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Conheça a banda Humbold, representante da nova safra do rock brasiliense

Por Tayane Sampaio

A Humbold surgiu como um projeto individual, sem muitas pretensões. A Les Millows, banda anterior do Guilherme de Paula (voz e guitarra), tinha acabado e, sozinho, ele começou a botar no papel todas as ideias que estavam martelando sua cabeça. Tudo foi tomando forma e expandiu para além da jornada solo de Guilherme. Atualmente, a Humbold é formada por Lorena Lima (baixo), Guilherme Breda – Guizão (guitarra), Matheus Grossi (bateria) e Guilherme.

As letras da banda são cheias de significados e se moldam a várias realidades. A narrativa, com começo, meio e fim, remete à ideia de travessia: por lugares, sentimentos, lembranças, sensações. O instrumental, muito bem trabalhado e executado, também conta uma história, que se entrelaça com os versos e cria um universo cheio de canções de fácil identificação.

Com influência de bandas gigantes como Queens of the Stone Age e Muse, a Humbold conseguiu incorporar essas referências na sonoridade da banda, mas sem perder sua identidade ou cair na mesmice do rock de arena.

Em uma conversa descontraída, Guilherme nos contou mais sobre a Humbold, sua trajetória e processo criativo.

Humbold 2017 por Lai Victoria
Humbold 2017 por Lai Victoria

Como a Humbold nasceu?

Eu escrevi umas duas músicas no começo da banda, bem no comecinho mesmo, e depois comecei a procurar uma galera pra poder tocar. Perguntei se uma amiga, Ana Clara, não pilhava e aí ela chamou a Lorena, que foi a primeira pessoa da formação atual a entrar na banda. A gente foi pra estúdio, começou a testar umas músicas, aí tive a ideia de fazer os EPs. No final de 2015, já estávamos com as gravações adiantadas, o “I” já estava praticamente gravado, só faltavam as baterias. Conheci o Anderson (MDNGHT MDNGHT)  e convidamos ele pra gravar, sem compromisso, se ele curtisse a gente veria o que fazer no futuro. O Guizão também foi mais ou menos assim. Ele é meu amigo há anos, a gente já tocou muito, mas sem ter banda. Tinha um espaço na banda pra segundo guitarrista, mas era pra ser um cara que pensa em guitarra sem fazer sons de guitarra, um cara que pudesse tocar teclado, sintetizadores, guitarra ambiência… que é uma coisa que nem todo guitarrista faz. Era a vaga pra um Guizão e ele acabou topando.

Nota da Redatora: Nesta semana, a banda anunciou que Anderson Freitas saiu da banda.

Apesar de cada EP ter identidade musical e temática diferentes, todas as músicas lançadas até agora fariam sentido em um único álbum. Por que vocês decidiram lançar três EPs ao invés de um álbum completo?

Porque também tem uma questão de direção musical. O “I”, por exemplo, foi produzido pelo Bepo (MDNGHT MDNGHT); o “II” e “III” foram produzidos pelo Victor Hormidas (Ape X and The Neanderthal Death Squad), um cara muito mais focado em metal. O estilo de produção é muito diferente, e isso foi deliberado. A ideia seria que o primeiro EP fosse bem diferente, com uma pegada bem mais intimista, melancólica, com elementos eletrônicos. Isso é uma coisa que a gente sabia que queria extrair mais do Bepo, ele tem um ouvido muito bom pra esse tipo de timbre, pra teclados e tal, e eu queria que cada EP soasse mais ou menos como os pais deles. O segundo e o terceiro, que gravamos com o Victor, soam um pouco mais parecidos entre si, mas eles têm uma pegada diferente. O segundo é mais despido, mais cru, não tem tanta firula; o terceiro foi o que a gente decidiu pirar, em questão de timbres e instrumental… são instrumentais muito grandiosos, foi o que a gente se deu mais liberdade. Então, assim, do ponto de vista de direção musical, fazia sentido gravar três EPs, porque, embora eles sejam parecidos, eles não têm aquela coesão que a gente espera de um CD, pelo menos pra gente. E, do ponto de vista conceitual, nós queríamos lançar o primeiro pra poder ser digerido de uma forma, o segundo ser digerido de outra forma e o terceiro também.

Com qual dos EPs você mais se identifica e por quê?

No momento, o terceiro. Ele tem um quê de otimismo, mas não é um otimismo besta, é um otimismo um pouco mais maduro, mais realista. Fiquei um tempo sem escutar e recentemente eu fui ouvir e pensei “cara, era exatamente isso que eu queria que tivesse acontecido, tá do jeito que eu queria!”. Ele tá falando comigo de uma forma que eu nunca pensei que ia falar, porque eu escrevi isso. Tá sendo muito bacana essa experiência. O mais legal é que o “III” foi o que mais teve colaborações de pessoas de fora e dos outros integrantes da banda.

Como funcionou o processo de composição dos EPs?

A parte de letra foi composta toda no começo. Primeiro, eu escrevi umas quatro ou cinco músicas, que, aparentemente, não dialogavam tanto entre si, elas tinham mais ou menos a mesma vibe, na época. Tanto é que algumas músicas estão no “III”. Depois que eu cheguei numas seis ou sete músicas escritas, percebi que existia meio que uma linha narrativa, um conceito no que eu estava fazendo. Eu entendi o que eu queria fazer, aí comecei a escrever até que chegou em um ponto em que tínhamos umas dezessete músicas. Eu comecei a revisitar as letras, pra ver o que eu podia reajustar dentro do conceito fechado, porque algumas coisas que eu escrevi foram saindo, mas depois eu vi que faziam sentido e fui reescrevendo algumas coisas.

Além da música, teve alguma outra coisa que inspirou a criação da série de EPs?

Não teve uma fonte de literatura, mas foi muito uma questão pessoal, sempre foi uma coisa muito pessoal pra mim. Eu sempre tive essa ligação muito forte com o mar. Na minha infância e adolescência, eu ia pescar com o meu pai, a gente passava dias dentro de um barco, no meio do mar do Pernambuco. Era uma coisa que eu estava acostumado, que gostava e me intrigava muito. Sempre gostei muito de como o mar é uma figura de linguagem e também uma força da natureza tão incrível. Meu livro favorito, por exemplo, é “O Velho e o Mar”, do Hemingway.  Quando comecei a escrever, eu sabia mais ou menos o que eu queria contar, eu gosto muito de histórias que você pode contar de forma clara, mas que tem uma história mais simbólica de fundo. Eu gosto dessas histórias que você tem um subtexto mais alegórico, por isso tem algumas palavras e algumas figuras que a gente repete muito, porque elas adquirem significados diferentes dependendo do momento que elas entram.

 Vocês afirmam que a banda não é o começo ou o destino, mas a viagem. Querendo ou não, essa viagem tem que levar vocês a algum lugar. Qual seria o destino dos sonhos de vocês?

A reposta clichê seria “quero tocar em estádios”. Sempre imaginamos a Humbold como banda de palcos grandes, achamos que funcionamos melhor em palcos grandes e isso é uma coisa que a gente sempre gostou muito. Do ponto de vista de sucesso, acho que uma banda que me vem muito à cabeça, quando penso de sucesso pra Humbold, seria The Dear Hunter. Eles não são uma banda muito grande, não estouraram, mas tem uma coisa que eu admiro absurdamente neles: como são íntegros com o que eles fazem e como eles conseguem fazer coisas de excelente qualidade. As pessoas que gostam da banda são apaixonadas não só pela banda, mas pelo conceito das músicas, do projeto que eles fazem. Eu acho que o objetivo é você tocar com uma plateia que você não precisa subestimar pra poder alcançar, pra que você possa trabalhar conceitos dentro do seu disco, não precisar apelar pra alguém ou alguma coisa.

Escute:

https://open.spotify.com/embed/artist/2CwHBqjCDTJYcZMCzM60Yk

Foto da capa: Marcella Lasneaux

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Entrevista Banda Trampa

por Camila Borges

A banda brasiliense Trampa acabou de lançar o lyric vídeo da música Heróis, canção inédita que presta homenagem, de acordo com a banda, a todos os “heróis” que lutam ou lutaram pra fazer do mundo um lugar melhor. E nós do Canal Riff conversamos com a banda sobre a experiência no Canadá onde estiveram recentemente, novidades e projetos futuros.

Canal Riff:  Vocês se apresentaram no Canadá entre os meses de maio e início de junho desse ano, aliás não é a primeira vez que vocês estiveram por lá e já devem ter muitos fãs. Como é a recepção da galera? Como foi a experiência? Já pensaram em gravar em outro idioma?

Banda Trampa: A galera de lá é incrivelmente carinhosa e receptiva, mesmo com a gente tocando nosso repertório que é quase inteiramente em português! O público de lá é bem diverso, de todas as idades e de várias vertentes do rock, só que lá a gente não sente tanto o sectarismo de estilos que acontece no Brasil, sabe? Então, essa experiência em todas as vezes que a gente foi lá foi incrível! E é sempre bom ver como outros mercados se comportam, principalmente em países em que o rock é uma marcante e clara parte da cultura local.
Sobre gravar em outro idioma, temos novidades! Ainda esse ano lançamos um EP com algumas músicas em inglês chamado Never Forget! Uma delas inclusive é uma colaboração com uma galera muito massa lá de Toronto chamada Black Absynthe. Se quiserem sentir um gostinho desse novo trabalho, nós colocamos sorrateiramente um vídeo no YouTube com a música Never Forget (clique aqui para ouvir).

Canal Riff: A Trampa tem um pouco mais de 10 anos de carreira, 3 discos, vários shows dentro e fora do Brasil. Hoje depois de todo esse percurso, como vocês se sentem? Quais as principais mudanças?

Banda Trampa: A gente se sente super bem depois desse trajeto todo. Já erramos e acertamos várias vezes, já viajamos pro exterior e isso está cada vez mais constante, já tocamos acústico, com orquestra, em casas de show de todos os portes, em todas as regiões do país e trocamos de integrantes várias vezes. Ter vivido isso tudo agrega muito, seja em vivência, experiência, visão de mundo, mercado, música e tal, mas o que importa mesmo agora é que estamos nos sentindo totalmente renovados e cheios de energia.

Canal Riff: Brasília sempre foi o berço de ótimas bandas seja nos anos 80 e 90, e é claro que agora também. E tenho certeza que vocês têm um bom percentual nessa nova leva e já tem uma certa experiência, qual o conselho que vocês dariam pra quem pretende ter uma banda?

Banda Trampa: Acho que o ideal pra todas as pessoas, em qualquer linha de trabalho que seja, seria se envolver profundamente com o que faz. Conheça todas as nuances do que você quer fazer, saiba a parte técnica, mas deixe seu toque pessoal, seja apaixonado. A arte ainda puxa mais esse quê emocional, já que lidamos com expressões e sentimentos humanos. Como diria um grande amigo nosso: “É um mercado de pessoas” ou seja, você tem que saber lidar com elas, em qualquer ponta do negócio, no palco, com o público, contratantes, produtores, merchandising e etc.. “Não seja um babaca” é um conselho incrível também e outra frase dele ótima é: “Não é que seja difícil, mas é bem trabalhoso.” Saiba que é uma empresa e vai dar MUITO trabalho mas SEMPRE vai valer a pena!

Canal Riff: Como funciona o processo de composição, arranjos? Vocês começam por algum ponto ou não tem uma ordem certa?

Banda Trampa: Ah, isso varia bastante! Já fizemos de várias maneiras diferentes tipo: com alguém chegando com uma música bem estruturada e a gente termina de arranjar, ou só com uma idéia inicial de letra e fazemos tudo, ou alguém chega com um riff fera e partimos daí, ou através de jams em ensaios onde saem várias idéias, ou gravando em casa com instrumentos eletrônicos, etc. Não temos uma fórmula pra isso. O que mudou desde que o Diego começou a nos produzir é que temos voltado bastante nas canções que supostamente estão prontas e acabamos mudando várias coisas, tentando fugir da sensação de conforto, sabe? Nada mais é sagrado e nada tá pronto e finalizado até sair o disco.

