Rádio Cidade e o seu segundo adeus

Por Felipe Sousa | @Felipdsousa

Umas das mais importantes rádios do Rio de Janeiro (e a única de rock), a Rádio Cidade FM, que vinha com programação retomada na frequência 102,9 desde 2014, chega ao fim mais uma vez.

No dia 21 de julho de 2016 foi confirmado que a partir dali a Cidade não teria mais locução, passando a transmitir só música, e que dia 1º de agosto sairia do dial por completo.

A notícia, que vem sendo um grande baque pros fãs de rock, foi confirmada no perfil da Rádio no Facebook:

“Prezados ouvintes, lutamos ao máximo, mas infelizmente é difícil sobreviver com o rock. O mercado brasileiro se adapta melhor a outros segmentos. A partir de 1° de agosto estaremos em radiocidade.fm ou no App. Obrigada pelo carinho com a Rádio Cidade”

Durante sua programação, cada programa também foi se despedindo de sua audiência. Nas redes sociais, integrantes e admiradores da rádio manifestaram a tristeza com a notícia e comunicaram aos seus ouvintes o fim de mais um ciclo. (leia abaixo)


Nina Lessa (Rock Bola):
“Sei que as coisas passam e espero que coisas boas surjam em nossos caminhos, mas a @cidadeoficial é minha casa, sou fã desde criança, sabem?”


Pamela Renha (Hora dos Perdidos):
“Alooooha!

A Hora dos Perdidos termina hoje. Fico feliz por ter feito parte dessa história e por compartilhar tantos momentos. A gente conseguiu realizar a melhor tarefa de todas, fazer as pessoas rirem.

Quero agradecer aos ouvintes por terem nos dado tanto carinho, pelos abraços, pelas gargalhadas. E muito, muito, muito obrigada Zeca Lima, Jean Carlo Vieira, Paulo Oliveira e Pedro Fernandes! Admiro muito vocês e tenho muito orgulho por ter dividido e multiplicado tantas histórias! ❤👊 “


Tico Santa Cruz (Detonautas):
“É uma rádio que ao longo desses dois últimos anos em que esteve no ar representou muito bem, oferecendo espaço pra bandas novas, tocando clássicos do rock, tocando bandas nacionais.”

“Essa derrota pro rock nacional é uma derrota pra cultura.”


Dinho Ouro Preto (Capital Inicial):
“Putz! Acabaram de me mandar essa notícia. Essa doeu no coração. Que pena, que tristeza. A Rádio Cidade nos acompanha desde o nosso começo, há milênios atrás. Um monte de gente vai ficar órfã. Mas roqueiros cariocas, não desanimem, o rock é parte de nós tocando no rádio ou não. Aliás, esse momento lembra nossas raízes; quando começamos não havia rock em lugar algum. Não estava na tv, nem no rádio, mas pra gente tanto fazia. Vamos acabar migrando pra internet, talvez isso acabe fazendo com que nós nos tornemos mais unidos……todas as tribos. Respeito outros tipos de música, mas só ouço rock e pra mim não faz muita diferença o q tá no ar ou não. Se ficarmos circunscritos a menos menos espaço, que assim seja. Vida longa ao rock’n’roll……gringo e brasileiro.”


A Rádio Cidade, que foi fundada originalmente em 1977, sendo propriedade do grupo Sistema Jornal do Brasil (Que ainda detinha outras rádios), teve sua primeira “queda” em 2006. Na época foi substituída pela Rádio Oi FM. E logo em 2012 o canal 102,9 foi ocupado pela paulista Jovem Pan. Essa, no entanto, não teve tanto sucesso junto aos cariocas, enfrentou problemas financeiros, e assim, deixou o canal novamente vago em 2013.

A volta da Rádio Cidade como conhecemos hoje, aconteceu em março de 2014 com a campanha #VoltaRádioCidadeRJ. Com grande apelo nas redes sociais dos apaixonados pela emissora, e contando com apoio de grandes nomes da música nacional (como Tico Santa Cruz, Pitty e Raimundos), a Rádio voltou a ocupar a frequência 102,9 de forma totalmente independente.

Nessa segunda etapa, a Cidade teve belos momentos; um deles aconteceu em dezembro de 2015 quando emissora conquistou quatro troféus no Prêmio de Rádio Rio 2015: Melhor Rádio, Melhor Locutor (Demmy Morales), Melhor Programação MusicalProgramador Musical (Alessandra Prado). E no dia 24 março de 2016, em comemoração aos dois anos de sua volta, a Cidade organizou uma mega festa, que contou com gigantes do rock nacional, como Detonautas, Suricato, Scalene e CPM 22 e fizeram um baita espetáculo digno do tamanho do aniversariante.

