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RESENHA: Um fim de semana de Imperator – Vespas Mandarinas e Dead Fish

Por Ricardo Irie I @Irie_ I Foto: Thais Monteiro

O Imperator é uma velha (nova) casa de show da zona norte do Rio de Janeiro. Num período de uma semana vi os shows da Fresno, Vespas Mandarinas e Dead Fish.

Como já falei anteriormente sobre a Fresno, fico aqui com as impressões das outras bandas.

Dia do Vespas Mandarinas foi numa iniciativa bem interessante que rola mensalmente no Rio de Janeiro pra fomentar a cena local, o Rio Novo Rock. Quando o Vespas subiu no palco, não imaginava que eles seriam uma banda que me cativaria muito pelo show. A sonoridade e atmosfera com muitas guitarras com chorus e reverb que remetem aos anos 80 já me chamou a atenção logo de cara. As melodias e letras que refletiam até uma certa melancolia e inconformismo também fazem um puta diferencial.

Vespas Mandarinas
Direto de São Paulo, Vespas Mandarinas fizeram bonito no Imperator (Foto: Ricardo Irie)

Como eu não conhecia as músicas, não tenho como fazer um setlist comentado por aqui, mas sério, se não conhecem esses caras, vão atrás! Uma música em particular que me chamou a atenção foi Santa Sampa, onde fui correndo no YouTube procurar material e vi que tem um clipe muito foda e com uma veia artística muito interessante.

O Vespas Mandarinas é um grupo que eu fico até meio puto de ter conhecido melhor no show e não antes – porque gosto de cantar as músicas ao vivo. Anseio por um outro show no Rio pra ontem!

Agora, sobre o Dead Fish, vamos falar com calma.

Tinha um tempo que eu não ia em show dos caras, o que é ruim pra mim porque gosto de bandas assim, com bastante energia e troca com o público. Gosto de gente que se preocupa em fazer um espetáculo e fazer o público esquecer os problemas e simplesmente sair de lá com a alma lavada. O Dead Fish é uma banda que faz isso comigo.

Esse show no Imperator teve o setlist escolhido pelo público e como foi a primeira vez nessa casa de show, acredito que a estrutura e empolgação dos membros da banda fizeram toda a diferença pro show ser um dos mais fodas que eu já assisti.

Começaram com Asfalto e emendaram em Zero e Um e 912 Passos e por aí foi continuando a porradaria. As rodas estavam enormes, rolou stage dive pra caralho como sempre pra completar o cenário.

Óbvio que tiveram vários clássicos e hits como Contra Todos, A Urgência, Você (que me remete muito quando era moleque e via passando na MTV o clipe dessa música à exaustão), Sonho Médio, Queda Livre e Bem Vindo ao Clube.

A entrega foi tanta que no final, o vocalista Rodrigo pulou no público, o que foi a cereja do bolo pra um show completo, energético, emocionante, com uma mensagem foda.

Acredito que quando algum artista tem algo à dizer, as palavras perduram por muito e muito tempo, passando por gerações. O que é sincero acaba sendo eterno e o Dead Fish é uma dessas bandas que é tudo muito completo e que cativa cada vez mais fãs fiéis que acompanham a banda e lavam a alma.

“EI, DEAD FISH, VAI TOMAR NO CU!”

setlist

Setlist do Dead Fish

  1. Asfalto
  2. Zero e Um
  3. 912 Passos
  4. Selfegofactóide
  5. Venceremos
  6. Mulheres Negras
  7. Contra Todos
  8. Autonomia
  9. Tão Iguais
  10. Um Homem Só
  11. A Urgência
  12. Você
  13. Proprietários do 3º Mundo
  14. Nous Sommes Les Paraibes
  15. Sem Sinal
  16. Anarquia
  17. Afasia
  18. Tango
  19. Hoje
  20. Vitória
  21. Sonho Médio
  22. Molotov
  23. Queda Livre
  24. Bem-Vindo ao Clube
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RESENHA: Fresno e Canto Cego no Imperator

Por Ricardo Irie (texto e fotos) I @Irie_

Sábado, dia 24, rolou mais um show da Fresno da Tour de 15 anos de carreira, estes que já foram documentados em um DVD emocionante e memorável.

Ver uma casa de show como o Imperator lotado e por uma banda que podemos considerar recente (digo isso porque não é nenhum medalhão do rock clássico nacional) é algo bem animador, ainda mais em um espaço com ótima estrutura pra shows (e preços bons pra cerveja).

A abertura ficou por conta da Canto Cego, uma banda carioca que é muito interessante. Foi o meu segundo show e já conhecia eles por acompanhar pela internet. Mesmo que você não curta o tipo de som que eles fazem, a presença de palco, técnica e entrega da vocalista é algo que é um espetáculo à parte. Do que eu conheço, julgo como uma das melhores vozes daqui do Rio de Janeiro da atualidade (quiçá do Brasil) porque tem muita personalidade.

Canto Cego

A Canto Cego é uma banda que acredito que irá crescer bastante, mas ainda existem alguns pontos que não me fazem ser um fã. Acho que a vocalista é a única que está no conceito artístico da banda. É a única que vejo se vestindo e se portando com diferencial. O guitarrista tem uma presença de palco muito foda, mas olhando pro resto dos integrantes, parecem que são como uma banda de apoio ou apenas mais uns músicos quaisquer. Ao olhar o show, percebo isso e é algo que particularmente me incomoda – porque no mar de tantas bandas de rock sem graça que existem hoje em dia, ter diferencial é algo que conta muitos planos.

Enfim, o show da Fresno.

Não foi tão empolgante pra mim pois já assisti o DVD várias vezes, assisti o show anterior da Fundição Progresso e os setlists foram os mesmos.

