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Resenha: Raimundos + Supercombo @Vivo Rio

   Por Thaís Huguenin (texto e fotos)

A semana do feriado foi agitada para os rockeiros de plantão por conta do Rio Art Mix. Um festival que aconteceu nos dias 2 e 3 de Novembro no Vivo Rio e prometia ter “o melhor da cena, juntando as novas gerações e os clássicos da música brasileira”. Com mais de 10 atrações, ele trouxe grandes nomes como Raimundos, CPM22, Black Alien e Supercombo. O grande diferencial dele, além de dar espaço para bandas independentes, foi a oportunidade delas terem uma boa estrutura para se apresentarem, coisa bem rara em espaços que recebem esse tipo de evento.

Nós estivemos no segundo dia e conferimos os shows do Monstros do Ula Ula, Deia Cassali, Rocca Vegas, Rico Dalasam, Supercombo e Raimundos. Confesso que de todos esses nomes só conhecia os dois últimos, mas esse é o ponto interessante de um festival: estar aberto para conhecer bandas novas.

Rio ArtMix Festival
Monstros do Ula Ula

Os shows foram relativamente curtos, mas o bastante para cativar o público. Seja com a descontração em cima do palco dos Monstros de Ula Ula – não poderíamos esperar nada menos de uma banda com esse nome -, os covers e homenagens da Deia Cassali ou com o rock enérgico do Rocca Vegas, que contou com as participações de peso do Léo Ramos (Supercombo), Drenna Rodrigues (Drenna) e Maurício Kyann (Nove Zero Nove) durante a apresentação.

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Supercombo

Menos de uma semana depois de terem tocado no Teatro Rival, com Glória e Zimbra, a Supercombo retornou ao Rio. Um pouco arriscado, mas os fãs deram um show à parte e a banda se apresentou como se não viessem para cá há meses. Quem assumiu a bateria nos últimos shows e se juntou com Léo Ramos, Carol Navarro, Paulo Vaz e Pedro Ramos, foi André Dea, do Sugar Kane.

 O pontapé inicial foi dado por “Jovem” – essa música conta com a participação de Dinho Ouro Preto (Capital Inicial) na releitura da Session da Tarde divulgada no dia do show. Seguida por “Fundo do Mar”, “Campo de Força”, “Magaiver” e “Monstros”. Eles continuaram costurando o setlist com canções do Sal Grosso (2011), Amianto (2014) e Rogério (2016), fazendo o que sabem de melhor e não deixando ninguém parado. A conclusão é que a cada vez que a turnê Rogério passa por aqui, e já foram umas 5, é diferente e sempre muito boa.

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Rico Dalasam

Quem continuou com o show foi o Rico Dalasam, representante do rap da noite. De nome, você pode até não reconhecê-lo de primeira, mas a minha dica é: “Todo Dia”, hit do carnaval desse ano. Sim, ele é intérprete da música junto com a Pabllo Vittar. Com voz marcante, uma mistura de ritmos incorporada em suas músicas e um discurso sobre aceitação da identidade de gênero, ele foi a grande surpresa do festival.

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Os responsáveis por fechar a noite foram os Raimundos. Completando 30 anos de carreira, os brasilienses mostraram porque estão tanto tempo na estrada. Com uma extensa lista de álbuns, eles conseguiram agradar a todos tocando desde “Mulher de Fases”, “Baculejo”, “A mais pedida” até cover de “Love Of My Life”, do Queen. O resultado foi o público cansado, sem voz, mas com um sorriso que não cabia no rosto.

 

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Resenha: O culto da Fresno no @Imperator

   Por Natalia Salvador e Thaís Huguenin (texto e fotos)

O último domingo poderia ter sido só mais um dia tedioso em casa e de sofrimento antecipado pela segunda-feira, mas não dessa vez. Dia 8 de outubro de 2017 foi marcado pela passagem da turnê Sinfonia de Tudo Que Há, da Fresno, no Imperator. Para deixar a festa ainda mais bonita, foram adicionados a banda Vital e o sold out da casa!

Os cariocas da Vital tiveram a difícil missão de dar início ao baile. Com os Eps “Sobre Viver” e “Selvagem”, eles conquistaram o público sem muita dificuldade, graças aos riffs de guitarras bem marcardos, letras que ficam na cabeça e, obviamente, uma apresentação energética. Driblar a barreira de um mar de fãs ansiosos para o show principal da noite não é tarefa fácil, mas a banda mostrou para o que veio e o público acolheu a apresentação. 