Em contraste a isso, a Rádio Cidade retornando ao dial em 2014, adotou um perfil mais jovem e com linguagem de locução que muitos criticaram por “não ser compatível ao segmento rock”. Essa era uma das principais críticas que a Cidade recebia, além de ser questionada sobre sua programação recheada com clássicos “se igualando à rádios hit-parade”.

Outra polêmica em meio aos críticos era por a rádio ter muitos integrantes que não eram especializados em rock, o que pra eles descaracterizava a rádio de sua ideologia original.

Depois de tudo, em meio à dificuldades e muitos momentos bons, a Rádio Cidade sai novamente do ar. Deixando órfãos não só os ouvintes amantes de rock. Mas também diversas bandas que bravamente lutam pra sobreviver (e não é fácil) de rock nesse país. Bandas que tinham a Cidade como oportunidade pra compartilhar suas poesias e riffs com a galera, e fazer valer seus sonhos tocando no coração de cada um que os ouviam. Porque era esse o papel que a Cidade vinha fazendo de forma grandiosa.

Uma notícia triste pros ouvintes, pras bandas, pras diversas pessoas que faziam a Rádio Cidade. Mais uma vez ela nos deixa, mas sempre vai ficar na alma de quem curte rock. E sempre estaremos prontos pro seu retorno. Que seja logo!


Acompanhe aqui a programação online da Rádio Cidade e pelo Facebook.

Resenha: LM.C @Anime Friends

Por Pedro Karps | @Soba1k | Fotos Yamato/Anime Friends

Domingo, dia 17 de julho, último dia de Anime Friends. Costuma ser o dia mais lotado, mas considerando que dessa vez fui apenas pra prestigiar o show, pelo horário uma das coisas boas foi poder me guiar sem mapa até o local, seguindo o fluxo da galera que já estava voltando pra casa antes do frio. Infelizmente perdi o show do Nobuo Yamada devido a chuva forte no dia anterior, mas dessa vez não perderia o show de volta do tão aguardado LM.C!

Eles já vieram ao Brasil algumas vezes (2009 e 2012, se não me falha a memória) e, com um tom animado nas musicas, conseguem muito bem cativar um publico mais jovem e ligado na cultura pop japonesa de maneira geral, tendo contribuído diversas vezes com algumas aberturas de séries bem queridas pelo mundo todo.

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Chegando lá, encontrei com umas amigas que iam super animadas pra hot-zone, bem de frente pro palco. Fiquei mais pro fundo, nas pista normal, e mesmo assim dava pra assistir ao show muito bem, tinha bastante gente, ainda mais considerando que era a última atração do evento, só ficou quem tava bem afim de ver a banda.

Um pouco antes, a Yamato baixou as luzes e exibiu um vídeo countdown mistério, oficializando a vinda do Flow, outra banda querida pela galera, numa futura tour latino-americana por volta de dezembro.

Logo alguns minutos, super expectativa do púbico, as luzes abaixam, sobe uma fumaça no palco, geral chamando a banda empolgado, e eis que naquela super pose que as bandas japas costumam fazer, entram ao palco Aiji com sua guitarra com a ilustração de chamas ao som de No. 9 (ver. SGLB), seguido do vocalista Maya, apontando pra todo o público já pedindo pra geral pular com vários “Jump! Jump! Jump! …” e logo engatando direto na Oh My Juliet, para delírio dos fãs, ainda mais por ser uma das mais famosas da banda. Em paralelo, não consegui deixar de reparar que o visual deles estava mais maduro, diferente das cores coloridas e cheias de arco-íris, misturado com caveirinhas meio dark-oshare-kei dos lançamentos anteriores.

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Mas quem sabe faz ao vivo né, Aiji tocando bem empolgado, Maya puxando o público mostrando uma presença de palco que vários ocidentais poderiam aprender bastante. O áudio estava ótimo, guitarra forte, baixo audível, vocal clean mesmo com algumas distorções, tudo bem equalizado, aquela hora em que você fecha os olhos e fica absorvendo cada linha de som sem interferência alguma. Sou desses. Logo entrou Rainmaker, musica recente, num tom de palmas e puxando bem pruma pegada meio ska punk (só faltaram os trompetes né), seguida de Ghost Heart numa onda mais rapidinha, aproveitando pra galera se mexer mais. Deu pra perceber um momento em que os roadies tavam ajudando a evitar um problema com a guitarra, mas a galera tava tão concentrada que nem deu pra ver. A essa altura de show, tava um clima tão legal que nem dava mais pra sentir frio! E nessa música, dava muito bem pra ouvir o pessoal lá na frente acompanhar o refrão.

