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Entrevista Twin Pumpkin: “É sensual, violento e infame como ‘Albert Fish”

Por Felipe Sousa | Felipdsousa

 

Twin Pumpkin é um projeto criado em 2015 pelo artista independente Israel “Izzy” Castro. Nessa época, Izzy produzia vídeos pro youtube, publicando alguns covers na plataforma. Em paralelo, o músico foi desenvolvendo alguns sons experimentais que acabaram culminando no seu primeiro EP, “Spook Like Halloween”, gravado inteiramente em seu home stúdio e lançado em 2016.

Conversamos com o grupo, que nos falou sobre o inicio da careira, o primeiro EP, e os projetos futuros. Acompanhe:

 

Reprodução Instagram Twin Pumpkin

Antes de tudo, Izzy, queria que contasse pra galera como foi o seu início em particular. Quando começou a se interessar por música e quando começou o lance dos covers? Aliás, eu vi um de “Where Is My Mind”, do Pixies, e cara, que ótimo trabalho ali. 

Izzy – Valeu cara! Pixies é uma das minhas bandas favoritas! Então, meu interesse por música começou quando eu tinha uns 15, 16 anos, logo depois que vi meu pai tocando batera com a banda dele da época! Tive a oportunidade de assistir o gig em cima do palco, pique papagaio de pirata ao lado dele e lembro até hoje do monstro musical que ele era! Devo muito do que eu sei ao meu velho e tenho certeza que se não fosse por ele, eu provavelmente não estaria envolvido com a música hoje em dia!
Já os covers, na real, vieram pra suprir uma vontade de compor algo próprio (algo que não conseguia fazer na época) então, o único jeito era ”coverzear” pelo youtube e boa.

 

Boa! E nessa época você já era o Twin Pumpkin nas redes. Mas vendo isso hoje, esse nome parece soar mais do que apenas um nome artístico. Soa mais como um personagem, dentro da obra como todo. Ali você já buscava essa identidade? Quem é Twin Pumpkin dentro da cena?

Izzzy – A Twin pra mim é muito mais do que uma banda ou um simples projeto! É um lado pessoal que conheci alguns meses depois que meu pai faleceu! Foi um lado que surgiu pra me salvar e me tirar do buraco que eu estava me afundando! Um lado que surgiu pra me dizer que eu posso ser o que eu quiser, que eu posso ser forte e que tudo isso só depende de mim! Acho que todos nós temos um pouco desse lado ”Twin Pumpkin”, sabe? Meio escondido, mas SEMPRE preparado pra batalha.

Reprodução Facebook Twin Pumpkin

 

É, realmente isso é algo que percebemos ao ouvi-lo. E talvez por isso, em meio aos covers, em 2015, as autorais foram sendo compostas e mais tarde, em janeiro de 2016, elas se transformaram no EP “Spook Like Halloween”. Até de fato virar EP, como foi o processo? Quando deixou de ser experimentação pra finalmente se transformar em projeto sólido?

Izzy – Muitas músicas surgiram (e ainda surgem) a partir de pequenas ideias ou explosões de criatividade. Não tenho um momento do dia onde eu pare tudo que estou fazendo e digo pra mim mesmo ”Hoje eu vou compor uma canção”. Sempre estou escrevendo e muitas vezes, deixo uma música quieta e ela vai se terminando sozinha com o tempo. O processo se resume bem como um tiro no escuro! Tem dias que o tiro é certeiro e tem dias (que são na maioria) que você deseja nem ter carregado sua pistola.

ZeRO – ”Carregado sua pistola” hahahahaha as ideias

 

Vamos daqui a pouco falar mais das canções de forma mais específica. Mas sobre o EP, ele tem as letras meio sombrias e com alguns temas particulares, em contraste à melodias menos tensas e mais dançantes. Conta pra gente o que ele tem de pensamento a passar.

Izzy – Muitas das músicas foram escritas logo após o falecimento do meu pai e esse ”descobrimento pessoal” que rolou comigo depois disso. Como se fosse um novo lado tentando sair nas letras! Músicas como ”Hello, My Name is Twin Pumpkin” ou ”The Phoenix” são gritos de ajuda desse lado ”twin pumpkiniano”, tentando me arrancar da maré ruim! Já outras como a ”Tombstone Rock” ou ”You Make Albert Fish Look Like Magikarp” são odes ao mundo do Horror/Terror, cheio de referências aos livros e filmes que gosto e todo o conceito desse universo fantástico! No geral, foi uma experiência bastante catártica compor o EP ”Spook like Halloween” e foi uma das épocas mais importantes da minha vida!

Capa do EP

 

Em meio a tudo isso, todos esses momentos complicados, e de autoconhecimentovocê produziu e gravou todo o EP sozinho. Como foi essa experiência e o processo em si?

Izzy -Um aprendizado do caralho! Cheguei a regravar o EP 5 vezes até chegar em um resultado satisfatório, e a cada regravação, novas ideias e novos aprendizados surgiam.

 

Algum tempo após o EP ser lançado, a Twin deixou de ser banda de um homem só para virar um trio. Explica como foram essas mudanças e de que forma elas interferem positivamente hoje.

 
Izzy – o ZeRO e Tuiú entraram diretamente para somar, acreditando em mim, no conceito e no projeto, tornando também o projeto da vida deles!
ZeRO – é nois carai

Haha, boa! E como se conheceram? ZeRO e Tuiú já fizeram parte de algum outro projeto?

ZeRO – Eu e o Israel nos conhecemos há uns 7 anos atrás quando ambos tinham banda de escola e tocavam por pura diversão. Inclusive, fizemos uma música que vai estar no próximo CD da TxPx muito antes do conceito Twin Pumpkin surgir e sem pretensão de nada. E acabou que estamos nessa juntos agora.

Izzy – Já eu e o Tuiúzão nos conhecemos no primeiríssimo show da Twin, que rolou no LadoB em São José dos Campos! A TxPx ainda era um projetinho solo nessa época e eu tinha fechado um acústico nesse rolê, abrindo o show para a Atarin, então banda do Tuiúzera! Dps do show, trocamos uma ideia, comemos umas esfihas e o resto é história

 

Em 2016 vocês começaram a chamar atenção e inclusive abriram show pro Dead Fish. Como foi essa experiência?

Izzy – Realização de um sonho! Dead Fish é uma das nossas bandas favoritas e tocar ao lado dos caras foi bem estranho, mas estranho pra um lado bom! Era de lei sempre vê-los de longe ou no Youtube ou do meio do mosh e de repente BAM lá está você do lado da banda, trocando uma ideia sobre qualquer fita aleatória e boa! Baita experiência massa!

Reprodução Facebook Twin Pumpkin

 

Abrir pra uma banda como Dead Fish por si só já é um baita reconhecimento do trabalho de vocês. Mas falem aí, que show gostariam de fazer, ou qual festival têm vontade de tocar? 

Izzy – Ó… acho que qualquer banda quer tocar no Lolla ou no Rock In Rio, mas a gente quer mesmo é tocar numa festa á fantasia de Halloween! Sempre trocamos ideia sobre isso e sempre combinamos fantasias diferentes em ocasiões diferentes haha um dia ainda vamos fazer o ”Red Hot Chili Peppers” e tocar só de meias, fica vendo haha!

 

Seria demais um evento desse hein! Quando rolar, chama o RIFF! E Falando um pouco sobre referências. O que vocês têm ouvido e o que tem influenciado o som da banda?

Izzy – Pra mim é díficil falar sobre uma banda ou um estilo em específico. Por exemplo, ontem fui dormir ouvindo Mukeka di Rato e acordei ouvindo Mac DeMarco! Nossos gostos musicais são bem ecléticos e acho que, muitas vezes, buscamos referências não só na música, mas também em livros, jogos e filmes.

ZeRO – Eu acordo ouvindo Radiohead e na hora do almoço, tô ouvindo Cacique e Pajé. Realmente é bem extremo, mas falando em referência, O Slash é o cara que me motivou a aprender a tocar um instrumento e me moldou no músico que sou hoje.

Tuiú – Eu gosto do som do galo cantando de manhã, do passarinho batendo as asas e do café pingando na cafeteira.

Tuiú | Reprodução facebook Twin Pumpkin

 

Uma música que gostariam de ter feito:

Izzy –  Where is my mind do Pixies! Que músicão

ZeRO – Bittersweet Symphony do The Verve

Tuiú  Bleed do Meshuggah. o Tomas Haake é um dos meus bateristas favoritos, pois hoje em dia é muito fácil aprender a tocar e desenvolver a técnica com o acesso que temos a internet, mas ser autêntico não é pra qualquer um, e ele faz isso com tamanha facilidade.

Com quem gostariam de fazer uma parceria?

Izzy – Putz, com muitas pessoas, mas o primeiro humano que veio na mente foi o Brendon Urie do Panic! At The Disco! Imagina ter um trampo produzido ou compor um som com esse cara, ta louco! Pra mim, ele é umas das mentes mais criativas dos últimos tempos e uma das grandes vozes da música atual.

ZeRO –  Difícil essa hein? Mas acho escolheria o Kelly Jones do Stereophonics, pego bem demais o Britpop e com a voz daquele cara!

