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RESENHA: ANAVITORIA @ CIRCO VOADOR

Por Natalia Salvador

No último sábado, dia 12 de agosto, a dupla Anavitoria fez mais um show com ingressos esgotados – dessa vez em menos de uma semana -, no Circo Voador, localizado no bairro boêmio da Lapa, Rio de Janeiro. Eu já sabia que as duas eram um sucesso, um bom exemplo disso foi a criação de um selo especialmente para a contratação das meninas de Tocantis pela gravadora Som Livre. O que eu não estava imaginando era essa proporção,  com tão pouco tempo de estrada.

Anavitoria @ 2017

Mesmo com os avisos na internet e placas na bilheteria sinalizando que os ingressos estavam esgotados, era possível ver alguns fãs tentando entrar na casa até o último minuto! Mas, sem banda de abertura, o show começou pontualmente às 22 horas e 30 minutos, deixando o pessoal do lado de fora sem muitas opções. Dentro do Circo Voador, quem chegou mais tarde, tinha até certa dificuldade de ver as meninas no palco – e que palco! A produção estava impecável e o visual era encantador.

Com um show curtinho, de quase 1 hora, as duas pulam, cantam, tocam e sorriem para todos os lados do palco. E como sorriem! A dupla externa a felicidade que sente em estar no palco e, vamos combinar, dá até vontade de saber cantar só para ver se a gente fica parecido com a Vitória. A ruiva dos cabelos enrolados parece ter nascido para não fazer nada além disso: encantar quem a assiste. A voz um pouco rouca, doce e sorridente se completa com a afinação de Ana Clara. Mas é claro que, em um show sold out, no Rio de Janeiro, iria ganhar uma forcinha extra.

Anavitoria @ 2017

De Coração Carnaval a Dê um Role – cover de Os Novos Baianos que encerrou a apresentação -, o público não deixou de cantar uma música sequer! Chamego meu, Fica e Agora Eu Quero Ir ganharam os coros mais altos. Além disso, a chuva de papel picado, balões preto e branco e o mar de luzes não ficaram de fora dessa celebração.

O estilo Anavitoria encanta e vende nesse Brasil de grande diversidade cultural. Elas podem até não se encaixarem no seu perfil de sonoridade preferido, mas é quase impossível não se apaixonar por essas duas. Parece que as pupilas de Tiago Iorc e Felipe Simas ainda tem um grande caminho pela frente. E se posso dizer algo pelo público que estava ali: obrigada e até breve!

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Artigo: A morte do Chester me fez pensar bastante

Por Tábata Sampaio

Enquanto você cresce existem coisas fundamentais que ajudam a formar sua personalidade e também o jeito com o que você lida com seus sentimentos. Quem ouve rock, ou “sabe” que ouve rock, entende que a tristeza e a agressividade no som e nas letras reflete a nossa própria.

Quando eu ouvi Linkin Park pela primeira vez eu era pré adolescente. Você que está lendo agora provavelmente estava na mesma fase. É nesse momento da vida que nós vamos aprendendo quem somos de verdade e partimos em busca da nossa identidade. A arte tem um impacto significativo nesse crescimento, e o Linkin Park foi pra mim uma porta aberta a um novo mundo. Eu descobri que a escuridão que a gente tenta esconder ali no cantinho do armário pode ser reformada, remodelada.

Se você já esperou ficar sozinho em casa pra colocar o som alto e ouvir os gritos do Chester sem sua mãe ficar reclamando, se você já entrou numa roda querendo empurrar a pessoa ao lado não pra machucar alguém, mas pra expulsar esse ódio só os idiotas fazem questão de negar, se você já saiu de um show com a garganta arranhada mas completamente satisfeito, se você já sentiu a música viajar tão forte pelo seu corpo que te fez fechar os punhos até que suas unhas se marcassem a palma da mão… Se você fez tudo isso, você sabe o que o Linkin Park foi pra mim.

“It’s like a whirlwind inside of my head”

Eu não tenho depressão e nunca vou entender o que motivou o Chester a chegar nesse extremo. Eu achava que entendia tudo quando ouvia sua voz e me identificava, mas nem mesmo a arte consegue diminuir esse oceano que separa cada um de nós.

