RESENHA: A ‘violência intimista’ de Falling in Reverse e Issues

Por Guilherme Schneider

No último domingo, 30 de agosto, o Rio de Janeiro recebeu duas promissoras bandas de metalcore norte-americanas. O Issues, que veio pela primeira vez ao Brasil, e o Falling in Reverse, que retornou após dois anos. Dois shows na medida certa para os poucos fãs que compareceram ao Circo Voador.

Tanto a banda de abertura (Issues), quanto a a principal (Falling in Reverse) fizeram shows que por pouco não poderiam entrar na classificação de ‘pocket shows’.  Assim como uma partida de futebol, cada show durou um pouquinho mais do que 45 minutos.

No ‘olhomêtro’ o Circo Voador devia ter pouco mais de 200 fãs na noite de ontem. 300 forçando a barra? Nah… isso foi um problema? Para os fãs não. Quem estava lá curtiu bastante. Dava pra ver que os que foram são muito fãs – de uma ou de outra banda. Mas, cá entre nós, para os músicos deve ser frustrante uma casa esvaziada – ah, isso deve ser mesmo.

Bom, sem dúvidas havia muito espaço para as rodinhas – a maioria rolou durante o show do Issues, que comandou o ‘primeiro tempo’ com muito ânimo. A banda formada em 2012 em Atlanta (EUA) mandou muito bem, com muita interação por parte dos dois vocalistas Michael Bohn (com uma camisa retrô do Corinthians) e Tyler Carter (com a camisa da Seleção Brasileira).

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Foto: Ricardo Irie

Quem estava por lá pulou que nem pipoca. E essa em sido uma contante para a banda, que já tem (ou teve) turnês ao lado de grandes nomes como A Day To Remember e Bring Me The Horizon.

Destaque para o baixo na pressão de Skyler Acord, presente com a camisa do Fluminense. As guitarras distorcidas de AJ Rebollo e a batera eficiente de Josh Manuel seguraram a barra. A ausência foi a de Ty “DJ Scout” Acord, responsável pelos constantes samplers (substituídos por um laptop ao lado do baterista).

Foi a demonstração de mais pura energia juvenil. Em Sad Ghost o público arriscou um Wall of Death. O mosh foi nervoso, especialmente em King of Amarillo, ponto alto.

“Quero agradecer ao Brasil. Vocês tem sido incríveis e nos tratado muito bem”, agradeceu o Michael Bohn, antes de passar a bola para o Falling in Reverse.

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Foto: Gustavo Chagas

O Falling in Reverse entrou mantendo o nível do Issues, arrancando uma boa dose de histeria. Banda muito esforçada e competente, mas que ainda não é tão conhecida por essas bandas. Talvez falte “O” hit.

Queridinho dos fãs, o guitarrista britânico Jacky Vincent acertou em cheio ao usar uma camisa do Angra (com a imagem da capa do Rebirth). Uma homenagem ao Brasil mais consistente do que camisas de futebol.

Lá pelas tantas a banda percebeu que o caminho era se divertir. E quem estava mais no clima era o vocalista Ronnie Radke, que fazia caras e bocas. Ronnie interagiu com o público, recebeu dois quadros de presente e pegou celular de um fã para fazer uma selfie.

O grande momento foi na música Just Like You (tema perfeito para um filme adolescente), última do show. Quando parecia que a apresentação terminaria faltando um pouco mais de ‘loucura’, Ronnie desceu do palco sorrateiramente e saiu nos braços da galera.

O corre corre foi geral, e, no meio disso, alguns fãs aproveitaram para subir no palco e abraçaram os ídolos. Talvez até por isso o show tenha sido um pouco encurtado. Mas, ponto para esse delicioso caos que só o rock proporciona.

opinião dos fãs

                                                                                 ISSUES
John Vitor Naylor, 15 anos
Ponto alto?
“Cheguei logo que apagaram as luzes, e vi os caras com muita emoção. Os caras da banda estavam tentando tirar o máximo da galera. Gostei disso. O set estava bom também”
Ponto baixo?
“Não achei que teve um ponto ruim. Espero que a galera que esteja aqui em volta chegue mais pra perto do palco no Falling in Reverse”

Marcos Vinícius da Silva Lima, 20 anos
Ponto alto?
“O mais legal foi a galera interagindo. O espírito que teve. Até tomei um soco na boca, do meu primo, que é o maior fã da banda. E até para homenagear ele eu peguei um cd autografado para ele”
Ponto baixo?
“Fui entrar na rodinha pra defender ele. Tava muito violenta, mas na lealdade. O pior foi o soco na boca mesmo, de resto tudo ótimo. O show foi perfeito, a galera tá curtindo. Tá muito bom”

Wendell Luan, 22 anos
Ponto alto?
“O ponto alto pra mim foi a segunda música, que é uma das minhas favoritas, Stingray Affliction. Eles interagem muito com o público, pedem pra pular, dão a mão… isso pra gente que é fã é muito bom”
Ponto baixo?
“O ponto ruim é porque está vazio. Não sei o motivo… pode ser porque o Issues não é muito conhecido e o Falling in Reverse já veio outra vez (em 2013)”

Juliana Portes, 21 anos
Ponto alto?
“Vim por causa do Issues e o show foi maravilhoso, sem palavras para descrever. A presença de palco da banda é super foda…. a banda toda é foda. Issues salvou minha vida, literalmente. Me influenciaram a fazer coisas boas, a ser uma pessoa melhor, então posso dizer que me salvaram”
Ponto baixo?
“Não faltou nenhuma música, todas que eu queria eles tocaram. Inclusive queria deixar bem claro que o Mike gritou que me amava. Eu gritei ‘I love you’ e ele gritou de volta”

Daniel Croce, 36 anos
Ponto alto?
“Estou ouvindo Issues há uns 20 dias e estou achando bom pra caralho. Vocês imaginam assim se o Justin Bieber enlouquece, surta, pira na batatinha e chega pro produtor: ‘Aí gente, quero que vocês se fodam, caguei pra vocês! Vou tocar metalcore, deathcore, djent’. Aí monta uma banda foda, com um vocalista gutural foda… aí pronto, esse aí é o Issues. Por incrível que pareça essa mistura me ganhou fácil”
Ponto baixo?
“Gostei do show pra caralho, conhecia todas as músicas. O único ponto fraco foi porque não teve a música ‘Late’. Se tivesse eu ia me juntar a criançada ali, abraçar e cantar junto”
                                                           FALLING IN REVERSE

Filipe, 24 anos
Ponto alto?
“O show foi foda, não faltou nada. Só acho que ele não devia ter descido, porque acho que o show não iria acabar agora”
Ponto baixo?
“Acho que ele ficou puto, porque foi todo mundo em cima dele. Acho que faltou mais segurança em cima dele, do Ronnie. Todo mundo em cima dele puxando a roupa, o cabelo… sacanagem. Os fãs são loucos pelo ídolo. Ele faz isso em todo canto, mas lá fora tem seguranças protegendo”

Matheus Richard, 20 anos
Ponto alto?
“O que achei mais legal as músicas novas. Foi um bom show. Gostei da última música, quando ele veio aqui na galera. Fui na muvuca, corri atrás dele. Muito bom”
Ponto baixo?
“A parte que eu menos gostei é que eles deixaram de tocar algumas músicas mais antigas. Pena que acabou muito cedo, poderia ter bem mais”

Elmo, 17 anos
“Achei foda pra caralho. Peguei a toalha de uma das bandas, e nem vou lavar ela. Amo as duas bandas são duas das minhas favoritas. O show foi na medida certa, não achei curto”

Tânia, 22 anos
“O show foi incrível genial. A presença de palco do Ronnie… foi tudo lindo, maravilhoso. Amei! Peguei o setlist e estou nervosa até agora. Vou tentar tirar um foto e pegar um autógrafo”

Geovana, 19 anos
“Achei que eles estavam bem mais comunicativos do que o último show, mais conectados com a gente. Em geral foi muito bom. Fui atrás do Ronnie e abracei ele. Foi muito bom”

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setlist

ISSUES

  1. Life of a Nine
  2. Stingray Affliction
  3. Never Lose Your Flames
  4. Princeton Ave
  5. Love Sex Riot
  6. Sad Ghost
  7. King of Amarillo
  8. Mad at Myself

FALLING IN REVERSE

  1. God, If You Are Above…
  2. Sexy Drug
  3. Rolling Stone
  4. Raised By Wolves
  5. Bad Girls Club
  6. I’m Not a Vampire
  7. Alone
  8. Situations (Cover do Escape the Fate)
  9. The Drug In Me Is You
  10. Just Like You
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2 opiniões sobre “RESENHA: A ‘violência intimista’ de Falling in Reverse e Issues”

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