Todo mundo deveria ouvir o novo disco da Alaska, “Ninguém Vai Me Ouvir”

Por Felipe Ernani

Foto destaque por Stefano Loscalzo

Mudança de direção, quebra de paradigmas, reinvenção sonora… Quantas vezes não ouvimos esses termos quando se fala de um novo lançamento de uma banda? Mudar, de certa forma, virou clichê. Até porque é natural a expectativa de algum tipo de evolução, ainda que algumas bandas sejam levadas à frente pela inércia de lançamentos que consolidam uma carreira. Mais do que isso, na verdade, as mudanças foram se tornando previsíveis — assim como a ausência destas também, em alguns contextos.

Não foi nada disso que a banda paulistana Alaska fez com o seu novo disco, Ninguém Vai Me Ouvir, lançado ontem (31/08/2018) pelo selo Sagitta Records. O disco mostra, sim, tudo que foi citado ali em cima: uma quebra de paradigma, um rompimento com a sonoridade e atitude mais rock que o primeiro trabalho da banda (Onda, de 2015) propunha, uma adequação às tendências do mercado musical, etc.. No entanto, a grande importância desse trabalho é a sensibilidade instrumental e, principalmente, lírica.

Alaska é um quinteto formado por (da esquerda para a direita): Vitor Dechem (teclado, guitarra e voz), André Ribeiro (voz, guitarra e sintetizadores), Wallace Schmidt (baixo), Nicolas Csiky (bateria) e André Raeder (guitarra). (Foto: Stefano Loscalzo)

Quando as composições do disco começaram, a banda criou um espaço na plataforma Curious Cat para que fãs, amigos e pessoas em geral pudessem compartilhar histórias emocionalmente carregadas de forma anônima (ou não) que, em conjunto com as próprias cargas emocionais dos integrantes, formaram as inspirações da temática do disco: um grande manifesto sobre as frustrações das rotinas exaustivas, dos prazeres ditados (e ao mesmo tempo minados) pelas redes sociais, da eterna busca por uma resposta que parece estar em todo lugar mas ao mesmo tempo não está em nenhum.

Assim, paradoxalmente, o single inicial NVMO, lançado bem antes do disco, fala de forma bem crua e direta: “Tanta gente aqui / Mas se eu gritar ninguém vai me ouvir”. O instrumental (não só dessa música como do disco inteiro) muito mais focado nos sintetizadores, nos aparatos eletrônicos e na ambientação para as letras densas e os vocais cheios de efeitos reforça constantemente esse sentimento de estarmos perdidos no mundo, em meio a relações vazias, obrigações e regras sociais e profissionais ditadas por uma força cada vez mais invisível e difícil de se desgarrar.

Ao mesmo tempo, o disco deixa muito clara a relação de amizade entre os membros da banda e toda a equipe que trabalhou na confecção do disco, como se fossem justamente essas relações de proximidade e parceria quase incondicional a solução para toda essa confusão que nos permeia atualmente. Aliás, tamanha sensibilidade só é perceptível graças à produção impecável de Gabriel Olivieri, à mixagem fantástica de João Milliet e ao trabalho sensacional de Guilherme Garofalo tanto no projeto gráfico do disco quanto nos clipes lançados até agora.

Alaska — Ninguém Vai Me Ouvir (Projeto gráfico: Guilherme Garofalo)

É bastante difícil enumerar os destaques do álbum. Do começo ao fim, sente-se que o trabalho foi feito minuciosamente para que todos os detalhes remetam a sensações específicas, sentimentos outrora esquecidos e sem rebuscamentos desnecessários para camuflar a verdade (muitas vezes dolorosa) da mensagem transmitida. É assim com Tem Que Ver Isso Aí, cuja letra remete a um conflito interno entre o que somos e o que queremos ser. É assim também com Até o Mundo Acabar, talvez a faixa mais delicada do disco justamente pela auto-reflexão de um amor não mais possível. Instrumentalmente, Tudobem” aparece como um dos destaques por ter um refrão que resgata e recontextualiza a sonoridade do disco Onda; além dessa, a dupla O Que Foi Nosso e Infinita Procura / Eterno Desligamento se encaixam perfeitamente e chamam muito a atenção do ouvinte.

A contemporaneidade do trabalho é uma das características mais charmosas, com toda certeza. A crueza, a ousadia e ao mesmo tempo o embelezamento de cada canção demonstra de uma vez por todas que a Alaska veio para se estabelecer com força no cenário nacional sem medo de enfrentar e questionar conceitos pré-estabelecidos. Ninguém Vai Me Ouvir com certeza firma o posicionamento do grupo e se torna, sem dúvidas, um dos fortes candidatos a melhor disco do ano e, ironicamente, deveria ser ouvido por todos que têm algum interesse na nova direção que a música brasileira vai tomando.

Escute Ninguém Vai Me Ouvir, novo álbum da banda Alaska:

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O que mudou no Braza dois anos depois?

Eu fui no primeiro show do Braza no dia 18/06/2016, no Circo Voador. Era o primeiro show pós término de uma das melhores bandas que esse Brasil já teve, então, minha expectativa tava alta. Eu tava tenso. Mas, como deu pra ver no vídeo que fiz depois do show, eu adorei! Alívio!

Dois anos e, dois cds depois, o quarteto volta pro mesmo palco pra lançar o ep “Liquidificador”. Dessa vez, foi só alegria!

Mas antes, PRECISAMOS falar do show de abertura. O rap ta vivendo uma fase de ouro no Brasil, e isso já não é novidade pra ninguém. Morcego mostrou que já é um dos grandes novos nomes do movimento. Ótima presença de palco e, um flow absurdo! O melhor momento do show, foi quando a Rapper Lourena subiu ao palco e, junto com Morcego, cantou uma das candidatíssimas a melhor música do ano, a linda “Seja Forte”.

De volta pro Braza. Já deu pra ver que ninguém tava afim de marasmo naquela noite! Banda empolgada. Galera cantando alto “Liquidificador”, música que abriu o show. “Segue o Baile” e “Selecta” foram as outras músicas da sequência inicial, ou seja, a chance de ter alguém parado/inteiro a essa altura era próxima de zero!

A banda tava muito a vontade e, nitidamente feliz. “Oxalá” e “Pedro Pedreiro” foram os pontos altos do show!

Eles não são reggae, rock, dub, eles soam como o Braza. É muito bonito quando tudo que você é, basta. Tanto eles, quanto o show, são únicos. Eles não se encaixam em categoria nenhuma, eles são uma categoria.

Por isso, tendo a oportunidade de assistir a um show, vá! Só vai! Vai na minha.IMG_8727IMG_8723IMG_8733IMG_8745

Lançamento: Musidora convida para a pista com o clipe de “Vem Dançar Comigo”

Por Alan Bonner (@bonnerzin)

Fotos por Isabelle Andrade

Sextar. Mais que um verbo, um sentimento, um convite. Muita coisa passa pela cabeça quando chega a sexta-feira: o descanso vindouro do fim de semana, o aconchego do lar, a proximidade da família, os rolês, o barzinho com os amigos… e claro, as pistas de dança. Tirar o peso da semana, lavar a alma, se divertir, esquecer dos problemas, tudo isso pode acontecer com o simples fato de dançar. E quem faz o convite hoje é a Musidora e seu clipe para o single “Vem Dançar Comigo”.

A banda, formada por Daniel Keny (vocal e guitarra), Rafael Berti (guitarra)Victor Gama (baixo) e William Nunes (bateria) entrega no single um indie rock (obviamente) dançante, que faz lembrar os tempos mais upbeat de bandas como Arctic Monkeys e Kings of Leon. A faixa traz a participação de Ale Labelle, conhecida pelos trabalhos com as bandas The Monic e Trago, formada por ex-integrantes do NX Zero.

Musidora - Vem Dançar Comigo por Isabelle Andrade 3

Willian ressalta a importância de Ale para o single: “Sempre imaginamos uma voz feminina nessa faixa e a participação da Ale caiu muito bem. Trabalhar com outros músicos é algo que gostamos bastante e, nesse caso, ela trouxe uma leveza e um charme que imaginávamos desde o começo”. Tal leveza é vista também no clipe, protagonizado por Ale, que entrega uma performance elogiável em sua atuação.

