Resenha: Lucy Rose e José González, de coração aberto no Rio

Por Thais Rodrigues (fotos e texto) | @thwashere

A efemeridade de momentos no cotidiano não diminui o valor único e simbólico dos mesmos, pelo contrário: torna tudo isso, mesmo que esse tudo não seja muito e, mesmo que seja impossível medir, contar ou até capaz de ser expresso, precioso e eterno.

A última sexta-feira (06/05) foi memorável e reforçou aquele desejo sincero que se esconde em inquietações e dúvidas que, por muitas vezes e aparentemente, não tem explicação. O Circo Voador transformou-se em casa, abrigo, sala de estar e até desculpa para não passar a noite em casa.

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Queremos e Heineken abriram o primeiro final de semana de Maio com a visita harmoniosa de Lucy Rose e José González. A recepção acolhedora antes de ambas às apresentações foi como estar visitando um velho amigo, depois de algumas semanas que pareciam anos. Com um quê de “fica à vontade enquanto arrumo umas coisas aqui e ali”, mesmo em grupos, fomos deixados a sós com nossos pensamentos mais particulares, embalados por uma trilha sonora folk especialmente feita sob medida.

Como quem não quer nada e de repente, Lucy Rose caminhou pelo palco até chegar o microfone. Pegou o violão e sem ser anunciada, propõe-se a fazer sala para todos enquanto José, o anfitrião da noite, não recebia os empolgados. Foi como estar em casa! Ou melhor: saber o que é lar e como além de lugares, um lar, o meu ou o seu, pode ser alguém.

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Com uma voz doce, capaz de acalmar ao mesmo tempo em que pudesse fazer alguém chorar, Lucy nos recebeu com a humildade quase extinta em alguns artistas que com o passar do tempo, esquecem-se da importância da arte e dão poder e voz a imagens projetadas, que são falhas. A voz que ecoou naquela noite, no meio do silêncio, destacou-se pela sinceridade em composições que falam sobre amor, início, meio e fim, deixando clara a diferença entre cantores e performers.

Entre elogios isolados, incapazes de controlar, e olhares e lentes, um sorriso tímido. Incrédula, teve que parar e refletir sobre o que acontecia a sua volta quando na verdade, o que acontecia com todos e graças a ela, era mais importante e inédito. “Nós te amamos, Lucy” não foi o suficiente para agradecer a iniciativa de levar música, algo tão livre, sem custo para quem aprecia, de coração aberto para experiência que vão além de crítica e dislikes.

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A promessa antes da partida foi a de voltar. Dessa vez, com nossas músicas favoritas e ao som de seu piano, acompanhada pela sua banda e assim, Lucy Rose se despediu, sentindo-se abraçada e agradecida pela magia de estar no Brasil, sonho de muitos artistas independentes e que às vezes, não sabem o quanto são esperados por todos.

Uma pausa e mais instrumentos começam a tomar o espaço que Lucy não foi capaz de preencher. Mais alguns minutos e piscar de olhos, e já era impossível se mover na plateia. Quase lotado, o Circo voador abria espaço unicamente para José González que foi o ingrediente para tornar a experiência de show mais completa e diversificada.

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O ritmo instigante presente em algumas das canções presentes no setlist de José provocou passos e movimentos livres de regras que pudessem coreografar o quanto era contagiante estar ali, e acabou por empolgar inclusive aqueles que só queriam passar a noite fora.

O som rico em referências suecas e argentinas também tirou os mais concentrados da zona de conforto e fez jus ao fato de ter sido gravado em casa, que não diminui em nada o conceito sobre a apresentação impecável e consistente que resultou não só em ótimos registros, mas também em um desejo incontrolável por repeat na vida real.

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O conjunto de transformações notáveis após as duas apresentações ficou muito em evidência, assim como a ciência de que o acesso à cultura é para aqueles que desejam ser impactados por qualquer que seja a manifestação artística independente de cor, nacionalidade ou propósito que a mesma tenha. Lucy e José, ambos muito receptivos antes e após o evento, não foram descobertos, e só quem esteve presente mais de alma que de corpo, pode entender que a descoberta pessoal, singular e alcançada por poucos, foi o cartão de visita e a identidade do show.

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