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Resenha: menores atos, Incendiall, Estado Livre e Divine Glory @República Pub

Por Alan Bonner (texto e fotos) | @Bonnerzin 

Festas de aniversário costumam ter alguma bebida que é a sensação da festa – e que deixa todo mundo bem feliz. Na festa de aniversário do República Pub no sábado passado (9 de julho), o drink da noite era o puro suco do underground! Os ingredientes dessa explosão de sabores foram algumas colheres bem servidas de menores atos, flambadas pela Incendiall e temperadas por pitadas de Estado Livre e Divine Glory. Tudo isso servido num recipiente perfeito para essa combinação explosiva: um local com toda pinta de um “rock club” em uma cidade importante para o cenário independente, como é São Gonçalo/RJ.

A noite começou com os niteroienses da Divine Glory e seu post-hardcore que toca em temas espirituais com uma boa dose de peso. A banda, composta por Wallace Freitas (vocal e guitarra), Johan Muniz (bateria e vocal) e Lucas Lassance (baixo) tocou as músicas do recém-lançado EP “Nunca É Tarde” e fez uma abertura de noite de respeito.

Estado Livre @2016
Estado Livre @2016

Os gonçalenses da Estado Livre vieram a seguir com um hardcore repleto de críticas sociais e muita fúria. A banda voltou à ativa recentemente e soltou toda a energia acumulada no palco do República Pub em um show intenso, que fez a galera se animar bastante.

O show seguinte foi o mais aguardado de alguns meses para esse riffeiro que vos escreve. Era a segunda apresentação dos cariocas da Incendiall, que voltou aos palcos no mês passado e já promete álbum novo e shows com bandas de peso como Plastic Fire e Pense. O show contou com algumas músicas do “Sobre status, cartões e cheques” e do vindouro novo álbum, e deu pra sentir que os caras estão com sangue nos olhos para gravar e tocar. O hardcore agradece!

menores atos @2016
menores atos @2016

Por fim, tivemos os emocionários da menores atos, provocando uma verdadeira catarse no República. Um show “curto, porém intenso”, como a banda tem feito desde o lançamento do aclamado “Animalia” (2014) e que tem feito o público cantar cada vez mais alto nos shows. Tão alto que dava pra ouvir as vozes mesmo estando colado na caixa de som (o que não era difícil, pelo espaço pequeno). Essa energia do público foi o ingrediente que faltava para ferver o caldo e tornar a noite completa. Às bandas que resistem, fazem seu som a despeito das dificuldades, aos que promovem shows dessas bandas, às pessoas que apoiam o cenário independente… um brinde!

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Música do Dia

Música do Dia #25: Lupe de Lupe – Fogo Fátuo

Banda: Lupe de Lupe (Belo Horizonte/BR)
Música: Fogo Fátuo (2014)


Periodicamente a página do Canal RIFF apresentará uma banda diferente! Seja nova ou rodada, brasileira ou gringa.

Quer ver o seu som aqui? Indique nas nossas redes sociais!

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ReVlogLution: Respondendo Perguntas ft. Canal RIFF

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Resenha

Resenha: Young Lights e Astronauta e Seus Amigos @Teatro Sesc Silvio Barbato

Por Tayane Sampaio (texto e fotos) | @Tayanewho

Aos domingos, em Brasília, as ruas e avenidas são vazias. A cidade não é tomada por aquele enérgico burburinho jovem, como acontece em outras capitais, e a maioria das pessoas dedicam o dia à família e atividades leves, como uma caminhada no parque ou uma volta de bicicleta no Eixão. À noite, não é muito diferente. Existe, sim, um movimento aqui e acolá, mas Brasília é dominada pela Lei do Silêncio, que inibe grande parte das manifestações culturais que poderiam e deveriam tomar conta do centro do Distrito Federal.

No último domingo (10), aconteceu a quarta edição do Brasília Sessions, com shows das bandas Astronauta e Seus Amigos (DF) e Young Lights (MG). O projeto surgiu com o intuito de movimentar a cena local, ocupando espaços da cidade e apresentando os novos artistas ao público. Sempre com um ambiente intimista e acolhedor, o projeto busca conectar pessoas por meio da música.

