Digerindo a morte de Bowie

Por Laura Tardin I Fotos Getty

Às 7:00 dessa segunda, acordei.

David Bowie morreu.

Cacete, Bowie não. Não, por favor, levem outro cara. Me peguei conversando há poucos dias exatamente sobre isso – quem vai morrer e me deixar triste? Depois da morte de Lemmy, nomes vieram à cabeça. Paul, Dylan, Smith, May. Os Stones. Led Zeppelin. Bowie.

Tomada pelo sono, me lamento em silêncio enquanto leio as notícias. Aparentemente não é mentira. Que ruim, me sinto mal por sua família. Apesar dos sentimentos, durmo de novo.

Quando acordo novamente, ponho para escutar Lazarus, clipe lançado do último CD, Blackstar. Aí, eu desabei.

MANCHESTER, ENGLAND - NOVEMBER 17: David Bowie in silhouette performs on the first night of his UK tour at the MEN Arena on November 17, 2003 in Manchester, England. (Photo by Alex Livesey/Getty Images)

Segunda-feira foi um dia estranho. Acho que para todos nós, fãs de rock. Passei o dia entre homenagens, leituras, discos devorados, tristezas. O que há na morte de um artista que nos atinge tanto? Aposto que tanta gente, como eu, sequer chegou a ver um show do Bowie.

Ora, Bowie nos disse muitas coisas durante sua carreira, inclusive que seu fim estava próximo. E estava. Entretanto, acho que daí vem a dor: como dissociar “Bowie” de todos os seus personagens, e  de “David Jones”, inglês, que morreu depois de 1 ano e meio lutando contra o câncer? O artista vira gente de carne e osso? Vive, cria e morre? Como…todo mundo?

Para mim, a morte de um artista sempre tem um quê de sexo dos anjos. É algo que evitamos falar, mistificamos, não sabemos explicar. Não sei porque a morte de David Bowie me faz chorar tanto quanto a morte da minha avó. Talvez o considere parte da família. Afinal, tem fotos dele na minha casa. Escuto sua voz, às vezes, por um dia inteiro. Ele é parte da minha vida, da minha história.

Volto à 2009, quando Michael Jackson morreu. Das mortes que acompanhei nos meus 24 anos de vida, essa foi com certeza a mais dolorosa. Primeiramente, ninguém esperava que, com turnê para começar, ele nos deixaria tão cedo, de uma forma tão estranha quanto sua trajetória pessoal. Foi dramático e, como sempre, tive pena do Michael. Um cara talentoso, mas perdido. Em segundo lugar, sua morte foi tão intensamente explorada pela mídia que a dor parecia multiplicar-se. Cara, jamais vou me esquecer do funeral de Michael Jackson, transmitido ao vivo. Dentro daquele carro funébre que ia pelas ruas de Los Angeles, lá estava Michael Jackson, genial e fraco, em seu último estrelado nesse mundo, para nunca mais voltar. Dias como aquele me fazem agradecer pelo fato de Jim Morrison e Freddie Mercury já estarem mortos quando eu nasci – sinceramente, não sei o que eu faria se visse um dos dois morrerem diante dos meus olhos.

Voltando à Bowie, memórias não paravam de vir. É realmente como perder um amigo, alguém que estava lá. “Lembra aquela vez em que…?” “É, David estava com a gente”. Ainda fiquei o dia todo pensando em meu pai e minha mãe, que mesmo após 11 anos separados, disseram exatamente a mesma coisa: “Agora estou órfão de Lennon e Bowie”. Caramba, um carinha colocou meus pais para pensarem na mesma coisa ao mesmo tempo, e isso é incrível.