Independente disso, a abertura do show com À Prova de Balas é algo que arrepia. A sequência, Die Lüge, também é algo que empolga muito!

Logo em seguida vem Manifesto que é uma música que os fãs gostam muito; A Minha História Não Acaba Aqui; Desde Quando Você Se Foi e Eu Sei.

Dentre os grandes destaques desse setlist, Redenção (já é um clássico do emo nacional), Diga parte 2, Relato de Um Homem de Bom Coração que emenda em Milonga (e que fez toda a casa cantar junto a parte que o Tavares gritava), Infinito (que tem um refrão ótimo), Quebre as Correntes, Onde Está e o fim com Revanche.

https://www.instagram.com/p/9P3GSZhSVB

O Lucas Silveira sempre que pega o violão ou vai pro piano, toca algumas coisas que não estão no setlist. Dentre elas, rolou Alguém Que Te Faz Sorrir, Não Leve a Mal e Se Um Dia Você Não Acordar.

A Fresno é uma banda que tem arranjos muito ricos e as palavras de incentivo do Lucas o fazem ser um artista muito maior. A evolução nos arranjos e letras também é algo a ser notado. Não é à toa que os considero uma das melhores bandas do Brasil. Pouca gente nota isso e até os vê com um certo preconceito por terem sido do movimento emo (que foi famigerado no Brasil e que tentarei defender em algum vídeo em breve no Canal RIFF no YouTube), mas o som que eles fazem é muito diferente de tudo o que existe e existiu aqui no nosso país.

Fico no aguardo de mais e mais turnês passarem pelo Rio de Janeiro e que os próximos lançamentos continuem sendo, parafraseando-os, Maior Que As Muralhas.

  • Nunca é demais lembrar:
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RESENHA: Muse ao vivo – expectativa x realidade

Por Gustavo Chagas (texto e fotos) I @gustavochagas

Eu nunca dei tanta atenção pro Muse até 2013. No dia em que eles foram headliners do Rock in Rio, a banda que eu mais queria ver era o Offspring. Ainda bem que eu gosto de Offspring, senão eu teria perdido um dos melhores shows que eu já vi na vida.

O que torna algo em algo especial? Pra mim é quando a realidade supera a expectativa. A realidade naquele dia de RiR era ‘tomara que esse show seja curto porque eu tô cansado’. Eu não estava preparado pra aquilo. Supremacy e Panic Station, as duas primeiras do show, vieram com um jab e um direto limpos e potentes no meu queixo. “Puta que pariu!!”, eu conseguia falar isso até o show acabar.

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Um ano depois eu fui pra vê-los no Lollapalooza. Dessa vez, a expectativa tava beeem maior. Na semana do show sai a notícia de que o Matt estava com problemas na voz. A expectativa virou preocupação. O que poderia ser um baita problema, acabou se transformando numa benção disfarçada. Pra compensar a falta de voz do vocalista, o Muse abusou dos seus famosos intros e outros (teve HEAD UP DO DEFTONES), tocou um cover do Nirvana (!!!!) e escolheu músicas obscuras, como a desconhecida Yes Please. Expectativa superada pela realidade once again.

2015. Pelo terceiro ano seguido eles vem pra cá. E dessa vez em um lugar no qual eu poderia assisti-los de bem mais perto! Seguindo nessa p.g. expectativa exponencial, dessa vez eu ficava me perguntando: O que vai ser diferente dessa vez?

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Na semana do show eu recebo uma notícia que me deixou mais feliz do que quando eu ganhei o boneco do Shiryu, o Canal RIFF conseguiu o credenciamento para cobrir o show!!!!! HOLLY MOTHERFUCKER!!!! EU VOU PODER FOTOGRAFAR O MUSE!!!!! MOTHERFUCKING MUSE!!!!!!!

Chego no HSBC Arena. Sou credenciado. Tomo café. Preparo a câmera. Assisto ao show da Kita. Fudeu. É agora!

Sou encaminhado ao fosso dos fotógrafos. Eu, que na vez que assisti mais de perto um show deles, foi a uns mil km de distância, tava a ali há poucos metros. Antes de começar, a realidade ja tinha chutado o traseiro gordo da expectativa. Eu não tiro foto em show há tanto tempo, não sei se pegava mal transparecer que eu era . Essa dúvida rolou ate o segundo acorde de Psycho, a música que abriu o show.

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Nas duas seguidas, Reapers, e o clássico Plug in baby, eu e toda HSBC Arena estávamos pulando. The Handler (MELHOR música do último CD), a porrada dubstep Unsustainable, a pegajosa Dead Inside e porrada Hysteria vieram na sequência. Pedida em peso desde o show do ano passado, a jurássica Muscle Museum foi finalmente tocada, e a galera fez questão de mostrar pra banda o quanto eles estavam felizes.

Com uma sequência matadora com os seus maiores sucessos Supermassive Black Hole, Time is Runnig Out, Madness entre outras, o Muse, depois de pouco mais de uma hora de show, deixa o palco. No bis estiveram presentes a nova Mercy e a épica, grandiosa e malevolente Knight of Cydonia. Mais alguém dá um chutinho no ar quando vai começar aquela parte pesada dessa mésica? Ou só eu e a minha mulher fazemos isso? Me avisem!

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De uma forma ou de outra, o Muse arruma um jeito de pegar a expectativa e subvertê-la. Na próxima, mesmo que você não seja tão fã da banda, vá. Sério. Vá! Já na minha próxima, vou com as expectativas zeradas, por que melhor que essa sequência de três shows que eu fui, é impossível ter.

Ouviu, realidade?

  1. setlistPsycho
  2. Reapers
  3. Plug In Baby
  4. The Handler
  5. The 2nd Law: Unsustainable
  6. Dead Inside
  7. Interlude
  8. Hysteria
  9. Muscle Museum
  10. Apocalypse Please
  11. Munich Jam
  12. Madness
  13. Supermassive Black Hole
  14. Time Is Running Out
  15. Starlight
  16. Uprising
    BIS:
  17. Mercy
  18. Knights of Cydonia
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RESENHA: O intenso baile de Belle & Sebastian

Por Thais Rodrigues I @thwashere I Fotos Gustavo Chagas

Ao assistir (500) Dias Com Ela, muitas meninas automaticamente mudaram seus status no subnick do MSN ou no Whatsapp para “colore a minha vida com o caos do problema”. Tudo bem parecer bem poético e enigmático a princípio, mas há muito mais a ser entendido nessa frase aparentemente cheia de significado que o filme ou a própria protagonista Summer Finn, interpretada por Zooey Deschanel, deixaram transparecer.

A banda Belle & Sebastian trouxe seu festival com cara da década de 50 na última sexta-feira (16/10) para o Rio de Janeiro, mais exatamente no Vivo Rio, onde a única regra era não parar de dançar. Stuart Murdoch (vocalista) pedia a todo o momento que acendessem as luzes para se certificar de que estava fazendo um belo trabalho colocando todos aqueles corpos e pés saltitantes para promover um grande baile. Ele mesmo se rendeu a passos invejáveis dignos de gritos da plateia.

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Logo aquela frase de uma música da própria banda começou a fazer sentido. Não havia a menor possibilidade de parar de sorrir a cada música e, até os mais emocionados não deixaram o choro nem pedir licença. A alegria já havia tomado conta de todas as pessoas, inclusive de alguns seguranças que de vez em quando, davam uma espiadela no palco e soltavam um sorrisinho. Mas, como ainda faltava a parte do “caos”, eis que fomos surpreendidos.

Desde o início do show, Stuart em especial demonstrava-se imensamente feliz por estar de volta ao Brasil e depois de muito tempo e, com isso, e a todo o momento de novo, gostava de ter certeza de que a banda estava agradando. Durante a apresentação de mais uma música emblemática do repertório, o mesmo jogou o violão no chão com uma violência considerável e em seguida, chutou o microfone e por fim, mas ainda não o fim que queríamos ou que pelo menos era esperado, retirou-se do palco deixando todos, inclusive os outros integrantes da banda, bastante confusos. O jogo de cintura não foi o suficiente e de repente, ali estava o “caos” que faltava.

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Depois de alguns minutos, Stuart voltou ao palco para a felicidade de todos os empolgados. Pediu perdão e disse o quanto estava frustrado por estar perdendo a voz em um show tão especial e o que pensávamos ter sido um ataque de estrela graças a uma falha no som ou algo parecido, era na verdade preocupação em não decepcionar pessoas importantes. Não existiam mais barreiras entre a plateia e a banda e tudo virou festa em “The Boy With The Arab Strab”.

Alguns fãs e até eu tivemos a sorte de nos juntarmos à banda para coreografar a felicidade em saber lidar com problemas que fazem parte da vida. Essa história de dois passinhos pra lá, dois passinhos pra cá não tinham vez. Estávamos livres para, se quiséssemos, nos juntar a banda. Uma das meninas do grupo, inclusive assumiu os vocais o que garantiu nossa presença no palco, e com bastante presença de palco, em “Legal Man”.

Foto por Lucas Tavares (1)Foto: Lucas Tavares

Ao voltar à plateia, a sensação de ter ido diretamente ao paraíso e voltado não era o suficiente para descrever o quanto foi especial dividir o palco com pessoas tão incríveis e harmônicas. Sarah nos mostrou que fofa é pouco ao cantar “The Power Of Three” e Stevie parecia representar o elo entre todos os outros membros, caso algo desse errado, sem falar que tirou muitas risadas durante a apresentação. Mas se tem alguém que roubou muito corações foi Bobby, com todo aquele ar misterioso e blasé, que mal se movia, e mesmo assim, não deixava de lançar olhares apaixonantes e que deixaram várias pessoas ao redor sem o tal jogo de cintura.

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Depois de voltar para um bis, deixar uma lição valiosa de que não se pode perder a cabeça e transformar o Vivo Rio também em uma pista de dança com músicas do álbum “Girls In Peacetime Want To Dance”, lançado esse ano, a banda favorita de Summer Finn, depois de Smiths e Beatles, fez com que todos levássemos para casa mais que um pôster do Queremos.  A experiência do show foi completa, assim como a vida, que hora imita arte, mas que nunca nos engana sobre o que é a vida de verdade.

setlist

  1. Nobody’s Empire
  2. I’m a Cuckoo
  3. The Party Line
  4. Seeing Other People
  5. Expectations
  6. Allie
  7. Perfect Couples
  8. The Stars of Track and Field
  9. The Power of Three
  10. Electronic Renaissance
  11. Sukie in the Graveyard
  12. We Rule the School
  13. Dog on Wheels
  14. The Boy with the Arab Strap
  15. Legal Man
  16. The State I Am In
    Bis:
  17. Get Me Away From Here, I’m Dying
  18. The Blues Are Still Blue
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RESENHA: Spoon apresenta a trilha sonora perfeita para a vida

Por Thais Rodrigues I @thwashere I Fotos IHateFlash

A música tem um grande papel na vida de cada pessoa e também, nas experiências vividas por cada uma delas. Além de fazer toda a diferença em um momento ou evento do cotidiano comum, transforma até qualquer ida ao ponto de ônibus em uma cena cinematográfica. Discute-se muito sobre isso em “Begin Again”, “Nick & Norah’s Infinite Playlist” e “Going the Distance” e como a música pode mudar pessoas, histórias e pontos de vista.

O Sacadura 154 recebeu a banda Spoon na última quinta-feira (15/10) da melhor forma possível: com pessoas que realmente acreditam no poder da música. Dessa vez, o fato da banda não ser tão popular, com hits discretos, porém dignos de respeito e admiração, ajudou na hora de reconhecer os fãs e reunir pessoas que sabem apreciar de forma pacífica um som enérgico sem estarem munidas de julgamentos ou reclamações insistentes, implorando pela próxima atração.spoon rj

Mesmo as pessoas que nunca tinham ouvido falar da banda até o anúncio do show, realizado pelo Queremos, não conseguiam ficar paradas durante a apresentação da banda que contagiou a todos com sua presença de palco peculiar. Eles realmente sabiam o que estavam fazendo a cada música e pela primeira vez em muito tempo, assisti a um show realizado pela própria banda. Não foi egoísmo ou falta de “agora é com vocês” e sim uma grande parceria, onde a banda não exclui o público e vice versa.

O vocalista Britt Daniel, com toda sua presença vocal, deitou e rolou, literalmente. Não foram necessários todos aqueles gritos histéricos que já fazem parte de shows para que quem estivesse assistindo, pudesse retribuir em energia que logo fez com que toda a banda vibrasse em harmonia de volta.

O som quase que idêntico ou talvez até melhor que os álbuns gravados desde 1996, trouxeram de volta a esperança do fim da fase de experimentação da música, onde as mesmas deixam de se tornar produtos descartáveis para serem apreciadas com bastante atenção. A cada intervalo entre uma música e outra, podia-se sentir a expectativa no ar já que as pessoas não tiravam os olhos do palco e muito menos os pés do chão.

Ao término do show, pode-se perceber que lentamente as pessoas foram voltando à realidade e saindo do transe natural deixado de presente em terras brasileiras. A atmosfera do show nos levou para dentro de um filme com quê de sessão da tarde, onde a música ficava por conta da banda que não é a mais bonita da cidade, e talvez, nem a mais tocada nas rádios, mas com toda certeza a trilha sonora perfeita para a vida toda.

setlist

  1. Rent I Pay
  2. Knock Knock Knock
  3. The Way We Get By
  4. Don’t You Evah
  5. Small Stakes
  6. The Ghost of You Lingers
  7. The Beast and Dragon, Adored
  8. Satellite
  9. I Turn My Camera On
  10. Inside Out
  11. Do You
  12. Outlier
  13. I Summon You
  14. Don’t Make Me a Target
  15. You Got Yr. Cherry Bomb
  16. TV Set (cover de The Cramps)
    Bis:
  17. Black Like Me
  18. The Fitted Shirt
  19. Got Nuffin
  20. The Underdog
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RESENHA: Scalene e o elemento Éter

Por Victor Naine (texto e fotos) I @vnaineme

Rio de Janeiro, Arcos da Lapa, Fundição Progresso. A banda Scalene não poderia escapar desse clichê maravilhoso! Ao chegar, nada mais maneiro do que ver a estrutura de luzes sobre o palco oval, no meio da pista. Os DJs da festa Crush já estavam agitando a galera com um som de respeito, desde que a casa abriu às 22h (tocando de Reel Big Fish a Circa Survive – que por acaso deu show na semana anterior!)

Infelizmente, a espera pelo show foi ~Surreal~ (piada pronta e inevitável), o que em geral demonstra um certo desrespeito aos fãs que aguardaram por mais de duas horas de pé (pra não perderem o lugar privilegiado). Os roadies pareciam meio perdidos, sem nem saber onde colar o setlist ou as palhetas… Fora que ficaram minutos consideráveis pendurando uma galinha atrás do batera (#mimxplica).

Mas não vim aqui falar mal. Pelo contrário!

Perto de 0h30, a banda entrou com pressão, com uma das músicas de trabalho: a maravilhosa Sublimação, primeira faixa do novo álbum Éter. Nesse momento, não lembro de ninguém estável no chão! – Em geral, um público bem jovem, com meia dúzia de hipsters mais velhos no meio (eu, inclusive) curtindo muito!

O show desenrolou por cerca de uma hora de duração com um setlist impecável (segue no fim da resenha)! Felizmente, não tocaram quase nada do primeiro EP, “Cromático”, que não é nada maduro se comparado aos dois outros álbuns! No meio do caminho, apenas um cover, de Royal Blood.

Do Real/Surreal (2013), além da própria Surreal (entre as primeiras músicas),  tocaram Karma, por exemplo, (que agitou muito a galera), além de Danse Macabre, com aquele riff maravilhoso timbrado no melhor estilo Muse. Em Amanheceu fizeram uma versão menos melosa, que não se justificaria se não fosse pela logística de fazer um acústico no meio da porradaria! – fui preparado pra sentir aquele clássica presença na ausência, mas a versão não me tocou o quanto poderia. Mas isso não abalou porque o arranjo se encaixou bem naquele contexto.

Do álbum Éter (2015), tocaram também Gravidade, fofa e densa! Ambiguidade que, por sinal, é bem presente no trabalho da banda, com uma pegada que seria bem existencialista, se não fosse a crença na essência humana ou num tipo de esperança na transcendência. Tocaram também O Peso da Pena e Náufrago (pra ~afogar~ a galera em good vibe!).

É raro ver bandas com uma preocupação minuciosa nos arranjos, timbres, atmosfera e letras reflexivas… além de força nos palcos! inclusive, um parabéns especial ao Lucas Furtado (baixo), que tem uma energia muito foda! Rolou até um  cartaz com #LukãoMeEngravida (…)

Scalene

Pra fechar, não poderia faltar a música do último clipe. E os caras fizeram isso se tornar épico e inesquecível. No meio de Legado, Gustavo Bertoni (vocal e guitarra) simplesmente puxou a galera pra cima do palco, deixando os seguranças loucos de medo de geral ir pra vala! Não, aquele palco não foi feito mesmo pra sustentar tanta gente. A galera podia chutar a pedaleira, furar a pele do bumbo, despencar lá de cima? Foda-se! “Só me sentirei pronto pra partir quando me doar” – e foi isso! A banda se doou!

Vida longa ao Scalene!

setlist

  1. Sublimação
  2. Nós > Eles
  3. Histeria
  4. Surreal
  5. Sonhador II
  6. Tiro Cego
  7. Silêncio
  8. Náufrago
  9. Forma Padrão
  10. Gravidade
  11. Ilustres Desconhecidos
  12. Out of the Black (cover de Royal Blood)
  13. Nunca Apague a Luz
  14. Amanheceu
  15. Alter Ego
  16. Karma
  17. O Peso da Pena
  18. Danse Macabre
  19. Legado
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RESENHA: Blind Guardian e a Maturidade do Power Metal

Por Thadeu Wilmer I Fotos e vídeo: Daniel Croce

Pela quarta vez, os bardos de Krefeld desembarcaram em terras brasileiras para apresentar seu repertório – como já sabido, repleto de referências a mitologias, episódios históricos e obras literárias de fantasia – e sua mais nova obra. Com a turnê do décimo álbum do Blind Guardian, Beyond The Red Mirror, voltamos vinte anos no tempo para o mesmo cenário de Imaginations From The Other Side, onde um evento catastrófico mudaria o destino dos mundos para sempre.

No entanto, não apenas conceitualmente voltamos a 1995: além da técnica impecável de André Olbrich, do vigor sobre-humano do incansável Frederik Ehmke e da força dos riffs de Marcus Siepen, a singular e icônica voz de Hansi Kürsch – que arriscou alguns agudos arrepiantes – parece só ter se aprimorado desde então. Da primeira música ao último “bis”, em nenhum momento a sensação de “álbum de estúdio” abandonou o Vivo Rio – não por acaso, o frontman anunciou que, para fins de um futuro CD ao vivo, eles estariam gravando o show.

Blind Guardian

E que show. Após uma sequência inicial que praticamente não sofreu alterações ao longo da turnê – que, antes de aterrissar na América, havia passado por toda a Europa, Austrália e Japão – e contava com Banish From Sanctuary e Nightfall para quebrar a sequência de músicas mais recentes, a banda se debruçou praticamente em clássicos, numa lista controversa e, comparada aos outros shows, nos quais foi possível ouvir Time Stands Still (At The Iron Hill), And Then There Was Silence ou a própria Imaginations From The Other Side, não muito especial – porém magistralmente executada.

Após uma hora e vinte de show, a única façanha de um cínico Hansi que se despedia do ávido público com um riso preso estampado no rosto foi gerar expectativas para o primeiro “bis”, no qual canções mais recentes embalaram a atmosfera de espera para Valhalla e o segundo “bis”, durante o qual a banda tocou seus hits mais essenciais e, pela segunda vez, assim como na Fundição Progresso em 2011, atendeu ao clamor por Majesty e levou os fãs ao êxtase supremo.

Blind Guardian Flag

Se o som estava impecável porque o show possivelmente figurará em um CD ou se o show pode figurar no CD porque foi executado com notável esmero, pouco importa; o que ficou realmente claro foi o proveito que os fãs, emocionados com Bright Eyes, ensandecidos ao som de Mirror Mirror, incansáveis nos refrões intermináveis de Valhalla e The Last Candle e mais uma vez merecedores de Majesty e da simpatia e presença de palco de Hansi, tiraram da situação. Cantando mais alto, afinado e dentro do ritmo do que nunca, a pista estava em sintonia com o palco: em sua melhor forma.

Os fatores que culminaram no som impecável que se apreciou não apenas estão conectados à qualidade dos equipamentos da casa. Desde o sucesso de Nightfall In Middle-Earth, a banda vem experimentando sua própria reinvenção – às vezes sem muito sucesso, produzindo álbuns um pouco distantes de sua proposta ou não muito bem aceitos pela crítica ou pelos fãs. E, com o penúltimo álbum, At The Edge Of Time, os bardos alemães parecem ter encontrado o caminho que continuaram a trilhar em Beyond The Red Mirror.

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A turnê, aliada ao lançamento de 2012 Memories Of A Time To Come (um álbum que revisita diversas faixas da carreira da banda e as dá novas versões, sejam regravações ou novas mixagens) demonstra que essa maturidade é, de fato, uma nova maneira de encarar sua própria obra. Revisitando-a, tornando-a mais moderna, garantindo-lhe atemporalidade. Essa é a chave do sucesso para um Blind Guardian que entra na casa dos trinta como uma das maiores referências (se não a maior) do Power Metal – e com gás para muito mais memórias de um tempo que está por vir.

E que essa maturidade traga mais shows antológicos como esse.

setlist

  1. The Ninth Wave
  2. Banish from Sanctuary
  3. Nightfall
  4. Fly
  5. Tanelorn (Into the Void)
  6. Prophecies
  7. The Last Candle
  8. A Past and Future Secret
  9. Bright Eyes
  10. Lost in the Twilight Hall
  11. And the Story Ends
    BIS 1
  12. Sacred Worlds
  13. Twilight of the Gods
  14. Valhalla
    BIS 2
  15. War of Wrath
  16. Into the Storm
  17. The Bard’s Song – In the Forest
  18. Majesty (após a incansável insistência do público)
  19. Mirror Mirror
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OPINIÃO: Do lado de fora do muro de Roger Waters

Por Thadeu Wilmer

Como já foi dito, na última terça-feira, dia 29 de setembro, Roger Waters foi às telonas ao redor do mundo com a exibição única da que promete ser a última remontagem de seu aclamado espetáculo The Wall – remontagem esta que possuiu um único objetivo: o de ser desmontada, destrinchada, explorada até seu último tijolo.

Foi a primeira vez que assisti a um filme com um prólogo. Antes da exibição, o ator norte-irlandês Liam Neeson nos contou acerca de sua experiência transformadora com a obra, que lhe caiu como uma luva no violento contexto separatista de seu país à época – afinal, isolamento não é o único dos temas centrais de The Wall, dividindo esse posto com a guerra.

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Isso fica nítido logo na primeira cena: Roger, no cemitério militar da comuna italiana de Anzio, onde está localizado o monumento a Eric Fletcher Waters, seu pai, tocando no trompete para um campo de lápides o tema de “Outside The Wall“, que compõe o início da primeira faixa da versão de estúdio do álbum, “In The Flesh?“, dá o tom do que estaria por vir ao longo dos próximos intervalos entre as músicas do show.

Do brusco corte ao início de fato da primeira faixa até os agradecimentos finais, a película é recheada de cortes para momentos importantes da vida de Roger Waters, transformando-se ali de mero autor em eu-lírico e contando a história de como derruba, diariamente, seus muros. Da primeira leitura da carta que sua mãe recebeu avisando-a da morte do marido à primeira visita ao túmulo de seu pai e seu avô, os tijolos vão sendo removidos, um a um, quase que num tutorial ou manual de instruções, a fim de dar exemplo a todos que têm muros a serem derrubados.

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Após a exibição do concerto, que se encerra com Roger no mesmo cemitério do início, tocando a mesma música do início, mas num ponto mais específico – o memorial de seu pai -, Roger tenta uma última vez derrubar a muralha mais difícil de sua vida: o Pink Floyd. Sentado na mesa de um bar reservado com Nick Mason, baterista da banda, eles respondem a perguntas enviadas por fãs de diversas partes do mundo, num curto trecho chamado “The Simple Facts”.

Perguntas de diversas naturezas, sobre os mais variados temas permearam essa descontraída conversa, desde o show que havíamos acabado de desfrutar até o turbulento relacionamento de Waters e Gilmour. As respostas, muitas vezes imprecisas ou incompletas – afinal, apesar de não aparentarem, estamos falando de dois jovens rapazes na casa dos setenta -, revelaram um tom bem-humorado e sem mágoas.

thesimplefacts

Apesar de sabermos que nem Roger Waters, nem David Gilmour – que vem ao Brasil em dezembro com a turnê de seu novo álbum, “Rattle That Lock” – estão interessados em cruzar a fronteira, é bom saber que, ao menos aparentemente, esse muro – construído com a fama, o sucesso e o dinheiro de um mal-praticado Dark Side of the Moon – não mais segrega de rancor duas das mentes mais privilegiadas da arte.

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RESENHA: O pior show de todos os tempos

Por Guilherme Schneider I @Jedyte I Fotos IHateFlash

Em 2011 tive a oportunidade de assistir ao show do Slipknot no Rock in Rio, em uma apresentação que foi praticamente uma unanimidade. Irretocável, explosivo, empolgante… aquela foi uma noite com muitos adjetivos e sabor de “quero mais”.

Para alegria dos muitos que estiveram lá quatro anos atrás, a banda norte-americana foi anunciada para o line up de 2015. Dessa vez não como abertura do Metallica, e sim como o headliner da última sexta-feira (25). Comprei o ingresso logo no primeiro dia de vendas – doido para repetir a adrenalina de antes.

Mas, nem sempre as coisas saem como o planejado.

A noite rendeu shows bem interessantes, como Nightwish, Steve Vai, Mastodon e Faith no More. Porém, era claro que a maioria ali queria ver os mascarados de Iowa. Além dos sucessos antigos, a banda lançou no final do ano passado o ótimo .5: The Gray Chapter.

Como esperado, a abertura já foi matadora. Estava ali, no olho do furacão, na borda da maior roda possível do lado direito do palco. Há alguns metros de Corey Taylor & Cia. A sequência inicial foi XIX, Sarcastrophe, The Heretic Anthem, Psychosocial e The Devil in I.

Linda, né? E foi assim que acabou o show – pelo menos para mim.

Corey‘Me fudi!’, pensei na hora. E não é que foi isso mesmo?

Foi ali que percebi ter entrado para as estatísticas com mais um furtado em um festival. E, se você já perdeu o seu celular ou carteira (o meu caso) assim, tenho certeza que entende do que estou falando. É frustrante, desesperador, e, principalmente, revoltante.

Na verdade essa não é uma resenha sobre Slipknot, caro leitor do Canal RIFF. Essa é uma resenha sobre o ato de resenhar shows.

O curso de Jornalismo no qual me formei ensinou a tirar o “eu” de um texto. Imparcialidade, intenção… ok. As emoções humanas ajudam a separar teoria e prática. Não havia uma disciplina para analisar shows – apenas filmes, o que de fato foi bem legal.

Mas tem horas que não é possível tirar o tom pessoal. E aí que está a dificuldade do tal “moço das resenhas”. Seria profissionalismo apagar uma dor de cabeça dessas e fingir que nada aconteceu? Tudo em troca de alguns chavões como “grande performance” ou “banda em grande fase”?

SlipNesse momento alguém foi furtado também, ó lá!

A verdade é que o pior show possível é aquele em que algo dá muito errado para você. É, você mesmo. Pouco adianta um setlist perfeito, pirotécnica e malabarismos se você (um pontinho na multidão) não entrou no clima – e a culpa não é da banda.

Seja torcer um pé, passar mal, tomar um toco daquela pessoa que você estava de olho, ser furtado… difícil sublimar tudo isso, não? Tudo vai por água abaixo. E a verdade também é que não há muita diferença entre quem está lá “só” assistindo, ou quem está resenhando.

Difícil contar uma história sobre o que acontece em um palco e plateia quando você vira o seu próprio personagem – infelizmente.

Talvez eu tivesse percebido a ausência da carteira no finalzinho do show… ao menos teria me divertido. O que fiz foi ignorar aquele caos lindo, procurando algo no meio do lixo que é o chão de um festival. Até achei um BlackBerry genérico – que devolvi no lotadíssimo ‘Achados e Perdidos’, claro.

Tanto no posto de atendimento da Polícia Civil, onde fiz o BO, quanto no posto do evento, onde preenchi um formulário, dezenas de pessoas tiveram histórias parecidas. Provavelmente você conhece alguém que também já voltou para casa dizendo que “foi o pior show” por conta disso.

É uma merda mesmo, mas sem choro. Ficam as lições (mesmo depois de trocentos shows nessa vida).

Em tempo: chegando em casa assisti ao Slipknot no Rock in Rio. Claro que foi lindo, a banda está cada vez melhor, e com certeza é uma das bandas mais interessantes do rock das últimas décadas. Mas, para (e por) meu azar, esse foi o pior show de todos os tempos.

E qual o seu?

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RESENHA: A redenção (sem spoilers) do System of a Down

Por Gustavo Chagas I @gustavochagas I Fotos IHateFlash

Eu odeio spoiler. Odeio muito. Sou daqueles que se isolam do mundo quando eu não assisto Game of Thrones no domingo a noite. Sou assim com série, filme, luta e principalmente com setlist. Quando sou muito fã da banda, fujo deles com afinco.

Antes de sair de uma gravação no dia 24, um cara que trabalha comigo disse: “Ae, saiu o setlist do System! Quer saber?!”. Eu disse um sonoro “não” e sai da sala. Dois passos depois eu parei, voltei e perguntei: “Cara, só me diz se eles vão tocar I-E-A-I-AI-O. So isso que eu quero saber”. E a resposta também foi um sonoro “não”.

SOAD

Sou fã de System of a Down há muito, muito tempo. Quando fui vê-los em 2011, eu tava muito, muito ansioso. Muito. Mas, não sei se foi por causa da minha localização na Cidade do Rock, mas eu não conseguia ouvi-los. Tava tão baixo que, ou eu cantava, ou eu tentava ouvir. Tentei chegar mais pra frente, pro lado, pro outro e nada. Fiquei tão decepcionado com o show, que só consegui voltar a ouvir System quando eles foram anunciados pro Rock in Rio.

Quase não fui desta vez. Medo de ser horrível de novo. Mas comprei e fui. Foda-se.

Dessa vez eu não dei mole e sai emburacando la pra frente. Fiquei em frente a uma caixa de som. Começa o show do Queens. Som alto. Check. E lá fiquei.

Termina o showzaço do Queens. A hora não passa. Luzes se apagam. Vai começar. A banda entra sem cerimônia, e quais são as primeira letras que o guitarrista Daron Malakian emite ao chegar no microfone? I-E-A-I-AI-O!!
PUTA MERDA! MAS ELA NÃO TAVA NO SETLIST!! Ali eu percebi que esse show iria ser diferente.

Tocaram Attack e Know que não entravam em setlists desde 2011! Temper então… NÃO ERA TOCADA HÁ 16 ANOS!! Todos, sem exceção, pareciam se dar conta de que estava, presenciando um momento único e o público parecia estar em transe. Aerials foi cantada pelo coro mais bonito que eu já vi em 4 edições de Rock in Rio que já fui.

System

Soldier Side, Forest, CUBErt, todas as músicas que gosto sendo tocadas! Ao final do show tive que fazer um esforço pra poder lembrar alguma que eu goste muito e que não foi tocada. Só ao chegar em casa que eu lembre de Chic ‘n’ Stu.

Mas pouco importou. Ao fechar o show com a dobradinha Toxicity (que viu o maior mosh pit da história do Rock in Rio ser formado) e Sugar (alguém não pulou essa hora?), o SOAD partiu com a sensação de missão cumprida. Pra mim, pra eles e pros 80 mil presentes.

 Obrigado System. Minha fé no rock agradece.
set
  1. I-E-A-I-A-I-O
  2. Suite-Pee/Attack
  3. Prison Song
  4. Know
  5. Aerials
  6. Soldier Side – Intro
  7. B.Y.O.B.
  8. Soil
  9. Darts
  10. Radio/Video
  11. Hypnotize
  12. Temper
  13. CUBErt
  14. Needles
  15. Deer Dance
  16. Bounce
  17. Suggestions
  18. Psycho
  19. Chop Suey!
  20. Lonely Day
  21. Question!
  22. Lost in Hollywood
  23. Vicinity of Obscenity
  24. Forest
  25. Cigaro
  26. Toxicity (Com a participação de Chino Moreno, do Deftones)
  27. Sugar
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RESENHA: A emoção e a destruição do Deftones

Por Ricardo Irie I @Irie_ I Foto IHateFlash

Dia 24 de setembro, primeiro dia da segunda semana de shows em comemoração aos 30 anos de Rock in Rio. Quantos números, não? Números que não conseguem contar a ansiedade dos fãs dos Deftones, quarteto californiano que já não pisavam em terras brasileiras havia cinco anos.

O grupo começou com a direta Diamond Eyes do seu álbum homônimo de 2010, já fazendo o público cantar junto.

Em seguida, Rocket Skates e Be Quiet and Drive (Far Away). Particularmente, tenho uma ligação muito forte com essa música e foi onde as lágrimas caíram. Ao meu lado, outras pessoas estavam emocionadas como eu e todas cantaram junto o refrão.

Pra manter o clima de emoção e aproveitar a nostalgia das pessoas, My Own Summer (Shove It) que é o primeiro hit mainstream e uma das músicas presentes do que podemos chamar de “golden age of new metal”. Nesse momento, uma roda abriu com a galera indo ao delírio.

Acalmando os ânimos, veio Sextape que é forte demais. Foi uma das músicas que você percebe como o vocalista Chino Moreno é muito competente ao vivo.

Knife Party, do aclamado álbum White Pony veio em seguida fazendo todo mundo pular e cantar o refrão em uníssono!

Tempest e Swerve City do álbum Koi no Yokan fizeram os presentes agitarem bastante quando veio a pedrada na cara com Passenger.

Ao fim de Passenger, veio Change (In the House of Flies). Música famosa por estar na trilha sonora do filme A Rainha dos Condenados. O clima que essa música deixou no ar, foi mágico. Poucas bandas sabem unir peso e atmosfera/ambiência, quanto o Deftones.

Pra encerrar, Engine No.9 e Head Up. Pra se despedir do Brasil, nada melhor do que duas porradarias e rodas enormes na plateia pra banda sentir a vibe dos brasileiros.

O Deftones é uma banda que não precisa ficar muito tempo sem vir para o Brasil. São extremamente competentes e cada vez mais fazem uma legião de fãs novos interessados no som bastante diferenciado deles. Ficamos no aguardo de um novo show por aqui e com um setlist maior!

set

  1. Diamond Eyes
  2. Rocket Skates
  3. Be Quiet and Drive (Far Away)
  4. My Own Summer (Shove It)
  5. Sextape
  6. Knife Prty
  7. Tempest
  8. Swerve City
  9. Passenger
  10. Change (In the House of Flies)
  11. Engine No. 9
  12. Headup
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RESENHA: Biquini Cavadão e a democracia do rock

Por Laura Tardin I @FlamingoLaura

Terça feira, 22 de setembro. Pode não parecer, mas em algum lugar do estado do Rio de Janeiro, há uma grande agitação. Pessoas nas ruas, shows gratuitos, celebração. O município de São Gonçalo, segundo maior em população no Rio, completa 125 anos com um dia de desfiles e apresentações.

Desde que comecei a acompanhar o Biquini Cavadão, consigo entender que eles têm uma enorme capilaridade pelo país. Não há local que o Biquini não foi, não irá ou pelo menos não iria. Em sua turnê de 30 anos, “Me Leve sem Destino” – considera-se o ano de 1985 o início das atividades da banda, quando fizeram seu primeiro show pago – eles têm um itinerário de dar inveja aos mochileiros. Oiapoque ao Chuí. Sua próxima apresentação é em Rio Branco, capital do estado do Acre.

Para tanto, São Gonçalo é logo ali. Por que não?

s010Fotos: Laura Tardin

A banda entende, com inteligência e sensibilidade, que cada show é uma nova chance de conquistar outro público, novas pessoas, novos fãs. Há um esforço coletivo de cativar quem quer que esteja na plateia. Acostumados com grandes shows e festivais com outros artistas, o Biquini sabe que, muitas vezes, o público não está ali especialmente para vê-los. Nestas situações, há a tentativa de comunicação com quem está do outro lado do palco.

Esta é uma dessas noites. Os autores de “Tédio”, canção reinventada pelo popular Mr. Catra, se apresentam às 21h em um dia em que o público já viu Claudia Sing, Viny Spindolla e o grupo de pagode Bom Gosto. Quem são esses caras? A escolha de Biquini Cavadão como “headliner” parece óbvia, certo? Talvez não para esse público. O que milhares de gonçalenses esperavam era o hit “Vai Muleke Doido”, o funk mais famoso do mês.

s001

O Biquini não se intimida. Faz um show como todos os outros – ora emocionante, ora alegre, sempre energético. Hits como “Vento Ventania”, “Janaína” e “Dani” demonstram o lado romântico e leve da banda. “Zé Ninguém” e “Livre”, do último disco, são entoadas como hinos necessários no Brasil. “Carta aos Missionários” e “Chove Chuva” empolgam a toda e qualquer pessoa.

“Vocês sabem por que não existe rock universitário? É porque o rock é pós graduado!”

“Vocês sabem por que não existe rock ostentação? É porque o rock nunca vai ser ostentação. O rock é contestação!”

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Bruno Gouveia, vocalista, anima e conversa com a plateia. Com um quê de interpretação e muita ação, ele mantém o público  na ponta dos dedos, brincando com gestos, movimentos e até balizadores de avião. Quanto mais se comunica, mais o público se envolve. É aí que o Biquini pode e ganha mais e mais ouvintes. Em consequência, possíveis fãs. E lá se vão 30 anos.

Há um momento do show em que o guitarrista Carlos Coelho vira o próprio guitar hero e toca diversos riffs de rock das décadas – “Back in Black“, “Seven Nation Army“, “Satisfaction” – e todos, mais uma vez, acompanham a plenos pulmões. Isso me faz pensar como o rock é democrático. Conheço muitas pessoas que não gostam de funk ou que simplesmente se recusam a ouvir uma canção sertaneja. Mas não conheço nenhuma pessoa que desconheça o riff de “Seven Nation Army“, eternizado até pelas torcidas de futebol. Também não conheço nenhum brasileiro que não saiba cantar pelo menos uma das músicas do Biquini Cavadão.

setlist

  1. Tédio
  2. É Dia de Comemorar
  3. No Mundo da Lua
  4. Janaína
  5. Roda Gigante
  6. Livre
  7. Impossível
  8. Múmias
  9. Vou te Levar Comigo
  10. Quando eu te Encontrar
  11. Dani/Uma Brasileira
  12. No Mesmo Lugar
  13. Vento Ventania
  14. Carta aos Missionários
  15. Chove Chuva
  16. Timidez
  17. Guitar Hero (Medley instrumental de Back in Black, Seven Nation Army, Satisfaction e outras)
  18. Zé Ninguém
  19. Tédio ’85