Em tempos de fim da Rádio Cidade/RJ e com os meios de comunicação mais populares dando cada vez menos espaço para o rock e suas vertentes, uma pergunta ronda a cabeça de quem é fã do estilo: o rock está “morrendo”? Bem, para quem esteve no Imperator (no bairro do Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro) no último dia 13/07 a resposta, com certeza, é não. E quem justifica a resposta são as arrebentadoras Hover, Stereophant e Far From Alaska, que comemoraram o Dia Mundial do Rock com uma festa inesquecível para quem estava lá.
Quem abriu os trabalhos foi uma das favoritas do Canal RIFF. Os petropolitanos da Hover entregaram, como esperado, um ótimo show, com um setlist dominado por músicas do álbum “Never Trust The Weather”. A banda mostrou, em sua segunda passagem pelo palco do Imperator, que já está mais do que pronta para os grandes palcos e públicos, pela boa presença de palco e pela boa música que fazem ao vivo.
A seguir, os cariocas da Stereophant subiram ao palco para um show que fez os presentes se empolgarem muito! Vimos mosh pits, refrões cantados em voz alta e uma interação bastante próxima com o público, que parece já acompanhar a banda há tempos. E, claro, uma sonzeira absurda, com destaque para a guitarra criativa de Vinicius Tibuna. Com certeza, o show mais divertido de se assistir da noite.
Por fim, tivemos a banda que, junto da Scalene, vem encabeçando o novo front de batalha do rock brasileiro e que vem mostrando que o estilo está longe de estar acabado por aqui. Trata-se dos potiguares da Far From Alaska, que estão lotando casas ao redor do Brasil (e do mundo, tendo ganhado o prêmio de banda revelação no MIDEM Festival 2016 e feito vários shows nos EUA). E não é por acaso. A banda faz no palco um som bem semelhante ao que é o álbum de estúdio “modeHuman”. A qualidade dos músicos impressiona bastante, sem contar no carisma incrível de toda a banda, principalmente da vocalista Emmily Barreto. Um show obrigatório para o fã de rock do mundo todo.
Este slideshow necessita de JavaScript.
Quem diz que o rock está morrendo ou que não tem mais espaço talvez só não compreendeu ainda que os tempos mudaram e ele ocupa outros lugares. Não está mais na TV e no rádio. Está na internet, e, principalmente, num lugar onde sempre esteve: nas casas de shows. Sejam elas pequenas, médias ou grandes. Distantes ou próximas. A melhor maneira de se experimentar o rock é pessoalmente, frente a frente, ao vivo. Essa é a melhor forma de se apoiar as bandas (em todos os sentidos, principalmente o financeiro) e manter viva a chama desse estilo que amamos. Portanto, quem ainda tem dúvidas precisa parar de se questionar e ir até as bandas e os shows, para que a pulsação se mantenha e nosso querido rock não morra.
Um dos festivais de rock mais insanos do Brasil está rumando mais uma vez para o Rio de Janeiro. E quem é fã de música extrema pode reservar o sábado (23/7) na agenda e preparar o ouvido para a pancadaria sonora que vai rolar no Matanza Fest na lona do Circo Voador! Vem com o Canal RIFF que nós te damos cinco razões para não perder essa.
1 – A abertura da noite fica por conta dos Monstros do Ula Ula. O nome pode soar novo para quem não acompanha a cena underground há muito tempo, mas trata-se do retorno de uma banda lendária do cenário carioca, composta originalmente por antigos membros do Planet Hemp e do próprio Matanza. E o melhor lugar para essa volta só podia ser o Circo! O punk rock com pegada surf music dos caras com certeza vai agradar aos mais novos e matar a saudade dos mais velhos que conheceram a banda em seu início, na década de 90. É pra encher a casa logo cedo!
2 – Teremos também uma das bandas de maior destaque recente do metal brasileiro. A Hatefulmurder vem fazendo um barulho considerável desde seu início e tem só expandido seus horizontes. Turnê latino-americana, abertura de shows de gigantes como Ratos de Porão, Krisiun, Kataklysm, Exodus e Killswitch Engage, álbum lançado pelo histórico selo Cogumelo Records… Nem a saída do seu primeiro vocalista, há menos de um ano, fez com que a banda perdesse o fôlego. O que os fãs de metal podem esperar é um som muito técnico pela ótima qualidade dos músicos (olho no baterista Thomás Martin!), encabeçados pela voz raivosa da nova vocalista, Angelica Burns. É pra chamar atenção até mesmo de quem não curte muito o estilo. Bandaça!
3 – Outra atração da noite é uma instituição do rock nacional. Com quase 40 anos de existência e muitas idas e vindas, os paulistas do Cólera vão fazer com que a noite seja épica só por ainda estarem de pé e tocando alto como sempre. A banda vai trazer seus clássicos para o palco do Circo, honrando o legado do falecido frontman e letrista da banda, Redson Pozzi, e com a energia e entrega no palco que o Cólera sempre apresentou ao longo da sua carreira. Será imperdível não só por ser um grande show, mas por tudo o que a banda simboliza para o punk rock brasileiro.
4 – Por fim, teremos os porradeiros do Matanza! O que dizer desses caras que, além de todo peso, de todas as letras cômicas e sarcásticas, de todo tempo em alta no rock brazuca sem deixar a peteca cair, ainda tem a moral de fazer um festival itinerante como é o Matanza Fest? Esse motivo é dois em um! Tem que respeitar muito o som do Matanza e a iniciativa dos caras de levar música boa para as maiores cidades brasileiras.
5 – O último motivo é a galera! O Matanza Fest tem feito sucesso não só pela qualidade das bandas, mas também pelo público que chega junto em todas as cidades do Brasil onde rola o festival. Público esse que agita MUITO, mas que, acima de tudo, respeita demais os limites e o espaço de cada um dos presentes. Portanto, vá preparado para bater cabeça e entrar em rodas do primeiro ao último acorde, mas vá tranquilo, pois consciência e respeito ao próximo não vai faltar. Nos vemos lá!
Festas de aniversário costumam ter alguma bebida que é a sensação da festa – e que deixa todo mundo bem feliz. Na festa de aniversário do República Pub no sábado passado (9 de julho), o drink da noite era o puro suco do underground! Os ingredientes dessa explosão de sabores foram algumas colheres bem servidas de menores atos, flambadas pela Incendiall e temperadas por pitadas de Estado Livre e Divine Glory. Tudo isso servido num recipiente perfeito para essa combinação explosiva: um local com toda pinta de um “rock club” em uma cidade importante para o cenário independente, como é São Gonçalo/RJ.
A noite começou com os niteroienses da Divine Glory e seu post-hardcore que toca em temas espirituais com uma boa dose de peso. A banda, composta por Wallace Freitas (vocal e guitarra), Johan Muniz (bateria e vocal) e Lucas Lassance (baixo) tocou as músicas do recém-lançado EP “Nunca É Tarde” e fez uma abertura de noite de respeito.
Estado Livre @2016
Os gonçalenses da Estado Livre vieram a seguir com um hardcore repleto de críticas sociais e muita fúria. A banda voltou à ativa recentemente e soltou toda a energia acumulada no palco do República Pub em um show intenso, que fez a galera se animar bastante.
O show seguinte foi o mais aguardado de alguns meses para esse riffeiro que vos escreve. Era a segunda apresentação dos cariocas da Incendiall, que voltou aos palcos no mês passado e já promete álbum novo e shows com bandas de peso como Plastic Fire e Pense. O show contou com algumas músicas do “Sobre status, cartões e cheques” e do vindouro novo álbum, e deu pra sentir que os caras estão com sangue nos olhos para gravar e tocar. O hardcore agradece!
menores atos @2016
Por fim, tivemos os emocionários da menores atos, provocando uma verdadeira catarse no República. Um show “curto, porém intenso”, como a banda tem feito desde o lançamento do aclamado “Animalia” (2014) e que tem feito o público cantar cada vez mais alto nos shows. Tão alto que dava pra ouvir as vozes mesmo estando colado na caixa de som (o que não era difícil, pelo espaço pequeno). Essa energia do público foi o ingrediente que faltava para ferver o caldo e tornar a noite completa. Às bandas que resistem, fazem seu som a despeito das dificuldades, aos que promovem shows dessas bandas, às pessoas que apoiam o cenário independente… um brinde!
Os dinossauros do rock nacional estão chegando ao Rio de Janeiro. Nesse sábado (09/7) tem Titãs no palco do Circo Voador! E você quer um bom motivo para ver esse showzaço? Toma logo cinco!
1 – A abertura da noite ficara por conta de Toni Platão. Conhecido principalmente pela sua participação na banda Hojerizah, o artista carioca apresenta músicas do seu último álbum “Lov – Labor Omnia Vincit”, lançado ano passado, entre outros sucessos. E quem conhece a carreira e a voz única do cara sabe que veremos um ótimo show, digno para aquecer o Circo para a porrada que será a apresentação dos Titãs!
2 – O show de sábado faz parte da turnê do DVD “Nheengatu Ao Vivo”, que foi premiado pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como o melhor show do ano. Ou seja, trata-se de um inquestionável sucesso de crítica.
3 – Apesar de se tratar de um show de divulgação do DVD do último álbum da banda, quem ainda não está familiarizado com as novas músicas pode ficar tranquilo. Branco Mello e companhia tem tocado alguns dos grandes clássicos da banda nessa turnê, como “Televisão”, “Desordem”, “Massacre”, entre outras. Portanto, preparem-se para um desfile de hits no Circo Voador!
4 – A música não será a única atração que os Titãs trarão ao palco. A banda tem apresentado uma estética muito interessante nos shows, com os membros da banda tocando com máscaras inspiradas pelo clipe de “Fardado”, música do último álbum. Se pelo vídeo as máscaras parecem ser muito bacanas, imaginem ao vivo!
5 – Talvez o melhor motivo é o fato de que ir a um show dos Titãs é presenciar e reverenciar o passado e o presente do rock em geral. Os Titãs são um patrimônio da música nacional, tendo influenciado várias gerações de músicos que procuram fazer um som com originalidade e atitude. E mesmo com mais de 30 anos de carreira, a banda ainda consegue manter seu alto padrão de qualidade e trazer inovações como o último álbum. Assim, nos preparemos para um show de qualidade gigante na noite de sábado, digno de um titã!
Noite de domingo (03/7) com som alto, bom e pesado no Teatro Odisseia! Quatro bandas dos mais diversos estilos do rock convidaram os cariocas a saírem da monotonia de um domingo nublado para bater um pouco a cabeça: 8mm, The Ocean Revives, Âncora e Gloria. O show foi mais uma produção da Cena Rock, que tem levado ótimos artistas de todo o Brasil para o Rio de Janeiro.
O hardcore casca-grossa da 8mm abriu a noite. O quinteto, formado por Alemão (vocal), Fabio Garcia (guitarra), Rodrigo Salgado (guitarra), Zé Freitas (baixo) e André Costa (bateria) é figurinha carimbada da cena carioca e trouxe ao palco riffs muito bem construídos, uma linha de baixo bem criativa em relação ao que se vê em outras bandas do estilo e uma bateria frenética, sustentando o vocal grave e as letras recheadas de críticas sociais cantadas por Alemão. Mesmo encarando um tipo de público que não costuma frequentar os shows da banda e tendo que passar por cima de problemas técnicos, a banda manteve a intensidade durante todo o show e agitou bastante a galera que chegava ao Odisseia.
Dando continuidade à noite, tivemos uma surpresa daquelas que só se acha saindo de casa e indo aos shows. Bandas de metalcore existem aos montes, e a sonoridade delas costuma soar repetitiva. Mas o que a The Ocean Revives (RJ) faz sai pela tangente do senso comum e toma um caminho bastante interessante. Com uma energia e uma presença de palco raramente vista em outras bandas, Charles Barreto (guitarra), Kevin Duarte (bateria), Rafael Carrilho (guitarra/vocal), Rodrigo Andrade (baixo), Rodrigo Nascimento (vocal) e Vic Corrêa (vocal) fazem um som que merece a atenção do fã do estilo. Com belas letras em português, vocais limpos e guturais se alterando de uma maneira muito agradável e uma produção de palco de dar inveja até em bandas com público grande, a banda agradou não só quem já conhecia (e que não era pouca gente, pela quantidade de pessoas cantando junto da banda) como também quem nunca tinha ouvido falar do som dos caras, como nós do RIFF que já estamos no aguardo de mais shows e mais material autorial dessa banda que tem um futuro muito interessante.
Penúltima banda da noite, a Âncora infelizmente teve pouquíssimo tempo para mostrar seu som. Mas deu pra perceber que o post-hardcore feito por Felipe Barboza (vocal) Brandon Antunes (guitarra) Rodrigo Macario (baixo) Johnny d’Avila (guitarra) e Marcos Eduardo (bateria) é original e tem uma pegada mais “tranquila” em relação às bandas anteriores. Destaque para a voz de Felipe, afinadíssimo e atingindo notas bem altas sem grandes dificuldades, e para Marcos, que sabe cadenciar muito bem o ritmo da banda.