Canal Riff: O último álbum de estúdio foi o “Viva la Evolución” em 2016 e vocês irão lançar um vinil ainda esse ano. Como surgiu essa ideia?

Banda Trampa: Esse vinil que se chamará “Trampa a Sinfonia” é uma homenagem aos dez anos do primeiro show idealizado pelo falecido Maestro Sílvio Barbato e ele contará com músicas dos nossos três discos, todas com um arranjo especial feito unicamente pra esse trabalho. Nós já íamos fazer uma homenagem, mas a ideia de como faríamos veio do Diego Marx, nosso produtor e do Tomás Bertoni do Scalene após verem um show acústico nosso na Fnac. Eles gostaram muito dos arranjos que nós fizemos pra aquele show e sugeriram somarmos aquele formato aos arranjos de orquestra do grande Maestro Joaquim França e do próprio Sílvio Barbato. E funcionou! Ficaram ótimas!

Canal Riff: Além do vinil, mais algum projeto pra 2018? e os próximos projetos da banda?

Banda Trampa: Temos o vinil ” Trampa a Sinfonia“, nosso primeiro EP em inglês “Never Forget”, novos videoclipes, shows, viagens, turnês, seja no Brasil ou fora. Sobre os próximos passos da banda, temos uma intenção bem grande de reforçarmos nossa carreira no exterior mas sem abandonar os shows por aqui! Essa é a meta principal!

 

Conheça a banda Augusta, promessa da música brasiliense

Por  Tayane Sampaio

Já disse, várias vezes, que a cena musical de Brasília está passando por um momento bonito e prolífico. São muitas bandas na ativa, de vários estilos, pra todos os gostos. A Augusta é uma das bandas que eu coloco, sem receio algum, na minha lista de promessas da música brasiliense.

Taís Cardoso (voz e violão), Lucas Maranhão (voz e guitarra), Gabriel Peres (bateria) e Davi Figueiredo (baixo) já lançaram alguns singles nos serviços de streaming, e esses cartões de visitas só aumentam as expectativas do que está por vir. No primeiro semestre deste ano, a Augusta irá se apresentar para o mundo por meio de seu primeiro EP, que se tornou possível com a ajuda de várias pessoas que contribuíram com o financiamento coletivo da banda.

Gabriel, Lucas e Taís bateram um papo com a gente sobre suas trajetórias, inspirações, sonhos e planos. Vem conhecer a Augusta!

Os integrantes da Augusta são novos, todos têm 19 anos, e tiveram o primeiro contato com um instrumento musical ainda na infância, o que desencadeou o interesse por esse universo. O Gabriel, por exemplo, cresceu inserido nesse mundo, pois o pai e o tio são músicos. “Desde pequeno, eu sempre estive envolvido com a música. Fazia aula de piano, depois passei pra guitarra… foi mudando, mas a música sempre esteve muito presente. Tive influência total [da família], porque eu os via tocando, tirando um som e achava massa demais, queria fazer também”. Gabriel chegou a tocar com o pai, em alguns shows, e gravou uma música pro CD dele.

Lucas, aos oito anos de idade, se interessou por um violão que encontrou largado em um canto de sua casa. O menino cismou que “queria aprender a tocar, aí eu ficava incomodando meus pais, falando que eu queria aprender, até eles me colocarem em uma aula”. O seu objetivo era se tornar um guitarrista.

Taís se interessou pelo violão mais ou menos na mesma idade que Lucas, mas a vontade dela de aprender o instrumento surgiu por ver um amigo tocar guitarra. Ela nos contou que “com uns 13 anos, eu ganhei uma guitarra, mas o violão sempre foi meu instrumento principal. Depois toquei teclado também, fui vendo várias coisas diferentes”. Apesar de ter começado cedo com o violão, foi aos 16 que Taís se interessou pelo canto. “Eu comecei a cantar por uma necessidade de expor os sentimentos, isso que me motivou”, afirmou.

Sombrosos por @isadoragl

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Como de costume, a Augusta é formada por um grupo de amigos. Lucas disse que se aproximou de Gabriel, que é seu primo, pelo interesse mútuo pela música. Davi, que estudava com Lucas, se juntou aos dois e formaram o que seria o primeiro embrião da banda. O trio costumava tocar músicas de outras bandas quando as autorais começaram a surgir. Uma dupla de metais, trombone e trompete, teve uma breve passagem pela Augusta. Em 2016, Taís entrou pro time. Amiga de Lucas desde o colégio e colega de turma na faculdade, ela aceitou o convite pra fazer parte do projeto.

Quando o assunto é inspiração, os integrantes do grupo mostram pluralidade, que é refletida no trabalho do grupo. Gabriel se inspira nos bateristas das décadas de 60 e 70, do rock clássico britânico, e tenta incorporar a desenvoltura dessa galera no seu estilo. Em território nacional, sua maior referência é João Baroni, do Paralamas do Sucesso. Apesar do pé no rock clássico, ele se mantém antenado no que está rolando na cena atual. “Daqui, tem o Paulo Sampaio, da Dona Cislene. O estilo dele é um que me interessa bastante, não que eu toque parecido, mas acho que de influência daqui de Brasília seria ele. Eu gosto bastante do jeito dele de tocar.”

Taís citou a performance intimista do The xx como uma inspiração, além de falar da Raquel Reis, outro tesouro da cidade, e Tulipa Ruiz. Assim como Lucas, ela gosta muito de bandas nacionais e os dois compartilham muitas referências. Quando perguntei o que ela escutada no dia a dia, Taís disse estar descobrindo o mundo das trilhas sonoras de animes. “Eu tô começando a ver umas animações e tô ouvindo as trilhas sonoras, que são incríveis! É meio mundo Disney, mas esse instrumental orquestral… A que tô ouvindo, no momento, é a trilha de ‘Sussurros do Coração’”, contou.

A performance enérgica do Cage the Elephant é uma inspiração pro Lucas, que gosta da entrega do grupo nos palcos e da ideia de que cada show é um espetáculo diferente e você deve dar o máximo de si praquele momento único. Como referência, ele tem as bandas mais atuais e afirma que os cariocas do Baleia são uma grande referência pro grupo.

Baleia, uma banda que foi muito citada durante a nossa conversa, também entra pra lista de bandas com quem a Augusta gostaria de dividir o palco. “A gente gosta muito deles, dividir o palco um dia seria incrível… a Ventre também!”, Lucas contou. Sonhando mais alto, Taís citou os Novos Baianos, Lucas pensou no Milton Nascimento e Gabriel lembrou do Lenine “eu gosto bastante das músicas, do estilo dele… acho que seria um acontecimento muito legal”.

Augusta @2017 | Por Breno Galtier
Augusta @2017 | Por Breno Galtier

Sobre os três singles lançados “Tudo em Ordem”, “Olhos Verdes” e “Ônibus (Peso da Semana)”, eles contam que decidiram lançar antes do EP por se tratarem de composições antigas, que existiam antes da formação atual da banda. Lucas contou que “a Taís ajudou no processo de produção delas, aí quisemos lançar antes, até pra ir nos conhecendo e testando o nosso estilo. As três músicas são minhas e mudaram muito, porque a partir do momento que mostrei pra banda, cada um acabou influenciando na forma que a música tomou”.

Mesmo com as poucas músicas lançadas, a Augusta se manteve presente nos palcos da cidade. Os vários shows realizados nesse curto período de existência do grupo trouxeram experiência de palco e de vida pro grupo, que vislumbrou o mundo da música além do palco. O contato com bandas mais experientes e o envolvimento maior com a cena criou essa percepção de que o trabalho de ter uma banda vai muito além de compor, ensaiar e tocas suas músicas. “Essa bateria de shows criou um maturidade na gente, pra apresentar as músicas, até pra apresentar esse EP, agora” contou a vocalista.

As músicas do vindouro EP foram gravadas no começo de dezembro. “Desde março, gente tá junto com o Henrique Bepo (MDNGHT MDNGHT) produzindo as músicas. São 5 inéditas e “Aguaceiro”, que não lançamos nas plataformas de streaming, mas já tínhamos lançado no Youtube”, o vocalista revelou. Ainda sobre a participação do Bepo no processo, Lucas disse que funcionou bastante e que isso acabou moldando o som da Augusta.

Lucas garante que o indie-folk-MPB, como eles gostam de chamar, continua, mas com algumas novidades. Taís destacou os ritmos e contou que tem uma música com piano. Ela disse, ainda, que a ideia inicial não era compor um EP. Os dois vocalistas, Taís e Lucas, são os responsáveis pelas letras das músicas. Segundo Lucas, as canções são as primeiras colaborações dos dois e que acabaram funcionando muito bem em conjunto. As letras do EP misturam coisas que aconteceram com os compositores e coisas que poderiam ter acontecido. O músico revelou que gosta de falar que eles contam histórias, que curtem supor situações e até sentimentos.

A banda está colocando todos seus esforços pro lançamento do EP, planejando cada detalhe, pra entregar uma obra que tenha a cara e a alma da Augusta. Depois, os planos são de tocar bastante e alçar novos voos, conhecer novos territórios e levar a música deles pra outros estados. Ah, e vai rolar clipe também!

Escute a banda Augusta:

Foto: Breno Galtier

Resenha: Tim Bernardes @ Theatro Net

Por Natalia Salvador

Recomeçar foi um dos discos brasileiros mais comentados em 2017. O lançamento de Tim Bernardes, fora da banda O Terno, foi muito esperado e superou às expectativas do público e da crítica. Os shows de lançamento têm sido feitos de maneira mais leve e tranquila, por isso, cada capital por onde Tim passa aguarda ansiosa pela oportunidade de desfrutar deste espetáculo ao vivo. O Canal RIFF não poderia perder a oportunidade de estar presente neste dia tão especial e, de quebra, ainda batemos um papo com o multi-instrumentista. Confira!  

Tim Bernardes @ 2018

O cenário simples e minimalista nos fazia sentir como se estivéssemos dentro de um quarto com Tim. Era o momento dele nos mostrar seu íntimo, da maneira mais verdadeira que poderia. Em entrevista exclusiva, o cantor contou como foi lançar um trabalho solo. “Foi um processo completamente diferente dos discos que eu já tinha feito com O Terno. Eu sempre fui 100% focado na banda e, vira e mexe, compunha uma canção que tinha uma pegada bem mais pessoal”, explicou. O paulista ainda disse que escolheu músicas que, de alguma forma, tinham a ver com a temática de estar sozinho, de ver uma estrutura ruir – seja por uma mudança, um relacionamento, etc -, e o silêncio. “O disco é o meio do caminho, o limbo até, de fato, algo recomeçar. O tempo que eu guardei essas músicas eu não tinha nem coragem de mostrar para as pessoas, deixava elas guardadas e de tempo em tempo eu ouvia e continuava gostando delas”, concluiu.

Se as gravações já são emocionantes, ao vivo a coisa fica ainda mais bonita! Acompanhado de um piano e duas guitarras, onde se divide a cada música, Tim apresentou músicas do álbum solo, suas composições com O Terno, além de versões de canções de outros artistas. No meio de lindas performances de Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Black Sabbath, Belchior, entre outros, o grande destaque da noite ficou por conta de Soluços, música de Jards Macalé. Entre as canções da banda, Volta e Melhor Do Que Parece, presentes no último disco, não ficaram de fora do set list. Além disso, a iluminação baixa também te transporta para o universo de Tim.

