Entrevista Twin Pumpkin: “É sensual, violento e infame como ‘Albert Fish”

Por Felipe Sousa | Felipdsousa

 

Twin Pumpkin é um projeto criado em 2015 pelo artista independente Israel “Izzy” Castro. Nessa época, Izzy produzia vídeos pro youtube, publicando alguns covers na plataforma. Em paralelo, o músico foi desenvolvendo alguns sons experimentais que acabaram culminando no seu primeiro EP, “Spook Like Halloween”, gravado inteiramente em seu home stúdio e lançado em 2016.

Conversamos com o grupo, que nos falou sobre o inicio da careira, o primeiro EP, e os projetos futuros. Acompanhe:

 

Reprodução Instagram Twin Pumpkin

Antes de tudo, Izzy, queria que contasse pra galera como foi o seu início em particular. Quando começou a se interessar por música e quando começou o lance dos covers? Aliás, eu vi um de “Where Is My Mind”, do Pixies, e cara, que ótimo trabalho ali. 

Izzy – Valeu cara! Pixies é uma das minhas bandas favoritas! Então, meu interesse por música começou quando eu tinha uns 15, 16 anos, logo depois que vi meu pai tocando batera com a banda dele da época! Tive a oportunidade de assistir o gig em cima do palco, pique papagaio de pirata ao lado dele e lembro até hoje do monstro musical que ele era! Devo muito do que eu sei ao meu velho e tenho certeza que se não fosse por ele, eu provavelmente não estaria envolvido com a música hoje em dia!
Já os covers, na real, vieram pra suprir uma vontade de compor algo próprio (algo que não conseguia fazer na época) então, o único jeito era ”coverzear” pelo youtube e boa.

 

Boa! E nessa época você já era o Twin Pumpkin nas redes. Mas vendo isso hoje, esse nome parece soar mais do que apenas um nome artístico. Soa mais como um personagem, dentro da obra como todo. Ali você já buscava essa identidade? Quem é Twin Pumpkin dentro da cena?

Izzzy – A Twin pra mim é muito mais do que uma banda ou um simples projeto! É um lado pessoal que conheci alguns meses depois que meu pai faleceu! Foi um lado que surgiu pra me salvar e me tirar do buraco que eu estava me afundando! Um lado que surgiu pra me dizer que eu posso ser o que eu quiser, que eu posso ser forte e que tudo isso só depende de mim! Acho que todos nós temos um pouco desse lado ”Twin Pumpkin”, sabe? Meio escondido, mas SEMPRE preparado pra batalha.

Reprodução Facebook Twin Pumpkin

 

É, realmente isso é algo que percebemos ao ouvi-lo. E talvez por isso, em meio aos covers, em 2015, as autorais foram sendo compostas e mais tarde, em janeiro de 2016, elas se transformaram no EP “Spook Like Halloween”. Até de fato virar EP, como foi o processo? Quando deixou de ser experimentação pra finalmente se transformar em projeto sólido?

Izzy – Muitas músicas surgiram (e ainda surgem) a partir de pequenas ideias ou explosões de criatividade. Não tenho um momento do dia onde eu pare tudo que estou fazendo e digo pra mim mesmo ”Hoje eu vou compor uma canção”. Sempre estou escrevendo e muitas vezes, deixo uma música quieta e ela vai se terminando sozinha com o tempo. O processo se resume bem como um tiro no escuro! Tem dias que o tiro é certeiro e tem dias (que são na maioria) que você deseja nem ter carregado sua pistola.

ZeRO – ”Carregado sua pistola” hahahahaha as ideias

 

Vamos daqui a pouco falar mais das canções de forma mais específica. Mas sobre o EP, ele tem as letras meio sombrias e com alguns temas particulares, em contraste à melodias menos tensas e mais dançantes. Conta pra gente o que ele tem de pensamento a passar.

Izzy – Muitas das músicas foram escritas logo após o falecimento do meu pai e esse ”descobrimento pessoal” que rolou comigo depois disso. Como se fosse um novo lado tentando sair nas letras! Músicas como ”Hello, My Name is Twin Pumpkin” ou ”The Phoenix” são gritos de ajuda desse lado ”twin pumpkiniano”, tentando me arrancar da maré ruim! Já outras como a ”Tombstone Rock” ou ”You Make Albert Fish Look Like Magikarp” são odes ao mundo do Horror/Terror, cheio de referências aos livros e filmes que gosto e todo o conceito desse universo fantástico! No geral, foi uma experiência bastante catártica compor o EP ”Spook like Halloween” e foi uma das épocas mais importantes da minha vida!

