OPINIÃO: Do lado de fora do muro de Roger Waters

Por Thadeu Wilmer

Como já foi dito, na última terça-feira, dia 29 de setembro, Roger Waters foi às telonas ao redor do mundo com a exibição única da que promete ser a última remontagem de seu aclamado espetáculo The Wall – remontagem esta que possuiu um único objetivo: o de ser desmontada, destrinchada, explorada até seu último tijolo.

Foi a primeira vez que assisti a um filme com um prólogo. Antes da exibição, o ator norte-irlandês Liam Neeson nos contou acerca de sua experiência transformadora com a obra, que lhe caiu como uma luva no violento contexto separatista de seu país à época – afinal, isolamento não é o único dos temas centrais de The Wall, dividindo esse posto com a guerra.

bringtheboysbackhome

Isso fica nítido logo na primeira cena: Roger, no cemitério militar da comuna italiana de Anzio, onde está localizado o monumento a Eric Fletcher Waters, seu pai, tocando no trompete para um campo de lápides o tema de “Outside The Wall“, que compõe o início da primeira faixa da versão de estúdio do álbum, “In The Flesh?“, dá o tom do que estaria por vir ao longo dos próximos intervalos entre as músicas do show.

Do brusco corte ao início de fato da primeira faixa até os agradecimentos finais, a película é recheada de cortes para momentos importantes da vida de Roger Waters, transformando-se ali de mero autor em eu-lírico e contando a história de como derruba, diariamente, seus muros. Da primeira leitura da carta que sua mãe recebeu avisando-a da morte do marido à primeira visita ao túmulo de seu pai e seu avô, os tijolos vão sendo removidos, um a um, quase que num tutorial ou manual de instruções, a fim de dar exemplo a todos que têm muros a serem derrubados.

outsidethewall

Após a exibição do concerto, que se encerra com Roger no mesmo cemitério do início, tocando a mesma música do início, mas num ponto mais específico – o memorial de seu pai -, Roger tenta uma última vez derrubar a muralha mais difícil de sua vida: o Pink Floyd. Sentado na mesa de um bar reservado com Nick Mason, baterista da banda, eles respondem a perguntas enviadas por fãs de diversas partes do mundo, num curto trecho chamado “The Simple Facts”.

Perguntas de diversas naturezas, sobre os mais variados temas permearam essa descontraída conversa, desde o show que havíamos acabado de desfrutar até o turbulento relacionamento de Waters e Gilmour. As respostas, muitas vezes imprecisas ou incompletas – afinal, apesar de não aparentarem, estamos falando de dois jovens rapazes na casa dos setenta -, revelaram um tom bem-humorado e sem mágoas.

thesimplefacts

Apesar de sabermos que nem Roger Waters, nem David Gilmour – que vem ao Brasil em dezembro com a turnê de seu novo álbum, “Rattle That Lock” – estão interessados em cruzar a fronteira, é bom saber que, ao menos aparentemente, esse muro – construído com a fama, o sucesso e o dinheiro de um mal-praticado Dark Side of the Moon – não mais segrega de rancor duas das mentes mais privilegiadas da arte.

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ESPECIAL: Camisas, molhos, cervejas, caixões e vibradores – As alternativas para diversificar os produtos das bandas!

Por Guilherme Schneider I @Jedyte

Imagine a cena: você, caro apaixonado por música, acaba de presenciar um show mega maravilhoso. Perante o palco, você viveu uma experiência ao máximo. Aqueles minutos, com aquela banda do coração, foram com uma intensidade tão grande que supriria semanas de marasmo cotidiano. Mas, e logo depois em que as luzes se acendem?

Ainda no calor (literal, pode apostar) de um showzaço vem aquele impulso irracional por consumir a banda –sim,  tudo o que vier pela frente. Fãs cercam as barraquinhas nos pós-show da vida para devorarem todo o possível – e assim montar um estoque de emoções perpetuáveis. Bem, mas, e quando a empolgação termina em uma “olhadinha” apenas nos produtos?

Dance of DaysNenê Altro, do Dance of Days, já publicou livros e zines

Confesso que em diversos shows minha empolgação terminou em uma barraquinha “só” com CDs.

Um absurdo, né? Afinal, a arte de um grupo musical é traduzida ali, em um disquinho com uma dúzia de músicas. Mas, na era do MP3 e Streaming de música uma barraquinha com CDs não me satisfaz.

Posso até comprar, seja para ajudar, fazer minha parte, ou dar ‘uma moral’… Porém dificilmente vou ouvir mais de uma vez – provavelmente vou é converter o CD para MP3… E só.


O Weezer apelou para esse confortável cobertor com mangas

Entra ano, sai ano, e há quem discuta ainda uma “crise” na indústria fonográfica. Sem dúvidas o modelo de negócio mudou – e provavelmente você não consome mídia física (CD, DVD ou Blu-Ray) como consome música digital. A demanda existe, mas as bandas precisam de um pouco mais de ousadia e criatividade.

Bandas, o caminho é diversificar!

Tanto nas independentes, com orçamento contado em moedas de rateio, até os gigantes das gravadoras, chegou sim o tempo de consumir a marca. Sim, a maioria das bandas tem um potencial enorme de transformar as suas letras (e ideais) em produtos.

Ideologicamente chega a ser um pouco feio pensar assim. Mas, garanto que a magia não vai embora só porque os artistas decidiram investir no empréstimo de seus nomes para produtos. Camisas, zines, canecas, calendários, bonecos… Há espaço para todos os bolsos.

Um salve para as bandas que diversificam os merchs pós-show. #webfestvalda #raimundos

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É bem verdade também que foi por uma dessas que o finado Chorão, do Charlie Brown Jr, acertou um socão no olho do Marcelo Camelo, dos Los Hermanos. Ou quando João Gordo, do Ratos de Porão, esculachou o Dado Dolabella na MTV.

Separei algumas bandas que trouxeram soluções criativas (algumas apenas bizarras) na hora de monetizar um pouquinho mais. Lógico que existem trocentas outras ideias legais, então, se souber, por favor coloque nos comentários, pode ser?

Confira a lista, com alguns itens criativos e outros excêntricos:

11 – Álbum de figurinhas do Detonator

Detonator

Detonator, o ex-vocalista do Massacration, lançou no ano passado o ótimo Metal Folclore. No ritmo da Copa do Mundo, o cd trouxe dentro do encarte um álbum de figurinhas. Timing perfeito!

10 – Kit de costura do White Stripes

White Stripes

Os White Stripes são certamente uma das bandas mais criativas na hora de vender produtos. Câmera Holga, vitrolas personalizadas, teremim, kilt… Jack White sempre surpreende de alguma forma. Mesmo que com um singelo kit de agulhas e botões – e pode ser útil!

9 – Livro + álbum do MarmorAlma Celta

Uma solução bem legal para vender CDs foi encontrada pelo rock orquestrado da Marmor. A banda formada pelo baterista Marcelo Moreira lançou no ano passado o livro Alma Celta. Cada faixa do álbum corresponde a um capítulo do livro, o que valoriza (e amplia) a experiência, tanto da leitura, quanto da música.

8 – Banco Imobiliário do Metallica

Metallica Banco Imobliliário

Ao lado de War, Jogo da Vida e Imagem e Ação, Banco Imobiliário deve ser um dos jogos de tabuleiro mais queridos do Brasil. Mas nada supera essa versão especial do Metallica, totalmente adaptada para a a história dos álbuns  da banda de metal.

7 – Molhos do Marky Ramone

Marky Ramone Souce

A ideia de uma banda explorar os cinco sentidos só é de fato possível quando o paladar é contemplado. Pensando nisso, alguns já se arriscaram em molhos e pimentas, como os RaimundosPierce The Veil, Gwar ou Bring me The Horizon. Mas, ninguém mandou tão bem como o baterista Marky Ramones, ex-Ramones , que assina uma linha de molho de tomate e outra de pimenta.

6 – Tarô do Neck Deep

tarot

O pop punk galês do Neck Deep proporcionou um inusitado baralho de tarô no álbum Wishful Thinking. As ilustrações seguem o estilo mais tradicional – só que com os membros da banda, claro.

5 – Bonecos!

Beatles Toys

Figure toys, plush, bonecos… chame como for. Desde os modelos cabeçudos de vinil da Funko Pop, aos detalhadíssimos da McFarlane Toys… eles certamente ficam bem na estante de qualquer fã – como essa linha Yellow Submarine dos Beatles.

4 – Esse tênis com a cara do Noel Gallagher

oasis shoe

O eterno Oasis Noel Gallagher teve o seu rosto estampado em uma limitadíssima coleção de tênis da Adidas: apenas 120 pares.

3 – Cervejas!

Cervejas de bandas

Tem sido um clichê interessantíssimo das bandas. Várias já lançaram as suas versões etílicas, tanto aqui no Brasil quanto lá fora. Por exemplo, Matanza, Angra ou Velhas Virgens viraram cervejas aqui. Enquanto AC/DC, Iron Maiden ou Pearl Jam… nada mal, né?

2 – O caixão do Kiss

Kiss Caixão

Só para quem leva MUITO a sério o estilo de vida da ‘Kiss Army’. Os fãs do Kiss podem encomendar um caixão (dois modelos na verdade, até autografados) para um sepultamento memorável – ao menos para os que presenciarem vivos.

1 – Vibradores de Ranmstein, Ghost BC e Motörhead

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Dificilmente a linha de brinquedos eróticos das bandas pode ser mais bizarra. O Motörhead (rei do merchan) ganhou destaque recentemente, mas não chega nem perto aos modelos do Ghost e Ranmstein: um vem embalado em uma bíblia, outro em uma caixa com seis membros. Extrassensorial ao extremo…


E você, tem alguma sugestão? Comente!

RESENHA: O pior show de todos os tempos

Por Guilherme Schneider I @Jedyte I Fotos IHateFlash

Em 2011 tive a oportunidade de assistir ao show do Slipknot no Rock in Rio, em uma apresentação que foi praticamente uma unanimidade. Irretocável, explosivo, empolgante… aquela foi uma noite com muitos adjetivos e sabor de “quero mais”.

Para alegria dos muitos que estiveram lá quatro anos atrás, a banda norte-americana foi anunciada para o line up de 2015. Dessa vez não como abertura do Metallica, e sim como o headliner da última sexta-feira (25). Comprei o ingresso logo no primeiro dia de vendas – doido para repetir a adrenalina de antes.

Mas, nem sempre as coisas saem como o planejado.

A noite rendeu shows bem interessantes, como Nightwish, Steve Vai, Mastodon e Faith no More. Porém, era claro que a maioria ali queria ver os mascarados de Iowa. Além dos sucessos antigos, a banda lançou no final do ano passado o ótimo .5: The Gray Chapter.

Como esperado, a abertura já foi matadora. Estava ali, no olho do furacão, na borda da maior roda possível do lado direito do palco. Há alguns metros de Corey Taylor & Cia. A sequência inicial foi XIX, Sarcastrophe, The Heretic Anthem, Psychosocial e The Devil in I.

Linda, né? E foi assim que acabou o show – pelo menos para mim.

Corey‘Me fudi!’, pensei na hora. E não é que foi isso mesmo?

Foi ali que percebi ter entrado para as estatísticas com mais um furtado em um festival. E, se você já perdeu o seu celular ou carteira (o meu caso) assim, tenho certeza que entende do que estou falando. É frustrante, desesperador, e, principalmente, revoltante.

Na verdade essa não é uma resenha sobre Slipknot, caro leitor do Canal RIFF. Essa é uma resenha sobre o ato de resenhar shows.

O curso de Jornalismo no qual me formei ensinou a tirar o “eu” de um texto. Imparcialidade, intenção… ok. As emoções humanas ajudam a separar teoria e prática. Não havia uma disciplina para analisar shows – apenas filmes, o que de fato foi bem legal.

Mas tem horas que não é possível tirar o tom pessoal. E aí que está a dificuldade do tal “moço das resenhas”. Seria profissionalismo apagar uma dor de cabeça dessas e fingir que nada aconteceu? Tudo em troca de alguns chavões como “grande performance” ou “banda em grande fase”?

SlipNesse momento alguém foi furtado também, ó lá!

A verdade é que o pior show possível é aquele em que algo dá muito errado para você. É, você mesmo. Pouco adianta um setlist perfeito, pirotécnica e malabarismos se você (um pontinho na multidão) não entrou no clima – e a culpa não é da banda.

Seja torcer um pé, passar mal, tomar um toco daquela pessoa que você estava de olho, ser furtado… difícil sublimar tudo isso, não? Tudo vai por água abaixo. E a verdade também é que não há muita diferença entre quem está lá “só” assistindo, ou quem está resenhando.

Difícil contar uma história sobre o que acontece em um palco e plateia quando você vira o seu próprio personagem – infelizmente.

Talvez eu tivesse percebido a ausência da carteira no finalzinho do show… ao menos teria me divertido. O que fiz foi ignorar aquele caos lindo, procurando algo no meio do lixo que é o chão de um festival. Até achei um BlackBerry genérico – que devolvi no lotadíssimo ‘Achados e Perdidos’, claro.

Tanto no posto de atendimento da Polícia Civil, onde fiz o BO, quanto no posto do evento, onde preenchi um formulário, dezenas de pessoas tiveram histórias parecidas. Provavelmente você conhece alguém que também já voltou para casa dizendo que “foi o pior show” por conta disso.

É uma merda mesmo, mas sem choro. Ficam as lições (mesmo depois de trocentos shows nessa vida).

Em tempo: chegando em casa assisti ao Slipknot no Rock in Rio. Claro que foi lindo, a banda está cada vez melhor, e com certeza é uma das bandas mais interessantes do rock das últimas décadas. Mas, para (e por) meu azar, esse foi o pior show de todos os tempos.

E qual o seu?

RESENHA: A redenção (sem spoilers) do System of a Down

Por Gustavo Chagas I @gustavochagas I Fotos IHateFlash

Eu odeio spoiler. Odeio muito. Sou daqueles que se isolam do mundo quando eu não assisto Game of Thrones no domingo a noite. Sou assim com série, filme, luta e principalmente com setlist. Quando sou muito fã da banda, fujo deles com afinco.

Antes de sair de uma gravação no dia 24, um cara que trabalha comigo disse: “Ae, saiu o setlist do System! Quer saber?!”. Eu disse um sonoro “não” e sai da sala. Dois passos depois eu parei, voltei e perguntei: “Cara, só me diz se eles vão tocar I-E-A-I-AI-O. So isso que eu quero saber”. E a resposta também foi um sonoro “não”.

SOAD

Sou fã de System of a Down há muito, muito tempo. Quando fui vê-los em 2011, eu tava muito, muito ansioso. Muito. Mas, não sei se foi por causa da minha localização na Cidade do Rock, mas eu não conseguia ouvi-los. Tava tão baixo que, ou eu cantava, ou eu tentava ouvir. Tentei chegar mais pra frente, pro lado, pro outro e nada. Fiquei tão decepcionado com o show, que só consegui voltar a ouvir System quando eles foram anunciados pro Rock in Rio.

Quase não fui desta vez. Medo de ser horrível de novo. Mas comprei e fui. Foda-se.

Dessa vez eu não dei mole e sai emburacando la pra frente. Fiquei em frente a uma caixa de som. Começa o show do Queens. Som alto. Check. E lá fiquei.

Termina o showzaço do Queens. A hora não passa. Luzes se apagam. Vai começar. A banda entra sem cerimônia, e quais são as primeira letras que o guitarrista Daron Malakian emite ao chegar no microfone? I-E-A-I-AI-O!!
PUTA MERDA! MAS ELA NÃO TAVA NO SETLIST!! Ali eu percebi que esse show iria ser diferente.

Tocaram Attack e Know que não entravam em setlists desde 2011! Temper então… NÃO ERA TOCADA HÁ 16 ANOS!! Todos, sem exceção, pareciam se dar conta de que estava, presenciando um momento único e o público parecia estar em transe. Aerials foi cantada pelo coro mais bonito que eu já vi em 4 edições de Rock in Rio que já fui.

System

Soldier Side, Forest, CUBErt, todas as músicas que gosto sendo tocadas! Ao final do show tive que fazer um esforço pra poder lembrar alguma que eu goste muito e que não foi tocada. Só ao chegar em casa que eu lembre de Chic ‘n’ Stu.

Mas pouco importou. Ao fechar o show com a dobradinha Toxicity (que viu o maior mosh pit da história do Rock in Rio ser formado) e Sugar (alguém não pulou essa hora?), o SOAD partiu com a sensação de missão cumprida. Pra mim, pra eles e pros 80 mil presentes.

 Obrigado System. Minha fé no rock agradece.
set
  1. I-E-A-I-A-I-O
  2. Suite-Pee/Attack
  3. Prison Song
  4. Know
  5. Aerials
  6. Soldier Side – Intro
  7. B.Y.O.B.
  8. Soil
  9. Darts
  10. Radio/Video
  11. Hypnotize
  12. Temper
  13. CUBErt
  14. Needles
  15. Deer Dance
  16. Bounce
  17. Suggestions
  18. Psycho
  19. Chop Suey!
  20. Lonely Day
  21. Question!
  22. Lost in Hollywood
  23. Vicinity of Obscenity
  24. Forest
  25. Cigaro
  26. Toxicity (Com a participação de Chino Moreno, do Deftones)
  27. Sugar

RESENHA: A emoção e a destruição do Deftones

Por Ricardo Irie I @Irie_ I Foto IHateFlash

Dia 24 de setembro, primeiro dia da segunda semana de shows em comemoração aos 30 anos de Rock in Rio. Quantos números, não? Números que não conseguem contar a ansiedade dos fãs dos Deftones, quarteto californiano que já não pisavam em terras brasileiras havia cinco anos.

O grupo começou com a direta Diamond Eyes do seu álbum homônimo de 2010, já fazendo o público cantar junto.

Em seguida, Rocket Skates e Be Quiet and Drive (Far Away). Particularmente, tenho uma ligação muito forte com essa música e foi onde as lágrimas caíram. Ao meu lado, outras pessoas estavam emocionadas como eu e todas cantaram junto o refrão.

Ansiedade pro Deftones já.

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Pra manter o clima de emoção e aproveitar a nostalgia das pessoas, My Own Summer (Shove It) que é o primeiro hit mainstream e uma das músicas presentes do que podemos chamar de “golden age of new metal”. Nesse momento, uma roda abriu com a galera indo ao delírio.

Acalmando os ânimos, veio Sextape que é forte demais. Foi uma das músicas que você percebe como o vocalista Chino Moreno é muito competente ao vivo.

Knife Party, do aclamado álbum White Pony veio em seguida fazendo todo mundo pular e cantar o refrão em uníssono!

Tempest e Swerve City do álbum Koi no Yokan fizeram os presentes agitarem bastante quando veio a pedrada na cara com Passenger.

Ao fim de Passenger, veio Change (In the House of Flies). Música famosa por estar na trilha sonora do filme A Rainha dos Condenados. O clima que essa música deixou no ar, foi mágico. Poucas bandas sabem unir peso e atmosfera/ambiência, quanto o Deftones.

Pra encerrar, Engine No.9 e Head Up. Pra se despedir do Brasil, nada melhor do que duas porradarias e rodas enormes na plateia pra banda sentir a vibe dos brasileiros.

O Deftones é uma banda que não precisa ficar muito tempo sem vir para o Brasil. São extremamente competentes e cada vez mais fazem uma legião de fãs novos interessados no som bastante diferenciado deles. Ficamos no aguardo de um novo show por aqui e com um setlist maior!

set

  1. Diamond Eyes
  2. Rocket Skates
  3. Be Quiet and Drive (Far Away)
  4. My Own Summer (Shove It)
  5. Sextape
  6. Knife Prty
  7. Tempest
  8. Swerve City
  9. Passenger
  10. Change (In the House of Flies)
  11. Engine No. 9
  12. Headup

RESENHA: Biquini Cavadão e a democracia do rock

Por Laura Tardin I @FlamingoLaura

Terça feira, 22 de setembro. Pode não parecer, mas em algum lugar do estado do Rio de Janeiro, há uma grande agitação. Pessoas nas ruas, shows gratuitos, celebração. O município de São Gonçalo, segundo maior em população no Rio, completa 125 anos com um dia de desfiles e apresentações.

Desde que comecei a acompanhar o Biquini Cavadão, consigo entender que eles têm uma enorme capilaridade pelo país. Não há local que o Biquini não foi, não irá ou pelo menos não iria. Em sua turnê de 30 anos, “Me Leve sem Destino” – considera-se o ano de 1985 o início das atividades da banda, quando fizeram seu primeiro show pago – eles têm um itinerário de dar inveja aos mochileiros. Oiapoque ao Chuí. Sua próxima apresentação é em Rio Branco, capital do estado do Acre.

Para tanto, São Gonçalo é logo ali. Por que não?

s010Fotos: Laura Tardin

A banda entende, com inteligência e sensibilidade, que cada show é uma nova chance de conquistar outro público, novas pessoas, novos fãs. Há um esforço coletivo de cativar quem quer que esteja na plateia. Acostumados com grandes shows e festivais com outros artistas, o Biquini sabe que, muitas vezes, o público não está ali especialmente para vê-los. Nestas situações, há a tentativa de comunicação com quem está do outro lado do palco.

Esta é uma dessas noites. Os autores de “Tédio”, canção reinventada pelo popular Mr. Catra, se apresentam às 21h em um dia em que o público já viu Claudia Sing, Viny Spindolla e o grupo de pagode Bom Gosto. Quem são esses caras? A escolha de Biquini Cavadão como “headliner” parece óbvia, certo? Talvez não para esse público. O que milhares de gonçalenses esperavam era o hit “Vai Muleke Doido”, o funk mais famoso do mês.

s001

O Biquini não se intimida. Faz um show como todos os outros – ora emocionante, ora alegre, sempre energético. Hits como “Vento Ventania”, “Janaína” e “Dani” demonstram o lado romântico e leve da banda. “Zé Ninguém” e “Livre”, do último disco, são entoadas como hinos necessários no Brasil. “Carta aos Missionários” e “Chove Chuva” empolgam a toda e qualquer pessoa.

“Vocês sabem por que não existe rock universitário? É porque o rock é pós graduado!”

“Vocês sabem por que não existe rock ostentação? É porque o rock nunca vai ser ostentação. O rock é contestação!”

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Bruno Gouveia, vocalista, anima e conversa com a plateia. Com um quê de interpretação e muita ação, ele mantém o público  na ponta dos dedos, brincando com gestos, movimentos e até balizadores de avião. Quanto mais se comunica, mais o público se envolve. É aí que o Biquini pode e ganha mais e mais ouvintes. Em consequência, possíveis fãs. E lá se vão 30 anos.

Há um momento do show em que o guitarrista Carlos Coelho vira o próprio guitar hero e toca diversos riffs de rock das décadas – “Back in Black“, “Seven Nation Army“, “Satisfaction” – e todos, mais uma vez, acompanham a plenos pulmões. Isso me faz pensar como o rock é democrático. Conheço muitas pessoas que não gostam de funk ou que simplesmente se recusam a ouvir uma canção sertaneja. Mas não conheço nenhuma pessoa que desconheça o riff de “Seven Nation Army“, eternizado até pelas torcidas de futebol. Também não conheço nenhum brasileiro que não saiba cantar pelo menos uma das músicas do Biquini Cavadão.

setlist

  1. Tédio
  2. É Dia de Comemorar
  3. No Mundo da Lua
  4. Janaína
  5. Roda Gigante
  6. Livre
  7. Impossível
  8. Múmias
  9. Vou te Levar Comigo
  10. Quando eu te Encontrar
  11. Dani/Uma Brasileira
  12. No Mesmo Lugar
  13. Vento Ventania
  14. Carta aos Missionários
  15. Chove Chuva
  16. Timidez
  17. Guitar Hero (Medley instrumental de Back in Black, Seven Nation Army, Satisfaction e outras)
  18. Zé Ninguém
  19. Tédio ’85

Podcasts do Canal RIFF agora no SoundCloud

Começou na semana passada, mas, caso você ainda não saiba, o Canal RIFF agora também faz podcasts. As gravações são transmitidas ao vivo pelo YouTube, e em seguida disponibilizadas tanto em vídeo quanto em áudio no SoundCloud.

Em princípio são dois programas: o RIFFCAST (bate-papo sobre um tema relacionado a música) e o Caçadores do RIFF Perdido (indicações de bandas pouco conhecidas).

Ouça e saiba o que que você não pode perder no Rock In Rio (No 2º final de semana):

Ou conheça indicações de bandas pouco conhecidas no 1º Caçadores do RIFF Perdido:

O seu canal de música!