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INGRESSOS DO PORÃO DO ROCK JÁ ESTÃO À VENDA

​​Por Tayane Sampaio

Este ano, o Porão do Rock chega à 20ª edição. Após um adiamento, o festival está confirmado para o dia 25 de novembro, no estacionamento do Estádio Nacional, o antigo Mané Garrincha.
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Mantendo a tradição, o festival realizou as seletivas de artistas locais para integrar o line-up. Após três etapas seletivas, as bandas brasilienses O Tarot , Maria Sabina & a Pêia, Mofo, Agressivo Pau Pôdi, Eufohria e Lupa foram selecionadas para se apresentar no palco do Porão do Rock.
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O grande destaque dessa edição é a curadoria. O festival, que sempre investiu nos dinossauros do rock nacional como headliners, está buscando renovar sua cartela de artistas, desde o ano passado, e, dessa vez, surpreendeu. Os nomes que mais chamam atenção, Elza Soares, BaianaSystem e Céu, foram destaques em vários festivais nacionais (e internacionais!) durante o ano. O Sepultura também é headliner dessa edição.
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Apesar da curadoria antenada e acertada, muitos fãs do festival estão reclamando, nas redes sociais, da “falta de rock” na escalação das atrações principais, que, inclusive, tocaram na última edição do Rock in Rio, em setembro.
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O BaianaSystem, por exemplo, banda que mistura o sound system com a guitarra baiana, tem um dos melhores shows da atualidade, pesadíssimo e com direito a roda punk. Mais rock and roll do que muito show de rock propriamente dito. Elza Soares, A Mulher do Fim do Mundo, do alto dos seus 80 anos, tem fôlego pra fazer um show incrível e deixar muito moleque no chinelo.
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Os ingressos do festival custam R$ 20,00, meia-social, condicionado à doação de 1kg de alimento não perecível, e já estão à venda, no site da Bilheteria Digital.
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SERVIÇO
Data: 25/11/2017
Horário: a partir das 15h
Local: estacionamento do Estádio Nacional
Mais informações: http://www.poraodorock.com.br/
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Entrevista: Scalene

 

Por Tayane Sampaio

O que vem depois do Éter? E de um Grammy Latino? Nos últimos anos, os brasilienses da Scalene vêm acumulando uma sequência de vitórias: seja o prêmio de “Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa”, uma agenda cheia ou uma legião de fãs chapadões pelos riffs de guitarra!

Sem dúvidas, todo esse reconhecimento é fruto do árduo trabalho do quarteto, ao longo dos oito anos de banda. Em um dos momentos mais frenéticos da carreira, os meninos arrumaram tempo pra compor e gravar as músicas do próximo disco.

O baixista da banda, Lucas Furtado, mais conhecido como Lukão, nos contou algumas coisas sobre o novo álbum, que você lê na entrevista abaixo.


Primeiro, o que todo mundo quer saber: vocês já têm uma previsão para a data de lançamento do novo álbum?

Ainda não! A única coisa que sabemos é que vai sair no segundo semestre, mas queremos lançar o mais rápido possível!

 

É a primeira vez que a banda grava fora do DF, longe de casa. Por que escolheram São Paulo?

Tivemos a oportunidade de utilizar o estúdio da Red Bull Station em São Paulo, que é um lugar incrível tanto pela vibe do lugar (que recebe exposições e abriga artistas e estudantes) quanto pelo estúdio em si, que conta com equipamentos de ponta e uma equipe fenomenal. Foi uma escolha fácil e contribuiu muito para a qualidade do disco.

 

Tem alguma música antiga, não lançada, que vocês tiraram da gaveta e deram uma cara nova ou as músicas desse novo álbum são todas composições atuais?

Quando “sobra” alguma música da produção de um disco anterior, geralmente a descartamos porque quando inicia o processo de composição de um novo CD estamos em um novo estágio da banda, com outra mentalidade e buscando outras sonoridades. Por isso só trabalhamos com novas composições a cada disco.

 

Geralmente a banda trabalha um conceito pro álbum. Isso vai se repetir?

Sim e esse conceito vai ficar bem claro pra galera quando o disco sair. É bem direto ao ponto.

 

Tem algum tempo que vocês estão com um músico de apoio nos shows, o Samyr (namí, Aloizio, Divinas Tetas), que também participou da gravação do novo disco. Ele contribuiu, de alguma forma, no processo de composição?

