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Resenha: Ponto Nulo No Céu + No Fearz + A Queda de Ícaro + A Marcha das Árvores @La Esquina

Por Igor Gonçalves | @igoropalhaco | Fotos  Joanni Produções

No primeiro domingo de abril eu fui todo feliz e cheio de amor no coração para o La Esquina, na Lapa, para assistir uma banda que só faz o meu amor pelo underground aumentar. Os lindões da Ponto Nulo No Céu. O evento produzido pelo cintilante Luciano Paz também contou com as bandas No Fearz, A Queda de Ícaro e A Marcha das Árvores.

O evento se deu início com uma playlist de músicas de bandas do underground brasileiro que deixaria qualquer um no clima. Logo em seguida, a No Fearz tomou conta do palco já iniciando o processo de tirar os primeiros pés dos chão. A banda conquistou o público com humildade e um new metal de qualidade. Assistirei-os mais vezes! Mais tarde o vocalista Andy Junior fez uma participação no show da Ponto Nulo No Céu.

O ambiente já estava bem agradável quando chegou a vez de A Queda de Ícaro. A banda voltou recentemente com uma nova formação depois de um bom tempo longe dos palcos. Já parecem estar bem entrosados e o público respondeu com vontade. O show foi pesado e alimentou todos que sentiam falta do post hardcore recheado de breakdowns. Um dos guitarristas chegou a passar pelo comum acidente de arrebentar o bordão diante da empolgação da banda e do público. Foi rapidamente resolvido e a animação não diminuiu na continuação do show.

Em seguida, ouvi o som da A Marcha das Árvores. Já havia algum tempo que eu não assistia ao show deles. Para a alegria dos mosheiros, a banda apresenta um ritmo muito favorável ao 2-step. Os refrões de vocal clean são acompanhadas com backing vocal, o que faz um contraste surpreendentemente agradável com o gutural. Com riffs que consegue-se perceber influências de vários gêneros diferentes, eles apresentaram um post hardcore e uma presença de palco que esquentaram o público. O show foi bem animado e fez todo mundo bangear e pular como se não houvesse um amanhã.

A antecipação de fãs ansiosos (como eu) parecia fazer a temperatura subir quando a Ponto Nulo No Céu assumiu. A banda tem dado continuidade a sua turnê do álbum ‘Pintando Quadros do Invisível’, que foi lançado quase 1 ano atrás. O show começou com a ‘Horizontal’, música que tem uma das letras mais poderosas que já ouvi. De imediato o público respondeu com energia, vontade nas cordas vocais, e é claro, o amor. Os shows da Ponto Nulo sempre são muito confusos pra mim. Eu não sei se mosho, se pulo ou se canto. Eu acabo tentando fazer tudo ao mesmo tempo gastando qualquer energia que sobrava (e um pouco mais).

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Depois de muita intensidade, o show chegou ao fim com sucessos do EP ‘Ciclo Interminável’. Eu conseguia sentir uma mistura de satisfação com insatisfação. As letras tornam a alma ambiciosa e sedenta por um show que eles toquem todas as músicas que já fizeram duas vezes. Mas, mesmo que insatisfeita, ela saiu lavada.
Ficamos devendo um material em vídeo com a banda dessa vez. Mas aguardem que isso com certeza virá!

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Resenha: The Black Dahlia Murder + Siriun + Reckoning Hour @Teatro Odisseia

Por Igor Gonçalves | @igoropalhaco

A Dark Dimensions fez a grande gentileza ao público de death metal trazendo o The Black Dahlia Murder para uma turnê de três shows no Brasil, sendo eles em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Fomos, no domingo (23/10), conferir a última apresentação da banda aqui no país – no Teatro Odisseia, Rio. A noite teve Siriun e Reckoning Hour como bandas de abertura.

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The Black Dahlia Murder @2016

O quarteto carioca da Siriun abriram o evento com seu death metal e sua dupla de Schecter apresentando músicas muito bem construídas e dominando os instrumentos no palco – como quem faz isso todo dia por muitos anos. Eu não conhecia a banda e sinceramente não tive tempo de parar para ouvi-los antes do show, então os assisti sem quaisquer expectativas. Apesar da formação relativamente recente da banda, já tiveram outros feitos como abrir o show da Krisiun em setembro também no Odisseia, e ter tido a participação de Kevin Talley (ex baterista do The Black Dahlia Murder) em pelo menos uma de suas músicas. O show me convenceu e me agradou. Siriun tem a minha atenção daqui pra frente.

