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CoMA, um suspiro de renovação em meio ao status quo dos festivais brasileiros

Por Felipe Ernani

Foto destaque por Matthew Magrath

Não importa qual seja o festival da sua preferência — Rock in Rio, Lollapalooza, Bananada, etc. — uma reclamação que você com certeza já fez é: “de novo essa banda?”. Essa reclamação não se aplica ao Festival CoMA, que aconteceu em Brasília entre os dias 10 e 12 de agosto de 2018. Aliás, não só às bandas: o festival manteve uma estrutura básica, mas foi completamente diferente da sua primeira edição (2017).

Uma das grandes propostas do CoMA (Convenção de Música e Arte) é, como o nome sugere, fugir do formato tradicional adotado pela maioria dos festivais Brasil afora. Enquanto alguns destes apostam cada vez mais em medalhões ou em bandas recorrentes para manter um público fiel, o festival brasiliense não tem medo de se arriscar e trazer artistam que fujam do mainstream. Também não tem medo de diversificar o próprio público, confiando em vários fatores além das bandas para fidelizar a audiência: um deles, e talvez o mais importante, é toda a experiência que o envolve.

Além de ter proporcionado uma espécie de Esquenta para o festival (realizado nos dias 28 e 29 de julho, em parceria com o Conjunto Nacional) contando com shows gratuitos de bandas novas e estabelecidas no cenário, o CoMA oferece desde o ano passado conferências/palestras sobre os mais diversos temas (relacionados à música ou não). Nesse ano, um dos temas mais explorados foi a indústria de jogos, inclusive com palestras gratuitas oferecidas na sexta-feira pré-festival. Outra parceria sensacional montada pela organização foi com a Indie Week Toronto, evento que acontece anualmente no Canadá com bandas independentes e que em 2017 teve a participação dos brasileiros do Scalene e Trampa (cujos membros fazem parte da organização do CoMA).

Sobre essa parceria, o começo “não oficial” do festival foi justamente na quinta-feira (09 de agosto), no evento Road to Indie Week — uma espécie de seletiva, com 5 bandas pré-selecionadas (Toro, Moara, Augusta, Alarmes e Mdnght Mdnght) competindo por 2 vagas nessa semana cultural canadense. O evento aconteceu na Cervejaria Criolina e as bandas Toro e Augusta se classificaram e vão representar a cena brasiliense lá no Canadá. Congrats!

O final de semana, com os eventos principais do festival, começou em grande estilo. Na sexta-feira, a Pré do Slap se mostrou uma versão mais organizada e voluptuosa da festa de abertura realizada no ano passado. Dessa vez, além de contar com DJ Set de figuras importantes das festas brasilienses e de algumas bandas nacionais (Far From Alaska + Supercombo + Plutão Já Foi Planeta), o evento teve também um show do MC Rashid. Tudo correu bem, apesar do ingresso relativamente caro comparado ao festival (R$40 pela festa vs. R$30 pelos dois dias de festival, pra quem comprou antecipadamente) e de um leve atraso. Uma das partes mais legais da festa era a mesa de beer pong montada e super bem organizada: jogava-se gratuitamente e os vencedores ainda ganhavam copos exclusivos da festa.

Invasão de palco no show da Supercombo (Foto: Matthew Magrath)

No sábado, primeiro dia no Complexo da FUNARTE, o festival começou com um leve sinal negativo: a entrada do público foi liberada enquanto algumas bandas ainda passavam som, o que se transformou em um atraso significativo no início do festival. No fim, esse acabou sendo praticamente o único momento negativo de todo o festival. O restante do dia correu super bem, sem atrasos entre as apresentações e sem nenhum problema técnico.

Como no ano passado, as performances se dividiram em 4 palcos + 1 tenda eletrônica: os palcos principais (Norte e Sul), o Clube do Choro e o cobiçado Planetário, além da Tenda Conexões. Nesse primeiro dia, o grande destaque dos palcos principais ficou por conta da apresentação da Supercombo e isso não se deu necessariamente pela banda em si. O público compareceu em peso e participou ativamente, coisa que não aconteceu tão fortemente com os shows do Rincon Sapiência e do ÀTTØØXÁ, que foram excelentes mas acabaram sendo um pouco prejudicados pelo atraso do começo do dia e cansaço das pessoas que estavam desde cedo. O que não significa, de jeito nenhum, que foram shows desanimados: o público que ainda tinha energia fez uma troca sensacional com os artistas e mostrou que cada vez mais a diversificação dos ritmos pode e vai tomar conta dos festivais.