Quando você entra na roda e empurra a pessoa ao lado, e a pessoa ao lado te empurra de volta, vocês estão na verdade lutando contra um monstro invisível que não pode ser derrotado por um só. Então alguém que me ensinou a lutar desiste da batalha, e é como se eu perdesse um pouco a fé na batalha e na vitória.

A perda do Chester pra depressão é muito triste pra mim, uma otimista. Eu tenho certeza que a arte é umas das melhores formas de lidar com os piores sentimentos. É através dela que conseguimos transmitir nossa dor ao outro, dizer que ele não está sozinho. Acreditar na solidão é a perda da esperança.

Se existe alguma lição no triste fim de um artista tão amado, é a de que amor e compreensão nunca são demais, não só com as pessoas próximas, mas com cada ser que cruza nosso caminho. A gente não sabe da batalha de cada um, e ser gentil pode ao menos ajudar a aliviar o cansaço da guerra.


Wacken 2017: As expectativas para o maior festival de metal do mundo!

Por Felipe Lopes Pedroso

O colossal W.O.A (Wacken Open Air) é o principal festival de toda a cena global do nosso bom e velho metal, trazendo sempre uma infinidade de atrações que transitam do power ao death, agradando gregos e troianos. A edição deste ano ocorrerá na casa de nossos carrascos alemães durante os dias 3, 4 e 5 de agosto. Listamos algumas boas opções para a edição deste ano (que geralmente conta com live streaming)

É mais do que sabido que o público mais fiel da música é o do rock, mais do que isso, os fãs de metal são o público mais insanamente/descontroladamente energético de todos os estilos musicais e a edição deste ano (2017) tem tudo para ser apocalíptica. São mais de 63 bandas confirmadas, das quais poderemos degustar grandes medalhões como a alemã Accept com suas linhas de guitarra poluída e repleta de distorção.

Poderemos desfrutar também do som agressivo da Witchery, banda sueca de trash/speed metal. Espera-se que eles tragam faixas do álbum “In His Infernal Majesty’s Service” lançado no final de 2016 após um período sem produzir nenhum material.

Outra boa pedida é a estadunidense Nile, banda do assombroso e conhecido pelos adeptos das baquetadas George Kollias. A banda enriquece o festival com seu death metal repleto de mitologia e mistérios do oriente médio e é claro, um som extremamente pesado, digno de torcicolo.

Aproveitando o embalo, é melhor já acionar seu fisioterapeuta depois de assistir ao show do Crowbar, banda enquadrada por muitos ao sludgle metal e ao groove metal por aquele que vos escreve este artigo, carrega consigo sonoridade necessária para headbanger algum botar defeito.

O metal psicodélico está muito bem representado pelos alemães da banda Kadvar e seu som que passa uma concepção setentísta em uma roupagem ligeiramente mais encorpada pelos efeitos disponíveis, melhor utilização dos grooves e principalmente a incorporação de mais distorção aos sons de guitarra.

Jamais poderíamos deixar de comentar o retorno dos irmãos Cavalera com o projeto Roots, deixando ansioso qualquer fã de Sepultura ou Soulfly assim como, teremos a oportunidade de reverenciar aos monstros sagrados do Morbid Angel.

O W.O.A 2017 contará com a participação da banda Volbeat, que divide opiniões entre os fãs de metal para definir do que se trata o som deles e principalmente se é bom ou não. Acredito que aquele som de “bar” americano é sensacional para uma boa viagem de carro ou até mesmo para uma seção de treinamentos na academia. Fato é as linhas de guitarras “cavalgantes” combinadas ao vocal “anasalado” do saudoso Michael Poulsen são agradáveis e propiciam apresentações ao vivo bastante explosivas, vale a pena conferir.

 

Sem contar as atrações que dispensam apresentações ou qualquer tipo de sugestão, como a banda Trivium, Alice Cooper, Amon Amarth, Annihilator, Avantasia, Europe, Kreator, Megadeth, Tankard dentre tantas outras que vocês podem conferir no site oficial do evento:

Site oficial: https://www.wacken.com/en/


Qual show que você mais gostaria de ver do Wacken 2017?

