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Resenha: Oh Wonder + Zara Larsson @Circo Voador

Por Natalia Salvador

Se tem uma coisa que eu gosto em shows de artistas internacionais, principalmente quando se trata da primeira experiência deles no Brasil, é observar o rosto dos músicos e bailarinos. Não é nenhuma novidade que o público brasileiro é, vamos chamar, intenso e energético. E foi exatamente isso que levei dos shows de Oh Wonder e Zara Larsson, na última terça-feira (20), no nosso amado Circo Voador. A apresentação foi um dos side shows do festival Lollapalooza – que acontece nesse final de semana em São Paulo -, organizado pela plataforma Queremos! em parceria com a Heineken.

Apesar da casa não estar tão cheia, totalmente esperado para um show terça-feira à noite, a plateia carioca não deixa a desejar. Com poucos minutos de atraso, a dupla Oh Wonder subiu ao palco ao som dos gritos quase histéricos dos fãs. Com poucos músicos de apoio no palco – só um baterista e um baixista (confirmar na foto) – os ingleses se bastam em cima do palco. Os timbres de voz doce se completam às notas dos teclados e é quase impossível não se apaixonar. Ali eles apenas comprovam o porque do sucesso repentino na internet enquanto divulgavam música sem pretensão no Soundcloud.

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Oh Wonder @2018

O setlist foi bem equilibrado entre canções de “Oh Wonder” e “Ultralife”, os dois álbuns de estúdio da dupla. Drive, Livewire, Dazzle, HighonHumans, Heavy e Lifetime eram as mais aguardadas e não ficaram de fora. Depois de um belo discurso sobre ser você mesmo e defender as inciativas e princípios que acreditamos, Josephine introduziu All We Do, que foi ovacionada pelo público. Body Gold, primeira música composta para o projeto, também fez barulho!

No quesito simpatia, os dois levaram nota 11! O sorriso estampado no rosto durante cada música mostrava da maneira mais clara o que eles estavam sentindo. Depois de passar um dia curtindo a cidade maravilhosa, com direito a praia em Ipanema e tudo, a energia não podia ser melhor! “Nós comemos açaí, fomos à praia e lá estavam nos oferecendo caipirinha às 10h da manhã. Definitivamente nós estamos no Rio de Janeiro”, contou Josephine. Depois de muitos pedidos, os dois voltaram ao palco saltitantes e encerraram o show com Ultralife e Drive.

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Oh Wonder @2018

Mudando quase que radicalmente o cenário do Circo Voador, a doçura e leveza de Oh Wonder deram espaço para o clima sexy e dançante do pop de Zara Larsson. A sueca subiu ao palco com banda, backing vocal, bailarinas e muitos falsetes. As primeiras palavras de Zara em Never Forget You não foram ouvidas, microfone ainda desligado ou plateia ensurdecedora? Fica ai o questionamento. A certeza é que a jovem cantora, de apenas 20 anos, é muito popular entre o público LGBT, certeza de uma noite de muita diversão!

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Zara Larsson @2018

Symphony – parceria com Clean Bandit -, Girls Like, Ain’tMyFault e Lush Love marcaram presença no setlist. Além dos grandes sucessos autorais, a cantora inclui músicas de companheiros de estrada. Ed Sheeran e Cardi B fizeram parte de pot-pourris: Shape of You acompanhou Don’t Let Me Be Yours, enquanto que Bodak Yellow deu força para I Would Like. Para atender aos pedidos incessantes dos fãs, Zara voltou para o bis performando uma música que não costuma estar em seu repertório, One Mississippi lavou a alma dos fãs.

Apesar da vibe diferente, os shows se complementaram para quem se dispôs as experiências. O combo de estreia de Oh Wonder e Zara Larsson no Brasil funcionou muito bem, pelo menos para os cariocas que não vão ao Lollapalooza no fim de semana. Eu certamente vou passar mais algumas semanas ouvindo os CDs no repeat e lembrando do rostinho da dupla inglesa completamente anestesiada. A grande lição é que uma noite e um festival como esses comprovam que tem espaço para todo mundo curtir e se divertir junto. Afinal, música é isso, né?

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Resenha: Daughter @Circo Voador

Por Hiram Alem | Fotos: Eduardo Magalhães/Queremos

Os portões se abriram às 21h no Circo Voador (Rio de Janeiro) e o público chegava aos poucos naquela véspera de feriado. Dentro do Circo havia um stand da Queremos! vendendo produtos com a marca da plataforma e vários posters da Daughter para serem levados de graça pelo público.

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Antes do atração principal, quem abriu foi Mari Romano, uma artista que reúne em sua banda diversos nomes experientes na música brasileira como Marcelo Callado e Gustavo Benjão. A sonoridade é brasileiríssima, remetendo muito às décadas passadas da mpb mas com aquela pegada indie. A presença de palco e bom humor da Mari ajudavam a criar um clima descontraído, conversando e brincando com o público, ela dançava e pulava o tempo todo junto com as músicas. O show ainda contou com a participação de Pedro Pastoriz, também do mesmo selo de Mari, a paulista “Risco”.

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Às 23h em ponto, fazendo jus à nacionalidade da banda, o trio inglês entra no palco. No primeiro minuto de New Ways, a música de abertura, já dava pra perceber que a banda era impecável ao vivo e não deixava absolutamente nada a desejar para o som de estúdio, evocando atmosfera etérea, “dream-like” tão característica deles. O público cantava junto em quase todas as músicas. Gritos de “angel!” e “linda” ecoavam a cada intervalo entre as músicas, deixando a vocalista Elena sorrindo de alegria e timidez. Na hora de interagir com o público, sua voz e movimentos eram muito mais contidos, tímidos, mas transbordando carisma e sorrisos contagiantes.

De todos os momentos, talvez o ápice do show tenha sido quando a banda tocou Youth e todos cantavam a plenos pulmões e de celulares acesos. Uma curiosidade é que a banda não tocou nenhuma de suas músicas do seu álbum mais recente, The Calm Before the Storm, mas isso talvez se deva ao fato dele ter sido lançado em setembro desse ano (2017). Por fim, encerraram o show com a dançante Fossa, que botou todo mundo pra se mexer.

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Após o fim do show, os fãs se amontoaram na saída para esperar pelos integrantes que, após algum tempo, apareceram e carinhosamente assinaram todos os posteres e tiraram selfies com todo mundo, sorrindo, abraçando e conversando. Durante a conversa com os fãs, o baterista Remi Aguilella se revelou fã de bandas brasileiras como Sepultura, Soulfly e… Cansei de Ser Sexy!. Após garantir meu autógrafo e fotos, retornei para casa já ansioso pela próxima vez

Na turnê brasileira a banda se apresentou ainda em São Paulo, no dia 15, e no dia 16, em Porto Alegre.


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Daughter Setlist Circo Voador, Rio de Janeiro, Brazil 2017

 

Resenha: BadBadNotGood + Gabriel Royal @Varanda Vivo Rio

Por Alan Bonner | @Bonnerzin

Você que começou a ler esta resenha agora provavelmente se recorda de La La Land, filme de 2016 dirigido por Damien Chazelle e que chegou a ganhar o Oscar de melhor filme por um minuto ou dois. No filme, o personagem Seb, interpretado por Ryan Gosling, tem um sonho: salvar o jazz. Ele defende um argumento no filme de que as pessoas não vão mais ouvir jazz pelo jazz, e sim por tudo que está no seu entrono. As festas, as pessoas, a bebida, as drogas… O jazz é só uma trilha sonora para tudo isto, quando ele deveria ser a razão de um evento acontecer, o motivo que fez as pessoas quererem sair de casa. E que também ele está sendo “apropriado” pelo mercado da música e se tornando mais pop, fugindo totalmente de sua essência.