Tim Bernardes @ 2018

O público cantava mais tímido a maioria das músicas, pareciam estar ali apenas observando e absorvendo o que o multi-instrumentista havia preparado. “Eu to bem feliz! Eu sabia que estava fazendo um disco e que eu achava as canções bonitas, estava caprichando e que seria algo que eu, como ouvinte, gostaria de ouvir. Mas eu não tinha certeza do quanto eu queria lançar e expor ele num primeiro momento, que eu ainda estava tímido. No meio do processo, que eu vi ele tomando força e virando uma grande coisa assumi a ideia de lançar mesmo, fazer clipe, divulgação e chegar no máximo de pessoas possível. Até agora é o disco que eu mais consegui me realizar musicalmente”, confessou.

Dentre as músicas de Recomeçar, a que mais se destaca é Não. Ao vivo isso não seria diferente. Além dela, Tanto Faz, Quis Mudar, Talvez, Ela Não Vai Mais Voltar, As Histórias do Cinema, e Ela, não ficaram de fora do set list – e nem poderiam. A verdade é que, conforme o show vai avançando, mais a gente quer ouvir. É como se fosse aquele grupinho de amigos tocando na sala em mais uma reunião entre vocês, você só quer ficar ali curtindo aquele momento por um tempinho. Mas uma hora, infelizmente, chega ao fim.

Tim Bernardes @ 2018

Mas se engana quem pensou que Tim deu um tempo. Além de seguir apresentando Recomeçar pelo Brasil afora, o cantor tem importantes encontros marcados com O Terno. A banda se apresenta no segundo dia do Lollapalooza Brasil e os meninos estão animados. “Eu acho que vai ser legal, vão pessoas do Brasil inteiro. To com essa sensação de que vai ser o maior encontro mundial de fãs d’O Terno até então”, contou sorrindo. E as surpresas não param por ai, Tim contou ao Canal RIFF que eles estão com um novo show, renovado, e querem curtir esse momento. Mas, também estão ensaiando coisas novas e parece que vem novidade por ai! Então fica ligado no Tim Bernardes, na banda O Terno e não da mole de perder.

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Entrevista: Aloizio e a Rede

Por Tayane Sampaio

Existem alguns momentos só nossos, em que criamos universos individuais pra fugir de todo o caos ao nosso redor. Nessas horas, encontramos silêncio no barulho, achamos a solidão na multidão. Mas, como fugir quando o olho do furacão está dentro da gente?

No clipe de “o filme q eu não quero ver”, Aloizio perambula por alguns dos lugares mais movimentados de Brasília: Rodoviária do Plano Piloto, Setor Comercial Sul e Eixão. As locações contrastam com a solidão do protagonista, que tenta fugir de si mesmo em meio à multidão, mas, no fim das contas, sozinho, expurga suas dores por meio de uma confissão cantada.

Dirigido e gravado por Thaís Mallon, e com produção de Gustavo Pastorino e do próprio cantor, o clipe é a primeira produção audiovisual do próximo álbum do brasiliense, que agora responde como Aloizio e a Rede.

Após o show de pré-lançamento do clipe, que aconteceu em Brasília, dia 09/11, conversamos com o músico sobre o novo single e essa nova fase de sua carreira. Confira, abaixo, o clipe e a entrevista.

Primeiro, mate a nossa curiosidade. Já tem previsão de quando sai o álbum? Já está finalizado? Já tem um nome?
O nome do disco é Sombra Cega e vai sair, provavelmente, entre março e abril do ano que vem. Já finalizamos as músicas, mas não gravamos ainda. Vamos gravar depois do Réveillon, no Rio de Janeiro.

Você tinha uma banda de apoio, mas sempre assinou como um artista solo. O que é “A Rede” e como ela vai funcionar?
Então, a carreira solo aconteceu meio que sem querer. O Lafusa parou de tocar e eu tinha umas músicas e resolvi que eu queria gravá-las. Comecei gravando sozinho, no meu quarto, todos os instrumentos. Só que eu não estava gostando, estava ficando muito Lafusa ainda. Aí comecei a fazer shows aleatórios, tocando músicas que eu gostava e outras antigas também. Um belo dia o Samyr Aissami perguntou se poderia tocar bateria comigo, ele nunca tinha tocado bateria em nenhuma banda, e eu topei. Depois, eu chamei o Pedro Broggini, que era um amigo de São Paulo, e o Felipe Fernandes, que era um amigo muito antigo do Rio; a gente acabou se juntando e já era uma banda. Pro Esquina do Mundo, compomos tudo juntos, eu sempre fiquei meio incomodado… Até discutimos isso, antes de lançar, e eles acharam que eu tinha que assinar como Aloizio, só que aí várias pessoas começaram chamar de “banda Aloizio”, então eu percebi que era isso. Eu preciso valorizar essas pessoas de alguma forma, daí veio essa ideia de “A Rede”, porque, além dos três estarem comigo sempre, o disco envolveu muita gente. Eu viajei muito, então conheci um monte de gente no caminho e acaba que todo show eu toco com pessoas diferentes, todo show é diferente, e eu acho que isso é o diferencial da parada. Os meninos, Samyr, Felipe e Pedro, são os oficiais, eles que compõem comigo, eles são A Rede oficial. Mas, nos shows, não tem como, vai continuar sendo uma mistura de músicos.

Por que “o filme q eu não quero ver” foi escolhida como o primeiro single? Pra você, o que essa música significa dentro do álbum?
Eu fiquei muito tempo produzindo música eletrônica, quando me mudei pro Rio. Era uma coisa que eu nunca tinha feito, música totalmente sozinho. A Débora [amiga do Aloizio] foi lá pro Rio e ficamos uma noite conversando sobre problemas de relacionamento, e aí eu comecei a pensar sobre autorresponsabilidade, de parar de culpar o outro pelo que acontece com a gente e ser mais consciente. Eu fiquei pensando muito nisso, comecei a entrar num momento super nostálgico. Ela foi dormir, eu apaguei a luz da sala, tava com o estúdio montado lá, e dei o REC. Tudo escuro, eu escrevi as três primeiras frases no computador e, quando terminei, eu fiquei uma meia hora escutando em looping, e chorando pra caraca… de repente, eu não queria mais chorar, eu falei “Nossa, acho que foi!”. Depois, eu mandei a música e pedi opinião pra umas três pessoas, a versão demo mesmo, que eu tô emocionado pra caramba, e todo mundo ficou meio sem saber o que falar. Eu toquei a música pro público, pela primeira vez, no Sofar Sounds de Sorocaba e, quando eu comecei a tocar, a galera começou a sair da sala… Quando terminou, demoraram pra aplaudir, eles tavam muito… sabe quando todo mundo fica com o olhar perdido, porque lembrou de alguma coisa? No fim do show, a galera fez quase uma fila pra comentar da música e eu percebi que ela tinha tido um grande impacto em mim e, ocasionalmente, em outras pessoas. Todo lugar que eu toquei, a música teve essa força. Eu achei que era pertinente falar sobre isso agora, falar sobre autorresponsabilidade.

As imagens do clipe casam perfeitamente com as emoções que a música passam. O resultado final foi o esperado, desde o começo, ou houve muitas mudanças? Como foi o processo de criação do clipe (as ideias foram só suas ou mais alguém interferiu)?
A primeira coisa que eu pensei foi em trabalhar com esse lance de luz e sombra, porque eu tinha visto um vídeo do Moses Sumney, acho que é do NOWNESS, que fizeram um contra luz que dá a sensação de vazio, só a silhueta dele. Quando eu vi aquilo, eu falei “Caraca, é isso!”, porque isso de eu nunca aparecer é justamente pra pessoa sentir que é ela também, que ela se preenche naquele vazio, de alguma forma. E a música é isso, preencher o vazio, nem que seja só a constatação. De cara, foi isso. Eu queria que fosse filmado por uma mulher e não tinha como ser outra pessoa, principalmente porque com a Thaís eu tenho essa facilidade de termos referências parecidas. Quando eu mandei pra ela, Moses Sumney, sombra, pôr do sol de Brasília, ela já veio com o Pinterest lotado de coisa e, apesar da ideia inicial, eu deixei nas mãos dela.

Você é de Brasília, mas está morando em São Paulo, atualmente. No contexto do clipe e da música, São Paulo seria a locação perfeita. Por que você escolheu gravar em Brasília?
Foi pra trabalhar com a Thaís. De primeira, eu pensei em São Paulo, mas acho que, cada vez mais, eu tô nesse processo de identificação e, por mais que eu more em SP, esse aqui é meu bairro, então acho que a experiência aqui é muito mais profunda pra mim. Eu representaria SP de uma forma muito subjetiva. Apesar de morar lá há muito tempo, eu ainda não conheço perfeitamente. Mas, caminhar sozinho no meio da Rodoviária é uma solidão esquisitamente absurda. Brasília tá sempre vazia, de repente você encontra todo mundo e aí você poderia se sentir acolhido, de alguma forma, mas acaba cada um em um universo completamente diferente. Tem uma cena no clipe, que sou eu caminhando naquela parte do comércio da Rodoviária e as pessoas que passam por mim são inacreditáveis. Não sei, ficou um retrato muito forte do Brasil. São 120 quadros por segundo, é muito lento. Passa uma mulher muito preocupada, com uma blusa da Avon, escrito “fale comigo”, e aí passa um cara, que você vê que ele tá muito cansado, com roupa de trabalho, mas ainda são quatro da tarde, ele deve estar correndo pra fazer alguma coisa, enfim… em Brasília, eu saberia onde ir pra me sentir daquela forma.

Esse single destoa das músicas do Esquina do Mundo que, no geral, é um álbum bastante ensolarado. Qual a vibe do próximo álbum? Está mais pra Esquina do Mundo ou pra “o filme q eu não quero ver”?
É diferente. Eu quis fazer esse segundo disco como se fosse o meu primeiro. Vivendo no mundo da música, toda hora você escuta as pessoas falando em suprir as necessidades do mercado e eu preferi que fosse da forma mais sincera possível. O lance do Sombra Cega é exatamente isso de luz e sombra, Yin-yang, então, você vai ter o sol e vai ter as trevas, acho que não tem meio do caminho. A ideia é mostrar os extremos. Essa música que eu cantei pra minha mãe, por exemplo, assim como no “o filme q eu não quero ver”, o foco é no que está sendo falado, que é uma parada que eu passei a gostar quando eu comecei a pesquisar hip hop acapella.

Então você diria que a alma desse próximo disco está nas letras?
Então, Yin-yang, vai ter as duas coisas. O disco novo tem um lado mais canção, que no outro não tinha tanto. A Rede sempre parte do pressuposto que a primeira ideia é sempre a ruim e a segunda, provavelmente, também. A gente costuma seguir depois da terceira, então, teremos canções, mas também vai ter muita experimentação sonora, que é o que torna divertido fazer essa parada.

Eu costumo associar o Esquina do Mundo com o mar. Não sei explicar, mas é uma coisa que penso sempre que escuto esse álbum. Pra você, o novo álbum lembra o quê?
Transe. A gente não compôs percussão pro Esquina do Mundo. Chegamos pra gravar, o Samyr achou umas congas no corredor do estúdio e começou a tocar e ele sabia fazer, mesmo sem nunca ter tocado antes. Resolvemos levar pra dentro do estúdio e ficou incrível, daí decidimos gravar. Levamos isso pro show e virou o diferencial. Isso mexeu muito comigo, até comecei a me policiar, porque eu tava fazendo show de costas pro publico, pra assistir o que tava acontecendo. Eu comecei a viver uns momentos meio espirituais tocando, eu não sabia explicar direito e hoje eu tenho uma leve noção do que acontece. Acho que o segundo disco tem canções que surgiram desse momento em que eu entro em transe. Eu acho que o disco tem essa vibe, que é o que eu tento trazer pro show, de ficar com as pessoas em outro lugar, só que ao mesmo tempo. Acho que é isso. Todo mundo entrar em transe, mas pra um lugar melhor.