O Samyr é, além de um grande amigo, uma influência positiva na vida de todos nós. Com certeza ele contribuiu para a composição, mas de uma forma mais indireta, mostrando novas sonoridades a abordagens musicais e não necessariamente compondo partes específicas de músicas

 

Se vocês tivessem que escolher uma música da Scalene, dos lançamentos anteriores, para ser um “resumo” do próximo álbum, qual seria?

Essa pergunta não tem resposta pelo simples fato de que até dentro dos outros trabalhos é difícil escolher uma música que resume o álbum inteiro. O que podemos dizer é que o próximo disco vai ser diferente do ÉTER assim como o ÉTER é diferente do Real/Surreal.

 

No decorrer dos anos deu pra perceber que, aos poucos, vocês estão abraçando mais influências brasileiras na sonoridade da banda. Quais são os artistas brasileiros que mais têm inspirado vocês?

Metá Metá, francisco, el hombre, Elza Soares, BaianaSystem, Kiko Dinucci e vários outros.

No geral, o que os fãs devem esperar para esse primeiro semestre do ano?

Muitos shows e ficar ligados nas notícias da banda, porque vem coisa boa por aí!


Confira o RIFFPÉDIA que gravamos com a Scalene:


Escute o último álbum da banda, Éter, aqui:

Resenha: Elza Soares @ Caixa Cultural Brasília

Por Tayane Sampaio

No primeiro final de semana de abril, Elza presentou Brasília com o seu espetáculo. Após duas sessões no sábado (01), A Mulher do Fim do Mundo voltou ao palco da Caixa Cultural Brasília, no domingo, e cantou para um público ansioso. A grande fila de espera para as possíveis desistências já mostrava o quão especial seria a apresentação que estava por vir.

Um pouco depois das 19h e dos três sinais que anunciam o começo da apresentação, a ficha técnica do espetáculo foi narrada, como de costume. Em seguida, as cortinas se abriram, revelando um palco cheio: Elza Soares, soberana, acompanhada de Guilherme Kastrup (bateria); Rodrigo Campos, (guitarra e cavaco), Rovilson Pascoal (guitarra e violão); Marcelo Cabral (baixo, synth e violão de 7 cordas); e Gustavo da Lua (percussão).

Elza Soares @2017

Imponente, na versão voz e emoção, assim como no álbum, Elza deu boas-vindas ao público com “Coração do Mar”, poema de Oswald de Andrade musicado por José Wisnik. A música de abertura dá a tônica de todo o show: cru, politizado, realista, brasileiro, de arrepiar da cabeça aos pés; apresentado por uma mulher, negra, de origem pobre, que sabe muito bem o que está cantando e falando.

Logo em seguida a banda dá o ar da graça, para a execução da faixa título do álbum. Os músicos, excelentes, abrilhantam ainda mais o desabafo de Elza, mas, o tempo todo, fica bem claro que sua voz é o principal instrumento do grupo, que transita com facilidade entre momentos de melancolia e euforia.

Guilherme Kastrup @2017

O show é, como um todo, emocionante, mas tem alguns momentos marcantes, cheios de significado, como em “A Carne”, “Maria da Vila Matilde” e “Pra Fuder”. Além de cantar as canções, que por si só já são fortes, Elza dá recados importantes sobre racismo, violência contra a mulher e sobre a liberdade sexual feminina.

Antes e depois da apresentação, conversei com várias pessoas, que circulavam perto da entrada do teatro. Eu queria conhecer o público, que era bem diverso, então fiz várias perguntas. É o seu primeiro show da Elza? Como está a expectativa? O que você achou do álbum “A Mulher do Fim do Mundo”? E por aí vai… Mas, teve um depoimento que me deixou emocionada.

Conversei com a Rosana Castro (29), antes e depois do show, e, no final, perguntei qual foi a música que mais a emocionou. A resposta foi “então, eu não esperava… na verdade não foi a música, porque eu já ouvi a música muitas vezes. Mas, ela repetia a palavra ‘negra’ e cada vez que ela falava a palavra ‘negra’ é como se ela fosse quebrando uma parte de mim, assim. Eu não tava esperando, eu não tava esperando mesmo. Foi essa parte da música (A Carne) que, eu não sei… aconteceu alguma coisa ali. Foi incrível!”

Rosana traduziu bem o sentimento. É isso! A voz de Elza entra na pele, cutuca as feridas e nos transforma. Você entra no teatro esperando só mais uma apresentação musical, mas sai de lá com um exemplo vivo de força, perseverança e empoderamento. Não é só um show, é uma experiência de vida.

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Quando o show termina, você consegue entender toda a cenografia de palco. Elza está apenas ocupando o lugar que lhe é de direito: o trono da música brasileira.