Capa do EP

 

Em meio a tudo isso, todos esses momentos complicados, e de autoconhecimentovocê produziu e gravou todo o EP sozinho. Como foi essa experiência e o processo em si?

Izzy -Um aprendizado do caralho! Cheguei a regravar o EP 5 vezes até chegar em um resultado satisfatório, e a cada regravação, novas ideias e novos aprendizados surgiam.

 

Algum tempo após o EP ser lançado, a Twin deixou de ser banda de um homem só para virar um trio. Explica como foram essas mudanças e de que forma elas interferem positivamente hoje.

 
Izzy – o ZeRO e Tuiú entraram diretamente para somar, acreditando em mim, no conceito e no projeto, tornando também o projeto da vida deles!
ZeRO – é nois carai

Haha, boa! E como se conheceram? ZeRO e Tuiú já fizeram parte de algum outro projeto?

ZeRO – Eu e o Israel nos conhecemos há uns 7 anos atrás quando ambos tinham banda de escola e tocavam por pura diversão. Inclusive, fizemos uma música que vai estar no próximo CD da TxPx muito antes do conceito Twin Pumpkin surgir e sem pretensão de nada. E acabou que estamos nessa juntos agora.

Izzy – Já eu e o Tuiúzão nos conhecemos no primeiríssimo show da Twin, que rolou no LadoB em São José dos Campos! A TxPx ainda era um projetinho solo nessa época e eu tinha fechado um acústico nesse rolê, abrindo o show para a Atarin, então banda do Tuiúzera! Dps do show, trocamos uma ideia, comemos umas esfihas e o resto é história

 

Em 2016 vocês começaram a chamar atenção e inclusive abriram show pro Dead Fish. Como foi essa experiência?

Izzy – Realização de um sonho! Dead Fish é uma das nossas bandas favoritas e tocar ao lado dos caras foi bem estranho, mas estranho pra um lado bom! Era de lei sempre vê-los de longe ou no Youtube ou do meio do mosh e de repente BAM lá está você do lado da banda, trocando uma ideia sobre qualquer fita aleatória e boa! Baita experiência massa!

Reprodução Facebook Twin Pumpkin

 

Abrir pra uma banda como Dead Fish por si só já é um baita reconhecimento do trabalho de vocês. Mas falem aí, que show gostariam de fazer, ou qual festival têm vontade de tocar? 

Izzy – Ó… acho que qualquer banda quer tocar no Lolla ou no Rock In Rio, mas a gente quer mesmo é tocar numa festa á fantasia de Halloween! Sempre trocamos ideia sobre isso e sempre combinamos fantasias diferentes em ocasiões diferentes haha um dia ainda vamos fazer o ”Red Hot Chili Peppers” e tocar só de meias, fica vendo haha!

 

Seria demais um evento desse hein! Quando rolar, chama o RIFF! E Falando um pouco sobre referências. O que vocês têm ouvido e o que tem influenciado o som da banda?

Izzy – Pra mim é díficil falar sobre uma banda ou um estilo em específico. Por exemplo, ontem fui dormir ouvindo Mukeka di Rato e acordei ouvindo Mac DeMarco! Nossos gostos musicais são bem ecléticos e acho que, muitas vezes, buscamos referências não só na música, mas também em livros, jogos e filmes.

ZeRO – Eu acordo ouvindo Radiohead e na hora do almoço, tô ouvindo Cacique e Pajé. Realmente é bem extremo, mas falando em referência, O Slash é o cara que me motivou a aprender a tocar um instrumento e me moldou no músico que sou hoje.

Tuiú – Eu gosto do som do galo cantando de manhã, do passarinho batendo as asas e do café pingando na cafeteira.

