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De São Paulo para o mundo: Um pouco da mini turnê do Ego Kill Talent na Europa

Por Camila Borges

Sonoridade forte, presença de palco, letras bem compostas, músicos experientes entre outras qualidades. O tipo de show que faz qualquer um voltar pra casa satisfeito. Talvez isso defina o que é a Ego Kill Talent pra muitos. Banda formada por Theo van der Loo (Guitarra / Baixo), Niper Boaventura  (Guitarra / Baixo), Jonathan Correa (Vocais), Raphael Miranda (Bateria / Baixo) e Jean Dolabella (Bateria / Guitarra), músicos que já passaram por outras bandas como Diesel, Udora, Sepultura, Reação em Cadeia, Pulldown e Sayowa.

A banda foi formada em dezembro de 2014, em São Paulo, e sua sede  é no Family Mob Studios.

Download Festival Paris 2017 | Foto: Lucca Miranda

Aproveitando a mini turnê da banda pela Europa no mês de junho onde tocaram no Download Festival na França, no Melkweg na Holanda, e num dos lugares mais históricos que é o Arenès de Nîmes abrindo o show do System Of A Down, trocamos uma ideia com o Niper e o Raphael pra saber um pouco mais sobre essa experiência, e sobre o que vem pela frente.


RIFF: Como surgiu o convite pra esses shows? Vocês já tinham uma noção de como seria?

Raphael: “Primeiro surgiu o convite para tocarmos no Download em Paris, pelo promoter do festival. Como já estaríamos lá, o System, com quem já temos uma relação há um tempo, convidou para o show de Nimes. O show do Melkweg em Amsterdam pintou por um convite de um grande promotor de shows da Holanda. Tínhamos só uma ideia de como seria a recepção da galera lá, três de nós já tinham tocado na Europa algumas vezes, mas superou muito nossas expectativas.”

Muitos fãs de vocês aqui do Brasil tem uma certa “curiosidade” sobre o público de fora, a energia, a empolgação. A reação é diferente ou a mesma daqui? Como foi a aceitação da galera nesses shows?

Niper: “O público que encontramos era curioso e muito respeitoso. Foram ótimos shows e mesmo quem ainda não nos conhecia apreciava e parecia estar gostando do que estava vendo. O Brasil é diferente mas está mudando pra melhor.”

Raphael: “Nos nossos shows geralmente a galera devolve na mesma moeda a energia que a gente joga. Lá não foi diferente. O público na Europa é muito educado, curte o som, respeita, agita junto. É um público talvez difícil de ganhar porque todos os shows passam por lá, estão acostumados a ver tudo, então eles terem nos recebido muito bem foi um ótimo sinal. Teve gente indo de Londres pra Amsterdam só pra ver o nosso show. Isso é impagável!”

Vimos pelos Stories que vocês assistiram a vários shows no Download Festival. Entre eles Green Day, Mastodon. Qual foi o mais empolgante pra cada um? E como foi esse troca de experiências?

Niper: “O show do Green Day no Download e o System em Nimes foram experiências incríveis de sonoridade, entretenimento e profissionalismo. Estamos em busca desse patamar, então conviver e dividir palco com esses caras nos ajuda muito à refletir sobre nossos próximos passos.”

Raphael: “Pra mim o Green Day foi incrível, o que mais me impressionou. Nunca tinha assistido um show deles. O Billie Joe é um front man incrível, domina o show, a platéia, tudo. A produção do show deles é impecável, um verdadeiro espetáculo. Vi também o Mastodon, de quem eu sou fã. Nível de musicalidade incrível, show direto ao ponto, foda. Prophets of Rage também foi bem legal. Muito bom ver aqueles power trio tocando, eles são muito fodas. O show do Far From Alaska foi outro que mereceu destaque, a galera é muito foda. São nossos amigos e eu particularmente sou muito fã da banda. E o System of a Down, claro! Essa turnê deles está bem legal, a iluminação, o cenário, tudo. Fora os hits, um atrás do outro. É um show que todo mundo deveria assistir.”

