música brasileira, desde o início de sua jornada musical, já se apresentou em Recife, Fortaleza, São Paulo e Porto Alegre, em 2015.

Greni, ex-vocalista da banda de rock Bigbang, também já esteve no Brasil. Essa será sua quarta visita ao País, segunda como artista solo. Muitas vezes intitulado como representante da surf music norueguesa, Oystein Greni está divulgando seu último disco, Pop Noir, lançado também este ano.

O pianista, compositor e produtor Alexander Von Mehren fecha o line-up norueguês dessa edição do Brasília Sessions. Alexander tocará músicas do seu álbum de estreia, Aéropop (2013), além de novas composições.

A prata da casa, dessa vez, é a surpreendente Oxy. Do shoegaze ao dreampop, passando pelo psicodélico, a banda, que teve sua estreia no começo do ano, está ganhando os palcos da Cidade e os ouvidos de quem acompanha a cena local. Liderada por Sara Cândido e Blandu Correira, a Oxy representará muito bem a efervescente cena musical brasiliense.

A venda dos ingressos já está acontecendo, pela plataforma Sympla, e os preços variam de R$ 35,00 (meia-entrada, segundo lote) a R$ 100,00 (ingresso + meet and greet com Sondre Lerche ou Greni). O primeiro lote de ingressos está esgotado.

SERVIÇO
Ingressos: http://bit.ly/BrasiliaSessions-NorskFest
Data: 02/12/2017 (sábado)
Horário: a partir das 21h
Local: Canteiro Central
Mais informações: http://www.facebook.com/brasiliasessions

Entrevista: Aloizio e a Rede

Por Tayane Sampaio

Existem alguns momentos só nossos, em que criamos universos individuais pra fugir de todo o caos ao nosso redor. Nessas horas, encontramos silêncio no barulho, achamos a solidão na multidão. Mas, como fugir quando o olho do furacão está dentro da gente?

No clipe de “o filme q eu não quero ver”, Aloizio perambula por alguns dos lugares mais movimentados de Brasília: Rodoviária do Plano Piloto, Setor Comercial Sul e Eixão. As locações contrastam com a solidão do protagonista, que tenta fugir de si mesmo em meio à multidão, mas, no fim das contas, sozinho, expurga suas dores por meio de uma confissão cantada.

Dirigido e gravado por Thaís Mallon, e com produção de Gustavo Pastorino e do próprio cantor, o clipe é a primeira produção audiovisual do próximo álbum do brasiliense, que agora responde como Aloizio e a Rede.

Após o show de pré-lançamento do clipe, que aconteceu em Brasília, dia 09/11, conversamos com o músico sobre o novo single e essa nova fase de sua carreira. Confira, abaixo, o clipe e a entrevista.

Primeiro, mate a nossa curiosidade. Já tem previsão de quando sai o álbum? Já está finalizado? Já tem um nome?
O nome do disco é Sombra Cega e vai sair, provavelmente, entre março e abril do ano que vem. Já finalizamos as músicas, mas não gravamos ainda. Vamos gravar depois do Réveillon, no Rio de Janeiro.

Você tinha uma banda de apoio, mas sempre assinou como um artista solo. O que é “A Rede” e como ela vai funcionar?
Então, a carreira solo aconteceu meio que sem querer. O Lafusa parou de tocar e eu tinha umas músicas e resolvi que eu queria gravá-las. Comecei gravando sozinho, no meu quarto, todos os instrumentos. Só que eu não estava gostando, estava ficando muito Lafusa ainda. Aí comecei a fazer shows aleatórios, tocando músicas que eu gostava e outras antigas também. Um belo dia o Samyr Aissami perguntou se poderia tocar bateria comigo, ele nunca tinha tocado bateria em nenhuma banda, e eu topei. Depois, eu chamei o Pedro Broggini, que era um amigo de São Paulo, e o Felipe Fernandes, que era um amigo muito antigo do Rio; a gente acabou se juntando e já era uma banda. Pro Esquina do Mundo, compomos tudo juntos, eu sempre fiquei meio incomodado… Até discutimos isso, antes de lançar, e eles acharam que eu tinha que assinar como Aloizio, só que aí várias pessoas começaram chamar de “banda Aloizio”, então eu percebi que era isso. Eu preciso valorizar essas pessoas de alguma forma, daí veio essa ideia de “A Rede”, porque, além dos três estarem comigo sempre, o disco envolveu muita gente. Eu viajei muito, então conheci um monte de gente no caminho e acaba que todo show eu toco com pessoas diferentes, todo show é diferente, e eu acho que isso é o diferencial da parada. Os meninos, Samyr, Felipe e Pedro, são os oficiais, eles que compõem comigo, eles são A Rede oficial. Mas, nos shows, não tem como, vai continuar sendo uma mistura de músicos.

Por que “o filme q eu não quero ver” foi escolhida como o primeiro single? Pra você, o que essa música significa dentro do álbum?
Eu fiquei muito tempo produzindo música eletrônica, quando me mudei pro Rio. Era uma coisa que eu nunca tinha feito, música totalmente sozinho. A Débora [amiga do Aloizio] foi lá pro Rio e ficamos uma noite conversando sobre problemas de relacionamento, e aí eu comecei a pensar sobre autorresponsabilidade, de parar de culpar o outro pelo que acontece com a gente e ser mais consciente. Eu fiquei pensando muito nisso, comecei a entrar num momento super nostálgico. Ela foi dormir, eu apaguei a luz da sala, tava com o estúdio montado lá, e dei o REC. Tudo escuro, eu escrevi as três primeiras frases no computador e, quando terminei, eu fiquei uma meia hora escutando em looping, e chorando pra caraca… de repente, eu não queria mais chorar, eu falei “Nossa, acho que foi!”. Depois, eu mandei a música e pedi opinião pra umas três pessoas, a versão demo mesmo, que eu tô emocionado pra caramba, e todo mundo ficou meio sem saber o que falar. Eu toquei a música pro público, pela primeira vez, no Sofar Sounds de Sorocaba e, quando eu comecei a tocar, a galera começou a sair da sala… Quando terminou, demoraram pra aplaudir, eles tavam muito… sabe quando todo mundo fica com o olhar perdido, porque lembrou de alguma coisa? No fim do show, a galera fez quase uma fila pra comentar da música e eu percebi que ela tinha tido um grande impacto em mim e, ocasionalmente, em outras pessoas. Todo lugar que eu toquei, a música teve essa força. Eu achei que era pertinente falar sobre isso agora, falar sobre autorresponsabilidade.

As imagens do clipe casam perfeitamente com as emoções que a música passam. O resultado final foi o esperado, desde o começo, ou houve muitas mudanças? Como foi o processo de criação do clipe (as ideias foram só suas ou mais alguém interferiu)?
A primeira coisa que eu pensei foi em trabalhar com esse lance de luz e sombra, porque eu tinha visto um vídeo do Moses Sumney, acho que é do NOWNESS, que fizeram um contra luz que dá a sensação de vazio, só a silhueta dele. Quando eu vi aquilo, eu falei “Caraca, é isso!”, porque isso de eu nunca aparecer é justamente pra pessoa sentir que é ela também, que ela se preenche naquele vazio, de alguma forma. E a música é isso, preencher o vazio, nem que seja só a constatação. De cara, foi isso. Eu queria que fosse filmado por uma mulher e não tinha como ser outra pessoa, principalmente porque com a Thaís eu tenho essa facilidade de termos referências parecidas. Quando eu mandei pra ela, Moses Sumney, sombra, pôr do sol de Brasília, ela já veio com o Pinterest lotado de coisa e, apesar da ideia inicial, eu deixei nas mãos dela.

Você é de Brasília, mas está morando em São Paulo, atualmente. No contexto do clipe e da música, São Paulo seria a locação perfeita. Por que você escolheu gravar em Brasília?
Foi pra trabalhar com a Thaís. De primeira, eu pensei em São Paulo, mas acho que, cada vez mais, eu tô nesse processo de identificação e, por mais que eu more em SP, esse aqui é meu bairro, então acho que a experiência aqui é muito mais profunda pra mim. Eu representaria SP de uma forma muito subjetiva. Apesar de morar lá há muito tempo, eu ainda não conheço perfeitamente. Mas, caminhar sozinho no meio da Rodoviária é uma solidão esquisitamente absurda. Brasília tá sempre vazia, de repente você encontra todo mundo e aí você poderia se sentir acolhido, de alguma forma, mas acaba cada um em um universo completamente diferente. Tem uma cena no clipe, que sou eu caminhando naquela parte do comércio da Rodoviária e as pessoas que passam por mim são inacreditáveis. Não sei, ficou um retrato muito forte do Brasil. São 120 quadros por segundo, é muito lento. Passa uma mulher muito preocupada, com uma blusa da Avon, escrito “fale comigo”, e aí passa um cara, que você vê que ele tá muito cansado, com roupa de trabalho, mas ainda são quatro da tarde, ele deve estar correndo pra fazer alguma coisa, enfim… em Brasília, eu saberia onde ir pra me sentir daquela forma.

Esse single destoa das músicas do Esquina do Mundo que, no geral, é um álbum bastante ensolarado. Qual a vibe do próximo álbum? Está mais pra Esquina do Mundo ou pra “o filme q eu não quero ver”?
É diferente. Eu quis fazer esse segundo disco como se fosse o meu primeiro. Vivendo no mundo da música, toda hora você escuta as pessoas falando em suprir as necessidades do mercado e eu preferi que fosse da forma mais sincera possível. O lance do Sombra Cega é exatamente isso de luz e sombra, Yin-yang, então, você vai ter o sol e vai ter as trevas, acho que não tem meio do caminho. A ideia é mostrar os extremos. Essa música que eu cantei pra minha mãe, por exemplo, assim como no “o filme q eu não quero ver”, o foco é no que está sendo falado, que é uma parada que eu passei a gostar quando eu comecei a pesquisar hip hop acapella.

Então você diria que a alma desse próximo disco está nas letras?
Então, Yin-yang, vai ter as duas coisas. O disco novo tem um lado mais canção, que no outro não tinha tanto. A Rede sempre parte do pressuposto que a primeira ideia é sempre a ruim e a segunda, provavelmente, também. A gente costuma seguir depois da terceira, então, teremos canções, mas também vai ter muita experimentação sonora, que é o que torna divertido fazer essa parada.

Eu costumo associar o Esquina do Mundo com o mar. Não sei explicar, mas é uma coisa que penso sempre que escuto esse álbum. Pra você, o novo álbum lembra o quê?
Transe. A gente não compôs percussão pro Esquina do Mundo. Chegamos pra gravar, o Samyr achou umas congas no corredor do estúdio e começou a tocar e ele sabia fazer, mesmo sem nunca ter tocado antes. Resolvemos levar pra dentro do estúdio e ficou incrível, daí decidimos gravar. Levamos isso pro show e virou o diferencial. Isso mexeu muito comigo, até comecei a me policiar, porque eu tava fazendo show de costas pro publico, pra assistir o que tava acontecendo. Eu comecei a viver uns momentos meio espirituais tocando, eu não sabia explicar direito e hoje eu tenho uma leve noção do que acontece. Acho que o segundo disco tem canções que surgiram desse momento em que eu entro em transe. Eu acho que o disco tem essa vibe, que é o que eu tento trazer pro show, de ficar com as pessoas em outro lugar, só que ao mesmo tempo. Acho que é isso. Todo mundo entrar em transe, mas pra um lugar melhor.

Suas influências do primeiro pro segundo álbum mudaram muito? Fala aí um(a) artista que você descobriu nesse meio tempo e que acabou influenciando nessa nova fase.
Muito. Acho que, principalmente, a Fiona Apple e o disco The Idler Wheel…. Quando eu cheguei pra gravar as vozes do Esquina do Mundo, em Los Angeles, eu entrei no carro do meu amigo, pra ir pro estúdio, e ele colocou esse disco, dizendo que era a melhor referência pra gravar vozes. Acho que ela e a Elis Regina foram minhas grandes influências, porque as duas são “o filme q eu não quero ver”, isso de cantar com tudo o que você tem, não se importar com nada, deixar doer o tanto que dá pra doer. É uma música, ela acaba, pode ir lá que você volta. A Elis sempre foi uma influência muito grande e eu não reconhecia. Todo mundo falou muito de Cazuza, no Esquina do Mundo. Eu achei engraçado, mas, se você olhar, tem algumas coisas, o blues abrasileirado. Metá Metá foi foda de conhecer, também. Eu tive uma conversa rápida, uma vez, com o Kiko Dinucci e com o Guilherme Kastrup, e eles me contaram sobre o processo deles fazendo o disco da Elza Soares, que é a mesma ideia que eu tenho com os meninos, de desconstruir. Todo mundo é roqueiro, mas a gente não escuta mais rock, como balanceia isso? Eles são assim também, só que estão muito à frente, arriscando, sabe? Eles são bem mais velhos que a gente e estão se arriscando muito mais. Vai ter umas loucuras no disco, talvez a maioria das pessoas não gostem, mas a gente gosta.

Aproveitando o momento indicação, qual foi sua última descoberta da música brasileira?
Tem duas coisas que me impressionaram de primeira, quando eu escutei. A primeira, o Bolhazul, aqui de Brasília, eu descobri sem querer, no YouTube. A outra é uma banda do Rio, que até lançou um disco essa semana, a Astro Venga. Eles são um trio, como se fosse, sei lá, o The Jimi Hendrix Experience, só que eles tocam música brasileira.

Você está com um projeto de música eletrônica, assinando como LØWZ. Como surgiu a vontade de fazer esse tipo de musica? O próximo álbum vai ter alguma influência disso?
Eu fui pros Estados Unidos gravar o primeiro disco meio que sozinho, na louca. Juntei uma grana e resolvi fazer isso. Um amigo trabalhava em um estúdio, em LA, e disse que eu poderia gravar de graça com ele. Eu comecei a ir pro estúdio e tava lá o Diplo, o Chris Brown, e eu comecei a ver, de longe, como essa galera trabalhava e meu amigo começou a me explicar tudo. É um processo muito certinho, tem os beatmakers, os producers, os songwriters… eles produzem umas vinte músicas por dia, se dividem em grupos. Eu percebi uma maneira de compor que eu nunca tinha feito, que é sentar, listar o que a música tem que ter e fazer. Eu percebi que várias pessoas estavam produzindo sozinhas e decidi fazer isso, quando eu voltasse pro Brasil. Isso me possibilitou trabalhar com outras pessoas e virar produtor mesmo, eu tô trabalhando com um monte de gente, que vai na minha casa gravar, de pop, a beat, dub, hip hop… Isso me abriu um leque de opções e a ideia é experimentar. Acho que, no Sombra Cega, ainda não vai estar tão explícito.

Isso começou mais como um exercício de criatividade do que uma parada de inspiração, então?
Sim. Eu já tenho uns dois discos prontos, como LØWZ, mas eu ainda não consigo organizar, porque as ideias têm um lado bem pop mesmo e outro bem dark, tipo música eletrônica experimental.

O bloco de carnaval que você faz parte, o Divinas Tetas, foi sucesso total e continua tirando a galera de casa, mesmo depois do carnaval. Quais são os próximos passos desse projeto?
O Divinas Tetas é uma coisa totalmente sem controle, a gente tá começando a entender agora o que aconteceu. A coisa tomou uma proporção muito maluca, a gente tocou no CoMA, o festival dos melhores da música autoral… A gente tem pretensão de transformar em várias coisas, mas queremos amadurecer mais. Queremos transformar em um espetáculo, com mais performance, tentando contar, de alguma forma, a história daquele momento do Brasil, que estamos vivendo de novo, por acaso. Também vamos lançar um EP autoral, eu já fiz a primeira música. Não sabemos se vai dar tempo de gravar pro carnaval. Estamos vendo como vai funcionar compor em treze pessoas. O bloco quer sair viajando pelo Brasil, se divertindo, fazendo carnaval.

Você toca em São Paulo, dia 26, com Baleia e Scalene. É muito doido, porque o público-alvo das bandas é bem diferente e muito parecido, ao mesmo tempo. O que a galera pode esperar do Aloizio e a Rede nesse dia, principalmente quem ainda não conhece o seu trabalho? você preparou um show específico pra esse dia?
Acho que Baleia e A Rede têm uma conexão, um caminho musical parecido. Scalene, na verdade, só veio de outro canto, que é muito mais rock, mas acabaram de lançar um disco muito mais puxado pra música brasileira. Acho que isso vem, obviamente, dos meninos terem passado a escutar mais música brasileira. Esse show, na verdade, representa exatamente esse momento, em que a gente pode ser diferente e tocar junto e ao mesmo tempo estamos cada vez mais criando uma identidade do que é produzido aqui. O Scalene estar soando mais brasileiro já mostra que a banda se arrisca e isso abre portas pro pensamento de outras bandas também, pois eles estão próximos de muita gente do cenário independente. Eu fiquei muito feliz quando soube que esse show ia acontecer. Apesar de ser de Brasília, estou vivendo muito forte a cena de SP; Scalene vive a cena do Brasil inteiro; e Baleia é o maior representante do RJ. É muito massa esse encontro. Rola uma preocupação, mas as outras vezes que toquei com Scalene foram bem diferentes, tanto de fazer um show mais pesado e perceber que a galera esperava algo mais leve, como ter feito um show mais instrospectivo, achar que não tinham gostado, e depois saber que a galera tinha curtido muito. Mas tenho a sensação de estar nivelado, o “Sombra Cega” tem coisas muito pesadas e a gente vai tocar, mas também vai rolar “o filme q eu não quero ver”, pra galera dar uma chorada.

Escute Aloizio e a Rede:

RESENHA: CASTELLO BRANCO @TEATRO IPANEMA

Por Natalia Salvador 

No início de outubro, Castello Branco lançou seu segundo CD. Com 11 faixas e uma capa incrível, o disco vem colecionando elogios e críticas positivas. No último dia 7 de novembro, era a vez do Rio de Janeiro desfrutar do Sintoma ao vivo e não fez feio: duas sessões esgotas – até demais – em plena terça-feira. Não seria por menos!

A fila dava voltas na porta do Teatro Ipanema e a hora foi extrapolada para acomodar todos dentro do estabelecimento. Mesmo com atraso e vendo que nem todos teriam lugar, o público estava animado para o show.  Eu fui bailarina durante 10 anos e ouvir os 3 sinais, mesmo que da plateia, ainda me dão borboletas no estômago. Era hora de começar.

Antes de Lucas entrar, os músicos que o acompanhavam tomaram lugar enquanto um belo texto era declamado nas caixas de som. A música que abriu o espetáculo foi Assuma, em seguida Mãeana subiu ao palco para cantar Providência. O amor e admiração entre os dois transbordava, era, definitivamente, um momento mágico!

Castello Branco e Mãeana @2017

Na sequência, Tem Mais que Eu – música do CD Serviço, de 2013 – e Não Me Confunda animaram a plateia, que já não estava tão confortável nas cadeiras e acompanhou o cantor, mesmo que tímida, na dança. Claramente aquela noite não era pra se desfrutar sentada em fileiras. Castello Branco é emocionante, é ritmo, é emoção, é o corpo que se manifesta! Em um dos momentos de troca com o público, Lucas falou de seu processo de composição e seguiu com Kdq, dedicando a uma pessoa especial em sua vida, Lôu Caldeira.

A noite foi cheia de momentos incríveis e emocionantes. Luiza Brina, Thiago Barros, Ricardo Braga, Ico dos Anjos e Tomás Tróia, acompanhavam Lucas. Mas, a presença que mais iluminou aquele lugar, sem dúvidas, foi a de Verônica Bonfim. O Peso do Meu Coração ganhou uma performance de fazer qualquer um sorrir involuntariamente.

Castello Branco e Verônica Bonfim @2017

Crer-Sendo e Cara a Cara também estiveram presentes no setlist. A segunda sessão precisava começar, mesmo que ali ninguém quisesse ir embora. Necessidade foi a responsável por fechar a noite e levou todo mundo para a beira do palco. Foi, finalmente, o momento de extravasar toda a energia e alegria que aquele momento nos proporcionava.

O momento mágico deixou um gostinho de quero mais. Acho que, além de mim, o público espera Castello Branco voltar em um outro tipo de ambiente. Ei, Lucas, vem dançar com a gente mais uma vez!

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Resenha: Daughter @Circo Voador

Por Hiram Alem | Fotos: Eduardo Magalhães/Queremos

Os portões se abriram às 21h no Circo Voador (Rio de Janeiro) e o público chegava aos poucos naquela véspera de feriado. Dentro do Circo havia um stand da Queremos! vendendo produtos com a marca da plataforma e vários posters da Daughter para serem levados de graça pelo público.

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Antes do atração principal, quem abriu foi Mari Romano, uma artista que reúne em sua banda diversos nomes experientes na música brasileira como Marcelo Callado e Gustavo Benjão. A sonoridade é brasileiríssima, remetendo muito às décadas passadas da mpb mas com aquela pegada indie. A presença de palco e bom humor da Mari ajudavam a criar um clima descontraído, conversando e brincando com o público, ela dançava e pulava o tempo todo junto com as músicas. O show ainda contou com a participação de Pedro Pastoriz, também do mesmo selo de Mari, a paulista “Risco”.

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Às 23h em ponto, fazendo jus à nacionalidade da banda, o trio inglês entra no palco. No primeiro minuto de New Ways, a música de abertura, já dava pra perceber que a banda era impecável ao vivo e não deixava absolutamente nada a desejar para o som de estúdio, evocando atmosfera etérea, “dream-like” tão característica deles. O público cantava junto em quase todas as músicas. Gritos de “angel!” e “linda” ecoavam a cada intervalo entre as músicas, deixando a vocalista Elena sorrindo de alegria e timidez. Na hora de interagir com o público, sua voz e movimentos eram muito mais contidos, tímidos, mas transbordando carisma e sorrisos contagiantes.

De todos os momentos, talvez o ápice do show tenha sido quando a banda tocou Youth e todos cantavam a plenos pulmões e de celulares acesos. Uma curiosidade é que a banda não tocou nenhuma de suas músicas do seu álbum mais recente, The Calm Before the Storm, mas isso talvez se deva ao fato dele ter sido lançado em setembro desse ano (2017). Por fim, encerraram o show com a dançante Fossa, que botou todo mundo pra se mexer.

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Após o fim do show, os fãs se amontoaram na saída para esperar pelos integrantes que, após algum tempo, apareceram e carinhosamente assinaram todos os posteres e tiraram selfies com todo mundo, sorrindo, abraçando e conversando. Durante a conversa com os fãs, o baterista Remi Aguilella se revelou fã de bandas brasileiras como Sepultura, Soulfly e… Cansei de Ser Sexy!. Após garantir meu autógrafo e fotos, retornei para casa já ansioso pela próxima vez

Na turnê brasileira a banda se apresentou ainda em São Paulo, no dia 15, e no dia 16, em Porto Alegre.


setlist

Daughter Setlist Circo Voador, Rio de Janeiro, Brazil 2017

 

Resenha: Liniker + Letrux @Circo Voador

Por Fernanda Alves

Duas palavras definem a última noite de sexta no circo voador: Lacre e climão. Não há outra forma de descrever, só se deixar “bagunçar”!

Letrux abriu o espetáculo mostrando seu novo trabalho: “Letrux – em noite de climão”, de nome extremamente apropriado para ocasião. Sua voz marcante e sua presença performática contagiaram o público numa espécie de catarse coletiva. Entre sorrisos falsos, versos marcados pela ironia, deboche, libertação e sussurros eróticos, um convite a mergulhar nas pistas de dança. Não havia quem ficasse parado ou indiferente às suas letras e canções, claramente inspirado pela temática da separação, mas exploradas com leveza e humor (longe da sofrência dos sertanejos). Do começo ao fim do show, a cantora, que se jogou nos braços (literalmente) da plateia, manteve a energia lá em cima de uma forma vibrante.

Depois da pausa pra se recompor após o furacão Letrux, Liniker subiu ao palco ao som de Remonta, sucesso de seu mais recente álbum. E o que podemos dizer sem parecer clichê?

Quem esteve no Circo viu o quanto impactante é vê-lx e ouvi-lx !

