Podcast: Como foi o Prêmio RIFF 2016?
Por Guilherme Schneider | @Jedyte | Fotos: Marcelo Mirrela
Às vezes as boas oportunidades da vida estão pertinho de nós. E, infelizmente, nem percebemos. Um bom exemplo foi no último dia 3 de novembro. Uma quinta-feira chuvosa no Rio de Janeiro que poderia passar desapercebida – ainda mais na noite do Centro da cidade. Mas, havia algo de especial para acontecer no Teatro Rival: show de graça do Wander Wilder.
Mesmo garimpando para atualizar sempre a Agenda de Shows, não tem jeito: um ou outro show acaba de fora por desconhecimento. Por muito pouco não perdi o retorno do ex-vocalista dos Replicantes – fundamental banda oitentista de punk rock do Rio Grande do Sul. Fiquei sabendo na véspera, por acaso. Desde o show de junho, quando abriu para o Ira, fiquei com o som do Wildner na cabeça.
Confesso que pouco conhecia até então, mas, depois disso, virei fã do cara. Muito graças a sinceridade de um show ao vivo. O proclamado ‘bardo do punk brega‘ trouxe novamente um show à altura da expectativa recém-criada. Apesar do show de gratuito (vale muito a pena ficar de olho na programação do Teatro Rival), a casa encheu mesmo pertinho da hora do show – dando até um susto. Porque, convenhamos, seria muito injusto.
Aos 57 anos Wander Wilder mostra a fome de um garotão. Novamente fazendo tabelinha o talentoso Power Trio carioca Beach Combers, Wildner fez um show que foi crescendo aos poucos. Começou na voz e violão, sozinho, ao lado do LP ‘Feito para Dançar 9″ de Waldir Calmon, que servia de decoração do belo palco da casa. Até a entrada dos Beach Combers a maioria do público estava sentada nas mesas, como quem apreciava um show num bar.
Porém, a medida em que as cervejas desse bar iam sendo consumidas, o povo se levantava para dançar. O repertório pedia isso. Presentes as principais músicas da coletânea Wanclub, lançada neste ano. Sinceramente, para mim um dos melhores álbuns do ano – mesmo que não se trate apenas de lançamentos. Um resumão da carreira, que merece ser ouvido já, com regravações desde o tempo de Replicantes até as composições mais novas.
Músicas como ‘Bebendo Vinho‘, ‘Eu Não Consigo Ser Alegre O Tempo Inteiro‘, ‘Um Lugar do Caralho‘, ‘Surfista Calhorda‘, ‘Astronauta‘, ‘Amigo Punk‘ esquentaram o clima. Que presença. Um canastrão raro e necessário para o rock nacional.
Há quem diga que o público dos shows do Wander Wildner é quase sempre o mesmo. Habitués que não querem perder aquele vibe. Ganharam mais um para o time. E, espero que a crescente siga se confirmando – até porque tem álbum novo saindo do forno.
A saideira foi ao som de ‘Festa Punk‘, hino do gênero no Brasil. Palco devidamente invadido e aquela energia caótica que o underground pede. Wander agradeceu ao público, elogiou a casa e foi pra galera literalmente. Que volte mais vezes.
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Por Guilherme Schneider | @Jedyte
Infelizmente a paz mundial ainda é um sonho distante. Porém, ao menos dentro do meio musical ela parece um tantinho mais próxima. A lendária banda de power metal Helloween anunciou nesta segunda-feira (14) uma reunião com seus ex-membros Michael Kiske e Kai Hansen.
A ideia é uma enorme turnê mundial, repleta de clássicos, a partir de 28 de outubro de 2017 e que atravesse 2018. A primeira data confirmada é justamente aqui no Brasil, em São Paulo, no Espaço das Américas. A venda dos ingressos começa na próxima quarta-feira (16) e os preços variam de R$ 70 a R$ 350.
Em 2013 o Helloween se apresentou com o guitarrista Kai Hansen no Palco Sunset do Rock in Rio – show que merecia o Palco Mundo. No entanto, Hansen participou pouco, de apenas três músicas, e sequer falou com o público. A expectativa é que agora ele cante sucessos do primeiro (e maravilhoso) álbum Walls of Jericho, de 1985.
A formação da turnê Pumpkins United terá sete músicos – sendo três vocalistas. A expectativa criada é por shows de quase três horas de duração, contemplando assim boa parte dos 17 álbuns de estúdio da banda alemã. Confira os nomes:
“Pois todos nós vivemos no mundo do futuro
Um mundo que é cheio de amor
Nossa vida futura será gloriosa
Venha comigo – mundo do futuro”
– Refrão de ‘Future World’
Poderia ter incluído o ex-guitarrista Roland Grapow? Com certeza! É um retorno ‘caça-níquel’? Talvez. Mas, quem não gosta de faturar uns bons trocados? Não há nenhum mal nisso desde que prestem aquele fan service dos sonhos. Como diz o clássico ‘Future World‘, “A nossa vida futura será gloriosa” – mesmo que olhando para trás. Come with me, Future World!
Por Guilherme Schneider | @Jedyte
Dizem por aí que “de gênio e de louco todo mundo tem um pouco”. Talvez seja verdade. Às vezes, no campo da música, a linha entre loucura e genialidade seja mais tênue ainda, especialmente para dois cantores que brilharam recentemente no Circo Voador: Rogério Skylab e Arrigo Barnabé.
Foi no último 21 de outubro, uma sexta-feira bastante chuvosa. Os dois apresentaram repertórios repletos de pérolas criativas. E que fique claro, ao meu entender, que tudo se passa bem longe de um show de humor – como alguns ainda encaram as obras dos dois. Cada frase parece meticulosamente estuda, por quem tem gosto pela palavra – e seus efeitos imediatos.
O primeiro a entrar no palco foi Skylab. Jogando em casa, o carioca que recentemente completou 60 anos, foi recebido nos braços do público que lotou o Circo. Era dia de lançar o DVD “Trilogia dos Carnavais – 25 anos de Carreira ou de Lápide”, que como o ano diz celebra as “bodas de prata” de sua carreira. Especialmente dos seus três últimos álbuns, lançados entre 2012 e 2015.
Particularmente esse foi o terceiro show que vi do Skylab – e provavelmente o mais pesado – méritos para o trio Yves Aworet (baixista), Thiago Martins (guitarrista) e Bruno Coelho (baterista). Rogério entra no palco cantando com uma vontade impressionante. Sempre muito intenso em seus gestos e expressões, ele canta um setlist que surpreende por focar músicas que não estão no DVD – e com isso mais clássicos.
Destaques para as músicas que fazem perguntas incômodas: “Tem Cigarro Aí?” e “Você Vai Continuar Fazendo Música?“. Visceral. Como de costume “Carrocinha de Cachorro Quente“, “Fátima Bernardes Experiência” e “Matador de Passarinho” são as com recepção mais calorosa. O povo em êxtase acompanha e participa ativamente cantando.
Cinco anos mais velho que Rogério, o paranaense Arrigo Barnabé entra em seguida para fechar a noite. Típico músico vanguardista, que brilhou no início dos anos 80 destilando experimentalismo musical. O show foi uma oportunidade rara de ouvir sua obra prima na íntegra: o álbum Clara Crocodilo.
A ‘ópera pop’, como classificado pela Rolling Stone, é um jazz dos infernos – no bom sentido! Difícil de entender, até por conta da metódica e incomum construção musical, Arrigo se faz próximo do público por sua simples presença ao teclado.
É ovacionado do início ao fim. Destaques para “Clara Crocodilo“, “Diversões Eletrônicas” e “Sabor de Veneno” – esta última tocada duas vezes, na abertura e final do show, em um bis aparentemente inesperado para a banda. E que banda! Arrigo segue à frente de seu tempo e dos nossos tempos.
Rogério Skylab
Arrigo Barnabé
Músicas da edição:
1) Bed of Roses – Bon Jovi
2) Duas Lágrimas – Fresno
3) Only in Dreams – Weezer
4) This Modern Love – Bloc Party
5) The Price We Pay – A Day to Remember
6) My Heart – Paramore
7) Porque Homem Não Chora – Pablo
8) Forever Love – X-Japan | *Na Sua Língua
Por Guilherme Schneider | @Jedyte
Após mais de um ano longe dos palcos o Vilipêndio retornou. E, parafraseando música deles, foi uma autêntica ‘Noite do Vilipêndio’ no Estúdio Via Láctea. Aliás, o espaço surge como um promissor cenário para shows underground na tríplice fronteira entre Andaraí, Vila Isabel e Tijuca.

E uma ‘Noite do Vilipêndio’ normalmente é marcada por um show direto, forte, com a honestidade e face do underground. O power trio de punk metal é formado pelo casal Ricardo Caulfield (guitarra, vocal) e Simone Caulfield (teclado), além do experiente baterista Alexandre ‘Vovô’ Fersan.
Os três apresentaram um setlist com novidades, como as primeiras vezes ao vivo de ‘O Silêncio que Foi Costurado‘ e ‘Tem Sempre Um Idiota Querendo Ensinar Uma Lição‘, músicas que fecharam a apresentação. Destaques também para o retorno ao set de ‘Eu Defendo a Lei – Parte 2‘ e ‘Olhos Vermelhos‘, que há muito tempo não figuravam nos shows.
A noite contou ainda com shows de outras bandas do underground carioca que merecem atenção: Homens de Verde (banda que capitaneou a organização do evento), Band’Doido, New Day Rising, Mau Presságio, Repressão Social e Lacrau.
Agora o Vilipêndio retorna aos palcos no próximo dia 30 de outubro, no tradicional Calabouço Heavy & Rock Bar, em Vila Isabel. A noite terá ainda Sevciuc e Defenders (cover do Judas Priest). Que esse retorno seja cada vez mais frequente!
Por Guilherme Schneider | @Jedyte
Todo fã de games que se preze sabe apreciar uma boa trilha sonora. Temas grandiosos como da série Final Fantasy, lúdicos como os de Mario, empolgantes como de Street Fighter, nostálgicos como Donkey Kong ou inesquecíveis como de Top Gear. Não importa a preferência: bastam alguns acordes e toda uma memória afetiva retorna imediatamente.
E é justamente a celebração dessas músicas (e dos próprios games em si) que o Video Games Live propõe em seu retorno ao Rio de Janeiro, no próximo sábado, 22/10, às 20h. Após quatro anos (a última vez foi em 2012) sem receber uma edição do evento, a Cidade Maravilhosa foi uma das duas cidades brasileiras agraciadas com a atual e 11ª turnê do projeto – a outra é Belo Horizonte, com show no dia 23/10 no Cine Theatro Brasil.
Para quem ainda não conhece, a Video Games Live apresenta os temas dos games com acompanhamento de uma orquestra sinfônica local. Quem comanda a festa é o simpático Tommy Tallarico, compositor das trilhas de mais de 200 games. Diante de projeções em telões, a celebração gamer sempre reserva algum tipo de surpresa – seja na escolha do setlist ou em alguma participação especial.
A oitava vez do Video Games Live no Rio de Janeiro será na Cidade das Artes (ainda conhecida por muitos como ‘Cidade da Música’), na Avenida das Américas, nº 5300, Barra da Tijuca. Os ingressos estão disponíveis (clique aqui para comprar) e variam de R$ 100 a R$ 300.
Confira o vídeo abaixo com a cobertura oficial da última edição no país, em 2015: