RIFFPEDIA #3 – Pablo

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RESENHA: Explosions in The Sky diz tudo sem dizer nada

Por Guilherme Schneider | @Jedyte 

Há uma célebre frase atribuída ao escritor francês Victor Hugo que diz: “A música expressa o que não pode ser dito em palavras mas não pode permanecer em silêncio”. E isso se encaixa na música instrumental do Explosions in The Sky, banda de post rock texana que tocou no Circo Voador na última quinta-feira (19).

Para quem ainda não conhece, o Eits (como é apelidado pelos fãs) faz um som instrumental denso, viajante e inspirador. Acho a trilha sonora perfeita para estudar, me concentrar. Mas serve para mil momentos – não é à toa que a música deles integra diversas trilhas sonoras de filmes.

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O pessoal do Queremos os trouxe novamente ao Circo, e o público veio junto. Casa muito cheia, com a grande maioria dos fãs tentando respeitar o ‘silêncio’ durante as músicas. Na falta de letras, o público acompanha como pode, com palmas e um transe alegre. O merecido grito de euforia fica preso na garganta até os intervalos das músicas.

O nível de composição da banda é absurdo. Músicas como First Breath After Coma, Your Hand in Mine ou The Birth and Death of The Day evocam todo tipo de emoções. A linha de frente com três guitarras é poderosa, com destaque para a energia de Michael James. Dá impressão que todo mundo ali tem a competência para assumir qualquer instrumento.

Estamos também no @circovoador no viajante show instrumental do Explosions in The Sky! Boa, @queremos! #TôNoRIFF

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Exceto no alô inicial e na despedida, ambas puxadas pelo guitarrista Munaf Rayani, o Eits se concentrou mesmo na música, com muita entrega, recebida em forma de contemplação. É uma banda que diz tanto sem dizer nada. Sem praticamente abrir a boca. E precisa?

Bom, na verdade o quarteto (que é acompanhado na estrada pelo baixista Carlos Torres), deixou para conversar animadamente com os fãs após o show, ao lado do palco. Simpáticos, distribuíram autógrafos e posaram para selfies.

O grito preso enfim explode e a banda deixa o palco após a bela The Only Moment We Were Alone sem bis, sem firulas, e ovacionada como os mestres do rock instrumental. Foi o fim de uma turnê sul-americana que passou antes por Chile, Argentina, e desembarcou na véspera no Brasil para um show em São Paulo. Que voltem mais vezes para mostrar que o céu é o limite.

setlist

Explosions in the Sky Setlist Circo Voador, Rio de Janeiro, Brazil 2015

RESENHA: Eu não gosto mais de Tiago Iorc

Por Gustavo Chagas (texto e fotos) I @gustavochagas

Eu não gosto mais de Tiago Iorc.

Essa foi a primeira reação que eu tive quando acabei de ouvir o “Troco Likes”, seu último cd. Não sei por que, só não bateu.

Gosto do trabalho dele desde 2008. Um show que ele fez em julho de 2009, na Hideway, foi o primeiro show que consigo me lembrar que eu fui com a Thaís, minha namorada desde então. Ano após ano nós fomos em todos os shows do Tiago Iorc que conseguirmos ir. Já o vimos na praia, em teatro grande, pequeno, com banda, sem banda, you name it.

Mas isso mudou depois que escutei o último cd. Não fui em nenhum show que ele fez aqui. Por algum motivo eu me desconectei. Mas quando vi que iria ter em Niterói, alguma coisa me fez querer ir.

Citando o filósofo Phil Dunphy, de “Modern Family”, “as coisas mais especiais podem acontecer com a gente, quando as expectativas são baixas“. E a noite de ontem não poderia ser resumida.

Sempre teve alguma histeria nos shows, mas logo nos primeiros acordes de Bossa, notei que ela tava bem maior. O coro era uníssono, alto, afinado, lindo e numa imersão que eu nunca tinha visto em um show dele.

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O show da última quinta (19) foi no Teatro Popular Oscar Niemeyer

Assim continuou com Coisa Linda, Mil Razões e outras do chamado primeiro ato. Coro alto e feliz. Não me lembro ao certo qual foi a primeira em inglês que ele tocou ontem (tô velho). Acho que foi It’s a Fluke, mas pode ter sido Nothing but a song, mas não importa. O que notei foi que, apesar de serem clássicos necessários da carreira dele, o engajamento da galera não foi tão absurda quanto nas outras.

Foi nessa hora que notei o por que eu nunca tinha vista um coro tão alto nas dezenas de vezes que já o tinha visto ao vivo: ele, e quem o escuta, haviam mudado totalmente. Pode parecer idiota, mas eu só fui entender o por que da escolha em cantar português. A barreira que faltava ultrapassar pra atingir um publico maior era a da língua.

Parece óbvio por que é, mas eu não entendi de cara. Pode ser protecionismo de fã velho, e é. Mas ainda bem que fui ontem. De presente eu (e todo mundo) ganhei uma versão linda de Sentimental, do Los Hermanos.

Estamos aqui em Niteroi acompanhado o show do @tiagoiorc ! Amanha tem resenha. Foto: @thaiszichtl #tonoriff

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O último cd foi tocado quase que na íntegra, e ainda teve as habituais Música inédita, Um dia após o outro, Forasteiro, Sorte, entre outras.

Não vou usar de recursos trocadilhísticos e escrever que eu amei te ver, mas sim que ainda bem que eu fui te ver.

Eu ainda gosto de Tiago Iorc.

RESENHA: Sonho realizado! A empolgante estreia do Asian Kung-Fu Generation no Brasil

Por Guilherme Schneider | @Jedyte 

Demorou. Demorou muito. Mas, enfim, (mais) um sonho musical foi realizado. O Asian Kung-Fu Generation finalmente foi apresentado para os fãs brasileiros, em um show irretocável no Carioca Club, no último domingo (15) em São Paulo. Como valeu fazer um bate-volta entre Rio e Sampa!

Quem curte rock japonês sabe como é difícil ver uma banda dessas por aqui. Felizmente já tive a sorte de ver alguns memoráveis, como por exemplo Dir en grey, X-Japan e Charlotte – todas bandas que vieram fora dos eventos de anime. Vir assim, na cara e na coragem (sem a multidão garantida de um evento) é respeitável. Coisa de banda grande, ambiciosa e segura. Merecem mesmo ganhar o mundo.

Asian Kung-Fu Generation épico em São Paulo. #AKFG #TôNoRIFF

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Antes de chegar ao Carioca Club fiz um já tradicional tour pelo bairro da Liberdade. Por lá já era possível sentir o clima no show. Encontrei outros amigos que vieram de tudo quanto era estado, apenas para ver o ‘Ajikan’ ao vivo. Em um karaokê japonês pude repassar o repertório e soltar a voz (enquanto ela existia), entre uns bons goles de cerveja.

O local do show não estava lotado, mas bem cheio (cerca de 70% no olhômetro) – mesmo com a ‘pista vip’ apresentando muitos espaços. A banda surgiu já ovacionada. Pendurou uma bandeira do Brasil nas caixas de som e mandou ver!

A apresentação fez parte da turnê de seu oitavo álbum de estúdio, lançado em maio no Japão. A diferença é que a perna latina da Tour 2015 Wonder Future trouxe menos músicas do novo álbum. Decisão sábia, para assim poder tocar as clássicas para quem nunca pôde conferir ao vivo.

O repertório escolhido abraçou diversas fases. Se não foi o mais completo (e como seria possível?), não decepcionou nem um poucoN.G.S., Re:Re, Mugen Glider, Blue Train, Solanin… tanta música legal. Dava pra ver no rosto de cada um ali a satisfação de presenciar isso ao vivo. E digo ‘cada um’ incluindo os quatro membros da banda, que ficaram pra lá de felizes.

O vocalista Masafumi Gotoh agradeceu em português e tentou interagir ao máximo. Perguntou (em japonês) se estavam entendendo ele e a resposta foi surpreendente positiva.

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A banda não nega que passou a ser conhecida no ocidente principalmente por conta das músicas temas de animes. Bleach, Naruto e Full Metal Alchemist fizerem muito sucesso, e combinaram bem com o som da banda (comparada no início de carreira ao Weezer). Alias, teve gente que foi apenas para ouvir a trinca After Dark, Haruka Kanata e Rewrite, as mais consagradas. Não percebi na hora, mas ouvi relatos de pessoas saindo após Haruka Kanata – seis músicas antes do fim. Perderam muita coisa boa.

A reta final foi marcada por surpresas. Eles toparam o desafio e fizeram um show com um bis maior do que na turnê europeia. Não esperava ouvir Loop & Loop e Mirai no Kakera, uma das mais empolgantes.

Mais uma pra coleção. #AKFG

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A interpretação de Gotoh é de contagiante. Dentro daquela pose discreta, tímida e às vezes shoegaze, o vocalista de 38 anos se solta, grita e mostra como poucos uma emoção sincera. De quem tem muito a dizer. De dizer ao mundo todo. E, mesmo cantando em japonês, não há quem ali não tenha entendido (e agradecido) o seu recado.

setlist

  1. Easter
  2. Little Lennon
  3. After Dark
  4. Soredewa, Mata Ashita
  5. Senseless
  6. N.G.S.
  7. Re:Re:
  8. Uso to Wonderland
  9. Siren
  10. Mugen Glider
  11. Black Out
  12. Blue Train
  13. Night Diving
  14. Aru Machi no Gunjou
  15. Marching Band
  16. Ima wo Ikite
  17. Standard
  18. Rewrite
  19. Haruka Kanata
  20. Solanin
    Bis:
  21. Loop & Loop
  22. Kimi to iu Hana
  23. Mirai no Kakera
  24. Opera Glass

RESENHA: Rhye, o convidado que roubou a cena de um aniversário

Por Thais Rodrigues (texto e fotos) | @thwashere

Há pessoas que não são boas com nomes, e algumas outras com números e mesmo com toda essa dificuldade seria indelicadeza não associar minha quinta resenha para o Canal RIFF ao aniversário de cinco anos do Queremos, que mesmo com poucas velas para soprar, coleciona momentos dignos de palmas e bis, onde de fato o importante é fazer acontecer e as experiências de realização são mais válidas que todo o processo, desde o primeiro pedido de um empolgado até o último suspiro do último fã ao deixar o local do show.

Toda comemoração que se preze conta com a presença de pessoas importantes e além de nomes que contribuíram mesmo que de forma mínima para história do Queremos até os fundadores, a festa que aconteceu no Sacadura 154 foi brindada não apenas por mais um show, mas sim por mais possibilidades de shows memoráveis e também, colecionáveis assim como os pôsteres que enfeitaram o local.

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Além de desfrutar de outras atrações, mesmo que de forma sutil, quem compareceu pôde entender do que se trata ter poucos anos de existência – sendo contrastados a grande responsabilidade de fazer jus ao nome, que mesmo jogado numa conversa fora, não é de se deixar pra lá. Os convidados foram então presenteados com Rhye que, com os mesmos cinco anos para contar, deixou a quinta-feira no Rio de Janeiro mais atraente.

O duo com quê de Sade e George Michael em Moment With You dispensou o conhecido “parabéns pra você” para fazer um convite até para os que não estavam tão próximos do palco, tentando uma conexão, digamos íntima com os fãs e todos os outros, deixando-os à vontade para então começar o verdadeiro espetáculo com ápices, frios na barriga e alívios. Ninguém foi forçado a ficar para assistir o clima, mas era como deixar de participar do discurso e perder a entrega do primeiro pedaço de bolo.

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O show começou transparecendo uma espécie de pureza, e até os músicos se organizarem, a luz azul que iluminava o palco dava a impressão de mais calmaria e então, fomos surpreendidos pelo jogo de sedução, intencionado ou não, eficaz e com altos e baixos, onde os baixos eram só um sinal para que se respirasse fundo e se preparasse para os próximos momentos de falta de fôlego.

Ao longo do show, o público foi levado para um teia por livre e espontânea vontade. Seduzidos por cada nota, cantada ou não, sem sombra de dúvidas o verdadeiro convite do Queremos foi a atração principal, que encantou a todos quase como uma espécie de canto de sereia. Qualquer outro ruído que não viesse do palco, não era bem vindo e nem olhos, muito menos lentes conseguiam focar em outra cena que não fosse a reproduzida pelos integrantes.

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A cumplicidade no olhares já dizia tudo, mesmo que eles não dissessem absolutamente nada um para o outro. Normalmente alguns músicos e bandas chegam a trocar informações relevantes entre uma música e outra, mas bastava apenas um olhar e até no meio da execução de uma delas para entender que a ligação entre eles era tão forte que talvez por isso, fosse necessário considerar o perigo de se deixar levar de vez pela onda e se afogar de vez.

Rhye lançou o álbum “Woman” em 2013 e embalou momentos solitários de pessoas aspirando por alguém e casais em “fase” de maior conexão. No show, promoveu encontro de desconhecidos ou velhos conhecidos, sem falar dos acompanhados com cada faixa mais afrodisíaca que a outra, explicando o motivo para o bem estar e clima de romance pós show.

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RESENHA: Millencolin na noite mais melancólica

Por Guilherme Schneider | @Jedyte | Fotos: Gustavo Chagas

Infelizmente a última sexta-feira 13 foi realmente digna de todas as alusões macabras à data. Um dia de terror para todo mundo que já pisou em uma casa de shows. Afinal, dezenas de pessoas foram feitas de reféns e executadas covardemente no massacre em Paris – mais de 80 mortos apenas no tradicional Bataclan.

Digo isso logo de início porque foi com esse clima  que fui ao show da banda sueca Millencolin, na Fundição Progresso. Não entrando na indigesta discussão de ‘pesos de tragédias’ no mundo todo, o ataque terrorista de sexta foi justamente em um tipo de local que todos amantes de música frequentam – assim como deve ter sido terrível encarar uma festa logo após o incêndio da Boate Kiss.

Mas o que isso tem a ver com o Millencolin? Dá para ficar indiferente? Bom, sempre acredito que fatores externos atrapalham sim em uma resenha, como no caso do Slipknot no Rock in Rio.

Lógico que o sangue derramado na França durante o show do Eagles of Death Metal me abalou. Provavelmente se estivesse na capital francesa teria ido ver esse show também. Ir a uma casa de shows logo após aquela notícia foi pesado.

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Diabo Verde fez bonito na abertura 

A abertura da noite ficou por conta de Glove Pistol e Diabo Verde, duas bandas que já foram recomendadas aqui no Canal RIFF. Vale a pena conhecer o bom trabalho de ambas, que tocaram alto (literalmente) e que mereceram dividir o palco com o punk rock dos suecos.

Apesar do som parecer um pouco ‘embolado’ desde o início do show, o Millencolin começou o show já mostrando para quê veio: trazer de volta aquela energia adolescente. Boa parte das mais de mil e quinhentas pessoas na casa (no olhômetro) compraram a ideia. Foi roda do início ao fim – e até maiores do que as do recente show do Pennywise. Alias, cabia numa mesma noite Pennywise e Millencolin…

Velha conhecida da plateia brasileira, a banda se mostrou alheia à qualquer problema externo e seguiu o animado ‘bê a bá’ do gênero por cerca de uma hora e meia. O guitarrista Erik Ohlsson brincou várias vezes com o público, enquanto a produção cuidava de filmar a Tour True Brew nos detalhes a apresentação, inclusive na fila do show. O público retribuiu com copos (e até um tênis) atirados para o alto e um coro engraçado: “Olê, olê, olê, olê, Millên, Colén”.

#Millencolin agora na Fundição Progresso!

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Em tempo: apesar do nome e do “hardcore melódico”, o som do Millencolin não é nada melancólico – tirando a balada The Ballad, na voz e violão de Nikola Sarcevic. De qualquer forma, foi justamente essa balada a música com o maior coro da Fundição – fórmula que a banda deveria explorar um pouco mais.

Destaques também para Penguins & Polarbears, Bullion, Mr. Clean, Leona e No Cigar, algumas das que mais animaram uma noite que tinha tudo para ser apenas triste.

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setlist

  1. Egocentric Man
  2. Penguins & Polarbears
  3. Twenty Two
  4. Fox
  5. Sense & Sensibility
  6. Happiness for Dogs
  7. Bullion
  8. Man or Mouse
  9. True Brew
  10. Dance Craze
  11. Olympic
  12. Bring Me Home
  13. Cash or Clash
  14. Autopilot Mode
  15. Kemp
  16. Mr. Clean
    Bis:
  17. Black Eye
  18. Leona
  19. Duckpond
  20. Lozin’ Must
  21. Farewell My Hell
  22. The Ballad
  23. No Cigar