Floral tributes are seen beneath a mural of British singer David Bowie, painted by Australian street artist James Cochran, aka Jimmy C, the day after the announcement of Bowie's death, in Brixton, south London, on January 12, 2016. Music legend David Bowie was famously private during his lifetime -- and in death, as a string of questions about the circumstances of his passing remained unanswered. His official social media accounts had announced the shock news of his death at 69 on January 11, 2016: "David Bowie died peacefully today surrounded by his family after a courageous 18-month battle with cancer," adding a request for privacy for the grieving family. / AFP / LEON NEAL (Photo credit should read LEON NEAL/AFP/Getty Images)

Os dias se passam e ondas maiores me atingem. Sou atingida pela morte de Bowie porque meus pais estão envelhecendo e penso que, um dia, eles vão partir. Podem parecer eternos como Ziggy Stardust, mas são efêmeros como papel. Se David se foi aos 69, talvez não reste muito tempo para meus pais, que viveram simultaneamente a ele. Sonhei que recebia a notícia de que meu pai tinha morrido e, ao acordar, pensei sobre como a morte de alguém que eu nunca conheci me afeta em questões profundas. Como meu pai diz, nunca sabemos como vai reagir.

Também tenho arrependimentos bobos, tipo, “por que diabos eu fiquei ouvindo o CD do Justin Bieber quando David Bowie estava em sua última semana na Terra?”. Revejo tudo o que estou fazendo, como se tivesse uma segunda chance de ligar para alguém. É assim que me sinto ao ver “Lazarus” – com um sentimento de pena, perda, ausência. Como se eu pudesse pegar na mão de Bowie enquanto ele está deitado e estar dançando com ele no segundo seguinte. Ou pedir para ele ficar antes que ele entre naquela porta.

Estou arrasada. Já declarei que essa é uma semana perdida, triste, pesada.

David, vá em paz, espero que você realmente esteja no paraíso com tantos amigos que já se foram. Ou em Marte, como preferir. Amamos você para sempre.

Todos os vencedores do Prêmio RIFF de Música 2015

No último dia 21 de dezembro o Canal RIFF orgulhosamente apresentou a sua primeira premiação oficial: o Prêmio RIFF de Música 2015. Ao todo foram 13 categorias eleitas através de voto popular.

O grande vencedor de 2015 foi a banda Versalle, finalista do programa SuperStar da Rede Globo (vencedora do infame Glande de Ouro). A Versalle levou nada menos do que o Álbum do ano (Distante Em Algum Lugar), Música do ano (Marte) e Banda/Artista nacional.

Florence and The Machine faturou Banda/Artista internacional. O melhor show internacional foi para o System of a Down, pelo showzaço do Rock in Rio. Já o CPM 22 levou o melhor show brasileiro, justamente pelo apresentado no mesmo festival. Por sinal o Rock in Rio levou o prêmio de melhor line-up.

A revelação do ano foi a banda de rock Mr Catra e os Templários. O clipe de Histeria, do Scalene, foi eleito pelos fãs o melhor de 2015. A viajada capa de Currents, do Tame Impala, ganhou com a melhor do ano. E a mídia de música que mais se destacou em 2015 foi o canal Minuto Indie. O melhor riff de guitarra foi para Don’t wanna fight do Alabama Shakes.

Ah, e o próprio Canal RIFF quis saber qual quadro que mais agradou no ano. O finado Comentando SuperStar foi o grande vencedor (ele não está mais no YouTube, mas pode ser revisto no Facebook do RIFF).

Confira a lista COMPLETA dos resultados e até dezembro de 2016!

  • Banda/Artista do Ano – Internacional

Florence and The Machine

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Foto: Tom Beard/Toast Press
  • Banda/Artista do Ano – Nacional

Versalle

Foto: Divulgação/Facebook da Versalle
Foto: Divulgação/Facebook da Versalle
  • Melhor Clipe

Histeria (Scalene)

  • Melhor Show – Internacional 

System of a Down

  • Melhor Show – Nacional 

CPM 22

  • Revelação 2015 

 Mr Catra e Os Templários

  • Melhor capa de álbum 

Currents (Tame Impala)

Currents

  • Melhor riff de guitarra do ano

Don’t wanna fight (Alabama Shakes)

  • Melhor quadro do Canal RIFF 

Comentando SuperStar

  • Melhor line-up de Festival 

Rock in Rio

Foto por Ariel Martini / I Hate Flash
Foto: Ariel Martini / I Hate Flash
  • Mídia de Música 

Minuto Indie

minuto indie

  • Música do Ano 

Marte (Versalle)

  • Álbum do ano 

Distante Em Algum Lugar (Versalle)

PLAYLIST: Natal do Rock

As músicas de natal podem ser muito mais do que Simone e velhos jingles. O Canal RIFF selecionou algumas músicas relevantes do rock nacional e internacional que falam sobre natal.

Gostando ou não da data vale a pena ouvir com carinho. De Issues a Queen. De Rise Against a Raimundos. De Marli a My Chemical Romance… um feliz natal para todos!

Ps: Dê esse presente de natal e siga a gente lá no Spotify também! ;)

RESENHA: Planet Hemp, definitivamente de volta à praça

Por Guilherme Schneider | @Jedyte | Fotos/Vídeo: Gustavo Chagas

Quem viveu os anos 90 não passou impune ao som do Planet Hemp. Apenas uma década após o fim da ditadura no Brasil o Planet estreou enfiando o pé na porta, ao lançar Usuário, um dos álbuns mais importantes da história do rock nacional. Agora, no apagar das luzes de 2015, a banda comandada por Marcelo D2 e BNegão está oficialmente de volta.

No último sábado (19/12) o Canal RIFF esteve presente na Fundição Progresso para acompanhar o show do Planet Hemp. Por duas noites seguidas eles conseguiram o “sold out” e super lotararam a casa de shows na Lapa, que poucas vezes esteve tão quente (literalmente!).

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Em um intervalo de cinco anos eles lançaram toda a sua discografia de estúdio: Usuário (1995), Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára (1997), e A Invasão do Sagaz Homem Fumaça (2000). Um ano após o último álbum o grupo se separou. Mas o público não se esqueceu deles.

Agora, depois longo hiatus e algumas reuniões, o Planet Hemp está pronto para mais. “O que posso dizer é que não é mais uma reunião, é uma volta. Queremos fazer shows todos os anos”, garantiu D2 em entrevista recente ao jornal O Globo.

Pouco antes do abrir das cortinas D2 surpreendeu ao interromper o set do DJ Wilson Power, fera das noites de rock cariocas. D2 quis apresentar o DJ, um ato raro e que demonstrou uma humildade muito legal. O vocalista pediu uma noite de paz, disse que a banda estava emocionada nos camarins, e prometeu uma noite inesquecível – dito e feito.

Stab! #planethemp

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Depois de buscar a “batida perfeita” de tudo quanto é jeito, D2 parece ter redescoberto o som incrível que o Planet fazia. A mistura de rap e hardcore foi definida como Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga – uma das muitas músicas bem recebidas na Fundição. Difícil definir ou reduzir. Um caldeirão sonoro bem cozinhado especialmente pelo excelente baixista Formigão.

Poucas vezes vi uma roda tão grande quanto a que se formou no show do Planet. Fiel, o público estava ensandecido, pulando e cantando boa parte do repertório. Os clássicos Não Compre, Plante! Legalize Já, Dig Dig Dig (tocada duas vezes), 100% Hardcore, Quem Tem Seda?, Zerovinteum, Porcos Fardados… e especialmente Mantenha o Respeito, com aquele refrão digno de uma  Smells Like Teen Spirit nacional.

A presente temática em favor da legalização da maconha já levou os integrantes para a cadeia no passado. Aquela contestação, vista como apologia, deu muita visibilidade a bandeira levantada pelo Planet.

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Mas, engana-se quem pensa que o Planet Hemp seja monotemático. Por trás das frequentes menções à maconha (e ao próprio nome da banda), há um discurso político forte. Com projeções bem pensadas, o show foi também visual, provocando com mensagens contra a política do país. E retratam como poucos a realidade das ruas do Rio de Janeiro – “a cidade desespero”, que não mudou muito nos últimos 20 anos.

