RESENHA: Scalene e o elemento Éter

Por Victor Naine (texto e fotos) I @vnaineme

Rio de Janeiro, Arcos da Lapa, Fundição Progresso. A banda Scalene não poderia escapar desse clichê maravilhoso! Ao chegar, nada mais maneiro do que ver a estrutura de luzes sobre o palco oval, no meio da pista. Os DJs da festa Crush já estavam agitando a galera com um som de respeito, desde que a casa abriu às 22h (tocando de Reel Big Fish a Circa Survive – que por acaso deu show na semana anterior!)

Infelizmente, a espera pelo show foi ~Surreal~ (piada pronta e inevitável), o que em geral demonstra um certo desrespeito aos fãs que aguardaram por mais de duas horas de pé (pra não perderem o lugar privilegiado). Os roadies pareciam meio perdidos, sem nem saber onde colar o setlist ou as palhetas… Fora que ficaram minutos consideráveis pendurando uma galinha atrás do batera (#mimxplica).

Mas não vim aqui falar mal. Pelo contrário!

ÉPICO, Rio de Janeiro!!! Prazer enorme trocar essa energia com vocês, muito obrigado!!

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Perto de 0h30, a banda entrou com pressão, com uma das músicas de trabalho: a maravilhosa Sublimação, primeira faixa do novo álbum Éter. Nesse momento, não lembro de ninguém estável no chão! – Em geral, um público bem jovem, com meia dúzia de hipsters mais velhos no meio (eu, inclusive) curtindo muito!

O show desenrolou por cerca de uma hora de duração com um setlist impecável (segue no fim da resenha)! Felizmente, não tocaram quase nada do primeiro EP, “Cromático”, que não é nada maduro se comparado aos dois outros álbuns! No meio do caminho, apenas um cover, de Royal Blood.

Do Real/Surreal (2013), além da própria Surreal (entre as primeiras músicas),  tocaram Karma, por exemplo, (que agitou muito a galera), além de Danse Macabre, com aquele riff maravilhoso timbrado no melhor estilo Muse. Em Amanheceu fizeram uma versão menos melosa, que não se justificaria se não fosse pela logística de fazer um acústico no meio da porradaria! – fui preparado pra sentir aquele clássica presença na ausência, mas a versão não me tocou o quanto poderia. Mas isso não abalou porque o arranjo se encaixou bem naquele contexto.

Do álbum Éter (2015), tocaram também Gravidade, fofa e densa! Ambiguidade que, por sinal, é bem presente no trabalho da banda, com uma pegada que seria bem existencialista, se não fosse a crença na essência humana ou num tipo de esperança na transcendência. Tocaram também O Peso da Pena e Náufrago (pra ~afogar~ a galera em good vibe!).

É raro ver bandas com uma preocupação minuciosa nos arranjos, timbres, atmosfera e letras reflexivas… além de força nos palcos! inclusive, um parabéns especial ao Lucas Furtado (baixo), que tem uma energia muito foda! Rolou até um  cartaz com #LukãoMeEngravida (…)

Scalene

Pra fechar, não poderia faltar a música do último clipe. E os caras fizeram isso se tornar épico e inesquecível. No meio de Legado, Gustavo Bertoni (vocal e guitarra) simplesmente puxou a galera pra cima do palco, deixando os seguranças loucos de medo de geral ir pra vala! Não, aquele palco não foi feito mesmo pra sustentar tanta gente. A galera podia chutar a pedaleira, furar a pele do bumbo, despencar lá de cima? Foda-se! “Só me sentirei pronto pra partir quando me doar” – e foi isso! A banda se doou!

Vida longa ao Scalene!

setlist

  1. Sublimação
  2. Nós > Eles
  3. Histeria
  4. Surreal
  5. Sonhador II
  6. Tiro Cego
  7. Silêncio
  8. Náufrago
  9. Forma Padrão
  10. Gravidade
  11. Ilustres Desconhecidos
  12. Out of the Black (cover de Royal Blood)
  13. Nunca Apague a Luz
  14. Amanheceu
  15. Alter Ego
  16. Karma
  17. O Peso da Pena
  18. Danse Macabre
  19. Legado
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