Ao fim dela, apesar da já ter agitado a galera entre uma música e outra, rolou uma pausa prum MC do Maya, agradecendo ao público por estarem ali com eles, perguntando se o pessoal estava se divertindo, e se desculpando por não falar bem em inglês. Uma tradutora apareceu logo em seguida e ajudou. Ele falou que também curtia anime, e que levaram aproximadamente 33h de viagem, mas ficaram bem felizes de ver a empolgação. “A gente quer sentir o amor de vocês, do pessoal que gosta de anime, do pessoal que esta conhecendo o LM.C hoje, que todo mundos e torne um, hoje, nesse dia especial!” já fazendo o público ficar íntimo da banda, e engatando um “Hey everybody , we don’t stop and go!! We can’t get no satisfaction!! da MONROEwalk, com clima mais melódico, quase aquelas musicas pros próprios músicos ‘descansarem’ durante o show. Depois desse ‘descansinho’, já entrou num pé forte a MOGURA, bem mais pesada e num tom de diversão com os roadies pelo palco segurando pompoms fluorescentes.

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Aproveitando os vários pulos, Maya já pegou uma meia-lua e, cheios de “yeahyeahyeah!”, mandou um “rapping” empolgante da Just like This!!, fazendo todo mundo dançar junto e bater palma. Puta presença de palco, já tava fazendo o show valer a pena. Rolou mais um MC, falando que o publico era muito enérgico, dizendo que ia voltar pro Japão comentando que geral foi do caralho mandou muito bem (o que de fato aconteceu, aqui no blog oficial do Aiji ), e mandou a Hoshi no Arika, seguido da Super Duper Galaxy sem nem um sinal de cansaço!

Mais uma pausa rápida, mas dessa vez pra perguntar, assim como quem ja sabe a resposta, se a “galera, vocês conhecem o anime …Reborn?!” (“Katekyō Hitman Reborn!” cuja banda tinha feito uma das musicas tema), e foi o bastante pra todo mundo gritar empolgadaço! “Next song, is… 88!”. Não bastando isso, ele ainda estendeu o microfone ao público só pra ouvir um acapella do comecinho da musica. “C’monSaonPaoro!!” animadaço cantando com a galera. Esses caras sabem pro que vieram.

“Vocês aguentam mais?” o Maya mexia com o público, “vejo várias pessoas de cosplay por aqui, será que vocês sabem o que ‘saikou’ significa?”.

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Saikoooooou!! (a tradução dessa palavra fica aproximadamente como “mais alto!”, “mais MAIS AINDA”, ou num bom PT-BR não literal: “VAMO QUEBRAR TUDOOO!!“) entrando We are LM.C! logo em seguida, com uma coreografia que puxava o público pra girar as toalhas com o logo de comemoração dos 10 anos da banda.

Muita cena, o que incluiu o Maya descer do palco e encostar pela hot-zone em contato direto com os fãs, levando todos a um delírio vívido ate demais pra quem nem imagina que essa galera do outro lado do mundo vá pisar no pais de novo. Let Me’ Crazy!! veio em seguida, mas tava um clima tão divertido que nessa hora até esqueci de tomar nota, junto do público pulando na empolgação.

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Depois de vários pulos, aquele momento de agradecimento, joga palheta, cospe água, lança baqueta, etc., num climão de “acabou mas já que tem mais”. Um tempinho passa e rola um MC em off, fazendo graça de que “não consegue ouvir o publico lá do fundo” enquanto os fãs clamavam com um “LM.C! LM.C! LM.C!”.

Eles voltam ao palco, e pra surpresa não só da banda mas do público, o staff da Yamato levou um bolo para comemorar o aniversário do Maya. Brinca com o público, que cantam parabéns pra você, enquanto ele ameaça jogar o bolo na plateia (bastante gente assustou de verdade), mas era só palhaçada. Passando o susto, publico pediu a Boys & Girls. Ele brinca que não conhece essa música, agradece pelo bolo e segue o MC perguntando o que faremos depois dali, se o tempo esta bom, e que se sente satisfeito por ver o público com cara de felicidade. “Daqui a pouco a gente volta pro Japão, mas vamos falar que vocês são demais! Continuem assim curtindo as coisas do nosso pais! Agora, quantas musicas vocês acham que falta?! Vamos la Brasil! Ikenoga?!/Vocês aguentam mais?!”