A febre de acelerar músicas no YouTube fez mais uma vítima

Por Guilherme Schneider | @Jedyte 

Desde pequeno sempre gostei de jogar videogame. Na década de 90, além do vício de jogar, também colecionava revistas de games – aquelas com toneladas de dicas. Achava fantástico que os jogos tivessem tantos segredos escondidos por trás de uma combinação de botões.

Uma única vez descobri sozinho um macete, e, por isso, me senti um gênio. Era uma combinação do encaixe de qualquer cartucho de Mega Drive sobre o cartucho de Sonic  & Knuckles (que permitia encaixes). Depois disso bastava apertar A + B + C ao mesmo tempo e voilà: fases de bônus infinitas.

Foi mais ou menos assim que me senti hoje ouvindo algumas músicas nacionais em versões naturalmente aceleradas pelo YouTube.

Para quem não sabe, qualquer vídeo do YouTube pode ter sua velocidade alterada pelo usuário. Basta clicar no ícone da engrenagem no canto inferior direito e selecionar “detalhes” (a velocidade varia de 0.25 – ultra lento – até o frenético 2, que eu sugiro para os vídeos abaixo).

Não, não dá “certo” com qualquer combinação. Mas, às vezes, vale arriscar o remix instantâneo – que espero que não soe como uma heresia para as bandas. Definitivamente rolou uma pegada que lembra aquela primeira onda de indie rock – cheio de guitarradas velozes.

https://www.facebook.com/plugins/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fdiegosoares.arcanjo%2Fposts%2F1298497486895456&width=500

A sugestão veio na verdade de um post do Diego da El Toro Fuerte, que recomendou a bela ‘Se a gente tivesse se conhecido’. Até agora não parei de acelerar… Amei as versões rápidas de ‘você não sabe quantas horas eu passei olhando pra você‘ do gorduratrans; ‘Doce’ do Boogarins, ‘Solidão’ da Sara Não Tem Nome; e até a recém-lançada ‘Fantasmas’ do Jonathan Tadeu.

Experimente por sua conta e risco essa correria frenética com o cardápio abaixo (e diga nos comentários o que achou). Ah, e se curtiu a vibe Sonic, sugira também alguma outra música brazuca que se encaixa bem assim.



Ah, em tempo: o tal macete do Sonic (que me fez sentir um gênio aos 12 anos) servia para pouca coisa. Mas era o suficiente pra me divertir por algumas horas.

O pioneirismo do The Maine no marketing de relacionamento

Por Tayane Sampaio

Perto de lançar o próximo álbum de inéditas, “Lovely Little Lonely”, o famoso grupo do Arizona, The Maine, mostra, mais uma vez, entender muito bem de relacionamento com o público. A banda, que tem um histórico de ótimas estratégias para fidelização dos fãs, ainda consegue se reinventar e arrumar novas formas de envolver seus admiradores na trajetória da banda.

Em uma geração que tem tantas informações à disposição e tantas formas de acessá-las, o gosto musical muitas vezes traz a sensação de identificação e pertencimento a um grupo. Mas, como fazer esse sentimento durar se também vivemos na era do desinteresse e das relações líquidas? O quinteto parece ter encontrado a resposta para essa complicada equação.

São dez anos de banda, cinco álbuns de estúdio e nove EPs. Com certeza, toda a experiência na estrada e lançamentos ajudaram o grupo a aprimorar a forma de se comunicar com os fãs. Mas, desde o começo, a banda soube como fazer esse vínculo entre fã e artista ser um de seus maiores trunfos. A base de fãs do The Maine, espalhada ao redor do mundo, parece ser uma das mais fiéis e os jovens músicos sabem como retribuir o carinho que recebem.

Presença online

O rol de ações de marketing de relacionamento deles é admirável para uma banda tão nova. Eles estão em todos os cantos da Internet: Facebook, Instagram, Twitter, Youtube, Snapchat e Tumblr. Além do perfil da banda, todos os integrantes estão presentes nas redes sociais, desde o vocalista John O’Callaghan, que gosta de usar o Twitter de forma mais poética, ao baterista Pat Kirch, que usa muito bem os 140 caracteres do microblog, com bastante frequência, para interagir com os fãs e atualizá-los sobre a banda.

No Instagram, você pode acompanhar banalidades do dia a dia dos músicos, fotos de apresentações, informações sobre a agenda de shows e até registros dos bastidores. O fotógrafo Guadalupe Bustos, que acompanha o grupo em várias ocasiões, faz lindos registros de vários momentos do quinteto.

O Youtube é outra ferramenta que a banda utiliza com maestria. A conta, criada há 5 anos, tem 441 vídeos, até o momento. Desde a criação da página, o espaço é usado para a comunicação com o público e consegue aumentar a sensação de proximidade entre ídolo e fã. Lá você encontra de tudo: videoclipes, os músicos explicando suas composições, anuncio de shows, os bastidores da tour, vídeos respondendo as perguntas dos fãs, registro de shows, documentários sobre a passagem da banda em outros países e a lista continua. No final do ano passado, eles lançaram uma série de vídeos, chamada “Miserable Youth”, com os bastidores da gravação do novo álbum.

Vantagens para os fãs

Mesmo com a forte presença online, a banda não se limita à rede de computadores para estreitar os laços de amizade com os fãs. Quem curte a banda pode facilmente conhecê-los, pois o Meet & Greet já virou uma tradição. Enquanto várias bandas cobram uma taxa extra pelo encontro com os fãs, antes ou depois do show, os estadunidenses fazem isso gratuitamente. Nos shows que acontecerão no Brasil, em julho, os primeiros 400 ingressos vendidos também dão direito ao encontro com Kennedy Brock, Garrett Nickelsen, Jared Monaco, Pat e John.

Em 2015, o grupo anunciou a tour “Free For All”, com treze shows gratuitos, passando por nove estados norte-americanos. No site oficial, a banda disse que a tour era uma forma de agradecer aos fãs que foram a inúmeros shows, assim como aos que nunca conseguiram ir a um show por falta de dinheiro.

Este ano, alguns fãs que compraram o “LLL” na pré-venda foram surpreendidos pelo Pat, que ligou para agradecer pela compra e apoio. O baterista prometeu, pelo seu Twitter, que continuará a contatar os fãs até a estreia do álbum, em abril. Outra ação promocional do álbum, mais especificamente da música de trabalho “Bad Behavior”, deixou os fãs alvoroçados: a banda fez uma aparição surpresa na casa de uma fã e tocou o single para ela, no fundo de um caminhão.

O grupo, que começou independente, foi pra gravadora e agora está independente de novo, criou o coletivo “8123” e chamou alguns artistas amigos para se juntarem a eles. O coletivo tem como objetivo desenvolver a carreira dos artistas envolvidos no projeto, trabalhando tanto o lado comercial quanto a conexão com os fãs, reconhecendo que estes são uma força motriz da indústria. Aliás, a banda deixa bem claro o seu “pé no underground” quando o assunto é entrevista. Mesmo com todo o reconhecimento da mídia, eles não deixam de conceder entrevistas para veículos pequenos. Você encontra entrevista do grupo no podcast da Alternative Press, no site da Billboard, assim como em blogs independentes e sem tanto alcance de público.

Sucesso absoluto no Brasil desde sua primeira visita, em 2011, os meninos também criaram uma loja só para os fãs da América do Sul, que vende produtos de merchandising da/para a “8123 Family”. Lá você encontra CDs, camisetas, bonés, etc, com preços bem próximos dos produtos de bandas brasileiras e com frete nacional.

Uma nova forma de promoção

E quando parecia que o grupo tinha usado todas as cartas da manga, o The Maine surpreendeu, novamente. Ontem (28), a banda anunciou a campanha de divulgação do “Lovely Little Lonely”. Afirmando que não tem interesse em fazer parte da indústria musical tradicional, o grupo deixou na mão dos fãs a promoção do novo álbum e da tour, dizendo que “vocês são a nossa gravadora”.

Chamada “#WEARE8123”, a campanha também funciona como uma espécie de competição, em que os fãs têm recompensas. A banda oferece várias alternativas para os fãs ajudarem a espalhar o som do novo álbum: vendendo o álbum por meio de um link personalizado, vendendo uma edição limitada em lojas físicas, promovendo a tour, o álbum ou pedindo a música de trabalho nas rádios locais.

Foram disponibilizados no site oficial flyers do álbum e tour, que podem ser baixados e impressos; assim como artes para divulgação nas redes sociais, como a capa do álbum, foto promocional, capa para canal no YouTube, link dos eventos, entre outros.

No caso do representante de vendas, a cada álbum vendido pelo link personalizado, 5% do valor vai para o fã. Esse valor será revertido em um cartão-presente da loja oficial da banda. Além disso, os líderes de venda semanais terão acesso a um grupo que terá um chat com a banda toda segunda-feira, até o lançamento do álbum. Toda venda conta pontos e os dez melhores vendedores terão prêmios exclusivos, como ingressos vitalícios para os shows da banda, uma música acústica escrita para você, um show acústico privado, vídeo chamada com os integrantes, cartões-presente e muito mais.

Sem dúvidas, a banda conseguiu criar uma boa relação com seu público e aprendeu a impulsionar o amor dos fãs para criar algo muito maior do que uma mera troca comercial. O grupo tem fãs que os acompanham desde o começo, que cresceram junto com a banda e que se sentem parte da história do The Maine.

Você pode saber mais sobre o concurso #WEARE8123 aqui.

Mais Planos, Sem Planos | As surpresas nos 70 anos de David Bowie

Hoje deveria ser um dia de celebração, seria o aniversário de um dos mais versáteis artistas dos nossos tempos.  Hoje deveria ser um dia de saudade, ou nostalgia, por ele ter partido há aproximadamente um ano atrás.  hoje é um dia de música, de vídeo, de arte.  No que deveria ser o septuagésimo aniversário de David Bowie, os canais de streaming e venda de músicas digitais trouxeram um novo EP do artista apresentando quatro músicas.
Se a primeira, música é a já conhecida Lazarus, segundo vídeo do álbum Blackstar e título do musical em que o artista vinha trabalhando no meses antecedendo sua morte, as outras três são mais obscuras.

Killing a Little Time é a terceira música a aparecer.  Com um matador riff já na introdução, beira o rock pesado. Ainda que evidentemente não tão pesado quanto em seus anos de Tin Machine, em alguns momentos seu instrumental contrasta com a delicadeza de outros momentos e o vocal constantemente angustiado.  O vocal se torna especialmente angustiante em passagens que vem em um crescendo, como se ele estivesse sufocando.  Certamente uma faceta interessante do Camaleão.
When I Met You fecha o disco com um viés mais pop, mas não se iludam os que acreditam que isso indica uma arte menor.  Poucas pessoas fizeram pop como Bowie e no estilo ele entregou muitas de suas obras mais interessantes.  Isso acontece mais uma vez aqui.
As três músicas inéditas em obras do cantor já haviam sido lançadas em outubro de 2016 na trilha sonora do musical Lazarus criado por ele.  Essas músicas aparecem duas vezes, sendo uma na voz do autor e outra nas vozes dos atores.  Hoje temos no Deezer, apenas a versão na voz dos atores liberada, enquanto no Spotify ambas as versões, para o álbum com a trilha sonora.  Já o EP se encontra disponível em ambas as plataformas.
Guardei a faixa título, e segunda do EP, para o final por ter mais aspectos para abordar.  Junto ao EP foi lançado o vídeo para esta faixa.  Destaque em seu instrumental para a mesma qualidade pop de When I Met You e destaque para o sax.  Não lembro de ter visto um uso tão interessante para o instrumento na música pop em muito tempo.  Com relação ao vídeo a parede de aparelhos de TV na vitrine da loja remete diretamente ao filme The Man Who Fell on Earth de 1976.
Grande parte da letra vai aparecendo e desaparecendo dos monitores enquanto as pessoas que passam em frente a loja param fascinadas, como qualquer pessoa pararia ao se deparar com a obra de Bowie.  O nome da loja Newton Electrical remete diretamente ao personagem Thomas Jerome Newton, assim como a temática e o fascínio também podem ser ligados diretamente ao filme onde o alienígena humanoide traz uma importante mensagem a ser compartilhada com o  povo da Terra.  Toda essa interligação entre os diversos aspectos de sua obra é um dos traços do David Bowie como artista, como inovador e como pessoa… de onde quer que ele tenha vindo.