O retorno às origens também foi marcado por um clima família, com presença de convidados como Serial Killer e Marcelo Yuka – que foi ovacionado após discurso energético pautado no “Fora Cunha”. Ah, e presente também esteve a memória do finado Chico Science, na ótima releitura de  Samba Makossa.

A mensagem política do Planet Hemp vai permanecer atual por muito tempo – salve qualquer mudança na legislação brasileira. Sem papas na língua, e sem auto censura, o Planet de hoje é o mesmo que causou um impacto poucas vezes visto no rock brasileiro. Bem vinda de volta, esquadrilha da fumaça!

RESENHA: Him estreia no Rio e vê as fãs se “igualarem” ao ídolo

Por Guilherme Schneider | @Jedyte | Fotos/Vídeo: Daniel Croce

Quantos amores e desamores as músicas de uma banda podem carregar? Um monte, claro. Mas, dentro do metal, poucas traduzem tanto sentimentos como Him. Os criadores do love metal finalmente encontraram os fãs cariocas na última quinta-feira, dia 10.

O Circo Voador não lotou, mas encheu de fãs ansiosos para ver um cara: o finlandês Ville Valo, que completou recentemente 39 anos. Valo é quem atrai gritos eufóricos de mulheres (e homens) durante o show inteiro, a cada gesto ou  sorriso. Queria ou não ele é o Him.

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A expectativa por esse show era enorme, já que a banda nunca havia pisado em um palco carioca – apesar de já ter vindo ao Brasil anteriormente. E não poderiam ter escolhido lugar melhor, já que a proximidade dos fãs com o palco do Circo é ímpar. Porém, poucas vezes vi o som da casa tão ruim.

Não sei qual foi o motivo, mas após o show muita gente reclamou do volume. Inclusive Ville Valo se mostrou bastante incomodado durante o show, pedindo frequentemente para aumentar o seu retorno. Bom, isso foi o bastante para atrapalhar uma noite tão aguardada? Em parte sim, já que o vocal de Him merece ser ouvido com uma clareza que faltou.

Mas, os problemas de áudio abriram caminho para um espetáculo paralelo – e que surpreendeu a banda toda. Sedentos, os fãs cantaram o show todo, e, por vezes, superaram o som da banda. Os momentos mais emocionantes foram justamente aqueles em que  os fãs regeram o Him.

Os sucessos Join Me in Death, Right Here in My Arms e The Funeral of Hearts fizeram os fãs cantarem com todo o coração (ou melhor, heartagram). São tantos e tantos “hinos de fossa” que o romantismo extremista do Him precisou caprichar no setlist, revisitando boa parte da carreira de 24 anos.

Hoje teve #Him no Circo Voador é foi muito foda!!

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Já assimilados na carreira do Him, os covers Wicked Game (de Chris Isaak) e Rebel Yell (do Billy Idol), também foram muito bem recebidos. Destaque para a jam durante Wicked Game, com um trecho de Sabbath Bloody Sabbath, do Black Sabbath.

Valo sorria toda vida, satisfeito com a calorosa recepção. Durante o show ganhou (pelo menos) dois soutiens de fãs mais provocadoras. E ele devolveu a provocação com requintes de crueldade: segurou uma toalha branca durante o show todo, e, ao invés de jogar para a plateia, preferiu deixá-la no chão do palco. Maldade, né?

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O mais legal foi ver a superação da banda, que atropelou qualquer problema técnico para fechar uma noite memorável. Os cinco nórdicos se desdobraram com talento. Vale o destaque para o baterista Jukka Kröger, que se mostra seguro em sua primeira turnê com a banda. Que não demorem para retornar ao Brasil!

setlist

HIM Setlist Circo Voador, Rio de Janeiro, Brazil 2015

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