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Confeitaria | RIFF Sessions

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Resenha: SLVDR, MOS e Confeitaria @Fórum Sessions Instrumental

Por Alan Bonner | @Bonnerzin

O Estúdio Fórum, localizado em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, realizou no último domingo (14/8) mais uma edição do Fórum Sessions Instrumental com três bandas independentes e da mais alta qualidade. Tivemos o prazer de curtir as excelentes Confeitaria (MG), MOS (RJ) e SLVDR (RJ), em mais uma daquelas noites que nos trazem orgulho em relação ao o que está sendo produzido no cenário independente

Antes de falar das bandas, é preciso elogiar o estúdio. Que estrutura fantástica tem o Fórum! Há tempos eu não cobria um show com tamanha qualidade de som. Isso sem contar na simpatia do staff do estúdio e da iniciativa de trazer bandas independentes para tocar em seu espaço. Fica a dica para aqueles que têm banda e procuram um bom lugar apara ensaios e gravações.

Confeitaria @ Forum
Confeitaria @2016

Essa qualidade sonora absurda contribuiu muito para que os presentes pudessem curtir as propostas que cada banda trouxe. A começar dos nossos amigos da Confeitaria. Os queridos mineiros voltaram ao Rio para apresentar as canções do álbum “Enero”, gravado na Patagônia Argentina, além de coisas novas que eles vêm compondo. O mais interessante dos shows da Confeitaria é sempre o lance da empatia. As diferentes nuances de cada música, as camadas sonoras sendo adicionadas pouco a pouco, um instrumento entrando de cada vez… Tudo isso faz o ouvinte ser transportado mentalmente para o local onde isso tudo foi gravado e expressa muito bem o sentimento que Lucas Mortimer (bateria e efeitos) e Gabriel Murilo (guitarra e baixo) tiveram ao compor tudo aquilo que é tocado. E certamente de uma forma mais clara e sincera do que qualquer palavra pudesse expressar. Uma verdadeira experiência sensorial, como é de praxe no post-rock e na música instrumental num geral.

MOS @ Forum
MOS @2016

A seguir, quem assumiu a bronca foi a MOS, banda de Armação dos Búzios (RJ) que faz uma mescla muito interessante de rock psicodélico com dub e post-rock. Eu pessoalmente não conhecia a banda, mas fiquei bastante satisfeito com o que vi. Daniel Duarte (bateria e efeitos), Bruno Menezes (baixo) e Bárbara Guanaes (escaleta e teclado) me fizeram cócegas nos ouvidos e me deixaram com um sorriso no canto da boca do começo ao fim. Que vibe gostosa cada música tocada trouxe para todo mundo que foi curtir o show. A partir de hoje, quando me perguntarem sobre “música gostosinha de ouvir”, a MOS certamente estará entre as indicações.

O que se seguiu foi a contemplação de uma aberração sonora, no sentido de complexidade e qualidade. A SLVDR assumiu os instrumentos e pôs abaixo o Estúdio Fórum. E numa ocasião bastante especial, pois se tratava da segunda apresentação depois do lançamento do aguardado álbum “Presença”, o primeiro full length do trio. Álbum esse que foi gravado em parte no próprio Estúdio Fórum, local onde a banda fez seus primeiros ensaios e composições e que batizou uma das músicas do álbum (na minha opinião, a melhor). Em relação ao show… bom, já falamos da SLVDR aqui e eles não cansam de nos impressionar. Bruno Flores (guitarra), Hugo Noguchi (baixo) e Gabriel Barbosa (bateria) são, sem exagero nenhum, o dream team da música independente brasileira. Três músicos fantásticos que juntos fazem um som maravilhoso e transcendental. E é muito interessante acompanhar o público “dançando” cada canção e acompanhando com a cabeça e com gestos as (muitas) “curvas” que cada música faz. Uma dança esquisita e nada óbvia, mas muito boa de assistir, como foi o show e como é o som da banda. Os mil timbres de guitarra e baixo, as quebradas de tempo da bateria de Barbosa e os tappings de Bruno e Noguchi causaram até certa frustração em parte do público ao final do show, que, já no bar do Fórum, falavam em vender ou quebrar seus instrumentos, pois nunca chegariam naquele nível de qualidade. Uma inveja boa, que na verdade é só a mais pura admiração a esses salvadores da música.

Resenha: Confeitaria e SLVDR @Escritório Transfusão Noise Records

Por Alan Bonner | @Bonnerzin

Noites frias no Rio de Janeiro são bastante raras. Como em qualquer outro lugar, elas pedem um local aquecido, aconchegante e com boa música. Parece que tudo conspirou para que esse clima fosse concebido pelo Escritório da Transfusão Noise Records, que abriu suas portas na noite da última quinta-feira (9 de junho) para os shows dos mineiros da Confeitaria e dos cariocas da SLVDR.

O local, que mais parece uma sala de estar, favoreceu bastante para dar uma atmosfera intimista à noite e combinou bastante com a proposta das bandas. A Confeitaria abriu os trabalhos, apresentando seu álbum “Enero” na íntegra. O registro do duo formado por Lucas Mortimer (bateria e efeitos) e Gabriel Murilo (guitarra e baixo) se mostrou bastante sólido ao vivo, mesmo com limitações técnicas que ocorreram durante a apresentação (como problemas na bateria). O que se ouviu foi um post-rock com um toque experimental de muito bom gosto e que reflete bastante a atmosfera das gélidas montanhas da Patagônia, onde o álbum foi gravado.

Conversando com Mortimer, pude ouvir boas novidades em relação a cena underground em Belo Horizonte, principalmente sobre os artistas do “rock triste”. Também conhecido como Emo Tupiniquim e capitaneado por algumas figurinhas carimbadas como Lupe de Lupe e caras novas como Jonathan Tadeu e El Toro Fuerte, o movimento da “Geração Perdida” parece estar fervilhando, e promete transbordar no Rio de Janeiro em breve. Muitas bandas de BH irão ou voltarão a se apresentar no Rio nos próximos meses, inclusive a própria Confeitaria. A dica para quem perdeu o show, portanto, é ficar ligado na agenda do Canal RIFF e comparecer ao próximo, pois é o tipo de experiência que só presenciando para sentir de fato do que se trata.

Para esquentar ainda mais a noite, a SLVDR (“Salvador” sem as vogais, para os desavisados) assumiu os instrumentos e mandou uma brasa atrás da outra. O math rock potente conduzido por Bruno Flores (guitarra), Hugo Noguchi (baixo) e Gabriel Barbosa (bateria) fez até o mais friorento dos espectadores se esquentar. Apresentando músicas de todas as fases do projeto, o trio também anunciou que seu primeiro álbum, intitulado “Presença” está para sair em breve. Vamos aguardar! O grito de “caraca!” de uma pessoa da plateia ao final da faixa “Bouken” (que estará no novo trabalho) definiu bem o que foi a apresentação. A sensação que ficou no final do show e depois de tamanha fritação musical era de orelha, cabeça e corpo quentes. Perfeito para dormir aquecido numa noite fria.