É impossível deixar de falar também na performance estonteante da Elza Soares. Não só pela arte e paixão envolvidas em tudo que ela faz, mas pela importância de todo seu trabalho e pela consolidação da mudança de direção dos seus anos mais recentes de carreira, colocando-a sem dúvidas em um posto de rainha que é abraçado com carisma e humildade pela artista.

Além disso, as bandas que tocaram mais cedo também cumpriram com louvor seus papéis, especialmente o Menores Atos e o Maglore, que abriram respectivamente os palcos Sul e Norte com apresentações maduras e dignas de headlinear qualquer festival. Entre as surpresas, a banda Cachimbó que abriu o Clube do Choro com sua mistura de regionalidades e ritmos e a Alarmes com um show diferente e ousado estão entre as que deixaram marcas positivas.

Vale ressaltar, nesse momento, a quantidade de experiências simultâneas que o CoMA oferece — não só para justificar o tamanho desse texto, como para explicar porquê é humanamente impossível viver tudo que o festival proporciona. Os shows nos palcos principais são alternados, mas acontecem simultaneamente com as apresentações no Clube do Choro, no Planetário e na Tenda Conexões e ainda com as conferências. Além disso, ainda tivemos novidades esse ano: um espaço de Live Karaokê aberto ao público; mesa de beer pong (a mesma da festa de abertura) e até um simulador de corrida da Red Bull.

Apresentação do Gustavo Bertoni no Planetário (Foto: Matthew Magrath)

Dito isso, uma das experiências indispensáveis do festival é assistir a algum show no Planetário. As filas ficam enormes e poucos são atendidos (cabem apenas 80 pessoas no local), mas a proximidade e o intimismo são justamente alguns dos charmes desse formato. Apesar de infelizmente não ter conseguido ver o show do Gustavo Bertoni, tive o prazer de ver a canadense Julie Neff proporcionado uma performance inesquecível que misturava suas próprias músicas com alguns covers famosos, culminando em uma última música tocada de forma totalmente acústica (sem microfonação, sem nada) iluminada apenas pelas estrelas do domo. Se você vier pro CoMA do ano que vem, tire algum tempo e não deixe de viver isso: cada apresentação ali é única e especial.

Voltando ao tópico principal, os shows do domingo pareciam claramente voltados a um público diferente do sábado (com algumas exceções) e assim foi. A média de idade parecia maior, mas os shows continuaram atendendo a todos os gostos. A Céu fez talvez o grande show da noite, com um repertório excelente e com certeza com o público mais presente. Um dos mais esperados da noite, o Plutão Já Foi Planeta começou sem muita resposta do público, mas depois de algumas músicas e participações no palco a banda conquistou os presentes, ainda que majoritariamente aqueles que já eram familiarizados com a banda. No entanto, a Flora Matos foi uma gratíssima surpresa ao lado dos chilenos do Apokálipo que chegaram até a (literalmente) derrubar uma luz do Clube do Choro.

No entanto, assim como o show da Elza Soares foi o mais importante do sábado, no domingo foi a vez da Linn da Quebrada dar voz ao público LGBT e periférico da melhor maneira possível. Uma performance visceral, imprescindível nos tempos atuais e com uma atitude quase inigualável entre os outros artistas não só do festival como de todo o país.

Apresentação do Plutão Já Foi Planeta (Foto: Matthew Magrath)

Pra resumir, o CoMA fez o que todos os festivais brasileiros têm medo de fazer: fugiu do status quo. Não apostou em grandes medalhões, deu espaço a grandes nomes que andam meio esquecidos pelo mainstream (afinal, os headliners do domingo foram Chico César e Mundo Livre S/A) e se propuseram ao desafio de não repetir absolutamente nenhuma banda que já havia tocado na edição anterior. Esse e todos os outros desafios impostos sobre o festival foram superados e resultaram em (mais) uma experiência inesquecível para a cultura do Centro-Oeste, que cada vez mais vê o CoMA se consolidar no cenário nacional e finalmente colocar Brasília no circuito de festivais.

Voa, CoMA! Nos vemos em 2019!

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Resenha: Bananada 2017 @ Centro Cultural Oscar Niemayer

Por Gabriel Oliveira e Tayane Sampaio

Entre os dias 08 e 14 de maio desse ano, aconteceu a 19ª edição do Festival Bananada, em Goiânia. Com um dos melhores line-ups do ano, o festival era o lugar que qualquer fã de música independente queria estar.

Durante os três primeiros dias, os shows aconteceram nos bares, pubs, teatros e casas de show da capital goiana; na quinta-feira, aconteceu um “evento teste” no local que abriga os shows no final de semana, o espaçoso e aconchegante Centro Cultural Oscar Niemayer, que recebe o público até no domingo.

Este ano, foram montados quatro palcos: o Palco Spotify, com curadoria da Casa do Mancha; de frente pro Spotify estava o Palco SLAP, uma parceria com o selo da Som Livre, que, mais para o fim da noite, virava a tenda de música eletrônica El Club; o Palco Skol, um dos principais, que acomodou alguns dos shows com maior público; e o palco principal, Chilli Beans, que ficava logo na entrada do CCON.

Na sexta-feira, o RIFF desembarcou em terras goianas para acompanhar os três últimos dias do furacão Bananada. Os correspondentes Gabriel e Tayane, que já contaram tudo sobre o Festival, nesse vídeo aqui, agora contam como foram os shows mais interessantes que viram por lá.

GABRIEL OLIVEIRA

SEXTA – No Palco SLAP, a Plutão Já Foi Planeta foi a última atração da noite. O show contou com uma legião de fãs, que cantava todas as músicas. O grupo tocou faixas de seus dois álbuns, Daqui Pra Lá e o novo A Última Palavra Fecha a Porta. A banda fez um show enorme para um palco pequeno, o público estava interagindo e isso fez com que eles se soltassem cada vez mais.

Uma das cantoras mais esperadas do dia, sem dúvidas, era a Céu. Com público fiel, desde o lançamento do aclamado Tropix, a cantora encerrou as atividades do Palco Skol. Céu não deixou a desejar e embalou seus maiores sucessos, que foram cantados pela maioria do público que ocupava a grade.

Céu | Por Gabriel Oliveira

O último show da noite foi o do Jaloo, que se apresentou no Palco El Club. O paraense conquistou o público com a apresentação, cantando os sucessos do seu álbum de estreia, #1. Apesar de já estar bem tarde, o público pareceu não se importar com a hora e apenas aproveitou o festival. “Chuva” foi um dos momentos mais marcantes da apresentação, pois todo o público cantou e dançou junto com o cantor, que se jogou na plateia, literalmente. Divertido, Jaloo interagiu, conversou e até mandou uns memes para o público.


SÁBADO – No sábado, Consuelo, banda da capital brasileira, deu início aos trabalhos no Palco SLAP.  Era perceptível que a vocalista Cláudia Daibert estava bem contente. A cantora vestiu um figurino bacana, brincou com os sintetizadores e se mostrou disposta a conversar com o público. A plateia se aglomerou para assistir a performance da banda, que é composta por Vavá Afiouni (Passo Largo), o violão de João Ferreira (Natiruts), a guitarra de Marcus Moraes (Passo Largo), os sopros de Esdras Nogueira (Móveis Coloniais de Acaju) e a bateria de Thiago Cunha (Passo Largo).

O segundo show do SLAP foi o da goiana Bruna Mendez, que cantou e encantou. Na segunda-feira (08), a artista fez uma apresentação mais intimista no Sesc Centro, já pro Festival Bananada. A apresentação, leve e harmoniosa, contou com uma galera ajudando Bruna a cantar as músicas. A cantora parecia um pouco tímida e as poucas interações com o público foram bem rápidas, já emendando na próxima música. Com um dos melhores shows do festival, Mendez deixou transparecer seu amor pela música por meio de sua performance.

O show dos goianos da Carne Doce foi um dos mais esperados. João Victor Santana (guitarra e sintetizador), Ricardo Machado (bateria), Anderson Maia (baixo), Macloys Aquino (guitarra) e Salma Jô (voz e sintetizador) se apresentaram no Palco Skol, que estava totalmente lotado, com pessoas ansiosas pela explosão trazida pela banda. Logo nos primeiros segundos do show, se escutava o som da guitarra de Macloys, a bateria de Ricardo, o baixo de Anderson e os gritos do público, ensandecido. Salma entrou totalmente performática, com um sorriso no rosto, e cantou “Princesa”, faixa título do segundo álbum do grupo. Sem perder o ritmo, a apresentação foi forte, representativa e não teve sequer um momento de silêncio total; Salma conversou com o público e falou sobre a felicidade de estar tocando em casa.