Suas influências do primeiro pro segundo álbum mudaram muito? Fala aí um(a) artista que você descobriu nesse meio tempo e que acabou influenciando nessa nova fase.
Muito. Acho que, principalmente, a Fiona Apple e o disco The Idler Wheel…. Quando eu cheguei pra gravar as vozes do Esquina do Mundo, em Los Angeles, eu entrei no carro do meu amigo, pra ir pro estúdio, e ele colocou esse disco, dizendo que era a melhor referência pra gravar vozes. Acho que ela e a Elis Regina foram minhas grandes influências, porque as duas são “o filme q eu não quero ver”, isso de cantar com tudo o que você tem, não se importar com nada, deixar doer o tanto que dá pra doer. É uma música, ela acaba, pode ir lá que você volta. A Elis sempre foi uma influência muito grande e eu não reconhecia. Todo mundo falou muito de Cazuza, no Esquina do Mundo. Eu achei engraçado, mas, se você olhar, tem algumas coisas, o blues abrasileirado. Metá Metá foi foda de conhecer, também. Eu tive uma conversa rápida, uma vez, com o Kiko Dinucci e com o Guilherme Kastrup, e eles me contaram sobre o processo deles fazendo o disco da Elza Soares, que é a mesma ideia que eu tenho com os meninos, de desconstruir. Todo mundo é roqueiro, mas a gente não escuta mais rock, como balanceia isso? Eles são assim também, só que estão muito à frente, arriscando, sabe? Eles são bem mais velhos que a gente e estão se arriscando muito mais. Vai ter umas loucuras no disco, talvez a maioria das pessoas não gostem, mas a gente gosta.

Aproveitando o momento indicação, qual foi sua última descoberta da música brasileira?
Tem duas coisas que me impressionaram de primeira, quando eu escutei. A primeira, o Bolhazul, aqui de Brasília, eu descobri sem querer, no YouTube. A outra é uma banda do Rio, que até lançou um disco essa semana, a Astro Venga. Eles são um trio, como se fosse, sei lá, o The Jimi Hendrix Experience, só que eles tocam música brasileira.

Você está com um projeto de música eletrônica, assinando como LØWZ. Como surgiu a vontade de fazer esse tipo de musica? O próximo álbum vai ter alguma influência disso?
Eu fui pros Estados Unidos gravar o primeiro disco meio que sozinho, na louca. Juntei uma grana e resolvi fazer isso. Um amigo trabalhava em um estúdio, em LA, e disse que eu poderia gravar de graça com ele. Eu comecei a ir pro estúdio e tava lá o Diplo, o Chris Brown, e eu comecei a ver, de longe, como essa galera trabalhava e meu amigo começou a me explicar tudo. É um processo muito certinho, tem os beatmakers, os producers, os songwriters… eles produzem umas vinte músicas por dia, se dividem em grupos. Eu percebi uma maneira de compor que eu nunca tinha feito, que é sentar, listar o que a música tem que ter e fazer. Eu percebi que várias pessoas estavam produzindo sozinhas e decidi fazer isso, quando eu voltasse pro Brasil. Isso me possibilitou trabalhar com outras pessoas e virar produtor mesmo, eu tô trabalhando com um monte de gente, que vai na minha casa gravar, de pop, a beat, dub, hip hop… Isso me abriu um leque de opções e a ideia é experimentar. Acho que, no Sombra Cega, ainda não vai estar tão explícito.

Isso começou mais como um exercício de criatividade do que uma parada de inspiração, então?
Sim. Eu já tenho uns dois discos prontos, como LØWZ, mas eu ainda não consigo organizar, porque as ideias têm um lado bem pop mesmo e outro bem dark, tipo música eletrônica experimental.

O bloco de carnaval que você faz parte, o Divinas Tetas, foi sucesso total e continua tirando a galera de casa, mesmo depois do carnaval. Quais são os próximos passos desse projeto?
O Divinas Tetas é uma coisa totalmente sem controle, a gente tá começando a entender agora o que aconteceu. A coisa tomou uma proporção muito maluca, a gente tocou no CoMA, o festival dos melhores da música autoral… A gente tem pretensão de transformar em várias coisas, mas queremos amadurecer mais. Queremos transformar em um espetáculo, com mais performance, tentando contar, de alguma forma, a história daquele momento do Brasil, que estamos vivendo de novo, por acaso. Também vamos lançar um EP autoral, eu já fiz a primeira música. Não sabemos se vai dar tempo de gravar pro carnaval. Estamos vendo como vai funcionar compor em treze pessoas. O bloco quer sair viajando pelo Brasil, se divertindo, fazendo carnaval.

Você toca em São Paulo, dia 26, com Baleia e Scalene. É muito doido, porque o público-alvo das bandas é bem diferente e muito parecido, ao mesmo tempo. O que a galera pode esperar do Aloizio e a Rede nesse dia, principalmente quem ainda não conhece o seu trabalho? você preparou um show específico pra esse dia?
Acho que Baleia e A Rede têm uma conexão, um caminho musical parecido. Scalene, na verdade, só veio de outro canto, que é muito mais rock, mas acabaram de lançar um disco muito mais puxado pra música brasileira. Acho que isso vem, obviamente, dos meninos terem passado a escutar mais música brasileira. Esse show, na verdade, representa exatamente esse momento, em que a gente pode ser diferente e tocar junto e ao mesmo tempo estamos cada vez mais criando uma identidade do que é produzido aqui. O Scalene estar soando mais brasileiro já mostra que a banda se arrisca e isso abre portas pro pensamento de outras bandas também, pois eles estão próximos de muita gente do cenário independente. Eu fiquei muito feliz quando soube que esse show ia acontecer. Apesar de ser de Brasília, estou vivendo muito forte a cena de SP; Scalene vive a cena do Brasil inteiro; e Baleia é o maior representante do RJ. É muito massa esse encontro. Rola uma preocupação, mas as outras vezes que toquei com Scalene foram bem diferentes, tanto de fazer um show mais pesado e perceber que a galera esperava algo mais leve, como ter feito um show mais instrospectivo, achar que não tinham gostado, e depois saber que a galera tinha curtido muito. Mas tenho a sensação de estar nivelado, o “Sombra Cega” tem coisas muito pesadas e a gente vai tocar, mas também vai rolar “o filme q eu não quero ver”, pra galera dar uma chorada.

Escute Aloizio e a Rede:

Entrevista Twin Pumpkin: “É sensual, violento e infame como ‘Albert Fish”

Por Felipe Sousa | Felipdsousa

 

Twin Pumpkin é um projeto criado em 2015 pelo artista independente Israel “Izzy” Castro. Nessa época, Izzy produzia vídeos pro youtube, publicando alguns covers na plataforma. Em paralelo, o músico foi desenvolvendo alguns sons experimentais que acabaram culminando no seu primeiro EP, “Spook Like Halloween”, gravado inteiramente em seu home stúdio e lançado em 2016.

Conversamos com o grupo, que nos falou sobre o inicio da careira, o primeiro EP, e os projetos futuros. Acompanhe:

 

Reprodução Instagram Twin Pumpkin

Antes de tudo, Izzy, queria que contasse pra galera como foi o seu início em particular. Quando começou a se interessar por música e quando começou o lance dos covers? Aliás, eu vi um de “Where Is My Mind”, do Pixies, e cara, que ótimo trabalho ali. 

Izzy – Valeu cara! Pixies é uma das minhas bandas favoritas! Então, meu interesse por música começou quando eu tinha uns 15, 16 anos, logo depois que vi meu pai tocando batera com a banda dele da época! Tive a oportunidade de assistir o gig em cima do palco, pique papagaio de pirata ao lado dele e lembro até hoje do monstro musical que ele era! Devo muito do que eu sei ao meu velho e tenho certeza que se não fosse por ele, eu provavelmente não estaria envolvido com a música hoje em dia!
Já os covers, na real, vieram pra suprir uma vontade de compor algo próprio (algo que não conseguia fazer na época) então, o único jeito era ”coverzear” pelo youtube e boa.

 

Boa! E nessa época você já era o Twin Pumpkin nas redes. Mas vendo isso hoje, esse nome parece soar mais do que apenas um nome artístico. Soa mais como um personagem, dentro da obra como todo. Ali você já buscava essa identidade? Quem é Twin Pumpkin dentro da cena?

Izzzy – A Twin pra mim é muito mais do que uma banda ou um simples projeto! É um lado pessoal que conheci alguns meses depois que meu pai faleceu! Foi um lado que surgiu pra me salvar e me tirar do buraco que eu estava me afundando! Um lado que surgiu pra me dizer que eu posso ser o que eu quiser, que eu posso ser forte e que tudo isso só depende de mim! Acho que todos nós temos um pouco desse lado ”Twin Pumpkin”, sabe? Meio escondido, mas SEMPRE preparado pra batalha.

Reprodução Facebook Twin Pumpkin

 

É, realmente isso é algo que percebemos ao ouvi-lo. E talvez por isso, em meio aos covers, em 2015, as autorais foram sendo compostas e mais tarde, em janeiro de 2016, elas se transformaram no EP “Spook Like Halloween”. Até de fato virar EP, como foi o processo? Quando deixou de ser experimentação pra finalmente se transformar em projeto sólido?

Izzy – Muitas músicas surgiram (e ainda surgem) a partir de pequenas ideias ou explosões de criatividade. Não tenho um momento do dia onde eu pare tudo que estou fazendo e digo pra mim mesmo ”Hoje eu vou compor uma canção”. Sempre estou escrevendo e muitas vezes, deixo uma música quieta e ela vai se terminando sozinha com o tempo. O processo se resume bem como um tiro no escuro! Tem dias que o tiro é certeiro e tem dias (que são na maioria) que você deseja nem ter carregado sua pistola.

ZeRO – ”Carregado sua pistola” hahahahaha as ideias

 

Vamos daqui a pouco falar mais das canções de forma mais específica. Mas sobre o EP, ele tem as letras meio sombrias e com alguns temas particulares, em contraste à melodias menos tensas e mais dançantes. Conta pra gente o que ele tem de pensamento a passar.

Izzy – Muitas das músicas foram escritas logo após o falecimento do meu pai e esse ”descobrimento pessoal” que rolou comigo depois disso. Como se fosse um novo lado tentando sair nas letras! Músicas como ”Hello, My Name is Twin Pumpkin” ou ”The Phoenix” são gritos de ajuda desse lado ”twin pumpkiniano”, tentando me arrancar da maré ruim! Já outras como a ”Tombstone Rock” ou ”You Make Albert Fish Look Like Magikarp” são odes ao mundo do Horror/Terror, cheio de referências aos livros e filmes que gosto e todo o conceito desse universo fantástico! No geral, foi uma experiência bastante catártica compor o EP ”Spook like Halloween” e foi uma das épocas mais importantes da minha vida!

Capa do EP

 

Em meio a tudo isso, todos esses momentos complicados, e de autoconhecimentovocê produziu e gravou todo o EP sozinho. Como foi essa experiência e o processo em si?

Izzy -Um aprendizado do caralho! Cheguei a regravar o EP 5 vezes até chegar em um resultado satisfatório, e a cada regravação, novas ideias e novos aprendizados surgiam.

 

Algum tempo após o EP ser lançado, a Twin deixou de ser banda de um homem só para virar um trio. Explica como foram essas mudanças e de que forma elas interferem positivamente hoje.

 
Izzy – o ZeRO e Tuiú entraram diretamente para somar, acreditando em mim, no conceito e no projeto, tornando também o projeto da vida deles!
ZeRO – é nois carai

Haha, boa! E como se conheceram? ZeRO e Tuiú já fizeram parte de algum outro projeto?

ZeRO – Eu e o Israel nos conhecemos há uns 7 anos atrás quando ambos tinham banda de escola e tocavam por pura diversão. Inclusive, fizemos uma música que vai estar no próximo CD da TxPx muito antes do conceito Twin Pumpkin surgir e sem pretensão de nada. E acabou que estamos nessa juntos agora.

