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A arte do Levante Metal nativo no Thrash Metal brasileiro

Por Raphael Simons I @raphasimons

E quando uma banda brasileira dedica-se a unir ao thrash metal letras que contam trechos sobre a nossa história e questões políticas sociais. E quando essa mesma banda nos surpreende com a divulgação da capa do seu novo álbum, intitulado The Last of The Guaranis – nome de uma das canções. Estamos falando da banda de metal nativo Tamuya Thrash Tribe.

“A intenção é chamar a atenção para a questão da demarcação de terras indígenas no Brasil. Para os povos indígenas, a terra é mais que um lugar para viver e cultivar. Suas terras são sagradas, sua existência é intrinsecamente ligada à ela, e tirá-los de seu território é roubar-lhes a vida, e nesse caso, o sentido de sua existência. E isso tem levado diversos indígenas a cometerem suicídio, inclusive mulheres e crianças. O assunto não é novidade, isso vem acontecendo há décadas, mas ninguém parece estar prestando atenção”, essas são as palavras do vocal/guitarra Luciano Vassan sobre a capa do álbum. A banda conta ainda com Leonardo Emmanoel (guitarra), JP Mugrabi (baixo) e Bruno Rabello (bateria).

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A inspiração da arte surgiu a partir de uma fotografia de Steve McCurry fotojornalista mundialmente conhecido por seus registros de pessoas em estado de vulnerabilidade e regiões de conflito. Suas fotos já lhe renderam diversas capas em revistas ao redor do mundo, além de acumular uma vasta lista de prêmios.

O conceito da capa foi elaborado por Luciano Vassan junto com Isabelle Araujo, artista plástica convidada para criar a arte do álbum. Ao primeiro olhar, visualizando a parte da frente,trata-se apenas de um indiozinho com um olhar de sofrimento, mas seu sentido só é desvendado quando se analisa a arte como um todo.

O novo disco do Tamuya Thrash Tribe virá em um formato especial duplo, contendo o novo álbum e uma versão remasterizada do EP de estreia da banda, “United” (confira abaixo o clipe de Immortal King), com a bateria e baixo regravados pela formação atual. O álbum (que será lançado em julho, quando se inicia a agenda de shows) conterá também duas faixas bônus. Será em digipack e edição limitada.

O álbum traz as participações de Marcelo D2, João Cavalcanti (filho de Lenine e vocalista do Casuarina), Zahy Guajajara (índia Guajajara), Coral de Crianças Guarani Mbya e Gleyds Granden (Mãe de Santo), além dos percussionistas Paula Perez, Dudu Bierrenbach e Mario Mamede.

Confira mais sobre o TTT no site oficial: http://www.tamuyathrashtribe.com

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Resenha

Resenha: Maio, chuvoso, hard e power metal | SOTO e The Winery Dogs

Por Raphael Simons (texto e fotos) I @raphasimons

Terça-feira também é dia de rockeiro sair cansado do trabalho e ir para o Imperator, no Méier, descansar a mente com os shows das bandas SOTO e The Winery Dogs.

Com o público ainda chegando ao local, a banda de abertura Soto iniciou os seus trabalhos. A formação do grupo conta com a participação de dois brasileiros, o baterista Edu Carminato e o guitarrista/vocalista Luiz “BJ” Paulo. Completam o baixista David Z e o guitarrista Jorge Salan, liderados por Jeff Scott Soto.

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A apresentação começou com uma amostra das novas músicas dos álbuns de 2015 e 2016 e foi aquecendo o palco. O público mais cascudo e hard rock acompanhou em coro os vocais de Jeff praticamente durante todo o show e principalmente nas canções Tears in the Sky e I’ll be Waiting da antiga Talisman.

Após o solo de baixo com Billie Jean – Michael Jackson, veio o momento das jams. Passando por Yngwie Malmsteen, Twisted Sister, Kiss e Journey – com BJ impecável nos vocais de Don’t Stop Believin. Após um breve silêncio a banda executou o início da moderna e clássica Stand Up and Shout, do filme Rock Star. E com Community Property do Steel Panther, Soto finalizou sua apresentação no Rio de forma solta e agradável.

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Com as mudanças de palco sendo realizadas o público aguardava ansioso conversando e bebendo aquela cerveja gelada. As luzes se apagam, a música ambiente se encerra e Richie Kotzen, Billy Sheehan e Mr Mike Portnoy entram no palco arrebentando com Oblivion, a primeira faixa do novo álbum do The Winery Dogs. Seguida de Captain Love e We are One, uma melodia magnífica. O power trio foi intercalando canções dos dois álbuns de estúdio, entre hard e baladas.

Richie cantou absurdamente com performances na guitarra, violão e teclado, enquanto o público se divertia com as peripécias de Billy e Mike no decorrer do show. O público foi privilegiado pela execução de You Can’t Save Me, que não era cantada por Richie há anos.  Na maior parte do tempo a plateia ficou estagnada vislumbrando a execução perfeita dos três no palco. Mas como nem tudo é perfeito, Portnoy sentiu-se incomodado com algumas pessoas que estavam fotografando ou filmando com celulares levantados e atrapalhando a visão dos demais, em vez de apreciarem o espetáculo. Dica desse redator: Galera não é proibido o uso do celular, é de boa, mas não o tempo todo. Valeu!

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A apresentação estava chegando no auge do virtuosismo depois de uma sequência animal de músicas. No solo de bateria, como de habitual, Portnoy baqueteou em todos os lugares (todos mesmo!!!), o chão do palco, o banco de Richie e até nas cordas do baixo de Billy. The OtherSide demonstra que muita coisa do Mr. Big vem na bagagem, principalmente na melodia do refrão com Richie solando muito, mas muito mesmo. Billy foi deixado no palco para um solo de baixo indescritível: só os presentes saberão a perfeita harmonia entre o músico e o seu instrumento. Ghost Town reuniu os três novamente e o refrão de I’m No Angel, bem, foi berrado pelo público.

Após Elevate as luzes se apagaram e os músicos deixaram o palco. O público ainda em êxtase começou a pedir a volta dos músicos ao palco, pois o show não poderia terminar daquela maneira. Mas para quem já pertenceu as bandas: Mr. Big, Talas, Dream Theater, Poison, AdrenalineMob e tantos outros projetos, já realizou milhares de shows e tem tantos anos de estrada, sabe muito bem quando as luzes devem ser acesas.

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E assim foi feito, as luzes se acenderam e o retorno foi com a balada Regret, para embalar todos naquela noite. E que noite, uma noite inesquecível. Desire foi cantada por todos os presentes, fazendo com que Richie desse um break cantado “desire” em tons diferenciados, pedindo o retorno do público no mesmo tom. Com despedidas e agradecimentos se encerrou essa noite hard rock e power metal no Rio. Um show que esquentou essa noite fria de maio.

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SOTO Setlist Imperator, Rio de Janeiro, Brazil, Divak South America Tour 2016

The Winery Dogs Setlist Imperator, Rio de Janeiro, Brazil 2016, Double Down World Tour

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Resenha

RESENHA: Metal em noite de festa beneficente no Rio

Por Raphael Simons (texto e fotos) I @raphasimons

Nessa noite de sexta a casa Rock Experience Club, na Lapa, recebeu quatro bandas que trouxeram uma bagagem gigantesca de novidades. O evento produzido pela Be Magic e com apoio Scelza Produções abraçou com dignidade a causa do metal nacional.

Mesmo sendo uma noite chuvosa, tempo que espanta qualquer carioca, a casa encontrava-se bem cheia e isso mostra que está viva a força do headbanger brasileiro.

Abrindo a noite a estreante, com integrantes cascudos do cenário, The Black Rook, que executou a sua primeira apresentação e simultaneamente o lançamento do álbum físico, não deixou a desejar. Mesmo com pouquíssimo tempo assisti a um público que acompanhou cantando em uníssona voz em vários momentos o vocalista Flavio Senra. Flavio agradeceu retribuindo com uma excelente performance e a banda mostrou um ótimo trabalho.

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Então, o palco se escureceu e pudemos ouvir uma abertura de cantos indígenas e algumas pessoas gritando “Tupã!”. Esse era o preparativo para o início do show do Tamuya Thrash Tribe. A banda que está em finalização do aguardadíssimo novo álbum, ‘The Last of the Guaranis’, estremeceu o local e o público presente. E não é exagero desse que vos fala: as guitarras, baixo e bateria estavam ensurdecedores e muito bem executados.

Representando o Levante do Metal Nativo, um movimento que funde o metal com elementos musicais, folclore, cultura e história da nossa nação, a banda apresentou algumas novas músicas que fizeram o público ficar enlouquecido. Com um pedido do vocalista Luciano Vassan, começou a ser rufado na bateria o que seria o início de Da Lama ao Caos, do Nação Zumbi, e assim foi cantado um trecho como introdução a mais uma nova música. O show foi encerrado com a já conhecida e adorada pelo público Immortal King.

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Após, subiu ao palco a banda Syren, que já é bem conhecida por todos. Fazendo uma apresentação primorosa também trouxe novidades. Antes formada por um quarteto ou “carteto” nas palavras do vocalista Luiz Syren, agora ela possui um novo integrante, um novo guitarrista – Alirio Solano, que não parava um momento. Colocando assim mais peso e mais solos em suas músicas, Syren se solidifica cada vez mais na cena e ganha mais respeito do público.

Encerrando essa noite maravilhosa, a já aguardada e recepcionada calorosamente, o Hibria subiu ao palco. A banda de Porto Alegre, criada em 1996, e já conhecida mundialmente, especialmente no Japão, onde há certeza de casa cheia, foi simpaticíssima com o público e fez o show de power metal. Lançando seu sexto disco, homônimo, Iuri Sanson cantou absurdamente durante todo o show, e acompanhado por integrantes totalmente técnicos que mostraram o poderio e reconhecimento mundial que merecem. Um show impecável. Músicas excelentes.

Lembrando que esse evento foi beneficente e toda a sua arrecadação será revertida para o abrigo de animais, Santuário das Fadas, que faz um trabalho de resgate a animais de fazenda que sofreram maus tratos, negligência e abuso. Fica localizado em Itaipava, região serrana do Rio de Janeiro.

Confira a galeria de fotos:

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