Carne Doce | Por Tayane Sampaio

DOMINGOTeto Preto se apresentou no palco Skol, um show que talvez não esperasse tomar tamanha proporção pela vocalista Angela Carneosso e o seu grupo, que conta com L_cio (bateria), Zopelar (sintetizador), Bica (percussão e trombone). Com uma performance livre, Carneosso se apresentou nua, dançando, rebolando e, além de tudo, amando a vibração do público, que acompanhou boquiaberto todo o show. Com uma mistura de bossa nova e uma pegada totalmente eletrônica, provavelmente o som foi uma grande surpresa para quem não conhecia. Laura representou mostrou muito bem o poder de sua música e de seu corpo.

Um numeroso público, posicionado no Palco Chili Beans, aguardava o show da Tulipa Ruiz. Vencedora de um Grammy Latino, com o álbum Dancê, a cantora apresentou músicas do seu último álbum, que é extremamente empoderador. Com uma potência vocal sem igual, Tulipa consegue cativar o público com seu timbre e carisma, sendo conhecida pelo seu bom humor. O show ainda teve a participação de Lineker, que subiu ao palco para cantar ‘’Só Sei Dançar Com Você’’, que foi um momento bonito e marcante da apresentação. Encantadora, Tulipa encerrou o show agradecendo o carinho e o amor que os seus fãs ali presentes passavam.

Tulipa Ruiz | Por Tayane Sampaio

E para encerrar as atividades do Palco Skol, o Bananada contou com ninguém mais, ninguém menos que Karol Conka, artista que exala empoderamento feminino em suas músicas. Conka, que apresenta o tão aclamado Batuk Freak, cantou os seus hits como ‘’Do Gueto ao Luxo’’ e ‘‘Gandaia’’, e suas parcerias com o DJ Boss In Drama, como ‘‘Toda Doida’’ e ‘‘Farofei’’. Com um palco vasto, Karol, acompanhada do DJ Hadji, mostrou sua sensacional presença de palco e total domínio do público.

TAYANE SAMPAIO

SEXTA – Na sexta-feira, o primeiro grande show da noite foi o dos cariocas da Ventre, no Palco Chilli Beans. Quem não os conhece, pode achar que o alvoroço ao redor do nome da banda é só hype, mas basta assistir a um show do grupo pra entender o motivo de tanto entusiasmo dos fãs. Larissa Conforto (bateria), Hugo Noguchi (baixo) e Gabriel Ventura (guitarra e voz) têm apenas um álbum lançado, mas entre as poucas faixas de seu repertório, a banda consegue transitar entre momentos leves, quase meditativos, a uma explosão de sentimentos e sons. Larissa, que ocupa o centro do palco com sua bateria, usa muito bem sua força e sua voz para fazer um discurso que pede respeito às mulheres e as chama para fazer música.

Ventre | Por Tayane Sampaio

Os paulistas do E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante fizeram a melhor apresentação do dia no Palco Spotify. Mesmo com problemas técnicos, o show da banda foi uma imersão em um turbilhão sensações. A mudança entre momentos de introspecção e de total catarse são muito bem trabalhados nas músicas e, principalmente, nas performances de Rafael Jonke (bateria), Luden Viana (guitarra), Luccas Villela (baixo) e Lucas Theodoro (guitarra e sintetizadores). Além de dividir o nome, Villela e Theodoro dividem muito bem o palco, que fica pequeno pra tanta energia da dupla.

O último grande show da noite foi o do BaianaSystem, no Palco Chilli Beans, e não poderia ser diferente. Com um dos melhores shows da atualidade, o grupo fez o público dançar durante toda a apresentação. As mil e uma sonoridades trazidas pelo som da guitarra baiana de Beto Barreto, o baixo de SekoBass, a guitarra de Juninho Costa, a percussão de Japa System e as bases eletrônicas de João Meirelles e Mahal Pitta casam com perfeição com a voz e disposição de Russo Passapusso. Toda a identidade audiovisual do grupo, assinada por Felipe Cartaxo, torna a experiência ainda mais incrível. Poucas bandas de rock conseguem ter um som tão pesado quanto o samba-reggae do BaianaSystem.


