Notas

Resenha: Tim Bernardes @ Theatro Net

Por Natalia Salvador

Recomeçar foi um dos discos brasileiros mais comentados em 2017. O lançamento de Tim Bernardes, fora da banda O Terno, foi muito esperado e superou às expectativas do público e da crítica. Os shows de lançamento têm sido feitos de maneira mais leve e tranquila, por isso, cada capital por onde Tim passa aguarda ansiosa pela oportunidade de desfrutar deste espetáculo ao vivo. O Canal RIFF não poderia perder a oportunidade de estar presente neste dia tão especial e, de quebra, ainda batemos um papo com o multi-instrumentista. Confira!  

Tim Bernardes @ 2018

O cenário simples e minimalista nos fazia sentir como se estivéssemos dentro de um quarto com Tim. Era o momento dele nos mostrar seu íntimo, da maneira mais verdadeira que poderia. Em entrevista exclusiva, o cantor contou como foi lançar um trabalho solo. “Foi um processo completamente diferente dos discos que eu já tinha feito com O Terno. Eu sempre fui 100% focado na banda e, vira e mexe, compunha uma canção que tinha uma pegada bem mais pessoal”, explicou. O paulista ainda disse que escolheu músicas que, de alguma forma, tinham a ver com a temática de estar sozinho, de ver uma estrutura ruir – seja por uma mudança, um relacionamento, etc -, e o silêncio. “O disco é o meio do caminho, o limbo até, de fato, algo recomeçar. O tempo que eu guardei essas músicas eu não tinha nem coragem de mostrar para as pessoas, deixava elas guardadas e de tempo em tempo eu ouvia e continuava gostando delas”, concluiu.

Se as gravações já são emocionantes, ao vivo a coisa fica ainda mais bonita! Acompanhado de um piano e duas guitarras, onde se divide a cada música, Tim apresentou músicas do álbum solo, suas composições com O Terno, além de versões de canções de outros artistas. No meio de lindas performances de Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Black Sabbath, Belchior, entre outros, o grande destaque da noite ficou por conta de Soluços, música de Jards Macalé. Entre as canções da banda, Volta e Melhor Do Que Parece, presentes no último disco, não ficaram de fora do set list. Além disso, a iluminação baixa também te transporta para o universo de Tim.

Tim Bernardes @ 2018

O público cantava mais tímido a maioria das músicas, pareciam estar ali apenas observando e absorvendo o que o multi-instrumentista havia preparado. “Eu to bem feliz! Eu sabia que estava fazendo um disco e que eu achava as canções bonitas, estava caprichando e que seria algo que eu, como ouvinte, gostaria de ouvir. Mas eu não tinha certeza do quanto eu queria lançar e expor ele num primeiro momento, que eu ainda estava tímido. No meio do processo, que eu vi ele tomando força e virando uma grande coisa assumi a ideia de lançar mesmo, fazer clipe, divulgação e chegar no máximo de pessoas possível. Até agora é o disco que eu mais consegui me realizar musicalmente”, confessou.

Dentre as músicas de Recomeçar, a que mais se destaca é Não. Ao vivo isso não seria diferente. Além dela, Tanto Faz, Quis Mudar, Talvez, Ela Não Vai Mais Voltar, As Histórias do Cinema, e Ela, não ficaram de fora do set list – e nem poderiam. A verdade é que, conforme o show vai avançando, mais a gente quer ouvir. É como se fosse aquele grupinho de amigos tocando na sala em mais uma reunião entre vocês, você só quer ficar ali curtindo aquele momento por um tempinho. Mas uma hora, infelizmente, chega ao fim.

Tim Bernardes @ 2018

Mas se engana quem pensou que Tim deu um tempo. Além de seguir apresentando Recomeçar pelo Brasil afora, o cantor tem importantes encontros marcados com O Terno. A banda se apresenta no segundo dia do Lollapalooza Brasil e os meninos estão animados. “Eu acho que vai ser legal, vão pessoas do Brasil inteiro. To com essa sensação de que vai ser o maior encontro mundial de fãs d’O Terno até então”, contou sorrindo. E as surpresas não param por ai, Tim contou ao Canal RIFF que eles estão com um novo show, renovado, e querem curtir esse momento. Mas, também estão ensaiando coisas novas e parece que vem novidade por ai! Então fica ligado no Tim Bernardes, na banda O Terno e não da mole de perder.

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TOP 10: OS MELHORES SHOWS DE 2017

Por Natalia Salvador

Quando você ama assistir shows e, finalmente, mora em um lugar que te oferece diferentes opções todo fim de semana é uma baita realização. Em 2017 eu tive a oportunidade de cobrir e curtir por lazer diferentes espetáculos, nada mais justo que relembrar aqueles que marcaram o ano, pelo menos para mim (e que a gente já fica doido pra ver de novo). Prometo não me estender muito, então vem conhecer meu TOP 10 de melhores shows de 2017!

  1. FRESNO + VITAL

O Imperator, por si só, já tem uma energia completamente diferente de todas as outras casas de show do Rio de Janeiro. Toda vez que eu piso lá a sensação de que algo grandioso está para acontecer. E foi exatamente isso que presenciei neste culto sold out. Além de tudo que envolvia o show da Fresno – comemoração dos 18 anos e minha primeira vez vendo eles como headliners -, uma das coisas que mais me chamou atenção foi o quanto o público acolheu e abraçou a banda de abertura, a Vital.

Fresno@2017 por Natalia Salvador
  1. MENORES ATOS + ODRADEK + AVEC

A primeira vez de um ser humano num show da Menores Atos é pra nunca mais esquecer. Acho que posso dispensar apresentações, o trio faz a platéia se emocionar, chorar e cantar o mais alto que pode. O show no Estúdio Aldeia marcou o encerramento da turnê do Animalia e a banda está trabalhando em um novo CD. Nesta noite de inéditos, para mim, também tive a grande chance de conhecer a banda Odradek. Um instrumental pesado e envolvente.

  1. MEDULLA + HOVER + NVRA

O CD Deus e o átomo foi um dos grandes elogiados de 2016, nada melhor que começar 2017 com um showzão desses, não é mesmo? O diferencial de ver shows no Estúdio Aldeia é a vibe intimista do lugar e a proximidade que você consegue ter dos artistas. A entrega dos irmãos Raony e Keops envolve e empolga o público. Além deles, a Hover, que também tem um show completinho e cheio de energia somou para a noite ser incrível. Cada apresentação deles na cidade é uma emoção diferente, coisa de casa mesmo.  

  1. R.SIGMA + COMODORO

Sim, eu só conheci R.Sigma em 2017 – que bom que os dias de glória chegam para todos. No único show que a banda realizou no Rio de Janeiro a maioria do público estava matando as saudades depois de quase 6 anos em hiato. Acho que foi esse cenário que tornou tudo tão especial. Na abertura, a Comodoro tomou conta do palco e colocou os poucos presentes para dançar – e acompanhar toda a malemolência de Fred Rocha, vocalista. Quando R.Sigma entrou no palco a casa já estava cheia e o coro permaneceu por todo o show. Além disso, Tomás Tróia que viriam novidades por ai. Durante o semestre, a banda lançou uma música inédita, fez outros shows e seguimos acompanhando os próximos passos – ATENTOS!   

  1. HANSON

Vocês tem uma lembrança clara dos primeiros contatos com algo que gostem muito? Minha primeira grande lembrança com a música foi com esse trio de irmãos americanos. Eu era muito novinha e ganhei o cd de estréia deles – conto essa história completinha na resenha desse show. 20 anos depois, tive a chance de ver um show comemorativo que contemplou diferentes fases de Zac, Taylor e Isaac – primeiro grande amor de muitas. Foi uma noite nostálgica e de muito amor, é estranhamente incrível quando você consegue perceber a troca fácil e respeitosa entre os músicos no palco. Uma noite família, literalmente.

  1. CASTELLO BRANCO

Não sei vocês, mas uma das coisas que mais me chama atenção em shows é a performance dos vocalistas. Depois de assistir ao show do R.Sigma, fui em busca de mais informações sobre Lucas Castello Branco e me deparei com um projeto incrível. Meses depois lá estava eu impactada com a leveza e ternura, muito diferentes da energia apresentada na frente da banda, do lançamento de Sintoma. O show solo do Castello é aquela saída perfeita com carinha de domingo tranquilo, que é pra começar a semana com o maior sorriso no rosto!

Castello Branco@2017 por Natalia Salvador
  1. BRAZA

Qual banda que tem 2 anos de estrada, 2 discos lançados e entrega ao público 2 horas de show? Danilo, Nicolas e Vitor fazem um verdadeiro espetáculo em cima do palco. A energia deles é anestesiante, do início ao fim. A galera, canta, dança e se entrega. Ver os 3 fazendo música juntos ainda contribui para aquele falso consolo da saudade que os fãs sentem do Forfun. Os caras fizeram história e agora estão escrevendo uma nova. Ciclos.  

  1. ALASKA (Rio novo Rock + Despedida em Petrópolis)

Se trazer dois shows da mesma banda para um TOP 10 é errado, eu não quero estar certa. Em 2017 a Alaska teve dois grandes momentos no Rio de Janeiro. Uma das primeiras edições do Rio Novo Rock do ano contou com a partição dos paulistas e os cariocas da Two Places At Once. Como comentado anteriormente, o Imperator é um senhor palco e a noite não poderia ser outra coisa se não memorável, com direito a setlist especial e invasão de palco.

Mas a festa ficou linda mesmo na despedida do Onda, que aconteceu em Petrópolis. Eu não sei o que acontece, mas os shows da Alaska na Cidade Imperial tem uma emoção diferente. É claro que os petropolitanos não iam deixar esta ser uma despedida normal. O público, fiel, cantava tão alto que muitas vezes roubava o lugar dos músicos. Uma das características mais marcantes dos shows da banda, é a troca entre os músicos, seja nos sorrisos, carinhos ou nos finos que um tira do instrumento do outro. É uma experiência de entrega diferente de tudo que eu já vi.

Alaska@2017 por Natalia Salvador
  1. SCRACHO

Você provavelmente está se perguntando que ano é hoje ou porque raios Scracho está no segundo lugar dessa lista. Pois bem, no último mês do ano – famoso 45 minutos do segundo tempo – eu, sem dúvidas, presenciei a maior festa do ano! Celebrando 10 anos de lançamento do primeiro cd, A Grande Bola Azul, Dedé, Diego e Caio reuniram grandes amigos e lendas do underground carioca para um show de lavar a alma e fazer os jovens adolescentes de 10 anos atrás muito felizes. Foram 2 horas de nostalgia, entrega e gargantas arranhando no dia seguinte, em um Circo Voador abarrotado.  

  1. AURORA

Aurora é a prova viva de que fadas existem. Eu já pensava sobre isso assistindo alguns vídeos internet afora, mas depois que tive a oportunidade de ver a jovenzinha norueguesa de apenas 21 anos emocionar os públicos por todas as cidades brasileiras que passou, eu pude ter certeza. Sabe quando você sente a energia passando pelo corpo, os pelinhos arrepiando e os olhos se encherem de lágrimas? Foi assim que me senti o show inteiro. Sem grandes estruturas, a inocência, ternura e compaixão que habitam Aurora ficam evidentes em cima do palco. Esta, sem dúvidas, foi melhor experiência musical de 2017!

Aurora@2017 por Natalia Salvador