Tuiú – Placebo, conheci os caras ainda na época do VHS. Pirei quando ouvir The Bitter End pela primeira vez, uma banda das primeiras bandas que virei fã e até hoje curto demais!

 

Agora acho que devemos ilustrar o “Spook Like Halloween” e fazer esse EP entrar na playlist dos riffeiros. “Bora”? Faixa a Faixa:

HelloMy Name is Twin Pumpkin

Nossa música de introdução! Resume bem todo o conceito ”Twin Pumpkiniano” e se inicia com um quote do livro ”Clube da L***”.

Tombstone Rock

Nosso ode ao mundo do horror! Um rockabilly cheio de tremolos, referências e aquele pézinho de inspiração da banda The Misfits!

The Phoenix

Ninguém sabe da força que tem até precisar usa-la e essa música resume bem isso! É sobre superar obstáculos e renascer através de si mesmo.

   OperatorPlease

Aquela mistura do Indie Rock da era ”Suck it and See” do Arctic Monkeys com uma pitadela de ”My Michelle” do Guns n’ Roses

You Make Albert Fish Look Like Magikarp

Esse som é o nosso ”B-Movie cinema trash” diretamente das entranhas de uma produção do Grindhouse! É sensual, violento e conta a história de um assassino que se julga PIOR do que o ínfame serial killer ”Albert Fish”, comparando-o com aquele Pokemon inútil; Magikarp!

Spook Like Halloween

Uma história de amor fantasmagórica repleta de influência de uma banda de folk-horror que vocês deveriam ouvir chamada ”Timber Timbre” (Sério, ouçam essa banda!) Inclusive, a ideia da capa do nosso EP veio a partir do conceito dessa música!

Live, FightBleed

Um conto sobre o início de uma revolução através da perspectiva de um narrador! Da-lhe Da-lhe riffs pesados e MUITA distorção, fechando o EP ”Spook like Halloween” com uma chave de Ununséptio!!

Boa! E falando nisso, agosto passado vocês lançaram vídeo pra “HelloMy Name Is Twin Pumpkin. Como o clipe aconteceu?

Izzy – Juntamos nossos amigos e com apoio da casa de shows Hocus Pocus em São José dos Campos, fizemos o nosso primeiro videoclipe, com direito a muitas risadas, muito goró e um rolê totalemente DIYzêra!

Quais são os projetos pro futuro?

 
Izzy –  Ficar famoso, tretar por estrelismo, acabar com a banda e 10 anos depois, fazer um show de reunião e ganhar milhões de dólares hehehe.
Brincadeiras à parte, estamos no processo de gravação de um cd novo e a lei é sempre continuar produzindo e gastando ideias a milhão!

Opa! CD novo é uma ótima notícia. Já dá pra adiantar alguma coisa?

Izzy – Dá pra adiantar que as gravações já começaram, o nome do CD vai ser um quote do Bukowski e vai ter a voz do Tuiuzera, e se achar ruim o Tuiú vai virar vocalista nessa caralha.



Demais! Queremos ver o resultado. E pra gente finalizar, qual o Riff que marcou a vida de vocês?

Izzy – Dammit do Blink-182! Foi o primeiríssimo riff que aprendi na vida e é isso. Blinkão é blinkão e o resto é o resto.

ZeRO –  Scar tissue, that I wish you saw, Sarcastic mister know it all… e por aí vai.

 

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O estado ”magnetite”: um pouco mais sobre o novo álbum da Banda Scalene

‏‏‏Por Camila Borges

“magnetite é um estado. magnetita é a pedra-imã mais magnética de todos minerais. cristais de magnetita estão presentes em diversos lugares da natureza e em cérebros de animais, inclusive nos nossos. magnetite é o estado de viver ciente e responsável pelas causas e consequências energéticas de nossas ações. inflamados com essa condição, magnetite é nosso estado.”

Assim descreve a Banda Scalene sobre o seu terceiro álbum de estúdio em suas redes sociais.

Com 12 faixas, o álbum gravado no estúdio do Red Bull Station teve seu lançamento na sexta-feira (18/8) e já é um dos mais queridos pelos fãs.

Aproveitando toda essa empolgação conversamos um pouco com o Tomás Bertoni, onde ele conta um pouquinho mais sobre o magnetite e algumas curiosidades.

Canal Riff: A arte do álbum é do Bruno Luglio, vocês já conheciam o trabalho dele? Como foi a escolha?

Tomás:  Conhecemos ele há um tempo. Ele era da banda Level Nine, então sabe como funciona o mercado e a vida na música. Hoje em dia ele é diretor criativo de uma agência em Nova York. Trabalhou no amor com a gente, interessado em ajudar e chegar em um resultado legal. Foi um prazer ter ele conosco, o cara é gêniozinho.

E sobre o processo de gravação, como foi gravar no Red Bull Station? Alguma coisa diferente que você possa contar?

Foi a primeira gravação completa em um estúdio profissional. O Real/Surreal foi 100% em home studio, o Éter gravamos bateria em um estúdio profissional e o resto em home studio e agora no magnetite tivemos o apoio da Red Bull pra gravarmos no estúdio deles. Não necessariamente um caminho é melhor que o outro, são escolhas bem relativas e com muitas variáveis, mas queríamos a experiência de passar semanas em um estúdio como o da Red Bull Station pra gravar um álbum. Sentimos que mudarmos por um mês pra SP também seria interessante pelo foco natural que isso iria gerar. Estávamos todos em outra cidade, das 11h às 20h, todo dia. Diferente de gravar em casa, com horário mudando todo dia, com compromissos do dia-a-dia e etc.

Red Bull Station in Sao Paulo, foto Patrícia Araújo

A maioria das músicas são do Gustavo, você tem participação em duas. Como é o processo de composição de vocês (banda) juntos?

Na verdade tenho participação em bem mais de duas haha e o processo do instrumental e da letra são em momentos meio separados e minha participação é grande principalmente nas letras. Varia muito! Algumas músicas o Gustavo faz tudo como foi o caso de ‘maré’ (eu escrevi só uma frase dessa haha), outras eu faço a letra inteira e o Gustavo todo o resto. ‘fragmento’ por exemplo chegou a ter duas letras sobre temas diferentes, uma eu fiz e a outra eu ajudei o Gustavo a terminar. A letra que ficou foi finalizada todo mundo junto um dia antes de gravar voz.

No início de tudo a preocupação maior é de estruturar a música, depois vamos pensando nos arranjos e nas letras. No processo de fazer os arranjos e letras as vezes mudamos a estrutura. Então realmente não tem um passo-a-passo definido, vamos deixando o fluxo nos levar e vamos fazendo o que cada composição pede.

Existe algum motivo de os nomes das músicas estarem todos em letras minúsculas?

falar hoje em dia é digitar, então é falar com calma, em voz baixa. também chamando atenção pro conteúdo e não como ele é divulgado.

Tenho duas perguntas sobre Phi

A primeira é que o final de Phi liga a introdução de Extremos Pueris. Dá uma certa sensação de como se o álbum não tivesse fim. Foi pra galera se sentir assim ou só pra haver ligação mesmo entre as músicas?

todos são parte do ciclo sem fim, causa e efeito do bom e ruim.

A segunda é que numa parte de Phi a gente nota o instrumental de XXIII, as músicas foram compostas ao mesmo tempo, uma depois da outra, tem alguma ligação?

tem que digitar as músicas em caixa baixa gente, bora nessa haha

então! phi foi composto na época do DVD, junto de Inércia, Vultos e Entrelaços. ponta do anzol também, falando nisso. Escolhemos as três do DVD, mas estávamos muito apegados e gostávamos muito da música que ainda não tinha nome nem letra. Usar parte da música como introdução do DVD e de toda a turnê do DVD foi uma forma daquela composição já fazer parte das nossas vidas desde ano passado. E estava nos planos ela vir no álbum desde sempre. Acabou que virou duas músicas diferentes e complementares. Uma espécie de sequência, como rola em Sonhador e Sonhador II, mas de outra forma e com outra proposta.

Foto Breno Galtier

É pouco tempo pra saber, mas dá pra ter uma noção do que a galera tá achando do álbum?

Foi muito legal ver tanta gente já gostando de primeira, disposta a ouvir e gostar, de coração aberto pra absorver o que tem de diferente. Repercussão tá muito boa! Tem uma galera estranhando, mas estaríamos bem mais preocupados se não tivesse. Normal um álbum que a banda explora outros caminhos, os ouvintes precisarem de algumas ouvidas pra digerir. Estamos com o sentimento que os objetivos estão sendo cumpridos e expectativas alcançadas. Galera gostando bastante das letras também, o que tem sido bem gratificante. Como você disse, tem pouco tempo ainda, mas a tendência é ir crescendo mais ainda.

Vocês tiveram muito da música brasileira num todo no Magnetite, dá pra citar algumas bandas/cantores que serviram de inspiração?

Vitor Rammil, Metá Metá e Lenine são algumas. As bandas amigas da nossa geração influenciaram bastante também. Muita gente sacou que Inky foi influência por exemplo. Ouvíamos muita mpb e bossa nova quando éramos crianças, resgatamos isso nesse álbum também.

E sobre o Rock in Rio, falta praticamente um mês! Estão ansiosos? Como anda a preparação pra esse grande dia?