Este slideshow necessita de JavaScript.
Por fim, depois de uma espera de anos, o Gloria subiu ao palco para desfilar sucessos de todas as fases da banda. E, como era esperado, o público já estava ganho desde a primeira música. Fazendo um show tecnicamente perfeito, Mi (vocal) Elliot Reis (guitarra e vocal) Peres Kenji (guitarra) Thiago Abreu (baixo) e Leandro Ferreira (bateria) alternaram músicas dignas de mosh com baladas que fizeram um ou outro se emocionar. O quão alto o público cantou junto e de deixou conduzir por Mi, que parecia mais um maestro da multidão, impressionou bastante. Mostrou que os Guerreiros (pelo menos os do Rio de Janeiro) continuam firmes, fortes e sedentos por novos trabalhos da banda e torcendo para que a Gloria tenha uma vida longa pela frente.
Queridos riffeiros, o poeta está vivo, anda muito bem escoltado e tem encantando as multidões. E quem esteve no Teatro Ipanema na última sexta-feira (24/6) pôde ver mais um de seus testemunhos e saiu abençoado pelo som maravilhoso de Posada e O Clã. O show foi mais um fruto do ótimo trabalho da residência artística “Vem! Ágora”, que tem feito diversos eventos culturais no Teatro Ipanema, e que promete trazer mais artistas independentes da música para o seu palco nas sextas-feiras.
Na humilde concepção desse fã de música que vos escreve, estamos vendo em Carlos Posada o Caetano Veloso da nova geração. Exagero ou não, o tempo dirá. O fato é que o sueco de sotaque pernambucano tem a alma de um poeta urbano, e traz tal faceta para o palco de uma forma ainda mais visceral do que suas composições já deixam explicitas. As letras são densas, mas a interpretação é tão cuidadosa e sincera que parece que ele dá uma aula do que quis dizer. Para tornar tudo mais didático, O Clã dá todo o tom das situações versadas por Posada de maneira magistral. O que é de se esperar, visto que ele é composto por ninguém menos que os entrosados Gabriel Barbosa (bateria), Hugo Noguchi (baixo) e Gabriel Ventura (guitarra), parceiros em outros projetos como Ventre, SLVDR e Duda Brack.
Posada abre o show agressivamente, na base da tijolada. Tijolo, talvez a canção mais conhecida do compositor, ganha uma voz de denúncia/protesto e dá o tom ao que está por vir: um show forte, com um instrumental que convida a todos para prestar atenção no que será dito. Daí para frente, a banda alternou as músicas do álbum “Posada” (2013) com novidades de um futuro novo álbum, e que promete ser tão fantástico quanto o primeiro, pelo que deu para perceber nas músicas tocadas. Músicas essas que animaram bastante o público, que não se contentou em ficar sentado nas poltronas do teatro e se levantou para dançar.
O grande destaque da noite ficou por conta das talentosas participações especiais, com Duda Brack, que cantou Lamento, Caio Prado, que cantou Retalhos e Júlia Vargas, que cantou Pulmão. As cerejas do bolo ficaram por conta do bis com Tijolo, cantada por todos os convidados no palco, e o anúncio de que o novo álbum sai em breve, “No máximo em dois meses”. Vamos aguardar e torcer por vários shows, pois o que Posada diz e O Clã toca não pode ficar no ouvido de poucos. Porque não só “parece arte/revolução”, de fato é.
Mais uma sexta-feira, mais uma noite de bandas independentes na Kult Kolector. A casa, localizada na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro) e que tem movimentado a cena carioca, abriu suas portas para receber os manauaras da Luneta Mágica e os cariocas da Hunna e da Montanee no dia 17 de junho.
A Luneta Mágica abriu a noite jogando nível lá em cima. Formada por Pablo Henrique (guitarra e vocal), Erick Omena (guitarra e vocal), Eron Oliveira (bateria) e Diego Gonçalves (baixo), a banda é uma deliciosa vitamina de música brasileira. Com influências que vão de Los Hermanos a Jorge Ben e de Mutantes a Clube da Esquina, a Luneta faz um ótimo rock alternativo/psicodélico que não se prende às influências e apresenta um som muito original. O repertório cheio de boas canções autorais e algumas versões bem interessantes de outras bandas, como Pink Floyd, fazem do show da Luneta um daqueles obrigatórios para quem curte a cena underground brasileira.