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☆Rock the LM.C☆ abriu o encore de maneira bem explosiva, ainda mais por ser uma das musicas mais queridas dos fãs, puxando geral do chão, jogando água no publico, enquanto os roadies entram com duas bandeironas pra lá e pra ca no palco. Num “If you say so…” Boys & Girls veio logo em seguida pra fechar com chave de ouro nos corações dos fãs. Vários agradecimentos, varias palhetas, pessoal se matando par conseguir algum momento dos artistas, muito suor e lágrimas de felicidade por parte do hot-zone e do publico na pista aberta.

Pra mim que não esperava muita coisa, o show foi BEM mais legal do que imaginava, apesar de alguns fãs mais fervorosos terem sentido falta de Punky ♥ Heart, também uma favorita, ninguém ficou decepcionado com o evento. Deixo aqui meus parabéns pra Yamato a respeito da estrutura do palco, permitindo a regulagem super tunada do staff oriental sem inconveniência alguma durante a apresentação.

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1. No. 9 (SGLB)
2. Oh my Juliet!
3. RainMaker
4. GhostHeart
5. MonroeWalk
6. Mogura
7. Chameleon Dance
8. Just like this
9. Hoshi no Arika
10. 88
11. We are LM.C
12. Super Duper Galaxy
13. Let me Crazy
– Bis –
1. Rock theLM.C
2. Boys&Girls

Fonte: LM.C Brasil

Resenha: Shut Up! Twist Again!, Memorial, Def @Camelo Azul

Por Alan Bonner | @Bonnerzin | Fotos Marcos Lamoreux

Continuando nossa incansável busca por picos de música independente, fomos no último sábado (23/7) ao bairro do Rio Comprido, Zona Norte do Rio de Janeiro, para curtir um dos últimos roles da (em breve finada) Bichano Records no estúdio Camelo Azul. A noite nos trouxe um dos últimos shows da tour brasileira da Shut Up! Twist Again! (França), além do debut da da Memorial (Curitiba/PR) em terras cariocas e de mais um show da queridinha do Canal RIFF, a Def (Rio de Janeiro/RJ). Não faltou cerveja gelada, gente maneira e muita interação com todo mundo, em um role que foi um dos mais agradáveis que tivemos o privilégio de comparecer nesse ano.

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Os cariocas da Def abriram a noite mostrando o porquê de estarem em nosso “Spotlight” esse mês. A banda chegou para tocar no Camelo Azul após uma passagem por Belo Horizonte e parece estar aprendendo bastante com a experiência em diferentes palcos e cidades. Em uma evolução notável em relação ao último show que cobrimos, Deb F (vocais e guitarra), Dennis Santos (bateria e vocais) Nathanne Rodrigues (baixo e vocais) e Matheus Tiengo (guitarra e vocais) fizeram um show bastante sólido, superando as limitações sonoras do local. Com uma dupla de guitarras com efeitos e riffs muito interessantes, linhas de baixo nada óbvias e uma bateria que lembra a potência dos que já passaram pelo Queens of the Stone Age, a banda entrega uma performance ao vivo tão boa quanto é seu material de estúdio. O que chamou atenção também foi a interação com o público, que foi intensa em relação ao que vimos da tímida banda em outras ocasiões. Com toda essa evolução e os EPs que ainda estão por ser lançados, é certo que o fã de rock ouvirá falar muito da Def nos próximos meses.

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Enquanto a Memorial recarregava as baterias da longa viagem de Curitiba para o Rio, a Shut Up! Twist Again! assumiu os instrumentos. E o que se teve a partir de então foi quase uma hora do show mais divertido que presenciamos esse ano. Ao ouvir as faixas do álbum “Wild and Wicked (What We Worked For)”, o último da banda, fomos contagiados pelo punk rock explosivo de Jerome Etchepare (vocais e guitarra), Jhonny de Sousa (guitarra e vocais), Thomas Piton (baixo) e Lucha Pms (bateria). Mas ao vivo isso se materializa em uma energia contagiante dos membros da banda, que, somado ao som pesado e ritmado, fizeram a parede do estúdio suar, literalmente. Parte do público aproveitou para desenhar palavras de ordem e de amor nos vidros embaçados, enquanto o restante proporcionava um dos crowd surfings mais animados e curiosos que já vimos, a despeito do espaço pequeno do estúdio. Enfim, o show foi uma experiência única e surpreendente, daquelas que só quem foi sabe como é e vai se lembrar para sempre.

