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Resenha: Jonathan Tadeu e Fernando Motta @Swing Cobra

Por Alan Bonner | @Bonnerzin

O último fim de semana de agosto foi de invasão mineira no Rio de Janeiro! Rolou no Swing Cobra (Vila Isabel, Zona Norte do Rio) a primeira edição do 040 Fest, que trouxe bandas e artistas independentes de destaque em Minas Gerais para as terras cariocas. Na primeira noite, o som ficou por conta de Fernando Motta e Jonathan Tadeu, artistas do coletivo Geração Perdida.

Quem abriu os trabalhos foi Fernando Motta. Contando com uma banda de apoio de respeito, formada por Jonathan Tadeu (Quase Coadjuvante, Lupe de Lupe), João Carvalho (Sentidor, El Toro Fuerte) e Cícero Nogueira (Lupe de Lupe), o mineiro desfilou as canções de seu álbum “Andando sem olhar pra frente”. E o mais interessante foi como o show fez todas as sensações da primeira audição do álbum voltassem à cabeça. Fernando e sua banda trazem uma carga bastante particular à apresentação ao vivo das canções, dando uma melancolia que soa triste, mas não deixa quem ouve triste. Muito pelo contrário. A sensação é ótima de estar vendo alguém tão jovem fazendo um som de tanta qualidade.

Após uma pausa e a troca de instrumentos, a mesma banda deu início ao show de Jonathan Tadeu. E numa atmosfera mais intimista impossível: luzes apagadas e um pisca-pisca vermelho (ao melhor estilo Stranger Things) ajudaram a ambientar perfeitamente o show, que contou com canções de seus dois álbuns e um cover de Elliott Smith. O destaque do show foi a parte final, onde Jonathan tocou algumas das músicas apenas na voz e na guitarra, dando uma carga emocional ainda maior às suas já emotivas canções. Isso tudo junto de suas falas sobre o quanto é bom sair de longe e ver um público fiel ao trabalho do artista e de quanto ele estava feliz em estar no Rio de Janeiro, o que deu um clima ainda mais bonito ao final da apresentação. Coisas que só a música, principalmente a de artistas independentes, proporciona para quem faz e para quem ouve.

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Resenha: Salvage e El Toro Fuerte @Swing Cobra

Por Alan Bonner | @Bonnerzin | Fotos Raquel Domingues

Essa vai ser uma das resenhas mais difíceis de escrever aqui para o Canal RIFF. As palavras estão faltando para descrever a experiência única que foi o segundo e último dia do 040 Fest no estúdio da Swing Cobra (Vila Isabel, Zona Norte do Rio de Janeiro)! Das muitas sensações, as que mais marcaram foram a intensidade e a sinceridade dos shows dos cariocas da Salvage e dos mineiros da El Toro Fuerte, além da vibe festiva e pacífica do pré/pós show, da cerveja gelada e barata, do rango vegano maravilhoso e das pessoas fantásticas que prestigiaram a noite.

Salvage - Foto Raquel Domingues (2)
Salvage @2016

A noite já começou com o suor se confundindo com lágrimas no show da Salvage. O show era o último do baterista Marcel Motta, e a banda (bem como o próprio Marcel) tratou de dar uma despedida de respeito para o cara. As belas palavras do baixista Ingo Lyrio entre algumas das músicas descrevendo a emoção de ver o Swing Cobra lotado para prestigiar a banda, falando da amizade entre os membros e do amor pela música tornaram a noite ainda mais bonita. Os comentários engraçados dos guitarristas Victor Cardoso e Herbert Santana e a interação com a plateia deram um alívio cômico aos comentários emocionados de Ingo e Marcel. Mas o que mais emocionou, sem dúvidas, foi o som. A banda mostra ao vivo a mesma qualidade absurda do EP “MΔE” e fez seu post-rock preciso, cheio de belos efeitos e que marca por não ter aquele aspecto sombrio que a maioria das bandas do estilo costuma apresentar. E quando a plateia “canta” uma música que é instrumental, como rolou com ganhardepoisperder, provavelmente a música mais conhecida da banda, é porque o show foi um sucesso.

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A seguir, a El Toro Fuerte estreou em terras fluminenses. E que estreia! Contando com a participação do prodígio mineiro Fábio de Carvalho nas guitarras e nos vocais, a banda de Diego Soares (baixo, guitarra e vocal), Gabriel Martins (bateria) e João Carvalho (vocais, guitarra e baixo) fez um show que incendiou o já abarrotado estúdio. Era preciso tomar cuidado para não pisar nos pedais de guitarra e baixo, tamanha proximidade entre público e banda. E que energia os caras tem ao vivo! É uma entrega e um cuidado com cada nota, cada acorde, cada linha vocal que leva junto todo mundo, até aquela pessoa que não conhece o trabalho dos caras. Leva junto até o teto, literalmente! Vimos crowdsurfings que arrancaram sorrisos e até olhares de espanto dos músicos, que pareciam não acreditar que a plateia estava cantando e pulando durante todas as músicas do setlist. Set esse que contou com quase todas as músicas do “Um Tempo Lindo Para Estar Vivo”, além de algumas do trabalho solo de Fábio. O membro convidado da noite, inclusive, parecia ter fundado a banda junto com os outros membros, de tão entrosado que estavam. O destaque do show ficou para a extensa e psicodélica João e o Mar, que fez o público entoar um longo coro de “hoje o único fantasma/em mim sou eu”. A banda fez valer cada quilômetro da viagem e cada gota de suor derramado no estúdio que tem um ótimo ar condicionado, mas que não deu vazão para a energia que a galera deixou ali dentro. Uma noite memorável para a banda, a plateia, os organizadores e principalmente para esse riffeiro que vos escreve.

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Resenha: Vitor Brauer e Def @Swing Cobra

Por Alan Bonner e Guilherme Schneider | @Bonnerzin @Jedyte | Fotos Lucas Santos

Coletivos artísticos costumam ter uma sede, uma base, um local onde tudo é planejado e até mesmo executado, em alguns casos. Esses locais são símbolos da resistência desse tipo de movimento, que costumam encontrar dificuldades enormes de fazer com que seu trabalho reverbere e chegue a mais pessoas. É essa luta que o Swing Cobra, coletivo carioca formado por membros de Ventre, Hover e Stereophant, resolveu travar. E seu primeiro ato aberto ao público foi realizado três sextas-feiras atrás (08/7), na sede do coletivo, localizado no bairro da Tijuca (Rio de Janeiro). Para tal, foram convidados os cariocas da Def e o mineiro Vitor Brauer. Além disso, a noite contou com uma exposição do fotógrafo Pedro Arantes e com um DJ set dos membros da Ventre.

Deborah Def
Def @2016

Aconchegante, o QG do Swing Cobra esteve super-lotado em sua estreia. No show da Def a sensação era bem próxima a de estar em um ônibus lotado – tamanha a quantidade de gente por metro quadrado. Contando apenas com iluminação de pisca-piscas natalinos, o primeiríssimo show desse novo ambiente foi especial. Afinal, mesmo com pouco tempo de estrada, a banda carioca já conta com um carinho de um público que realmente consome música e vive a cena. Apesar de um EP lançado há pouco tempo, o “Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia (Parte 1)”, os presentes já cantarolaram trechos de Sobremesa e Dissolvendo. É emocionante presenciar o nascimento de um grupo com tanto potencial e talentos individuais.

Logo após o show da Def e de mais uma volta na casa para conhecer melhor o espaço, fomos para o estúdio bem no momento em que Vitor Brauer plugou seu violão e começou seu show. E o que tivemos a partir de então foi quase uma hora de uma apresentação mais intimista impossível. A sensação que ficou é que um amigo da galera que veio de longe puxou um violão, fez uma roda e começou a cantar várias canções de sua autoria. Na verdade, foi exatamente isso que aconteceu. Vitor é praticamente um dos pais da atual cena independente de Belo Horizonte, a famigerada “Geração Perdida”, sendo o frontman da banda mais influente e renomada do movimento, a Lupe de Lupe. Em seu set, o valadarense tocou músicas de sua banda e de seu trabalho solo, acompanhado pelas vozes de quase todos os presentes. Foi algo pequeno, mas que teve pinta de coisa grande. Vitor foi além de simplesmente um “voz e violão” e fez algo que podia parecer um mise-en-scène, mas era tudo muito sincero. Ele contou histórias, interagiu com a plateia e fez piada de si mesmo quando algo dava errado. Uma performance digna de alguém tão vanguardista como Brauer e condizente ao que a Swing Cobra quer ser: um local para “agregar, compartilhar, produzir e reproduzir” arte, das mais diversas formas e com muita qualidade.