A Hunna continuou a noite trazendo um pop rock que foge dos clichês e incorpora elementos de pop-punk e de post-hardcore, em um set com músicas autorais e alguns covers clássicos de Red Hot Chilli Peppers, Pearl Jam e Blur. O destaque vão para as baladas da banda, principalmente Não Há Nada. Uma boa dica para quem curte um som mais pop, mas não tão óbvio.
Enfrentando problemas com o som e na própria banda, a Montanee fechou a noite na raça e com um bom show. A banda subiu ao palco desfalcada de seu guitarrista Diogo Panico e com uma falha no microfone do vocalista Felipe Areias, mas assim mesmo não deixou a peteca cair e fez um rock alternativo autoral e muito original. Tão original que é difícil perceber quais as influências, mas Kurt Cobain e Dave Grohl apadrinhariam a banda sem pensar duas vezes. Apesar das excelentes canções próprias, o destaque ficou por conta dos surpreendentes covers de Drake e Lana Del Rey. Se a banda mandou bem assim desfalcada, dá pra se esperar um show incrível com ela completa. Fiquem de olho na agenda do Canal RIFF para não perder os próximos shows da banda e também na Hunna. E ficamos torcendo para que o retorno da Luneta ao Rio não demore muito.
O melhor jeito de se surpreender com algo é quando, mesmo existindo uma expectativa boa no entorno da coisa, ela sai ainda melhor do que o esperado. É bem assim que pode ser definida a noite de quinta-feira (16/6), quando Plutão Já Foi Planeta, Radioativa e Bordô fizeram ótimos shows no Teatro Odisseia (Rio de Janeiro) e surpreenderam até aqueles que já conheciam seus trabalhos.
Os cariocas da Bordô abriram a noite com um set curto, mas suficiente para mostrar a proposta da banda. Fazendo um rock ora dançante, ora mais introspectivo, Rafael Lourenço (vocal, guitarra e teclado), Daniel Schettini (guitarra), Marcelo Santana (bateria) e Rodrigo Pereira (baixo) trouxeram à tona aquela atmosfera de festa indie habitual do Odisseia durante pouco mais de meia hora e botaram o público para dançar. Uma banda para se ficar de olho, principalmente para quem curte um som na linha de Panic! At the Disco, Franz Ferdinand e Arctic Monkeys.
A também carioca Radioativa subiu ao palco logo após, e as comparações com os americanos da Paramore foram inevitáveis, pela estética da banda, pela vocalista e pelas primeiras notas tocadas. Porém, as semelhanças ficaram nas primeirasimpressões. Ana Marques (vocal), Felipe Pessanha (guitarra) Fabricio Oliveira (guitarra), Denny Manstrange (baixo) e Rodrigo Aranha (bateria) fazem um som com elementos diferentes da banda de Hayley Williams. A banda apresentou no seu set de cerca de 50 minutos um pop-punk com uma boa dose de peso e distorção, com influências de post-hardcore e real emo, além de um vocal potente de Ana. A dupla de guitarras também se destaca, com ótimos riffs e uma pegada forte, raramente vista em músicos do estilo. Merece a atenção dos fãs de Yellowcard, New Found Glory e do já citado Paramore.
Para fechar a noite de boas surpresas com chave de ouro, a Plutão Já Foi Planeta, finalista da edição 2016 do programa Superstar, ganhou o palco do Odisseia com muito carisma e boa música. Quem vê a banda potiguar na TV ou ouve o EP “Daqui Pra Lá” e se encanta precisa urgentemente ir a um show deles. É ainda melhor! Os versáteis Natália Noronha (voz, baixo, sintetizador), Sapulha Campos (voz, guitarra, ukulele, escaleta), Gustavo Arruda (voz, guitarra, baixo), Vitória de Santi (baixo, sintetizador) e Khalil Oliveira (bateria) fazem um indie pop com muita originalidade, ótimos arranjos e uma entrega no palco que pouco se vê no mainstream atual. A banda é muito bem ensaiada e pareceu em casa no Rio de Janeiro, mesmo sendo a primeira vez em terras fluminenses. Até o público presente no show impressionou. A galera cantou todas as letras e brincou com os integrantes da banda entre as músicas, tornando a noite ainda mais agradável. E a maior e melhor surpresa de todas ficou para o final: a Plutão chamou os interagentes da OutroEu e da Playmobille, duas bandas que também participam do Superstar (a OutroEu também está na final) para cantar com eles no palco a última música do set, Você Não é Mais Planeta, e transformou o show numa festa. Fiquemos ligados na final do Superstar, pois a Plutão fez um show de campeã.