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O ato final da noite ficou por conta da Memorial. E a apresentação foi muito além de tocar as músicas do excelente “Angústias Trazidas Para Casa”. O show teve uma carga emocional ainda maior além da contida nas canções dos curitibanos. Foi o gran finale de uma viagem que envolveu carro quebrado, atropelamento de pneu de caminhão, revista policial e outras emoções. Em breve eles mesmos explicarão essa história toda em um vídeo do Canal RIFF. O que importa é que, apesar de todos os problemas, era nítida a alegria da banda de estar tocando no Rio. E tocando um som de muita qualidade! O “grunge emo” confessional e cru de Gustavo Santos (vocais e guitarra), Michel Martins (vocais e guitarra), André Pamplona (baixo) e André Siqueira (bateria) fez a galera soltar a voz em quase todas as letras da banda, que saiu muito satisfeita do show, declarando que “foi o melhor da banda desde então”. Mal sabem eles que a felicidade foi toda nossa de acompanhar essas histórias, conhecer essas pessoas e escutar essas bandaças. Que os franceses e os curitibanos voltem mais vezes ao Rio (sem perrengues da próxima vez, por favor!) e que a Def rode ainda mais o Brasil mostrando seu belo som. Os fãs de rock agradecem!

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Resenha: Vitor Brauer e Def @Swing Cobra

Por Alan Bonner e Guilherme Schneider | @Bonnerzin @Jedyte | Fotos Lucas Santos

Coletivos artísticos costumam ter uma sede, uma base, um local onde tudo é planejado e até mesmo executado, em alguns casos. Esses locais são símbolos da resistência desse tipo de movimento, que costumam encontrar dificuldades enormes de fazer com que seu trabalho reverbere e chegue a mais pessoas. É essa luta que o Swing Cobra, coletivo carioca formado por membros de Ventre, Hover e Stereophant, resolveu travar. E seu primeiro ato aberto ao público foi realizado três sextas-feiras atrás (08/7), na sede do coletivo, localizado no bairro da Tijuca (Rio de Janeiro). Para tal, foram convidados os cariocas da Def e o mineiro Vitor Brauer. Além disso, a noite contou com uma exposição do fotógrafo Pedro Arantes e com um DJ set dos membros da Ventre.

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Def @2016

Aconchegante, o QG do Swing Cobra esteve super-lotado em sua estreia. No show da Def a sensação era bem próxima a de estar em um ônibus lotado – tamanha a quantidade de gente por metro quadrado. Contando apenas com iluminação de pisca-piscas natalinos, o primeiríssimo show desse novo ambiente foi especial. Afinal, mesmo com pouco tempo de estrada, a banda carioca já conta com um carinho de um público que realmente consome música e vive a cena. Apesar de um EP lançado há pouco tempo, o “Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia (Parte 1)”, os presentes já cantarolaram trechos de Sobremesa e Dissolvendo. É emocionante presenciar o nascimento de um grupo com tanto potencial e talentos individuais.

Logo após o show da Def e de mais uma volta na casa para conhecer melhor o espaço, fomos para o estúdio bem no momento em que Vitor Brauer plugou seu violão e começou seu show. E o que tivemos a partir de então foi quase uma hora de uma apresentação mais intimista impossível. A sensação que ficou é que um amigo da galera que veio de longe puxou um violão, fez uma roda e começou a cantar várias canções de sua autoria. Na verdade, foi exatamente isso que aconteceu. Vitor é praticamente um dos pais da atual cena independente de Belo Horizonte, a famigerada “Geração Perdida”, sendo o frontman da banda mais influente e renomada do movimento, a Lupe de Lupe. Em seu set, o valadarense tocou músicas de sua banda e de seu trabalho solo, acompanhado pelas vozes de quase todos os presentes. Foi algo pequeno, mas que teve pinta de coisa grande. Vitor foi além de simplesmente um “voz e violão” e fez algo que podia parecer um mise-en-scène, mas era tudo muito sincero. Ele contou histórias, interagiu com a plateia e fez piada de si mesmo quando algo dava errado. Uma performance digna de alguém tão vanguardista como Brauer e condizente ao que a Swing Cobra quer ser: um local para “agregar, compartilhar, produzir e reproduzir” arte, das mais diversas formas e com muita qualidade.