Melkweg Amsterdam | Foto: Cassiano Derenji

Como foi a emoção de tocar no Download Festival, no Melkweg e no Arenès de Nîmes? Como se sentiram tocando pra milhares de pessoas, abrir o show de uma grande banda que é o System Of a Down?

Niper:  “Todos tiveram seus momentos especiais, registramos tudo em vídeo e logo você poderá ver. O show em Nimes foi especial por ser numa arena de mais de 2 mil anos, a energia do lugar é indescritível. Melkweg é um templo sagrado do rock, onde várias bandas que curtimos tocaram. O Download é um dos maiores festivais do mundo, estar ali entre tantas bandas respeitadas foi uma prova de que estamos nos caminho certo pra espalhar nossa música pelo mundo.”

Raphael: “Foi indescritível. Cada show com sua particularidade, mas todos incríveis. O Download é um festival clássico na Europa, apesar de terem rolado poucas edições em Paris, mas o nome é muito forte, e tocar ao lado de nomes como SOAD, Mastodon, Slayer, Alter Bridge, Green Day, etc., é maravilhoso. O Melkweg é uma casa muito tradicional na Holanda. U2, Foo Fighters e Pearl Jam são só alguns dos nomes que tocaram lá em início de carreira, então tocar numa casa icônica como essa é fantástico. E por último, tocar numa arena construída em 27 A.C. é literalmente de tirar o fôlego, ainda mais tocando com o SOAD. A energia naquele lugar é indescritível, só estando lá pra sacar.”

Sabemos que vocês têm uma música nova chamada “My Own Deceiver”, que está na trilha sonora da malhação. Alguma previsão para lançamento?

Raphael: “Ela vai ser lançada nesse mês e estamos ansiosos pra colocar ela na rua! Já estamos tocando ela nos shows e a resposta do público tem sido muito boa.”

(N.A: A música será lançada nesta sexta-feira em todas as plataformas digitais)

Agora com a volta ao Brasil, vocês já tem alguns shows marcados. Podemos esperar por mais shows internacionais ainda esse ano ou só por terras brasileiras?

Niper: “Estamos fechando mais datas internacionais sim, logo divulgaremos.”

Arenès de Nîmes | Foto: Lucca Miranda

Dia 24 de setembro vocês estarão no Rock in Rio, aliás,  muito concorrido entre os fãs por ser o dia mais esperado do evento. A expectativa é grande? Estão preparados ou dá aquele friozinho na barriga?

Niper:  “Será um grande show! Estamos muito felizes pelo convite! Ótima oportunidade de apresentar nosso trabalho para muita gente que ainda não nos conhece. O RiR é um dos maiores festivais do mundo, além das dezenas de milhares de pessoas in loco, teremos muita gente vendo via TV e internet. Vai ser lindo!”

Raphael: “Estamos muito ansiosos. Na verdade é mais excitação do que ansiedade. Me lembro de ver a chamada do festival na TV quando eu era bem pequeno e agora vamos fazer parte disso. É maravilhoso! O Rock In Rio tem muito prestígio no mundo todo e o fato de ser um festival Brasileiro traz uma satisfação maior ainda. Ficamos extremamente felizes com o convite pra tocar lá tenho certeza de que esse vai mais um enorme passo na carreira do EKT.”

Quais os projetos para os próximos meses?

Raphael: “Depois desses shows na Europa o nosso próximo grande tiro é o Rock In Rio, estamos com foco nesse show. Até lá temos alguns shows aqui no Brasil, lançamento da My Own Deceiver e alguns outros planos que estamos montando.”

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Lançamento: O ‘Filho do Meio’ de Jonathan Tadeu

Por Guilherme Schneider | @Jedyte

Para alegria de seus fãs, Jonathan Tadeu não parecer descansar tanto. O cantor e compositor mineiro lançou neste terça-feira (4/4) o seu mais novo álbum, ‘Filho do Meio‘. Com apenas dois anos de carreira solo, Jonathan já soma três álbuns lançados – os anteriores foram ‘Casa Vazia’ (2015) e ‘Queda Livre’ (2016). Cada um com uma dose de melancolia diferente.

Antes de continuar a ler esse post, sugiro que dê o play no Bandcamp (ou no YouTube abaixo). A música de Jonathan se explica melhor do que qualquer resenha que venha a surgir nessa semana.