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The Black Dahlia Murder @2016

Dando seguimento ao sentimento de orgulho do underground carioca, a Reckoning Hour assumiu os instrumentos. Assim como a Siriun, a banda também abriu o show de São Paulo. Reckoning Hour já era conhecida minha e o gênero deles é algo que considero difícil de classificar. Diria que é um meio termo entre metalcore e death metal melódico… Talvez? Bom, o importante é que eu curto o som dos caras. O último show da banda que assisti foi no ano passado e deu pra notar uma mudança de lá pra cá. Uma boa mudança. Eu diria que eles aprenderam a usar melhor o palco. Com seu álbum mais recente, ‘Between Death and Courage’, a banda apresentou uma setlist agitada. Carregada de pedal duplo acompanhado por um baixo bem executado e belos riffs do seu par de guitarras Dean, a banda deixou o ambiente perfeito para os astros da noite comandarem o final da festa.

Os americanos da The Black Dahlia Murder subiram ao palco e foram tratados como heróis. Para a minha grata surpresa, como heróis se comportaram. Já conhecia a banda pois alguns conhecidos são muito fãs, mas só fui dar a devida atenção a banda antes do show. Eles apresentam um metal de muito peso e qualidade. A bateria é orquestrada com maestria e a guitarra segue pesada até os solos que trazem harmônicos inesperados para uma banda do gênero. Continuando o seu espetáculo de surpresas, The Black Dahlia Murder tem uma presença de palco extremamente carismática. Trevor Strnad (vocalista) domina a platéia de forma que muitos frontmen de rock, onde a característica é até exigida de certa forma, invejariam. Entre conversas, piadas e high fives com todos ao alcance do palco, conquistou os ainda céticos no meio de um público já apaixonado. Os sucessos de Miasma e Nocturnal (setlist acima) foram eficientes em fazer os fãs de cabelos e barbas longas parecerem crianças num parque de diversões. Saí do Odisseia feliz pela experiência e todo o público estampava no rosto que saíram da mesma forma.

Resenha: Novo do Alter Bridge é abaixo do esperado

Por Igor Gonçalves | @igoropalhaco

Lançado no último dia 7 de outubro, ‘The Last Hero’ é o quinto álbum da banda Alter Bridge. formada por Myles Kennedy (vocal/guitarra), Mark Tremonti (guitarra/backing vocal), Brian Marshall (baixo) e Scott Phillips (bacteria).

O disco conta com a produção de Michael “Elvis” Baskette, que além de também produzir os álbuns solos do guitarrista Mark Tremonti, conta com a minha amada Trivium, Slash e Falling in Reverse no currículo. Com 13 faixas e uma extra na versão deluxe (listadas ao final do review), o cd foi composto por Myles e Tremonti enquanto estavam em turnê juntos no ano passado.

14553339_1099263376808986_8148939960070701056_nMinha primeira impressão é que todos andaram ouvindo bastante metal progressivo ultimamente e resolveram incorporar isso no som do álbum, o que fez muitas músicas ficarem mais pesadas. Peso este que também pode ser justificado pelo uso inédito de uma guitarra de sete cordas na gravação. O instrumental é muito bem executado, pensado e fechado. Não passa a sensação de que está faltando algo em nenhum momento, mas a Alter Bridge nunca foi uma banda que ficou devendo no seu instrumental.

São todos excelentes músicos. Com algumas músicas dignas de se tornarem trilhas de filmes de luta da Sessão da Tarde, ‘The Last Hero’ me passa a impressão de que eles estão focados em tornarem a banda mais popular no gênero. Esse objetivo tornou o album um tanto quanto… sem graça.

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Apesar de ser repleto de músicas animadas, solos poderosos e a magnífica extensão vocal do Myles, peca nos quesitos essência e originalidade. Todas as músicas seguem uma receita já bem conhecida dos amantes do metal.

Ouvi o cd inteiro algumas vezes, mas a partir da segunda já tinha se tornado um pouco massante. Nenhuma música me cativou o suficiente para ouvir mais que uma vez. Infelizmente a banda se perdeu tentando fazer músicas para rádio ao invés de fazer para os fãs. A perceptível tentativa de reviver o espírito dos dois primeiros álbuns (One Day Remains e Blackbird), ‘The Last Hero’ não conseguiu me conquistar, mesmo após as exaustivas chances que dei, ouvindo-o.