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Vital | por Natalia Salvador

Antes mesmo da notícia de sold out, que abalou alguns fãs e deixou outros tantos do lado de fora, a Fresno já prometia um belo show para encerrar com chave de ouro a turnê do sétimo álbum de inéditas do grupo.  A banda que completa 18 anos esse ano, demonstra a cada trabalho que sempre é hora de arriscar e renovar.

Aos gritos de “é a melhor banda do Brasil”, eles subiram no palco e mostraram que ninguém ali iria sair como chegou. A primeira música foi Sexto Andar, seguida pelas faixas do disco que nomeia a turnê: A Maldição, Astenia, Hoje Sou Trovão e Deixa Queimar intercaladas com as clássicas Milonga, Cada Poça Dessa Rua Tem Um Pouco de Minhas Lágrimas e Stonehenge, que provocou uma certa nostalgia no público e fez todo mundo cantar o mais alto possível.

A versatilidade dos meninos em cima do palco e o troca-troca de instrumentos ao longo do show não é nenhuma novidade. Quando Lucas foi em direção ao teclado, o coração dos fãs já bateu mais forte na expectativa do que ia aprontar. Foi um pouco inacreditável quando ele puxou Cidade Maravilhosa, seguido pelo clássico da banda britânica Queen, Bohemian Rhapsody e Poeira Estelar.

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Fresno | por Thaís Huguenin

Para acabar de vez com o restante de voz que as pessoas ainda tinham, o último bloco do show contou com mais clássicos da banda, incluindo Eu Sei, Revanche, Duas Lágrimas e Maré Viva. Nesta última, um mix de acontecimentos fez com que a apresentação se tornasse inesquecível. Primeiro, Lucas Silveira concedeu sua benção para um casal de fãs antes do início da canção, depois Thiago Guerra – que toca guitarra nesse momento – interrompeu sua participação para socorrer uma fã que passava mal na grade. Entre mortos e feridos, Guerra foi ovacionado pelo público e no fim todos terminaram a noite em segurança.

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A banda estava muito emocionada com tudo que aquele dia representava. Por muitos momentos, o discurso do vocalista expressava isso. “Estamos construindo algo muito diferente aqui com vocês, é sempre um prazer diferente tocar no Rio. Obrigado!”, dizia Lucas. Uma coisa é certa, quem entrou no Imperator no último domingo não saiu o mesmo. O encerramento da tour Sinfonia de Tudo que Há foi espetacular, como muitos mencionaram no local, um verdadeiro culto.

Maroon 5, 5SOS, Pet Shop Boys, Ivete Sangalo e muito mais! @Rock in Rio 2017

  Por Thaís Huguenin

Sétima edição do Rock in Rio e mais uma mudança de casa. Dessa vez quem recebeu o maior festival de música foi o Parque Olímpico na Barra da Tijuca. O termo Cidade do Rock nunca foi tão apropriado. Palco Mundo, Sunset, de patrocinadores, Arena Games, Rock Street, Rock District, entre outras tantas atrações. É muita coisa para explorar, principalmente no dia mais quente do inverno. É preciso muita organização, já que tudo ficou mais distante. Para quem estava acostumado a ir e vir do Sunset para o Mundo a todo instante, se decepcionou – e desgastou – um pouco.

O show fora do palco Mundo que mais atraiu público foi o da Pabllo Vittar. Cotada para se apresentar com a Lady Gaga, ela foi convidada para cantar no stand de um banco e arrastou centenas de pessoas. Nitidamente, a organização não esperava tanto público, porque eles não tinham estrutura para atender a todos. As pessoas que estavam mais ao fundo não conseguiam enxergar, nem ouvir a apresentação, mas mesmo assim ficaram para prestigiar um dos novos nomes do pop nacional.

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Pabllo Vittar | por Bléia Campos

Outros destaques foram o Digital Stage, lugar responsável por receber os grandes nomes do Youtube; a Game XP, espaço mais interativo do festival, com costplayers, jogos e muito mais; e o Rock District, um palco que recebia  uma variedade de apresentações, a que mais me chamou a atenção foram as vionilistas Trítony Trio. Tocando clássicos do pop e rock elas levantaram, literalmente, o público que descansava por lá.

O palco Sunset – conhecido pelas inovações – recebeu em homenagem ao samba, grandes nomes como Alcione, Jorge Aragão, Martinho da Vila, Monarco, entre outros sambistas.  Esse sem dúvidas foi um dos melhores shows da noite, ninguém ficou parado e nos lembrou de umas das maiores preciosidades que temos na música.

