Resenha: Young Lights e Astronauta e Seus Amigos @Teatro Sesc Silvio Barbato

Por Tayane Sampaio (texto e fotos) | @Tayanewho

Aos domingos, em Brasília, as ruas e avenidas são vazias. A cidade não é tomada por aquele enérgico burburinho jovem, como acontece em outras capitais, e a maioria das pessoas dedicam o dia à família e atividades leves, como uma caminhada no parque ou uma volta de bicicleta no Eixão. À noite, não é muito diferente. Existe, sim, um movimento aqui e acolá, mas Brasília é dominada pela Lei do Silêncio, que inibe grande parte das manifestações culturais que poderiam e deveriam tomar conta do centro do Distrito Federal.

No último domingo (10), aconteceu a quarta edição do Brasília Sessions, com shows das bandas Astronauta e Seus Amigos (DF) e Young Lights (MG). O projeto surgiu com o intuito de movimentar a cena local, ocupando espaços da cidade e apresentando os novos artistas ao público. Sempre com um ambiente intimista e acolhedor, o projeto busca conectar pessoas por meio da música.

Astronauta e Seus Amigos 1

A Astronauta e Seus Amigos foi a primeira banda a subir no palco do Teatro Silvio Barbato. Aproximadamente às 20h10, Pedro Rodolpho (vocal, teclado e sintetizador), Marcella Imparato (bateria), Paulo Vitor Amuy (baixo) e Pedro Carvalho (guitarra) entraram em cena, iluminados, quase que exclusivamente, por projeções que passavam no fundo do palco. O quarteto apresentou ao público brasiliense as canções do “Wanderlust” (2016), seu trabalho de estreia, que é o resultado final de ideias que foram aperfeiçoadas nos últimos três anos.

É difícil encaixar o grupo em um gênero musical, pois eles passeiam por vários estilos. Com músicas cantadas em português e inglês, a banda vai de sonoridades atmosféricas e densas ao doce violão folk. Após o show, que te leva em uma viagem espacial, com direito a bonitas paisagens e harmonias que transitam do space rock ao shoegazing, fica mais fácil entender o porquê do nome da banda.

Astronauta e Seus Amigos 3

No começo dava para notar certa timidez dos integrantes, que estavam concentrados na execução das músicas e criaram um clima mais introspectivo. A partir da metade do show, mais ou menos, os músicos se deixaram levar pelos sons que saiam de seus próprios instrumentos e, com isso, mostraram mais entrega à apresentação. O ponto alto foi Believe, uma música doce, com participação de toda a banda nos vocais, que incentiva o ouvinte a acreditar e lutar pelos seus sonhos.

As canções da Astronauta e Seus Amigos reverberam liberdade. A banda se mostra confortável e capaz de criar várias atmosferas em um único palco. O debute, em solo brasiliense, foi memorável, mas acredito que as futuras experiências ao vivo, com maior interação entre os integrantes, serão ainda mais especiais.

Young Lights 2

Antes das 21h30 a Young Lights deu início à sua segunda apresentação na Capital. Em 2015, eles tocaram na festa Play! e, apesar do palco pequeno e de problemas técnicos, mostraram o quanto as músicas crescem ao vivo. Pouco mais de um ano depois, e com um guitarrista a menos, a banda, agora formada por Jairo Horsth (vocal, violão e gaita), Gentil Nascimento (bateria), João Pesce (baixo) e Vitor Ávila (guitarra), voltou para apresentar algumas canções do “An Early Winter” (2013) e “Cities” (2014) em um show eletrizante.

Ao vivo, a banda vai muito além do rótulo folk que a acompanha desde o seu primeiro EP. Não há dúvidas de que o folk é uma forte influência, mas, se fosse para definir o som da banda em apenas um gênero musical, eu diria que a Young Lights faz rock, e dos bons! O próximo álbum está em fase de pré-produção e, segundo o baixista João Pesce, provavelmente terá sonoridades diferentes do que já foi apresentado nos discos anteriores. Inclusive, quem estava presente também escutou música nova!

Young Lights 3

A apresentação começou calma, romântica, mas não demorou muito para transformar-se em um momento explosivo e catártico. Apesar do pouco tempo da formação atual, é quase palpável a sintonia dos integrantes. O vocalista mostra desenvoltura para se comunicar com o público e explora o palco de uma ponta a outra. A interação entre os músicos faz, muitas vezes, com que a plateia sinta que está em uma divertida jam session, só que muito bem ensaiada e executada. A evolução do grupo fica evidente na melancólica You Drowned, I Swam, que começa simples, voz e violão, e depois, com a banda completa em ação, explode em uma belíssima versão com mais sete minutos.

Nem o cansaço dos (muitos) quilômetros viajados de carro, entre Sabará, Goiânia e Brasília, em apenas três dias, tirou a energia dos integrantes, que entregaram uma apresentação digna de festivais e que impressionou quem não os conhecia. Não é à toa que os mineiros tocaram uma música a mais do que o planejado, a pedido do público, que, sem dúvidas, teve uma linda noite de domingo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s