Debate RIFF #1
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Por Guilherme Schneider | @Jedyte | Fotos Jefferson Cardoso
Sempre fico imaginando como a aclamada “cena de Seattle” do final da década de 80 cozinhou a revolução grunge – embaladinha no início dos 90. Quantas e quantas bandas não foram moldadas em clubes/garagens acanhados, refletindo a voz angustiada de uma geração. Caro leitor do RIFF, a reflexão pode parecer puramente avulsa para uma resenha, admito, mas confesso também que quando me deparo com tantas bandas promissoras penso em onde isso pode dar. A energia das mensagens de Def, Enema Noise e gorduratrans merece muita atenção. E isso foi o que pude presenciar no último domingo (19/6) na Audio Rebel, em Botafogo.

Para quem ainda não conhece (!!), a Rebel é talvez um dos principais laboratório do underground carioca. Tudo pertinho do palco… um convite para uma boa troca de energia (e de palavras) entre banda e público. O evento foi organizado pela galera do selo Bichano Records, que desde 2014 traz gente muito boa pra tocar ali – e que em breve deve fechar data mensal na casa.
O primeiro show da noite foi do quarteto Def, que estreava na Audio Rebel justamente na véspera do lançamento do primeiro EP, “Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia (Parte 1)”, que saiu na segunda-feira. Até pelo show ter sido antes da divulgação das músicas, pouco conhecia do som deles. Mas, o que dizer senão… amor a primeira vista?

O shoegaze é literal, por parte da vocalista/guitarrista Deb F, que encara seu All Star em boa parte do show. Absolutamente apaixonante. Deb, integrava o Colombia Coffee junto com o batera-fera Dennis Santos – que divide os vocais com louvor em algumas músicas. A banda conta ainda com os talentos de Nathanne Rodrigues (baixo) e do mais novo integrante, Matheus Tiengo (guitarra). O show foi curtinho. Teve cover de Superguidis, teve o novo EP, e teve gosto de quero mais. Destaque para as melodias melancólicas de Dissolvendo, Sobremesa e Nada.
Intervalo, uma cerveja a mais, e hora de Enema Noise, que veio de Brasília para uma turnê de três datas no Rio – também tocaram na Ilha do Governador e em Nova Iguaçu, apresentando o EP homônimo, lançado em janeiro. O post-hardcore brasiliense voltou ao Rio após dois anos de hiatus. Dessa vez com parte do público cantando algumas canções, e de resto uma contemplativa viagem sonora.
O som dos caras é repleto de energia e distorções. Novamente se viu o baterista (Daniel Freire) assumindo uma alternância com o vocalista/guitarrista (Rafael Lamim), como em um conflito de personalidades de um único eu-lírico das letras – ou será que embarquei demais na viagem? João Victor (baixo) e Murilo Barros (guitarra) completam o quarteto. Vale a pena conferir as porradas Azarnoazar, Contra e Da Metade pro Fim.

A saideira do domingo foi com o duo gorduratrans, formado por Felipe Aguiar (guitarra/voz) e Luiz Marinho (bateria). Confesso, minha expectativa era alta depois de passar a semana toda com Vcnvqnd na cabeça. E a melhor expectativa foi correspondida (obrigado pela dica, Flavio Caveira – o aniversariante do domingão) .
Novamente uma dose shoegaze, e outra viagem sensorial. Se pudesse batizar humildemente um estilo, seria algo como “rock sensorial”. Sabe, quando você tá em um show, fecha os olhos, sente a presença dos que estão em volta (cada um no seu espacinho), mastiga os riffs, digere as batidas da bateria… o som do gorduratrans é um convite à esse transporte para uma outra dimensão.
A melancolia das melodias combina com o friozinho do úmido inverno carioca. Atiça mais essa pegada – ainda mais se for a noite de domingo. De fato é uma boa época para sair de casa e sentir. Só sei que a melodia de Vcnvqnd vai durar mais uma semana pelo menos na cabeça.
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Por Alan Bonner (texto e fotos) | @Bonnerzin
Mais uma sexta-feira, mais uma noite de bandas independentes na Kult Kolector. A casa, localizada na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro) e que tem movimentado a cena carioca, abriu suas portas para receber os manauaras da Luneta Mágica e os cariocas da Hunna e da Montanee no dia 17 de junho.
A Luneta Mágica abriu a noite jogando nível lá em cima. Formada por Pablo Henrique (guitarra e vocal), Erick Omena (guitarra e vocal), Eron Oliveira (bateria) e Diego Gonçalves (baixo), a banda é uma deliciosa vitamina de música brasileira. Com influências que vão de Los Hermanos a Jorge Ben e de Mutantes a Clube da Esquina, a Luneta faz um ótimo rock alternativo/psicodélico que não se prende às influências e apresenta um som muito original. O repertório cheio de boas canções autorais e algumas versões bem interessantes de outras bandas, como Pink Floyd, fazem do show da Luneta um daqueles obrigatórios para quem curte a cena underground brasileira.
A Hunna continuou a noite trazendo um pop rock que foge dos clichês e incorpora elementos de pop-punk e de post-hardcore, em um set com músicas autorais e alguns covers clássicos de Red Hot Chilli Peppers, Pearl Jam e Blur. O destaque vão para as baladas da banda, principalmente Não Há Nada. Uma boa dica para quem curte um som mais pop, mas não tão óbvio.
Enfrentando problemas com o som e na própria banda, a Montanee fechou a noite na raça e com um bom show. A banda subiu ao palco desfalcada de seu guitarrista Diogo Panico e com uma falha no microfone do vocalista Felipe Areias, mas assim mesmo não deixou a peteca cair e fez um rock alternativo autoral e muito original. Tão original que é difícil perceber quais as influências, mas Kurt Cobain e Dave Grohl apadrinhariam a banda sem pensar duas vezes. Apesar das excelentes canções próprias, o destaque ficou por conta dos surpreendentes covers de Drake e Lana Del Rey. Se a banda mandou bem assim desfalcada, dá pra se esperar um show incrível com ela completa. Fiquem de olho na agenda do Canal RIFF para não perder os próximos shows da banda e também na Hunna. E ficamos torcendo para que o retorno da Luneta ao Rio não demore muito.
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Por Alan Bonner (texto e fotos) | @Bonnerzin e @GustavoChagas
O melhor jeito de se surpreender com algo é quando, mesmo existindo uma expectativa boa no entorno da coisa, ela sai ainda melhor do que o esperado. É bem assim que pode ser definida a noite de quinta-feira (16/6), quando Plutão Já Foi Planeta, Radioativa e Bordô fizeram ótimos shows no Teatro Odisseia (Rio de Janeiro) e surpreenderam até aqueles que já conheciam seus trabalhos.
Os cariocas da Bordô abriram a noite com um set curto, mas suficiente para mostrar a proposta da banda. Fazendo um rock ora dançante, ora mais introspectivo, Rafael Lourenço (vocal, guitarra e teclado), Daniel Schettini (guitarra), Marcelo Santana (bateria) e Rodrigo Pereira (baixo) trouxeram à tona aquela atmosfera de festa indie habitual do Odisseia durante pouco mais de meia hora e botaram o público para dançar. Uma banda para se ficar de olho, principalmente para quem curte um som na linha de Panic! At the Disco, Franz Ferdinand e Arctic Monkeys.
A também carioca Radioativa subiu ao palco logo após, e as comparações com os americanos da Paramore foram inevitáveis, pela estética da banda, pela vocalista e pelas primeiras notas tocadas. Porém, as semelhanças ficaram nas primeiras impressões. Ana Marques (vocal), Felipe Pessanha (guitarra) Fabricio Oliveira (guitarra), Denny Manstrange (baixo) e Rodrigo Aranha (bateria) fazem um som com elementos diferentes da banda de Hayley Williams. A banda apresentou no seu set de cerca de 50 minutos um pop-punk com uma boa dose de peso e distorção, com influências de post-hardcore e real emo, além de um vocal potente de Ana. A dupla de guitarras também se destaca, com ótimos riffs e uma pegada forte, raramente vista em músicos do estilo. Merece a atenção dos fãs de Yellowcard, New Found Glory e do já citado Paramore.
Para fechar a noite de boas surpresas com chave de ouro, a Plutão Já Foi Planeta, finalista da edição 2016 do programa Superstar, ganhou o palco do Odisseia com muito carisma e boa música. Quem vê a banda potiguar na TV ou ouve o EP “Daqui Pra Lá” e se encanta precisa urgentemente ir a um show deles. É ainda melhor! Os versáteis Natália Noronha (voz, baixo, sintetizador), Sapulha Campos (voz, guitarra, ukulele, escaleta), Gustavo Arruda (voz, guitarra, baixo), Vitória de Santi (baixo, sintetizador) e Khalil Oliveira (bateria) fazem um indie pop com muita originalidade, ótimos arranjos e uma entrega no palco que pouco se vê no mainstream atual. A banda é muito bem ensaiada e pareceu em casa no Rio de Janeiro, mesmo sendo a primeira vez em terras fluminenses. Até o público presente no show impressionou. A galera cantou todas as letras e brincou com os integrantes da banda entre as músicas, tornando a noite ainda mais agradável. E a maior e melhor surpresa de todas ficou para o final: a Plutão chamou os interagentes da OutroEu e da Playmobille, duas bandas que também participam do Superstar (a OutroEu também está na final) para cantar com eles no palco a última música do set, Você Não é Mais Planeta, e transformou o show numa festa. Fiquemos ligados na final do Superstar, pois a Plutão fez um show de campeã.
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Por Alan Bonner | @Bonnerzin
Noites frias no Rio de Janeiro são bastante raras. Como em qualquer outro lugar, elas pedem um local aquecido, aconchegante e com boa música. Parece que tudo conspirou para que esse clima fosse concebido pelo Escritório da Transfusão Noise Records, que abriu suas portas na noite da última quinta-feira (9 de junho) para os shows dos mineiros da Confeitaria e dos cariocas da SLVDR.
O local, que mais parece uma sala de estar, favoreceu bastante para dar uma atmosfera intimista à noite e combinou bastante com a proposta das bandas. A Confeitaria abriu os trabalhos, apresentando seu álbum “Enero” na íntegra. O registro do duo formado por Lucas Mortimer (bateria e efeitos) e Gabriel Murilo (guitarra e baixo) se mostrou bastante sólido ao vivo, mesmo com limitações técnicas que ocorreram durante a apresentação (como problemas na bateria). O que se ouviu foi um post-rock com um toque experimental de muito bom gosto e que reflete bastante a atmosfera das gélidas montanhas da Patagônia, onde o álbum foi gravado.
Conversando com Mortimer, pude ouvir boas novidades em relação a cena underground em Belo Horizonte, principalmente sobre os artistas do “rock triste”. Também conhecido como Emo Tupiniquim e capitaneado por algumas figurinhas carimbadas como Lupe de Lupe e caras novas como Jonathan Tadeu e El Toro Fuerte, o movimento da “Geração Perdida” parece estar fervilhando, e promete transbordar no Rio de Janeiro em breve. Muitas bandas de BH irão ou voltarão a se apresentar no Rio nos próximos meses, inclusive a própria Confeitaria. A dica para quem perdeu o show, portanto, é ficar ligado na agenda do Canal RIFF e comparecer ao próximo, pois é o tipo de experiência que só presenciando para sentir de fato do que se trata.
Para esquentar ainda mais a noite, a SLVDR (“Salvador” sem as vogais, para os desavisados) assumiu os instrumentos e mandou uma brasa atrás da outra. O math rock potente conduzido por Bruno Flores (guitarra), Hugo Noguchi (baixo) e Gabriel Barbosa (bateria) fez até o mais friorento dos espectadores se esquentar. Apresentando músicas de todas as fases do projeto, o trio também anunciou que seu primeiro álbum, intitulado “Presença” está para sair em breve. Vamos aguardar! O grito de “caraca!” de uma pessoa da plateia ao final da faixa “Bouken” (que estará no novo trabalho) definiu bem o que foi a apresentação. A sensação que ficou no final do show e depois de tamanha fritação musical era de orelha, cabeça e corpo quentes. Perfeito para dormir aquecido numa noite fria.
Por Bruno Britto | @brunosbritto
Existem bandas que simplesmente se foram. Simples, rápido e indolor (ou não).
Na maioria dos casos, os músicos iniciaram carreiras solos ou entraram em outros projetos que, em sua grande maioria, trazem uma boa qualidade e continuam a mostrar toda a competência musical dos integrantes. Porém, o pensamento de “e se” ainda continua a ecoar na cabeça da maioria dos fãs.
O Canal RIFF vai listar 5 grandes bandas que deveriam realizar uma última turnê de despedida, seja para satisfazer os fãs, como para provar uma última vez da glória.
Bandas que perderam membros insubstituíveis, como Nirvana e The Beatles não estão sendo consideradas.
5. Led Zeppelin
POLÊMICA.
Sim, eu sei que o LZ perdeu John Bonham de forma precoce. Sei também que ele é um dos maiores bateristas que já passou por essa Terra. Porém, assistindo as últimas apresentações que o grupo fez, inclusive com o filho do falecido membro, Jason Bonham, ficou inegável que os fãs mereciam uma última turnê. E, dessa vez não apenas um show.
Além disso, quão orgulhoso John Bonham ficaria de seu filho em vê-lo em turnê com o grupo que tanto amou?
4. Oasis
A banda inglesa foi um dos maiores sucessos da última geração. Com discos excelentes como “(What’s the Story) Morning Glory?” e “Heathen Chemistry”, o grupo nativo de Manchester deixou muitos fãs completamente órfãos após sua separação em 2009. As constantes rixas ente os irmãos Noel e Liam Gallagher causaram a separação da banda e um retorno parece praticamente impossível, diante dos problemas pessoais entre ambos. Porém, os fãs ainda sonham com a possibilidade.
3. Angra
Apesar de toda a qualidade que o também vocalista do Rhapsody of Fire, Fabio Lione, traz a banda, sempre houve o pensamento em um possível retorno de Andre Matos à mesma. O Angra não está parado e continua forte, produzindo material novo e de qualidade. Entretanto, os amantes da banda não deixam de sonhar em uma turnê especial com o primeiro vocalista e, quem sabe, até mesmo uma turnê contando não apenas com Andre, mas também com Edu Falaschi, responsável por uma época consagrada do grupo.
2. The White Stripes
A dupla norte- americana fez um sucesso estrondoso nos anos 2000, tendo seu último álbum lançado em 2007. O virtuoso guitarrista Jack White tem participado de excelentes projetos, como seus últimos álbuns solo, que foram sucessos de crítica e público. Apesar de tudo, ainda existe uma esperança de uma turnê com Meg White, sua companheira (e ex-mulher) na época de The White Stripes.
1. Engenheiros do Hawaii
Para finalizar, chamamos a atenção para o cenário do rock nacional.
O Engenheiros do Hawaii sofreu uma “pausa” no ano de 2008 e até então não retornou, apesar do vocalista Humberto Gessinger ter lançados discos solos e participado do excelente projeto, “Pouca Vogal”, com Duda Leindecker, do Cidadão Quem. Os mais sonhadores, inclusive, aspiram por uma última turnê com o retorno dos membros mais famosos além de Gessinger: Augusto Licks e Carlos Maltz.
O grupo têm inúmera canções de sucesso e serviu de inspiração para muitos músicos da chamada “nova geração” do rock nacional.
Banda: Carinae (Florianópolis /BR)
Música: Qual (2016)
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