Mas o que La La Land e a história de Seb tem a ver com os shows de BadBadNotGood e Gabriel Royal, que rolaram no último sábado (06/05/2017) na Varanda do Vivo Rio, em mais uma iniciativa da Queremos? Muita coisa. A começar pelo público, que não parecia nem um pouco interessado no que estava no entorno e vidrou os olhos em ambas as apresentações. Até Gabriel Royal, pouco conhecido no Brasil e que fez uma apresentação solo e muito intimista ganhou atenção de grande parte da plateia. Carismático até a última nota e a última gota de bebida em seu copo, Royal fez um set curto, porém bastante sólido, para uma plateia que incluía ilustres como MC Marechal (pode perguntar pro Aori, que inclusive esteve presente e foi repórter do Queremos na ocasião). Um excelente cartão de visitas do cara que estreava em terras brasileiras naquela noite.

Gabriel Royal @2017

Depois, a catarse. Quem olha para Leland Whitty (saxofone e flauta transversal) Alex Sowinski (bateria), Matt Tavares (teclado) e Chester Hansen (baixo) sem saber do que os quatro são capazes com seus instrumentos e em conjunto, provavelmente vão acha-los antiquados, incapazes de entreter a pessoa de riso mais frouxo de um lugar. Talvez Alex consiga, pela exuberância de seu moicano platinado e o sorriso cativante. É justamente ele que assume as conversas com a plateia logo no início do show, chamando o público para fazer parte da apresentação com eles. Como se precisasse. Já nas primeiras notas, o BBNG ganhou o jogo, o público e a bela noite que fazia no Rio de Janeiro. Alex não se dava por satisfeito, e sempre pedia aplausos para seus companheiros de banda a cada passagem mais elaborada que cada um deles fazia. E era impressionante como, com o passar das músicas, o público, por conta própria, ia na palma, no pulo, no gritinho, acompanhando o ritmo da música. Sério, há tempos eu não via um público indo “na palminha” com tanta vontade e sem ninguém pedir. Quem chamava eram as próprias músicas, com partes que eram impossíveis de ficar parado ou de não bater palma. Mérito dos quatro músicos, de técnica e criatividade ABSURDAS. Há muito tempo eu não saía de um show tão satisfeito com o que foi apresentado artisticamente. Showzaço, empolgante e emocionante, pra entrar naquelas listas de melhores do ano em dezembro (alô Prêmio RIFF!).

O jazz, talvez, já está salvo. Mas não no lugar e da forma que costumamos o encontrar, nos bares com a ambiência do estilo e os rostos consagrados. E sim nas estações de metrô de Nova Iorque, com um jovem negro e seu cello. Ou com quatro rapazes brancos do sul do Canadá e a paixão deles pela cultura hip hop. Seb, com certeza, iria se emocionar se estivesse naquela noite, com aqueles artistas e aquele público. E poderia ficar tranquilo com seu legado, mesmo com um Oscar escapando das mãos.

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Resenha: Silversun Pickups + Cage The Elephant @Circo Voador

Por Gustavo Chagas (texto e fotos)

QUE SEMANA!! Amigos, que semana!!

Eu sempre gosto de mês que tem o Lolla, porque parece que tudo fica mais musical. O quanto eu gosto de música aflora nessa época. O Lolla, como bem disse a linda Thais Zichtl, me faz gostar mais de música.
Todo ano eu começo a ouvir pelo menos uma banda nova e me apaixono. A desse ano foi o Silversun Pickups. Muito também dessa descoberta se deve a insistente recomendação de Ricardo Baianinho, nosso editor.