Ansiedade vai começar a bater mais perto só. As músicas que tocamos desde ano passado ou desde 2013 tão mais que ensaiadas, a questão maior vai ser decidir quantas músicas novas vamos tocar e ensaiá-las muito bem. Além de descobrir como vamos encaixá-las na setlist. Geralmente esse processo acontece aos poucos ao longo de meses de shows até ficar bonzão e não vamos ter esse tempo.

Com álbum novo vem turnê nova. Quais os próximos passos após o Rock in Rio?

Continuar divulgando o magnetite, fazer os shows que estão sendo marcados e gerar mais conteúdo do álbum novo. Estamos com vontade de voltar a fazer colaborações com bandas amigas também, tomara que a gente consiga.

Entrevista: Bratislva fala sobre novo disco “Fogo”, influências e sua carreira

Por Felipe Sousa | @Felipdsousa

 

Composta pelos irmãos Victor Meira (vocais/synths) e Alexandre Meira (guitarra/vocal), além de Lucas Felipe Franco (bateria) e Sandro Cobeleanschi (baixo), a Bratislava está na estrada desde 2009. A banda, que é uma das ótimas revelações do underground, estreou com o EP “Longe do Sono”, em 2011; e em 2012, lançou o primeiro álbum, “Carne”. Os paulistas ainda têm mais dois discos lançados, “Um Pouco Mais de Silêncio” (2015), e o mais recente registro, e um dos melhore nacionais desse ano, “Fogo”.

O RIFF bateu um papo com um grupo, que nos falou um pouco sobre os quase oito anos de carreira, o início difícil da banda no cenário independente, a experiência que tiveram no Lollapalooza desse ano, o processo de composição e produção de seu novo álbum “Fogo”, e muito mais em uma entrevista exclusiva. Leia abaixo:

 

Foto por Fernanda Gamarano

Vamos começar pelo início, lá em 2009/2010, quando a banda foi formada. Conta pra gente, como a Bratislava surgiu?

Victor: Bratislava surgiu como projeto paralelo de uma bagunça que a gente fazia com vários amigos músicos. No começo éramos eu, Alexandre e Pedro – primeiro baterista da banda, que saiu ainda no mesmo ano. A gente se juntava pra tocar versões de diversos artistas que iam de Caetano a Beatles, de Gogol Bordello a Portishead. Por conta de um concurso da OiFM, de bandas com material autoral, resolvemos trabalhar em alguns rascunhos e temas que tínhamos na manga. Aí nunca mais paramos essa brincadeira de compor.

A sonoridade de vocês é bem original, além do nome, “Bratislava”, que é muito legal. Quais foram as influências para criar essa sonoridade e como definiram o nome? Que identidade pretendiam dar à banda?

Victor: A gente foi criando isso ao longo do tempo. Nos primeiros releases acho que a gente estava explorando gêneros e estéticas bem diferentes umas das outras… hoje ouço e acho meio esquizofrênico, mas isso foi ótimo para a nossa formação. O processo criativo era mais “acidental” também: a gente criava uma linha, se apegava e desenvolvia… As letras eram recortes de poemas que se encaixavam e eu me importava menos com o fator dialógico, isto é, com a expressão de uma mensagem clara. Gostava de como certos conjuntos de palavras soavam, num sentido estritamente estético/sonoro mesmo, e aí muitas delas soavam como sugestões de situações ou cenários fantásticos.

O primeiro álbum da banda foi o “Carne” (2012) e antes dele teve o EP “Longe do Sono” (2011). Como foram esses dois primeiros anos de carreira e a repercussão desses dois projetos?

Victor: Os primeiros anos foram de aprendizado. A Bratislava foi a nossa iniciação na música independente, o que significa que até então a gente nunca tinha feito um show, nunca tinha gravado um disco. Então teve gravação de demo em 2010 no estúdio em que ensaiávamos; teve show na lama pra apenas uma pessoa na plateia num pequeno festival de bandas em Embu das Artes; teve a gente caindo na falácia desses produtores que botam dez bandas pra vender ingressos pra um evento de “batalha de bandas”; teve todos os tombos e tropeços que uma banda pode levar. Mas tem histórias incríveis também. Organizamos muito bem o show de estreia da banda, que foi num galpão na Vila Madalena pra um público de 400 pessoas; fizemos o nosso primeiro show fora de São Paulo (Bar Valentino, em Londrina-PR); e de modo geral a gente foi sacando que é no coletivo que as coisas tem chances legais de funcionar, que não há lugar pra egotrip nessa estrada, que a conquista de hoje nunca garante a de amanhã e que é preciso de trampo firme e contínuo pra seguir fazendo o que se ama.

Aliás, Victor, falando nisso de projetos, você tem em paralelo à banda, pegadas literárias. Como está levando isso hoje? E de que forma a literatura tem influenciado a banda?

Victor: Tive uma produção literária bem prolífica entre 2006 e 2010. Coordenava 3 blogs coletivos de poesia (adorava essa época dos blogs) e participava esporadicamente de mais uns tantos. Com o início da banda naturalmente passei a dedicar mais tempo às composições e a atividade literária começou a se concentrar no formato da letra de música. Eventualmente rascunho um conto, uma narrativa, mas os poemas que inicio na maior parte das vezes acabo musicando. E sigo lendo sempre, poemas, romances, contos, o que vier. Gosto de ficção brasileira, latino-americana e francesa, de preferência coisa nova, de autores vivos ou lançados há menos de 50, 60 anos. Clássicos como Cortázar, Borges, Sartre e Camus estão entre meus favoritos.

Em 2015 vocês lançaram o segundo álbum, “Um Mais de Silêncio”, no formato de Zine. Como e por que decidiram apostar nesse tipo de trabalho? E pra quem quiser ter o Zine hoje, ainda é possível?

Victor: Claro! Qualquer um pode comprar nosso zine nos nossos shows ou na nossa lojinha on-line: bratislava.iluria.com. O zine foi um formato, pra nós, de dupla função: questionar a tradicional e quase-obsoleta mídia CD e explorar um formato que valoriza mais as artes gráficas do que um simples encarte enjaulado em um box acrílico. Na verdade você pode encarar o zine como um encarte de luxo, ou como um pequeno livro. O lance é que o objeto-protagonista deixa de ser a mídia (CD) e passa a ser o livrinho em si, as artes gráficas, as letras.

Lucas: A gente quebrou bastante a cabeça até chegar nesse formato. Surgiram outras opções, mas queríamos explorar uma vertente visual/gráfica forte e o zine veio como uma luva. Tanto que seguimos com esse formato no disco novo.

 

Zine do álbum Um pouco Mais de Silêncio

 

Ainda sobre o segundo disco, ao ouvirmos, fica claro a intenção da banda de fugir da previsibilidade, tantos nas letras quanto no instrumental. Como foi esse processo de composição?

Victor: Creio que você fala sobre o “Um Pouco Mais de Silêncio”, né? Pois é, acho que a questão do deslocamento do real (a sugestão do impossível e do absurdo) sempre foi um motor pra mim, como autor. O previsível é bobo. O complexo/estranho possui uma magia, que talvez seja a magia do desconhecido, do escuro. E o que brota da nossa cabeça, enquanto expressão, normalmente é amórfico mesmo, poucos sentimentos são classificáveis e menos ainda cabem em currais universais. Acho que é o que mantém o xadrez do “fazer humano” infinito. Então não acho que é uma fuga, como você propõe. É mais um fundamento pessoal. Acho que tudo o que componho e escrevo tem essa característica e isso deveria se evidenciar a cada lançamento. Mas aí em “Fogo” resolvi me dedicar mais à questão dialógica, comunicar além de expressar, e isso foi um conflito bom, estimulante.

Lucas: O “Um Pouco Mais de Silêncio” tem uma composição orquestrada demais, meio cabeçuda, eu acho. Mas era o que, de fato, era a Bratislava naquele momento. Experimentamos muito, gravamos em diversos estúdios, tínhamos claro o que queríamos produzir e esse foi o resultado.

Dois anos à frente na nossa linha do tempo, chegamos, em quem sabe talvez, seja o maior evento da banda. Lollapalooza. Como aconteceu o convite? E qual a sensação de tocar em um dos festivais de música mais disputados e queridos do circuito?

Victor: Recebemos o convite no dia 30 de agosto de 2016, dia em que fomos ver a Kalouv tocar no Prata da Casa e eu só pude dizer pros caras depois do show, porque ainda era informação sigilosa, toda aquela história. Fizemos festa baixinho, num cantinho lá no SESC Pompeia, foi bem engraçado. Meses antes, uma amiga nossa que é jornalista apresentou nosso som para um dos produtores do festival. Ela fez o contato na época em que saiu uma matéria no Caderno 2 apontando a Bratislava como promessa do rock nacional. Rolou um timing bom, acho que chamou a atenção deles. Pra nós era mais um tiro no escuro, coisa que fazemos todos os dias como parte integral da nossa atividade de booking, de participação em programações musicais e festivais. E aí em agosto veio a surpresa do convite, que explodiu nossa cabeça. Sobre a sensação de tocar no festival, já toda uma outra história. Foi uma experiência maravilhosa. Nos sentimos super-heróis naquele dia, com aquela estrutura que engrandecia a nossa figura, a nossa voz. Provamos um pedacinho do paraíso, acho que é a sensação que fica. E há toda uma história de evolução pessoal e musical dos quatro da banda, ligada aos preparativos para o grande dia. Foi uma fase deliciosa.