Astronauta e Seus Amigos 1

A Astronauta e Seus Amigos foi a primeira banda a subir no palco do Teatro Silvio Barbato. Aproximadamente às 20h10, Pedro Rodolpho (vocal, teclado e sintetizador), Marcella Imparato (bateria), Paulo Vitor Amuy (baixo) e Pedro Carvalho (guitarra) entraram em cena, iluminados, quase que exclusivamente, por projeções que passavam no fundo do palco. O quarteto apresentou ao público brasiliense as canções do “Wanderlust” (2016), seu trabalho de estreia, que é o resultado final de ideias que foram aperfeiçoadas nos últimos três anos.

É difícil encaixar o grupo em um gênero musical, pois eles passeiam por vários estilos. Com músicas cantadas em português e inglês, a banda vai de sonoridades atmosféricas e densas ao doce violão folk. Após o show, que te leva em uma viagem espacial, com direito a bonitas paisagens e harmonias que transitam do space rock ao shoegazing, fica mais fácil entender o porquê do nome da banda.

Astronauta e Seus Amigos 3

No começo dava para notar certa timidez dos integrantes, que estavam concentrados na execução das músicas e criaram um clima mais introspectivo. A partir da metade do show, mais ou menos, os músicos se deixaram levar pelos sons que saiam de seus próprios instrumentos e, com isso, mostraram mais entrega à apresentação. O ponto alto foi Believe, uma música doce, com participação de toda a banda nos vocais, que incentiva o ouvinte a acreditar e lutar pelos seus sonhos.

As canções da Astronauta e Seus Amigos reverberam liberdade. A banda se mostra confortável e capaz de criar várias atmosferas em um único palco. O debute, em solo brasiliense, foi memorável, mas acredito que as futuras experiências ao vivo, com maior interação entre os integrantes, serão ainda mais especiais.

Young Lights 2

Antes das 21h30 a Young Lights deu início à sua segunda apresentação na Capital. Em 2015, eles tocaram na festa Play! e, apesar do palco pequeno e de problemas técnicos, mostraram o quanto as músicas crescem ao vivo. Pouco mais de um ano depois, e com um guitarrista a menos, a banda, agora formada por Jairo Horsth (vocal, violão e gaita), Gentil Nascimento (bateria), João Pesce (baixo) e Vitor Ávila (guitarra), voltou para apresentar algumas canções do “An Early Winter” (2013) e “Cities” (2014) em um show eletrizante.

Ao vivo, a banda vai muito além do rótulo folk que a acompanha desde o seu primeiro EP. Não há dúvidas de que o folk é uma forte influência, mas, se fosse para definir o som da banda em apenas um gênero musical, eu diria que a Young Lights faz rock, e dos bons! O próximo álbum está em fase de pré-produção e, segundo o baixista João Pesce, provavelmente terá sonoridades diferentes do que já foi apresentado nos discos anteriores. Inclusive, quem estava presente também escutou música nova!

Young Lights 3

A apresentação começou calma, romântica, mas não demorou muito para transformar-se em um momento explosivo e catártico. Apesar do pouco tempo da formação atual, é quase palpável a sintonia dos integrantes. O vocalista mostra desenvoltura para se comunicar com o público e explora o palco de uma ponta a outra. A interação entre os músicos faz, muitas vezes, com que a plateia sinta que está em uma divertida jam session, só que muito bem ensaiada e executada. A evolução do grupo fica evidente na melancólica You Drowned, I Swam, que começa simples, voz e violão, e depois, com a banda completa em ação, explode em uma belíssima versão com mais sete minutos.

Nem o cansaço dos (muitos) quilômetros viajados de carro, entre Sabará, Goiânia e Brasília, em apenas três dias, tirou a energia dos integrantes, que entregaram uma apresentação digna de festivais e que impressionou quem não os conhecia. Não é à toa que os mineiros tocaram uma música a mais do que o planejado, a pedido do público, que, sem dúvidas, teve uma linda noite de domingo.

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Derrubando prédios com a Def | Spotlights #1

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A influência dos meios de comunicação para o novo cenário musical

Por Bruno Britto | @brunosbritto

O cenário musical atual é bastante diversificado. Existem bandas e projetos para os mais diversos gostos musicais e, por mais que existam críticas sobre determinados gêneros, há espaço para todos. Em festivais, vemos bandas sem muitas semelhança musical se apresentando no mesmo dia, as vezes até nos brindando com uma parceria inesperada.

