Arquivo da tag: Rio Novo Rock

Resenha: Alaska + Two Places at Once @Imperator

Por Thaís Huguenin | Fotos: Natalia Salvador

Mais um mês e, consequentemente, mais um Rio Novo Rock, evento que acontece no Imperator, localizado no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro. Os responsáveis pela edição de Março, a terceira do ano, foram os cariocas da Two Places at Once e os paulistas da Alaska.

Com um pouco mais de dois anos e meio, o Rio Novo Rock se consolidou no cenário de bandas independentes brasileiras. Além de abrir espaço para grupos cariocas, eles buscam trazer bandas de outros estados e entregam algo que faz bastante falta hoje em dia: uma boa infraestrutura aos músicos e ao público.

IMG_2477
Two Places at Once @2017

Sempre pontuais, o show da Two Places at Once começou um pouco depois das 21 horas e trouxe músicas do disco lançado no início de 2016, ‘Birdtraps’. O quarteto formado por Renan Rocha (voz e guitarra), Rodrigo Soares (guitarra), Juan Salinas (baixo) e Victor Barbosa (bateria).  mistura leveza e suavidade com muita energia.

Portando os mais respeitáveis bigodes da noite, a Alaska subiu no palco um pouco antes das 23 horas. Quem acompanha a banda nas redes sociais pôde perceber toda animação que estavam para voltarem ao Rio de Janeiro e, talvez por esse motivo, fizeram uma das melhores apresentações deles aqui.

IMG_2736.jpg
Alaska @2017

Com um show que levantou a galera, eles foram acompanhados do início ao fim pelo público que cantava com animação as músicas do CD ‘Onda’, lançado em agosto de 2015.

Para ajudar na canção Correndo com Tesouras, os meninos contaram com a participação especial de Saulo Von Seehausen, vocalista e guitarrista da banda Hover. Surpreendendo os fãs, eles tocaram O Resto é Silêncio e como se não bastasse, fizeram uma releitura de Euforia, música frequentemente pedida nos shows e que sempre acabava fora do setlist .

IMG_2777.jpg
Alaska @2017

O fim da apresentação da Alaska costuma ser marcada pelo coro de Vista, e não foi diferente dessa vez, a plateia acompanhou em alto e bom som os músicos. No fim, rolou a famosa invasão do palco, fechando com chave de ouro essa noite!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Anúncios

Resenha: Overdrive Saravá e Ego Kill Talent @Imperator

Por Júlio Deviante

Já não é de hoje que citamos que o Imperator (Centro Cultural João Nogueira, para formalidades) está consolidado como o quartel general do rock no rio de janeiro. Além dos principais nomes do rock carioca, grandes representantes de diferentes vertentes do estilo em todo o brasil passam pelo Rio Novo Rock, a parada obrigatória de todo mês para quem curte descobrir ou encontrar bandas de qualidade numas das melhores, quiçá a melhor, estruturas do Estado.

Na primeira edição do ano de 2017 não foi diferente.

Ao anunciar Overdrive Saravá e Ego Kill Talent, o evento mostrou que apostava em bastante peso e uma mistura de propostas com bastante diversidade para a edição que abriria o ano. E assim foi.

O universo apelou para a estratégia de seleção natural por meio da chuva intensa, fazendo cair o mundo nos momentos que antecederam o início do evento. Mesmo assim o público que chegava foi muito bem recebido ao som de clássicos do rock, embalados pela carismática Dj Suirá, que mostrou muito feeling e conquistou o público ansioso, formado por muitos músicos locais, mas desenvolvido cada vez mais com a presença de pessoas não ligadas a cena musical da cidade.

photo_2017-01-16_12-27-49

Após uma introdução de clima denso, corpo fechado e munida de percussões firmes, a Overdrive Saravá iniciou o show com a canção “Atabaques e D’jembes”, canção escolhida também para o primeiro clipe da banda, lançando seu álbum homônimo, que foi disponibilizado em setembro de 2016.

Com um repertório que representa muita diversidade e críticas embasadas na história do Brasil, a banda passou com vigor mensagens fortes envolvendo temas como opressão cultural e desigualdade social. O Imperator foi preenchido com batuques que faziam fundo para o performático vocalista Gregory Combat, que transmitia com muito coração e autenticidade mensagens sobre os desafios de viver da arte.

Com versões de clássicas canções que apontam críticas sociais, como “João do Amor Divino” e “Construção”, a banda fez um show coeso finalizando com as canções “Ressuscita, Pataxó”, que faz referência ao índio Galdino da tribo Pataxó, assassinado em 1997, e “A vista do Vidigal”.

photo_2017-01-16_12-27-34

Apesar de ser a primeira apresentação da banda na cidade, não podemos dizer que a Ego Kill Talent começou sua história no Rio de Janeiro com o pé direito. Na verdade, os caras chegaram foi com os dois pés, no peito, de voadora. Numa apresentação impecável, a banda, que tem como diretriz a mensagem “ego demais vai matar seu talento”, deu uma aula de timbres e massa sonora, com muita qualidade em todos os quesitos, resultado do time de peso que a compõe. O nome Ego Kill Talent já era, há algum tempo, um dos mais aguardados para se apresentar no evento, que começa o ano deixando bem clara qual é a proposta do Rio Novo Rock, uma fuckin’ porrada nos ouvidos que dá gosto de levar. Obrigado.

Com uma configuração totalmente dinâmica, a Ego Kill Talent abriu os trabalhos com “Sublimated”, canção que também dá nome ao EP de 2015, e desde lá conquistou o público que venceu a chuva para cantar com muita energia todas as outras canções dos dois trabalhos dos galáticos integrantes, que interagiam entre si e com todos os que assistiam extasiados.

Pausas para troca de funções, constantes na apresentação da banda, passaram totalmente despercebidas. Aconteceram? Reza a lenda que sim, mas a qualidade, por exemplo, da bateria comandada por Jean Dolabella ou Raphael Miranda (que há poucos dias esteve no Imperator com o Medulla) nos deixa tranquilos para perceber o real sentido de tanto faz.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Theo Van der Loo e Niper Boaventura completaram o revezamento na cozinha, entregando um show impecável, que já faz parte do pódio de melhores apresentações da história do evento. A banda apresentou todas as canções de seus dois EPs, além de“Old Love andSkulls”, “Heroes, Kings andGods”, “Last Ride” e“Try, therewillbeblood”, que farão parte do novo álbum.

Sobre a voz de Jonathan Correa? Há quase 10 anos sem tocar no rio de janeiro (sua primeira e única apresentação em terras cariocas foi no canecão, em 2007) encontrou o inferno ao descobrir o céu, mesmo. É outro. Com uma performance lá em cima e absolutamente cativante, trouxe todos os expectadores para bem perto e baniu da noite qualquer timidez do público, que cantava todas as músicas da banda. Com uma postura absurdamente enérgica, com requintes de Eddie Vedder versão PINKPOP 1992, e uma linha vocal totalmente desgarrada da sua história com o REC, mostrou que realmente se foram os dias, mas a garganta continua em forma e a identidade do novo rumo já está mais que estabelecida.

A banda lança na próxima sexta-feira, 20 de janeiro, seu primeiro álbum, também com o título de Ego Kill Talent. Hoje agradou a internet o vídeo de “CollisionCourse”. A música, que mostra a Ego Kill Talent em conjunto com o Far From Alaska, dá uma prévia do tipo de som que vem por aí, criando expectativas muito boas para a massa roqueira em 2017. Confira abaixo:

A próxima edição do RIO NOVO ROCK, dia 2 de fevereiro,traz as bandas Rats e Mustache e os Apaches. Se você é ou estará no Rio de Janeiro, não deve perder. Parada obrigatória.