Lucas: Foi um baita momento! Aquela estrutura a favor do nosso som! Mas é só mais um tijolinho colocado na construção. Até hoje fica aquele gostinho de “será que foi verdade tudo isso”? E foi! Uma conquista enorme por uma banda que faz tudo independentemente.

 

Bratislava no Lollapalooza 2017 | Foto por Lucci Antunes

Conseguiram ver algum show? Algum que fez a banda vibrar como aquele verdadeiro fã?

Victor: Só consegui ver um único show inteiro, curtindo e me entregando ao som como fã, que foi o show da MØ. Against all odds, adoro o som pop dela, acho diferente de outros pops. Sinto honestidade, uma verdade ali no que ela faz, e a voz dela me hipnotiza. Foi um “showzásso”.

Lucas: De manhã, quando chegamos no palco pra passar o som a galera do The Weeknd estava terminando de passar o deles. Ficamos curtindo esse momento e depois trocamos uma ideia com os músicos da banda. Ali, pelo menos pra mim, já valeu o rolê todo.

Como foi a relação com um evento de porte tão grande? Acham que esses tipos de festivais podem prestigiar mais as bandas independentes?

Victor: Não sei se podem prestigiar mais do que já o fazem. O lineup é montado com base crescente no estimado número de fãs que cada artista tem, então é natural que as bandas menores e mais novas – que tem menos público – se apresentem mais cedo. Funciona assim em qualquer festival. E fomos muito bem tratados, o som estava animal, passamos o som sem correria, os traslados foram eficientes, nada faltando no camarim… enfim, tudo joia! Uma coisa que sentimos falta foram coberturas dos shows nacionais, especialmente por parte dos sites mais relevantes da cena independente, que lemos e acompanhamos. Muitos deles cobriram do meio do festival pra frente, em ambos os dias, deixando de lado as bandas menores. Tomara que nas próximas edições eles mudem esse mindset.

Aliás, como vocês enxergam a relação entre o mainstream e o underground hoje em dia? O quanto mudou de 2010 até aqui?

Victor: Acho que são duas coisas muito distintas. Fazer música significa uma coisa bem diferente pra quem tá jogando no mainstream. E nesses últimos 7 anos acho que estamos vivendo uma revolução constante no mercado fonográfico. Todo ano você tem que dar um refresh no seu set enferrujado de “certezas” em relação a esse mercado.

Lucas: Ás vezes eu comento que existe um mainstream dentro do underground. Bandas que se sobressaem e colhem frutos no underground de um jeito parecido com o que rola no mainstream, sei lá. E sim, é tudo muito dinâmico mesmo.

Agora, finalmente vamos conversar um pouco sobre o mais recente trabalho da banda. O terceiro disco, “Fogo”. Lá atrás questionamos sobre a influência que a literatura exerce na Bratislava, e elas ficam claras ao ouvirmos Fogo. A gente percebe muita inquietação sobre o modelo de sociedade atual e insinuações existencialistas. Isso confere? Qual é a ideia desse álbum?

Victor: Sim. “Fogo” é um álbum no qual resolvemos transmitir com mais clareza o modo como nos vemos, como entendemos o nosso papel no mundo hoje. Acho que mesmo as canções mais introspectivas demonstram esse posicionamento.

Lucas: FOGO é música de mensagem. E tudo reflete o que, nós integrantes, vivemos.

 

Zine do álbum Fogo | Por Meli Melo Press

 

Como foi o processo de composição do “Fogo”? Como cada membro da banda contribuiu na composição?

Victor: Foram diversos processos, cada música feita de um jeito. “Enterro” começou com uma ideia do Xande, uma linha de guitarra. “Sonhando” eu compus no piano (e no disco nem gravamos piano) e já levei para a banda mais formatada. “Amor de Chumbo” nasceu de uma jam, de uma onda que o Sandro e o Lucas estavam tirando durante uma sessão de composição. “Trancado” nasceu dessa linha de baixo que o Sandro criou, que percorre a música toda.

“Céu de Pedra” tem uma história engraçada. Compus ela inicialmente para “Escorpião”, álbum do meu projeto paralelo, Godasadog. Parte dos vocais desse disco eu gravei no estúdio de um amigo, Pedro Rizzi, e ele, ao me ouvir gravar apertou um pause, veio até mim, olhou no meu olho e falou “cara, essa música é Bratislava”. Isso aconteceu em agosto ou setembro do ano passado, justamente no período em que a Bratislava estava trabalhando nas novas composições. Decidi dar ouvidos ao amigo.

“Dança de Doido” também partiu de uma jam entre eu, Sandro e Lucas, no quintal da casa dos meus pais, interior de São Paulo. “Fala Prescindível” é uma obsessão minha de longa data, mas que resolvi botar em prática só agora pra esse disco. Li “O Jogo da Amarelinha”, romance do escritor argentino Julio Cortázar, em 2010, e um trecho específico ficou vagando minha mente por todos esses anos. Trata-se do capítulo 143, presente na 3a parte do livro (nomeado “capítulos prescindíveis” – daí o nome da faixa), em que um dos personagens relata uma experiência de intersecção potencial de sonhos. A ideia me fascinou e grudou na minha cabeça por muito tempo. Reli o livro durante o processo criativo de “Fogo” e iniciei um “combate não-corporal” com o capítulo, reescrevendo-o inúmeras vezes, regravando também dezenas de vezes até chegar em algo que eu acho que fazia sentido pra mim – como se fosse uma memória minha, pessoal (o ponto onde não há mais diferenciação entre ficção e memória).

Por fim, “Fogo” talvez seja o único resgate de um tema que compus há alguns anos. Compus no baixo o tema inicial talvez entre 2013 e 2014, e a sequência da música foi desenvolvida junto à banda. As letras dela e de “Trancado” foram as últimas a serem escritas (finalizei ambas alguns dias antes da gravação dos vocais do disco, quando todo o restante já havia sido gravado). A primeira versão da letra de “Fogo” falava sobre criminalização do aborto. Na época quebrei muito a cabeça no assunto, lendo muita coisa, conversando com muitos amigos e amigas sobre isso. Naturalmente fui tendo vontade de abrir mais a discussão até chegar no ponto em que chegou: o meu lugar de fala e o meu papel social.

Já a ideia de “Trancado” surgiu durante a gravação de bateria. Chovia muito lá fora e, durante uma das gravações, fiquei olhando hipnotizado para o monitor da câmera de segurança. Alguns minutos antes o Sandro tinha comentado, na sala de gravação, que ele nunca tinha sonhado na vida, ou que não lembrava se já tinha sonhado alguma vez. Eu estava sob efeito dessa revelação assustadora (imagine, nunca ter sonhado!), olhando fixo para o pequeno monitor que mostrava as gotas de chuva resvalando contra o portão externo do estúdio. Então imaginei O Sonho, em si, a entidade-sonho, como se fosse um vulto vestido de trapos escuros, chegando à noite pra mostrar coisas ao seu “amo” adormecido, mas ao tentar entrar em sua mente encontrava o portão trancado e não conseguia entrar. Foi o ponto de partida, a inspiração.

Cada letra tem sua história, cada composição, cada linha instrumental. E todos os 4 mexem, opinam, mudam coisas ao longo do processo criativo. É bastante orgânico e até mesmo composições como “Sonhando” e “Céu de Pedra”, que eu já trouxe estruturadas e com letra, acabam se modificando, me inspirando mudanças de narrativa, incitando progressões harmônicas novas ou arranjos novos.

Sobre a produção/gravação do disco, como foi feita? Foi muito diferente do “Um Pouco Mais de Silêncio”?

Victor: Foi bem diferente. Em “Um Pouco Mais de Silêncio” gravamos cada instrumento em um estúdio diferente. Queríamos fazer um giro, entender os processos de vários produtores e passear por diversos pontos de vista ao longo da gravação. Foi um aprendizado incrível, uma puta experiência. Já em “Fogo” decidimos o contrário. Optamos por profundidade ao invés de abrangência e diversidade de pontos de vista. Fizemos uma gravação cautelosa e sem pressa junto ao produtor Hugo Silva, do Family Mob Studios. Ele se envolveu bastante e isso foi muito precioso para o processo. Enfim, duas experiências distintas, ambas com muitos aprendizados.

Em “Enterro” temos uma narrativa do triste desastre natural em Mariana (MG). Como a banda viveu esse incidente, e como ele inspirou na composição da música?

Victor: Vivemos essa tragédia específica como a maioria dos brasileiros, digo, através dos noticiários. Não estávamos presentes no local e no dia do ocorrido, mas o acontecimento em si é estarrecedor e tomar conhecimento dele nos comoveu muito. É um marco histórico no Brasil e uma história que merece ser relembrada sempre, que merece ter mais tempo de vida na memória dessa geração, tamanho o descaso das mineradoras responsáveis pelo desastre.

A faixa “Fogo” é sem dúvida uma das mais intensas do disco. Qual mensagem ela tenta passar?