Izzy – Já eu e o Tuiúzão nos conhecemos no primeiríssimo show da Twin, que rolou no LadoB em São José dos Campos! A TxPx ainda era um projetinho solo nessa época e eu tinha fechado um acústico nesse rolê, abrindo o show para a Atarin, então banda do Tuiúzera! Dps do show, trocamos uma ideia, comemos umas esfihas e o resto é história

 

Em 2016 vocês começaram a chamar atenção e inclusive abriram show pro Dead Fish. Como foi essa experiência?

Izzy – Realização de um sonho! Dead Fish é uma das nossas bandas favoritas e tocar ao lado dos caras foi bem estranho, mas estranho pra um lado bom! Era de lei sempre vê-los de longe ou no Youtube ou do meio do mosh e de repente BAM lá está você do lado da banda, trocando uma ideia sobre qualquer fita aleatória e boa! Baita experiência massa!

Reprodução Facebook Twin Pumpkin

 

Abrir pra uma banda como Dead Fish por si só já é um baita reconhecimento do trabalho de vocês. Mas falem aí, que show gostariam de fazer, ou qual festival têm vontade de tocar? 

Izzy – Ó… acho que qualquer banda quer tocar no Lolla ou no Rock In Rio, mas a gente quer mesmo é tocar numa festa á fantasia de Halloween! Sempre trocamos ideia sobre isso e sempre combinamos fantasias diferentes em ocasiões diferentes haha um dia ainda vamos fazer o ”Red Hot Chili Peppers” e tocar só de meias, fica vendo haha!

 

Seria demais um evento desse hein! Quando rolar, chama o RIFF! E Falando um pouco sobre referências. O que vocês têm ouvido e o que tem influenciado o som da banda?

Izzy – Pra mim é díficil falar sobre uma banda ou um estilo em específico. Por exemplo, ontem fui dormir ouvindo Mukeka di Rato e acordei ouvindo Mac DeMarco! Nossos gostos musicais são bem ecléticos e acho que, muitas vezes, buscamos referências não só na música, mas também em livros, jogos e filmes.

ZeRO – Eu acordo ouvindo Radiohead e na hora do almoço, tô ouvindo Cacique e Pajé. Realmente é bem extremo, mas falando em referência, O Slash é o cara que me motivou a aprender a tocar um instrumento e me moldou no músico que sou hoje.

Tuiú – Eu gosto do som do galo cantando de manhã, do passarinho batendo as asas e do café pingando na cafeteira.

Tuiú | Reprodução facebook Twin Pumpkin

 

Uma música que gostariam de ter feito:

Izzy –  Where is my mind do Pixies! Que músicão

ZeRO – Bittersweet Symphony do The Verve

Tuiú  Bleed do Meshuggah. o Tomas Haake é um dos meus bateristas favoritos, pois hoje em dia é muito fácil aprender a tocar e desenvolver a técnica com o acesso que temos a internet, mas ser autêntico não é pra qualquer um, e ele faz isso com tamanha facilidade.

Com quem gostariam de fazer uma parceria?

Izzy – Putz, com muitas pessoas, mas o primeiro humano que veio na mente foi o Brendon Urie do Panic! At The Disco! Imagina ter um trampo produzido ou compor um som com esse cara, ta louco! Pra mim, ele é umas das mentes mais criativas dos últimos tempos e uma das grandes vozes da música atual.

ZeRO –  Difícil essa hein? Mas acho escolheria o Kelly Jones do Stereophonics, pego bem demais o Britpop e com a voz daquele cara!

Tuiú – Placebo, conheci os caras ainda na época do VHS. Pirei quando ouvir The Bitter End pela primeira vez, uma banda das primeiras bandas que virei fã e até hoje curto demais!

 

Agora acho que devemos ilustrar o “Spook Like Halloween” e fazer esse EP entrar na playlist dos riffeiros. “Bora”? Faixa a Faixa:

HelloMy Name is Twin Pumpkin

Nossa música de introdução! Resume bem todo o conceito ”Twin Pumpkiniano” e se inicia com um quote do livro ”Clube da L***”.

Tombstone Rock

Nosso ode ao mundo do horror! Um rockabilly cheio de tremolos, referências e aquele pézinho de inspiração da banda The Misfits!

The Phoenix

Ninguém sabe da força que tem até precisar usa-la e essa música resume bem isso! É sobre superar obstáculos e renascer através de si mesmo.

   OperatorPlease

Aquela mistura do Indie Rock da era ”Suck it and See” do Arctic Monkeys com uma pitadela de ”My Michelle” do Guns n’ Roses

You Make Albert Fish Look Like Magikarp

Esse som é o nosso ”B-Movie cinema trash” diretamente das entranhas de uma produção do Grindhouse! É sensual, violento e conta a história de um assassino que se julga PIOR do que o ínfame serial killer ”Albert Fish”, comparando-o com aquele Pokemon inútil; Magikarp!

Spook Like Halloween

Uma história de amor fantasmagórica repleta de influência de uma banda de folk-horror que vocês deveriam ouvir chamada ”Timber Timbre” (Sério, ouçam essa banda!) Inclusive, a ideia da capa do nosso EP veio a partir do conceito dessa música!

Live, FightBleed

Um conto sobre o início de uma revolução através da perspectiva de um narrador! Da-lhe Da-lhe riffs pesados e MUITA distorção, fechando o EP ”Spook like Halloween” com uma chave de Ununséptio!!

Boa! E falando nisso, agosto passado vocês lançaram vídeo pra “HelloMy Name Is Twin Pumpkin. Como o clipe aconteceu?

Izzy – Juntamos nossos amigos e com apoio da casa de shows Hocus Pocus em São José dos Campos, fizemos o nosso primeiro videoclipe, com direito a muitas risadas, muito goró e um rolê totalemente DIYzêra!

Quais são os projetos pro futuro?

 
Izzy –  Ficar famoso, tretar por estrelismo, acabar com a banda e 10 anos depois, fazer um show de reunião e ganhar milhões de dólares hehehe.
Brincadeiras à parte, estamos no processo de gravação de um cd novo e a lei é sempre continuar produzindo e gastando ideias a milhão!

Opa! CD novo é uma ótima notícia. Já dá pra adiantar alguma coisa?

Izzy – Dá pra adiantar que as gravações já começaram, o nome do CD vai ser um quote do Bukowski e vai ter a voz do Tuiuzera, e se achar ruim o Tuiú vai virar vocalista nessa caralha.



Demais! Queremos ver o resultado. E pra gente finalizar, qual o Riff que marcou a vida de vocês?

Izzy – Dammit do Blink-182! Foi o primeiríssimo riff que aprendi na vida e é isso. Blinkão é blinkão e o resto é o resto.

ZeRO –  Scar tissue, that I wish you saw, Sarcastic mister know it all… e por aí vai.

 

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O estado ”magnetite”: um pouco mais sobre o novo álbum da Banda Scalene

‏‏‏Por Camila Borges

“magnetite é um estado. magnetita é a pedra-imã mais magnética de todos minerais. cristais de magnetita estão presentes em diversos lugares da natureza e em cérebros de animais, inclusive nos nossos. magnetite é o estado de viver ciente e responsável pelas causas e consequências energéticas de nossas ações. inflamados com essa condição, magnetite é nosso estado.”

Assim descreve a Banda Scalene sobre o seu terceiro álbum de estúdio em suas redes sociais.

Com 12 faixas, o álbum gravado no estúdio do Red Bull Station teve seu lançamento na sexta-feira (18/8) e já é um dos mais queridos pelos fãs.

Aproveitando toda essa empolgação conversamos um pouco com o Tomás Bertoni, onde ele conta um pouquinho mais sobre o magnetite e algumas curiosidades.

Canal Riff: A arte do álbum é do Bruno Luglio, vocês já conheciam o trabalho dele? Como foi a escolha?

Tomás:  Conhecemos ele há um tempo. Ele era da banda Level Nine, então sabe como funciona o mercado e a vida na música. Hoje em dia ele é diretor criativo de uma agência em Nova York. Trabalhou no amor com a gente, interessado em ajudar e chegar em um resultado legal. Foi um prazer ter ele conosco, o cara é gêniozinho.

E sobre o processo de gravação, como foi gravar no Red Bull Station? Alguma coisa diferente que você possa contar?

Foi a primeira gravação completa em um estúdio profissional. O Real/Surreal foi 100% em home studio, o Éter gravamos bateria em um estúdio profissional e o resto em home studio e agora no magnetite tivemos o apoio da Red Bull pra gravarmos no estúdio deles. Não necessariamente um caminho é melhor que o outro, são escolhas bem relativas e com muitas variáveis, mas queríamos a experiência de passar semanas em um estúdio como o da Red Bull Station pra gravar um álbum. Sentimos que mudarmos por um mês pra SP também seria interessante pelo foco natural que isso iria gerar. Estávamos todos em outra cidade, das 11h às 20h, todo dia. Diferente de gravar em casa, com horário mudando todo dia, com compromissos do dia-a-dia e etc.

Red Bull Station in Sao Paulo, foto Patrícia Araújo

A maioria das músicas são do Gustavo, você tem participação em duas. Como é o processo de composição de vocês (banda) juntos?

Na verdade tenho participação em bem mais de duas haha e o processo do instrumental e da letra são em momentos meio separados e minha participação é grande principalmente nas letras. Varia muito! Algumas músicas o Gustavo faz tudo como foi o caso de ‘maré’ (eu escrevi só uma frase dessa haha), outras eu faço a letra inteira e o Gustavo todo o resto. ‘fragmento’ por exemplo chegou a ter duas letras sobre temas diferentes, uma eu fiz e a outra eu ajudei o Gustavo a terminar. A letra que ficou foi finalizada todo mundo junto um dia antes de gravar voz.

No início de tudo a preocupação maior é de estruturar a música, depois vamos pensando nos arranjos e nas letras. No processo de fazer os arranjos e letras as vezes mudamos a estrutura. Então realmente não tem um passo-a-passo definido, vamos deixando o fluxo nos levar e vamos fazendo o que cada composição pede.

Existe algum motivo de os nomes das músicas estarem todos em letras minúsculas?

falar hoje em dia é digitar, então é falar com calma, em voz baixa. também chamando atenção pro conteúdo e não como ele é divulgado.

Tenho duas perguntas sobre Phi

A primeira é que o final de Phi liga a introdução de Extremos Pueris. Dá uma certa sensação de como se o álbum não tivesse fim. Foi pra galera se sentir assim ou só pra haver ligação mesmo entre as músicas?

todos são parte do ciclo sem fim, causa e efeito do bom e ruim.

A segunda é que numa parte de Phi a gente nota o instrumental de XXIII, as músicas foram compostas ao mesmo tempo, uma depois da outra, tem alguma ligação?

tem que digitar as músicas em caixa baixa gente, bora nessa haha

então! phi foi composto na época do DVD, junto de Inércia, Vultos e Entrelaços. ponta do anzol também, falando nisso. Escolhemos as três do DVD, mas estávamos muito apegados e gostávamos muito da música que ainda não tinha nome nem letra. Usar parte da música como introdução do DVD e de toda a turnê do DVD foi uma forma daquela composição já fazer parte das nossas vidas desde ano passado. E estava nos planos ela vir no álbum desde sempre. Acabou que virou duas músicas diferentes e complementares. Uma espécie de sequência, como rola em Sonhador e Sonhador II, mas de outra forma e com outra proposta.

Foto Breno Galtier

É pouco tempo pra saber, mas dá pra ter uma noção do que a galera tá achando do álbum?