SÁBADO – No sábado, o público chegou mais cedo no Centro Cultural Oscar Niemayer. Quem estava na primeira apresentação do Palco Spotify não deve ter se arrependido, pois quem deu início à programação foi o JP Cardoso. Com um dos shows mais divertidos do Festival, JP cumpre o que promete no título do seu álbum e embarca o público em uma leve e gostosa viagem pelas ondas sonoras das canções do Submarine Dreams, seu álbum de estreia. Sabe aquela viagem à praia com os amigos, com direito a várias lembranças boas e pores do sol de tirar o fôlego? Esse foi o show do JP. Mesmo sendo noite, o mineirinho conseguiu ensolarar o palco.

Ainda no Palco Spotify, Luiza Lian fez uma das apresentações mais especiais de todo o Festival Bananada. A paulistana levou a experiência audiovisual de seu disco Oyá Tempo ao CCON, acompanhada pelas batidas de Charlie Tixier. Luiza, que teve um dos maiores públicos daquele palco, criou um ambiente totalmente imerso no conceito de seu álbum, pois, além das músicas e das projeções, a artista levou ao público uma bonita cenografia e figurino. Com suas canções que remetem do jazz ao candomblé, Lian consegue inserir o ouvinte em sua narrativa e instigá-lo a conhecer melhor a divindade-musa inspiradora de suas músicas.

Luiza Lian | Por Tayane Sampaio

Maria Gadú também presentou o público com uma apresentação emocionante. Quem só conhece a artista pela estourada “Shimbalaiê” ficou de queixo caído com a evolução de Gadú, que tem o palco e o público na palma da mão. A blusa divertida da cantora e guitarrista, com estampa de bananas, destoou da atmosfera densa e visceral criada pelas músicas do ótimo Guelã, último álbum da artista, e músicas de seus trabalhos anteriores. Acompanhada por Federico Puppi (violoncelo), Lancaster Pinto (baixo) e Felipe Roseno (bateria), Gadú parecia estar rasgando o próprio coração no palco, tamanha a entrega da artista, que fez um show comovente.


DOMINGO – No domingo, no Palco Spotify, o começo do fim não poderia ter sido mais bonito. Os mineiros da El Toro Fuerte fizeram a trilha sonora para o por do sol que acontecia atrás do palco. Diego Arcanjo (baixo, guitarra, voz), Gabriel Martins (bateria), João Carvalho (voz, guitarra, baixo) e Fábio de Carvalho (guitarra, voz) fizeram uma apresentação intensa, assim como o álbum de estreia da banda, chamado Um Tempo Lindo Pra Estar Vivo. A apresentação foi tão intensa que teve gente na plateia que não segurou o choro, mas em pouco tempo as lágrimas deram lugar pra sorrisos e abraços. Nem mesmo uma corda de guitarra estourada tirou o clima do show, que tinha um público muito interessado e um quarteto em ótima sintonia.

El Toro Fuerte | Por Tayane Sampaio

Boa parte do público do Palco Spotify saiu correndo pro Palco Skol, que já estava nos ajustes finais para receber o Rakta. A iluminação exclusivamente vermelha, com muita fumaça, quase sufocante, acompanhou muito bem o post punk extremamente bem executado pelo trio. A experimentação de Carla Boregas (baixo e voz), Paula Rebellato (teclado e voz) e Nathalia Viccari (bateria) mostra que nem só de guitarra vive o rock e cria uma atmosfera única, que casa muito bem com os “inferninhos” do underground. Talvez, se a banda tivesse tocado em um palco menor, a experiência de ver o trio seria ainda mais libertadora.

No palco Chilli Beans, aconteceu um dos encontros mais legais do rock goiano. Hellbenders e Black Drawing Chalks se enfrentaram numa espécie de competição em que o público saiu ganhando. As bandas tocaram músicas de seus repertórios e rolou até uma versão de “Mexicola”, do Queens of the Stone Age. As bandas foram acompanhadas pelo público, que encheu o Palco, tanto na voz quanto no bate-cabeça, além das recorrentes rodas punk. Não dava muito tempo de respirar, pois, quando Diogo Fleury (voz/Hellbenders) terminava uma música, Edimar Filho (voz/BDC) já emendava outra. O público saiu do palco com um sorriso no rosto e suor escorrendo pela testa.