#silversunpickups no palco!! #coberturariff #queremos #heineken

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Gostei muito, de cara! Voz andrógina do Brian, o baixo pesado da Nikki, a linha reta, mas tresloucada da batera do Chris e a programação viajada do Joe, me remetia ao que eu mais gostava de ouvir nos anos 90. Aquele pós grunge boladão de raiz.
Os assisti em São Paulo (#chupaduranduran) e, já tinha ficado muito feliz tanto com a resposta do público, que conhecia bastante, quanto a performance da banda, já que eu tinha medo que aquele vigor do disco não transparecesse ao vivo. Ainda bem que o medo era infundado.
Como eu já falei, eu adoro essa época de Lollapalooza. Muito também porque ela proporciona que tenha aqui no Rio shows menores das bandas que tocam no festival. Eu já assisti shows INCRÍVEIS e, em lugares menores, por causa disso. Foster the People, Skrillex, Three Days Grace, TWENTY ONE PILOTS…
O show do Silversun Pickups foi feito pra ser tocado em um lugar menor. O show dessa quarta foi poderoso! A acústica do circo pareceu que foi projetada pro som deles. A cada palhetada que a Nikki dava, o grave batia e você sentia na alma. Essa mesma alma que era cortada a cada riffada e a cada grito do Brian. A mesma alma que balançava no groove do Chris e também a que contemplava o Joe. A alma que saiu lavada.
Nightlight’, ‘Circadian Rhythm’, ‘Panic Switch’, ‘Lazy Eye’, todas foram tocadas com intensidade e atenção a cada nota, numa tentativa de retribuir cada grito e gota de suor que o público estava entregando à banda. O som deles soa sincero. E, todo ano no Lolla, tem os candidatos a banda que daqui a pouco vão se tornar enormes. Os meus desse ano são o Catfish e o Silversun. Eles tem que ser grandes. As pessoas tem que ouvir o som deles. Tem que.
Ah, teve o show do Cage The Elephant também.
Maravilhoso. Intenso. Vigoroso. Inesquecível. Escolha um dos adjetivos e aplique ao show.
Sabe o que parece o show do Cage? É como se alguem pegasse aquelas duas obras primas do Guy Ritchie (‘Snatch’ e ‘Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes’), e transformasse esses filmes em música. Eu os classifico a partir de agora como indie-de-pub britânico-cinematográfico-mosh-stage dive-boladão.
Mick Jagger já pode se aposentar, pois já temos um substituto a altura. Matt Shultz é o melhor frontman que o indie já produziu! Eu dúvido que alguém vá ao show e não se sinta contagiado pela presença dele.

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Que noite! Que semana! Que alegria! Até o ano que vem, mês maravilhoso do Lolla!

Cage the Elephant Setlist Circo Voador, Rio de Janeiro, Brazil 2017

Resenha: Jimmy Eat World + Two Door Cinema Club @Circo Voador

Por Guilherme Schneider | @Jedyte | Fotos: Gustavo Chagas

A 6ª edição brasileira do Lollapalooza não terminou no último domingo após o show dos Strokes. Quer dizer, ao menos os chamados ‘side shows’ do Lolla ainda dão uma esticadinha na agenda de algumas bandas, como o Jimmy Eat World e o Two Door Cinema Club. Ambas tocaram nesta terça-feira (28/3) no Rio de Janeiro diante de um público que lotou o Circo Voador.

A abertura da noite ficou com os norte-americanos do Jimmy Eat World, que estrearam nos palcos brasileiros enfim nesta semana. A espera foi longa e os fãs presentes foram recompensados e cantaram em alto e bom som os hits I Will Steal You Back, Pain, Work, 23, Swetness e, principalmente, The Middle.

#JimmyEatWorld em seu ponto alto aqui no @circovoador!

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Até por conta da espera de 24 anos, o repertório veio repleto de músicas antigas, especialmente do ‘Bleed American’ (2001) e ‘Futures’ (2004), fase em que a aura “emo” era sentida com mais emoção internacionalmente. Apesar do recente álbum ‘Integrity Blues’ (2016), o momento áureo do Jimmy está na década passada.

De lá para cá a banda experimentou variações na sonoridade e uma certa falta de identidade, que por vezes confunde. Como no caso do vocalista Vinny (aquele mesmo!), que através de suas redes sociais surgiu como um inesperado (e ácido) crítico da trajetória da banda.

Porém, na prática, esse timing atrasado não prejudicou em nada a apresentação no Circo Voador. Aos gritos de “Olê, olê, olê, olê! Jimmê! Jimmmê!”, a banda deixou o palco com sorriso de orelha a orelha (especialmente do simpático vocalista Jim Adkins), se desculparam pela demora em vir ao país, e prometeram voltar em breve.

No intervalo entre os shows era possível esbarrar com músicos de outras bandas gringas, como o Cage The Elephant e o Silversun Pickups. Nós, claro, também aproveitamos para tietar um pouco.

Se o Jimmy estreava nos palcos brasileiros, os norte-irlandeses do Two Door Cinema Club já são habitués do Circo Voador. A banda originalmente formada por Alex Trimble (vocal/guitarra), Sam Halliday (guitarra), Kevin Baird (baixo) já viera ao Rio em 2011 e 2013 para show memoráveis.

E o show desta terça provavelmente também entra para esse hall de shows memoráveis. Dessa vez como show da consolidação como os mais precisos hitmakers para pistas indies. Não é de hoje que eles são o coringa para qualquer DJ fazer a alegria de uma festa. Como disse meu colega Alan Bonner, Em terra de baile funk, o que se viu foi um verdadeiro ‘baile indie‘, com animadíssimos riffs de guitarra que chamavam para dançar a todo momento. E nessa hora, amigo, todo mundo vira indie rocker… Ronaldo Fenômeno vira, Tande do vôlei (que esteve no Circo e bloqueou minha visão) vira…

#TwoDoorCinemaClub ovacionado no @circovoador!

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Após a arrebatadora estreia com o álbum ‘Tourist History’ (2010), o TDCC manteve o fôlego (e os hits) no ‘Beacon’ (2012) e no ‘Gameshow’ (2016). Tanto que no show se nota uma constante, sem deixar nem peteca nem os balões (surpresa bonita dos fãs) caírem. Destaques para as boas respostas do público carioca em Undercover MartynNext Year, I Can Talk, Someday, Something Good Can Work, What You Know. 

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Entre uma taça e outra (provavelmente de vinho), o agora cabeludo Alex Trimble mostrou que veio ao Brasil disposto a fincar o Two Door como futuro headliner dos grandes festivais. Quer show com público pulando que nem pipoca e dançando feliz da vida? Chama os caras!

O ‘puxadinho’ do Lolla segue nesta quarta-feira. Duran Duran toca em Belo Horizonte no BH Hall, enquanto o Cage The Elephant se apresenta com Silversun Pickups no Rio de Janeiro – novamente no Circo Voador graças ao pessoal do Queremos. E nós estaremos novamente lá para mais uma Cobertura RIFF!

Jimmy Eat World Setlist Circo Voador, Rio de Janeiro, Brazil 2017, Integrity Blues


Two Door Cinema Club Setlist Circo Voador, Rio de Janeiro, Brazil 2017, Gameshow

Resenha: Jake Bugg @Circo Voador

Por Gustavo Chagas (texto e fotos) I @gustavochagas

Inconstantemente bom. Assim foi o show do Jake Bugg. No Brasil pra lancar o seu terceiro disco, Jake apresentou no show músicas de todas fases de sua curta carreira. Sua discografia é variadíssima, assim como a noite de ontem.

Houveram momentos voz e violão, folk, pop… Em dado momento, eu e minha namorada ficamos tentando lembrar com quem a música que ele tava tocando parecia. Conclusão da mini reunião: parecia John Mayer! (Ps.: Eu adoro John Mayer, só pra constar)
 

Isso tudo faz sentido quando você lembra que ele tem só 23 anos! As quatro primeiras músicas foram apresentadas no formato voz e violão, intimista from the get go. Dessas primeiras, eu destaco a última, a singela “Simple as This“, que foi cantada em uníssono pelo bom público presente no Circo Voador.

Two Fingers” foi a música que abriu a parte “plugada” do show. Foram 21 músicas no total de um show que me surpreendeu bastante. Por ter um repertório que passeia entre o folk, blue grass e o pop intimista, o show não vai numa crescente. Quando parece que o baile vai começar, ele manda uma balada. Quando parece que vai dar pra chamar a garota ao lado pra uma dança sob o luar da Lapa, ele manda uma rápida. E isso foi muito bom.

Esse passeio me fez ficar prestando atenção no que iria vir a seguir, tentando entender a dinâmica, e isso fez com o show voasse, me deixando querendo ver mais.