Resenha: Altera, Audionova, Zimbra e Selvagens à Procura da Lei @Teatro Odisseia

Por Natalia Salvador | @_salvadorna

No último sábado (23/7), o Teatro Odisseia reuniu mais uma vez bandas da cena independente para um público inicialmente pequeno e tímido. O (péssimo) hábito de encher a casa para as últimas apresentações da noite parece ser difícil de mudar.

Aos 45 do segundo tempo, a banda Altera entrou no line-up e chegou como show surpresa. Por volta das 17h os paulistanos subiram no palco, cheios de energia, para mostrar as músicas lançadas recentemente no EP de estreia – homônimo. Apesar de o público ainda estar chegando ao evento, os presentes não fizeram feio e marcaram a primeira apresentação da banda na cidade maravilhosa.

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Logo em seguida, quem subiu ao palco foram os cariocas da Audionova. Com um som mais calmo, cantaram e encantaram os (muitos) casais e famílias presentes. O trio é cheio de sintonia e mostrou que quantidade não é nem de longe sinônimo de qualidade. Os caras ainda trouxeram um cover de Arctic Monkeys, ‘R U Mine?‘.

Quando as luzes do palco se acenderam em tom de azul, era sinal de que os santistas da Zimbra estavam chegando para apresentar as músicas do disco novo, “Azul“. Com uma quantidade maior de presentes, a galera acompanhava o vocalista, Rafael Costa, que, mesmo sem guitarra por algumas músicas, mostrou para o que vieram. Com a licença do trocadilho, o público “reagiu bem” à apresentação de ‘Trem‘ e tinha todas as letras na ponta da língua. Vale comentar que os instrumentos de sopro dão um toque especial à apresentação e músicas.

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Os cearenses da Selvagens à Procura de Lei foram recebidos com palmas pela galera, que acompanhou o show pulando do início ao fim. As quatro vozes se complementam no palco e acabaram ganhando uma forcinha a mais vinda da plateia. Em ‘Mar Fechado’, por exemplo, amigos se abraçaram e cantaram juntos. Na hora de ‘O Amor é um Rock 2′, a tradicional rodinha punk se manifestou e seguiu até o fim. Na última música, ‘Mucambo Cafundó’, Gabriel Aragão virou o microfone para a galera, que encerrou com a energia lá no alto. Mais uma vez, o público carioca mostrou que a banda pode (e deve) voltar mais vezes ao Rio de Janeiro.

Resenha: Far From Alaska, Stereophant e Hover @Imperator

Por Alan Bonner | @Bonnerzin | Fotos @GustavoChagas

Em tempos de fim da Rádio Cidade/RJ e com os meios de comunicação mais populares dando cada vez menos espaço para o rock e suas vertentes, uma pergunta ronda a cabeça de quem é fã do estilo: o rock está “morrendo”? Bem, para quem esteve no Imperator (no bairro do Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro) no último dia 13/07 a resposta, com certeza, é não. E quem justifica a resposta são as arrebentadoras Hover, Stereophant e Far From Alaska, que comemoraram o Dia Mundial do Rock com uma festa inesquecível para quem estava lá.

Quem abriu os trabalhos foi uma das favoritas do Canal RIFF. Os petropolitanos da Hover entregaram, como esperado, um ótimo show, com um setlist dominado por músicas do álbum “Never Trust The Weather”. A banda mostrou, em sua segunda passagem pelo palco do Imperator, que já está mais do que pronta para os grandes palcos e públicos, pela boa presença de palco e pela boa música que fazem ao vivo.

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A seguir, os cariocas da Stereophant subiram ao palco para um show que fez os presentes se empolgarem muito! Vimos mosh pits, refrões cantados em voz alta e uma interação bastante próxima com o público, que parece já acompanhar a banda há tempos. E, claro, uma sonzeira absurda, com destaque para a guitarra criativa de Vinicius Tibuna. Com certeza, o show mais divertido de se assistir da noite.

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Por fim, tivemos a banda que, junto da Scalene, vem encabeçando o novo front de batalha do rock brasileiro e que vem mostrando que o estilo está longe de estar acabado por aqui. Trata-se dos potiguares da Far From Alaska, que estão lotando casas ao redor do Brasil (e do mundo, tendo ganhado o prêmio de banda revelação no MIDEM Festival 2016 e feito vários shows nos EUA). E não é por acaso. A banda faz no palco um som bem semelhante ao que é o álbum de estúdio “modeHuman”. A qualidade dos músicos impressiona bastante, sem contar no carisma incrível de toda a banda, principalmente da vocalista Emmily Barreto. Um show obrigatório para o fã de rock do mundo todo.