Veja as fotos que tiramos dos shows que assistimos aqui.

Resenha: Plutão Já Foi Planeta + Evil Matchers @A Autêntica

Por Cristino Melo

Mesmo sendo um planeta gelado, Plutão, que voltou a ser planeta, conseguiu esquentar a noite fria da capital mineira nessa última quinta-feira (22). A banda natalense se apresentou na A Autêntica, casa de shows na Savassi.

Nota: A abertura do show ficou por conta da banda Evil Matchers. Mesmo destoando totalmente do estilo da Plutão, apresentando um punk rock, os caras conseguiram ter uma boa interação com público. Apresentando um som autoral, os músicos se mostraram individualmente bons, porém faltou sincronia ao conjunto.

A Plutão Já Foi Planeta se apresentou por quase uma hora e meia, apresentando todas as músicas do “A Última Palavra Feche a Porta”, além de mais algumas do primeiro álbum. Já de abertura apresentaram o primeiro single do CD, “O Ficar e o Ir da Gente” e mostraram um grande entusiasmo.

O público (que não lotou a casa) correspondeu a banda em boa parte do show. Cantou todas as músicas, batia palma, metrificava e gritava ‘Fora Temer’ junto com o quinteto. Destaque na música “Viagem Perdida” que fizeram um final estendido com a participação de todos.

Destaque também para o Gustavo e Sapulha nos vocais, não só apoiando a Natália, mas em várias canções. Sapulha também abusando do ukelele em várias músicas, deixava o show extremamente agradável. Esse ponto é muito bom. Todos da banda são versáteis. Tocam vários instrumentos, participam nos vocais e interagem com o público. Hora a Vitória estava no baixo e a Natália no sintetizador, depois invertiam com a maior naturalidade. Também é importante mencionar o Renato. Entrou para a banda há pouquíssimo tempo (quinto show) e já mostra uma naturalidade para puxar as músicas e fazer vários solos na bateria.

Nas músicas, “Insone”, a melhor música do último CD, cantada ao vivo, fica tão melódica quanto na versão de estúdio. “Você Não É Mais Planeta” fez toda a plateia pular bastante. E finalizar com “Alto Mar”, faixa um do disco, foi para acabar de vez com a garganta de todos os presentes.

Em resumo, A Plutão Já Foi Planeta provou que realmente é uma banda pronta para o sucesso. Segura, carismática e talentosa.

Conheça todos os vencedores do Prêmio RIFF de Música 2016!

O Canal RIFF viveu neste dia 1º de dezembro o dia mais louco de seus quatro anos de história. Graças a quatro bandas incríveis e mais de 350 pessoas que passaram pelo Teatro Odisseia, no centro do Rio de Janeiro. A entrega do Prêmio RIFF de Música 2016 teve shows lindos da El Toro Fuerte, Def, Hover e Versalle.

A noite reuniu também os produtores e colaboradores do coletivo de audiovisual RIFF. Pelo segundo ano seguido distribuíram troféus para várias categorias – 13 ao todo. Oito nacionais e cinco internacionais.

Os grandes vencedores da noite foram Scalene e David Bowie, cada um com duas premiações. Destaque também para a premiação de ‘Melhor Instrumentista’ para a baterista Larissa Conforto, a única presente que de fato levou o troféu – afinal, Larissa, baterista da Ventre, tocou com a El Toro Fuerte.

Ao todo foram mais de 2500 votos recebidos de todo o país – e de vários cantos do mundo. O RIFF deixa aqui o seu MUITO obrigado a todos que participaram de alguma forma desta premiação! Ano que vem tem mais! :)


Confira abaixo todos os vencedores através do voto popular:

INSTRUMENTISTA DO ANO: Larissa Conforto (Ventre/Xóõ) 

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MELHOR CLIPE – INTERNACIONAL: ‘Lazarus’ (David Bowie)

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MELHOR CLIPE – NACIONAL: ‘Ai, Ai, Como Eu Me Iludo’ (O Terno)

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MÚSICA DO ANO – INTERNACIONAL: ‘Burn The Witch’ (Radiohead)

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MÚSICA DO ANO – NACIONAL: ‘Vultos’ (Scalene)

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SHOW DO ANO – INTERNACIONAL: Guns N’ Roses