Victor: Ela é canção situacional, uma auto-análise e um questionamento: pra que que eu tô aqui? Qual é meu papel? Eu tenho um papel? Eu mesmo! Homem, branco, hetero, estereótipo historicamente nefasto, perverso, lesivo e covarde… Eu-criatura, em meio a esforços e lutas por justiça, posso ter um papel ao mesmo tempo ativo e positivo em busca de um mundo sem diferenças, sem gangorras sociais? Como carrego essa herança maldita e não me deixo aniquilar pelo peso dela? Como sequer falar sobre isso, sempre sob o risco hermenêutico? É sobre isso, sobre externar um entendimento sobre si mesmo enquanto agente social. O mundo vive uma fase flamejante, maravilhosamente auspiciosa. Acho que as coisas nunca foram tão claras, tão quentes.

Lucas: É essa inquietação social, esse cotidiano intenso. “Fogo” é sobre saber onde e como se colocar, sobre quando ser passivo ou ativo. Tanta coisa acontece o tempo todo e, né?, o que fazemos? Essas coisas queimam, saca?

 

Bratislava no Lollapalooza 2017 | Foto por Camila Cara

Falando sobre as participações de Gustavo Bertoni (Scalene) na faixa “Enterro”, e Aloizio na faixa “Dança de Doido”, como foram os convites e as escolhas das músicas que cada um participaria?

Victor: Chamei o Gustavo pra participar depois de uma jam que rolou no estúdio Family Mob. Nessa feita ele cantou um som do Far From Alaska, cantando de um jeito bem gritadão, e eu fiquei assombrado com o quanto aquilo era foda. Enxerguei a voz dele encaixando como uma luva nesse tema-ápice de “Enterro”. Já o Aloizio é um grande parceiro de jornada. Tocamos juntos no projeto solo do Beto Mejia (ex-Móveis Coloniais de Acaju) e começamos a trocar muitas ideias, muitas figurinhas. A gente acompanha de perto o trabalho um do outro, ainda faremos muitas coisas juntos. É muito massa poder compartilhar nosso som com caras tão talentosos.

O disco completo contém oito músicas – Gostamos de discos curtos assim. Mas dá aquela sensação de querer mais. Pensei, em tom de brincadeira, “é uma alusão aos oito anos da banda”. É isso mesmo? Ou existe alguma outra motivação?

Victor: Olha só, que massa! Não tinha feito essa conexão com o número 8! Queríamos mesmo lançar um disco mais conciso e direto. A gente ainda gosta muito de tocar músicas do anterior, “Um Pouco Mais de Silêncio”, então boa parte do repertório anterior nos shows permanece. Ao mesmo tempo, passamos a nos entender como uma banda melhor, mais bem preparada e pronta pra gravar um novo registro.

Quando pensaram em fazer um disco mais conciso, como mencionou, a ideia sempre foi ter oito faixas? Ou ficou alguma música ai guardada que os fãs de vocês podem esperar pra ouvir?

Victor: Haha, pergunta perniciosa! Não ficou nenhuma pra trás não. Sabemos que o processo criativo clássico de um artista é compor/gravar mais canções do que serão lançadas, às vezes 20, 30, 40 canções pra selecionar as 10 ou 12 que formarão o álbum. Mas a Bratislava nunca trabalhou assim. As composições que a gente inicia e não vê muito futuro a gente já larga desde o começo, antes de consolidar qualquer coisa. As que a gente leva pra frente a gente mexe de maneira insistente e inquieta até chegar aonde queremos.

Além disso, um dos princípios da nossa fase atual é ser fiel ao que estamos vivendo e sentindo HOJE, jamais resgatar ideias de 2 ou mais anos atrás. Acho que a gente vive uma transformação de mindset violenta, diariamente, e procuramos estar muito atentos a isso. Queremos que as mensagens que iremos passar nos shows não sejam desprovidas de um sentido real e forte pra nós quatro. Então, quer dizer, mesmo se tivéssemos deixado alguma composição pra fora do álbum, não a lançaríamos pois o tempo dela já teria escorrido. Nosso próximo lançamento vai ser sempre uma música recém-composta, refletindo as nossas ideias desse tempo futuro.

Como tem sido a divulgação e repercussão do álbum?

Victor: Tem sido bem positiva! Tem rolado convites para shows, tem aberto porta pra tocarmos em festivais e marcar shows em cidades nas quais ainda não tínhamos tocado. Cada álbum abre novas possibilidades, gera novas experiências. E temos recebido feedbacks muito carinhosos de fãs e amigos.

Lucas: Incrível demais. Na real a galera tem sacado a mensagem e isso não tem preço!

 

Capa do álbum Fogo | Arte por Pena Branca

Para a gente finalizar, como vocês enxergam a Bratislava de hoje em relação ao início da carreira? E o que podemos esperar daqui para frente?

Victor: A gente nunca teve uma formação tão firme e comprometida como essa, que se consolidou com a entrada do Sandro em 2014. Até então a banda já tinha visto muitas formações, as gravações tinham acontecido em meio a entrada e saída de membros, por motivos diversos. Hoje a gente se conhece bem e compõe com mais consciência da onda e da expectativa de cada um. Isso gera músicas e álbuns cada vez mais coesos, uma identidade cada vez mais forte. Só tende a melhorar!

Lucas: Eu entrei em 2013. Evoluímos muito de lá pra cá e isso é muito legal porque é o que a gente busca. A gente tem muita ideia e é muito massa poder concretizá-las em conjunto.

Ouça abaixo “Fogo”, o excelente terceiro disco da banda.

 

Entrevista: Lutre

Intensidade é a palavra-chave para descrever a banda goiana Lutre, com suas composições que prezam por uma delicadeza sincera e uma crueza sonora. No processo de criação de seu primeiro disco, eles contaram com apoio de uma outra banda conhecida pelas mesmas características: a carioca Ventre.

“Conhecemos a Ventre num show que fizemos juntos em março de 2016, no Complexo Estúdio (Goiânia). Logo após o show, numa conversa em volta da mesa de merchandising deles, nos convidaram pra gravar um EP em seu estúdio no Rio de Janeiro. Sem saber como reagir direito, aceitamos e logo já corremos pra ver datas em que todos pudessem estar juntos e comprar as passagens”, conta Chrisley Hernan, baixista da banda.

 Ele forma a banda junto de Marcello Victor (guitarra e vocal) e Jefferson Radi (bateria). O power trio de rock alternativo surgiu em 2015 e no pouco tempo de existência, já passou por palcos importantes como o Festival Bananada e Festival Vaca Amarela em sua tour nacional. Em janeiro de 2016, lançaram seu primeiro EP e miram alto com o lançamento de “Apego”.

 


RIFF: Como cada um dos integrantes acha que contribuiu musicalmente com o CD novo?

Chrisley: Então.. Todas as letras são do Marcello. Ele sempre manda as músicas novas pra já irmos nos familiarizando, aí a gente chega no estúdio e fica quebrando a cabeça para desenvolver o resto. O resto na maior parte das vezes foi feito em conjunto mesmo, todos pensando sobre como deveria soar e como julgamos melhor soar. Isso não é muito complicado porque acaba que a gente ouve MUITA coisa parecida e igual, temos na maior parte do tempo as mesmas referências e tudo mais.


RIFF: Qual foi a pior parte desse período de gravação do disco novo?

Marcello: Pra mim foi o final da gravação no Rio, no último dia de gravina eu estava bastante estressado e não suportava mais nenhuma piada e nada mais. O foda é que não dava pra dizer: “Gente, hoje não dá, vamos fazer amanhã.” Estávamos no último dia e voltávamos na manhã seguinte pra Goiânia.


RIFF: Chrisley, como é tocar o baixo mais leve do Brasil?

Chrisley: É CHOCRÍVEL ahhahahah

RIFF: Como foi gravar com a produção do Ventre?

Marcello: Foi uma experiência muito gratificante e de bastante aprendizado tanto no lado musical quanto no lado pessoal. Quanto ao lado musical eu pude aprender mais sobre timbre, pedal e tudo mais voltado pra guitarra, camadas de guitarra, dobras e tudo mais. Quanto a parte pessoal, lá a gente aprendeu como o independente vai se construindo a partir do amor das pessoas. Pelo menos eu aprendi muito sobre solidariedade e sobre poder passar pra outras pessoas o que se sabe e o que se pode fazer com o que tem. Nessa semana em total presença com a Ventre, a gente voltou com um pouco de cada uma das personalidades e é isso, eu acho. Não sei se deu pra entender kkkk foi bonito foi.

RIFF: Quando vai rolar session com o RIFF?

Chrisley: Por mim a gente ia pro Rio de mês em mês e gravava session todas as vezes!

Marcello: Uai, só vamo, eu digo bóra e vocês dizem quando kkk

De São Paulo para o mundo: Um pouco da mini turnê do Ego Kill Talent na Europa

Por Camila Borges

Sonoridade forte, presença de palco, letras bem compostas, músicos experientes entre outras qualidades. O tipo de show que faz qualquer um voltar pra casa satisfeito. Talvez isso defina o que é a Ego Kill Talent pra muitos. Banda formada por Theo van der Loo (Guitarra / Baixo), Niper Boaventura  (Guitarra / Baixo), Jonathan Correa (Vocais), Raphael Miranda (Bateria / Baixo) e Jean Dolabella (Bateria / Guitarra), músicos que já passaram por outras bandas como Diesel, Udora, Sepultura, Reação em Cadeia, Pulldown e Sayowa.

