Quem vai tocar no Maximus Festival 2017?
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Por Natalia Salvador | @_salvadorna
A décima sexta edição do Rock in Real aconteceu na sexta-feira, dia 7 de outubro, e misturou música, humor, arte e circo. A simbólica entrada no valor de R$ 1 proporcionou diversas experiências ao público ali presente. O Teatro Municipal Ziembinski foi palco para a apresentação das bandas Two Places at Once, Balba e Hover, todas três apresentando letras em inglês.
O teatro tem um ambiente aconchegante e mais parecia um desafio para os espectadores assistir três show de rock sentados. Os shows foram pontuais e a plateia foi crescendo conforme o passar das horas. Os primeiros a subir no palco foram os cariocas da Two Places at Once, trazendo músicas do disco lançado no inicio de 2016, ‘Birdtraps’. O quarteto mistura suavidade e leveza com muita energia!
Durante as apresentações, outra coisa que prendia a atenção do público eram as apresentações acrobáticas no tecido com diferentes artistas de diferentes companhias cariocas. A segunda banda a entrar no palco foi dos veteranos da Balba, que, apesar da língua e influências estrangeiras não deixa de lado as raízes brasileiras, e apresentaram músicas leves e dançantes, sem deixar de lado a essência do rock and roll.
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Nos intervalos, rolaram ainda algumas apresentações num formato stand up comedy, que pareceram não vingar muito. Com poucos risos na plateia, a dupla de besteirol americano não deixou a energia morrer durante a troca de palco. Para fechar a noite com chave de ouro, os petropolitanos da banda Hover subiram ao palco. O set list da noite girava em torno do primeiro CD da banda, ‘Never Trust the Weather’. O quinteto tem um som bastante original e fez o teatro lotar durante o show.
O evento tem uma proposta super interessante. Do lado do metrô e com entradas a um real, é o programa ideal para qualquer um que ama boa música, arte e um lugar descontraído e diferente das casas que, geralmente, trazem shows para o a cidade maravilhosa. Se você não quer perder as próximas edições, fique de olho nas redes sociais, dessa vez não tem desculpa para não prestigiar!
Por Natalia Salvador | @_salvadorna
Para quem mora na zona oeste do Rio de Janeiro e gosta do bom e velho rock agora tem mais uma opção para curtir o fim de semana e ainda assistir aos shows de bandas relevantes da cena brasileira. A Kult Kolector, apesar de pequena para o que se propõe, vem trazendo diversas opções para o público alternativo e, no sábado (8/10), reuniu os cariocas da Drops 96 e da Planar, além dos cearenses da Selvagens à Procura de Lei.
Com os ingressos esgotados e lista de espera, quem abriu a noite e aqueceu a galera foram os meninos da Drops 96. Descontraídos e animados, o sexteto apresentou músicas do cd lançado em março desse ano, ‘Busque mais da vida’. Além de músicas de trabalhos anteriores, como Mais que um olhar – queridinha dos fãs – e covers de grandes artistas como Tim Maia. Uma das surpresas da noite ficou por conta da participação especial de Caio Evangelhista, o ‘labrador humano’ segundo o tecladista Fernando Sampaio, dividindo o microfone com Fábio Valente em uma performance de A cera, da banda O Surto.
Rapidamente, os cariocas da Planar se ajeitaram no palco e deram sequência as apresentações da noite. A casa estava cheia e era preciso se esforçar para ver os músicos no palco. Selecionados para participar da 3ª edição do Festival SXSW, no Texas, EUA, ainda trabalham o setlist em cima do último disco ‘Invasão’, de 2014. O clima era dos melhores e o público respondia entusiasmado.
O último show da noite ficou por conta da Selvagens à Procura de Lei que, mais uma vez, não deixou ninguém parado. No seu segundo show em sequência no Rio de Janeiro, o quarteto trouxe algumas surpresas no setlist e fechou as apresentações na cidade maravilhosa com a energia lá no alto. A plateia acompanhava em coro todas as músicas.
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Apesar do som e estrutura precários para o que se propõe, a Kult Kolector é mais um espaço que promove eventos com boa música e uma vibe mais intimista, vale a experiência. Depois de dois shows seguidos, os fã de Selvagens à Procura de Lei já estão com saudades da energia e alegria desses meninos, mas com a certeza de que não demoram para voltar.
Por Natalia Salvador | Fotos @_salvadorna & Marcella Keller
Depois de muita espera e ansiedade, o primeiro show da Tour Rogério, álbum lançado em julho de 2016, pela Supercombo, aconteceu. Formada em Vitória, no Espírito Santo, a banda já tem quase 10 anos de estrada e esse é o seu quarto álbum. Com uma mistura de ritmos, conceito bem amarrado, letras divertidas, inteligentes e o carisma que já é marca registrada. As expectativas para essa festa eram as melhores e não decepcionou.

Com uma hora e meia de atraso e uma fila que dava voltas no quarteirão, as portas do clube Democráticos se abriram e os paulistas da banda Alaska já estavam no palco. Depois de uma rápida passagem de som, os meninos já engataram com um show que levantou a galera. Os primeiros da fila puderam acompanhar tudo de pertinho e cantavam com animação e euforia as músicas do cd ‘Onda’, lançado em agosto do ano passado. Para compor a canção Exílio, os meninos contaram com a participação especial de Thiago Pádua, vocalista e baixista da banda Sarina. Mas o ponto alto da apresentação da Alaska costuma ficar para o fim: o coro da platéia acompanhou em alto e bom som o final marcante de Vista.

Logo em seguida, quem assumiu o palco foram os cariocas da banda Radioativa. O pop rock apresentado por Ana, Felipe, Fabrício, Denny e Rodrigo deixou o público ainda mais ansioso para o último show da noite. Pontuando suas influências e reforçando a ideia de que é importante e preciso apoiar o rock nacional, a banda apresentou um cover de Sete vidas, da cantora baiana Pitty. Além, de claro, diversas músicas autorais que passearam por diferentes fases e trabalhos desses sete anos de estrada.

A galera já não aguentava mais de ansiedade quando a Supercombo, finalmente, subiu no palco. A banda abriu o show com a música Jovem do último cd, e nesse momento ficou claro que a noite seria de grandes emoções. Apesar de recente, o público cantou com toda a força que os pulmões podem alcançar. Eles seguiram com uma sequência que incluiu músicas dos trabalhos anteriores, passando por Fundo do Mar e Saco Cheio.
Com muita luz e interação, o novo aparato tecnológico, que ajudava a compor o cenário, chamou bastante atenção e deixou a festa ainda mais bonita e interessante. Outra novidade que merece ser comentada é o baterista Maick Sousa, que assumiu as baquetas de Raul com excelência. Para fortalecer ainda mais a ideia de que é importante reconhecer e ressaltar o rock nacional, o vocalista Leo Ramos e o tecladista Paulo Vaz, fizeram uma versão acústica de Surreal, da banda Scalene.
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“Toda vez que a gente vem aqui dá vontade de chorar, o Rio de Janeiro é emocionante”, afirmou a baixista Carol Navarro, que, em entrevista ao Canal RIFF, contou amar o fato dos cariocas sempre fazerem as famosas rodinhas punk nos shows. Se para os músicos a noite foi especial, para os fãs ela foi inesquecível. Quem deixou o Democráticos na madrugada de sábado, saiu de alma lavada.
Por Felipe Sousa | @Felipdsousa
Estamos na metade de outubro, o fim do ano já se aproxima, mas ainda vale (e como vale) olhar para trás e ver o que de legal foi lançado nos últimos meses. Para quem quer buscar música nova, separamos alguns álbuns dos meses de agosto e setembro. Todos disponíveis em streaming pra você ouvir à vontade. Vale destacar o grande trabalho de bandas nacionais nesses dois meses.
1. Inky – Animania
Começamos com o grande “Animania”, segundo álbum dos paulistas da Inky. Lançado em 26 de agosto, o trabalho aparece forte em um ano muito bom pra música nacional. Com letras bem vivas, arranjos e melodias bem elaboradas e propondo espaço pra cada instrumento dar seu show a parte, Animania chega com tudo pra ser um dos grandes álbuns de 2016.
2. O Terno – Melhor do Que Parece
Mais uma “brazuka” vinda de São Paulo, a banda O Terno acabou de produzir seu terceiro álbum intitulado “Melhor do que Parece”. A banda que já tem um som bem original chega com seu novo trabalho influenciado no que parece ser um rock “das antigas”.
3. Carne Doce – Princesa
Você com certeza deve ouvir o som que a Carne Doce está trazendo. Intitulado “Princesa” o novo álbum da banda goiana é além de tudo um sopro de alegria pros ouvidos, com muito psicodelismo, rock, MPB e a linda voz de Salma Jô.
4. Bayside – Vacancy
Sétimo álbum da carreira da Bayside, “Vacancy” não chega com status de espetacular, mas mantém a expectativa de que é mais um álbum interessante pra quem curte pop/punk daqueles com melodias fáceis de memorizar.
5. Dinossaur Jr. – Give a Glimpse Of What Yer Not
A excelente Dinossaur Jr lança depois de quantro anos o seu novo trabalho “Give a Glimpse Of What Yer Not”. Um rock alternativo sem grandes inovações, porém muito bom de ouvir.
6. Young The Giant – Home of The Strange
O indie rock do Young The Giant aparece mais maduro nesse novo álbum, “Home of The Strange“. Ainda que não tenham ousado tanto na sonoridade, é um bom terceiro disco de estúdio.
7. Jeff The Brotherhood – Zone
Esse simples redator que vos fala é suspeito pra falar dessa dupla. Chegando com o seu décimo álbum de estúdio, e com muito psicodelismo, “Zone” é mais um ótimo projeto do Jeff The Brotherhood. Ouça que vale muito a pena.
8. Thee Oh Sees – Weird Exits
Depois de oito anos na Estrada o Thee Oh Sees lança o seu décimo trabalho. “Weird Exits” é ótimo como um rock de garagem com pegadas interessantes de psicodelia. Projeto muito interessante!
9. Medulla – Deus e o Átomo
Mais um disco bastante aguardado no ano, o “Deus e o Átomo” do Medulla, vem com grandes participações, tais como Marcelo D2 e Teco Martins. Mais um sopro de felicidade pra música nacional.
10. Francisco, El Hombre – Soltasbruxa
Falamos no inicio do artigo sobre o destaque que daríamos a música nacional, acredito que você esteja percebendo o quanto isso é verdade. Mais um excelente lançamento “brazuka”. Francisco, El Hombre e seu “Soltasbruxa” aparecem com muita influência na MPB e música latina. Fique de olho nesse grupo e aproveite esse som foda!
11. Blues Pills – Lady In Gold
Uma dica de longe, lá da Suécia. “Lady in Gold” é um achado interessante. Com muita psicodelia e cheio de riffs esse é novo trabalho do Blues Pills.
12. K.Flay – Crush Me
Fugindo um pouco do rock mais rock, falamos da K.Flay e seu EP “Crush Me”. Uma mistura de pop, rock e rap e uma voz bem particular e gostosa de ouvir da Kristine Meredith Flaherty.
13. Bon Iver – 22, A Million
Com muita pegada eletrônica, o terceiro álbum do Bon Iver foi lançado em setembro. Há quem diga que tanta influência eletrônica descaracterize demais o som do grupo. O fato é que o novo projeto precisa ser muito bom pra seguir os passos de seu antecessor, o ótimo “Bon Iver, Bon Iver” de 2011. Ouça “22, A Million” e tire suas conclusões.
14. The Baggios – Brutown
Mais um disco que conta com participações especiais é o “Brutown” do The Baggios. Emmily Barreto (Far From Alaska), Felipe Ventura (Baleia), Jorge Du Peixe (Nação Zumbi) e mais, Cantam com o grupo que já um dos bons nomes do novo rock nacional. Tá demais!
E aí riffeiros, curtiram? Quais destes já ouviram? Quais ficaram fora da lista? Conta pra gente e aproveita para seguir o RIFF lá no Spotify!
Por Natalia Salvador | @_salvadorna | Fotos Marcella Keller
Se você gosta de rock e acompanha as bandas independentes do país, já sabe que a primeira quinta-feira do mês tem encontro certo, e é no Rio Novo Rock. Dando espaço para as bandas cariocas e também de outros lugares do Brasil, o evento é queridinho e se confirma, a cada edição, uma ótima opção para quem curte uma boa música. Para compor o line-up de outubro, o evento contou com a presença das bandas Selvagens à Procura de Lei e Posada e O Clã, além do DJ Burgos e o VJ Miguel Bandeira, que não deixaram a galera parada durante os intervalos.

Sempre pontuais, o primeiro show começou um pouco depois das 21 horas e concentrou o público próximo ao palco, que mesmo um pouco tímido acompanhava a apresentação dançante e diferente de Posada e O Clã. Felipe Duriez, da banda Hover, subiu no palco para somar com os posada e reafirmar o talento que todo mundo já conhece. Para introduzir Tijolo, Carlos Posada chamou atenção para as eleições que vão acontecer em grande parte das cidades brasileiras.

A galera já estava ansiosa quando Selvagens à Procura de Lei foi anunciada no palco, a partir daí foi energia até o fim. A tour do disco recém lançado, Praieiro, chamou o público carioca para dançar mais uma vez. Em Projeto de vida, a euforia deu lugar às luzes de celulares e os clássicos isqueiros. A plateia ovacionava os cearenses e o baterista Nicholas Magalhães dizia o quanto eles estavam felizes em voltar à cidade maravilhosa, “A gente adora tocar aqui, o Rio de Janeiro é foda!”. Uma das surpresas do show ficou para a apresentação de Senhor Coronel, que ganhou as notas do teclado de Gabriel Aragão. Tarde livre e Mucambo Cafundó fecharam a noite.
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A felicidade não era apenas dos que estavam no palco, entre o público fiel e os músicos cariocas que prestigiaram o evento, o Imperator abraçou os cearenses para mais uma bela edição desse festival que merece o apoio de quem gosta de boa música. Quem já está ansioso pela edição de novembro? E se você perdeu Selvagens à Procura de Lei no Rio Novo Rock, ainda tem mais uma chance de conferir o show da banda. No sábado, dia 8, eles se apresentam na Kult Kolector e a festa vai contar com a presença da Planar e da Drops 96. Não dá pra perder, né?
Por Natalia Salvador | @_salvadorna
O quarto CD da carreira de Tiago Iorc, ‘Troco Likes’, vem mostrando para o público uma nova fase do artista. Com letras em português, o cantor afirmou, em diversas entrevistas, o desejo de se aproximar dos fãs brasileiros. No filme, Tiago explica essa necessidade de se sentir em casa no seu país e, fazendo um gancho ao nome do disco, em estar conectado com as pessoas daqui. Não podia ter dado mais certo.
Carregado de significados, Troco Likes trás em suas letras e melodias todo esse querer de ser gostado. E parece que os brasileiros tornaram a vontade do cantor realidade. Depois de rodar o país inteiro em 2015 e se apresentar em diferentes cidades, Tiago decidiu fazer um registro dessa nova fase de sua carreira. Escolheu Belém para ser protagonista de seu filme por motivos pessoais e, cá entre nós, de estética, já que o Teatro Gasômetro encaixou perfeitamente para esse novo desafio.
Filmado todo em plano sequência – um show a parte para quem gosta de cinema e fotografia – Troco Likes ao vivo é uma experiência. Quem assiste consegue se sentir literalmente no meio do show, aquele convidado especial e com visão mais que privilegiada. Com uma excelente produção, repertório todo em português e muito talento, Tiago segue o filme com uma narrativa emocionante e um show apenas voz e violão – como costumam ser a maioria de suas apresentações.
E mesmo os saudosistas, que insistem em dizer que bom mesmo era Tiago Iorc cantando em inglês, se rendem à sua poesia e irreverência. Com direção do próprio brasiliense e produção em parceria com Felipe Simas, o filme é um lindo registro do grande sucesso pop que é Tiago. Eu não posso afirmar quanto aos outros telespectadores, mas eu amei te ver!
Por Tayane Sampaio (texto e fotos) | @Tayanewho
O aclamado álbum “Idioma Morto” (2006), da Ludovic, completou 10 anos e alguns fãs tiveram a sorte de comemorar a data com um show da banda, que encerrou as atividades em 2008. Os paulistanos, respeitados na cena underground, passaram por Brasília, na última sexta-feira (23), e incendiaram o Stranjas Club.
Com aproximadamente duas horas de atraso, o evento começou com a apresentação de Vitor Brauer. O mineiro utilizou apenas voz, violão e alguns pedais em seu set. A “falta” de instrumentos não chega a ser percebida, pois a inquietude de Brauer, que toma vida por meio de sua voz, é a sua carta na manga. Vitor tem uma característica que me encanta e que é escassa: ele não permite que sua obra seja rotulada. Ele canta rap, recita poesia, faz música eletrônica e mais um monte de coisa, tudo junto e sem que o conjunto perca o sentido.

Seja com as músicas da Lupe de Lupe, do supergrupo Xóõ, ou de seu projeto solo, o músico canta palavras de uma sinceridade que poucos se atreveriam a dizer em voz alta. As canções, muitas vezes, parecem confissões que o vocalista compartilha com a plateia, como em “17”: “Eu só pensava em morrer quando eu morava em Valadares/Embora eu já nem saiba dizer qual desses lugares que me dói mais/Porque hoje eu vivo tão sozinho”. A forma crua e autêntica que o cantor despeja suas indagações faz com que o público queira unir-se ao seu discurso. Mesmo com a letra complexa e o ritmo acelerado, tinha gente que recitava cada palavra dos versos de “Eu Já Venci”, junto com Vitor.
Agora, com algumas pessoas a mais, as cadeiras deram lugar a pernas ansiosas, que andavam sem sair do lugar, enquanto a Ludovic arrumava seus instrumentos. Jair Naves (voz e baixo), Rodrigo Monttorso (bateria), Eduardo Praça (guitarra) e Zeek Underwood (guitarra) deram início ao show com a poderosa “Atrofiando/Recém-Convertido/Ex-Futuro Diplomata”, primeira faixa do aniversariante “Idioma Morto”. Além das canções do derradeiro álbum, a Ludovic também tocou músicas do primogênito “Servil” (2004).
O grupo surpreende pela energia e entrega durante toda a apresentação. Jair, com sua voz potente, ora suave, ora aos gritos, comanda o coro formado pelo incansável público. O espaço apertado também não foi empecilho para os pulos animados de Zeek e a movimentação de Eduardo. Rodrigo, que não fazia parte da formação original, em nenhum momento fica para trás e mostra bastante entrosamento com os companheiros.

Mais de uma vez, Jair dividiu seu microfone e o palco com os fãs, que se entregaram à performance tanto quanto a banda. As letras e guitarras raivosas foram a ponte da bonita conexão entre o público e os músicos, que compartilharam esse momento especial. “Eu queria todas as luzes acesas, eu quero ver vocês. A gente precisa ver vocês”, pediu Jair Naves, mais de uma vez.
Nesses meus muitos anos frequentando shows, poucas vezes vi uma apresentação tão visceral. O vocalista se enfia no meio do público, que dança, bate cabeça, canta, grita, transpira junto. Mesmo antes de acabar, a nostalgia tomou conta de mim e ficou a vontade de, um dia, poder viver aquilo de novo. O ato final foi um abraço dos fãs na banda, literalmente. Um emaranhado de gente rodeando os músicos.
Após a emocionante apresentação da Ludovic, foi a vez da Enema Noise tocar. Os brasilienses, que lançaram o EP homônimo no começo do ano, honram o nome da banda com uma sonoridade barulhenta, meio torta, um post-hardcore-punk, que foge da obviedade.

Rafael Lamim (voz e guitarra), Daniel Freire (voz e bateria), Murilo Barros (guitarra) e João Victor (baixo) tocam com entusiasmo e entregam uma apresentação que, no mínimo, desperta a curiosidade de quem ainda não os conhece. Quando não estava soltando gritos rasgados no microfone, o vocalista caminhava de um lado para o outro com sua guitarra, que insistia em se soltar da correia. As vozes também ficam por conta de Daniel, que alterna entre o microfone e a bateria. Os dois se dividem entre vozes mais melódicas e screamos. Essa combinação dá muito certo e chama atenção, como em “Azarnoazar”, que, mais para o fim, é tomada por guitarras distorcidas. O comportamento elétrico dos dois se contrapõe à performance mais introspectiva de Murilo e João.
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Como em todo evento underground, tinha CD’s e camisetas à venda, nas banquinhas de merch. Além disso, em uma outra mesa, você encontrava uma boa variedade de zines, muitos com temática feminista. O salão, no subsolo do Stranjas, que já recebeu bandas como E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante (SP) e Desventura (MG), tem tudo para se firmar como um grande ponto de encontro do underground brasiliense.