Resenha: Zéfiro, João Pedro Mansur e Jesse Rivest @Teatro Sesc Silvio Barbato

Por Tayane Sampaio (texto e fotos) | @Tayanewho

Domingo (11/9), aconteceu mais uma edição do Brasília Sessions, no Teatro Sesc Silvio Barbato. Fruto da união de alguns músicos da cidade, o projeto quer dar visibilidade aos novos artistas locais, assim como trazer bandas da cena nacional para apresentar-se ao público brasiliense. Em sua quinta edição, o evento contou com as apresentações da Zéfiro, João Pedro Mansur e Jesse Rivest, além dos pocket shows da Anzol Jubarte e Mauren & Stive.

Quem abriu a noite foi a Zéfiro. O quinteto formado por Pedro Menezes (vocal e guitarra), Lucas Aguiar (guitarra e sintetizador), Mari Junqueira (baixo), Caio Fonseca (bateria) e Humberto Reale (percussão) subiu no palco um pouco depois das 20h. O repertório da noite foi composto pelas canções do excelente EP “Andes”, lançado no começo do ano, além de uma inédita, que ainda nem foi gravada.

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Zéfiro @2016

As indagações do eu lírico, que caminha entre os altos e baixos de uma montanha, ganham força ao vivo, com destaque para a faixa-título do trabalho de estreia da banda. O instrumental da canção consegue passar toda a angústia do andante, que não sabe se no próximo passo sua viagem se encerrará. Os arranjos bem trabalhados ficam ainda mais potentes quando a voz de Pedro entoa as letras metafóricas, que levam o ouvinte à reflexão. Com um som singular, o grupo transita, principalmente, entre pós-MPB, indie e rock alternativo.

A maturidade da banda transcende as gravações em estúdio; no palco, a sintonia é visível e fica claro o quanto cada instrumento é essencial para a construção da narrativa. Quando o vocalista anunciou a última música, ficou aquela impressão de que o show durou pouco e que poderiam tocar todo o setlist de novo. Sem dúvidas, a Zéfiro é um sopro de autenticidade em nossos ouvidos saturados de mesmice.

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Anzol Jubarte @2016

Enquanto o palco era preparado para a próxima apresentação, do lado de fora do auditório, a Anzol Jubarte arrancava sorrisos da plateia. Munidos de voz, violão, letras bem-humoradas e uma ótima interação com o público, Varginha e Gabriel mostraram um ótimo brega-blues-MPB, que conta situações cotidianas.

De volta ao palco principal, agora mais enxuto, foi a vez de João Pedro Mansur. Acompanhado por Pedro Miranda (baixo) e Renato Galvão (bateria), o cantor mostrou-se íntimo da guitarra e à vontade em seu hábitat natural. O trio tocou músicas dos projetos de Mansur: “Coisas Selvagens”, primeiro álbum da Marrakitá, lançado ano passado; e “Bla.gue” (2015), trabalho da CineMondatta, que conta com a faixa “Caibrã”, vencedora do Festival da Rádio Nacional FM, em 2015.

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João Pedro Mansur @2016

Ao fim da apresentação de João Pedro Mansur, o público se dirigiu, mais uma vez, à área dos pocket shows. Dessa vez, Mauren & Stive tiveram a oportunidade de mostrar suas canções aos presentes. Mauren, que também fotografa o evento, surpreendeu com seu timbre de voz poderoso. As músicas, cantadas em português e também em inglês, que misturam folk, country e rock criaram um clima perfeito para o próximo show, que encerraria a noite.

Por fim, as cortinas se abriram para o canadense-quase-brasileiro Jesse Rivest. As guitarras barulhentas e os inúmeros pedais usados no começo da noite desaparecem do palco, que passou a ser ocupado apenas por Jesse, com seus dois violões, e com o baterista Misael Barros. Muito calmo, o cantor deu início à sua apresentação com bons minutos de uma bonita conversa entre violão e bateria, sem voz. Em seguida, o músico tocou músicas dos seus álbuns “Seventeen Oh-Two Oh-Six” (2006) e “Everyelsewhere” (2011), além de uma ótima versão de “Fans”, do Kings of Leon, que Jesse disse, em tom zombeteiro, não se lembrar se tinha composto ou não.

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Durante toda a apresentação o músico parecia imerso ao som de seu violão e, de vez em quando, entre uma música e outra, arrancava gargalhadas do público com piadas e seu português um pouco atrapalhado. O folk rock e o bom humor do músico encerraram a noite de forma muito leve e intimista.

Mais uma vez, o Brasília Sessions proporcionou ao público uma agradável noite de domingo. Todos os músicos, sem exceção, agradeceram o carinho da equipe, que trabalhou duro para que tudo corresse bem. O evento, no estilo “faça você mesmo”, é mais uma prova de que a cena independente está cheia de tesouros a serem descobertos. Você pode acompanhar o Brasília Sessions clicando aqui. 

Brasilia Sessions #5(Aftervideo) from brasilia sessions on Vimeo.

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