O melhor momento da noite ficou a cargo das duas últimas músicas: “Broken” e “Lightining Bolt“. A primeira foi tocada por Jake, de novo, sozinho no palco. E a galera compareceu nessa. Foi o coro mais alto da noite, do mês, do ano!! Coisa linda! A segunda veio pra completar a catarse já instalada. Showzaço!

Como eu disse, ele tem só 23 anos e ainda vai surpreender o seu público, porque, se sendo inconstante ele já faz esse show, imagina já consolidado?! Ate as próximas, Mr. BUGG.

Jake Bugg Setlist Circo Voador, Rio de Janeiro, Brazil 2017

4 opções musicais para aproveitar o verão na cidade do Rio de Janeiro

Por Natalia Salvador | @_salvadorna

O verão é uma estação de muitas cores, férias, sorrisos e calor, muito calor! E se você, assim como eu, não é muito fã de praia mas curte mesmo é um showzinho no fim de tarde, o que não faltam são opções para curtir o pôr do sol com música. Estão espalhados pela cidade eventos de diferentes tipos, para todos os bolsos e gostos, e o Canal RIFF separou quatro dicas para você aproveitar o pré-carnaval na cidade maravilhosa.

1) Shows gratuitos na praia

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New Kids on the Bloco

Durante a estação mais quente do ano, os shows nas praias cariocas já são clássicos. Esse ano as opções estão na zona sul e oeste. O ‘Verão Rio O Globo’, no posto 10 da praia de Ipanema, conta com nomes como Outro Eu (14), George Israel (15), Roberta Sá (21), Suricato (22), Marcella Fogaça (28), Arthur Aguiar (29) e Rubel (04). Os shows tem previsão para começar sempre as 19h30.

Já na Barraca do Pepê, na Barra da Tijuca, o ‘Música no Deck’ trouxe artistas dos mais variados estilos. Entre eles estão Arthur Aguiar (14), Paulo Ricardo (21), Latino (28), Isabella Taviani (04), Guimê (11), Sinara (18) e New Kids on the Bloco (25).

2) Queremos Tropical

O Queremos já é velho conhecido e está sempre trazendo shows para enlouquecer os fãs! Na temporada de verão eles apresentam o Queremos Tropical, que acontece na Varanda Vivo Rio e traz aos cariocas os shows de Liniker e os Caramelows (19), Karol Conka (28), Anavitória (02) e Dona Onete (16). Os ingressos variam de acordo com o evento – de R$ 40,00 a meia a R$ 100,00 a inteira.

3) Pepsi Twist Land RJ

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Se você é desses que gosta mesmo de uma festa alternativa, o Pepsi Twist Land é um evento que une festas famosas da capital carioca com shows, no espaço Marina Glória. Além da vista privilegiada, no festival você poderá conferir misturas inusitadas como:

2 de fevereiro: Nação Zumbi + Gilberto Gil + Jorge Mautner, DJ Nepal e Dream Team do Passinho cantando The Jackson 5;

11 de fevereiro: Festa Malaka, Festa Vambora! + Riocore Allstars.

Os preços variam de acordo com o evento – de R$50,00 a meia a R$120,00 a inteira. A programação completa você confere nas redes sociais do evento.

4) Food Park Carioca

Além da música, pratos de comida também caem muito bem no seu passeio? Então o Food Park Carioca é a opção ideal para os seus fins de semana. No espaço, além de shows com artistas dos mais variados estilos – do sertanejo, samba e rock -, os trucks, bikes e trailers oferecem um cardápio variado e cervejas artesanais. No sábado, dia 14, quem faz o som no evento é ex-LS Jack, Marcus Menna. A entrada é gratuita e a programação da semana pode ser acompanhada pelas redes sociais do local.


Com tantas opções ficou mais fácil de aproveitar os dias mais longos do verão, a cidade, a boa música e as comidas especiais!

Resenha: Lucy Rose e José González, de coração aberto no Rio

Por Thais Rodrigues (fotos e texto) | @thwashere

A efemeridade de momentos no cotidiano não diminui o valor único e simbólico dos mesmos, pelo contrário: torna tudo isso, mesmo que esse tudo não seja muito e, mesmo que seja impossível medir, contar ou até capaz de ser expresso, precioso e eterno.