Alter Bridge me decepcionou fazendo o que considero ser seu pior álbum até o momento. Nem parece a mesma banda que fez o excelente AB III


Ouça na íntegra e tire suas conclusões: 

Resenha: Nove Zero Nove, Syren, Cara de Porco e No Trauma @Roquealize-se | Marechal Hermes

Por Igor Gonçalves | @igoropalhaco | Fotos: Jefferson Braga

Riffeiros, sábado (16/7) foi o dia do Roquealize-se! O vacilão que vos escreve se deslocou até Marechal Hermes para assistir (parte) desse festival que comemorou três anos de existência. Já começo com um pedido de desculpas às duas primeiras bandas (Back in Drive e Intrépida), já que não consegui chegar a tempo de assistir e deixo prometido aqui minha presença em futuras oportunidades.

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Syren @2016 | Jefferson Braga

Sem quaisquer sons de sirene, Syren subiu ao palco. A banda (que já é bem conhecida no underground, elogiada por famosos músicos e produtores internacionais e com uma turnê na América Latina na bagagem) apresentou um heavy metal seguro, bem característico e com uma poderosa setlist composta por dois álbuns já lançados. O vocalista tem uma voz poderosa e o guitarrista dá conta dos solos já esperados no gênero. Senti falta de uma segunda guitarra para adicionar peso ao som. Essa questão de adicionar novos membros é mais complicada do que parece. Vai além de encontrar um guitarrista bom. O quesito mais importante na verdade acaba sendo entrosamento. Gostei muito da Syren e com certeza irei à futuros shows. Vou torcer para que encontrem (se estiverem procurando) um guitarrista base pois seria (na minha opinião) uma excelente adição!

Algo que me surpreendeu muito no evento foi a quantidade de famílias formadas que compareceram. Crianças corriam para todos os lados, mas principalmente entre os brinquedos que foram postos ali na praça. Isso com certeza contribuiu para o clima alegre do evento. A organização do evento disse que achou muito importante ver a futura geração ali presente. Algumas das crianças podem muito bem se tornar público desse festival e de outros semelhantes quando a hora chegar. Segundo os organizadores do evento (Renan Sparrow, Alysson Bravo, Henrique Ralsi, Indio Dimc, Paula Puga e Thays Gabrielle), com certeza foi o maior público geral dentre as edições do festival.

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Nove Zero Nove @2016 | Jefferson Braga

Em seguida, a queridinha da Lapa assume o palco. A Nove Zero Nove (Spoiler alert: em breve terá material conosco no YouTube e uma singela entrevista com a Presidenta! #descubra) já havia conquistado meus ouvidos com seu (auto-intitulado) rock alternativo e suas letras extremamente presentes. O show foi arrebatador. A presença de palco absurda deles torna impossível que você não, no mínimo, balance a cabeça. Teve roda. Teve sing along. Teve emoção. O instrumental é de qualidade e… Enfim. Conquistaram mais um fã.

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Cara de Porco @2016 | Jefferson Braga

A eficiência da Cara de Porco em unir os sentidos das palavras amor e violência é absurda. O show punk da banda se resume à uma roda digna do gênero, figurinos exóticos e muita… MUITA energia gasta. Cheguei a tomar uma generosa cotovelada no rosto e perdi um pouco de sangue no meio da roda, mas como diz o lema e refrão da banda: “Quem tá no rock, é pra se fuder!”. Eu descreveria a Cara de Porco como “hematomas divertidos”. Já o guitarrista da banda (Lucas Rodrigues) disse que descreveria a banda como “nada agradável” (o que me fez lembrar da cotovelada…). Mesmo com o prejuízo, o show terminou e deixou um claro sentimento de “quero mais”.

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No Trauma @2016 | Jefferson Braga

No Trauma foi a última banda da noite e já teve problemas causados pela chuva ainda durante a montagem do palco, o que afastou o público menos compreensivo e paciente. Após os impedimentos climáticos, os mais sábios e pacientes foram recompensados com a excelência da que considero uma das melhores e mais profissionais bandas do underground nacional. O Viva Forte Até o Seu Leito de Morte (álbum lançado no final de maio) está um prato cheio para os metaleiros de plantão. As qualidades sonoras e técnicas das músicas são surpreendentes! O ao vivo das músicas é ainda melhor.  A bateria microfonada e o peso vindo da guitarra e do baixo se somam com o gutural e deixam o headbanging ainda mais prazerosos. Você que tá passando pela bad, invista seu tempo num show da No Trauma. As letras lhe arrancarão de lá e o instrumental colocará seus ânimos lá em cima!

Fiquem ligados contarei nos próximos dias como foi minha aventura por Guapimirim com Surra (SP), Maieuttica (RJ), Sobcerco (RJ) e outras no último domingo.

Resenha: Menores Atos, Literal, Cliva e Incendiall @Planet Music

Por Igor Gonçalves | @igoropalhaco | Fotos: Fernando Valle

Por motivos de não está fácil essa vida, só hoje lhes trago a resenha do show que aconteceu no último dia 18 de junho, na Planet Music em Cascadura. Contamos com apresentações das bandas Literal, Cliva, Incendiall e também, daquela que já podemos convidar para a macarronada de domingo de tão íntimos, Menores Atos.

Nesse clima montanhoso (pelo menos para nós cariocas) muita gente encontra dificuldades em encontrar formas de se aquecer e se divertir. Sábado eu escolhi ir me aquecer em Cascadura e acabei me surpreendendo com quão além de “apenas aquecimento” o evento foi. Por isso, um primeiro agradecimento ao Luciano Paz, um dos grandes embaixadores do underground nacional. Na histórica Planet Music, um clima imediato de acolhimento e união. Era como se todos, apesar das diferenças de estilos, estivessem ali com os mesmos objetivos e mesmas expectativas.

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Literal @2016

Abrindo o evento, Literal subiu ao palco. A banda mostrou um grunge enérgico e com muita vontade. O público gostou por ter a oportunidade de fazer rodas em algumas músicas e extravasar um pouco. Eu particularmente não consegui aproveitar muito o show. Possivelmente por ter ido ao evento com uma vibe diferente ou por simplesmente não ser muito o meu estilo. Apreciadores do grunge, ouçam a Literal e depois me xinguem pelo meu mau gosto.

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Cliva @2016

A Cliva assumiu os instrumentos e, na introdução da primeira música, já fez a galera que havia sentado para tomar mais uma cerveja levantar. Fiquei feliz em conhecer a banda. Me fez lembrar muito a época de ascensão do hardcore nacional, que nos trouxe bandas como Dead Fish e CPM 22. A distorção das guitarras e a presença de palco do vocalista da Cliva (PW) com certeza influenciou no aumento de temperatura da frienta Planet Music.

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Incendiall @2016

Graças à propaganda de amigos, eu estava com uma certa expectativa para o próximo show. A Incendiall, para quem não sabe, é ex-banda do Cyro (vocalista e guitarrista da Menores Atos). Eles pararam, pois tiveram que dar atenção a questões pessoais e, durante esse intervalo nasceu a Menores Atos. A Incendiall apresenta um hardcore de raiz. Aquele hardcore de várzea que te abraça e te dá vontade de esgoelar a letra e pular. Eu gostei demais do show e eles conquistaram minha atenção. Esse ano eles estão voltando aos palcos com pequenas mudanças na formação e, segundo o vocalista (Thiago), já tem música pronta e algumas outras para serem finalizadas e fecharem um novo álbum. Uma banda que com certeza merece a nossa atenção.

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Menores Atos @2016

Chega esperada hora da Menores Atos. O baterista oficial da banda (Ricardo Mello) estava presente, mas ainda em fase de recuperação. O substituto (Felipe Fiorini) segue comandando a cozinha da banda sem prejudicar o instrumental.

Cyro, acompanhado de sua fiel escudeira Cort, deu início ao show com o tranquilizante tapping inicial de Animalia. Meus amigos, que energia! Tive a sensação de que todos sabiam as letras e cantavam em um volume respeitoso à voz do Cyro afim de não ouvir apenas as próprias vozes.

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O show arrebatou os corações presentes. É incrível a capacidade deles de fazer como se as músicas tivessem sido feitas individualmente para cada um ali. Muitos choraram sem nenhuma vergonha de demonstrar emoções enquanto berravam ou cochichavam as letras. A primeira grande participação do público veio ao final de Transtorno com o público fazendo um coro de “PREPARAR, APONTAR! PUXANDO O GATILHO!”. Na saideira Sereno, uma parte dos vocais é feita pelo baterista que, como dito anteriormente, estava presente, mas não pôde tocar por estar se recuperando de problemas de saúde. Se aproximando da parte dele, eis que sobe no palco uma pessoa da plateia e tem o microfone cedido por Cyro para, junto com o restante do público, cantar energicamente a parte do Ricardo. Em meio à stage dives, o participante devolve o microfone ao pedestal e desce (também com stage dive) do palco. Se aproxima onde seria uma outra participação de Ricardo e sobe uma outra pessoa para puxar o coro novamente. Foi uma linda noite. Garanto que sentirei uma dor no peito caso eu perca futuras oportunidades de assistir Menores Atos novamente. Por isso, caro leitor do RIFF, vá o quanto antes assistir a esse trio. Você merece.


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