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Quem diz que o rock está morrendo ou que não tem mais espaço talvez só não compreendeu ainda que os tempos mudaram e ele ocupa outros lugares. Não está mais na TV e no rádio. Está na internet, e, principalmente, num lugar onde sempre esteve: nas casas de shows. Sejam elas pequenas, médias ou grandes. Distantes ou próximas. A melhor maneira de se experimentar o rock é pessoalmente, frente a frente, ao vivo. Essa é a melhor forma de se apoiar as bandas (em todos os sentidos, principalmente o financeiro) e manter viva a chama desse estilo que amamos. Portanto, quem ainda tem dúvidas precisa parar de se questionar e ir até as bandas e os shows, para que a pulsação se mantenha e nosso querido rock não morra.

Resenha: Nove Zero Nove, Syren, Cara de Porco e No Trauma @Roquealize-se | Marechal Hermes

Por Igor Gonçalves | @igoropalhaco | Fotos: Jefferson Braga

Riffeiros, sábado (16/7) foi o dia do Roquealize-se! O vacilão que vos escreve se deslocou até Marechal Hermes para assistir (parte) desse festival que comemorou três anos de existência. Já começo com um pedido de desculpas às duas primeiras bandas (Back in Drive e Intrépida), já que não consegui chegar a tempo de assistir e deixo prometido aqui minha presença em futuras oportunidades.

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Syren @2016 | Jefferson Braga

Sem quaisquer sons de sirene, Syren subiu ao palco. A banda (que já é bem conhecida no underground, elogiada por famosos músicos e produtores internacionais e com uma turnê na América Latina na bagagem) apresentou um heavy metal seguro, bem característico e com uma poderosa setlist composta por dois álbuns já lançados. O vocalista tem uma voz poderosa e o guitarrista dá conta dos solos já esperados no gênero. Senti falta de uma segunda guitarra para adicionar peso ao som. Essa questão de adicionar novos membros é mais complicada do que parece. Vai além de encontrar um guitarrista bom. O quesito mais importante na verdade acaba sendo entrosamento. Gostei muito da Syren e com certeza irei à futuros shows. Vou torcer para que encontrem (se estiverem procurando) um guitarrista base pois seria (na minha opinião) uma excelente adição!

Algo que me surpreendeu muito no evento foi a quantidade de famílias formadas que compareceram. Crianças corriam para todos os lados, mas principalmente entre os brinquedos que foram postos ali na praça. Isso com certeza contribuiu para o clima alegre do evento. A organização do evento disse que achou muito importante ver a futura geração ali presente. Algumas das crianças podem muito bem se tornar público desse festival e de outros semelhantes quando a hora chegar. Segundo os organizadores do evento (Renan Sparrow, Alysson Bravo, Henrique Ralsi, Indio Dimc, Paula Puga e Thays Gabrielle), com certeza foi o maior público geral dentre as edições do festival.

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Nove Zero Nove @2016 | Jefferson Braga

Em seguida, a queridinha da Lapa assume o palco. A Nove Zero Nove (Spoiler alert: em breve terá material conosco no YouTube e uma singela entrevista com a Presidenta! #descubra) já havia conquistado meus ouvidos com seu (auto-intitulado) rock alternativo e suas letras extremamente presentes. O show foi arrebatador. A presença de palco absurda deles torna impossível que você não, no mínimo, balance a cabeça. Teve roda. Teve sing along. Teve emoção. O instrumental é de qualidade e… Enfim. Conquistaram mais um fã.

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Cara de Porco @2016 | Jefferson Braga

A eficiência da Cara de Porco em unir os sentidos das palavras amor e violência é absurda. O show punk da banda se resume à uma roda digna do gênero, figurinos exóticos e muita… MUITA energia gasta. Cheguei a tomar uma generosa cotovelada no rosto e perdi um pouco de sangue no meio da roda, mas como diz o lema e refrão da banda: “Quem tá no rock, é pra se fuder!”. Eu descreveria a Cara de Porco como “hematomas divertidos”. Já o guitarrista da banda (Lucas Rodrigues) disse que descreveria a banda como “nada agradável” (o que me fez lembrar da cotovelada…). Mesmo com o prejuízo, o show terminou e deixou um claro sentimento de “quero mais”.