Tuiú | Reprodução facebook Twin Pumpkin

 

Uma música que gostariam de ter feito:

Izzy –  Where is my mind do Pixies! Que músicão

ZeRO – Bittersweet Symphony do The Verve

Tuiú  Bleed do Meshuggah. o Tomas Haake é um dos meus bateristas favoritos, pois hoje em dia é muito fácil aprender a tocar e desenvolver a técnica com o acesso que temos a internet, mas ser autêntico não é pra qualquer um, e ele faz isso com tamanha facilidade.

Com quem gostariam de fazer uma parceria?

Izzy – Putz, com muitas pessoas, mas o primeiro humano que veio na mente foi o Brendon Urie do Panic! At The Disco! Imagina ter um trampo produzido ou compor um som com esse cara, ta louco! Pra mim, ele é umas das mentes mais criativas dos últimos tempos e uma das grandes vozes da música atual.

ZeRO –  Difícil essa hein? Mas acho escolheria o Kelly Jones do Stereophonics, pego bem demais o Britpop e com a voz daquele cara!

Tuiú – Placebo, conheci os caras ainda na época do VHS. Pirei quando ouvir The Bitter End pela primeira vez, uma banda das primeiras bandas que virei fã e até hoje curto demais!

 

Agora acho que devemos ilustrar o “Spook Like Halloween” e fazer esse EP entrar na playlist dos riffeiros. “Bora”? Faixa a Faixa:

HelloMy Name is Twin Pumpkin

Nossa música de introdução! Resume bem todo o conceito ”Twin Pumpkiniano” e se inicia com um quote do livro ”Clube da L***”.

Tombstone Rock

Nosso ode ao mundo do horror! Um rockabilly cheio de tremolos, referências e aquele pézinho de inspiração da banda The Misfits!

The Phoenix

Ninguém sabe da força que tem até precisar usa-la e essa música resume bem isso! É sobre superar obstáculos e renascer através de si mesmo.

   OperatorPlease

Aquela mistura do Indie Rock da era ”Suck it and See” do Arctic Monkeys com uma pitadela de ”My Michelle” do Guns n’ Roses

You Make Albert Fish Look Like Magikarp

Esse som é o nosso ”B-Movie cinema trash” diretamente das entranhas de uma produção do Grindhouse! É sensual, violento e conta a história de um assassino que se julga PIOR do que o ínfame serial killer ”Albert Fish”, comparando-o com aquele Pokemon inútil; Magikarp!

Spook Like Halloween

Uma história de amor fantasmagórica repleta de influência de uma banda de folk-horror que vocês deveriam ouvir chamada ”Timber Timbre” (Sério, ouçam essa banda!) Inclusive, a ideia da capa do nosso EP veio a partir do conceito dessa música!

Live, FightBleed

Um conto sobre o início de uma revolução através da perspectiva de um narrador! Da-lhe Da-lhe riffs pesados e MUITA distorção, fechando o EP ”Spook like Halloween” com uma chave de Ununséptio!!

Boa! E falando nisso, agosto passado vocês lançaram vídeo pra “HelloMy Name Is Twin Pumpkin. Como o clipe aconteceu?

Izzy – Juntamos nossos amigos e com apoio da casa de shows Hocus Pocus em São José dos Campos, fizemos o nosso primeiro videoclipe, com direito a muitas risadas, muito goró e um rolê totalemente DIYzêra!

Quais são os projetos pro futuro?

 
Izzy –  Ficar famoso, tretar por estrelismo, acabar com a banda e 10 anos depois, fazer um show de reunião e ganhar milhões de dólares hehehe.
Brincadeiras à parte, estamos no processo de gravação de um cd novo e a lei é sempre continuar produzindo e gastando ideias a milhão!

Opa! CD novo é uma ótima notícia. Já dá pra adiantar alguma coisa?

Izzy – Dá pra adiantar que as gravações já começaram, o nome do CD vai ser um quote do Bukowski e vai ter a voz do Tuiuzera, e se achar ruim o Tuiú vai virar vocalista nessa caralha.



Demais! Queremos ver o resultado. E pra gente finalizar, qual o Riff que marcou a vida de vocês?

Izzy – Dammit do Blink-182! Foi o primeiríssimo riff que aprendi na vida e é isso. Blinkão é blinkão e o resto é o resto.

ZeRO –  Scar tissue, that I wish you saw, Sarcastic mister know it all… e por aí vai.

 

Saibam mais da Twin Pumpkin:
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