RESENHA: O pior show de todos os tempos

Por Guilherme Schneider I @Jedyte I Fotos IHateFlash

Em 2011 tive a oportunidade de assistir ao show do Slipknot no Rock in Rio, em uma apresentação que foi praticamente uma unanimidade. Irretocável, explosivo, empolgante… aquela foi uma noite com muitos adjetivos e sabor de “quero mais”.

Para alegria dos muitos que estiveram lá quatro anos atrás, a banda norte-americana foi anunciada para o line up de 2015. Dessa vez não como abertura do Metallica, e sim como o headliner da última sexta-feira (25). Comprei o ingresso logo no primeiro dia de vendas – doido para repetir a adrenalina de antes.

Mas, nem sempre as coisas saem como o planejado.

A noite rendeu shows bem interessantes, como Nightwish, Steve Vai, Mastodon e Faith no More. Porém, era claro que a maioria ali queria ver os mascarados de Iowa. Além dos sucessos antigos, a banda lançou no final do ano passado o ótimo .5: The Gray Chapter.

Como esperado, a abertura já foi matadora. Estava ali, no olho do furacão, na borda da maior roda possível do lado direito do palco. Há alguns metros de Corey Taylor & Cia. A sequência inicial foi XIX, Sarcastrophe, The Heretic Anthem, Psychosocial e The Devil in I.

Linda, né? E foi assim que acabou o show – pelo menos para mim.

Corey‘Me fudi!’, pensei na hora. E não é que foi isso mesmo?

Foi ali que percebi ter entrado para as estatísticas com mais um furtado em um festival. E, se você já perdeu o seu celular ou carteira (o meu caso) assim, tenho certeza que entende do que estou falando. É frustrante, desesperador, e, principalmente, revoltante.

Na verdade essa não é uma resenha sobre Slipknot, caro leitor do Canal RIFF. Essa é uma resenha sobre o ato de resenhar shows.

O curso de Jornalismo no qual me formei ensinou a tirar o “eu” de um texto. Imparcialidade, intenção… ok. As emoções humanas ajudam a separar teoria e prática. Não havia uma disciplina para analisar shows – apenas filmes, o que de fato foi bem legal.

Mas tem horas que não é possível tirar o tom pessoal. E aí que está a dificuldade do tal “moço das resenhas”. Seria profissionalismo apagar uma dor de cabeça dessas e fingir que nada aconteceu? Tudo em troca de alguns chavões como “grande performance” ou “banda em grande fase”?

SlipNesse momento alguém foi furtado também, ó lá!

A verdade é que o pior show possível é aquele em que algo dá muito errado para você. É, você mesmo. Pouco adianta um setlist perfeito, pirotécnica e malabarismos se você (um pontinho na multidão) não entrou no clima – e a culpa não é da banda.

Seja torcer um pé, passar mal, tomar um toco daquela pessoa que você estava de olho, ser furtado… difícil sublimar tudo isso, não? Tudo vai por água abaixo. E a verdade também é que não há muita diferença entre quem está lá “só” assistindo, ou quem está resenhando.

Difícil contar uma história sobre o que acontece em um palco e plateia quando você vira o seu próprio personagem – infelizmente.

Talvez eu tivesse percebido a ausência da carteira no finalzinho do show… ao menos teria me divertido. O que fiz foi ignorar aquele caos lindo, procurando algo no meio do lixo que é o chão de um festival. Até achei um BlackBerry genérico – que devolvi no lotadíssimo ‘Achados e Perdidos’, claro.

Tanto no posto de atendimento da Polícia Civil, onde fiz o BO, quanto no posto do evento, onde preenchi um formulário, dezenas de pessoas tiveram histórias parecidas. Provavelmente você conhece alguém que também já voltou para casa dizendo que “foi o pior show” por conta disso.

É uma merda mesmo, mas sem choro. Ficam as lições (mesmo depois de trocentos shows nessa vida).

Em tempo: chegando em casa assisti ao Slipknot no Rock in Rio. Claro que foi lindo, a banda está cada vez melhor, e com certeza é uma das bandas mais interessantes do rock das últimas décadas. Mas, para (e por) meu azar, esse foi o pior show de todos os tempos.

E qual o seu?

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6 comentários em “RESENHA: O pior show de todos os tempos”

  1. Cara, numa boa, eu nunca entrei aqui antes e realmente eu entrei pensando em encontrar uma opinião diferente da minha, por que, pra mim o show foi foda!!! E é isso que dá a entender no seu título “O pior show de todos os tempos”.

    De verdade, se você tivesse escrito aí, “noite bosta”, “Roubaram minha carteira no RiR”, ou ao menos “depois de perder a carteira, acabou se tornando o pior show de todos os tempos” eu não entraria aqui… não que eu não me importe ou não goste de você, não é isso! nunca fomos melhores amigos, mas não gosto de ver ninguém se dando mal… Apenas se trataria de uma informação triste e que eu já conheço do contexto (também já fui furtado em show). Enfim, seria algo que não me levaria a dispender meu tempo vindo aqui.

    Agora, eu entrei aqui para ler a sua resenha sobre o show. Que você falasse mal do audio, do vocalista não ter cantado uma musica conforme a versão de estudio… ou qualquer outro comentário idiota que se enquadraria em qualquer show. Mas hoje você me decepcionou… Se a sua intenção é que apenas a sua pagina bombe de pessoas que entrem e nunca mais voltem você está no caminho certo… era melhor ter feito um joguinho desses joguinhos top likes do Facebook.

    Agora, se você está procurando tornar isso uma pagina séria e confiável, na minha humilde opinião de leitor, mandou mal e está perdendo leitores.

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  2. Neste mesmo Rock In Rio, fui emocionado para o show do Hollywood Vampires, por ser um encontro de titãs imperdível, na minha opinião. Eis que logo no início percebo minha bolsa aberta. A canga, o óculos e o batom estavam lá, mas minha identidade, cartão de banco e vale transporte não.

    É como você disse: FRUSTRANTE. Principalmente porque sou frequentadora de mega eventos e multidões é isso nunca havia me acontecido. Me senti burra, descuidada, mas assina de tudo injustiçada. Aquele era o MEU SHOW pra essa perda não tem B.O. nem segunda via.

    Enfim, vida que segue com cuidado redobrado.

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  3. Entrei esperando uma resenha (estúpida, diga-se de passagem, do show. E digo isso porque não sou fã, acompanhei da TV e foi tão quão grandioso em 2011), mas vida que segue. É sempre lamentável este tipo de coisa. Cheguei ao post por um amigo que teve a carteira roubada. Estive no festival no dia 18 com uma bolsa e embora não tenha acontecido nada comigo, fiquei sempre de olho. Voltei no último dia e a melhor coisa que fiz foi colocar o celular numa capa a prova dágua e pendurá-la no pescoço para dentro da roupa e usar uma daquelas bolsas (doleiras) que usa-se por dentro da calça. Foi a maneira mais prática de curtir sem preocupação.

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  4. Pois eu tive a mesma percepção! Sou muito cuidadoso, mas também tive meu celular furtado nesse dia. Ainda pelo meio do show do Faith no More. Tive o bolso da bermuda (com zíper!!) aberto e furtaram meu celular. E isso foi num lapso de 10 ou 15 min. em que coloquei o celular no bolso, pois durante todo o tempo o celular estava bem protegido dentro mochila que estava no meu peito. Fica o sentimento de descuido, de que a culpa foi todo minha.
    Mas fiquei surpreso quando fui registrar a ocorrência e tive que entrar numa fila!! Todas pessoas que ali estavam, passaram por uma situação semelhante. Alguns até passaram por enfrentamentos diretos e nem assim a segurança, que estava escassa, se dispôs a procurar os ladrões.
    Contamos na mesa do registro de RO’s mais de 50 ocorrências, isso no intervalo das 22:30 às 00:30, sendo 80% de celulares.
    Depois do tempo gasto para o registro, voltamos, eu e minha noiva, frustrados para o show. Toda a expectativa havia se acabado e não conseguimos mais permanecer no RiR. Saímos ainda nas primeiras músicas do Slipknot. Vê-los mascarados no palco, nos fazia sentir ainda mais como palhaços na plateia. (Nada contra a banda, mas sim com a organização)
    Não sei se cabe processo contra isso, mas acredito que foi um descuido total, negligência, omissão, do evento em não alertar sobre o risco elevado de furtos. O clima até parecia seguro, mas li vários relatos de que esses furtos aconteceram todos os dias e em grande quantidade. Frustante, revoltante, e fica o prejuízo de quem pagou pelos ingressos, transporte de 70 reais, teve o celular furtado e a expectativa jogada no buraco.

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