Resenha: BadBadNotGood + Gabriel Royal @Varanda Vivo Rio

Por Alan Bonner | @Bonnerzin

Você que começou a ler esta resenha agora provavelmente se recorda de La La Land, filme de 2016 dirigido por Damien Chazelle e que chegou a ganhar o Oscar de melhor filme por um minuto ou dois. No filme, o personagem Seb, interpretado por Ryan Gosling, tem um sonho: salvar o jazz. Ele defende um argumento no filme de que as pessoas não vão mais ouvir jazz pelo jazz, e sim por tudo que está no seu entrono. As festas, as pessoas, a bebida, as drogas… O jazz é só uma trilha sonora para tudo isto, quando ele deveria ser a razão de um evento acontecer, o motivo que fez as pessoas quererem sair de casa. E que também ele está sendo “apropriado” pelo mercado da música e se tornando mais pop, fugindo totalmente de sua essência.

Mas o que La La Land e a história de Seb tem a ver com os shows de BadBadNotGood e Gabriel Royal, que rolaram no último sábado (06/05/2017) na Varanda do Vivo Rio, em mais uma iniciativa da Queremos? Muita coisa. A começar pelo público, que não parecia nem um pouco interessado no que estava no entorno e vidrou os olhos em ambas as apresentações. Até Gabriel Royal, pouco conhecido no Brasil e que fez uma apresentação solo e muito intimista ganhou atenção de grande parte da plateia. Carismático até a última nota e a última gota de bebida em seu copo, Royal fez um set curto, porém bastante sólido, para uma plateia que incluía ilustres como MC Marechal (pode perguntar pro Aori, que inclusive esteve presente e foi repórter do Queremos na ocasião). Um excelente cartão de visitas do cara que estreava em terras brasileiras naquela noite.

Gabriel Royal @2017

Depois, a catarse. Quem olha para Leland Whitty (saxofone e flauta transversal) Alex Sowinski (bateria), Matt Tavares (teclado) e Chester Hansen (baixo) sem saber do que os quatro são capazes com seus instrumentos e em conjunto, provavelmente vão acha-los antiquados, incapazes de entreter a pessoa de riso mais frouxo de um lugar. Talvez Alex consiga, pela exuberância de seu moicano platinado e o sorriso cativante. É justamente ele que assume as conversas com a plateia logo no início do show, chamando o público para fazer parte da apresentação com eles. Como se precisasse. Já nas primeiras notas, o BBNG ganhou o jogo, o público e a bela noite que fazia no Rio de Janeiro. Alex não se dava por satisfeito, e sempre pedia aplausos para seus companheiros de banda a cada passagem mais elaborada que cada um deles fazia. E era impressionante como, com o passar das músicas, o público, por conta própria, ia na palma, no pulo, no gritinho, acompanhando o ritmo da música. Sério, há tempos eu não via um público indo “na palminha” com tanta vontade e sem ninguém pedir. Quem chamava eram as próprias músicas, com partes que eram impossíveis de ficar parado ou de não bater palma. Mérito dos quatro músicos, de técnica e criatividade ABSURDAS. Há muito tempo eu não saía de um show tão satisfeito com o que foi apresentado artisticamente. Showzaço, empolgante e emocionante, pra entrar naquelas listas de melhores do ano em dezembro (alô Prêmio RIFF!).

O jazz, talvez, já está salvo. Mas não no lugar e da forma que costumamos o encontrar, nos bares com a ambiência do estilo e os rostos consagrados. E sim nas estações de metrô de Nova Iorque, com um jovem negro e seu cello. Ou com quatro rapazes brancos do sul do Canadá e a paixão deles pela cultura hip hop. Seb, com certeza, iria se emocionar se estivesse naquela noite, com aqueles artistas e aquele público. E poderia ficar tranquilo com seu legado, mesmo com um Oscar escapando das mãos.

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