Saudoso, o mundo do rock costumeiramente clama por reuniões de formações clássicas. Sepultura, Pink Floyd, Raimundos… sempre na ânsia de reviver o “auge” de cada banda – nem que por um show só. Bom, ao menos os fãs de uma banda tem o que comemorar hoje: o vocalista Glenn Danzig e o guitarrista Doyle Wolfgang von Frankenstein estão de volta ao Misfits.
Tido como um dos retornos mais improváveis, os Misfits anunciaram em sua página oficial que tocaram juntos em setembro – graças a Doyle, que teria reaproximado Only e Danzig. Os seis shows previstos serão durante o itinerante RIOT Fest, festival de hardcore que cruza os Estados Unidos. As datas marcadas são de 2 a 4 de setembro em Denver (Colorado) e 16 a 18 em Chicago (Illinois). Os ingressos custam a partir de US$ 99,98 (cerca de R$ 348).
A formação que ganhou o underground de 1980 a 1983, período dos dois álbuns de estreia: Walk Among Us (1982) e Earth A.D./Wolfs Blood (1983). Será uma oportunidade de ouvir Danzig dividir os vocais com Only, desfilando sucessos como Astro Zombies, Night of The Living Dead, Attitude, Last Caress, Die, Die My Darling… e tantos outros. E que tal as músicas pós-1995 na voz de Danzig?
Formação clássica do Misfits
Ícone mór do horror punk, o Misfits segue fazendo dúzias de shows por aí – volta e meia incluindo o Brasil em suas turnês (a última vez em 2014). Porém, a banda troca de formação com muita frequência, mantendo “apenas” o baixista Jerry Only de sua formação original.
Confira uma apresentação coma formação clássica, em 1983:
Misfits em sua última passagem pelo Brasil, em 2014:
British rock band The Rolling Stones performs during a concert of their Ole tour at Maracana stadium in Rio de Janeiro, Brazil, on February 20, 2016. AFP PHOTO/VANDERLEI ALMEIDA / AFP / VANDERLEI ALMEIDA (Photo credit should read VANDERLEI ALMEIDA/AFP/Getty Images)
Ontem foi (literalmente) o maior dia do ano. Dia de show dos Rolling Stones no Brasil, na abertura da Olé Tour no Rio de Janeiro. Um dia tão mágico, que permitiu até mesmo o tempo voltar – com o fim do horário de verão, é bem verdade. Mas que parecia uma dádiva dos deuses do rock’n’roll, ah, parecia sim. Nada menos que 66 mil pessoas lotaram o Maracanã na noite de sábado (20).
Essa foi apenas a quarta vez dos Stones no Brasil. A banda veio para cá pela primeira vez em 1995, durante a Voodoo Lounge Tour. Três noites em São Paulo e duas no Rio. Em 1998 a Bridges To BabylonTour passou apenas uma noite em cada capital.
A última vez em solo brazuca completou na última quinta-feira uma década. O lendário show gratuito para 1,5 milhão de pessoas na Praia de Copacabana foi no dia 18 de fevereiro de 2006, durante a A Bigger Bang Tour. Pra mim, que estive dez anos atrás, o show de ontem foi muito melhor, com mais estrutura, som e hits.
Última vez do bivôs?
A cada show dos Rolling Stones alguém levanta a questão: “Seria esta a última vez deles aqui no Brasil?”. Não é pra menos.
Sem dúvidas os Stones são a banda de maior sucesso na história, e que continua com sua formação mais tradicional. Na ativa desde julho de 1962 (há 53 anos), os Stones ainda mostram nos palco o tesão pela música dos novatos.
E, a cada rebolada do setentão Mick Jagger no palco a fé em um futuro melhor aumentava.
Envelhecer assusta muita gente. Ainda mais fãs do rock’n’roll das antigas, que ainda estão sob os lutos recentes de nomes com David Bowie e Lemmy Kilmister.
Em cinco meses Mick Jagger completará 73 anos de idade. O inglês tem tudo para superar com louvor os 78,2 anos de expectativa de vida de seus conterrâneos. Se der tudo certo, seus próximos aniversários serão comemorados no palco.
Quem viu o show da atual turnê percebe que a banda continua com muito gás. A impressão que dá é que não buscarão um “momento ideal para parar”, e sim que tocarão até morrer. No duro.
Esse talvez seja o grande sonho da humanidade: envelhecer bem, com pique, saúde, criatividade, vigor e prosperidade. Ver Jagger, Richards, Wood e Watts juntos renova essa esperança. É um olhar para o futuro ideal projetado de cada um – e não um olhar apenas para o passado.
Difícil imaginar como aquele rock star que se move com suavidade e força já é um bisavô. Jagger tem sete filhos (incluindo o brasileiro Lucas, filho da apresentadora Luciana Gimenez), cinco netos e uma bisneta.
O show – e que show!
Ah, então, vamos ao show. O Maracanã sofreu com os temporais que tem transbordado as tardes de verão no Rio. Choveu muito mesmo durante as bandas de abertura, Dr. Pheabes e Ultraje a Rigor. Prêmio de consolação de quem (assim como eu) ficou na arquibancada, de ingresso mais barato do que as pistas. Ingressos que custavam até R$ 900 (ou R$ 990 com a cruel taxa de “conveniência”). Diante deste cenário não era de se estranhar que a cerveja custasse R$ 10 – ao menos vinha acompanhada de uma estiloso copo-souvenir.
A pontualidade britânica foi afetada pelo tal temporal: foram 20 minutos de atraso, até que o telão a direita do palco pegasse no tranco. Aliás, diga-se passagem, que belos telões! Os três ajudaram um bocado quem estava mais longe do palco.
A banda entrou no palco pra mostrar todo o seu poderio. A abertura perfeita de qualquer show: Start Me Up, levando o público de todas as idades ao delírio, logo emendada com a deliciosa It’s Only Rock’n’Roll (But I Like It). Que hino!
O show seguiu com um comunicativo Mick Jagger, falando em bom português. Foram de Tumbling Dice e Out of Control, antes da “música da enquete”. Medida muito legal da banda, que durante essa turnê abre uma votação para o público escolher uma música. Entre as quatro opções apresentadas na enquete carioca, o cover de Like a Rolling Stone (do Bob Dylan) foi a mais votada entre Live With Me, All Down The Line e Shattered – ainda bem!
Doom and Gloom, a música mais recente do repertório (de 2012), antecedeu a balada Angie – tão relembrada após a morte de Bowie. E que boa surpresa, já que foi tocada em raros shows dessa turnê. A Olé Tour tem registrado sets que variam entre 18 e 19 músicas (como foi no Rio – com quase 2 horas e 20 minutos de show).
Particularmente o grande momento foi a sequência de Paint It Black e Honky Tonk Women. Fico imaginando como peso dos acordes excêntricos de Paint It Black devem ter influenciados uma penca de bandas de metal. Ao final de Honky Tonk Women Jagger apresentou a banda toda, e os fã puderem agradecer com gritos e aplausos os geniais Charlie Watts, Ron Wood e Keith Richards pelos serviços prestados.
Richards, um deus da guitarra, ficou no palco arranhando gírias e palavrões em português (bem, não tão surreais como o “calor pra caralho” e “tá favorável” desferidos pela língua feroz de Jagger) antes de seu momento no vocal, com You Got the Silver e Before They Make Me Run. O clima de blues continuou com o retorno de Jagger ao palco, em Midnight Rambler.
Daí pra frente foi só hits do tamanho de estádios de futebol. Miss You, Gimme Shelter, Brown Sugar, Sympathy for the Devil e Jumpin’ Jack Flash. Não tem nem muito o que dizer dessa sequência absurdamente genial. O supra sumo do rock clássico tá aí.
Um vídeo publicado por Canal Riff (@canalriff) em Fev 20, 2016 às 7:36 PST
Destaque merecido para a banda de apoio e a dupla de backing vocals. Bernard Fowler e Sasha Allen, que brilhou do The Voice norte-americano de dois anos atrás, mandou muito bem no duo de Gimme Shelter. E o baixo de Darryl Jones novamente foi de altíssimo nível.
Pausa para o bis, e os Stones voltam com a companhia do Coral da PUC, que introduz a linda You Can’t Always Get What You Want. Pra fechar? Provavelmente o maior riff da história da música: (I Can’t Get No) Satisfaction. Pra aplaudir de pé (e tinha como não ficar de pé?). Os Stones deixaram o palco ovacionados, com o sempre focado batera Charlie Watts enrolado na bandeira brasileira.
Às vezes na vida você é obrigado a tomar decisões. Escolher lados, times, posicionamentos… a sociedade sempre tenta impor dicotomias. Bom, depois desse segundo show dos Stones que presenciei ao vivo… não tenho com ter dúvidas naquela cretina pergunta: “Beatles ou Rolling Stones?”. :p
E tem mais Stones no Brasil pelos próximos 10 dias (prato cheio para os sites de fofocas também). A banda segue para dois shows em São Paulo, no Morumbi. Na próxima quarta-feira (24) e sábado (27). A turnê brasileira termina dia 2 de março, no Beira Rio, em Porto Alegre. Tá na dúvida em ir em algum desses? Não pense duas vezes!
Crédito das fotos: Vanderlei Almeida/AFP/Getty Images
Todo carnaval tem seu fim. E, geralmente, ele é na quarta-feira de cinzas. Mas, como aqui no Brasil toda chance de se divertir um pouco é bem-vinda (e necessária), a verdade é que ninguém mais espera o sábado de carnaval para começar a folia – muito menos decreta o final na ressaquenta quarta. Especialmente aqui no Rio, onde a cidade já transpira a euforia dos blocos bem antes da largada oficial.
Até aí tudo dentro dos conformes para quem tem um coração não-amargo. A diferença neste 2016 é que, na minha humilde opinião, o carnaval já foi “zerado”. Afinal, o Super Mario Bloco desfilou de surpresa na quinta-feira anterior ao carnaval, dia 4 de fevereiro. Isso, aquele bloco que só toca músicas do clássico game Mario Bros. Irretocável.
Menos é mais
Que o brasileiro tem mania de grandeza isso não é nenhuma novidade. Só ver os nomes de estádios, quase sempre no superlativo (mesmo que não faça sentido algum): Mineirão, Castelão, Machadão e até Moacyrzão (!). Os blocos de carnaval não ficam atrás. Se exalta muito os tradicionais Cordão do Bola Preta ou Simpatia É Quase Amor, geralmente contando o público de milhão pra cima. Porém, o Mario Bloco está (propositalmente) cada vez… menor. E isso é bom.
Apesar de ter sido anunciado oficialmente para sair na quarta-feira de cinzas, o bloco foi transferido em cima da hora, com um comunicado divulgado 24h antes. Tudo para fugir do tumulto. Infelizmente muito gente que adoraria conhecer (ou retornar) ao Mario Bloco não pôde – e está fazendo campanha para um improvável bis. Dia de semana é mesmo foda. Ainda mais com concentração marcada para o solzão carioca das 16h.
Quem conseguiu ir ao 5° ano do Mario Bloco não se arrependeu. Não faço ideia do número oficial, mas, deve ter girado em torno de uns 500 felizardos. Famílias, gringos, cosplayers, gente que nunca jogou Mario… sobretudo gente que seguiu aquela procissão naïf com um sorrisão no rosto. Carnaval é não ter vergonha de ser criança um pouquinho. Cogumelos, Princesas, Estrelas, Marios, Warios e Luigis que o digam.
‘Video Games Live’ Brazuca
Por não estar tão cheio como nos dois últimos anos, os foliões puderam ouvir o som de pertinho. Música de primeira, de uma big band de metais cada vez mais entrosada guiada por Marco Serragrande, o comandante do bloco. Marco toca em diversos coletivos musicais, mas fica evidente o xodó que tem pelo Mario Bloco.
Uma singela moedinha 8 bits dava um charme extra
Mais do que folia carnavalesca esse foi um espetáculo completo, com atos (intencionais, certamente). Há coerência, começo, meio e fim. Que não deixa nada a dever para o Video Games Live. O trajeto nem foi dos maiores: o belíssimo Mirante do Rato Molhado até a Pracinha Odilo Costa Neto. Cara de Santa Teresa.
O único bloco gamer possível?
Para quem tem pavor da ideia de um bloco de carnaval, o Mario Bloco talvez seja o que mais próximo poderia mudar seus planos. Principalmente para a galera nerd/gamer – que já ganharam outros blocos (até maiores) pelo país. O som é instrumental do início ao fim, mas é permitido (claro) cantarolar os temas de Mario. Um convite irresistível para quem já perdeu horas e horas jogando com o herói da Nintendo.
O maior feriadão do ano no Brasil pode até terminar celebrando os grande blocos, desfiles do sambódromo e afins. O barato da democracia da alegria é essa mesmo: divirta-se onde quiser (mesmo em uma maratona Netflix em casa). Mas, tenho certeza que a genuína alegria gamer falou mais alto na última quinta.
E que a trupe de Super Mario Serragrande ganhe o mundo, cada vez mais. Vida longa ao som do Mario Bloco!