Quem abriu os trabalhos foi o músico inglês SG Lewis, com uma apresentação dançante, ele basicamente mostrou como fazer batidas eletrônicas ao vivo, já que contava com uma banda e não só com os samples. Também se apresentaram Céu com Boogarins, escolha perfeita para o pôr do sol se não estivesse muito quente, mesmo assim fizeram uma boa apresentação e mostraram uma faceta do rock ainda pouco valorizada no Brasil. Em seguida, Fernanda Abreu com Dream Team do passinho e Focus Cia de dança, um show animado, mas mais do mesmo.

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Céu e Boogarins | por Fernando Schlaepfer  

Quando deu 19 horas em ponto, todos já estavam a espera da queima de fogos que indicaria o início dos trabalhos no palco principal, mas para a surpresa de todos, quem adentrou o Mundo foi a modelo Gisele Bündchen, para lançar a campanha Belive.earth. Com um discurso emocionado sobre a importância do respeito com pessoas, animais e plantas, ela foi responsável por trazer a primeira atração da noite: Ivete Sangalo. Ela, ao lado da top model, interpretou “Imagine”, do John Lennon.

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Gisele e Ivete | por Ariel Martini

Logo após a cantora se retirou do palco e aí sim tivemos a tão aguardada queima de fogos. Minutos depois, Ivete surge com um look a lá Ariana Grande e coloca todo mundo para dançar. Mesmo grávida de gêmeas essa mulher não parou um instante, a animação e satisfação de estar ali no palco eram evidentes. Além disso, a sintonia entre ela, os dançarinos e os músicos é invejável.

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Não era necessário ser um fã de carteirinha para saber cantar as músicas, porque elas estão contidas na bagagem cultural de cada brasileiro, quando você menos percebe está cantando. Ela passeou por vários hits animados como “A Festa”, “Sorte Grande”, “O Farol”, “Eva” e pelos mais melódicos como “Quando A Chuva Passar”. Ivete fez um tributo para Cazuza cantando “Pro Dia Nascer Feliz” com uma performance de arrepiar, com direito a bandeirões contra o racismo, a homofobia e um pedido de socorro da Amazônia. Showoman como ela é, interagiu bastante com a plateia e também homenageou o axé baiano  cantando Daniela Mercury, É O Tchan e Claudia Leitte.

Para finalizar, ela tocou na ferida aberta da noite: a ausência de Lady Gaga. Inclusive, foi a única do palco principal a falar nesse assunto. Como ela mesmo disse, não tinha como deixar passar em branco e improvisou “Bad Romance”.

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Pet Shop Boys | por Filipe Marques

Quem assumiu o palco em seguida foi a dupla Pet Shop Boys. Com ternos e capacetes futuristas eles criaram uma atmosfera nostálgica. O engraçado foi observar que o público estava dividido, tinha a galera que foi ao festival pela Lady Gaga e outra por eles. São gerações diferentes, mas quando o pop eletrônico começou a tocar na Cidade do Rock fez todos dançarem. Uma das poucas interações que eles tiveram com o público, foi falando que “A Vida É” era uma das canções que o Brasil deu a eles.

Entre os shows, o espetáculo continuou no céu, cerca de 100 drones fizeram uma apresentação de 10 minutos no ar. Ao som de bossa nova e música clássica, eles criaram diversos desenhos, incluindo os dizeres “Rock in Rio” e a famosa guitarra da marca.

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5SOS | por Wes Allen 

Os responsáveis por seguir com o show foram os australianos do 5 Seconds of Summer. Se a ordem da line-up tivesse sido diferente – Ivete, eles, Pet Shop Boys e Maroon 5 -, o público estaria mais animado na apresentação. Tinha obviamente grupos que cantavam a plenos pulmões as músicas, mas a maioria das pessoas não conhecia a banda, já estavam cansadas e queriam poupar energias para o show principal da noite, ou seja, curtiram o show sentados mesmo. Ao longo da apresentação o vocalista, Luke Hemmings, teve problemas com o retorno, isso ficou evidente em “Other Space”, quando ele desafinou. Infelizmente, é necessário admitir que talvez não tenha sido uma boa ideia eles tocarem no palco Mundo, pelo menos não por agora.

