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Resenha: Selvagens à Procura de Lei + Vivendo do Ócio + Drops96 + Divisa @ Teatro Odisséia

Por Thaís Huguenin

Fechando abril com chave de ouro o Teatro Odisséia abriu as portas na noite do último domingo, 30/04, para a cena independente. A 3S Produções trouxe as bandas Selvagens à Procura de Lei com a Tour Praiero, Vivendo do Ócio em divulgação do LP “Selva Mundo”, Drops96 e Divisa. Foi uma noite movida a muita energia.

Quem chegou cedo, assistiu os cariocas da Divisa. O show foi embalado, principalmente, por canções do EP “(auto)retrato” lançado em agosto de 2016. Além das músicas autorais, a apresentação contou com covers de The Killers e Kings of Leon, o que animou ainda mais o público presente.

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Drops96 @2017

A noite foi de despedida para os integrantes da Drops 96. Depois de 11 anos na estrada a banda encerrou as atividades ontem. Victor Toledo (baixo e voz), Nando Sampaio (teclado), Marcio Quartarone (guitarra), Bruno Lamas (bateria), Léo Ugatti (guitarra) e Fabio Valentte (voz) fizeram uma apresentação de lavar a alma, mesmo com o setlist curto para um show final. Uma das canções que quase ficou de fora, por conta do tempo apertado, foi Volta pra Mim, mas através de recados na tela do celular os fãs pediram a música e, como esse foi o primeiro sucesso da banda nada mais justo do que ela encerrar o ciclo.

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Vivendo do Ócio @2017

Na sequência, os baianos da Vivendo do Ócio assumiram as rédeas da noite. Eles tiveram alguns problemas técnicos no início da apresentação, mas nada que comprometesse o desempenho da banda. Jajá Cardoso (voz e guitarra), Luca Bori (baixo e voz), Davide Bori (guitarra) e Dieguito Reis (bateria e voz) incendiaram o Teatro Odisséia.

Eles caminharam perfeitamente entre os discos “Selva Mundo” (2015), “O Pensamento É Um Imã” (2012), “Nem Sempre Tão Normal” (2009) e o EP “Som, Luzes e Terror” (2013). Os irmãos Bori foram um show à parte. Eles não ficavam parados, toda hora interagiam com a plateia.

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O último show da noite ficou por conta dos cearenses do Selvagens à Procura de Lei. Quando eles subiram no palco foi como se fosse a primeira vez do quarteto no Rio de Janeiro – pelo menos desse ano é.  Gabriel Aragão (voz e guitarra), Rafael Martins (guitarra), Caio Evangelista (baixo) e Nicholas Magalhães (bateria) não deixaram ninguém ficar parado. Foram incontáveis as vezes que apareceram as famosas rodinhas punks na plateia. A energia foi tanta, que uma das fãs que estava próxima ao palco passou mal e precisou de atendimento. Por conta disso, os meninos deram uma rápida pausa e ao se certificarem que estava tudo bem, voltaram a tocar e terminaram o show deixando a certeza de que precisam voltar logo.  

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Resenha: Drive + Drops96 + Divisa @Saloon79

Por Thaís Huguenin

Botafogo é um bairro conhecido, principalmente, por seus diversos bares. Fora da rota habitual Voluntários da Pátria e Bambina temos o Saloon 79, localizado na Rua Pinheiro Guimarães, 79.  A fachada que lembra o velho oeste e o letreiro neon destoam dos prédios residenciais da rua. A casa costuma abrigar os amantes do rock’n’ roll e nesta sexta, 3/02, os responsáveis pela noite foram as bandas Drive, Drops96 e Divisa.

Com a casa relativamente cheia, o lema da noite foi: “quem sabe, faz ao vivo”, porque a plateia fez os músicos saírem da zona de conforto do setlist previamente ensaiado. Mesmo enfrentando algumas dificuldades técnicas, por conta da estrutura da casa, eles mostraram um trabalho autoral de qualidade.

Já passava das 23 horas, quando a Divisa subiu no palco. O show foi embalado, principalmente, por canções do EP “(auto)retrato” lançado em agosto de 2016 e por uma nova versão de Reação, quarta faixa no álbum de estreia “Marco Zero” (2013). Além das músicas autorais, a apresentação contou com covers de The Killers, Kings of Leon e Tiago Iorc  – animando ainda mais o público presente.

Divisa
Divisa @2017

Durante a introdução de Coisa de Gênio, atual single do grupo, o vocalista Igor Balmas revelou a presença do compositor da música e de algumas pessoas que participaram do clipe na plateia. O vídeo fala sobre o amor em suas diferentes formas, algo que mesmo sendo simples muitas pessoas ainda não compreenderam.

Quando eles anunciaram Sempre Quis como a última música do setlist, a plateia tratou logo de pedir mais uma. A escolhida foi Terceira Idade e teve um belo coro acompanhando.

Quando foi a vez do Drops96 assumir o comando, o palco do Saloon79 ficou pequeno. Composto por seis integrantes, eles tiveram que se apertar um pouco, mas nada que comprometesse a performance cheia de energia do grupo.

Drops96
Drops96 @2017

Em um pouco mais de 40 minutos de show eles tocaram o disco “Busque Mais da Vida” (2016) e alguns covers.  As primeiras quatro músicas foram autorais e como uma forma de aproximar mais o público que não conhece o trabalho da banda, eles fizeram uma releitura de Charlie Brown Jr. Isso funcionou tanto, que ficou até difícil transitar entre o bar e o palco.

A banda contou com um integrante especial, Luca Schirru, baterista da primeira formação do grupo, substituiu Bruno Lamas que está fora do país. Mesmo algum tempo afastado, Luca mostrou que continua muito entrosado com o restante do grupo e aguentou firme a responsabilidade.

Quando os primeiros acordes de Palco da Vida soaram, ficou claro que o show estava chegando ao fim, mas a plateia se fez presente (novamente) e através de gritos ou por recados na tela do celular pediram mais músicas, incluindo Volta pra Mim, um dos primeiros sucessos da banda e que não tinha sido incluída no setlist. Eles não tiveram problemas em cantar essa e uma versão de Planet Hemp para encerrar. Com certeza deixaram um gostinho de quero mais no público presente.

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Drive @2017

A Drive foi a responsável por encerrar a noite, a banda que voltou recentemente aos palcos com uma nova formação caminhou, em um pouco mais de uma hora, entre canções do primeiro álbum, “Drive (2005)”, do segundo, “Plano Sequência (2012)” e do mais novo single do grupo, Não Vou te Sufocar.

Entre Bom Cidadão e Singular, Pack comentou sobre o relacionamento no meio musical atualmente: “As bandas tem que ser ver como aliadas e não como rivais, para assim fortalecer a cena. Tá difícil viver de rock, mas tenho certeza que a maioria das bandas que estão no underground também fazem isso porque gostam.”

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Diferentemente do show de estreia no Teatro Odisséia, a bateria durou a noite inteira, fazendo com que Te Enganar e Mais Um Dia Ruim pudessem ser tocadas sem problemas. Em Mais Um Dia Ruim e no cover de Foo Fighters que fechou a noite com chave de ouro, Pack dividiu os vocais com um fã. Depois dos dois shows aqui no Rio, não restam dúvidas de que a Drive voltou com tudo!

Resenha: Radioativa, Sun7, Drops96 e 161 @Lona de Jacarepaguá

Por Felipe Sousa | @felipdsousa

Dia 2 de julho de 2016 foi a data escolhida pela Radioativa pra comemorar seus 7 anos de estrada (28/6) e de quebra os aniversários da vocalista Ana e do baixista Denny (04/7). E Junto com as bandas Sun7, Drops96 e 161 decidiram que o palco pra essa festa seria a Lona Cultural de Jacarepaguá. Já conhecido por promover atrações das mais variadas, atrativas ao público local e ser um espaço que o circuito carioca precisa, a lona mostra-se cada vez mais atuante na cena underground. Não é à toa que já levou nomes como Versalle e a própria Radioativa.

Em contraste a essa esperança do ambiente tornar-se ponto de encontro da cena, devemos destacar que a Lona merece um upgrade no visual, e a acústica não é lá das melhores; o que dificultou um pouco as bandas na passagem de som e no show. Isso, aliado à dificuldade da cena underground em captar recursos, nos levou a um pequeno atraso no início do evento. Alguns problemas técnicos, microfonias, sonoridade falha, interferiram no andamento do show. Mas, calma! Continue lendo com a gente e vai entender porque esse evento vai além dele mesmo, e porquê VOCÊ, fã de rock, é tão importante pra esses sonhadores que fazem música. Confira em quatro atos e preste MUITA atenção a partir do 2°, principalmente.

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1° Ato. Apesar de fundada em 2011, a SUN7 tem integrantes bem jovens Thay Martins (Voz principal), Vinícius Távora (Guitarra e Voz), Fábio Florenzano (Guitarra), Duka Meirelles (Baixo e voz) e Raquel Igne (Bateria e Voz). Raquel Igne, no entanto, não esteve na festa, por problemas de saúde, sendo substituída pelo seu namorado, que também é baterista, Gabriel Lopes, que com apenas um ensaio, na noite anterior ao show,fez bonito e deve ter deixado a Raquel orgulhosa. A banda deu então o pontapé inicial ao evento, que nesse momento não contava com um público grande. O Pop Rock dos meninos alternava-se entre músicas autorais e covers. Thay Martins ditava o ritmo da galera com sua bela voz e certa dramaticidade na interpretação das canções, e era acompanhada pelo baixo e guitarras performistas dos meninos cabeludos que traziam à cabeça a lembrança do gigante Slash. Ao menos no visual. Os garotos tocaram poucas músicas, devido ao tempo curto, mas deu pra notar que a banda está buscando maturidade sonora e o tempo nos dirá até onde podem ir.

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2° Ato. Fabio Valentte (Vocal), Nando Sampaio (Teclados/synths/programações), Marcio Quartarone (Guitarra), Leonardo Ugatti (Guitarra),Victor Toledo (Baixo) e Bruno Lamas( Bateria) formam a Drops96. Começou em 2006 como uma banda de colégio e, em 2010, como diz o site deles, colocaram o pé na estrada. A banda tem três álbuns sendo o terceiro, “Busque Mais da Vida”, de 2016. Todos eles foram feitos a partir de campanhas de crownfounding.

O entrosamento dos caras é visível, diante de todas as dificuldades técnicas e de estrutura do evento, botaram pra quebrar logo de inicio. Mais que triplicaram o público logo na primeira musica. Deram um ritmo frenético engatilhando uma canção atrás da outra, e o público reagiu indo à frente do palco. Apesar dos caras não apontarem uma influência direta, ou um gênero específico, o som é bem perto do pop rock, com intros e refrãos pesados, alternando com pegadas bem dançantes e uma voz potente do Fabio. Exemplo disso foi quando tocaram Estrada e agitaram a galera.

Apresentaram também um cover de Tim Maia, que com todo respeito ao mestre, ficou muito bom. A banda tirou a timidez da galera, fez cantar junto.

Fica bem claro que a Drops tem ouvido muito Foo Fighters, e CBJR, mas não param aí. O dinamismo das guitarras e pancadas na bateria faz da banda um grande talento. O que rendeu aos caras o Prêmio Melody Box – Apresentação no Circo Voador em 2011. Ouça Drops96. Melhor show da noite!

3° Ato. Gabriel Bastos (Vocal), Daniel Cardoso (Baixo), Victor Fonseca (Guitarra), Letícia Santos (Bateria) e Marcio Marques (Guitarra) formam o quinteto SuperStar da 161. Conhecida por ter participado do programa global, iniciaram o seu show com alguns problemas técnicos (assim como as outras bandas), o microfone do Gabriel defeituoso irritava o cantor, e a guitarra do Marcio pouco se ouvia. Aí você pode pensar que o show não foi legal, né? Errado! Estamos falando de uma banda que se leva a sério. Gabriel é o típico Rock Star líder de banda, daqueles que mexe com a galera, e se você for daqueles tímidos, logo mudará isso e estará vibrando com o som dos caras na frente do palco. Foi o que aconteceu. A galera não se conteve nas chamadas cheias de entusiasmo e atitude rock’n’roll do vocalista.

161 tem claras influências em Charlie Brown Jr, além de riffs inflamados. Foi nessa pegada e com uma grande performance do vocalista Gabriel, que fizeram um baita show, na garra.

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Todo mundo sabe a dificuldade que é fazer rock no Brasil. Ainda mais difícil é a cena underground. Captar recursos, engajar pessoas, se inserir na mídia. Produzir um evento nesse cenário é desafiador e perigoso. Como já falamos, encontramos essa dificuldade no evento, público pequeno, estrutura e equipamentos sem grandes orçamentos. Mas se tem uma coisa que nunca vai mudar na batalha underground é a garra dessa galera em fazer música boa e promovê-la. Vimos isso quando a Radioativa subiu no palco e encontrou tais dificuldades, e não fez nada diferente do que proporcionar pra quem estava alia insanidade que é celebrar sete anos de estrada, nesse cenário, com um show cheio de coisa boa, e com muita vitória diga-se de passagem

4° Ato. Ana Marques(Vocal), Felipe Pessanha (Guitarra), Fabricio Oliveira(Guitarra), Denny Manstrange (Baixo) e Rodrigo Aranha (Bateria) têm dois EPs lançados e quatro clipes de produção totalmente independente, fazem um pop punk, com elementos do post-hardcore passando pelo emo. E é difícil não perceber também, tanto visualmente, quanto na sonoridade, nuances do Paramore.

Logo no inicio da apresentação, a banda promoveu seu hit Esquinas e de cara, levantou a galera. Dando a todos a oportunidade de ouvir a bela voz da Ana e belos riffs também. A música é muito boa, a melodia e letra grudam na cabeça.

Logo depois o microfone apresentou problema, e é aqui meus caros, que eu explico o porquê de vocês serem fundamentais. Quando a microfonia parecia não ter fim, o público comprou a briga, CANTOU JUNTO, no gogó, me deu a certeza de que a Radioativa não era mais só uma tentativa. A Radioativa VIVE. O ROCK VIVE. Foi demais ver a interação do público que ali estava. E com certeza, foi um belo presente do público pra banda.

Depois de conseguir que o microfone colaborasse a banda mandou um cover de Katy Perry e de novo animou a galera. Mas foi Acredite com seu riff inflamado em parceria com uma bateria pesada que agitou quem ali estava.

A música de trabalho da banda Vital foi outra amostra do potencial Pop Punk da banda. Contando com a participação de Bruno Dela Cruz, que veio de São Paulo pra se apresentar com a banda.

A banda encerrou com chave de ouro cantando Você não sabe nada sobre mim, e foi talvez o grande momento do show. Outra pancada na alma dos amantes do rock.

Radiotativa 7 anos foi o show pra celebrar bandas que você precisa e deve conhecer. Falamos aqui que o evento vai além dele mesmo, e de fato vai! Se por um lado houveram problemas, dificuldades, e a produção ficou a desejar; por outro, a garra e o som que mostraram merecem chegar no seu ouvido e ser compartilhado. Som de qualidade, atitude rock’n’roll, personalidade e muita disposição pra dar o melhor.

Quando o RIFF te der as coordenadas de um show como esse, vá! Abraço, Riffeiros. Até o próximo show.