A banda foi formada em dezembro de 2014, em São Paulo, e sua sede  é no Family Mob Studios.

Download Festival Paris 2017 | Foto: Lucca Miranda

Aproveitando a mini turnê da banda pela Europa no mês de junho onde tocaram no Download Festival na França, no Melkweg na Holanda, e num dos lugares mais históricos que é o Arenès de Nîmes abrindo o show do System Of A Down, trocamos uma ideia com o Niper e o Raphael pra saber um pouco mais sobre essa experiência, e sobre o que vem pela frente.


RIFF: Como surgiu o convite pra esses shows? Vocês já tinham uma noção de como seria?

Raphael: “Primeiro surgiu o convite para tocarmos no Download em Paris, pelo promoter do festival. Como já estaríamos lá, o System, com quem já temos uma relação há um tempo, convidou para o show de Nimes. O show do Melkweg em Amsterdam pintou por um convite de um grande promotor de shows da Holanda. Tínhamos só uma ideia de como seria a recepção da galera lá, três de nós já tinham tocado na Europa algumas vezes, mas superou muito nossas expectativas.”

Muitos fãs de vocês aqui do Brasil tem uma certa “curiosidade” sobre o público de fora, a energia, a empolgação. A reação é diferente ou a mesma daqui? Como foi a aceitação da galera nesses shows?

Niper: “O público que encontramos era curioso e muito respeitoso. Foram ótimos shows e mesmo quem ainda não nos conhecia apreciava e parecia estar gostando do que estava vendo. O Brasil é diferente mas está mudando pra melhor.”

Raphael: “Nos nossos shows geralmente a galera devolve na mesma moeda a energia que a gente joga. Lá não foi diferente. O público na Europa é muito educado, curte o som, respeita, agita junto. É um público talvez difícil de ganhar porque todos os shows passam por lá, estão acostumados a ver tudo, então eles terem nos recebido muito bem foi um ótimo sinal. Teve gente indo de Londres pra Amsterdam só pra ver o nosso show. Isso é impagável!”

Vimos pelos Stories que vocês assistiram a vários shows no Download Festival. Entre eles Green Day, Mastodon. Qual foi o mais empolgante pra cada um? E como foi esse troca de experiências?

Niper: “O show do Green Day no Download e o System em Nimes foram experiências incríveis de sonoridade, entretenimento e profissionalismo. Estamos em busca desse patamar, então conviver e dividir palco com esses caras nos ajuda muito à refletir sobre nossos próximos passos.”

Raphael: “Pra mim o Green Day foi incrível, o que mais me impressionou. Nunca tinha assistido um show deles. O Billie Joe é um front man incrível, domina o show, a platéia, tudo. A produção do show deles é impecável, um verdadeiro espetáculo. Vi também o Mastodon, de quem eu sou fã. Nível de musicalidade incrível, show direto ao ponto, foda. Prophets of Rage também foi bem legal. Muito bom ver aqueles power trio tocando, eles são muito fodas. O show do Far From Alaska foi outro que mereceu destaque, a galera é muito foda. São nossos amigos e eu particularmente sou muito fã da banda. E o System of a Down, claro! Essa turnê deles está bem legal, a iluminação, o cenário, tudo. Fora os hits, um atrás do outro. É um show que todo mundo deveria assistir.”

Melkweg Amsterdam | Foto: Cassiano Derenji

Como foi a emoção de tocar no Download Festival, no Melkweg e no Arenès de Nîmes? Como se sentiram tocando pra milhares de pessoas, abrir o show de uma grande banda que é o System Of a Down?

Niper:  “Todos tiveram seus momentos especiais, registramos tudo em vídeo e logo você poderá ver. O show em Nimes foi especial por ser numa arena de mais de 2 mil anos, a energia do lugar é indescritível. Melkweg é um templo sagrado do rock, onde várias bandas que curtimos tocaram. O Download é um dos maiores festivais do mundo, estar ali entre tantas bandas respeitadas foi uma prova de que estamos nos caminho certo pra espalhar nossa música pelo mundo.”

Raphael: “Foi indescritível. Cada show com sua particularidade, mas todos incríveis. O Download é um festival clássico na Europa, apesar de terem rolado poucas edições em Paris, mas o nome é muito forte, e tocar ao lado de nomes como SOAD, Mastodon, Slayer, Alter Bridge, Green Day, etc., é maravilhoso. O Melkweg é uma casa muito tradicional na Holanda. U2, Foo Fighters e Pearl Jam são só alguns dos nomes que tocaram lá em início de carreira, então tocar numa casa icônica como essa é fantástico. E por último, tocar numa arena construída em 27 A.C. é literalmente de tirar o fôlego, ainda mais tocando com o SOAD. A energia naquele lugar é indescritível, só estando lá pra sacar.”

Sabemos que vocês têm uma música nova chamada “My Own Deceiver”, que está na trilha sonora da malhação. Alguma previsão para lançamento?

Raphael: “Ela vai ser lançada nesse mês e estamos ansiosos pra colocar ela na rua! Já estamos tocando ela nos shows e a resposta do público tem sido muito boa.”

(N.A: A música será lançada nesta sexta-feira em todas as plataformas digitais)

Agora com a volta ao Brasil, vocês já tem alguns shows marcados. Podemos esperar por mais shows internacionais ainda esse ano ou só por terras brasileiras?

Niper: “Estamos fechando mais datas internacionais sim, logo divulgaremos.”

Arenès de Nîmes | Foto: Lucca Miranda

Dia 24 de setembro vocês estarão no Rock in Rio, aliás,  muito concorrido entre os fãs por ser o dia mais esperado do evento. A expectativa é grande? Estão preparados ou dá aquele friozinho na barriga?

Niper:  “Será um grande show! Estamos muito felizes pelo convite! Ótima oportunidade de apresentar nosso trabalho para muita gente que ainda não nos conhece. O RiR é um dos maiores festivais do mundo, além das dezenas de milhares de pessoas in loco, teremos muita gente vendo via TV e internet. Vai ser lindo!”

Raphael: “Estamos muito ansiosos. Na verdade é mais excitação do que ansiedade. Me lembro de ver a chamada do festival na TV quando eu era bem pequeno e agora vamos fazer parte disso. É maravilhoso! O Rock In Rio tem muito prestígio no mundo todo e o fato de ser um festival Brasileiro traz uma satisfação maior ainda. Ficamos extremamente felizes com o convite pra tocar lá tenho certeza de que esse vai mais um enorme passo na carreira do EKT.”

Quais os projetos para os próximos meses?

Raphael: “Depois desses shows na Europa o nosso próximo grande tiro é o Rock In Rio, estamos com foco nesse show. Até lá temos alguns shows aqui no Brasil, lançamento da My Own Deceiver e alguns outros planos que estamos montando.”

Entrevista: Idyh

Por Tayane Sampaio

O título de “Capital do Rock” talvez não faça mais tanto sentido, mas, certamente, Brasília é a capital da música. A cena musical da Cidade está borbulhando e, com a união entre as próprias bandas, a agenda cultural está sendo preenchida pelos eventos no estilo faça você mesmo.

Além disso, tem muita gente nova se apresentando ao público brasiliense. Muitas bandas, que mal lançaram material, já mostram um som original e que tem muito potencial. O entrevistado de hoje, Idyh, é um exemplo dessa nova geração.

Idyahuri Nunes lançou, no final de março, seu primeiro EP, “Ávidos Impulsos”. As quatro músicas são consequência de mais de uma década de envolvimento com o mundo da música, que começou bem cedo, aos 13 anos, quando Idyh ganhou seu primeiro violão.

Conheça, na entrevista abaixo, um pouco mais de Idyh.


Nessa sua iniciação com o violão, quais artistas eram sua inspiração? Quem te fez querer aprender a tocar?

Eu comecei a aprender tocar violão com umas revistinhas de cifras que tinha antigamente. Meu tio me deu uma caixa dessas revistas e lá tinha de tudo, mas principalmente coisas do rock nacional, como Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Engenheiros do Havaí e outras coisinhas mais. Sobretudo, Legião Urbana foi essencial pra que eu aprendesse que se pode fazer uma música boa com apenas dois ou três acordes. Eu demorei menos de um mês com o violão pra já me aventurar a compor canções (que eram, basicamente, histórias cantadas).

Essas primeiras influências ainda te inspiram, hoje em dia?

Não posso negar que subjetivamente ainda sou influenciado, pouco, mas sou. Reconheço o valor que tiveram na minha construção musical e ainda os admiro, mas confesso que depois de consumir tanta música diferente, de vários gêneros, países e épocas, eu acabei pluralizando mais o meu gosto e sendo influenciado por outras várias coisas também.

E quais são essas outras influências?