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Maroon 5 | por Fernando Schlaepfer 

Mesmo com vários little monsters espalhados pela Cidade do Rock, a noite foi encerrada por Maroon 5. Caso tenha perdido a polêmica, Lady Gaga, headline do dia 15, cancelou o show na véspera por problemas de saúde e eles foram escalados para substituir. A princípio rolou a insatisfação dos fãs com o festival e a promessa de ‘causar’ durante o show da banda americana. Podem ficar tranquilos, não houve sangue derramado, na realidade parecia que o grupo sempre foi responsável pelo primeiro dia.

Temos que concordar que com uma setlist repleta de hits, o trabalho ficou bem mais fácil.  A sequência de “Moves Like Jagger”, “This Love” e “Harder” já levou o público ao delírio. Sempre muito simpáticos, eles a toda hora interagiam com a plateia. Para coroar a apresentação, eles se arriscaram e cantaram “Garota de Ipanema”, seguida por “She Will be Loved”, “Do You Wanna Know” e “Sugar”.  A questão é como eles vão fazer para não soarem repetitivos?!

Resenha: The Maine @Circo Voador

     Por Natalia Salvador | Fotos: Thaís Huguenin

A banda americana The Maine desembarcou no Rio de Janeiro, no domingo, dia 23 de julho, para o último show da turnê Lovely Little Lonely no país. Para mim, esse era o primeiro contato com a banda e, para os fãs que ali estavam parecia que todo encontro é como se fosse a primeira vez. Depois de passar por São Paulo, Limeira, Porto Alegre, Curitiba, Brasília e Belo Horizonte e serem acompanhados por muitos desses fãs por essas cidades, era hora de lavar a alma, mais uma vez, no palco do Circo Voador.

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Michael Band @2017

Para começar a aquecer a noite – quase – fria na cidade maravilhosa, Michael Band, ex-integrante do grupo P9, se apresentou e foi muito bem recebido pela plateia ansiosa. Com o apoio de Felipe Lopes – baixista da banda OutroEu -, Michael apresentou músicas autorais, com uma pegada mais folk, que combinam muito com a voz suave. Além disso, o carioca se arriscou com uma versão apenas voz e violão de Take Me Dancing e a galera acompanhou em alto e bom som, dando uma pequena amostra do que estava por vir.

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The Maine @2017

Com um cenário simples, mas muito bonito, John O’Callaghan (vocal), Kennedy Brock (guitarra e vocal), Jared Monaco (guitarra), Garrett Nickelsen (baixo) e Pat Kirch (bateria) subiram no palco arrancando gritos e suspiros de uma platéia cheia de paixão. Eu sempre tive amigas fãs de The Maine, mas eu nunca tinha visto essa relação de perto. Logo nas primeiras músicas se tornou muito difícil ficar parado, aquela história de energia que contagia.

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The Maine @2017

Guardem seus celulares para essa próxima música e dancem. Vocês pagaram por isso, vamos estar aqui juntos, sem desculpas”, convidou John, em uma das muitas trocas que o vocalista tem com o público durante o show, antes de puxar o coro para a faixa de My Heroine. Outra música que ganhou destaque na noite entre solos e entusiasmo foi Ice Cave. E é claro que essa banda, com essa proximidade com seus fãs, não deixaria de atender a um pedido. “Nós tocamos essa música em Brasília, mas vocês sabem como é, não praticamos muito. Vamos precisar da ajuda de vocês”. E mais uma vez, Taxi foi adicionada ao set list de última hora, para alegria de todos.

Como já é de costume, John chamou uma pessoa para ajudar a cantar no palco Girls Do What They Want. O sortudo da vez foi o Vitor, lá de Maceió, e que também estava vivendo a experiência The Maine pela primeira vez. Os dois ainda escolheram mais uma fã, a carioca Mariane mal conseguia se conter de tanta emoção. Os dois cantaram abraçados e aproveitaram aquele momento único.

 

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The Maine @2017

Quase no fim do show, John falou do quanto é importante sentir as emoções e deixar que elas se libertem de nós. Segundo ele, podemos ficar tristes e felizes mas, acima de tudo, temos que ser bons uns para os outros. Foram tantas alegrias naquelas 1 hora e 30 minutos de música, tantos sorrisos, tanto carinho, tantos rebolados, que os problemas com o microfone não atrapalharam em nada a noite.

 

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Depois de tanto tempo acompanhando isso tudo de longe, me senti feliz por finalmente entender um pouquinho do que se passava no coração das minhas amigas fãs de The Maine no ensino médio. “Obrigada por acolherem a gente no seu país, nós amamos muito vocês. Se cuidem e a gente se vê”, afirmou o vocalista ao se despedir. É, John, o Brasil também ama muito vocês e, sem dúvidas, já não vê a hora para encontrar vocês de novo. Quem sabe não rola uma segunda primeira vez pra mim também?