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SHOW DO ANO – NACIONAL: Scalene

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ÁLBUM DO ANO – INTERNACIONAL: ‘Blackstar’ (David Bowie) 

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ÁLBUM DO ANO – NACIONAL: ‘Sabotage’ (Sabotage)

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BANDA/ARTISTA DO ANO – INTERNACIONAL: Twenty One Pilots    15241934_10154079314661961_4665252792596435102_n

BANDA/ARTISTA DO ANO – NACIONAL: Pense

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REVELAÇÃO 2016: Plutão Já Foi Planeta 

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MÍDIA DE MÚSICA: Tenho Mais Discos Que Amigos

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Em breve fotos e vídeos do Prêmio RIFF. Siga nossas redes sociais para mais detalhes!

Resenha: Plutão Já Foi Planeta, Radioativa e Bordô @Teatro Odisseia

Por Alan Bonner (texto e fotos) | @Bonnerzin e @GustavoChagas

O melhor jeito de se surpreender com algo é quando, mesmo existindo uma expectativa boa no entorno da coisa, ela sai ainda melhor do que o esperado. É bem assim que pode ser definida a noite de quinta-feira (16/6), quando Plutão Já Foi Planeta, Radioativa e Bordô fizeram ótimos shows no Teatro Odisseia (Rio de Janeiro) e surpreenderam até aqueles que já conheciam seus trabalhos.

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Os cariocas da Bordô abriram a noite com um set curto, mas suficiente para mostrar a proposta da banda. Fazendo um rock ora dançante, ora mais introspectivo, Rafael Lourenço (vocal, guitarra e teclado), Daniel Schettini (guitarra), Marcelo Santana (bateria) e Rodrigo Pereira (baixo) trouxeram à tona aquela atmosfera de festa indie habitual do Odisseia durante pouco mais de meia hora e botaram o público para dançar. Uma banda para se ficar de olho, principalmente para quem curte um som na linha de Panic! At the Disco, Franz Ferdinand e Arctic Monkeys.

Radioativa @ Odisseia

A também carioca Radioativa subiu ao palco logo após, e as comparações com os americanos da Paramore foram inevitáveis, pela estética da banda, pela vocalista e pelas primeiras notas tocadas. Porém, as semelhanças ficaram nas primeiras impressões. Ana Marques (vocal), Felipe Pessanha (guitarra) Fabricio Oliveira (guitarra), Denny Manstrange (baixo) e Rodrigo Aranha (bateria) fazem um som com elementos diferentes da banda de Hayley Williams. A banda apresentou no seu set de cerca de 50 minutos um pop-punk com uma boa dose de peso e distorção, com influências de post-hardcore e real emo, além de um vocal potente de Ana. A dupla de guitarras também se destaca, com ótimos riffs e uma pegada forte, raramente vista em músicos do estilo. Merece a atenção dos fãs de Yellowcard, New Found Glory e do já citado Paramore.

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Para fechar a noite de boas surpresas com chave de ouro, a Plutão Já Foi Planeta, finalista da edição 2016 do programa Superstar, ganhou o palco do Odisseia com muito carisma e boa música. Quem vê a banda potiguar na TV ou ouve o EP “Daqui Pra Lá” e se encanta precisa urgentemente ir a um show deles. É ainda melhor! Os versáteis Natália Noronha (voz, baixo, sintetizador), Sapulha Campos (voz, guitarra, ukulele, escaleta), Gustavo Arruda (voz, guitarra, baixo), Vitória de Santi (baixo, sintetizador) e Khalil Oliveira (bateria) fazem um indie pop com muita originalidade, ótimos arranjos e uma entrega no palco que pouco se vê no mainstream atual. A banda é muito bem ensaiada e pareceu em casa no Rio de Janeiro, mesmo sendo a primeira vez em terras fluminenses. Até o público presente no show impressionou. A galera cantou todas as letras e brincou com os integrantes da banda entre as músicas, tornando a noite ainda mais agradável. E a maior e melhor surpresa de todas ficou para o final: a Plutão chamou os interagentes da OutroEu e da Playmobille, duas bandas que também participam do Superstar (a OutroEu também está na final) para cantar com eles no palco a última música do set, Você Não é Mais Planeta, e transformou o show numa festa. Fiquemos ligados na final do Superstar, pois a Plutão fez um show de campeã.

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