Foi muito legal ver tanta gente já gostando de primeira, disposta a ouvir e gostar, de coração aberto pra absorver o que tem de diferente. Repercussão tá muito boa! Tem uma galera estranhando, mas estaríamos bem mais preocupados se não tivesse. Normal um álbum que a banda explora outros caminhos, os ouvintes precisarem de algumas ouvidas pra digerir. Estamos com o sentimento que os objetivos estão sendo cumpridos e expectativas alcançadas. Galera gostando bastante das letras também, o que tem sido bem gratificante. Como você disse, tem pouco tempo ainda, mas a tendência é ir crescendo mais ainda.

Vocês tiveram muito da música brasileira num todo no Magnetite, dá pra citar algumas bandas/cantores que serviram de inspiração?

Vitor Rammil, Metá Metá e Lenine são algumas. As bandas amigas da nossa geração influenciaram bastante também. Muita gente sacou que Inky foi influência por exemplo. Ouvíamos muita mpb e bossa nova quando éramos crianças, resgatamos isso nesse álbum também.

E sobre o Rock in Rio, falta praticamente um mês! Estão ansiosos? Como anda a preparação pra esse grande dia?

Ansiedade vai começar a bater mais perto só. As músicas que tocamos desde ano passado ou desde 2013 tão mais que ensaiadas, a questão maior vai ser decidir quantas músicas novas vamos tocar e ensaiá-las muito bem. Além de descobrir como vamos encaixá-las na setlist. Geralmente esse processo acontece aos poucos ao longo de meses de shows até ficar bonzão e não vamos ter esse tempo.

Com álbum novo vem turnê nova. Quais os próximos passos após o Rock in Rio?

Continuar divulgando o magnetite, fazer os shows que estão sendo marcados e gerar mais conteúdo do álbum novo. Estamos com vontade de voltar a fazer colaborações com bandas amigas também, tomara que a gente consiga.

Entrevista: Bratislva fala sobre novo disco “Fogo”, influências e sua carreira

Por Felipe Sousa | @Felipdsousa

 

Composta pelos irmãos Victor Meira (vocais/synths) e Alexandre Meira (guitarra/vocal), além de Lucas Felipe Franco (bateria) e Sandro Cobeleanschi (baixo), a Bratislava está na estrada desde 2009. A banda, que é uma das ótimas revelações do underground, estreou com o EP “Longe do Sono”, em 2011; e em 2012, lançou o primeiro álbum, “Carne”. Os paulistas ainda têm mais dois discos lançados, “Um Pouco Mais de Silêncio” (2015), e o mais recente registro, e um dos melhore nacionais desse ano, “Fogo”.

O RIFF bateu um papo com um grupo, que nos falou um pouco sobre os quase oito anos de carreira, o início difícil da banda no cenário independente, a experiência que tiveram no Lollapalooza desse ano, o processo de composição e produção de seu novo álbum “Fogo”, e muito mais em uma entrevista exclusiva. Leia abaixo:

 

Foto por Fernanda Gamarano

Vamos começar pelo início, lá em 2009/2010, quando a banda foi formada. Conta pra gente, como a Bratislava surgiu?

Victor: Bratislava surgiu como projeto paralelo de uma bagunça que a gente fazia com vários amigos músicos. No começo éramos eu, Alexandre e Pedro – primeiro baterista da banda, que saiu ainda no mesmo ano. A gente se juntava pra tocar versões de diversos artistas que iam de Caetano a Beatles, de Gogol Bordello a Portishead. Por conta de um concurso da OiFM, de bandas com material autoral, resolvemos trabalhar em alguns rascunhos e temas que tínhamos na manga. Aí nunca mais paramos essa brincadeira de compor.

A sonoridade de vocês é bem original, além do nome, “Bratislava”, que é muito legal. Quais foram as influências para criar essa sonoridade e como definiram o nome? Que identidade pretendiam dar à banda?

Victor: A gente foi criando isso ao longo do tempo. Nos primeiros releases acho que a gente estava explorando gêneros e estéticas bem diferentes umas das outras… hoje ouço e acho meio esquizofrênico, mas isso foi ótimo para a nossa formação. O processo criativo era mais “acidental” também: a gente criava uma linha, se apegava e desenvolvia… As letras eram recortes de poemas que se encaixavam e eu me importava menos com o fator dialógico, isto é, com a expressão de uma mensagem clara. Gostava de como certos conjuntos de palavras soavam, num sentido estritamente estético/sonoro mesmo, e aí muitas delas soavam como sugestões de situações ou cenários fantásticos.

O primeiro álbum da banda foi o “Carne” (2012) e antes dele teve o EP “Longe do Sono” (2011). Como foram esses dois primeiros anos de carreira e a repercussão desses dois projetos?

Victor: Os primeiros anos foram de aprendizado. A Bratislava foi a nossa iniciação na música independente, o que significa que até então a gente nunca tinha feito um show, nunca tinha gravado um disco. Então teve gravação de demo em 2010 no estúdio em que ensaiávamos; teve show na lama pra apenas uma pessoa na plateia num pequeno festival de bandas em Embu das Artes; teve a gente caindo na falácia desses produtores que botam dez bandas pra vender ingressos pra um evento de “batalha de bandas”; teve todos os tombos e tropeços que uma banda pode levar. Mas tem histórias incríveis também. Organizamos muito bem o show de estreia da banda, que foi num galpão na Vila Madalena pra um público de 400 pessoas; fizemos o nosso primeiro show fora de São Paulo (Bar Valentino, em Londrina-PR); e de modo geral a gente foi sacando que é no coletivo que as coisas tem chances legais de funcionar, que não há lugar pra egotrip nessa estrada, que a conquista de hoje nunca garante a de amanhã e que é preciso de trampo firme e contínuo pra seguir fazendo o que se ama.

Aliás, Victor, falando nisso de projetos, você tem em paralelo à banda, pegadas literárias. Como está levando isso hoje? E de que forma a literatura tem influenciado a banda?

Victor: Tive uma produção literária bem prolífica entre 2006 e 2010. Coordenava 3 blogs coletivos de poesia (adorava essa época dos blogs) e participava esporadicamente de mais uns tantos. Com o início da banda naturalmente passei a dedicar mais tempo às composições e a atividade literária começou a se concentrar no formato da letra de música. Eventualmente rascunho um conto, uma narrativa, mas os poemas que inicio na maior parte das vezes acabo musicando. E sigo lendo sempre, poemas, romances, contos, o que vier. Gosto de ficção brasileira, latino-americana e francesa, de preferência coisa nova, de autores vivos ou lançados há menos de 50, 60 anos. Clássicos como Cortázar, Borges, Sartre e Camus estão entre meus favoritos.

Em 2015 vocês lançaram o segundo álbum, “Um Mais de Silêncio”, no formato de Zine. Como e por que decidiram apostar nesse tipo de trabalho? E pra quem quiser ter o Zine hoje, ainda é possível?

Victor: Claro! Qualquer um pode comprar nosso zine nos nossos shows ou na nossa lojinha on-line: bratislava.iluria.com. O zine foi um formato, pra nós, de dupla função: questionar a tradicional e quase-obsoleta mídia CD e explorar um formato que valoriza mais as artes gráficas do que um simples encarte enjaulado em um box acrílico. Na verdade você pode encarar o zine como um encarte de luxo, ou como um pequeno livro. O lance é que o objeto-protagonista deixa de ser a mídia (CD) e passa a ser o livrinho em si, as artes gráficas, as letras.

Lucas: A gente quebrou bastante a cabeça até chegar nesse formato. Surgiram outras opções, mas queríamos explorar uma vertente visual/gráfica forte e o zine veio como uma luva. Tanto que seguimos com esse formato no disco novo.

 

Zine do álbum Um pouco Mais de Silêncio

 

Ainda sobre o segundo disco, ao ouvirmos, fica claro a intenção da banda de fugir da previsibilidade, tantos nas letras quanto no instrumental. Como foi esse processo de composição?

Victor: Creio que você fala sobre o “Um Pouco Mais de Silêncio”, né? Pois é, acho que a questão do deslocamento do real (a sugestão do impossível e do absurdo) sempre foi um motor pra mim, como autor. O previsível é bobo. O complexo/estranho possui uma magia, que talvez seja a magia do desconhecido, do escuro. E o que brota da nossa cabeça, enquanto expressão, normalmente é amórfico mesmo, poucos sentimentos são classificáveis e menos ainda cabem em currais universais. Acho que é o que mantém o xadrez do “fazer humano” infinito. Então não acho que é uma fuga, como você propõe. É mais um fundamento pessoal. Acho que tudo o que componho e escrevo tem essa característica e isso deveria se evidenciar a cada lançamento. Mas aí em “Fogo” resolvi me dedicar mais à questão dialógica, comunicar além de expressar, e isso foi um conflito bom, estimulante.

Lucas: O “Um Pouco Mais de Silêncio” tem uma composição orquestrada demais, meio cabeçuda, eu acho. Mas era o que, de fato, era a Bratislava naquele momento. Experimentamos muito, gravamos em diversos estúdios, tínhamos claro o que queríamos produzir e esse foi o resultado.

Dois anos à frente na nossa linha do tempo, chegamos, em quem sabe talvez, seja o maior evento da banda. Lollapalooza. Como aconteceu o convite? E qual a sensação de tocar em um dos festivais de música mais disputados e queridos do circuito?

Victor: Recebemos o convite no dia 30 de agosto de 2016, dia em que fomos ver a Kalouv tocar no Prata da Casa e eu só pude dizer pros caras depois do show, porque ainda era informação sigilosa, toda aquela história. Fizemos festa baixinho, num cantinho lá no SESC Pompeia, foi bem engraçado. Meses antes, uma amiga nossa que é jornalista apresentou nosso som para um dos produtores do festival. Ela fez o contato na época em que saiu uma matéria no Caderno 2 apontando a Bratislava como promessa do rock nacional. Rolou um timing bom, acho que chamou a atenção deles. Pra nós era mais um tiro no escuro, coisa que fazemos todos os dias como parte integral da nossa atividade de booking, de participação em programações musicais e festivais. E aí em agosto veio a surpresa do convite, que explodiu nossa cabeça. Sobre a sensação de tocar no festival, já toda uma outra história. Foi uma experiência maravilhosa. Nos sentimos super-heróis naquele dia, com aquela estrutura que engrandecia a nossa figura, a nossa voz. Provamos um pedacinho do paraíso, acho que é a sensação que fica. E há toda uma história de evolução pessoal e musical dos quatro da banda, ligada aos preparativos para o grande dia. Foi uma fase deliciosa.

Lucas: Foi um baita momento! Aquela estrutura a favor do nosso som! Mas é só mais um tijolinho colocado na construção. Até hoje fica aquele gostinho de “será que foi verdade tudo isso”? E foi! Uma conquista enorme por uma banda que faz tudo independentemente.

 

Bratislava no Lollapalooza 2017 | Foto por Lucci Antunes

Conseguiram ver algum show? Algum que fez a banda vibrar como aquele verdadeiro fã?

Victor: Só consegui ver um único show inteiro, curtindo e me entregando ao som como fã, que foi o show da MØ. Against all odds, adoro o som pop dela, acho diferente de outros pops. Sinto honestidade, uma verdade ali no que ela faz, e a voz dela me hipnotiza. Foi um “showzásso”.

Lucas: De manhã, quando chegamos no palco pra passar o som a galera do The Weeknd estava terminando de passar o deles. Ficamos curtindo esse momento e depois trocamos uma ideia com os músicos da banda. Ali, pelo menos pra mim, já valeu o rolê todo.

Como foi a relação com um evento de porte tão grande? Acham que esses tipos de festivais podem prestigiar mais as bandas independentes?

