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Resenha: Zander, Dias, ADI e Nada Em Vão @Círculo Operário do Cruzeiro

Por Tayane Sampaio

Sábado (18/02), o Canal RIFF marcou presença no Círculo Operário do Cruzeiro, que foi palco do aniversário de 5 anos da Acetona Produções. Os brasilienses fãs de hardcore ganharam uma noite nostálgica, com direito a apresentação de banda que não tocava há muito tempo e a show de reunião de banda que já acabou. A produtora trouxe, assim como em seu primeiro evento, a banda Zander para ser a principal atração da noite, além das bandas locais Nada em Vão, ADI e Dias.

A Acetona, que já produziu shows de renomadas bandas da cena underground nacional, como Menores Atos e Bullet Bane, também está com um divertido projeto, que acontece às terças-feiras, no Club 904. “A Fantástica Fábrica de Bandas” é uma espécie de karaokê para bandas, que, com inscrição prévia, podem se apresentar no palco do Clube da ASCEB.

A Nada Em Vão deu início às comemorações.  Por volta das 21h, Lucas Cardoso (voz), Pedro Tavares (guitarra), Delton Porto (bateria) e César Oliveira (baixo) já estavam a postos. Com músicas relativamente curtas, mas com mensagens fortes e concisas, a caçula da noite apresentou, quase na íntegra, as canções de seus dois EPs: “Nada em Vão”, de novembro de 2015, e “Sempre em Frente”, lançado um ano após o debut da banda.

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Nada Em Vão @2017

O show do grupo contou com duas participações especiais. A primeira, de Regis Matsumoto para ajudar Lucas nos vocais do cover de “We”, dos veteranos do Descendents. A segunda participação foi mais espontânea e veio da plateia, que, mais ao fim da apresentação, já entoava as músicas junto com a banda.

O punk rock tocado pelo grupo não tem nada de niilista e se destaca justamente pela mensagem positiva que entrega. De acordo com o baixista, César, e o vocalista, Lucas, a Nada Em Vão tenta sempre transmitir boas energias por meio de suas composições, dando ênfase ao lado bom da vida e trazendo indagações que estimulem seus ouvintes a buscar a melhor versão de si.

Depois de um pequeno intervalo para troca de palco, a segunda banda do lineup, ADI, começou sua apresentação, com um setlist que contemplou todas as canções do último EP da banda, “Sobre os Dias que Não Vão Voltar”, lançado no final do ano passado, sem muito alarde, além de músicas de trabalhos mais antigos.

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ADI @2017

Gustavo Hildebrand (voz e guitarra), Rafael Rezende (guitarra), Gustavo Portella (baixo) e Thales Maia (bateria) foram muito bem recebidos pelo público, que, provavelmente, estava com saudade de ver a banda nos palcos. Os fãs de longa data da banda puderam matar a saudade de alguns clássicos, como “Retrato Que Eu Fiz”, “Falhas Perfeitas” “Edu” e “Mundo Inteiro”, a mais pedida em uma enquete feita pela banda na página do evento. Deu pra matar a saudade da ADI, mas a apresentação e as novas músicas deixaram um gostinho do quero mais.

A banda, que ficou 8 anos sem lançar novos trabalhos, surpreendeu ao soltar o EP de inéditas. O baterista, Thales, contou pra gente que essas músicas estavam guardadas há uns 4 anos e que sofreram algumas modificações, ao longo do tempo, até que eles resolveram gravá-las. Nos últimos anos, a banda fez um show aqui e acolá e as coisas devem continuar assim, já que nem todos os integrantes residem no DF.

A Dias, terceira banda a ser apresentar, foi responsável por alguns dos momentos mais bonitos da noite. Manoel Neto (voz), Fill Braga (guitarra), Leandro Correia (guitarra), Bruno Formiga (baixo) e Arnoldo Ravizzini (bateria) se reuniram, após cinco anos do término da banda, para matar a saudade dos palcos e do público, que aproveitou cada segundo da apresentação.

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Dias @2017

Os mais próximos do palco cantaram com Manoel durante todas as dez músicas do set, intercalando os berros com bate-cabeça. A banda começou a apresentação com “Vazio”, do EP de 2008, mas o palco pegou fogo quando o grupo resgatou músicas do começo da carreira, como “Procura” e “Aprender”, do primeiro EP (2004).

Nostálgico, o vocalista lembrou do começo da banda, quando matava aula para ensaiar e de quando trocava correspondência com Gabriel Zander e comprava fita K7 da Noção de Nada. Apesar da recepção calorosa da galera, a banda já tinha falado que o show não seria uma volta às atividades, e sim uma oportunidade para a banda lembrar os bons momentos que viveram juntos.

Outro intervalo, para o público recuperar o fôlego do show eletrizante do Dias, e a Zander subiu no palco do Círculo Operário para fechar a noite. Com mais pessoas para ver o show e com caras novas próximas ao palco, a quarta e última apresentação da noite foi iniciada. Perto de meia-noite, Gabriel Zander (voz e guitarra), Gabriel Arbex (guitarra), Marcelo Mauni (baixo) e Bruno Bade (bateria) tocaram os primeiros acordes de “Bandida e Malvista” e de cara emendaram mais duas músicas no “Flamboyant”, álbum que o grupo veio lançar.

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Zander @2017

O público, mais uma vez, não deixou a desejar. Muitas vezes o coro gritado dos fãs silenciava a voz de Bill, que é um vocalista com uma ótima presença de palco. O bate-cabeça continuou, rolavam uns stage dives e até uma pequena invasão de palco rolou, mais para o final do show. Em “Humaitá”, música do primeiro álbum completo da banda, “Brasa” (2010), o caos tomou conta da frente do palco. A Zander tocou músicas de todos os seus trabalhos lançados, exceto do Ep’tizer. Uma das canções mais pedidas foi “Dezesseis”, do trabalho de estreia, o EP “Em Construção” (2008).

Bill lembrou ao público que a banda estava vendendo seus produtos de merchandising, ao lado do palco, e o quanto era importante o apoio dos fãs para que a banda conseguisse seguir lançando trabalhos e fazendo shows. O vocalista também lembrou das bandas locais e da importância delas para que bandas de fora toquem na cidade e elogiou os presentes pelo suporte à cena local. Antes de finalizar o show, a Zander anunciou que tinha acabado de fechar outra apresentação, na Casa da Val, e convidou a galera para comparecer. Por fim, a banda se despediu com “Até a Próxima”.

A Acetona teve uma bonita festa de aniversário e compartilhou o presente com os fãs. A produtora homenageou, de certa forma, a cena de uns anos atrás trazendo a Dias, que teve uma importância muito grande para o hardcore do DF e mostrou que a capital ainda tem muita coisa nova a oferecer.

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Para Entender: O Punk Inglês

Por Thiago Pinheiro I @pinheiro77

Punk. Se você sair às ruas e questionar sobre o que isso significa, receberá uma resposta para cada um que ouvir. Fora, claro, a eterna discussão sobre onde o movimento começou: Londres ou Nova Iorque (tudo sobre Ramones aqui).

Mas, deixando a discussão de lado, o Punk realmente surgiu lá nos EUA, mas é inegável que a Terra da Rainha soube dar uma cara única ao movimento a partir do Sex Pistols. Depois que Johnny Rotten começou a bradar sobre a anarquia pela ilha, centenas de bandas vieram a ser formadas ou tomaram coragem para sair da garagem.

O fato é que o Punk, com as pequenas gravadoras, fez reviver a era dos singles dos anos 50, o que foi mais uma das suas características de remeter ao surgimento do Rock and Roll. Assim, como movimento na Inglaterra, o Punk durou de 1976 até 1980. A partir dali, todas as bandas já haviam migrado para os novos estilos ou subestilos que haviam surgido: Hardcore, Post-Punk, New Wave ou 2Tone.

Entretanto, antes de se realocarem, dezenas de bandas que vieram a se consolidar em outros estilos, passaram pelo Punk. A Inglaterra, ou melhor, o Reino Unido, mais do que qualquer outro lugar no mundo, foi palco de uma profusão de grupos de estilos tão distantes como Buzzcocks, The Cure, Elvis Costello, Jam e Stiff Little Fingers.

Assim, nesta playlist, procurei não apenas relacionar os grupos que efetivamente vieram a ser identificados como Punk, mas todos que, de uma maneira ou de outra, surgiram por causa da onda Punk que passou pela Grã-Bretanha naquele período.

Ao ouvir a playlist, sugiro que o faça em ordem aleatória, pois não há sequência cronológica. Ela está, em grande parte, em ordem alfabética.

OBS: não há canções do Flys e do Crass no Spotify, por isso eles ficaram de fora da playlist.

Talvez a banda mais curiosa da listagem seja o Chumbawamba. Sobre eles, vale falar um pouco mais:

Apesar do sucesso com “Tubthumping” ao final da década de 90, a carreira do Chumbawmba remonta ao início da década de 80 quando estiveram envolvidos com o Anarcho-Punk junto ao Crass e ao Oi Polloi.  Curioso é que eles participaram de um LP chamado “Fuck EMI” em 1989 e assinaram com a gravadora em 1997, tendo o seu hit mundial no ano seguinte.

Bandas incluídas:

Primeira leva do Punk

Em comum, as bandas aqui têm o fato de terem sido da primeira geração do punk britânico ou de sempre terem sido identificadas como Punks.

999, Adverts, Alternative TV, Anti-Nowhere League, Banned, Billy Bragg, Buzzcocks, Carpettes, Chelsea, Cortinas, Drones, Eater, Generation X, Lurkers, Newtown Neurotics,  Penetration, Rezillos, Rudi , Sex Pistols, Sham 69, Stiff Little Fingers, Television  Personalities, The Adicts, The Boys (e The Yobs), The Clash, The Damned, The Flys, The Jam, The Nips, The Outcasts , The Stranglers, The Users, Toy Dolls, UK Subs, Undertones, Vibrators, Vic Godard & Subway Sect, X-Ray Spex.

sex pistolsSex Pistols

2Tone (Ska)

O 2Tone é o nome que se dá à segunda leva do ska, com a primeira tendo sido a original, à que deu origem ao Reggae, na Jamaica, nos anos 60. O nome do 2Tone é por causa das roupas, sempre em tons preto e branco, mas, principalmente, pela gravadora 2 Tone Records, do tecladista do Specials.

English Beat, The Selecter, The Specials.

Reggae/Ska

As bandas aqui surgiram no meio Punk, mas o reggae e ska acabaram por ser o seu principal componente.

The Ruts, The Police, Slits.

Oi! e Street Punk

Embora a maioria das bandas abaixo já existisse quando o jornalista (e vocalista do Gonads), Garry Bushell, intitulou o movimento com esse nome em uma resenha.  “Oi!” é algo que os ingleses, particularmente os do subúrbio (os cockneys), dizem como se fosse uma vírgula. Em qualquer frase, você poderá ouvir um “oi!”. Embora o som tenha sido, historicamente, ligado aos skinheads, a primeira leva de bandas não tinha ligação com o movimento.

4-Skins, Angelic Upstarts, Blitz, Brats, Business, Chron Gen, Cock Sparrer, Cockney Rejects, Expelled, Gonads, Last Resort, Menace, Notsensibles, Partisans, Peter and the Test Tube Babies.

cockney rejectsCockney Rejects

AnarchoPunk

O Crass não tem como entrar em nenhuma das categorias. Embora o som do seu álbum inicial, “The Feeding of the 5000” fosse muito mais próximo do Street Punk, o grupo iniciou a vertente intitulada como AnarchoPunk e a levou até às últimas consequências. O Crass virou uma comunidade e suas atividades iam muito além das músicas.

Crass, Chumbawamba, Poison Girls.

New Wave e Pós-Punk

Muitas das bandas aqui não têm efetiva ligação com o Punk, mas são filhas indiretas do movimento. A maioria aproveitou o turbilhão do Punk como empurrão para começar as atividades e foram mudando o som à medida que o grupo crescia, distanciando-se do Punk que perdia a força com a chegada da década de 80.

Adam and the Ants, Au Pairs, Boomtown Rats , Department S, Elvis Costello, Joy Division, Magazine, Only Ones, Pop Group, Rich Kids, Siouxsie And The Banshees, Skids, Slaughter and the Dogs, The Cure, The Fall, The Members, The Photos, The Raincoats, Theatre Of Hate, U2, Ultravox , UK Decay, Wire, Wreckless Eric.

elvis costelloElvis Costello

Hardcore

O Hardcore é a evolução mais comumente associada ao Punk. Algumas das bandas simplesmente aceleraram o já rápido som do Punk e acrescentaram mais peso. O Hardcore também flertou mais com o anarquismo, mas não com a mesma intensidade do Crass.

Anti-Pasti, Exploited, G.B.H., Subhumans, The Varukers

Outros

Eddie & The Hot Rods e Tom Robinson Band.