Arquivo da tag: David Bowie

Top 5: ‘As melhores de 2016’, por Guilherme Schneider

Anúncios

Mais Planos, Sem Planos | As surpresas nos 70 anos de David Bowie

Hoje deveria ser um dia de celebração, seria o aniversário de um dos mais versáteis artistas dos nossos tempos.  Hoje deveria ser um dia de saudade, ou nostalgia, por ele ter partido há aproximadamente um ano atrás.  hoje é um dia de música, de vídeo, de arte.  No que deveria ser o septuagésimo aniversário de David Bowie, os canais de streaming e venda de músicas digitais trouxeram um novo EP do artista apresentando quatro músicas.
Se a primeira, música é a já conhecida Lazarus, segundo vídeo do álbum Blackstar e título do musical em que o artista vinha trabalhando no meses antecedendo sua morte, as outras três são mais obscuras.

Killing a Little Time é a terceira música a aparecer.  Com um matador riff já na introdução, beira o rock pesado. Ainda que evidentemente não tão pesado quanto em seus anos de Tin Machine, em alguns momentos seu instrumental contrasta com a delicadeza de outros momentos e o vocal constantemente angustiado.  O vocal se torna especialmente angustiante em passagens que vem em um crescendo, como se ele estivesse sufocando.  Certamente uma faceta interessante do Camaleão.
When I Met You fecha o disco com um viés mais pop, mas não se iludam os que acreditam que isso indica uma arte menor.  Poucas pessoas fizeram pop como Bowie e no estilo ele entregou muitas de suas obras mais interessantes.  Isso acontece mais uma vez aqui.
As três músicas inéditas em obras do cantor já haviam sido lançadas em outubro de 2016 na trilha sonora do musical Lazarus criado por ele.  Essas músicas aparecem duas vezes, sendo uma na voz do autor e outra nas vozes dos atores.  Hoje temos no Deezer, apenas a versão na voz dos atores liberada, enquanto no Spotify ambas as versões, para o álbum com a trilha sonora.  Já o EP se encontra disponível em ambas as plataformas.
Guardei a faixa título, e segunda do EP, para o final por ter mais aspectos para abordar.  Junto ao EP foi lançado o vídeo para esta faixa.  Destaque em seu instrumental para a mesma qualidade pop de When I Met You e destaque para o sax.  Não lembro de ter visto um uso tão interessante para o instrumento na música pop em muito tempo.  Com relação ao vídeo a parede de aparelhos de TV na vitrine da loja remete diretamente ao filme The Man Who Fell on Earth de 1976.
Grande parte da letra vai aparecendo e desaparecendo dos monitores enquanto as pessoas que passam em frente a loja param fascinadas, como qualquer pessoa pararia ao se deparar com a obra de Bowie.  O nome da loja Newton Electrical remete diretamente ao personagem Thomas Jerome Newton, assim como a temática e o fascínio também podem ser ligados diretamente ao filme onde o alienígena humanoide traz uma importante mensagem a ser compartilhada com o  povo da Terra.  Toda essa interligação entre os diversos aspectos de sua obra é um dos traços do David Bowie como artista, como inovador e como pessoa… de onde quer que ele tenha vindo.

“Eu não sei para onde vou daqui, mas prometo que não será chato” – David Bowie


Confira também o especial do RIFF sobre Bowie:

Conheça todos os vencedores do Prêmio RIFF de Música 2016!

O Canal RIFF viveu neste dia 1º de dezembro o dia mais louco de seus quatro anos de história. Graças a quatro bandas incríveis e mais de 350 pessoas que passaram pelo Teatro Odisseia, no centro do Rio de Janeiro. A entrega do Prêmio RIFF de Música 2016 teve shows lindos da El Toro Fuerte, Def, Hover e Versalle.

A noite reuniu também os produtores e colaboradores do coletivo de audiovisual RIFF. Pelo segundo ano seguido distribuíram troféus para várias categorias – 13 ao todo. Oito nacionais e cinco internacionais.

Os grandes vencedores da noite foram Scalene e David Bowie, cada um com duas premiações. Destaque também para a premiação de ‘Melhor Instrumentista’ para a baterista Larissa Conforto, a única presente que de fato levou o troféu – afinal, Larissa, baterista da Ventre, tocou com a El Toro Fuerte.

Ao todo foram mais de 2500 votos recebidos de todo o país – e de vários cantos do mundo. O RIFF deixa aqui o seu MUITO obrigado a todos que participaram de alguma forma desta premiação! Ano que vem tem mais! :)


Confira abaixo todos os vencedores através do voto popular:

INSTRUMENTISTA DO ANO: Larissa Conforto (Ventre/Xóõ) 

15284021_10154079315181961_3455480383611469809_n

MELHOR CLIPE – INTERNACIONAL: ‘Lazarus’ (David Bowie)

15202643_10154079314341961_9034536472322632465_n

MELHOR CLIPE – NACIONAL: ‘Ai, Ai, Como Eu Me Iludo’ (O Terno)

15193649_10154079316781961_1568252109740787126_n

MÚSICA DO ANO – INTERNACIONAL: ‘Burn The Witch’ (Radiohead)

15326587_10154079314106961_6770171474869546173_n

MÚSICA DO ANO – NACIONAL: ‘Vultos’ (Scalene)

15327284_10154079315681961_6345846632102014818_n

SHOW DO ANO – INTERNACIONAL: Guns N’ Roses

15319321_10154079314251961_5254315699299204729_n

SHOW DO ANO – NACIONAL: Scalene

15327367_10154079316681961_1510191155427910818_n

ÁLBUM DO ANO – INTERNACIONAL: ‘Blackstar’ (David Bowie) 

15284841_10154079314146961_8825959357233132915_n

ÁLBUM DO ANO – NACIONAL: ‘Sabotage’ (Sabotage)

15220210_10154079316576961_8894163643960523995_n

BANDA/ARTISTA DO ANO – INTERNACIONAL: Twenty One Pilots    15241934_10154079314661961_4665252792596435102_n

BANDA/ARTISTA DO ANO – NACIONAL: Pense

15319204_10154079316961961_1387624116517010489_n

REVELAÇÃO 2016: Plutão Já Foi Planeta 

15285028_10154079316251961_7294193461960569087_n

MÍDIA DE MÚSICA: Tenho Mais Discos Que Amigos

15181636_10154079316046961_8060084663550351213_n


Em breve fotos e vídeos do Prêmio RIFF. Siga nossas redes sociais para mais detalhes!

Digerindo a morte de Bowie

Por Laura Tardin I Fotos Getty

Às 7:00 dessa segunda, acordei.

David Bowie morreu.

Cacete, Bowie não. Não, por favor, levem outro cara. Me peguei conversando há poucos dias exatamente sobre isso – quem vai morrer e me deixar triste? Depois da morte de Lemmy, nomes vieram à cabeça. Paul, Dylan, Smith, May. Os Stones. Led Zeppelin. Bowie.

Tomada pelo sono, me lamento em silêncio enquanto leio as notícias. Aparentemente não é mentira. Que ruim, me sinto mal por sua família. Apesar dos sentimentos, durmo de novo.

Quando acordo novamente, ponho para escutar Lazarus, clipe lançado do último CD, Blackstar. Aí, eu desabei.

MANCHESTER, ENGLAND - NOVEMBER 17: David Bowie in silhouette performs on the first night of his UK tour at the MEN Arena on November 17, 2003 in Manchester, England. (Photo by Alex Livesey/Getty Images)

Segunda-feira foi um dia estranho. Acho que para todos nós, fãs de rock. Passei o dia entre homenagens, leituras, discos devorados, tristezas. O que há na morte de um artista que nos atinge tanto? Aposto que tanta gente, como eu, sequer chegou a ver um show do Bowie.

Ora, Bowie nos disse muitas coisas durante sua carreira, inclusive que seu fim estava próximo. E estava. Entretanto, acho que daí vem a dor: como dissociar “Bowie” de todos os seus personagens, e  de “David Jones”, inglês, que morreu depois de 1 ano e meio lutando contra o câncer? O artista vira gente de carne e osso? Vive, cria e morre? Como…todo mundo?

Para mim, a morte de um artista sempre tem um quê de sexo dos anjos. É algo que evitamos falar, mistificamos, não sabemos explicar. Não sei porque a morte de David Bowie me faz chorar tanto quanto a morte da minha avó. Talvez o considere parte da família. Afinal, tem fotos dele na minha casa. Escuto sua voz, às vezes, por um dia inteiro. Ele é parte da minha vida, da minha história.

Volto à 2009, quando Michael Jackson morreu. Das mortes que acompanhei nos meus 24 anos de vida, essa foi com certeza a mais dolorosa. Primeiramente, ninguém esperava que, com turnê para começar, ele nos deixaria tão cedo, de uma forma tão estranha quanto sua trajetória pessoal. Foi dramático e, como sempre, tive pena do Michael. Um cara talentoso, mas perdido. Em segundo lugar, sua morte foi tão intensamente explorada pela mídia que a dor parecia multiplicar-se. Cara, jamais vou me esquecer do funeral de Michael Jackson, transmitido ao vivo. Dentro daquele carro funébre que ia pelas ruas de Los Angeles, lá estava Michael Jackson, genial e fraco, em seu último estrelado nesse mundo, para nunca mais voltar. Dias como aquele me fazem agradecer pelo fato de Jim Morrison e Freddie Mercury já estarem mortos quando eu nasci – sinceramente, não sei o que eu faria se visse um dos dois morrerem diante dos meus olhos.

Voltando à Bowie, memórias não paravam de vir. É realmente como perder um amigo, alguém que estava lá. “Lembra aquela vez em que…?” “É, David estava com a gente”. Ainda fiquei o dia todo pensando em meu pai e minha mãe, que mesmo após 11 anos separados, disseram exatamente a mesma coisa: “Agora estou órfão de Lennon e Bowie”. Caramba, um carinha colocou meus pais para pensarem na mesma coisa ao mesmo tempo, e isso é incrível.

Floral tributes are seen beneath a mural of British singer David Bowie, painted by Australian street artist James Cochran, aka Jimmy C, the day after the announcement of Bowie's death, in Brixton, south London, on January 12, 2016. Music legend David Bowie was famously private during his lifetime -- and in death, as a string of questions about the circumstances of his passing remained unanswered. His official social media accounts had announced the shock news of his death at 69 on January 11, 2016: "David Bowie died peacefully today surrounded by his family after a courageous 18-month battle with cancer," adding a request for privacy for the grieving family. / AFP / LEON NEAL (Photo credit should read LEON NEAL/AFP/Getty Images)

Os dias se passam e ondas maiores me atingem. Sou atingida pela morte de Bowie porque meus pais estão envelhecendo e penso que, um dia, eles vão partir. Podem parecer eternos como Ziggy Stardust, mas são efêmeros como papel. Se David se foi aos 69, talvez não reste muito tempo para meus pais, que viveram simultaneamente a ele. Sonhei que recebia a notícia de que meu pai tinha morrido e, ao acordar, pensei sobre como a morte de alguém que eu nunca conheci me afeta em questões profundas. Como meu pai diz, nunca sabemos como vai reagir.

Também tenho arrependimentos bobos, tipo, “por que diabos eu fiquei ouvindo o CD do Justin Bieber quando David Bowie estava em sua última semana na Terra?”. Revejo tudo o que estou fazendo, como se tivesse uma segunda chance de ligar para alguém. É assim que me sinto ao ver “Lazarus” – com um sentimento de pena, perda, ausência. Como se eu pudesse pegar na mão de Bowie enquanto ele está deitado e estar dançando com ele no segundo seguinte. Ou pedir para ele ficar antes que ele entre naquela porta.

Estou arrasada. Já declarei que essa é uma semana perdida, triste, pesada.

David, vá em paz, espero que você realmente esteja no paraíso com tantos amigos que já se foram. Ou em Marte, como preferir. Amamos você para sempre.