Os Tijolos de Braza

Por Maria Paula

Ainda com a música Segue o Baile na cabeça, pertencente ao primeiro álbum auto intitulado Braza (2016), praticamente no início de junho a banda nos faz uma surpresa maravilhosa, seu mais novo álbum Tijolo Por Tijolo, estando disponível em todas as plataformas digitais!

Ao olharmos a capa, ficamos encantados com sua beleza e poética com o título. Desenvolvida pela banda em conjunto com Vagner DoNasc. e Marcel Gonçalves. O intuito aqui não é mergulhar no significado de cada música, pois como em qualquer outra arte, cada pessoa tem seu ponto de vista no momento da apreciação. Por isso, tentarei ser direta e mostrar o por quê de ouvir o Tijolo Por Tijolo.

O mesmo foi gravado por Pedro Garcia, BRAZA (Nícolas Christ – bateria; Danilo Cutrim – guitarra e Voz; Vitor Isensee – teclado e voz) e Pedro Lobo durante o verão e outono de 2017, nos estúdios Neblina e Cantos do Trilho, no Rio de Janeiro. Sendo mixado por Pedro Garcia no estúdio Garcia Mix Room, Laranjeiras, no Rio de Janeiro. E masterizado por Chris Hanzsek no estúdio Hanzsek Audio, Snohomish, em Washington.

Contando com acréscimos de Pedro Lobo no baixo e vocais de apoio, de Lelei Gracindo no saxofone, Vander Nascimento no trompete, Jhonson de Almeida no trombone, e Mafran do Maracanã na percussão. Percebo que nas passagens das faixas do álbum, são marcadas por estes instrumentos, além da guitarra de Danilo.

A abertura do “Tijolo” ficou com Ande, que tem clipe gravado na cidade do Rio de Janeiro, trazendo elementos corriqueiros no compasso da música. Muito show. E com esta noção de irmos adiante, somos convocados para uma sessão, “é brisa, é BRAZA, é braço, é bala de canhão”. Isso é Selecta trazendo gírias corriqueiras num ritmo de dança envolvente, com destaque o trecho “Vida vivendo em nós/ Na batida, em melodia e voz”. Percorrendo essa vida corriqueira da batida encontramos desigualdades sociais, e Moldado em Barro nos mostra isso, com um toque da guitarra que me lembrou Baiana System, banda que também traz temas sociais em  suas composições. Entre tantos trechos a destacar,  posso dizer que o “Guerreiro na Babylon/ Talha seu destino, é por desatino ou não”.

Em Ela Me Chamou Para Dançar Um Ragga, quero aprender essa dança, isso sim! Um estilo de dança que vem da Jamaica e traz um reggae eletrônico bem envolvente. A música seguinte possui o mesmo nome do álbum, Tijolo Por Tijolo. Considerá-la  chave do significado do álbum, não se aplica, pois cada música parece simbolizar um tijolo que forma um muro pessoal, não uma barreira, mas nos sentido da construção  do próprio ser. A flauta introduzida nesta faixa, se permitam sentir sua suavidade, sensacional.

E Chão chão terra terra? Que letra. Destaco somente este refrão: “Amor não tem sinônimo Alma não tem gênero/ Poder não é virtude/ E a vida é sopro efêmero/ Chão, Chão. Terra, Terra/ O ser humano erra”.

Em DUBrasilis temos o instrumental de Braza, e aconselho que fechem os olhos e sintam a vibe. É raro uma banda brasileira incluir som instrumental num álbum, porém há uma voz que fala da diversidade racial brasileira; também percebam as puxadas fortes da guitarra.

E sim, “a dança é oração”, trecho da faixa Racha a canela, que tem a participação do DJ Negralha. Mais uma faixa envolvente na batida e composição, e lembrem que as “vibes nunca mentem, vibes don’t don’t lie”.

Em Exército Sem Fala, temos a participação especial da Sister Nancy, a primeira mulher DJ de dancehall, que canta muito, direto da Jamaica. Se não a conhecem, recomendo o chamado hino do reggae Bam Bam. Nesta música ela complementa a mensagem do amor, num exército onde não há “Força armada e o bom senso é o comandante”.

E para fechar ou não o álbum, temos o questionamento Qual é o rosto de Deus. Me fez lembrar a temática da música Oxalá, pertencente ao álbum “Braza” e que teve videoclipe, mas o pensamento da faixa é diferente, voltado mais às nossas dúvidas pessoais, sendo que ”Ninguém sabe a verdade, mas nunca será tarde/ Enquanto um problema for uma oportunidade.” E este refrão  mexe com nosso interior “Diz pra mim qual é o rosto de Deus/ Talvez seja o seu, talvez seja o meu/ Ou nada, ou tudo, ou luz”.

Para não concluir, Tijolo Por Tijolo traz mensagens para nossa vida, enfrentamentos, de momentos alegres ou tristes, mas principalmente reflexivas, e que diante de dificuldades podemos superá-las, e sempre lembrarmos que não estamos só. Somos seres humanos, em nossa individualidade, mas assim como na dança, faz mais sentido a aprendizagem ao estarmos junto com o outro, nos desenvolvermos com e para o outro. Que possamos superar nossos “tijolos” e montarmos nossos muros e construirmos casas com outros muros.

Por quê ouví-lo?

Se não conhecem a banda, saibam que recomendo o  álbum anterior, denominado Braza, pois ambos se complementam, e mostram quem é o Braza, em sua plenitude. Também recomendo, se possível, o show ao vivo deles! Eles trazem ritmos do rap, reggae e rock, composições sobre problemas sociais, o cotidiano da sociedade, enfim, eles continuam a trazer a arte do dia a dia para a  musicalidade.


E aí, qual a sua faixa favorita do Tijolo Por Tijolo?

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3 opiniões sobre “Os Tijolos de Braza”

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