Victor: Não sei se podem prestigiar mais do que já o fazem. O lineup é montado com base crescente no estimado número de fãs que cada artista tem, então é natural que as bandas menores e mais novas – que tem menos público – se apresentem mais cedo. Funciona assim em qualquer festival. E fomos muito bem tratados, o som estava animal, passamos o som sem correria, os traslados foram eficientes, nada faltando no camarim… enfim, tudo joia! Uma coisa que sentimos falta foram coberturas dos shows nacionais, especialmente por parte dos sites mais relevantes da cena independente, que lemos e acompanhamos. Muitos deles cobriram do meio do festival pra frente, em ambos os dias, deixando de lado as bandas menores. Tomara que nas próximas edições eles mudem esse mindset.

Aliás, como vocês enxergam a relação entre o mainstream e o underground hoje em dia? O quanto mudou de 2010 até aqui?

Victor: Acho que são duas coisas muito distintas. Fazer música significa uma coisa bem diferente pra quem tá jogando no mainstream. E nesses últimos 7 anos acho que estamos vivendo uma revolução constante no mercado fonográfico. Todo ano você tem que dar um refresh no seu set enferrujado de “certezas” em relação a esse mercado.

Lucas: Ás vezes eu comento que existe um mainstream dentro do underground. Bandas que se sobressaem e colhem frutos no underground de um jeito parecido com o que rola no mainstream, sei lá. E sim, é tudo muito dinâmico mesmo.

Agora, finalmente vamos conversar um pouco sobre o mais recente trabalho da banda. O terceiro disco, “Fogo”. Lá atrás questionamos sobre a influência que a literatura exerce na Bratislava, e elas ficam claras ao ouvirmos Fogo. A gente percebe muita inquietação sobre o modelo de sociedade atual e insinuações existencialistas. Isso confere? Qual é a ideia desse álbum?

Victor: Sim. “Fogo” é um álbum no qual resolvemos transmitir com mais clareza o modo como nos vemos, como entendemos o nosso papel no mundo hoje. Acho que mesmo as canções mais introspectivas demonstram esse posicionamento.

Lucas: FOGO é música de mensagem. E tudo reflete o que, nós integrantes, vivemos.

 

Zine do álbum Fogo | Por Meli Melo Press

 

Como foi o processo de composição do “Fogo”? Como cada membro da banda contribuiu na composição?

Victor: Foram diversos processos, cada música feita de um jeito. “Enterro” começou com uma ideia do Xande, uma linha de guitarra. “Sonhando” eu compus no piano (e no disco nem gravamos piano) e já levei para a banda mais formatada. “Amor de Chumbo” nasceu de uma jam, de uma onda que o Sandro e o Lucas estavam tirando durante uma sessão de composição. “Trancado” nasceu dessa linha de baixo que o Sandro criou, que percorre a música toda.

“Céu de Pedra” tem uma história engraçada. Compus ela inicialmente para “Escorpião”, álbum do meu projeto paralelo, Godasadog. Parte dos vocais desse disco eu gravei no estúdio de um amigo, Pedro Rizzi, e ele, ao me ouvir gravar apertou um pause, veio até mim, olhou no meu olho e falou “cara, essa música é Bratislava”. Isso aconteceu em agosto ou setembro do ano passado, justamente no período em que a Bratislava estava trabalhando nas novas composições. Decidi dar ouvidos ao amigo.

“Dança de Doido” também partiu de uma jam entre eu, Sandro e Lucas, no quintal da casa dos meus pais, interior de São Paulo. “Fala Prescindível” é uma obsessão minha de longa data, mas que resolvi botar em prática só agora pra esse disco. Li “O Jogo da Amarelinha”, romance do escritor argentino Julio Cortázar, em 2010, e um trecho específico ficou vagando minha mente por todos esses anos. Trata-se do capítulo 143, presente na 3a parte do livro (nomeado “capítulos prescindíveis” – daí o nome da faixa), em que um dos personagens relata uma experiência de intersecção potencial de sonhos. A ideia me fascinou e grudou na minha cabeça por muito tempo. Reli o livro durante o processo criativo de “Fogo” e iniciei um “combate não-corporal” com o capítulo, reescrevendo-o inúmeras vezes, regravando também dezenas de vezes até chegar em algo que eu acho que fazia sentido pra mim – como se fosse uma memória minha, pessoal (o ponto onde não há mais diferenciação entre ficção e memória).

Por fim, “Fogo” talvez seja o único resgate de um tema que compus há alguns anos. Compus no baixo o tema inicial talvez entre 2013 e 2014, e a sequência da música foi desenvolvida junto à banda. As letras dela e de “Trancado” foram as últimas a serem escritas (finalizei ambas alguns dias antes da gravação dos vocais do disco, quando todo o restante já havia sido gravado). A primeira versão da letra de “Fogo” falava sobre criminalização do aborto. Na época quebrei muito a cabeça no assunto, lendo muita coisa, conversando com muitos amigos e amigas sobre isso. Naturalmente fui tendo vontade de abrir mais a discussão até chegar no ponto em que chegou: o meu lugar de fala e o meu papel social.

Já a ideia de “Trancado” surgiu durante a gravação de bateria. Chovia muito lá fora e, durante uma das gravações, fiquei olhando hipnotizado para o monitor da câmera de segurança. Alguns minutos antes o Sandro tinha comentado, na sala de gravação, que ele nunca tinha sonhado na vida, ou que não lembrava se já tinha sonhado alguma vez. Eu estava sob efeito dessa revelação assustadora (imagine, nunca ter sonhado!), olhando fixo para o pequeno monitor que mostrava as gotas de chuva resvalando contra o portão externo do estúdio. Então imaginei O Sonho, em si, a entidade-sonho, como se fosse um vulto vestido de trapos escuros, chegando à noite pra mostrar coisas ao seu “amo” adormecido, mas ao tentar entrar em sua mente encontrava o portão trancado e não conseguia entrar. Foi o ponto de partida, a inspiração.

Cada letra tem sua história, cada composição, cada linha instrumental. E todos os 4 mexem, opinam, mudam coisas ao longo do processo criativo. É bastante orgânico e até mesmo composições como “Sonhando” e “Céu de Pedra”, que eu já trouxe estruturadas e com letra, acabam se modificando, me inspirando mudanças de narrativa, incitando progressões harmônicas novas ou arranjos novos.

Sobre a produção/gravação do disco, como foi feita? Foi muito diferente do “Um Pouco Mais de Silêncio”?

Victor: Foi bem diferente. Em “Um Pouco Mais de Silêncio” gravamos cada instrumento em um estúdio diferente. Queríamos fazer um giro, entender os processos de vários produtores e passear por diversos pontos de vista ao longo da gravação. Foi um aprendizado incrível, uma puta experiência. Já em “Fogo” decidimos o contrário. Optamos por profundidade ao invés de abrangência e diversidade de pontos de vista. Fizemos uma gravação cautelosa e sem pressa junto ao produtor Hugo Silva, do Family Mob Studios. Ele se envolveu bastante e isso foi muito precioso para o processo. Enfim, duas experiências distintas, ambas com muitos aprendizados.

Em “Enterro” temos uma narrativa do triste desastre natural em Mariana (MG). Como a banda viveu esse incidente, e como ele inspirou na composição da música?

Victor: Vivemos essa tragédia específica como a maioria dos brasileiros, digo, através dos noticiários. Não estávamos presentes no local e no dia do ocorrido, mas o acontecimento em si é estarrecedor e tomar conhecimento dele nos comoveu muito. É um marco histórico no Brasil e uma história que merece ser relembrada sempre, que merece ter mais tempo de vida na memória dessa geração, tamanho o descaso das mineradoras responsáveis pelo desastre.

A faixa “Fogo” é sem dúvida uma das mais intensas do disco. Qual mensagem ela tenta passar?

Victor: Ela é canção situacional, uma auto-análise e um questionamento: pra que que eu tô aqui? Qual é meu papel? Eu tenho um papel? Eu mesmo! Homem, branco, hetero, estereótipo historicamente nefasto, perverso, lesivo e covarde… Eu-criatura, em meio a esforços e lutas por justiça, posso ter um papel ao mesmo tempo ativo e positivo em busca de um mundo sem diferenças, sem gangorras sociais? Como carrego essa herança maldita e não me deixo aniquilar pelo peso dela? Como sequer falar sobre isso, sempre sob o risco hermenêutico? É sobre isso, sobre externar um entendimento sobre si mesmo enquanto agente social. O mundo vive uma fase flamejante, maravilhosamente auspiciosa. Acho que as coisas nunca foram tão claras, tão quentes.

Lucas: É essa inquietação social, esse cotidiano intenso. “Fogo” é sobre saber onde e como se colocar, sobre quando ser passivo ou ativo. Tanta coisa acontece o tempo todo e, né?, o que fazemos? Essas coisas queimam, saca?

 

Bratislava no Lollapalooza 2017 | Foto por Camila Cara

Falando sobre as participações de Gustavo Bertoni (Scalene) na faixa “Enterro”, e Aloizio na faixa “Dança de Doido”, como foram os convites e as escolhas das músicas que cada um participaria?

Victor: Chamei o Gustavo pra participar depois de uma jam que rolou no estúdio Family Mob. Nessa feita ele cantou um som do Far From Alaska, cantando de um jeito bem gritadão, e eu fiquei assombrado com o quanto aquilo era foda. Enxerguei a voz dele encaixando como uma luva nesse tema-ápice de “Enterro”. Já o Aloizio é um grande parceiro de jornada. Tocamos juntos no projeto solo do Beto Mejia (ex-Móveis Coloniais de Acaju) e começamos a trocar muitas ideias, muitas figurinhas. A gente acompanha de perto o trabalho um do outro, ainda faremos muitas coisas juntos. É muito massa poder compartilhar nosso som com caras tão talentosos.

O disco completo contém oito músicas – Gostamos de discos curtos assim. Mas dá aquela sensação de querer mais. Pensei, em tom de brincadeira, “é uma alusão aos oito anos da banda”. É isso mesmo? Ou existe alguma outra motivação?

Victor: Olha só, que massa! Não tinha feito essa conexão com o número 8! Queríamos mesmo lançar um disco mais conciso e direto. A gente ainda gosta muito de tocar músicas do anterior, “Um Pouco Mais de Silêncio”, então boa parte do repertório anterior nos shows permanece. Ao mesmo tempo, passamos a nos entender como uma banda melhor, mais bem preparada e pronta pra gravar um novo registro.

Quando pensaram em fazer um disco mais conciso, como mencionou, a ideia sempre foi ter oito faixas? Ou ficou alguma música ai guardada que os fãs de vocês podem esperar pra ouvir?

Victor: Haha, pergunta perniciosa! Não ficou nenhuma pra trás não. Sabemos que o processo criativo clássico de um artista é compor/gravar mais canções do que serão lançadas, às vezes 20, 30, 40 canções pra selecionar as 10 ou 12 que formarão o álbum. Mas a Bratislava nunca trabalhou assim. As composições que a gente inicia e não vê muito futuro a gente já larga desde o começo, antes de consolidar qualquer coisa. As que a gente leva pra frente a gente mexe de maneira insistente e inquieta até chegar aonde queremos.

Além disso, um dos princípios da nossa fase atual é ser fiel ao que estamos vivendo e sentindo HOJE, jamais resgatar ideias de 2 ou mais anos atrás. Acho que a gente vive uma transformação de mindset violenta, diariamente, e procuramos estar muito atentos a isso. Queremos que as mensagens que iremos passar nos shows não sejam desprovidas de um sentido real e forte pra nós quatro. Então, quer dizer, mesmo se tivéssemos deixado alguma composição pra fora do álbum, não a lançaríamos pois o tempo dela já teria escorrido. Nosso próximo lançamento vai ser sempre uma música recém-composta, refletindo as nossas ideias desse tempo futuro.

Como tem sido a divulgação e repercussão do álbum?

Victor: Tem sido bem positiva! Tem rolado convites para shows, tem aberto porta pra tocarmos em festivais e marcar shows em cidades nas quais ainda não tínhamos tocado. Cada álbum abre novas possibilidades, gera novas experiências. E temos recebido feedbacks muito carinhosos de fãs e amigos.