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No Trauma @2016 | Jefferson Braga

No Trauma foi a última banda da noite e já teve problemas causados pela chuva ainda durante a montagem do palco, o que afastou o público menos compreensivo e paciente. Após os impedimentos climáticos, os mais sábios e pacientes foram recompensados com a excelência da que considero uma das melhores e mais profissionais bandas do underground nacional. O Viva Forte Até o Seu Leito de Morte (álbum lançado no final de maio) está um prato cheio para os metaleiros de plantão. As qualidades sonoras e técnicas das músicas são surpreendentes! O ao vivo das músicas é ainda melhor.  A bateria microfonada e o peso vindo da guitarra e do baixo se somam com o gutural e deixam o headbanging ainda mais prazerosos. Você que tá passando pela bad, invista seu tempo num show da No Trauma. As letras lhe arrancarão de lá e o instrumental colocará seus ânimos lá em cima!

Fiquem ligados contarei nos próximos dias como foi minha aventura por Guapimirim com Surra (SP), Maieuttica (RJ), Sobcerco (RJ) e outras no último domingo.

Cinco motivos para não perder o Matanza Fest!

Por Alan Bonner | @Bonnerzin

Um dos festivais de rock mais insanos do Brasil está rumando mais uma vez para o Rio de Janeiro. E quem é fã de música extrema pode reservar o sábado (23/7) na agenda e preparar o ouvido para a pancadaria sonora que vai rolar no Matanza Fest na lona do Circo Voador! Vem com o Canal RIFF que nós te damos cinco razões para não perder essa.

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1 – A abertura da noite fica por conta dos Monstros do Ula Ula. O nome pode soar novo para quem não acompanha a cena underground há muito tempo, mas trata-se do retorno de uma banda lendária do cenário carioca, composta originalmente por antigos membros do Planet Hemp e do próprio Matanza. E o melhor lugar para essa volta só podia ser o Circo! O punk rock com pegada surf music dos caras com certeza vai agradar aos mais novos e matar a saudade dos mais velhos que conheceram a banda em seu início, na década de 90. É pra encher a casa logo cedo!

2 – Teremos também uma das bandas de maior destaque recente do metal brasileiro. A Hatefulmurder vem fazendo um barulho considerável desde seu início e tem só expandido seus horizontes. Turnê latino-americana, abertura de shows de gigantes como Ratos de Porão, Krisiun, Kataklysm, Exodus e Killswitch Engage, álbum lançado pelo histórico selo Cogumelo Records… Nem a saída do seu primeiro vocalista, há menos de um ano, fez com que a banda perdesse o fôlego. O que os fãs de metal podem esperar é um som muito técnico pela ótima qualidade dos músicos (olho no baterista Thomás Martin!), encabeçados pela voz raivosa da nova vocalista, Angelica Burns. É pra chamar atenção até mesmo de quem não curte muito o estilo. Bandaça!

3 – Outra atração da noite é uma instituição do rock nacional. Com quase 40 anos de existência e muitas idas e vindas, os paulistas do Cólera vão fazer com que a noite seja épica só por ainda estarem de pé e tocando alto como sempre. A banda vai trazer seus clássicos para o palco do Circo, honrando o legado do falecido frontman e letrista da banda, Redson Pozzi, e com a energia e entrega no palco que o Cólera sempre apresentou ao longo da sua carreira. Será imperdível não só por ser um grande show, mas por tudo o que a banda simboliza para o punk rock brasileiro.

4 – Por fim, teremos os porradeiros do Matanza! O que dizer desses caras que, além de todo peso, de todas as letras cômicas e sarcásticas, de todo tempo em alta no rock brazuca sem deixar a peteca cair, ainda tem a moral de fazer um festival itinerante como é o Matanza Fest? Esse motivo é dois em um! Tem que respeitar muito o som do Matanza e a iniciativa dos caras de levar música boa para as maiores cidades brasileiras.

5 – O último motivo é a galera! O Matanza Fest tem feito sucesso não só pela qualidade das bandas, mas também pelo público que chega junto em todas as cidades do Brasil onde rola o festival. Público esse que agita MUITO, mas que, acima de tudo, respeita demais os limites e o espaço de cada um dos presentes. Portanto, vá preparado para bater cabeça e entrar em rodas do primeiro ao último acorde, mas vá tranquilo, pois consciência e respeito ao próximo não vai faltar. Nos vemos lá!

Matanza Fest