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Resenha: Francisco El Hombre + Mulamba @Circo Voador

Por Fernanda Alves

“Nós não é saco de bosta pra levar tanta porrada”

Com essa frase Mulamba abriu os trabalhos na noite de sexta-feira, 12 de janeiro, no Circo Voador.

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A banda curitibana composta unicamente por mulheres, subiu ao palco pouco antes da meia-noite, ainda com poucas pessoas na plateia. De forma gradativa, a espaço foi enchendo, e a vibração e palmas que se ouviam ficavam cada vez mais altas conforme o show acontecia.

Você logo saca que Mulamba está bem alinhada aos sons feitos aqui no Brasil nesses últimos tempos, reunindo influências de vários ritmos e artistas, com levada um tanto indie e com sonoridades que vão desde a MPB, passando pelo rock e chegando ao funk carioca.

A bandeira da representatividade, da questão feminina, defendida pelo grupo em seu show, foi rapidamente absorvida e abraçada pelos presentes. Rolou até cover de Cássia Eller e também contou com a participação da cantora da banda principal da noite Juliana Strassacapa, duas artistas fortemente ligadas ao tema do feminismo.

O show manteve esse ritmo do início ao fim, numa mistura de teatro, música, performance, poesia e protesto, além da profundidade das letras e melodia.

“Já sei pra onde vou!”

Após uma pausa pra água (não, pera!)… Francisco, El Hombre entrou e já mostrou ao que veio, nos levando a sentir o Calor da Rua!

A banda campineira trouxe em suas raízes a efervescência latina, envolvendo timbres, ritmos, arranjos e em favor de uma identidade ímpar. Temas como a violência doméstica, o papel da mulher na sociedade e uma crítica direta ao conservadorismo ditaram a narrativa do show, que contou com participações ilustríssimas e que acrescentaram mais pimenta ao caldeirão como As Bahias e a Cozinha Mineira e Clarice Falcão.

Francisco, el Hombre, ao longo de sua apresentação provocou o público com sua “pachanga folk”, o que uma completa interação entre plateia e banda.

Percebemos o quão poderosas são as vozes dos integrantes da banda, explícitos e políticos nas letras, multiculturais na sonoridade. Com belíssimas melodias e arranjos, o repertório se concentrou nas canções do álbum Soltabruxas, e como já era o esperado, o momento mais emocionante foi a execução de Triste, louca ou má, indicada ao Grammy Latino. A apresentação contou com uma canção inédita, Muero por Ti  e também com algumas versões de “O meu sangue ferve por você”, “Um morto muito louco” (por que não?) e Tic tic Tac embaladas na batida do bloco “Calor da Rua”.

Bis? Não tivemos… até porque a banda sequer deixou o palco! O que se seguiu foi um grande bloco de carnaval, com artistas, convidados e público numa só folia!

Uma coisa ficou clara, a passagem de Francisco, el Hombre por terras cariocas deixou mais que claro o quanto eles precisam voltar. E que seja em breve.

 

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Resenha: Liniker + Letrux @Circo Voador

Por Fernanda Alves

Duas palavras definem a última noite de sexta no circo voador: Lacre e climão. Não há outra forma de descrever, só se deixar “bagunçar”!

Letrux abriu o espetáculo mostrando seu novo trabalho: “Letrux – em noite de climão”, de nome extremamente apropriado para ocasião. Sua voz marcante e sua presença performática contagiaram o público numa espécie de catarse coletiva. Entre sorrisos falsos, versos marcados pela ironia, deboche, libertação e sussurros eróticos, um convite a mergulhar nas pistas de dança. Não havia quem ficasse parado ou indiferente às suas letras e canções, claramente inspirado pela temática da separação, mas exploradas com leveza e humor (longe da sofrência dos sertanejos). Do começo ao fim do show, a cantora, que se jogou nos braços (literalmente) da plateia, manteve a energia lá em cima de uma forma vibrante.

Depois da pausa pra se recompor após o furacão Letrux, Liniker subiu ao palco ao som de Remonta, sucesso de seu mais recente álbum. E o que podemos dizer sem parecer clichê?

Quem esteve no Circo viu o quanto impactante é vê-lx e ouvi-lx !

O show do Liniker e os Caramelows é uma experiência desafiadora e transformadora. Sua imagem indefinível elimina a existência do gênero, embaralhando convicções. É a voz forte e grave que sai da boca pintada de vermelho. Mas tudo isso teria apenas um efeito estético se sua voz não desse conta do recado. Sua música e presença são arrebatadoras e seu discurso é o que vive no dia a dia.

Sua instrumentação sai dos anos 1970 e encontra o discurso contemporâneo das ruas, da causa, do homem, da mulher. Toda uma mistura de gêneros representada em suas canções. Às vezes percussão, às vezes guitarra, às vezes teclado, mas tudo com a imprecisão de um som saindo de um vinil.

Zero, Você Fez Merda, Louise Du Brésil e Funzy mostram que o barulho que começou a ser feito quando surgiu na mídia não era em vão. Liniker “passou pra dar um cheiro” e mostrou que mais do que algo a dizer, elx têm algo a cantar.

A gente fica mordidx, não fica?”