Noites frias no Rio de Janeiro são bastante raras. Como em qualquer outro lugar, elas pedem um local aquecido, aconchegante e com boa música. Parece que tudo conspirou para que esse clima fosse concebido pelo Escritório da Transfusão Noise Records, que abriu suas portas na noite da última quinta-feira (9 de junho) para os shows dos mineiros da Confeitaria e dos cariocas da SLVDR.
O local, que mais parece uma sala de estar, favoreceu bastante para dar uma atmosfera intimista à noite e combinou bastante com a proposta das bandas. A Confeitaria abriu os trabalhos, apresentando seu álbum “Enero” na íntegra. O registro do duo formado por Lucas Mortimer (bateria e efeitos) e Gabriel Murilo (guitarra e baixo) se mostrou bastante sólido ao vivo, mesmo com limitações técnicas que ocorreram durante a apresentação (como problemas na bateria). O que se ouviu foi um post-rock com um toque experimental de muito bom gosto e que reflete bastante a atmosfera das gélidas montanhas da Patagônia, onde o álbum foi gravado.
Conversando com Mortimer, pude ouvir boas novidades em relação a cena underground em Belo Horizonte, principalmente sobre os artistas do “rock triste”. Também conhecido como Emo Tupiniquim e capitaneado por algumas figurinhas carimbadas como Lupe de Lupe e caras novas como Jonathan Tadeu e El Toro Fuerte, o movimento da “Geração Perdida” parece estar fervilhando, e promete transbordar no Rio de Janeiro em breve. Muitas bandas de BH irão ou voltarão a se apresentar no Rio nos próximos meses, inclusive a própria Confeitaria. A dica para quem perdeu o show, portanto, é ficar ligado na agenda do Canal RIFF e comparecer ao próximo, pois é o tipo de experiência que só presenciando para sentir de fato do que se trata.
Para esquentar ainda mais a noite, a SLVDR (“Salvador” sem as vogais, para os desavisados) assumiu os instrumentos e mandou uma brasa atrás da outra. O math rock potente conduzido por Bruno Flores (guitarra), Hugo Noguchi (baixo) e Gabriel Barbosa (bateria) fez até o mais friorento dos espectadores se esquentar. Apresentando músicas de todas as fases do projeto, o trio também anunciou que seu primeiro álbum, intitulado “Presença” está para sair em breve. Vamos aguardar! O grito de “caraca!” de uma pessoa da plateia ao final da faixa “Bouken” (que estará no novo trabalho) definiu bem o que foi a apresentação. A sensação que ficou no final do show e depois de tamanha fritação musical era de orelha, cabeça e corpo quentes. Perfeito para dormir aquecido numa noite fria.
O cenário independente de música costuma reunir bandas com propostas nem sempre parecidas, mas que, por fazerem parte da cena em uma determinada época, acabam tocando nos mesmos eventos, tornando a coisa bastante interessante para quem gosta de descobrir novos artistas. A Kult Kolector, localizada na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro) e que costuma abrir espaço para diversas bandas alternativas em seu palco proporcionou mais uma dessas noites na sexta-feira (03/06/2016), onde o destaque foi justamente a diversidade de sons, e, claro, a qualidade das bandas.
A casa recebeu o show de lançamento do álbum “Avec III”, do trio carioca Avec Silenzi. O line up ainda contou com os petropolitanos da Hover em mais uma apresentação da turnê do recém-lançado “Never Trust The Weather” e com os também cariocas da menores atos em mais um show da turnê do aclamado “Animalia”.
Hover
Antes de mais nada, é preciso elogiar duas coisas. Em primeiro lugar, a estrutura da casa. Por mais que fique devendo um pouco em relação à acomodação do público (por exemplo, grandes filas se formaram na porta do banheiro, pois havia apenas um para cada sexo disponível em um evento que recebeu cerca de cem pessoas), a estrutura de som e a acústica do local são bem acima da média em relação a outros picos.