Aconteceram marcos na minha vida, que mudaram não apenas meu gosto musical, como também minha percepção do mundo. O primeiro grande impacto musical da adolescência foi o contato com os Beatles. Nessa época eu tinha uns 14 anos e ouvia a discografia incessantemente. Logo depois eu fui descobrindo o classic rock e me deparei com o show “The Song Remains the Same”, do Led Zeppelin, e essa experiência foi orgástica. Depois veio Dylan, o indie rock e outras coisas variadas de fora como o jazz e o blues. Paralelamente a isso, eu continuava a ouvir muita música brasileira por influência do meu pai, e a partir daí eu fui mergulhando na parte mais melancólica disso tudo, até que eu me deparei com Milton Nascimento e Radiohead. Eu poderia citar mil bandas e artistas mas acho que, definitivamente, os sons que realmente foram divisores de águas na minha vida foram o disco “Clube da Esquina”, do Lô Borges e Milton Nascimento, e o “In Rainbows”, do Radiohead. Até hoje eu sou fortemente influenciado por eles.

As músicas do seu EP têm uma sonoridade bem diferente, entre si, mas conversam muito bem. Essas composições são mais recentes ou estão misturadas com coisas mais antigas, de quando você começou a compor?

A canção mais antiga é a “Mil Motivos”, que, inclusive, eu tocava com uma banda que tive há uns sete anos atrás. A “Seremos Nós?” é derivada de uma outra música chamada “Recitar”, e foi dela também que veio a “Fez Morada”, ou seja, uma música acabou virando três. Já “Estilhaços” veio no meio do processo de gravação do EP. Na época, eu estava vivendo um término de relacionamento, nisso acabei desistindo de uma outra música e coloquei “Estilhaços” no meio, já aproveitando a conveniência da situação.

Todo o processo de gravação das músicas foi longo, durou mais de dois anos. No final das contas, o EP saiu como você tinha pensado ou o resultado foi completamente diferente do planejado?

Assim, se fosse hoje, eu não gravaria nenhuma das músicas, por questão de fase mesmo. Nesse período de dois anos eu mudei muito a minha forma de compor, então as músicas acabaram sofrendo diversas alterações, pois eu queria adaptá-las à minha nova fase de produção. Obviamente que não deu totalmente certo, pois as músicas acabaram ganhando vida própria e eu vi que se eu mudasse demais elas se descaracterizariam com o que eu havia pensado inicialmente, o que não faria muito sentido pra mim. A parte boa foi o amadurecimento dos arranjos que elas ganharam no processo. No fim das contas, o resultado estético foi surpreendente para mim, e eu não acho que poderia ter ficado melhor. Essas canções representam uma fase válida da minha vida e, apesar de eu ter mudado bastante, as músicas não perderam seu valor.

Você chamou um time de peso pra gravação do álbum. Como rolou a aproximação com a galera? Vocês já se conheciam ou o primeiro contato foi o convite pra participarem do projeto?

A ideia, de início, era meio megalomaníaca e queria envolver músicos mais famosos como Cícero, Silva e outros, mas eu percebi que era prepotência demais pra um EP de estreia e congelei essa ideia. Comecei o processo de gravação apenas com meu amigo Janary Gentil, que foi também quem produziu o disco. Através do Janary eu conheci o Arthur Lôbo, que assumiu o baixo; o Arnoldo Ravizzini, bateria; Walter Cruz, teclados; e Kelton Gomes que fez algumas vozes e guitarras. Todos eles são músicos de nome aqui em Brasília. Houve até um convite ao Gustavo Bertoni, do Scalene, pra participar, mas ele estava com a agenda conturbada por causa daquele boom do Superstar. Conversamos por um tempo, mas iria ficar corrido demais pra ele, e meio que não deu em nada. Até tentei chamar alguns amigos mais próximos, mas também não deu muito certo.

O “Ávidos Impulsos” ainda é recente, mas você já tem planos para o próximo lançamento?

Tenho planos de gravar um clipe e lançar em breve. Isso vai depender de muitos fatores, mas a ideia é lançar esse ano. Também tenho três álbuns fechados, guardadinhos, esperando para serem gravados. Cada álbum tem exatas doze faixas. No decorrer dos shows, eu tocarei algumas dessas músicas, mas o lançamento talvez demore um pouco, pois antes disso deve rolar algum single.


Escute o “Ávidos Impulsos” aqui:

Entrevista: Scalene

 

Por Tayane Sampaio

O que vem depois do Éter? E de um Grammy Latino? Nos últimos anos, os brasilienses da Scalene vêm acumulando uma sequência de vitórias: seja o prêmio de “Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa”, uma agenda cheia ou uma legião de fãs chapadões pelos riffs de guitarra!

Sem dúvidas, todo esse reconhecimento é fruto do árduo trabalho do quarteto, ao longo dos oito anos de banda. Em um dos momentos mais frenéticos da carreira, os meninos arrumaram tempo pra compor e gravar as músicas do próximo disco.

O baixista da banda, Lucas Furtado, mais conhecido como Lukão, nos contou algumas coisas sobre o novo álbum, que você lê na entrevista abaixo.


Primeiro, o que todo mundo quer saber: vocês já têm uma previsão para a data de lançamento do novo álbum?

Ainda não! A única coisa que sabemos é que vai sair no segundo semestre, mas queremos lançar o mais rápido possível!

 

É a primeira vez que a banda grava fora do DF, longe de casa. Por que escolheram São Paulo?

Tivemos a oportunidade de utilizar o estúdio da Red Bull Station em São Paulo, que é um lugar incrível tanto pela vibe do lugar (que recebe exposições e abriga artistas e estudantes) quanto pelo estúdio em si, que conta com equipamentos de ponta e uma equipe fenomenal. Foi uma escolha fácil e contribuiu muito para a qualidade do disco.

 

Tem alguma música antiga, não lançada, que vocês tiraram da gaveta e deram uma cara nova ou as músicas desse novo álbum são todas composições atuais?

Quando “sobra” alguma música da produção de um disco anterior, geralmente a descartamos porque quando inicia o processo de composição de um novo CD estamos em um novo estágio da banda, com outra mentalidade e buscando outras sonoridades. Por isso só trabalhamos com novas composições a cada disco.

 

Geralmente a banda trabalha um conceito pro álbum. Isso vai se repetir?

Sim e esse conceito vai ficar bem claro pra galera quando o disco sair. É bem direto ao ponto.

 

Tem algum tempo que vocês estão com um músico de apoio nos shows, o Samyr (namí, Aloizio, Divinas Tetas), que também participou da gravação do novo disco. Ele contribuiu, de alguma forma, no processo de composição?

O Samyr é, além de um grande amigo, uma influência positiva na vida de todos nós. Com certeza ele contribuiu para a composição, mas de uma forma mais indireta, mostrando novas sonoridades a abordagens musicais e não necessariamente compondo partes específicas de músicas

 

Se vocês tivessem que escolher uma música da Scalene, dos lançamentos anteriores, para ser um “resumo” do próximo álbum, qual seria?

Essa pergunta não tem resposta pelo simples fato de que até dentro dos outros trabalhos é difícil escolher uma música que resume o álbum inteiro. O que podemos dizer é que o próximo disco vai ser diferente do ÉTER assim como o ÉTER é diferente do Real/Surreal.

 

No decorrer dos anos deu pra perceber que, aos poucos, vocês estão abraçando mais influências brasileiras na sonoridade da banda. Quais são os artistas brasileiros que mais têm inspirado vocês?

Metá Metá, francisco, el hombre, Elza Soares, BaianaSystem, Kiko Dinucci e vários outros.

No geral, o que os fãs devem esperar para esse primeiro semestre do ano?

Muitos shows e ficar ligados nas notícias da banda, porque vem coisa boa por aí!


Confira o RIFFPÉDIA que gravamos com a Scalene:


Escute o último álbum da banda, Éter, aqui:

Deixa Fluir é o novo single da Drops 96! Confira o clipe e curiosidades

Por Natalia SalvadorThaís Huguenin

Os cariocas da Drops 96 lançaram na última semana o clipe da música Deixa Fluir, primeira faixa do terceiro álbum do grupo, “Busque Mais da Vida” (2016). Malabares, poeira e, principalmente, sonho fazem parte do roteiro produzido pela AMSTRDM. O vídeo conta a história de um executivo cansado do seu trabalho, que encontra nas artes circenses uma fuga de tudo.

A banda composta por Fernando Sampaio, Marcio Quartarone, Fabio Valentte, Bruno Lamas, Leonardo Ugatti e Victor Toledo contou ainda com um sétimo integrante na gravação: os fãs!  O Canal RIFF conversou com Fernando, responsável pelos teclados e sintetizadores, para descobrir outras curiosidades. Confira!

Segundo Fernando, Deixa Fluir foi, desde o início, a música que mais gerou identificação dentro da banda. “Ela foi o fio condutor de todo o trabalho e a responsável por fugirmos da nossa zona de conforto, experimentar timbres novos, uma onda nova. A resposta nos shows tem sido incrível”, contou. Para o clipe, a banda queria passar a mensagem de deixar fluir o que te faz feliz na vida, que as coisas vão começar a dar certo e, para isso, acharam a pessoa ideal.

Essa história é exatamente o que aconteceu com a vida do Melão, protagonista do clipe. “Ele era publicitário, trabalhava em um grande escritório da área e resolveu largar tudo para se dedicar ao que ele amava fazer. Hoje ele é um grande artista circense, vive disso e quando a galera da AMSTRDM nos apresentou essa história, todos nós piramos e acreditamos que seria a melhor história para ilustrar o nosso som”, disse.