Lucas: Incrível demais. Na real a galera tem sacado a mensagem e isso não tem preço!

 

Capa do álbum Fogo | Arte por Pena Branca

Para a gente finalizar, como vocês enxergam a Bratislava de hoje em relação ao início da carreira? E o que podemos esperar daqui para frente?

Victor: A gente nunca teve uma formação tão firme e comprometida como essa, que se consolidou com a entrada do Sandro em 2014. Até então a banda já tinha visto muitas formações, as gravações tinham acontecido em meio a entrada e saída de membros, por motivos diversos. Hoje a gente se conhece bem e compõe com mais consciência da onda e da expectativa de cada um. Isso gera músicas e álbuns cada vez mais coesos, uma identidade cada vez mais forte. Só tende a melhorar!

Lucas: Eu entrei em 2013. Evoluímos muito de lá pra cá e isso é muito legal porque é o que a gente busca. A gente tem muita ideia e é muito massa poder concretizá-las em conjunto.

Ouça abaixo “Fogo”, o excelente terceiro disco da banda.

 

Entrevista: Lutre

Intensidade é a palavra-chave para descrever a banda goiana Lutre, com suas composições que prezam por uma delicadeza sincera e uma crueza sonora. No processo de criação de seu primeiro disco, eles contaram com apoio de uma outra banda conhecida pelas mesmas características: a carioca Ventre.

“Conhecemos a Ventre num show que fizemos juntos em março de 2016, no Complexo Estúdio (Goiânia). Logo após o show, numa conversa em volta da mesa de merchandising deles, nos convidaram pra gravar um EP em seu estúdio no Rio de Janeiro. Sem saber como reagir direito, aceitamos e logo já corremos pra ver datas em que todos pudessem estar juntos e comprar as passagens”, conta Chrisley Hernan, baixista da banda.

 Ele forma a banda junto de Marcello Victor (guitarra e vocal) e Jefferson Radi (bateria). O power trio de rock alternativo surgiu em 2015 e no pouco tempo de existência, já passou por palcos importantes como o Festival Bananada e Festival Vaca Amarela em sua tour nacional. Em janeiro de 2016, lançaram seu primeiro EP e miram alto com o lançamento de “Apego”.

 


RIFF: Como cada um dos integrantes acha que contribuiu musicalmente com o CD novo?

Chrisley: Então.. Todas as letras são do Marcello. Ele sempre manda as músicas novas pra já irmos nos familiarizando, aí a gente chega no estúdio e fica quebrando a cabeça para desenvolver o resto. O resto na maior parte das vezes foi feito em conjunto mesmo, todos pensando sobre como deveria soar e como julgamos melhor soar. Isso não é muito complicado porque acaba que a gente ouve MUITA coisa parecida e igual, temos na maior parte do tempo as mesmas referências e tudo mais.


RIFF: Qual foi a pior parte desse período de gravação do disco novo?

Marcello: Pra mim foi o final da gravação no Rio, no último dia de gravina eu estava bastante estressado e não suportava mais nenhuma piada e nada mais. O foda é que não dava pra dizer: “Gente, hoje não dá, vamos fazer amanhã.” Estávamos no último dia e voltávamos na manhã seguinte pra Goiânia.


RIFF: Chrisley, como é tocar o baixo mais leve do Brasil?

Chrisley: É CHOCRÍVEL ahhahahah

RIFF: Como foi gravar com a produção do Ventre?

Marcello: Foi uma experiência muito gratificante e de bastante aprendizado tanto no lado musical quanto no lado pessoal. Quanto ao lado musical eu pude aprender mais sobre timbre, pedal e tudo mais voltado pra guitarra, camadas de guitarra, dobras e tudo mais. Quanto a parte pessoal, lá a gente aprendeu como o independente vai se construindo a partir do amor das pessoas. Pelo menos eu aprendi muito sobre solidariedade e sobre poder passar pra outras pessoas o que se sabe e o que se pode fazer com o que tem. Nessa semana em total presença com a Ventre, a gente voltou com um pouco de cada uma das personalidades e é isso, eu acho. Não sei se deu pra entender kkkk foi bonito foi.

RIFF: Quando vai rolar session com o RIFF?

Chrisley: Por mim a gente ia pro Rio de mês em mês e gravava session todas as vezes!

Marcello: Uai, só vamo, eu digo bóra e vocês dizem quando kkk

De São Paulo para o mundo: Um pouco da mini turnê do Ego Kill Talent na Europa

Por Camila Borges

Sonoridade forte, presença de palco, letras bem compostas, músicos experientes entre outras qualidades. O tipo de show que faz qualquer um voltar pra casa satisfeito. Talvez isso defina o que é a Ego Kill Talent pra muitos. Banda formada por Theo van der Loo (Guitarra / Baixo), Niper Boaventura  (Guitarra / Baixo), Jonathan Correa (Vocais), Raphael Miranda (Bateria / Baixo) e Jean Dolabella (Bateria / Guitarra), músicos que já passaram por outras bandas como Diesel, Udora, Sepultura, Reação em Cadeia, Pulldown e Sayowa.

A banda foi formada em dezembro de 2014, em São Paulo, e sua sede  é no Family Mob Studios.

Download Festival Paris 2017 | Foto: Lucca Miranda

Aproveitando a mini turnê da banda pela Europa no mês de junho onde tocaram no Download Festival na França, no Melkweg na Holanda, e num dos lugares mais históricos que é o Arenès de Nîmes abrindo o show do System Of A Down, trocamos uma ideia com o Niper e o Raphael pra saber um pouco mais sobre essa experiência, e sobre o que vem pela frente.


RIFF: Como surgiu o convite pra esses shows? Vocês já tinham uma noção de como seria?

Raphael: “Primeiro surgiu o convite para tocarmos no Download em Paris, pelo promoter do festival. Como já estaríamos lá, o System, com quem já temos uma relação há um tempo, convidou para o show de Nimes. O show do Melkweg em Amsterdam pintou por um convite de um grande promotor de shows da Holanda. Tínhamos só uma ideia de como seria a recepção da galera lá, três de nós já tinham tocado na Europa algumas vezes, mas superou muito nossas expectativas.”

Muitos fãs de vocês aqui do Brasil tem uma certa “curiosidade” sobre o público de fora, a energia, a empolgação. A reação é diferente ou a mesma daqui? Como foi a aceitação da galera nesses shows?

Niper: “O público que encontramos era curioso e muito respeitoso. Foram ótimos shows e mesmo quem ainda não nos conhecia apreciava e parecia estar gostando do que estava vendo. O Brasil é diferente mas está mudando pra melhor.”

Raphael: “Nos nossos shows geralmente a galera devolve na mesma moeda a energia que a gente joga. Lá não foi diferente. O público na Europa é muito educado, curte o som, respeita, agita junto. É um público talvez difícil de ganhar porque todos os shows passam por lá, estão acostumados a ver tudo, então eles terem nos recebido muito bem foi um ótimo sinal. Teve gente indo de Londres pra Amsterdam só pra ver o nosso show. Isso é impagável!”

Vimos pelos Stories que vocês assistiram a vários shows no Download Festival. Entre eles Green Day, Mastodon. Qual foi o mais empolgante pra cada um? E como foi esse troca de experiências?

Niper: “O show do Green Day no Download e o System em Nimes foram experiências incríveis de sonoridade, entretenimento e profissionalismo. Estamos em busca desse patamar, então conviver e dividir palco com esses caras nos ajuda muito à refletir sobre nossos próximos passos.”

Raphael: “Pra mim o Green Day foi incrível, o que mais me impressionou. Nunca tinha assistido um show deles. O Billie Joe é um front man incrível, domina o show, a platéia, tudo. A produção do show deles é impecável, um verdadeiro espetáculo. Vi também o Mastodon, de quem eu sou fã. Nível de musicalidade incrível, show direto ao ponto, foda. Prophets of Rage também foi bem legal. Muito bom ver aqueles power trio tocando, eles são muito fodas. O show do Far From Alaska foi outro que mereceu destaque, a galera é muito foda. São nossos amigos e eu particularmente sou muito fã da banda. E o System of a Down, claro! Essa turnê deles está bem legal, a iluminação, o cenário, tudo. Fora os hits, um atrás do outro. É um show que todo mundo deveria assistir.”

Melkweg Amsterdam | Foto: Cassiano Derenji

Como foi a emoção de tocar no Download Festival, no Melkweg e no Arenès de Nîmes? Como se sentiram tocando pra milhares de pessoas, abrir o show de uma grande banda que é o System Of a Down?

Niper:  “Todos tiveram seus momentos especiais, registramos tudo em vídeo e logo você poderá ver. O show em Nimes foi especial por ser numa arena de mais de 2 mil anos, a energia do lugar é indescritível. Melkweg é um templo sagrado do rock, onde várias bandas que curtimos tocaram. O Download é um dos maiores festivais do mundo, estar ali entre tantas bandas respeitadas foi uma prova de que estamos nos caminho certo pra espalhar nossa música pelo mundo.”

Raphael: “Foi indescritível. Cada show com sua particularidade, mas todos incríveis. O Download é um festival clássico na Europa, apesar de terem rolado poucas edições em Paris, mas o nome é muito forte, e tocar ao lado de nomes como SOAD, Mastodon, Slayer, Alter Bridge, Green Day, etc., é maravilhoso. O Melkweg é uma casa muito tradicional na Holanda. U2, Foo Fighters e Pearl Jam são só alguns dos nomes que tocaram lá em início de carreira, então tocar numa casa icônica como essa é fantástico. E por último, tocar numa arena construída em 27 A.C. é literalmente de tirar o fôlego, ainda mais tocando com o SOAD. A energia naquele lugar é indescritível, só estando lá pra sacar.”

Sabemos que vocês têm uma música nova chamada “My Own Deceiver”, que está na trilha sonora da malhação. Alguma previsão para lançamento?

Raphael: “Ela vai ser lançada nesse mês e estamos ansiosos pra colocar ela na rua! Já estamos tocando ela nos shows e a resposta do público tem sido muito boa.”

(N.A: A música será lançada nesta sexta-feira em todas as plataformas digitais)

Agora com a volta ao Brasil, vocês já tem alguns shows marcados. Podemos esperar por mais shows internacionais ainda esse ano ou só por terras brasileiras?

Niper: “Estamos fechando mais datas internacionais sim, logo divulgaremos.”

Arenès de Nîmes | Foto: Lucca Miranda

Dia 24 de setembro vocês estarão no Rock in Rio, aliás,  muito concorrido entre os fãs por ser o dia mais esperado do evento. A expectativa é grande? Estão preparados ou dá aquele friozinho na barriga?

Niper:  “Será um grande show! Estamos muito felizes pelo convite! Ótima oportunidade de apresentar nosso trabalho para muita gente que ainda não nos conhece. O RiR é um dos maiores festivais do mundo, além das dezenas de milhares de pessoas in loco, teremos muita gente vendo via TV e internet. Vai ser lindo!”

Raphael: “Estamos muito ansiosos. Na verdade é mais excitação do que ansiedade. Me lembro de ver a chamada do festival na TV quando eu era bem pequeno e agora vamos fazer parte disso. É maravilhoso! O Rock In Rio tem muito prestígio no mundo todo e o fato de ser um festival Brasileiro traz uma satisfação maior ainda. Ficamos extremamente felizes com o convite pra tocar lá tenho certeza de que esse vai mais um enorme passo na carreira do EKT.”

Quais os projetos para os próximos meses?

Raphael: “Depois desses shows na Europa o nosso próximo grande tiro é o Rock In Rio, estamos com foco nesse show. Até lá temos alguns shows aqui no Brasil, lançamento da My Own Deceiver e alguns outros planos que estamos montando.”