Naturalmente, sempre existirá uma progressão, simbolizada pela expressão “passar a tocha”. Grupos já consagrados começam a ficar perto do fim da carreira e outros começam a adquirir o status que sempre almejaram. No cenário do rock e do metal, bandas como Avenged Sevenfold, Queens Of The Stone Age, Bring Me The Horizon, e até mesmo os tão criticados, Ghost e Slipknot já deixaram de ser promessas há tempos, sendo hoje bandas gigantescas, com legiões de fãs. De fato, com o avanço da tecnologia, a divulgação de trabalhos autorais consegue ser mais prática e, consequentemente, podemos descobrir bandas que dificilmente teríamos acesso, dando mais oportunidade as mesmas para, quem sabe, se tornarem futuros ícones.

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A televisão exerce esse papel de grande divulgação a muito tempo, sendo responsável pela exposição de grandes grupos, seja através de programas de auditório ou pela transmissão de festivais de música, como o clássico Rock in Rio. Sempre existiram críticas à respeito do que é oferecido e, sem dúvidas, existe a influência de produtores e todo um grande “backstage” envolvido. Entretanto, os programas musicais, que são vistos como os novos “xodós” das emissoras, parecem ter uma maior liberdade e, apesar de serem amplamente criticados, são responsáveis por divulgar inúmeros talentos, tanto no âmbito internacional, como nacionalmente. Bandas como Scalene e vocalistas como Adam Lambert e Phillip Philipps teriam grande possibilidade de sucesso graças ao seu talento, mas talvez acabassem por não ter um reconhecimento tão amplo se não fosse por essa oportunidade.

Porém, atualmente a internet é o grande foco de divulgação da maioria do chamado novo cenário musical. Em uma simples navegação por plataformas de vídeo, como o YouTube, ou de áudio, como o Deezer e o Spotify, é possível ouvir bandas excelentes que sequer ouvimos falar o nome. O poder de interação da rede e o alto custo-benefício são fatores muito estimulantes para grupos que ainda estão começando. Um exemplo disso são artistas como o grupo americano Boyce Avenue, que conseguiu um grande público através de seus covers, publicados no seu canal no YouTube. A era digital é excelente para descobrirmos novos talentos, que cada vez mais vão ficando independentes e construindo suas carreiras de forma bastante popular.

Estamos diante do que pode ser um futuro promissor para a música, ao contrário do que muitos “old school” tentam afirmar. É preciso ter em mente que nenhuma banda vem com a missão de apagar o que grupos como Queen ou Pink Floyd fizeram, mas sim, tentam buscar seu próprio espaço na história. Parece que não mais será necessário escolher qualidade ou quantidade, mas sim usufruir da  sintonia de ambos.

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Resenha: Riverdies, Purano e Mobile Drink @Calabouço

Por Guilherme Schneider | @Jedyte | Fotos Vinícius Giffoni

Noite de domingo, noite de rock no Rio. Atraído pelo chamado do retorno aos palcos da Riverdies (após três anos sem shows) fui ao tradicional Calabouço, em Vila Isabel, para a edição do Lithos Jam Fest no dia 3 de julho – Purano e Mobile Drink completaram o line-up. Conceito bem bacana, para um final de domingão: três bandas de rock, cerveja gelada e solidariedade.

No menu da noite o resistente grunge carioca. Separei o casaco de flanela e pedi um Uber. No caminho o motorista ouvia a Rádio Cidade (para quem não conhece, é a rádio rock do Rio). Papo bom sobre rock, comentando a programação. Mas, lá pelas tantas, o simpático motorista lamenta o momento do rock nacional. “O que temos hoje de bandas boas? Nada”.

Nada? Como assim, nada? Era justamente domingo de noite, momento quando a própria Rádio Cidade dispõe um pedacinho de sua programação para o “A Vez do Brasil”, programa que divulga bandas novas. Porém o programa só começaria às 22h, e antes disso já estava quase chegando ao Calabouço – sem ouvir nada de nacional no trajeto.

Purano

A verdade é que o tal rock nacional pulsa mesmo (e forte) no underground. Infelizmente longe das rádios e mídias tradicionais. Não é preciso ser o bienal e badalado Rock in Rio para transformar riffs de guitarra em mensagens diretas. No undeground é que se vive, e a abertura do Purano mostrou exatamente isso. Logo de cara o comunicativo vocalista Bruno Corrêa mandou a letra: “A cena são vocês”.

A cena, que vive, claro, são o “vocês” (quem frequenta) e são o eles (as bandas). Cantando em inglês e português, Purano apresentou o álbum “A Câmara Reverberante” (2015). Com mensagens bem emocionais, o show da Purano transparece sinceridade. Sabendo falar com propriedade de ternura, sin perder la porradaria jamás. Destaque para a homenagem a Jim Morrison, no dia do aniversário de sua morte.

O cover de Love Me Two Times surpreendeu. Assim como a bela House of the Rising Sun, do The Animals. A influência do rock clássico se faz presente, e ganha fôlego com ironia e até o posicionamento político dos discursos.  Mas, o destaque merece ir para as autorias. Ouça Epifania, Pecador e Espelho. Baladas boas, que cairiam bem na programação da Cidade.

Após algumas cervejas vem a hora aguardada: o retorno aos palcos da Riverdies. De certo modo é um retorno também da deliciosa sonoridade dos anos 90. Sabe? Então, aquela mesma sonoridade que prevalece radiofônica no Rio. Pois é, só que feita por bandas locais.

Sem demagogia, mas só por ouvir Still Remains já valeu a ida ao Calabouço. A linda melodia (que não está no Spotify ainda, mas pode ser ouvida aqui) do EP “Black Days dá uma pequena amostra do potencial da Riverdies. Seja nas porradas mais clássicas, como Background e I Wonder, ou nas mais lentas.

Eles apresentaram músicas novas, e, infelizmente, o show foi mais curto do que esperava. Confesso que gostaria de ouvir ao vivo as outras baladas Morning Dies Clear Like Water. Fica para uma próxima – e, ao que fui informado, não demorará tanto. Na torcida por material novo.

Mobile Drink

A noite fechou com a Mobile Drink. Confesso que fui apresentado ao som deles ali mesmo, de uma talagada só. E que apresentação do vocalista Ronan Valadão! Sua pose de rock star e voz marcante garantiram um belo cartão de visitas para o novo EP, o recém-lançado “Canções da Noite e Outros Tragos”.

Um grande momento foi a participação especial de Tiago Freitas, vocalista da brasiliense banda Etno. Juntos, Ronan e Tiago cantaram Alive, hino do Pearl Jam – mantendo a pegada grunge do evento.

Mobile Drink faz  rock autoral em português, de qualidade. Recomendo Sanguessuga Gentil, O Verdadeiro Amor e Prosódia da Vida, destaques no show – que também homenageou a memória do eterno poeta Jim Morrison. E, afinal, apesar das homenagens ao rock internacional, será que não tem mesmo nada de bom no rock nacional? As três bandas mostraram que a verdade está lá fora – nas casas de shows.

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Cinco motivos para não perder o show dos Titãs!

Por Alan Bonner (texto e fotos) | @Bonnerzin 

Os dinossauros do rock nacional estão chegando ao Rio de Janeiro. Nesse sábado (09/7) tem Titãs no palco do Circo Voador! E você quer um bom motivo para ver esse showzaço? Toma logo cinco!

1 – A abertura da noite ficara por conta de Toni Platão. Conhecido principalmente pela sua participação na banda Hojerizah, o artista carioca apresenta músicas do seu último álbum “Lov  – Labor Omnia Vincit”, lançado ano passado, entre outros sucessos. E quem conhece a carreira e a voz única do cara sabe que veremos um ótimo show, digno para aquecer o Circo para a porrada que será a apresentação dos Titãs!

2 – O show de sábado faz parte da turnê do DVD “Nheengatu Ao Vivo”, que foi premiado pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como o melhor show do ano. Ou seja, trata-se de um inquestionável sucesso de crítica.

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3 – Apesar de se tratar de um show de divulgação do DVD do último álbum da banda, quem ainda não está familiarizado com as novas músicas pode ficar tranquilo. Branco Mello e companhia tem tocado alguns dos grandes clássicos da banda nessa turnê, como “Televisão”, “Desordem”, “Massacre”, entre outras. Portanto, preparem-se para um desfile de hits no Circo Voador!