O vídeo conta, ainda, com a participação super especial dos fãs e amigos da banda. Nando conta que essa relação é muito bacana:  “Eles frequentam nossas casas, vão nos churrascos na casa do Leo ou do Bruno, é uma coisa bem próxima mesmo”, afirmou, contando que eles possuem até um grupo no Whatsapp, onde rolam, além de novidades da banda, muita zoeira. “A gente quis que eles participassem desse trabalho porque ainda não tínhamos nenhum registro desse tipo. Queríamos sorrisos sinceros na gravação e essa foi a melhor forma para captar isso. Nós queríamos dar esse presente para eles”, concluiu.

Para o futuro, a Drops96 prefere não fazer grandes planos a longo prazo e viver cada momento de uma vez. “Queremos divulgar ao máximo todo o CD, chegar em cidades que ainda não tocamos, voltar em cidades que já plantamos uma semente em shows passados… Vamos deixar fluir”, contou.

Com vocês o clipe de Deixa Fluir:

Ps. Nós apostamos que depois você vai se pegar cantarolado “Deixa fluir, uô, uô..”

Para a galera do Rio, o próximo show deles é em Abril, com as bandas Selvagens à Procura de Lei, Vivendo do Ócio e Divisa, no Teatro Odisséia. Enquanto isso, que tal curtir as músicas para já entrar no clima?

Depois de tour pelo nordeste, Alaska se prepara para gravar o próximo CD

Por Natalia Salvador | @_salvadorna


Revelação com “Onda”, banda Alaska começa a produzir o próximo CD


Que 2016 foi um ano de muitas surpresas e boas descobertas para o rock brasileiro, todo mundo já sabe. Uma das bandas que ganhou seu espaço e vem crescendo no cenário nacional é a Alaska. Indicados em diferentes prêmios, inclusive no Prêmio RIFF de Música, como banda revelação e aposta, André Ribeiro (voz e guitarra), Vitor Dechem (teclado, guitarra e voz), Nicolas Csiky (bateria), André Raeder (guitarra) e Wallace Schmidt (baixo) prometem não diminuir as novidades e surpresas para 2017. O Canal RIFF conversou com o vocalista André Ribeiro, que falou sobre o clipe de Impulso, a tour do último ano e os planos para o futuro. Confira!

O CD de estreia da banda paulistana é o ‘Onda’, de 2015. Muito elogiado, o trabalho vem sendo desenvolvido e gerando bons resultados. Um bom exemplo disso é o clipe de Impulso, quarta faixa do álbum, lançado em novembro de 2016. Com um roteiro de suspense, o vídeo foi gravado em um estacionamento, no centro de São Paulo, durante a madrugada. “Tivemos várias reuniões com o Santiago Paestor e o Vitor D’Angelo– diretores- antes de gravar. As ideias começaram a aparecer ainda no primeiro semestre do ano e foram meses de pré-produção”, contou, ressaltando que esta foi uma das vivências mais legais e cansativas que já tiveram.

Dentre as experiências vividas em 2016, a banda teve a oportunidade de tocar em diferentes estados do país. “Foi muito massa viajar o quanto viajamos, além de conhecer e dividir o palco com muitos artistas ótimos como Maglore, Scalene, Vivendo do Ócio, Sarina e várias bandas que trabalham muito para entregar músicas e shows incríveis. Também podemos conhecer pessoas que interagem com a gente pelas redes sociais e isso tudo torna o aprendizado, que é intenso e nem sempre da forma que a gente gostaria, muito mais agradável. Faz tudo valer a pena!”, afirmou André.

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Alaska @2017 | Divulgação

Para quem já acompanha a banda, sabe que, para a nossa alegria, eles estão empolgados com que vem por ai e nos enchendo de curiosidade. “Tem muita coisa para rolar ainda esse ano. Vamos lançar mais um ou dois clipes do ‘Onda’ e estamos começando a escrever o segundo álbum”, contou. Ainda no início do processo criativo, o vocalista não descarta a opção de financiamento coletivo -usado no último CD -, que tem ajudado as bandas independentes e ainda garante aos fãs e amigos recompensas exclusivas. “Estamos bem animados pela próxima fase, seja lá o que isso significa. É muito bom fazer parte de cada etapa do processo. Pretendemos continuar fazendo as coisas dessa forma!”, acrescentou.

Conheça Miguel Bestard, novo guitarrista da Suricato, e saiba quais são os planos da banda para 2017

Por Natalia Salvador | @_salvadorna

Para os fã da banda Suricato, o ano de 2017 começou de maneira diferente. No dia 10 de janeiro, um comunicado nas redes sociais da banda anunciava a saída do baterista Pompeo Pelosi e do guitarrista Guilherme Schwab. O folk rock produzido pela Suricato já é um velho conhecido. No ano de 2014, a banda ganhou destaque na primeira edição do reality show SuperStar, onde foi finalista e apresentou ao público diferentes instrumentos de culturas estrangeiras. Para compor a nova fase, foram anunciados os nomes de Miguel Bestard, Thiago Medeiros, Cesinha e Cauê Nardi. Enquanto não vemos a nova formação nos palcos, o Canal RIFF conversou com o uruguaio Miguel Bestard, novo guitarrista, que contou como recebeu o convite e quais são os planos para o novo ciclo e ano. Confira!

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RIFF: Quando você chegou ao Brasil? Por que você decidiu vir morar aqui?

Miguel: Cheguei no ano de 2014, procurando novos desafios, ritmos e experiências musicais que façam de mim um melhor músico. No Uruguai eu já tinha um histórico de bandas e projetos há muitos anos, sendo um país pequeno já tinha alcançado  conquistas importantes, mas foi ficando pequeno pra os meus objetivos. O Brasil tem um legado musical gigante, com muitos músicos, compositores e intérpretes de incrível nível historicamente, muitos estilos e novos elementos para acrescentar e procurar melhorar o meu estilo.

R: Em que lugares você costumava se apresentar? Sempre fez shows solo?

M: Toquei em tantos lugares… Onde desse pra fazer uma canja ou me juntar a outros músicos. Minhas primeiras tentativas aqui no Rio foram no Largo da Carioca, um tempinho tocando com minha caixa e violão. Logo fui conhecendo pessoas e músicos que chegavam pra mim interessados pelo meu som, então toquei em outros lugares e assim que foi.

R: Como conheceu a Suricato?

M: Conheci naturalmente escutando musicas na radio e assistindo televisão. Por intermédio do meu amigo Daniel Lopes, conheci Rodrigo pessoalmente e ele ficou interessado no meu trabalho e começamos a ficar em contato.

R: E como rolou o convite? Você esperava por isso? 

M: Logo depois de conhecer o Rodrigo falamos de fazer algo juntos. Essa coisa de músicos, eu imaginava ele de vez em quando aparecendo pra tocar comigo. Mas depois duma conversa de horas na casa dele bebendo chimarrão juntos, ele disse “você tá afim de levar um som com a gente?”. Eu achei, com as minhas limitações de gíria e do idioma, que ele tava me convidando a tocar uma música num show da banda, e ele falou “Eu quero saber se você quer tocar na banda”, então eu disse claro que sim!

Não esperava sinceramente o convite, mas sou um afortunado por isso! Uma banda assim tão boa, é um prazer tocar junto com eles. Adorei o jeito de tocar, tanto como os arranjos, timbres e as composições. Sou muito afortunado de poder fazer parte de um projeto tão legal.

R: Você também ministra aulas e workshops, pretende continuar ensinando? 

M: Sim. Pretendo seguir também, mas naturalmente vou ter menos tempo. Mas dar aulas é algo que gosto muito também, e gostaria de desenvolver mais esse trabalho com workshops e tudo no futuro.

R: Em 2015 a banda tocou no Rock In Rio e esse ano divide o palco do Lollapalooza com artistas como Metallica e The XX. Como você está encarando esse desafio? Já teve a experiência de tocar em um grande festival como esse?

M: Já estamos nos preparando para esse grande festival! Ensaiando um show digno de um festival tão grande, armando musicalmente detalhes interessantes pra ocasião. Tenho tocado em vários festivais, mas nunca tinha tocado num festival tão grande! Eu já tive a experiência, no ano de 2013, junto com uma banda que fazia parte, de abrir um show pra o Aerosmith, no Estadio Centenário em Montevideu, na turnê pela América do sul que eles fizeram naquele ano, e foi algo genial! Mas o Lolla vai ser ainda mais fantástico!

R: Quais são as suas expectativas para o ano de 2017? O que os fãs podem esperar da Suricato de cara nova?

M: Tentar fazer o melhor possível, dar todo meu trabalho dentro da banda, levar o melhor som possível e, sobretudo, desfrutar desse momento tão lindo. Estamos trabalhando em novas músicas e o próximo disco tá vindo daqui a pouco. Inclusive vamos fazer algumas musicas novas nos próximos shows, no Shopping Downtown e na praia de Ipanema. Pedir mais alguma coisa na verdade seria absurdo!

Os primeiros encontros com a nova formação da banda vencedora do Grammy Latino 2015, Melhor Álbum de Rock na Língua Brasileira, já tem data marcada: sábado, dia 21, no Shopping Downtown e domingo, dia 22, no posto 10 da praia de Ipanema. Além de muitas novidades, a entrada dos dois eventos é gratuita! Nos vemos lá?