Ouça! Depois de dois anos sem lançamentos o NX Zero divulga novas músicas

         Por Thaís Huguenin

Sem lançar músicas inéditas desde Norte (2015), O Nx Zero divulgou nesta sexta, 26/05, os singles Sintonia Nessa Cidade. Produzidas por Rafael Ramos, Deckdisk, elas trazem uma sonoridade diferente dos últimos trabalhos, mas isso é uma coisa que os fãs da banda aprenderam a lidar lá atrás, entre os álbuns Sete Chaves (2009) e Projeto Paralelo (2010).

Com 16 anos de carreira o quinteto já passou por diversas fases de composição, seja numa casa de praia isolada ou dentro do estúdio, o mais importante disso tudo é que eles se reinventam a cada trabalho. Infelizmente, essa mudança leva a uma divisão de opiniões entre os fãs, já que sempre vão existir os que gostam dessas metamorfose e os que preferem a banda como conheceram, vide os casos recentes de Paramore e Linkin Park.

Mais do que a questão da sonoridade isso tudo envolve o amadurecimento da pessoa, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. É um ciclo natural, pois estamos em constante mudança e no fim temos que aprender a lidar com isso. Diego, Leandro, Filipe, Conrado e Daniel nesse novo trabalho só reforçaram a premissa de que se fazemos algo com verdade, isso tende a se propagar de maneira positiva. Como diz a letra de Sintonia: “É um novo ciclo que se inicia”.

Resenha: Scalene + Alarmes @Imperator

           Por Natalia Salvador | Fotos: Thaís Huguenin

O palco do Imperator é famoso por receber grandes shows e ser responsável por proporcionar noites especiais para o público, e dessa vez não seria diferente. A dobradinha brasiliense Scalene e Alarmes fez uma mini tour conjunta e, na última quinta-feira, dia 18 de maio, foi a vez do Rio de Janeiro receber essas duas bandas com  euforia e energia, já conhecidas, do público fiel.

Dos palcos gringos direto para a cidade maravilhosa, Arthur Brenner, Gabriel Pasqua e Lucas Reis fizeram o primeiro show depois de uma série de apresentações pela Europa. O trio passou por cidades de Portugal e Espanha e voltaram ainda mais entusiasmados para conquistar o público. O show contou com músicas do CD ‘Em Branco’, primeiro da banda, e que comemora um ano de lançamento.

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Alarmes @2017

Ao contrário do que se costuma observar, a casa já estava cheia logo nas primeiras músicas e a galera acompanhava o trio com muita empolgação. Além dos movimentos de headbang, o rebolado também marcou presença, como na performance coreografada de ‘Mas não sei’. ‘Incerteza de um encontro qualquer’, ‘Não quero mais’ e ‘Tempo bom’ também marcaram presença no setlist. O palco que podia parecer grande, ficou pequeno para a Alarmes.

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Alarmes e Scalene @2017

Encerrando a turnê do DVD ao vivo, a banda Scalene parecia estar em casa no palco do Imperator. Para um show em dia de semana na zona norte carioca, o público compareceu em peso e encheu a casa. Os fãs do quarteto já são conhecidos pela energia e interação durante as músicas, e familiarizados com o setlist, a galera não parou desde a introdução ‘XXIII’ até o encerramento, com ‘Legado’. Mas se enganam os que acham que isso leva o show a uma mesmice. Toda apresentação da Scalene é uma nova (e boa) surpresa.

A grande novidade da noite ficou por conta dos brinquedinhos tecnológicos usados pelo baixista Lukão, que incrementaram e deram um toque especial às faixas. Além das clássicas rodinhas nas músicas mais agitadas, o carinho entre os amigos que a banda proporcionou ficou claro ao ver tantas pessoas abraçadas durante ‘Amanheceu’. Perto das finalizações e lançamento de um novo CD, Scalene vem mostrando, para quem ainda tinha dúvidas, o por que são merecedores de um Grammy.

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O público apaixonado deixou o Imperator, mais uma vez, com a alma lavada e aquela saudade instantânea. A princípio, o próximo encontro da Scalene com a cidade maravilhosa acontece no Rock In Rio, no dia 21 de setembro. Mas a verdade é que, juntos ou separados, o retorno das duas bandas é garantia de uma noite animada, aguardada e de muito som.