“Eu não sei para onde vou daqui, mas prometo que não será chato” – David Bowie


Confira também o especial do RIFF sobre Bowie:

Chuva de riffs! A história do rock contada em 100 riffs clássicos de guitarra

Vamos falar de história do rock ‘n’ roll? Ou melhor, que tal pararmos para ouvir uma compilação com alguns dos maiores clássicos do gênero? O vídeo abaixo reúne 100 riffs clássicos tocados na sequência, em uma tacada só de 12 minutos. De Chuck Berry a Nirvana. De Jimi Hendrix a Mastodon.

A produção não é nova – já tem quatro anos – mas mesmo assim ainda encanta. Até mesmo por que as músicas escolhidas são bem mais antigas. Méritos para Alex Chadwick, da loja/canal Chicago Music Exchange. Bom, nós do Canal RIFF somos suspeitos para falar… afinal, devoramos riffs. :) Ouve aí:

Segue a lista das músicas:
1 Mr. Sandman – Chet Atkins
2 Folsom Prison Blues – Johnny Cash
3 Words of Love – Buddy Holly
4 Johnny B Goode – Chuck Berry
5 Rumble – Link Wray
6 Summertime Blues – Eddie Cochran
7 Pipeline – The Chantays
8 Miserlou – Dick Dale
9 Wipeout – Surfaris
10 Daytripper – The Beatles
11 Can’t Explain – The Who
12 Satisfaction – The Rolling Stones
13 Purple Haze – Jimi Hendrix
14 Black Magic Woman – Santana
15 Helter Skelter – The Beatles
16 Oh Well – Fleetwood Mac
17 Crossroads – Cream
18 Communication Breakdown – Led Zeppelin
19 Paranoid – Black Sabbath
20 Fortunate Son – Creedence Clearwater Revival
21 Funk 49 – James Gang
22 Immigrant Song – Led Zeppelin
23 Bitch – Rolling Stones
24 Layla – Derek and the Dominos
25 School’s Out – Alice Cooper
26 Smoke on the Water – Deep Purple
27 Money – Pink Floyd
28 Jessica – Allman Brothers
29 La Grange – ZZ Top
30 20th Century Boy – T. Rex
31 Scarlet Begonias – Grateful Dead
32 Sweet Home Alabama – Lynyrd Skynyrd
33 Walk This Way – Aerosmith
34 Bohemian Rhapsody – Queen
35 Stranglehold – Ted Nugent
36 Boys Are Back in Town – Thin Lizzy
37 Don’t Fear the Reaper – Blue Oyster Cult
38 Carry on My Wayward Son – Kansas
39 Blitzkreig Bop – The Ramones
40 Barracuda – Heart
41 Runnin’ with the Devil – Van Halen
42 Sultans of Swing – Dire Straits
43 Message in a Bottle – The Police
44 Hey Hey, My My (Into the Black) – Neil Young
45 Back in Black – AC/DC
46 Crazy Train – Ozzy Osbourne
47 Spirit of Radio – Rush
48 Pride and Joy – Stevie Ray Vaughan
49 Owner of a Lonely Heart – Yes
50 Holy Diver – Dio
51 Beat It – Michael Jackson
52 Hot For Teacher – Van Halen
53 What Difference Does It Make – The Smiths
54 Glory Days – Bruce Springsteen
55 Money For Nothing – Dire Straits
56 You Give Love a Bad Name – Bon Jovi
57 The One I Love – REM
58 Where the Streets Have No Name – U2
59 Welcome to the Jungle – Guns N’ Roses
60 Sweet Child ‘O Mine – Guns N’ Roses
61 Girls, Girls, Girls – Motley Crue
62 Cult of Personality -Living Colour
63 Kickstart My Heart – Motley Crue
64 Running Down a Dream – Tom Petty
65 Pictures of Matchstick Men – Camper Van Beethoven
66 Thunderstruck – AC/DC
67 Twice as Hard – Black Crowes
68 Cliffs of Dover – Eric Johnson
69 Enter Sandman – Metallica
70 Man in the Box – Alice in Chains
71 Smells Like Teen Spirit – Nirvana
72 Give it Away – Red Hot Chili Peppers
73 Even Flow – Pearl Jam
74 Outshined – Soundgarden
75 Killing in the Name – Rage Against the Machine
76 Sex Type Thing – Stone Temple Pilots
77 Are You Gonna Go My Way – Lenny Kravitz
78 Welcome to Paradise – Green Day
79 Possum Kingdom – Toadies
80 Say it Ain’t So – Weezer
81 Zero – Smashing Pumpkins
82 Monkey Wrench – Foo Fighters
83 Sex and Candy – Marcy Playground
84 Smooth – Santana
85 Scar Tissue – Red Hot Chili Peppers
86 Short Skirt, Long Jacket – Cake
87 Turn a Square – The Shins
88 Seven Nation Army – White Stripes
89 Hysteria – Muse
90 I Believe in a Thing Called Love – The Darkness
91 Blood and Thunder – Mastodon
92 Are You Gonna Be My Girl – Jet
93 Reptilia – The Strokes
94 Take Me Out – Franz Ferdinand
95 Float On – Modest Mouse
96 Blue Orchid – White Stripes
97 Boulevard of Broken Dreams – Green Day
98 Steady As She Goes – The Raconteurs
99 I Got Mine – Black Keys
100 Cruel – St. Vincent

Pumpkins United: A imponente reunião do Helloween dá o exemplo de ‘mundo do futuro’!

Por Guilherme Schneider | @Jedyte 

Infelizmente a paz mundial ainda é um sonho distante. Porém, ao menos dentro do meio musical ela parece um tantinho mais próxima. A lendária banda de power metal Helloween anunciou nesta segunda-feira (14) uma reunião com seus ex-membros Michael Kiske e Kai Hansen.

A ideia é uma enorme turnê mundial, repleta de clássicos, a partir de 28 de outubro de 2017 e que atravesse 2018. A primeira data confirmada é justamente aqui no Brasil, em São Paulo, no Espaço das Américas. A venda dos ingressos começa na próxima quarta-feira (16) e os preços variam de R$ 70 a R$ 350.

helloween

Em 2013 o Helloween se apresentou com o guitarrista Kai Hansen no Palco Sunset do Rock in Rio  – show que merecia o Palco Mundo. No entanto, Hansen participou pouco, de apenas três músicas, e sequer falou com o público. A expectativa é que agora ele cante sucessos do primeiro (e maravilhoso) álbum Walls of Jericho, de 1985.

A formação da turnê Pumpkins United terá sete músicos – sendo três vocalistas. A expectativa criada é por shows de quase três horas de duração, contemplando assim boa parte dos 17 álbuns de estúdio da banda alemã. Confira os nomes:

  • Michael Kiske – vocalista
  • Andi Deris – vocalista
  • Kai Hansen – vocalista/guitarrista
  • Michael Weikath – guitarrista
  • Sascha Gerstner – guitarrista
  • Markus Grosskopf – baixista
  • Daniel Löble – baterista

“Pois todos nós vivemos no mundo do futuro
Um mundo que é cheio de amor
Nossa vida futura será gloriosa
Venha comigo – mundo do futuro”
– Refrão de ‘Future World’

Poderia ter incluído o ex-guitarrista Roland Grapow? Com certeza! É um retorno ‘caça-níquel’? Talvez. Mas, quem não gosta de faturar uns bons trocados? Não há nenhum mal nisso desde que prestem aquele fan service dos sonhos. Como diz o clássico ‘Future World‘, “A nossa vida futura será gloriosa” – mesmo que olhando para trás. Come with me, Future World!

O sonhou acabou: Marli, primeira viral musical brasileira, encerra carreira sem fazer os grandes shows que merecia

Por Guilherme Schneider | @Jedyte 

Passou batido por muita gente, mas cabe o registro – mesmo tardio. Há pouco menos de um mês, a página oficial da cantora Marli anunciou o fim de sua carreira. Ícone da internet brasileira, Marli era fruto de um dueto com o produtor Antônio Augusto. “É com um pouco de aperto no coração que comunico a vocês que o projeto musical com Marli está oficialmente encerrado”, anunciou.

Ela surgiu para a internet na auge do Orkut e nos primórdios do YouTube brasileiro. Em pouco tempo criou o que talvez possa ser apontado como primeiro viral musical brasileiro, o sombrio clipe de ‘Bertulina‘ – evocando a veia nacional para produções trash.

O conto de fadas de Marli na música é um capítulo que merece ficar para a história do nosso combativo underground. Especialmente de quem acredita na máxima ‘uma câmera na mão e uma ideia na cabeça’. Vídeos criativos, sonoridades variadas… o experimental sempre esteve presente na obra. (ouça abaixo uma playslist esxclusiva do RIFF: Marli Essencial)

Tudo começou dentro de casa, em Feira de Santana, Bahia. Marli Souza Silva trabalhava como empregada doméstica. Durante o trabalho gostava de cantar, e isso chamou a atenção do filho dos patrões, o visionário Antônio Augusto – apenas quatro anos mais novo que Marli.

Antônio convidou Marli para gravar algumas músicas e vídeos. Em pouco tempo o retorno apareceu em forma de vizualiações. Não em shows, pelo que consta Marli nunca fez um grande show ao vivo – uma lástima.

Mesmo após largar a carreira de doméstica ela continuou gravando as composições de Antônio, que se inspirava inicialmente na sonoridade do naipe de Madonna e Björk.

Marli
A discografia completa está disponível no Spotify

“O personagem que eu e a Marli ‘real’ criamos é inspirado em cantoras como Madonna buscar e Björk buscar, uma versão exagerada e, digamos, ‘avacalhada‘ dessas cantoras, sem nunca denegrir a imagem das mesmas, até porque eu sou fã das duas. Gostamos de explorar temas polêmicos como sexo e religião em boa parte das músicas, sempre com uma boa dose de humor negro.”, declarou Antônio em entrevista ao portal G1.

Foram ao todo oito álbuns de estúdio lançados entre 2002 e 2013. Além disso, foram lançadas também coletâneas, ánbuns de remixes e outros extras. Foram ao todo oito álbuns de estúdio lançados entre 2002 e 2013. Além disso, foram lançadas também coletâneas, ánbuns de remixes e outros extras (inclusive o melhor álbum natalino do século teaser abaixo).

Felizmente a discografia seguirá disponível para as próximas gerações no Spotify e em outras redes. Como definiu Antônio no comunicado oficial de despedida: “A arte nunca morre” – mas deixa desde já saudades.


Siga o perfil do RIFF no Spotify para ouvir outras listas: https://open.spotify.com/user/canalriff

Conheça mais no site oficial da Marli: http://marlionline.com.br

Video Games Live retorna ao Rio de Janeiro após quatro anos

Por Guilherme Schneider | @Jedyte 

Todo fã de games que se preze sabe apreciar uma boa trilha sonora. Temas grandiosos como da série Final Fantasy, lúdicos como os de Mario, empolgantes como de Street Fighter, nostálgicos como Donkey Kong ou inesquecíveis como de Top Gear. Não importa a preferência: bastam alguns acordes e toda uma memória afetiva retorna imediatamente.

E é justamente a celebração dessas músicas (e dos próprios games em si) que o Video Games Live propõe em seu retorno ao Rio de Janeiro, no próximo sábado, 22/10, às 20h. Após quatro anos (a última vez foi em 2012) sem receber uma edição do evento, a Cidade Maravilhosa foi uma das duas cidades brasileiras agraciadas com a atual e 11ª turnê do projeto – a outra é Belo Horizonte, com show no dia 23/10 no Cine Theatro Brasil.

Para quem ainda não conhece, a Video Games Live apresenta os temas dos games com acompanhamento de uma orquestra sinfônica local. Quem comanda a festa é o simpático Tommy Tallarico, compositor das trilhas de mais de 200 games. Diante de projeções em telões, a celebração gamer sempre reserva algum tipo de surpresa – seja na escolha do setlist ou em alguma participação especial.

A oitava vez do Video Games Live no Rio de Janeiro será na Cidade das Artes (ainda conhecida por muitos como ‘Cidade da Música’), na Avenida das Américas, nº 5300, Barra da Tijuca. Os ingressos estão disponíveis (clique aqui para comprar) e variam de R$ 100 a R$ 300.

Confira o vídeo abaixo com a cobertura oficial da última edição no país, em 2015: