Resenha: Overdrive Saravá e Ego Kill Talent @Imperator

Por Júlio Deviante

Já não é de hoje que citamos que o Imperator (Centro Cultural João Nogueira, para formalidades) está consolidado como o quartel general do rock no rio de janeiro. Além dos principais nomes do rock carioca, grandes representantes de diferentes vertentes do estilo em todo o brasil passam pelo Rio Novo Rock, a parada obrigatória de todo mês para quem curte descobrir ou encontrar bandas de qualidade numas das melhores, quiçá a melhor, estruturas do Estado.

Na primeira edição do ano de 2017 não foi diferente.

Ao anunciar Overdrive Saravá e Ego Kill Talent, o evento mostrou que apostava em bastante peso e uma mistura de propostas com bastante diversidade para a edição que abriria o ano. E assim foi.

O universo apelou para a estratégia de seleção natural por meio da chuva intensa, fazendo cair o mundo nos momentos que antecederam o início do evento. Mesmo assim o público que chegava foi muito bem recebido ao som de clássicos do rock, embalados pela carismática Dj Suirá, que mostrou muito feeling e conquistou o público ansioso, formado por muitos músicos locais, mas desenvolvido cada vez mais com a presença de pessoas não ligadas a cena musical da cidade.

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Após uma introdução de clima denso, corpo fechado e munida de percussões firmes, a Overdrive Saravá iniciou o show com a canção “Atabaques e D’jembes”, canção escolhida também para o primeiro clipe da banda, lançando seu álbum homônimo, que foi disponibilizado em setembro de 2016.

Com um repertório que representa muita diversidade e críticas embasadas na história do Brasil, a banda passou com vigor mensagens fortes envolvendo temas como opressão cultural e desigualdade social. O Imperator foi preenchido com batuques que faziam fundo para o performático vocalista Gregory Combat, que transmitia com muito coração e autenticidade mensagens sobre os desafios de viver da arte.

Com versões de clássicas canções que apontam críticas sociais, como “João do Amor Divino” e “Construção”, a banda fez um show coeso finalizando com as canções “Ressuscita, Pataxó”, que faz referência ao índio Galdino da tribo Pataxó, assassinado em 1997, e “A vista do Vidigal”.

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Apesar de ser a primeira apresentação da banda na cidade, não podemos dizer que a Ego Kill Talent começou sua história no Rio de Janeiro com o pé direito. Na verdade, os caras chegaram foi com os dois pés, no peito, de voadora. Numa apresentação impecável, a banda, que tem como diretriz a mensagem “ego demais vai matar seu talento”, deu uma aula de timbres e massa sonora, com muita qualidade em todos os quesitos, resultado do time de peso que a compõe. O nome Ego Kill Talent já era, há algum tempo, um dos mais aguardados para se apresentar no evento, que começa o ano deixando bem clara qual é a proposta do Rio Novo Rock, uma fuckin’ porrada nos ouvidos que dá gosto de levar. Obrigado.

Com uma configuração totalmente dinâmica, a Ego Kill Talent abriu os trabalhos com “Sublimated”, canção que também dá nome ao EP de 2015, e desde lá conquistou o público que venceu a chuva para cantar com muita energia todas as outras canções dos dois trabalhos dos galáticos integrantes, que interagiam entre si e com todos os que assistiam extasiados.

Pausas para troca de funções, constantes na apresentação da banda, passaram totalmente despercebidas. Aconteceram? Reza a lenda que sim, mas a qualidade, por exemplo, da bateria comandada por Jean Dolabella ou Raphael Miranda (que há poucos dias esteve no Imperator com o Medulla) nos deixa tranquilos para perceber o real sentido de tanto faz.

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Theo Van der Loo e Niper Boaventura completaram o revezamento na cozinha, entregando um show impecável, que já faz parte do pódio de melhores apresentações da história do evento. A banda apresentou todas as canções de seus dois EPs, além de“Old Love andSkulls”, “Heroes, Kings andGods”, “Last Ride” e“Try, therewillbeblood”, que farão parte do novo álbum.

Sobre a voz de Jonathan Correa? Há quase 10 anos sem tocar no rio de janeiro (sua primeira e única apresentação em terras cariocas foi no canecão, em 2007) encontrou o inferno ao descobrir o céu, mesmo. É outro. Com uma performance lá em cima e absolutamente cativante, trouxe todos os expectadores para bem perto e baniu da noite qualquer timidez do público, que cantava todas as músicas da banda. Com uma postura absurdamente enérgica, com requintes de Eddie Vedder versão PINKPOP 1992, e uma linha vocal totalmente desgarrada da sua história com o REC, mostrou que realmente se foram os dias, mas a garganta continua em forma e a identidade do novo rumo já está mais que estabelecida.

A banda lança na próxima sexta-feira, 20 de janeiro, seu primeiro álbum, também com o título de Ego Kill Talent. Hoje agradou a internet o vídeo de “CollisionCourse”. A música, que mostra a Ego Kill Talent em conjunto com o Far From Alaska, dá uma prévia do tipo de som que vem por aí, criando expectativas muito boas para a massa roqueira em 2017. Confira abaixo:

A próxima edição do RIO NOVO ROCK, dia 2 de fevereiro,traz as bandas Rats e Mustache e os Apaches. Se você é ou estará no Rio de Janeiro, não deve perder. Parada obrigatória.

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