Resenha: Selvagens à Procura de Lei + Vivendo do Ócio + Drops96 + Divisa @ Teatro Odisséia

Por Thaís Huguenin

Fechando abril com chave de ouro o Teatro Odisséia abriu as portas na noite do último domingo, 30/04, para a cena independente. A 3S Produções trouxe as bandas Selvagens à Procura de Lei com a Tour Praiero, Vivendo do Ócio em divulgação do LP “Selva Mundo”, Drops96 e Divisa. Foi uma noite movida a muita energia.

Quem chegou cedo, assistiu os cariocas da Divisa. O show foi embalado, principalmente, por canções do EP “(auto)retrato” lançado em agosto de 2016. Além das músicas autorais, a apresentação contou com covers de The Killers e Kings of Leon, o que animou ainda mais o público presente.

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Drops96 @2017

A noite foi de despedida para os integrantes da Drops 96. Depois de 11 anos na estrada a banda encerrou as atividades ontem. Victor Toledo (baixo e voz), Nando Sampaio (teclado), Marcio Quartarone (guitarra), Bruno Lamas (bateria), Léo Ugatti (guitarra) e Fabio Valentte (voz) fizeram uma apresentação de lavar a alma, mesmo com o setlist curto para um show final. Uma das canções que quase ficou de fora, por conta do tempo apertado, foi Volta pra Mim, mas através de recados na tela do celular os fãs pediram a música e, como esse foi o primeiro sucesso da banda nada mais justo do que ela encerrar o ciclo.

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Vivendo do Ócio @2017

Na sequência, os baianos da Vivendo do Ócio assumiram as rédeas da noite. Eles tiveram alguns problemas técnicos no início da apresentação, mas nada que comprometesse o desempenho da banda. Jajá Cardoso (voz e guitarra), Luca Bori (baixo e voz), Davide Bori (guitarra) e Dieguito Reis (bateria e voz) incendiaram o Teatro Odisséia.

Eles caminharam perfeitamente entre os discos “Selva Mundo” (2015), “O Pensamento É Um Imã” (2012), “Nem Sempre Tão Normal” (2009) e o EP “Som, Luzes e Terror” (2013). Os irmãos Bori foram um show à parte. Eles não ficavam parados, toda hora interagiam com a plateia.

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O último show da noite ficou por conta dos cearenses do Selvagens à Procura de Lei. Quando eles subiram no palco foi como se fosse a primeira vez do quarteto no Rio de Janeiro – pelo menos desse ano é.  Gabriel Aragão (voz e guitarra), Rafael Martins (guitarra), Caio Evangelista (baixo) e Nicholas Magalhães (bateria) não deixaram ninguém ficar parado. Foram incontáveis as vezes que apareceram as famosas rodinhas punks na plateia. A energia foi tanta, que uma das fãs que estava próxima ao palco passou mal e precisou de atendimento. Por conta disso, os meninos deram uma rápida pausa e ao se certificarem que estava tudo bem, voltaram a tocar e terminaram o show deixando a certeza de que precisam voltar logo.  

OutroEu lança disco de estreia

Por Thaís Huguenin

Nessa madrugada de sexta feira chuvosa, os meninos da OutroEu lançaram o disco de estreia homônimo, “OutroEu”, pela Slap, selo da Som Livre. Se tratando de Mike Túlio, Guto Oliveira, Felipe Lopes e Rennan Azevedo sabíamos que vinha coisa boa por aí, mas eles conseguiram se superar e no fim valeu a pena a espera.

Composto por onze faixas, o álbum conta com composições que são velhas conhecidas dos fãs como Coisa de Casa e Zade, mas se engana quem pensa que só por isso não precisa escutar as músicas. Elas estão com uma roupagem nova, bem próxima do que vemos nos shows e não podemos negar que ficaram ainda melhores.

É impossível não chamar atenção para a quinta faixa do álbum. Aí de Mim é uma parceria da banda com a Sandy e estava sendo muito aguardada pelos fãs. A outra música que não poderia faltar na tracklist é a regravação de Dona Cila, da Maria Gadú. Com tudo isso fica mais difícil ainda escolher “A” melhor entre tantas opções boas, mas Até Mais, OutroEu e Poema de Lágrimas ficam no meu Top 3.

 A capa, repleta de símbolos, ficou na responsabilidade de Danielle Cavalher, confira a ilustração:

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Pega um chocolate quente, uma manta,  vá para sofá e aperte o play, porque esse disco precisa ser contemplado em todos os graus possíveis.