Resenha: Selvagens à Procura de Lei e Posada e O Clã @Imperator

Por Natalia Salvador | @_salvadorna | Fotos Marcella Keller

Se você gosta de rock e acompanha as bandas independentes do país, já sabe que a primeira quinta-feira do mês tem encontro certo, e é no Rio Novo Rock. Dando espaço para as bandas cariocas e também de outros lugares do Brasil, o evento é queridinho e se confirma, a cada edição, uma ótima opção para quem curte uma boa música. Para compor o line-up de outubro, o evento contou com a presença das bandas Selvagens à Procura de Lei e Posada e O Clã, além do DJ Burgos e o VJ Miguel Bandeira, que não deixaram a galera parada durante os intervalos.

image00005
Posada e O Clã @2016

Sempre pontuais, o primeiro show começou um pouco depois das 21 horas e concentrou o público próximo ao palco, que mesmo um pouco tímido acompanhava a apresentação dançante e diferente de Posada e O Clã. Felipe Duriez, da banda Hover, subiu no palco para somar com os posada e reafirmar o talento que todo mundo já conhece. Para introduzir Tijolo, Carlos Posada chamou atenção para as eleições que vão acontecer em grande parte das cidades brasileiras.

image00022
Selvagens à Procura de Lei @2016

A galera já estava ansiosa quando Selvagens à Procura de Lei foi anunciada no palco, a partir daí foi energia até o fim. A tour do disco recém lançado, Praieiro, chamou o público carioca para dançar mais uma vez. Em Projeto de vida, a euforia deu lugar às luzes de celulares e os clássicos isqueiros. A plateia ovacionava os cearenses e o baterista Nicholas Magalhães dizia o quanto eles estavam felizes em voltar à cidade maravilhosa, “A gente adora tocar aqui, o Rio de Janeiro é foda!”. Uma das surpresas do show ficou para a apresentação de Senhor Coronel, que ganhou as notas do teclado de Gabriel Aragão. Tarde livre e Mucambo Cafundó fecharam a noite.

Este slideshow necessita de JavaScript.

A felicidade não era apenas dos que estavam no palco, entre o público fiel e os músicos cariocas que prestigiaram o evento, o Imperator abraçou os cearenses para mais uma bela edição desse festival que merece o apoio de quem gosta de boa música. Quem já está ansioso pela edição de novembro? E se você perdeu Selvagens à Procura de Lei no Rio Novo Rock, ainda tem mais uma chance de conferir o show da banda. No sábado, dia 8, eles se apresentam na Kult Kolector e a festa vai contar com a presença da Planar e da Drops 96. Não dá pra perder, né?

Resenha: Bullet Bane e Helga @Rio Novo Rock/Imperator

Por Alan Bonner | @Bonnerzin | Fotos Gustavo Chagas

A noite foi de hardcore na edição de agosto do Rio Novo Rock! O evento mensal, sediado no Imperator (Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro) contou com os cariocas da Helga e o aguardado show dos paulistas da Bullet Bane. Além disso, tivemos a habitual pista de skate, as projeções visuais maneiríssimas do VJ Mad e muita música boa nos intervalos com a satanista, presidenta e baixista da Nove Zero Nove, Elisa Schinner.

A Helga abriu os trabalhos para um público até razoável por se tratar de um estilo que não tem um público tão grande. A banda de Vital (voz), Pedro Nogueira (guitarra), Daniel Machline (bateria) e Dave D’Oliveira (baixo) mandou os petardos do bom álbum “Ninguém Sai Ileso de Ninguém”, além de ótimos covers de Sepultura e Motörhead. Perfeito para aquecer a galera para o que estava por vir.

Este slideshow necessita de JavaScript.

E o que veio era nada menos do que um dos shows nacionais mais esperados por nós do Canal RIFF. A Bullet Bane subiu ao palco já com um Imperator apresentando um bom público, e trouxe consigo uma certa aura. Tal aura já nos era familiar, e os primeiros acordes já nos lembraram de onde ela vem. Era algo bem parecido com o sentimento que nos toma ao ouvir a “Impavid Colossus”, o último álbum da banda. Mas não exatamente o mesmo. Ao vivo, a impressão é que o som se materializa, toma forma e dimensão de um Colosso, que vai juntando banda e plateia numa unidade que passam a pulsar como uma coisa só dali para frente. E não é viagem não, eu juro. Ouvir aqueles acordes, com aqueles timbres e aquelas distorções pessoalmente é outra história. É meio que contemplar algo bonito se construindo, aos poucos, quase como num sonho. Sonhamos tanto que ouvimos até eles tocando uma música da menores atos, com a participação do seu vocal/guitarra e mister simpatia Cyro Sampaio. Mas vez ou outra vinha um momento de choque de realidade, trazido pelas poucas músicas do “New World Broadcast” presentes no set e algumas outras do álbum mais recente. Se bem que chamar de tapa é subestimar as porradas que são Fission and Fusion, Option to Repression, Impavid e Dance of Eletronic Images! Agressividade para fazer a plateia girar e se jogar do palco, um jargão em shows de hardcore. Enfim, noite mágica, que superou as (altas) expectativas e que nos deixou orgulhoso de o quão bem a cena independente está representada por essas duas bandas sensacionais.

Resenha: Far From Alaska, Stereophant e Hover @Imperator

Por Alan Bonner | @Bonnerzin | Fotos @GustavoChagas

Em tempos de fim da Rádio Cidade/RJ e com os meios de comunicação mais populares dando cada vez menos espaço para o rock e suas vertentes, uma pergunta ronda a cabeça de quem é fã do estilo: o rock está “morrendo”? Bem, para quem esteve no Imperator (no bairro do Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro) no último dia 13/07 a resposta, com certeza, é não. E quem justifica a resposta são as arrebentadoras Hover, Stereophant e Far From Alaska, que comemoraram o Dia Mundial do Rock com uma festa inesquecível para quem estava lá.

Quem abriu os trabalhos foi uma das favoritas do Canal RIFF. Os petropolitanos da Hover entregaram, como esperado, um ótimo show, com um setlist dominado por músicas do álbum “Never Trust The Weather”. A banda mostrou, em sua segunda passagem pelo palco do Imperator, que já está mais do que pronta para os grandes palcos e públicos, pela boa presença de palco e pela boa música que fazem ao vivo.

13694142_1385764081440278_841057153_o

A seguir, os cariocas da Stereophant subiram ao palco para um show que fez os presentes se empolgarem muito! Vimos mosh pits, refrões cantados em voz alta e uma interação bastante próxima com o público, que parece já acompanhar a banda há tempos. E, claro, uma sonzeira absurda, com destaque para a guitarra criativa de Vinicius Tibuna. Com certeza, o show mais divertido de se assistir da noite.

13663448_1385763918106961_216936659_o

Por fim, tivemos a banda que, junto da Scalene, vem encabeçando o novo front de batalha do rock brasileiro e que vem mostrando que o estilo está longe de estar acabado por aqui. Trata-se dos potiguares da Far From Alaska, que estão lotando casas ao redor do Brasil (e do mundo, tendo ganhado o prêmio de banda revelação no MIDEM Festival 2016 e feito vários shows nos EUA). E não é por acaso. A banda faz no palco um som bem semelhante ao que é o álbum de estúdio “modeHuman”. A qualidade dos músicos impressiona bastante, sem contar no carisma incrível de toda a banda, principalmente da vocalista Emmily Barreto. Um show obrigatório para o fã de rock do mundo todo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Quem diz que o rock está morrendo ou que não tem mais espaço talvez só não compreendeu ainda que os tempos mudaram e ele ocupa outros lugares. Não está mais na TV e no rádio. Está na internet, e, principalmente, num lugar onde sempre esteve: nas casas de shows. Sejam elas pequenas, médias ou grandes. Distantes ou próximas. A melhor maneira de se experimentar o rock é pessoalmente, frente a frente, ao vivo. Essa é a melhor forma de se apoiar as bandas (em todos os sentidos, principalmente o financeiro) e manter viva a chama desse estilo que amamos. Portanto, quem ainda tem dúvidas precisa parar de se questionar e ir até as bandas e os shows, para que a pulsação se mantenha e nosso querido rock não morra.