4 – A música não será a única atração que os Titãs trarão ao palco. A banda tem apresentado uma estética muito interessante nos shows, com os membros da banda tocando com máscaras inspiradas pelo clipe de “Fardado”, música do último álbum. Se pelo vídeo as máscaras parecem ser muito bacanas, imaginem ao vivo!

5 – Talvez o melhor motivo é o fato de que ir a um show dos Titãs é presenciar e reverenciar o passado e o presente do rock em geral. Os Titãs são um patrimônio da música nacional, tendo influenciado várias gerações de músicos que procuram fazer um som com originalidade e atitude. E mesmo com mais de 30 anos de carreira, a banda ainda consegue manter seu alto padrão de qualidade e trazer inovações como o último álbum. Assim, nos preparemos para um show de qualidade gigante na noite de sábado, digno de um titã!

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Resenha

Resenha: Gloria, Âncora, The Ocean Revives e 8mm @Teatro Odisseia

Por Alan Bonner | @Bonnerzin | Fotos @GustavoChagas

Noite de domingo (03/7) com som alto, bom e pesado no Teatro Odisseia! Quatro bandas dos mais diversos estilos do rock convidaram os cariocas a saírem da monotonia de um domingo nublado para bater um pouco a cabeça: 8mm, The Ocean Revives, Âncora e Gloria. O show foi mais uma produção da Cena Rock, que tem levado ótimos artistas de todo o Brasil para o Rio de Janeiro.

O hardcore casca-grossa da 8mm abriu a noite. O quinteto, formado por Alemão (vocal), Fabio Garcia (guitarra), Rodrigo Salgado (guitarra), Zé Freitas (baixo) e André Costa (bateria) é figurinha carimbada da cena carioca e trouxe ao palco riffs muito bem construídos, uma linha de baixo bem criativa em relação ao que se vê em outras bandas do estilo e uma bateria frenética, sustentando o vocal grave e as letras recheadas de críticas sociais cantadas por Alemão. Mesmo encarando um tipo de público que não costuma frequentar os shows da banda e tendo que passar por cima de problemas técnicos, a banda manteve a intensidade durante todo o show e agitou bastante a galera que chegava ao Odisseia.

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Dando continuidade à noite, tivemos uma surpresa daquelas que se acha saindo de casa e indo aos shows. Bandas de metalcore existem aos montes, e a sonoridade delas costuma soar repetitiva. Mas o que a The Ocean Revives (RJ) faz sai pela tangente do senso comum e toma um caminho bastante interessante. Com uma energia e uma presença de palco raramente vista em outras bandas, Charles Barreto (guitarra), Kevin Duarte (bateria), Rafael Carrilho (guitarra/vocal), Rodrigo Andrade (baixo), Rodrigo Nascimento (vocal) e Vic Corrêa (vocal) fazem um som que merece a atenção do fã do estilo. Com belas letras em português, vocais limpos e guturais se alterando de uma maneira muito agradável e uma produção de palco de dar inveja até em bandas com público grande, a banda agradou não só quem já conhecia (e que não era pouca gente, pela quantidade de pessoas cantando junto da banda) como também quem nunca tinha ouvido falar do som dos caras, como nós do RIFF que já estamos no aguardo de mais shows e mais material autorial dessa banda que tem um futuro muito interessante.

Penúltima banda da noite, a Âncora infelizmente teve pouquíssimo tempo para mostrar seu som. Mas deu pra perceber que o post-hardcore feito por Felipe Barboza (vocal) Brandon Antunes (guitarra) Rodrigo Macario (baixo) Johnny d’Avila (guitarra) e Marcos Eduardo (bateria) é original e tem uma pegada mais “tranquila” em relação às bandas anteriores. Destaque para a voz de Felipe, afinadíssimo e atingindo notas bem altas sem grandes dificuldades, e para Marcos, que sabe cadenciar muito bem o ritmo da banda.

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Por fim, depois de uma espera de anos, o Gloria subiu ao palco para desfilar sucessos de todas as fases da banda. E, como era esperado, o público já estava ganho desde a primeira música. Fazendo um show tecnicamente perfeito, Mi (vocal) Elliot Reis (guitarra e vocal) Peres Kenji (guitarra) Thiago Abreu (baixo) e Leandro Ferreira (bateria) alternaram músicas dignas de mosh com baladas que fizeram um ou outro se emocionar. O quão alto o público cantou junto e de deixou conduzir por Mi, que parecia mais um maestro da multidão, impressionou bastante. Mostrou que os Guerreiros (pelo menos os do Rio de Janeiro) continuam firmes, fortes e sedentos por novos trabalhos da banda e torcendo para que a Gloria tenha uma vida longa pela frente.

