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Dibob | Cobertura RIFF #9

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RESENHA: Planet Hemp, definitivamente de volta à praça

Por Guilherme Schneider | @Jedyte | Fotos/Vídeo: Gustavo Chagas

Quem viveu os anos 90 não passou impune ao som do Planet Hemp. Apenas uma década após o fim da ditadura no Brasil o Planet estreou enfiando o pé na porta, ao lançar Usuário, um dos álbuns mais importantes da história do rock nacional. Agora, no apagar das luzes de 2015, a banda comandada por Marcelo D2 e BNegão está oficialmente de volta.

No último sábado (19/12) o Canal RIFF esteve presente na Fundição Progresso para acompanhar o show do Planet Hemp. Por duas noites seguidas eles conseguiram o “sold out” e super lotararam a casa de shows na Lapa, que poucas vezes esteve tão quente (literalmente!).

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Em um intervalo de cinco anos eles lançaram toda a sua discografia de estúdio: Usuário (1995), Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára (1997), e A Invasão do Sagaz Homem Fumaça (2000). Um ano após o último álbum o grupo se separou. Mas o público não se esqueceu deles.

Agora, depois longo hiatus e algumas reuniões, o Planet Hemp está pronto para mais. “O que posso dizer é que não é mais uma reunião, é uma volta. Queremos fazer shows todos os anos”, garantiu D2 em entrevista recente ao jornal O Globo.

Pouco antes do abrir das cortinas D2 surpreendeu ao interromper o set do DJ Wilson Power, fera das noites de rock cariocas. D2 quis apresentar o DJ, um ato raro e que demonstrou uma humildade muito legal. O vocalista pediu uma noite de paz, disse que a banda estava emocionada nos camarins, e prometeu uma noite inesquecível – dito e feito.

Stab! #planethemp

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Depois de buscar a “batida perfeita” de tudo quanto é jeito, D2 parece ter redescoberto o som incrível que o Planet fazia. A mistura de rap e hardcore foi definida como Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga – uma das muitas músicas bem recebidas na Fundição. Difícil definir ou reduzir. Um caldeirão sonoro bem cozinhado especialmente pelo excelente baixista Formigão.

Poucas vezes vi uma roda tão grande quanto a que se formou no show do Planet. Fiel, o público estava ensandecido, pulando e cantando boa parte do repertório. Os clássicos Não Compre, Plante! Legalize Já, Dig Dig Dig (tocada duas vezes), 100% Hardcore, Quem Tem Seda?, Zerovinteum, Porcos Fardados… e especialmente Mantenha o Respeito, com aquele refrão digno de uma  Smells Like Teen Spirit nacional.

A presente temática em favor da legalização da maconha já levou os integrantes para a cadeia no passado. Aquela contestação, vista como apologia, deu muita visibilidade a bandeira levantada pelo Planet.

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Mas, engana-se quem pensa que o Planet Hemp seja monotemático. Por trás das frequentes menções à maconha (e ao próprio nome da banda), há um discurso político forte. Com projeções bem pensadas, o show foi também visual, provocando com mensagens contra a política do país. E retratam como poucos a realidade das ruas do Rio de Janeiro – “a cidade desespero”, que não mudou muito nos últimos 20 anos.

O retorno às origens também foi marcado por um clima família, com presença de convidados como Serial Killer e Marcelo Yuka – que foi ovacionado após discurso energético pautado no “Fora Cunha”. Ah, e presente também esteve a memória do finado Chico Science, na ótima releitura de  Samba Makossa.

A mensagem política do Planet Hemp vai permanecer atual por muito tempo – salve qualquer mudança na legislação brasileira. Sem papas na língua, e sem auto censura, o Planet de hoje é o mesmo que causou um impacto poucas vezes visto no rock brasileiro. Bem vinda de volta, esquadrilha da fumaça!

RESENHA: Angra mostra união e fôlego renovado no Rio

Por Felipe Fernandes (texto e fotos)

O Angra desembarcou no palco da Fundição Progresso, no Rio, com o último show do ano e última apresentação da tour desencadeada pelo lançamento do Secret Garden, oitavo álbum de estúdio do grupo.

A banda fez um apanhado de toda a carreira, sem deixar de para trás as canções do Secret Garden, que eram cantadas inteiras em coro pela plateia. Plateia essa que, curiosamente, era formada em boa parte por pessoas que nem eram nascidas à época do lançamento do Angels Cry, primeiro álbum do grupo.

Rafael Bittencourt, guitarrista e único membro fundador no palco, pilotou com maestria e com o carisma e a competência de sempre, desta vez com vocais ainda mais marcantes e assumindo o lead vocal em alguns momentos (como exemplificado no referido disco recém lançado).

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O jovem baterista Bruno Valverde demonstrou que sua entrada na banda não se deu por sorte. Juntamente com o baixista Felipe Andreoli, formou uma “cozinha” precisa e coesa, como se via desde os tempos em que acompanhavam o guitarrista Kiko Loureiro em sua carreira solo.

Quem esperava que a banda tivesse prejuízos pelo “no show” de Kiko, que estava no México, acompanhando o Megadeth, se surpreendeu. O guitarrista brasiliense Marcelo Barbosa foi bem recebido pelo público. Mostrou que tem muitas horas de voo e que, após ter passado por bandas como Khallice e Almah, estava pronto para o desafio.

O vocalista italiano Fabio Lione, que já era conhecido do público brasileiro principalmente pelo seu trabalho junto ao Rhapsody on Fire, mostrou a mesma precisão técnica, elegância e empatia de sempre com o público. Tomando o palco para si e interagindo como um bom e clássico “frontman” deve fazer.

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Não sei de quem foi a ideia de ter a participação do antigo vocalista Eduardo Falaschi no show, porque, sinceramente… Deu muito certo!

Se por um lado havia a desconfiança pela ausência do Pedro Henrique, por outro notei o interesse e a expectativa de ver como seria a banda novamente no palco com seu segundo vocalista. Edu, que também participou do show no último dia 07/11 na capital paulista, foi ovacionado pelo público, principalmente pelos mais jovens que não puderam assisti-lo enquanto estava na banda. Cantou algumas músicas sozinho e mostrou que talvez esteja em sua melhor forma, cantando as partes mais difíceis como nos discos.

O clima amistoso e cordial entre Fabio e Edu, (diga-se de passagem, toda a banda desfrutava do mesmo clima) fez os duetos parecerem naturais. No palco, vimos uma banda unida, demonstrando a maturidade de quem sabe aterrissar bem, mesmo depois de passar por algumas turbulências.

Os próximos voos ainda são incertos. O que é certo é que, após o sucesso do Secret Garden, uma tour pelo globo e a entrada de um dos integrantes em uma das maiores bandas do mundo, o Angra tem boa visibilidade para voos ainda maiores.

Obs.: Confesso que não verifiquei o set dos últimos shows da turnê e a releitura (mais pesada) de Synchronicity II, do The Police, foi uma grata surpresa, além de ser menos óbvia que qualquer clássico batido de heavy metal.

setlist

RESENHA: Millencolin na noite mais melancólica

Por Guilherme Schneider | @Jedyte | Fotos: Gustavo Chagas

Infelizmente a última sexta-feira 13 foi realmente digna de todas as alusões macabras à data. Um dia de terror para todo mundo que já pisou em uma casa de shows. Afinal, dezenas de pessoas foram feitas de reféns e executadas covardemente no massacre em Paris – mais de 80 mortos apenas no tradicional Bataclan.

Digo isso logo de início porque foi com esse clima  que fui ao show da banda sueca Millencolin, na Fundição Progresso. Não entrando na indigesta discussão de ‘pesos de tragédias’ no mundo todo, o ataque terrorista de sexta foi justamente em um tipo de local que todos amantes de música frequentam – assim como deve ter sido terrível encarar uma festa logo após o incêndio da Boate Kiss.

Mas o que isso tem a ver com o Millencolin? Dá para ficar indiferente? Bom, sempre acredito que fatores externos atrapalham sim em uma resenha, como no caso do Slipknot no Rock in Rio.

Lógico que o sangue derramado na França durante o show do Eagles of Death Metal me abalou. Provavelmente se estivesse na capital francesa teria ido ver esse show também. Ir a uma casa de shows logo após aquela notícia foi pesado.

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Diabo Verde fez bonito na abertura 

A abertura da noite ficou por conta de Glove Pistol e Diabo Verde, duas bandas que já foram recomendadas aqui no Canal RIFF. Vale a pena conhecer o bom trabalho de ambas, que tocaram alto (literalmente) e que mereceram dividir o palco com o punk rock dos suecos.

Apesar do som parecer um pouco ‘embolado’ desde o início do show, o Millencolin começou o show já mostrando para quê veio: trazer de volta aquela energia adolescente. Boa parte das mais de mil e quinhentas pessoas na casa (no olhômetro) compraram a ideia. Foi roda do início ao fim – e até maiores do que as do recente show do Pennywise. Alias, cabia numa mesma noite Pennywise e Millencolin…

Velha conhecida da plateia brasileira, a banda se mostrou alheia à qualquer problema externo e seguiu o animado ‘bê a bá’ do gênero por cerca de uma hora e meia. O guitarrista Erik Ohlsson brincou várias vezes com o público, enquanto a produção cuidava de filmar a Tour True Brew nos detalhes a apresentação, inclusive na fila do show. O público retribuiu com copos (e até um tênis) atirados para o alto e um coro engraçado: “Olê, olê, olê, olê, Millên, Colén”.

#Millencolin agora na Fundição Progresso!

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Em tempo: apesar do nome e do “hardcore melódico”, o som do Millencolin não é nada melancólico – tirando a balada The Ballad, na voz e violão de Nikola Sarcevic. De qualquer forma, foi justamente essa balada a música com o maior coro da Fundição – fórmula que a banda deveria explorar um pouco mais.

Destaques também para Penguins & Polarbears, Bullion, Mr. Clean, Leona e No Cigar, algumas das que mais animaram uma noite que tinha tudo para ser apenas triste.

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setlist

  1. Egocentric Man
  2. Penguins & Polarbears
  3. Twenty Two
  4. Fox
  5. Sense & Sensibility
  6. Happiness for Dogs
  7. Bullion
  8. Man or Mouse
  9. True Brew
  10. Dance Craze
  11. Olympic
  12. Bring Me Home
  13. Cash or Clash
  14. Autopilot Mode
  15. Kemp
  16. Mr. Clean
    Bis:
  17. Black Eye
  18. Leona
  19. Duckpond
  20. Lozin’ Must
  21. Farewell My Hell
  22. The Ballad
  23. No Cigar

RESENHA: A gratidão ao punk rock californiano de Pennywise e Face to Face

Por Guilherme Schneider I @Jedyte I Fotos: Gustavo Chagas

Nunca fui aos Estados Unidos. Mas, mesmo assim, já recebi tanta informação do país ao longo da vida que me familiarizei com alguns lugares de lá. Provavelmente (e até infelizmente) sei mais sobre a Califórnia do que sobre o Amapá. E isso se reflete diretamente no gosto musical. Sou grato ao punk rock californiano.

Mais do que música para energizar adolescentes, o punk  rock de lá tem uma pegada que atravessa modismos. No último sábado (7) vi duas bandas de lá fazerem bonito em uma noite de temporal na Fundição Progresso: Face to Face e Pennywise.

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A abertura ficou com o Face to Face, banda que está nesta estrada desde 1991. Logo de cara o que o público viu foi uma banda disposta a alimentar a ensandecida roda. Isso o F2F sempre soube como fazer, para alegria do público – que naturalmente estava lá mais pelo Pennywise.

Músicas como Blind, Complicated e Disconnected mostraram como a banda é querida por aqui. Não é à toa que o vocalista Trever Keith buscou se comunicar tanto ao longo da noite. Por várias vezes exaltou a alegria de voltar ao Brasil e apresentar um repertório completo, com o mesmo número de músicas do “veterano” Pennywise – banda três anos mais velha que o Face to Face.

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O Pennywise voltou ao Rio depois de cinco anos de intervalo – desde um show épico no Circo Voador. E, como esperado, fez bonito. A banda metralhou do início ao fim… Same Old Story, Pennywise, Fuck Authority. Além dos covers de Do What You Want (do Bad Religion) e a já clássica do Pennywise Stand by Me (de Ben E. King).

Particularmente só lamente de novo (assim como no Wros Fest) a falta do álbum All or Nothing – o melhor de 2012. Foi gravado por Zoli Téglás (do Ignite), que ficou pouco tempo no Pennywise – antes do retorno de Jim Lindberg. O show durou cerca de uma hora só e cabia um pouco dessa fase da carreira.

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Resisti a roda o quanto pude. Mas, como lidar com Living for Today? O único lugar possível é na rodinha – e lá fiquei até o final. Impressionante como a percepção de um show muda ali naquele caos. Catarse pura. Além do sentimento de “participação” no qual você se sente como parte do espetáculo.

O desfecho com Bro Hymn foi maravilhoso. Aquele “ôôô” já ressoava pela casa antes do show, esperando só a entrada de baixo na última música para explodir. A música feita como homenagem póstuma  ao ex-baixista da banda, Jason Matthew Thirsk, morto em 1996. Ficou com um dos maiores hinos do punk.

E o Pennywise fecha o show com o hino Bro Hymn! Showzaço!!

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Normalmente o público invade o palco na última música para cantar junto. Pelo visto a casa até tentou organizar e selecionou previamente alguns fãs para participarem. Mas, o caos do gênero brilhou e o palco foi invadido de tal forma que o “tchau” sequer foi dado. Tudo em ordem.

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  1. A-OK
  2. I Want
  3. Walk the Walk
  4. Can’t Change the World
  5. Blind
  6. Ordinary
  7. I Won’t Lie Down
  8. Pastel
  9. You Lied
  10. You’ve Done Nothing
  11. Velocity
  12. Complicated
  13. Don’t Turn Away
  14. I’m Trying
  15. It’s Not Over
  16. Disconnected

set

  1. Fight Till You Die
  2. Rules
  3. Peaceful Day
  4. My Own Country
  5. Same Old Story
  6. My Own Way
  7. Violence Never Ending
  8. Do What You Want (Cover de Bad Religion)
  9. Pennywise
  10. Perfect People
  11. Society
  12. Fuck Authority
  13. Alien
  14. Living for Today
  15. Stand by Me (Cover de Ben E. King)
  16. Bro Hymn

RESENHA: Scalene e o elemento Éter

Por Victor Naine (texto e fotos) I @vnaineme

Rio de Janeiro, Arcos da Lapa, Fundição Progresso. A banda Scalene não poderia escapar desse clichê maravilhoso! Ao chegar, nada mais maneiro do que ver a estrutura de luzes sobre o palco oval, no meio da pista. Os DJs da festa Crush já estavam agitando a galera com um som de respeito, desde que a casa abriu às 22h (tocando de Reel Big Fish a Circa Survive – que por acaso deu show na semana anterior!)

Infelizmente, a espera pelo show foi ~Surreal~ (piada pronta e inevitável), o que em geral demonstra um certo desrespeito aos fãs que aguardaram por mais de duas horas de pé (pra não perderem o lugar privilegiado). Os roadies pareciam meio perdidos, sem nem saber onde colar o setlist ou as palhetas… Fora que ficaram minutos consideráveis pendurando uma galinha atrás do batera (#mimxplica).

Mas não vim aqui falar mal. Pelo contrário!

ÉPICO, Rio de Janeiro!!! Prazer enorme trocar essa energia com vocês, muito obrigado!!

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Perto de 0h30, a banda entrou com pressão, com uma das músicas de trabalho: a maravilhosa Sublimação, primeira faixa do novo álbum Éter. Nesse momento, não lembro de ninguém estável no chão! – Em geral, um público bem jovem, com meia dúzia de hipsters mais velhos no meio (eu, inclusive) curtindo muito!

O show desenrolou por cerca de uma hora de duração com um setlist impecável (segue no fim da resenha)! Felizmente, não tocaram quase nada do primeiro EP, “Cromático”, que não é nada maduro se comparado aos dois outros álbuns! No meio do caminho, apenas um cover, de Royal Blood.

Do Real/Surreal (2013), além da própria Surreal (entre as primeiras músicas),  tocaram Karma, por exemplo, (que agitou muito a galera), além de Danse Macabre, com aquele riff maravilhoso timbrado no melhor estilo Muse. Em Amanheceu fizeram uma versão menos melosa, que não se justificaria se não fosse pela logística de fazer um acústico no meio da porradaria! – fui preparado pra sentir aquele clássica presença na ausência, mas a versão não me tocou o quanto poderia. Mas isso não abalou porque o arranjo se encaixou bem naquele contexto.

Do álbum Éter (2015), tocaram também Gravidade, fofa e densa! Ambiguidade que, por sinal, é bem presente no trabalho da banda, com uma pegada que seria bem existencialista, se não fosse a crença na essência humana ou num tipo de esperança na transcendência. Tocaram também O Peso da Pena e Náufrago (pra ~afogar~ a galera em good vibe!).

É raro ver bandas com uma preocupação minuciosa nos arranjos, timbres, atmosfera e letras reflexivas… além de força nos palcos! inclusive, um parabéns especial ao Lucas Furtado (baixo), que tem uma energia muito foda! Rolou até um  cartaz com #LukãoMeEngravida (…)

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Pra fechar, não poderia faltar a música do último clipe. E os caras fizeram isso se tornar épico e inesquecível. No meio de Legado, Gustavo Bertoni (vocal e guitarra) simplesmente puxou a galera pra cima do palco, deixando os seguranças loucos de medo de geral ir pra vala! Não, aquele palco não foi feito mesmo pra sustentar tanta gente. A galera podia chutar a pedaleira, furar a pele do bumbo, despencar lá de cima? Foda-se! “Só me sentirei pronto pra partir quando me doar” – e foi isso! A banda se doou!

Vida longa ao Scalene!

setlist

  1. Sublimação
  2. Nós > Eles
  3. Histeria
  4. Surreal
  5. Sonhador II
  6. Tiro Cego
  7. Silêncio
  8. Náufrago
  9. Forma Padrão
  10. Gravidade
  11. Ilustres Desconhecidos
  12. Out of the Black (cover de Royal Blood)
  13. Nunca Apague a Luz
  14. Amanheceu
  15. Alter Ego
  16. Karma
  17. O Peso da Pena
  18. Danse Macabre
  19. Legado