O show do Liniker e os Caramelows é uma experiência desafiadora e transformadora. Sua imagem indefinível elimina a existência do gênero, embaralhando convicções. É a voz forte e grave que sai da boca pintada de vermelho. Mas tudo isso teria apenas um efeito estético se sua voz não desse conta do recado. Sua música e presença são arrebatadoras e seu discurso é o que vive no dia a dia.

Sua instrumentação sai dos anos 1970 e encontra o discurso contemporâneo das ruas, da causa, do homem, da mulher. Toda uma mistura de gêneros representada em suas canções. Às vezes percussão, às vezes guitarra, às vezes teclado, mas tudo com a imprecisão de um som saindo de um vinil.

Zero, Você Fez Merda, Louise Du Brésil e Funzy mostram que o barulho que começou a ser feito quando surgiu na mídia não era em vão. Liniker “passou pra dar um cheiro” e mostrou que mais do que algo a dizer, elx têm algo a cantar.

A gente fica mordidx, não fica?”

Exclusivo: Documentário mostra a trajetória da banda mineira Young Lights

Por Tayane Sampaio

Fazer parte de uma banda não deve ser uma tarefa fácil. Ter banda é dividir um sonho, a estrada, o tempo e até os pensamentos mais íntimos. É se permitir estar vulnerável perto daquelas pessoas e deixar que elas encaixem as peças que estão faltando no seu quebra-cabeça.

A Young Lights, um dos destaques da cena mineira, decidiu compartilhar com o mundo como tem sido a aventura de dividir o palco e a vida entre companheiros de banda. Em “Chasing Ghosts“, um documentário de quase vinte minutos, produzido pelo escocês Stuart McIntyre e lançado com exclusividade no Canal RIFF, o grupo mostra o dia a dia de uma banda independente brasileira.

O documentário, que conta com depoimentos dos integrantes e de amigos da banda, mostra vários momentos do grupo: os perrengues na estrada e a catarse nos palcos, divulgando os dois primeiros trabalhos, o EP “An Early Winter” (2013) e o álbum “Cities” (2014), pelo triângulo mineiro, interior e capital de São Paulo; e em estúdio, com Leonardo Marques (Diesel, Transmissor, carreira solo), gravando o próximo álbum da banda, homônimo, que será lançado ainda este mês, pelo selo musical “quente”.

Young Lights” será o primeiro trabalho do grupo feito totalmente em equipe, já que os álbuns anteriores são frutos da época em que a Young Lights era um projeto solo do vocalista Jairo Horsth. Jairo (voz e violão), João Pesce (baixo), Gentil Nascimento (bateria) e Vitor Ávila (guitarra) contam, no filme, a trajetória da banda até aqui.

Veja, abaixo, o documentário na íntegra:

Foto: Antonio Andrade

Resenha: Maluma @Vivo Rio

Por Laura Tardin (texto e fotos)

Na noite de 10 de novembro, tivemos a chance de ver, no Vivo Rio, um artista que está na crista da onda – ou talvez, na crista de sua primeira onda, tendo em conta de que ele é nascido em 1994 – o colombiano Maluma.

Para quem minimamente entende de música pop, Maluma é figurinha fácil: fez parceria com Anitta (“Sim ou Não”), Shakira (“Chantaje”), Ricky Martin (“Vente Pa’Ca”) e possui sucessos creditados em sua própria conta, como “Felices los Cuatro” e “El Perdedor”. Maluma é representante do estilo reggaeton, que talvez tenha tido sua primeira aparição em terras brasileiras lá na virada da década, com o estouro de “Impacto” de Daddy Yankee e “Danza Kuduro”, de Don Omar e Lucenzo, que até mesmo virou abertura de novela.

Mas, não se engane: o reggaeton não é de hoje e nem é do tipo de estilo musical que irá passar rapidamente. As batidas repetitivas talvez lembrem a repetição no funk e no sertanejo brasileiros, mas nenhum destes três estilos tem pouco a contar quando se fala de juventude e cultura local. O reggaeton, algo que mistura primordialmente sonoridade caribenha, rap e beat eletrônico, debutou lá nos anos 90 e já teve outras fases áureas antes de 2017. É que, como sempre, existe uma curiosa barreira entre Brasil e América Latina – acredito que esta tenha sido responsável pela demora da chegada do ritmo às nossas rádios, já que o reggaeton se espalhou como vírus até o Ushuaia.

No Rio, o show do Maluma ocorreu na festa “Sigue Bailando“, cuja proposta musical era misturar hits brasileiros e internacionais (inclusive os latinos – e para quem acredita que ritmo latino ainda esteja resumido numa canção de Gloria Estefan, sugiro um pouco de reggaeton). O público tem cara de que estaria ali com ou sem Maluma, mas vê-se algumas fãs com faixas, cartazes e bandeiras. Apesar de recém casados, os brasileiros dominam canções de reggaeton na ponta da língua e nos pés que dançam.

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Maluma surge, com um pouco de atraso, cercado de belas bailarinas, uma banda completa e dois cantores de apoio – precisamos de alguém que seja Shakira e Anitta ao mesmo tempo. Mas ele é a grande estrela do show. Com sex appeal, muito suor e caras e bocas, Maluma encanta a plateia, em boa parte feminina, e faz um show talvez um pouco arrastado ao executar longas versões de suas músicas pop.

O moço é jovem, bonito e fresco, e abusa dos recursos de convocar os lados esquerdo e direito da plateia para ver quem grita mais alto. Em dado momento do show, depois de ter arranhado um português que arrancou suspiros, ele diz que precisa encontrar uma namorada – coisas que valem a atenção acontecem a partir daí – e duas meninas sobem ao palco. A primeira, de doze anos, ganha um presente e uma música fofa no violão (tudo bem? Ou não tudo bem? Qual o verdadeiro apelo de Maluma com as pré-adolescentes?). A segunda, que ganha um “ahora sí” ao subir ao palco, ganha abraços e troca um selinho com o astro. O menino é fanfarrão, mas quem disse que isso é ruim?

“Felices los Cuatro” é executada no bis e certamente é a música mais aclamada (e filmada nos celulares). Apesar da superficialidade que aparenta Maluma, essa canção tem uma letra que pode gerar bons e maduros debates. Me pergunto se os presentes entendem algum carajo de espanhol – se entendessem, cantariam com tanto ânimo?

INGRESSOS DO PORÃO DO ROCK JÁ ESTÃO À VENDA

​​Por Tayane Sampaio

Este ano, o Porão do Rock chega à 20ª edição. Após um adiamento, o festival está confirmado para o dia 25 de novembro, no estacionamento do Estádio Nacional, o antigo Mané Garrincha.
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Mantendo a tradição, o festival realizou as seletivas de artistas locais para integrar o line-up. Após três etapas seletivas, as bandas brasilienses O Tarot , Maria Sabina & a Pêia, Mofo, Agressivo Pau Pôdi, Eufohria e Lupa foram selecionadas para se apresentar no palco do Porão do Rock.
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O grande destaque dessa edição é a curadoria. O festival, que sempre investiu nos dinossauros do rock nacional como headliners, está buscando renovar sua cartela de artistas, desde o ano passado, e, dessa vez, surpreendeu. Os nomes que mais chamam atenção, Elza Soares, BaianaSystem e Céu, foram destaques em vários festivais nacionais (e internacionais!) durante o ano. O Sepultura também é headliner dessa edição.
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Apesar da curadoria antenada e acertada, muitos fãs do festival estão reclamando, nas redes sociais, da “falta de rock” na escalação das atrações principais, que, inclusive, tocaram na última edição do Rock in Rio, em setembro.
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O BaianaSystem, por exemplo, banda que mistura o sound system com a guitarra baiana, tem um dos melhores shows da atualidade, pesadíssimo e com direito a roda punk. Mais rock and roll do que muito show de rock propriamente dito. Elza Soares, A Mulher do Fim do Mundo, do alto dos seus 80 anos, tem fôlego pra fazer um show incrível e deixar muito moleque no chinelo.
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Os ingressos do festival custam R$ 20,00, meia-social, condicionado à doação de 1kg de alimento não perecível, e já estão à venda, no site da Bilheteria Digital.
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SERVIÇO
Data: 25/11/2017
Horário: a partir das 15h
Local: estacionamento do Estádio Nacional
Mais informações: http://www.poraodorock.com.br/

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