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Campanha Underground Contra O Frio

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Resenha: Radioativa, Sun7, Drops96 e 161 @Lona de Jacarepaguá

Por Felipe Sousa | @felipdsousa

Dia 2 de julho de 2016 foi a data escolhida pela Radioativa pra comemorar seus 7 anos de estrada (28/6) e de quebra os aniversários da vocalista Ana e do baixista Denny (04/7). E Junto com as bandas Sun7, Drops96 e 161 decidiram que o palco pra essa festa seria a Lona Cultural de Jacarepaguá. Já conhecido por promover atrações das mais variadas, atrativas ao público local e ser um espaço que o circuito carioca precisa, a lona mostra-se cada vez mais atuante na cena underground. Não é à toa que já levou nomes como Versalle e a própria Radioativa.

Em contraste a essa esperança do ambiente tornar-se ponto de encontro da cena, devemos destacar que a Lona merece um upgrade no visual, e a acústica não é lá das melhores; o que dificultou um pouco as bandas na passagem de som e no show. Isso, aliado à dificuldade da cena underground em captar recursos, nos levou a um pequeno atraso no início do evento. Alguns problemas técnicos, microfonias, sonoridade falha, interferiram no andamento do show. Mas, calma! Continue lendo com a gente e vai entender porque esse evento vai além dele mesmo, e porquê VOCÊ, fã de rock, é tão importante pra esses sonhadores que fazem música. Confira em quatro atos e preste MUITA atenção a partir do 2°, principalmente.

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1° Ato. Apesar de fundada em 2011, a SUN7 tem integrantes bem jovens Thay Martins (Voz principal), Vinícius Távora (Guitarra e Voz), Fábio Florenzano (Guitarra), Duka Meirelles (Baixo e voz) e Raquel Igne (Bateria e Voz). Raquel Igne, no entanto, não esteve na festa, por problemas de saúde, sendo substituída pelo seu namorado, que também é baterista, Gabriel Lopes, que com apenas um ensaio, na noite anterior ao show,fez bonito e deve ter deixado a Raquel orgulhosa. A banda deu então o pontapé inicial ao evento, que nesse momento não contava com um público grande. O Pop Rock dos meninos alternava-se entre músicas autorais e covers. Thay Martins ditava o ritmo da galera com sua bela voz e certa dramaticidade na interpretação das canções, e era acompanhada pelo baixo e guitarras performistas dos meninos cabeludos que traziam à cabeça a lembrança do gigante Slash. Ao menos no visual. Os garotos tocaram poucas músicas, devido ao tempo curto, mas deu pra notar que a banda está buscando maturidade sonora e o tempo nos dirá até onde podem ir.

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2° Ato. Fabio Valentte (Vocal), Nando Sampaio (Teclados/synths/programações), Marcio Quartarone (Guitarra), Leonardo Ugatti (Guitarra),Victor Toledo (Baixo) e Bruno Lamas( Bateria) formam a Drops96. Começou em 2006 como uma banda de colégio e, em 2010, como diz o site deles, colocaram o pé na estrada. A banda tem três álbuns sendo o terceiro, “Busque Mais da Vida”, de 2016. Todos eles foram feitos a partir de campanhas de crownfounding.

O entrosamento dos caras é visível, diante de todas as dificuldades técnicas e de estrutura do evento, botaram pra quebrar logo de inicio. Mais que triplicaram o público logo na primeira musica. Deram um ritmo frenético engatilhando uma canção atrás da outra, e o público reagiu indo à frente do palco. Apesar dos caras não apontarem uma influência direta, ou um gênero específico, o som é bem perto do pop rock, com intros e refrãos pesados, alternando com pegadas bem dançantes e uma voz potente do Fabio. Exemplo disso foi quando tocaram Estrada e agitaram a galera.

Apresentaram também um cover de Tim Maia, que com todo respeito ao mestre, ficou muito bom. A banda tirou a timidez da galera, fez cantar junto.

Fica bem claro que a Drops tem ouvido muito Foo Fighters, e CBJR, mas não param aí. O dinamismo das guitarras e pancadas na bateria faz da banda um grande talento. O que rendeu aos caras o Prêmio Melody Box – Apresentação no Circo Voador em 2011. Ouça Drops96. Melhor show da noite!

3° Ato. Gabriel Bastos (Vocal), Daniel Cardoso (Baixo), Victor Fonseca (Guitarra), Letícia Santos (Bateria) e Marcio Marques (Guitarra) formam o quinteto SuperStar da 161. Conhecida por ter participado do programa global, iniciaram o seu show com alguns problemas técnicos (assim como as outras bandas), o microfone do Gabriel defeituoso irritava o cantor, e a guitarra do Marcio pouco se ouvia. Aí você pode pensar que o show não foi legal, né? Errado! Estamos falando de uma banda que se leva a sério. Gabriel é o típico Rock Star líder de banda, daqueles que mexe com a galera, e se você for daqueles tímidos, logo mudará isso e estará vibrando com o som dos caras na frente do palco. Foi o que aconteceu. A galera não se conteve nas chamadas cheias de entusiasmo e atitude rock’n’roll do vocalista.

161 tem claras influências em Charlie Brown Jr, além de riffs inflamados. Foi nessa pegada e com uma grande performance do vocalista Gabriel, que fizeram um baita show, na garra.

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Todo mundo sabe a dificuldade que é fazer rock no Brasil. Ainda mais difícil é a cena underground. Captar recursos, engajar pessoas, se inserir na mídia. Produzir um evento nesse cenário é desafiador e perigoso. Como já falamos, encontramos essa dificuldade no evento, público pequeno, estrutura e equipamentos sem grandes orçamentos. Mas se tem uma coisa que nunca vai mudar na batalha underground é a garra dessa galera em fazer música boa e promovê-la. Vimos isso quando a Radioativa subiu no palco e encontrou tais dificuldades, e não fez nada diferente do que proporcionar pra quem estava alia insanidade que é celebrar sete anos de estrada, nesse cenário, com um show cheio de coisa boa, e com muita vitória diga-se de passagem

4° Ato. Ana Marques(Vocal), Felipe Pessanha (Guitarra), Fabricio Oliveira(Guitarra), Denny Manstrange (Baixo) e Rodrigo Aranha (Bateria) têm dois EPs lançados e quatro clipes de produção totalmente independente, fazem um pop punk, com elementos do post-hardcore passando pelo emo. E é difícil não perceber também, tanto visualmente, quanto na sonoridade, nuances do Paramore.

Logo no inicio da apresentação, a banda promoveu seu hit Esquinas e de cara, levantou a galera. Dando a todos a oportunidade de ouvir a bela voz da Ana e belos riffs também. A música é muito boa, a melodia e letra grudam na cabeça.

Logo depois o microfone apresentou problema, e é aqui meus caros, que eu explico o porquê de vocês serem fundamentais. Quando a microfonia parecia não ter fim, o público comprou a briga, CANTOU JUNTO, no gogó, me deu a certeza de que a Radioativa não era mais só uma tentativa. A Radioativa VIVE. O ROCK VIVE. Foi demais ver a interação do público que ali estava. E com certeza, foi um belo presente do público pra banda.

Depois de conseguir que o microfone colaborasse a banda mandou um cover de Katy Perry e de novo animou a galera. Mas foi Acredite com seu riff inflamado em parceria com uma bateria pesada que agitou quem ali estava.

A música de trabalho da banda Vital foi outra amostra do potencial Pop Punk da banda. Contando com a participação de Bruno Dela Cruz, que veio de São Paulo pra se apresentar com a banda.

A banda encerrou com chave de ouro cantando Você não sabe nada sobre mim, e foi talvez o grande momento do show. Outra pancada na alma dos amantes do rock.

Radiotativa 7 anos foi o show pra celebrar bandas que você precisa e deve conhecer. Falamos aqui que o evento vai além dele mesmo, e de fato vai! Se por um lado houveram problemas, dificuldades, e a produção ficou a desejar; por outro, a garra e o som que mostraram merecem chegar no seu ouvido e ser compartilhado. Som de qualidade, atitude rock’n’roll, personalidade e muita disposição pra dar o melhor.

Quando o RIFF te der as coordenadas de um show como esse, vá! Abraço, Riffeiros. Até o próximo show.

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Live: Melhores shows de Junho de 2016