Dê cara se nota uma mudança substancial na sonoridade de Jonathan. Tá diferente sim. Tenho para mim o ‘Queda Livre’ como um dos melhores álbuns de 2016, o que de cara se põe um desafio para o ‘Filho do Meio’. Entre seguir a mesma linha dos álbuns anteriores, um tanto similares, Jonathan arriscou em assumir o flerte com o eletrônico mais minimalista.  Mais suave, mais etéreo, mais confiante e mais cheio de amor para dar.

Como? As mensagens refletem uma fase bonita na vida pessoal de Jonathan, filho único, que decidiu se casar bem na época da gravação – entre o natal e réveillon de 2016. Uma semana produtiva, cheia de esperanças no futuro matrimônio (só prestar atenção na letra de ‘Araxá 500‘), e que transparecem também ao longo das oito faixas do disco.

Os flertes minimalistas já haviam sido anunciados nos singles ‘Fantasmas‘ e ‘Sorriso Amarelo (talvez a de mensagem mais forte do álbum),  que tiveram os clipes divulgados no mês passado. As bases eletrônicas, harmonizadas com sintetizadores deram a pitada de Synthpop/Electropop – fruto do gosto por bandas como Notwist e Lali Puna (vide a entrevista abaixo).

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Ah, e aquela velha sinceridade nas letras é sentida novamente. E como isso pesa a favor. Por exemplo esdrúxulo, sempre me incomodou muito ouvir crianças no The Voice Kids cantando sobre ilusões e desilusões amorosas. Isso não acontece no ‘Filho do Meio’.

Dá pra sentir a verdade em “O que importa é o que te faz bem”, como aconselha em ‘Alicerce‘, faixa que encerra o álbum. Ou que tal a confissão de “Eu amo demais”,  de ‘Festa de Despedida’, que pode ecoar por horas em seus ouvidos? Fico ainda com a profundidade de “Eu sou um amador em tudo o que faço”, de ‘Deus Sempre Mata Os Saudosistas Primeiro‘. Pra pensar.

Não tenho a menor dúvida que Jonathan Tadeu é um dos nomes mais relevantes da atual geração da música brasileira. Uma geração que merece ser achada o quanto antes. Não conhece? Hora perfeita para dar uma chance para quem se reinventa sem perder a essência.

Jonathan segue na estrada com a turnê “Sem Sair na Rolling Stone” (abre o olho, Rolling Stone!) com dezenas de shows marcados – ainda na turnê ao lado de Vitor Brauer, ex-companheiro de Lupe de Lupe (aliás, a relação com a banda é narrada na imperdível faixa ‘Lupe de Lupe‘). No final do mês eu ajudo a engrossar o coro de “Pelo amor de Deus, Jonathan Tadeu” aqui no Rio de Janeiro.


Conheça mais sobre Jonathan Tadeu no RIFF Spotlight:

A banda mais injustiçada do Brasil é a Fresno?

Canal RIFF lançou na última quarta-feira (26) o seu 15º episódio do programa É Bom. Diferente das edições anteriores, desta vez a própria banda escolhida como tema participou da gravação: a Fresno.

As entrevistas aconteceram no final de junho, quando a banda veio ao Rio de Janeiro para divulgar o seu novo CD/DVD ‘Fresno 15 anos Ao Vivo’. Os integrantes Lucas Silveira (guitarra e voz), Gustavo ‘Vavo’ Mantovani (guitarra), Mário Camelo (teclado) e Thiago Guerra (bateria) responderam a clássica indagação do quadro: Por que a banda é boa?

Normalmente quem justifica (e defende) os artistas são os apresentadores do programa, Guilherme Schneider e Gustavo Chagas. Por sinal foi justamente o É Bom o quadro precursor do RIFF, em 2012. De lá para cá o É Bom já falou de artistas muito criticados por parte do público, como Latino, Justin Bieber, Calypso, Restart ou Avenged Sevenfold.

Confira o É Bom da banda Fresno:

Inscreva-se no Canal RIFF: https://goo.gl/6jw7zT