Artigo: A morte do Chester me fez pensar bastante

Por Tábata Sampaio

Enquanto você cresce existem coisas fundamentais que ajudam a formar sua personalidade e também o jeito com o que você lida com seus sentimentos. Quem ouve rock, ou “sabe” que ouve rock, entende que a tristeza e a agressividade no som e nas letras reflete a nossa própria.

Quando eu ouvi Linkin Park pela primeira vez eu era pré adolescente. Você que está lendo agora provavelmente estava na mesma fase. É nesse momento da vida que nós vamos aprendendo quem somos de verdade e partimos em busca da nossa identidade. A arte tem um impacto significativo nesse crescimento, e o Linkin Park foi pra mim uma porta aberta a um novo mundo. Eu descobri que a escuridão que a gente tenta esconder ali no cantinho do armário pode ser reformada, remodelada.

Se você já esperou ficar sozinho em casa pra colocar o som alto e ouvir os gritos do Chester sem sua mãe ficar reclamando, se você já entrou numa roda querendo empurrar a pessoa ao lado não pra machucar alguém, mas pra expulsar esse ódio só os idiotas fazem questão de negar, se você já saiu de um show com a garganta arranhada mas completamente satisfeito, se você já sentiu a música viajar tão forte pelo seu corpo que te fez fechar os punhos até que suas unhas se marcassem a palma da mão… Se você fez tudo isso, você sabe o que o Linkin Park foi pra mim.

“It’s like a whirlwind inside of my head”

Eu não tenho depressão e nunca vou entender o que motivou o Chester a chegar nesse extremo. Eu achava que entendia tudo quando ouvia sua voz e me identificava, mas nem mesmo a arte consegue diminuir esse oceano que separa cada um de nós.

Quando você entra na roda e empurra a pessoa ao lado, e a pessoa ao lado te empurra de volta, vocês estão na verdade lutando contra um monstro invisível que não pode ser derrotado por um só. Então alguém que me ensinou a lutar desiste da batalha, e é como se eu perdesse um pouco a fé na batalha e na vitória.

A perda do Chester pra depressão é muito triste pra mim, uma otimista. Eu tenho certeza que a arte é umas das melhores formas de lidar com os piores sentimentos. É através dela que conseguimos transmitir nossa dor ao outro, dizer que ele não está sozinho. Acreditar na solidão é a perda da esperança.

Se existe alguma lição no triste fim de um artista tão amado, é a de que amor e compreensão nunca são demais, não só com as pessoas próximas, mas com cada ser que cruza nosso caminho. A gente não sabe da batalha de cada um, e ser gentil pode ao menos ajudar a aliviar o cansaço da guerra.


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