A última sexta-feira (06/05) foi memorável e reforçou aquele desejo sincero que se esconde em inquietações e dúvidas que, por muitas vezes e aparentemente, não tem explicação. O Circo Voador transformou-se em casa, abrigo, sala de estar e até desculpa para não passar a noite em casa.

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Queremos e Heineken abriram o primeiro final de semana de Maio com a visita harmoniosa de Lucy Rose e José González. A recepção acolhedora antes de ambas às apresentações foi como estar visitando um velho amigo, depois de algumas semanas que pareciam anos. Com um quê de “fica à vontade enquanto arrumo umas coisas aqui e ali”, mesmo em grupos, fomos deixados a sós com nossos pensamentos mais particulares, embalados por uma trilha sonora folk especialmente feita sob medida.

Como quem não quer nada e de repente, Lucy Rose caminhou pelo palco até chegar o microfone. Pegou o violão e sem ser anunciada, propõe-se a fazer sala para todos enquanto José, o anfitrião da noite, não recebia os empolgados. Foi como estar em casa! Ou melhor: saber o que é lar e como além de lugares, um lar, o meu ou o seu, pode ser alguém.

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Com uma voz doce, capaz de acalmar ao mesmo tempo em que pudesse fazer alguém chorar, Lucy nos recebeu com a humildade quase extinta em alguns artistas que com o passar do tempo, esquecem-se da importância da arte e dão poder e voz a imagens projetadas, que são falhas. A voz que ecoou naquela noite, no meio do silêncio, destacou-se pela sinceridade em composições que falam sobre amor, início, meio e fim, deixando clara a diferença entre cantores e performers.

Entre elogios isolados, incapazes de controlar, e olhares e lentes, um sorriso tímido. Incrédula, teve que parar e refletir sobre o que acontecia a sua volta quando na verdade, o que acontecia com todos e graças a ela, era mais importante e inédito. “Nós te amamos, Lucy” não foi o suficiente para agradecer a iniciativa de levar música, algo tão livre, sem custo para quem aprecia, de coração aberto para experiência que vão além de crítica e dislikes.

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A promessa antes da partida foi a de voltar. Dessa vez, com nossas músicas favoritas e ao som de seu piano, acompanhada pela sua banda e assim, Lucy Rose se despediu, sentindo-se abraçada e agradecida pela magia de estar no Brasil, sonho de muitos artistas independentes e que às vezes, não sabem o quanto são esperados por todos.

Uma pausa e mais instrumentos começam a tomar o espaço que Lucy não foi capaz de preencher. Mais alguns minutos e piscar de olhos, e já era impossível se mover na plateia. Quase lotado, o Circo voador abria espaço unicamente para José González que foi o ingrediente para tornar a experiência de show mais completa e diversificada.

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O ritmo instigante presente em algumas das canções presentes no setlist de José provocou passos e movimentos livres de regras que pudessem coreografar o quanto era contagiante estar ali, e acabou por empolgar inclusive aqueles que só queriam passar a noite fora.

O som rico em referências suecas e argentinas também tirou os mais concentrados da zona de conforto e fez jus ao fato de ter sido gravado em casa, que não diminui em nada o conceito sobre a apresentação impecável e consistente que resultou não só em ótimos registros, mas também em um desejo incontrolável por repeat na vida real.

O conjunto de transformações notáveis após as duas apresentações ficou muito em evidência, assim como a ciência de que o acesso à cultura é para aqueles que desejam ser impactados por qualquer que seja a manifestação artística independente de cor, nacionalidade ou propósito que a mesma tenha. Lucy e José, ambos muito receptivos antes e após o evento, não foram descobertos, e só quem esteve presente mais de alma que de corpo, pode entender que a descoberta pessoal, singular e alcançada por poucos, foi o cartão de visita e a identidade do show.

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Resenha: City and Colour e as parcerias que dão o que falar

Por Thais Rodrigues | @thwashere | Fotos @gustavochagas

Além de ter sido motivo para muitos brindes, o segundo ano de parceria entre Queremos e Heineken deu o que falar, e pelo visto, tanto se falou que Dallas Green e seus amigos voltaram para colorir e movimentar o Rio de Janeiro com o projeto City and Colour na turnê “If I Should Go Before You”.

