Músicas da edição:
1) Heartbreak Station – Cinderella
2) Cri Du Coeur – Camera Obscura
3) Radio – Alkaline Trio
4) Chasing Cars – Snow Patrol
5) Queda Livre – Jonathan Tadeu
6) Is This Love – Whitesnake
7) Janeiro – Domingo no Parque | *Lançamento exclusivo
8) Faithfully – Journey | *Na Sua Língua
“Como uma gota que escapole para fora do copo”, o Festival Transborda realizou a sua primeira edição fora de sua “cidade natal”, Belo Horizonte. E a esteia fora do ninho foi com dois dias fantásticos de música autoral e de muita qualidade no maravilhoso palco do Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro. O primeiro dia de festival teve como atração os shows de Nobat e Ian Ramil.
Nobat @2016
Lançando o álbum “O Novato”, Nobat deu início ao festival apresentando uma ótima banda de apoio e arranjos excelentes. Destaque para os teclados e a percussão, que dão uma brasilidade ao pós-mpb com toques de indie rock ao som do mineiro. Os tambores são tão marcantes que dá a impressão de estar ouvindo um maracatu pernambucano de raiz em alguns momentos. As belas melodias de guitarras e as linhas de baixo muito bem construídas dão o toque final ao som de um compositor que versa sobre os mais diversos temas em suas composições e que certamente terá mais atenção e espaço no cenário musical brasileiro muito em breve.
A seguir, tivemos o show de Ian Ramil. Ou seria o tapa na cara de Ian Ramil? O gaúcho fez, com sua banda de apoio, um show incrível! Sua banda e, principalmente, suas letras que são verdadeiros esporros em tudo e todos, levou a tímida plateia ao delírio. Destaque para o clarinete na banda, que trás elementos bem interessantes para o som de Ramil. Som esse que tem de tudo um pouco: MPB, post-punk, axé, baião… enfim, uma salada musical completa (e das boas!). Sobre as letras, procure o trabalho do rapaz nas redes sociais e plataformas de streaming e ouça bem atentamente. Tem letra sobre a imersão da sociedade no lixo de plástico, sobre a perda de tempo nos smartphones e até o artigo 5o da Constituição Federal. Em tempos de um transbordamento de problemas políticos, o som de Ramil e Nobat e a cultura como um todo é fundamental. Escute! Prestigie!
O segundo e último dia de Festival Transborda em terras cariocas foi um dia de contemplação e veneração. Um Teatro Oi Futuro Ipanema lotado recebeu os prodígios do gorduratrans e os deuses da Violins, numa noite mágica e inesquecível para público, bandas, produtores e para nós do Canal RIFF.
Violins @2016
O primeiro show da noite ficou por conta de uma das bandas favoritas aqui do Canal RIFF. O gorduratrans não cansa de nos encantar com a complexa simplicidade de seu som. E tudo ficou muito mais bonito ainda no palco do Oi Futuro, que, graças a um trabalho de iluminação e sonorização perfeitos por parte da produção do festival, conseguiu ambientar perfeitamente o show da banda. Foi incrível como as cores refletiam bem o sentimento que cada música passava. E como o “repertório infindável de dolorosas piadas” tem sua ordem alterada para, talvez despretensiosamente, contar uma história sobre se decepcionar, esquecer o que aconteceu e ficar pronto para se decepcionar de novo (e conseguir). E como a plateia gritou as músicas e durante os intervalos entre elas! Incrível também é como Felipe Aguiar (voz/guitarra) e Luiz Felipe Marinho (bateria) estão cada vez mais maduros musicalmente e prontos para palcos maiores, plateias ainda mais barulhentas e sons ainda mais ousados, a julgar pela música “nova” apresentada. É esperar para se deliciar com mais um repertório de muita gordura sonora, cheio de ruídos e aquela bateria que mais parece um coração desesperado batendo que só esses meninos conseguem fazer.
O que aconteceu a seguir provavelmente não se deu nesse plano em que eu escrevi essa resenha e você está lendo agora. Feito quatro divindades, Beto Cupertino e companhia subiram ao palco e começaram o show da Violins. E, feito quatro magos, provocaram um transe sonoro que enlouqueceu o já abarrotado teatro. Era o fim da espera de dez anos e a primeira vez da banda no Rio de Janeiro! Obviamente, banda e plateia fizeram valer toda essa espera e botaram a casa abaixo. A Violins com seu desfile de clássicos, e o público respondendo a cada nota, cada frase, cada refrão. E durante os intervalos das músicas, não faltaram cobranças pela demora da banda e convites para ficar mais no Rio e até para idas a praia em locais não tão bonitos como a cidade do Rio. O melhor de tudo foi ver a felicidade que a banda deixou o palco após o bis, com “Grupo de Extermínio de Aberrações”, que, tal como todo o set, é muito atual e brilhante. A espera, de fato, valeu a pena. E já estamos na expectativa que a banda volte e que o Coletivo Pegada realize mais e mais edições dessa coisa linda que é o Festival Transborda.
Foi confirmado que a banda americana Maroon 5 estará presente na próxima edição do evento. Os californianos já estiveram presentes em edições anteriores e, recentemente, estiveram em turnê no Brasil. A notícia deixou fãs eufóricos e curiosos com as novas confirmações.
O Canal RIFF vai dizer agora 5 bandas que trariam muita qualidade para o Rock in Rio. Sonhar, afinal, não custa nada.
OBS: Tentamos evitar bandas que fizeram turnês recentes (2016) no Brasil. Por isso, grupos como Black Sabbath e Guns N’ Roses não estão sendo considerados.
5. Arctic Monkeys
Os ingleses do Arctic Monkeys são uma das bandas preferidas da nova geração. Com excelentes canções como Fluorescent Adolescent e I bet you look good on the dance floor, o grupo do vocalista Alex Turner acrescentaria grande qualidade ao festival e, com certeza, alcançaria um público mais variado. Representantes do chamado indie rock, a banda não vem ao Brasil desde 2014.
4. Slipknot/Stone Sour
O Slipknot já deu as caras em edições passadas do evento, inclusive sendo um dos headliners em 2015. A banda sempre faz apresentações memoráveis, com performances fortes e um público bastante fiel. Entretanto, mesmo com a ausência do grupo, seria interessante ver o vocalista Corey Taylor com seu outro projeto, o Stone Sour. Vale ressaltar que em 2011, ambas as bandas se apresentaram. Ouvi alguém pedir bis?
3. Foo Fighters
Os americanos do Foo Fighters foram uma das grandes surpresas do Rock in Rio 3, em 2001. Até então tratados como “desconhecidos” do grande público, a banda surpreendeu bastante ao liderar a enquete sobre “atrações favoritas”. No palco, não desapontou em nada. Dave Grohl e companhia hoje já são uma banda mais madura que, na humilde opinião desse redator, evoluiu bastante. Se a participação anterior foi boa, uma mais recente deveria brigar pelo posto de melhor show do festival.
2. KISS
Apesar da banda ter se apresentado recentemente no Monsters of Rock, uma apresentação no Rock in Rio seria histórica. A banda tem talvez os seguidores mais fiéis do mundo (o chamado KISS Army) e com certeza traria um sentimento muito nostálgico a todos os presentes.
1. AC/DC
Ah, ainda bem que sonhar é de graça.
O AC/DC esteve presente na primeira edição do festival e seria uma grande honra para todos os fãs recebê-los mais uma vez.
Independente de quem esteja ocupando o posto de vocalista, o show seria imperdível.
Nós já demos o veredito sobre o Rock in Rio no É Bom:
O último fim de semana de agosto foi de invasão mineira no Rio de Janeiro! Rolou no Swing Cobra (Vila Isabel, Zona Norte do Rio) a primeira edição do 040 Fest, que trouxe bandas e artistas independentes de destaque em Minas Gerais para as terras cariocas. Na primeira noite, o som ficou por conta de Fernando Motta e Jonathan Tadeu, artistas do coletivo Geração Perdida.
Quem abriu os trabalhos foi Fernando Motta. Contando com uma banda de apoio de respeito, formada por Jonathan Tadeu (Quase Coadjuvante, Lupe de Lupe), João Carvalho (Sentidor, El Toro Fuerte) e Cícero Nogueira (Lupe de Lupe), o mineiro desfilou as canções de seu álbum “Andando sem olhar pra frente”. E o mais interessante foi como o show fez todas as sensações da primeira audição do álbum voltassem à cabeça. Fernando e sua banda trazem uma carga bastante particular à apresentação ao vivo das canções, dando uma melancolia que soa triste, mas não deixa quem ouve triste. Muito pelo contrário. A sensação é ótima de estar vendo alguém tão jovem fazendo um som de tanta qualidade.
Após uma pausa e a troca de instrumentos, a mesma banda deu início ao show de Jonathan Tadeu. E numa atmosfera mais intimista impossível: luzes apagadas e um pisca-pisca vermelho (ao melhor estilo Stranger Things) ajudaram a ambientar perfeitamente o show, que contou com canções de seus dois álbuns e um cover de Elliott Smith. O destaque do show foi a parte final, onde Jonathan tocou algumas das músicas apenas na voz e na guitarra, dando uma carga emocional ainda maior às suas já emotivas canções. Isso tudo junto de suas falas sobre o quanto é bom sair de longe e ver um público fiel ao trabalho do artista e de quanto ele estava feliz em estar no Rio de Janeiro, o que deu um clima ainda mais bonito ao final da apresentação. Coisas que só a música, principalmente a de artistas independentes, proporciona para quem faz e para quem ouve.
Essa vai ser uma das resenhas mais difíceis de escrever aqui para o Canal RIFF. As palavras estão faltando para descrever a experiência única que foi o segundo e último dia do 040 Fest no estúdio da Swing Cobra (Vila Isabel, Zona Norte do Rio de Janeiro)! Das muitas sensações, as que mais marcaram foram a intensidade e a sinceridade dos shows dos cariocas da Salvage e dos mineiros da El Toro Fuerte, além da vibe festiva e pacífica do pré/pós show, da cerveja gelada e barata, do rango vegano maravilhoso e das pessoas fantásticas que prestigiaram a noite.
Salvage @2016
A noite já começou com o suor se confundindo com lágrimas no show da Salvage. O show era o último do baterista Marcel Motta, e a banda (bem como o próprio Marcel) tratou de dar uma despedida de respeito para o cara. As belas palavras do baixista Ingo Lyrio entre algumas das músicas descrevendo a emoção de ver o Swing Cobra lotado para prestigiar a banda, falando da amizade entre os membros e do amor pela música tornaram a noite ainda mais bonita. Os comentários engraçados dos guitarristas Victor Cardoso e Herbert Santana e a interação com a plateia deram um alívio cômico aos comentários emocionados de Ingo e Marcel. Mas o que mais emocionou, sem dúvidas, foi o som. A banda mostra ao vivo a mesma qualidade absurda do EP “MΔE” e fez seu post-rock preciso, cheio de belos efeitos e que marca por não ter aquele aspecto sombrio que a maioria das bandas do estilo costuma apresentar. E quando a plateia “canta” uma música que é instrumental, como rolou com ganhardepoisperder, provavelmente a música mais conhecida da banda, é porque o show foi um sucesso.
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A seguir, a El Toro Fuerte estreou em terras fluminenses. E que estreia! Contando com a participação do prodígio mineiro Fábio de Carvalho nas guitarras e nos vocais, a banda de Diego Soares (baixo, guitarra e vocal), Gabriel Martins (bateria) e João Carvalho (vocais, guitarra e baixo) fez um show que incendiou o já abarrotado estúdio. Era preciso tomar cuidado para não pisar nos pedais de guitarra e baixo, tamanha proximidade entre público e banda. E que energia os caras tem ao vivo! É uma entrega e um cuidado com cada nota, cada acorde, cada linha vocal que leva junto todo mundo, até aquela pessoa que não conhece o trabalho dos caras. Leva junto até o teto, literalmente! Vimos crowdsurfings que arrancaram sorrisos e até olhares de espanto dos músicos, que pareciam não acreditar que a plateia estava cantando e pulando durante todas as músicas do setlist. Set esse que contou com quase todas as músicas do “Um Tempo Lindo Para Estar Vivo”, além de algumas do trabalho solo de Fábio. O membro convidado da noite, inclusive, parecia ter fundado a banda junto com os outros membros, de tão entrosado que estavam. O destaque do show ficou para a extensa e psicodélica João e o Mar, que fez o público entoar um longo coro de “hoje o único fantasma/em mim sou eu”. A banda fez valer cada quilômetro da viagem e cada gota de suor derramado no estúdio que tem um ótimo ar condicionado, mas que não deu vazão para a energia que a galera deixou ali dentro. Uma noite memorável para a banda, a plateia, os organizadores e principalmente para esse riffeiro que vos escreve.
A Lapa, no Rio de Janeiro, é muito conhecida por acomodar democraticamente pessoas de vários estilos, gostos e nacionalidades. Na noite de duas sextas-feiras atrás (26/8), o berço da boemia foi palco para o lançamento do novo EP da banda Divisa ‘(auto)retrato’, que contou com a parceria – de peso – de bandas amigas convidadas. Ali, o fim de semana prometia começar agitado, e começou.
Divisa @ Foto por: Rodrigo Soares Pires
Já eram mais de 22 horas, quando a banda Linda Lobo iniciou os trabalhos da noite. Além da boa música, o que chama atenção nos meninos da zona norte carioca é o carisma e a presença de palco do vocalista, Rocky Malias. Por conta de alguns atrasos, o show foi curto e acabou provocando desentendimentos entre músicos e técnicos da casa. Apesar dos sustos, deu pra notar que a alcateia da Loba sabe onde está pisando.
Logo em seguida, a Drops 96 assumiu o palco e animou o público com um show maduro e cheio de energia. O setlist trouxe diversas músicas do novo cd ‘Busque mais da vida’ e algumas releituras de Planet Hemp, O Rappa e Tim Maia, que parecem aproximar e atrair ainda mais quem não conhece o trabalho autoral da banda. Mas o ponto alto da noite ficou marcado com Mais que um olhar e Palco da vida, músicas do álbum ‘Felicidade em estar aqui’, de 2014, que contaram com a ajuda do coro da plateia aos vocais de Fábio Valentte. O sorriso no rosto dos meninos deixou a galera ainda mais ansiosa para o último show da noite.
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Depois de um hiato e muitas mudanças, o show de lançamento do EP ‘(auto)retrato’ marcou a volta aos palcos cariocas da banda Divisa. Além das músicas novas, a apresentação contou com covers de The Killers e até Tiago Iorc, o novo nome nacional no quesito amor em forma de música, além de faixas da outra fase da banda. Para apresentar o single ‘Coisa de gênio’, o baterista Teo Kligerman, da banda Hunna, assumiu as baquetas, dando um descanso para a apresentação dupla de Bruno Lamas. Já no fim do show, sem deixar as raízes de lado, Sempre quis traz uma melodia mais pesada e mostra que o trio voltou com – muita – vontade de ficar!