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Resenha: Moonspell @Teatro Odisseia

Por Hiram Alem | Fotos Daniel Croce

“Somos memórias de lobos que rasgam a pele

Lobos que foram homens

E o tornarão a ser”

No dia 25 de abril, uma quarta-feira, os Moonspell (sim, no plural, como eles mesmos se chamam) tocaram no Teatro Odisseia, localizado bem no centro da Lapa, polo da boemia carioca. O show estava previsto para as 21h30, após o Meet&Greet com os fãs que estavam no local desde as 16h. Dentro da casa não havia venda de produtos da banda como de costume, todavia, apoiada em uma mesa próxima da entrada estava a editora do “Purgatorial”, livro de poemas e contos de Fernando Ribeiro. Para quem não sabe, Fernando, o vocalista, além de cantor é poeta e filósofo, tendo escritos diversos livros já esgotados na Europa, mas que encontram-se coletados na edição brasileira lançada em 2015.

Após diversos problemas para tocarem aqui no ano passado, quando foram trapaceados por uma produtora desonesta, os metaleiros lusitanos retornam para a turnê de seu novo álbum “1755”. Escrito inteiramente em português, 1755 fala sobre o terremoto que assolou Lisboa no dia 1º de Novembro (feriado de Todos os Santos) de 1755, tendo magnitude entre 8,5 e 9 na escala Richter e com estimativa de pelo menos 10 mil mortes.

Às 21h30 Fernando Ribeiro entra no palco portando sua lanterna e assume o microfone com um crucifixo de madeira amarrado. O show abre com as quatro primeiras músicas do álbum novo: uma regravação mais calma e gélida de Em Nome do Medo, 1755, In Tremor Dei e Desastre. O destaque aqui, para além do figurino da banda é uma máscara de Médico da Peste utilizada pelo vocalista. A máscara era utilizada para proteger os profissionais da saúde de possíveis doenças transmitidas pelo miasma de corpos em decomposição. As letras, sempre críticas à sociedade e às instituições religiosas são uma marca registrada da banda, que também incorporam elementos místicos à muitas de suas canções, como Awake, que possui trechos gravados do famoso ocultista inglês Aleister Crowley lendo um poema.

A próxima música foi um clássico da banda, obrigatória em quase todos os shows: Opium, inspirada e com trechos do poema “Opiário” do xará Fernando Pessoa. Dentro do esperado para a casa em questão, dado seu tamanho e acústica, o som da banda estava impecável.

Após duas músicas do álbum anterior, Extinct, a banda retorna ao 1755 com Evento e Todos os Santos, essa última tendo um videoclipe extremamente crítico da política internacional atual. Outro destaque é um crucifixo gigante de madeira com um laser potente, o qual Fernando apontava e iluminava o público. A banda pausa por alguns instantes e então volta com Fernando vestindo por sobre suas roupas uma capa e clama a todos os “Vampiros” da plateia antes de tocar Vampiria e Alma Mater.

Outro destaque à parte é Lanterna dos Afogados, aquele momento do show em que todo mundo sente um aperto no peito, ainda mais nessa versão mais arrastada e dolorosa, em comparação com a original dos Paralamas do Sucesso. Uma homenagem mais do que digna dos Moonspell à história da música brasileira e, sobretudo, do rock brasileiro.

Após um breve intervalo de alguns minutos, os Moonspell retornam ao palco para as três últimas músicas: Everything Invaded, Mephisto e, claro, a já tradicional música de encerramento: Full Moon Madness. A matilha dos Moonspell agradeceu profusamente a todos que compareceram para o show no meio da semana, ainda mais após terem sido atualizados de tudo que vem acontecendo aqui no Rio de Janeiro. Na saída, fãs do lado de fora conseguiram alguns autógrafos e fotos antes que a banda fosse levada para continuar sua turnê em São Paulo, Recife e Belo Horizonte.

PLAYLIST COM A SETLIST DO SHOW:

Obs: Falta a música “Night Eternal” do álbum de mesmo nome, lançado em 2008, pois este não encontra-se no Spotify

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