O Circo Voador inundou com muitos empolgados e seguidores da banda na última sexta-feira (29/04). Nem a chuva ou a frente fria recém-chegada foram o suficiente para impedir que inúmeros nomes citados na lista se privassem de ter mais uma chance de estarem compartilhando experiências e angústias, em busca da cura da alma por meio da música. E no final das contas, o clima colaborou para que todos ficassem mais juntinhos e combinasse com as faíscas dos apaixonados que aguardavam entre beijos e abraços, o início do show.

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Pelo segundo ano seguido, Queremos e Heineken trouxeram o City & Colour ao Brasil

Os primeiros acordes emocionantes, intensos e cautelosos de Woman marcaram o início da viagem mágica que estávamos prestes a embarcar. A voz impecável de Dallas e a sintonia da banda que o acompanhou não só apenas no último álbum lançado, mas também no show do ano passado, se fazia presente mais uma vez, acabando de preencher, de forma bem discreta e introspectiva, qualquer vazio ou espaço para comparações com outras apresentações.

Com intervalos curtos entre uma música e outra e nada mais que “thank you”, a banda aparentemente com um pouco de pressa na execução e, ao mesmo tempo, preocupada em não perder o ritmo, deu continuidade com Northern Blues, Two Coins e If I Should Go Before You, envolvendo a plateia que não tinha muito tempo para refletir sobre as faixas tocadas.

O blues que faltava fez com que alguns pés se movimentassem e vozes emocionadas começassem a mostrar o motivo de terem ecoado tanto, ao som de Killing Time meio I Don’t Trust Myself (With Loving You), mas não durou por muito tempo. De repente, uma luz angelical iluminava apenas Dallas e era como se estivéssemos congelados. Não era o frio, e sim uma brisa absurda das memórias provocativas do passado pedindo licença, um minuto ou dois de nossa atenção, com direito a “deprê” e mais um pouco ao som – e que som – de Hello, I’m In Delaware.

Wasted Love veio em boa hora, agitando mais uma vez o público, dando-o poder de se mover e colocar alguma atitude em seus passos de dança com quê de rock’n’roll e também para fazer com que se lembrasse de decepções amorosas e o quanto as mesmas nos deixam intensos em qualquer emoção que tenhamos.

O momento mais marcante do show foi quando Lover Come Back saiu do palco e voou pelo Circo. Ouvir todas aquelas vozes e ver palmas de agradecimento foi melhor que qualquer solo que estivesse por vir, tirando sorrisos de Jack e Dante que até então, permaneciam sérios e centrados na execução de cada música.

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O público compareceu em bom número ao Circo Voador

Todos nós precisamos de um tempo com nossos próprios pensamentos, medos, inseguranças e frustrações. A banda deixou o palco e só Dallas voltou, chamando a atenção de pessoas com cartazes que estavam atrapalhando e para o motivo de não incluir algumas músicas que estavam sendo pedidas durante o show no setlist. Disse ainda que não se sentia mais tão confortável com algumas músicas e que preferia que fosse desse jeito e ponto final. Sem muitas palavras, continuou o show atravessando uma onda de letras profundas, agora com a plateia mais silenciosa, tocada, arrepiada e emocionada que antes.

Quando finalmente deixamos as tristezas pra lá e nos pegamos dançando The Girl, já era tarde demais e a união que resultou em um dos álbuns mais carregados de significado, bem ali na nossa frente, nos deixava sem grandes declarações. Dallas e friends deixaram o palco e a partida deles, talvez, tenha sido menos dolorosa dessa forma, com uma pitada de “até logo” pra não falar mais sobre “adeus” que suas músicas e assim, sem competições, a parceria entre público e banda, banda e Dallas, Queremos e Heineken soou verdadeiramente como música em nossos ouvidos que vale a pena estar no “repeat”.

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City and Colour Setlist Circo Voador, Rio de Janeiro, Brazil 2016