O segundo ponto a se destacar é a maturidade das bandas. O cenário independente deixou de ser sinônimo de algo amador e sem qualidade faz tempo, e quem ainda tem essa concepção certamente não está acompanhando a cena com a atenção que ela merece. E o evento da Kult foi só mais uma prova disso. Os músicos tem uma qualidade absurda e não devem a nada a nenhuma banda de renome. Os álbuns tem uma produção excelente e a execução ao vivo, que alguns artistas já consagrados ficam devendo em qualidade, chega a ser melhor ainda que a experiência em estúdio. Os materiais de promoção e divulgação dos discos e dos shows deixam muita peça publicitária de horário nobre no chinelo. Tocar cover? Pra que? É tudo autoral e muito bem feito! Enfim, é possível se alongar aos montes aqui para falar sobre a qualidade das bandas que se apresentaram e da cena como um todo. Esse parágrafo é justamente para abrir o olho de quem ainda não está atento à safra maravilhosa do rock nacional que ganhou notoriedade nos últimos três anos e que está ganhando corpo rumo aos grandes palcos (vide Scalene, Far From Alaska, Suricato…).
Avec Silenzi
Voltando ao evento, quem abriu a noite foi a Hover, que criou um clima de boas vindas com There’s No Vampire in Antarctica, at Least for 6 Months e logo a seguir tratou de botar a casa abaixo com Hawkeyes, ambas do “Never Trust the Weather”. Ao longo do set, impressionou como a banda trouxe ainda mais peso às músicas em relação ao que foi feito no estúdio, principalmente as do EP de estreia da banda, “Open Road”, que tem uma pegada muito mais pop do que “NTTW”. A banda manteve essa marca ao longo do set, mesmo em músicas mais elaboradas como Teeth e I’m Homesick. Outra coisa que chamou a atenção foi como as três (!) guitarras da banda não se “atropelam” e soam muito bem. Isso geralmente é um desafio grande para as bandas durante suas performances, mas não pareceu um problema em momento nenhum para os ótimos Saulo von Seehausen, Felipe Duriez e Lucas Lisboa. A cozinha da banda, formada por Pedro Fernandes (baixo) e Álvaro Cardozo (bateria) também não faz por menos e mantém intenso o andamento das músicas. Enfim, um show bem porrada, pra bater cabeça e tudo.
menores atos
Após um pequeno percalço com o acerto do som, a Avec Silenzi subiu ao palco para apresentar as músicas do seu novo álbum, além de outras preciosidades dos outros dois discos. E logo de cara foi possível perceber a experiência transcendental que seriam aqueles 50 minutos de set. Nos primeiros acordes e efeitos sonoros, a banda convida o público para uma jornada que certamente não é no plano em que vivemos. A interessante combinação de elementos de trip-hop, post-rock, música eletrônica, efeitos sonoros psicodélicos e uma pitadinha de death metal feita por Duda Souza (bateria), Rafael Ferreira (baixo) e Renan Vasconcelos (guitarra e efeitos) faz até aquele que não está prestando muita atenção no show entrar na viajar junto com os caras. E que músicos fantásticos! Quando você acha que já foi surpreendido ao máximo com toda a técnica do trio, Renan e Rafael trocam os instrumentos entre si para tocar a última música. Sensacional! A banda é ótima e certamente o novo álbum vai repercutir bastante.
Este slideshow necessita de JavaScript.
Para fechar a noite com chave de ouro, a menores atos ganhou o palco para fazer um set curto, mas pulsante e com uma participação incrível do público. A plateia praticamente dividiu os vocais com Cyro Sampaio e sua guitarra, o aniversariante Celso Lehnemann e seu baixo e Felipe Fiorini e sua bateria, substituindo o “titular” do posto Ricardo Mello, que passa por problemas de saúde. A banda parece estar se encontrando com o novo membro, e os erros de execução presentes na última apresentação quase não ocorreram (só um pequeno deslize no início de “Oceano”). No show, o que vimos foi o que tem se visto em todas as apresentações da banda. Uma linda introdução, precedendo “Animalia”, e depois o desfile de letras fortes, acordes muito criativos e um ritmo forte e pulsante. E show da menores atos não tem muito o que dizer, é só sentir. É “preparar, apontar, puxar o gatilho” da garganta e cantar da primeira até a última música. E sair rouco, mas de alma lavada.