Musidora por Isabelle Andrade 6

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Santos apresenta clipe da nova roupagem de “Impar”

Por Alan Bonner (@bonnerzin)

O cantor/compositor/guitarrista/filmaker/editor e multitalentoso carioca Santos integrou uma das coisas mais interessantes lançadas na música independente brasileira neste ano, o primeiro volume da coletânea Afroindie. Nela, Santos lançou uma nova versão da faixa Impar, que consta no seu último disco, Afeto. Chamada de Impar (v2), a versão, que tem uma pegada mais clean, semelhante com a que é apresentada ao vivo, ganhou um clipe gravado, dirigido e editado pelo próprio Santos.

Ímpar entrega ao ouvinte uma crítica sucinta e direta que parece (e de fato é) pessoal, mas que pode ser comum a de muita gente. Fala sobre o egoísmo do mundo consigo e o descaso com o artista que, por sua vez, se cobra e se valoriza em excesso e sofre em dobro com essa falta de retorno e com o desgaste da auto cobrança. Santos vai além e vê que a mensagem pode ser vista em qualquer contexto, e ressalta que “a ideia não é que eu sou aquela pessoa que se auto-descreve, mas que todo mundo quando ouve pode ouvir alguma descrição de algo que faz diariamente”.

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Ficha técnica:

Guitarra e voz: Santos

Bateria: Charles Faria

Gravação de guitarra e bateria: Estúdio Mira/Rodrigo Miguez

Gravação de baixo, mixagem e edição: Nathanne Rodrigues

Filmagem, edição e colorização por Santos

Afroindie: https://afroindie.bandcamp.com

https://www.facebook.com/afroindiecol…

https://www.instagram.com/afro_indie/

Santos: http://santosexperiment.bandcamp.com

http://fb.com/santosexperiment

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http://www.instagram.com/santos_exp/

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Thrice no Brasil: influências e influenciados

É semana de Thrice no Brasil! A icônica banda americana traz seu post-hardcore pela primeira para a América do Sul. Com passagens por Rio de Janeiro (24/08, sexta), São Paulo (25/08, sábado) e Curitiba (26/08, domingo), a banda deve fazer um passeio por seus grandes sucessos ao longo dos 20 anos de carreira, apesar da boa repercussão do último álbum “To Be Nowhere is To Be Everywhere”, lançado em 2016. A banda também tem datas em Buenos Aires (28/08) e Santiago (29/08), completando a gig sul-americana.

Tanto tempo de carreira e tanta importância resultou em influencia para bandas novas e ascendentes do nosso país. Conversamos com membros de algumas delas para entender a importância do Thrice em seus trabalhos, além da expectativa para os shows e as músicas mais esperadas para finalmente serem ouvidas ao vivo.

“A construção das músicas do Thrice são incríveis. A forma que a letra encaixa na melodia e como os versos são escritos é algo lindo de ouvir. Já virei madrugadas com as letras impressas ouvindo e entendendo as referências e sentidos. Acho Daedalus uma aula de composição. Expectativa gigantesca pra ouvir pela primeira vez uma das bandas favoritas ao vivo.”

Alexandre Lekakis – Saturno

“Nossa, eu adoro o Thrice. Musicalmente, é uma grande influência pra mim e eu acho o Dustin um dos melhores vocalistas dessa geração. Curto muito a banda principalmente a partir do Alchemy Index. Gosto demais do Beggars, Major/Minor, TBEITBN e tô bastante ansioso pelo show já há alguns anos. Que bom que finalmente vai rolar. Bem, a gente sabe que são muitas músicas pra tocar, com certeza alguma coisa vai acabar ficando de fora mas se eu pudesse pedir: In Exile, Beggars e Daedalus.”

Cyro Sampaio – menores atos

“O que eu conheço mesmo deles são os discos The Illusion of Safety (2002) e The Artist In The Ambulance (2003) e eu amo como essas músicas são cruas, tocadas e cantadas na flor da pele. Gosto de como algumas delas são super dinâmicas: agressivas, mas depois mais vulneráveis e vão se desenvolvendo alternando entre extremos, com uma urgência muito especial. Acho que a que eu mais gosto é Kill Me Quickly. O nosso som certamente não tem muitas similaridades com o deles, é no geral bem mais calmo e introspectivo. Temos nossos (poucos) momentos pesados até, temos nosso lado mais cru, mas pra mim o mais comparável é esse gosto que temos por composições dinâmicas, que mudam num instante. Não quero ser o cara chato que fica cobrando de bandas que toquem todas as músicas antigas que ele gosta, por mais que eu goste desses discos (e adoraria ver essas músicas ao vivo), admiro como o som deles evoluiu e tô até ouvindo as mais recentes e gostando.”

Luiz Felipe – Contando Bicicletas

“A maior influência do Thrice pra foi ter abrido as portas pra toda a cena do emo/post-hardcore dos anos 2000 que moldou meu gosto musical e muito do meu estilo de tocar. Mas além disso, lembro de ouvir muito rock clássico na época que os conheci e, quando escutei a linha de baixo de Stare at the Sun, aquilo mudou completamente a minha forma de enxergar o instrumento. O show aqui no Brasil vai ser a realização de um sonho, com certeza terei vários momentos nostálgico além de apreciar as excelentes músicas do To Be Everywhere Is to Be Nowhere que mostram que a banda ainda está muito viva e tem muito pra entregar. Não tenho uma música favorita por assim dizer, mas tenho uma tatuagem “inspirada” em The Whaler então vou dizer essa, ou Stare at the Sun mesmo pela importância que teve pra mim.”

Felipe Ernani – Stella

“O Thrice influencia muito a minha banda. As linhas de vocais e as bases de guitarra e bateria, que são sempre muito trabalhadas; além das letras muito poéticas e marcantes, desde a época mais post-hardcore. Quanto ao show, a expectativa é altíssima, não só por ser a primeira tour no Brasil, mas por sempre ver em vídeos que entregam de forma muito cuidadosa tudo que fazem. Se em vídeo já me emociono demais, mal posso esperar pra ver e ouvir de fato! Acho muito difícil escolher uma música favorita, até porque tem algumas fases (sendo todas ótimas), mas fico com Of Dust and Nations.”

Victor Vogado – We Are the Resistance

CoMA, um suspiro de renovação em meio ao status quo dos festivais brasileiros

Por Felipe Ernani

Foto destaque por Matthew Magrath

Não importa qual seja o festival da sua preferência — Rock in Rio, Lollapalooza, Bananada, etc. — uma reclamação que você com certeza já fez é: “de novo essa banda?”. Essa reclamação não se aplica ao Festival CoMA, que aconteceu em Brasília entre os dias 10 e 12 de agosto de 2018. Aliás, não só às bandas: o festival manteve uma estrutura básica, mas foi completamente diferente da sua primeira edição (2017).

Uma das grandes propostas do CoMA (Convenção de Música e Arte) é, como o nome sugere, fugir do formato tradicional adotado pela maioria dos festivais Brasil afora. Enquanto alguns destes apostam cada vez mais em medalhões ou em bandas recorrentes para manter um público fiel, o festival brasiliense não tem medo de se arriscar e trazer artistam que fujam do mainstream. Também não tem medo de diversificar o próprio público, confiando em vários fatores além das bandas para fidelizar a audiência: um deles, e talvez o mais importante, é toda a experiência que o envolve.

Além de ter proporcionado uma espécie de Esquenta para o festival (realizado nos dias 28 e 29 de julho, em parceria com o Conjunto Nacional) contando com shows gratuitos de bandas novas e estabelecidas no cenário, o CoMA oferece desde o ano passado conferências/palestras sobre os mais diversos temas (relacionados à música ou não). Nesse ano, um dos temas mais explorados foi a indústria de jogos, inclusive com palestras gratuitas oferecidas na sexta-feira pré-festival. Outra parceria sensacional montada pela organização foi com a Indie Week Toronto, evento que acontece anualmente no Canadá com bandas independentes e que em 2017 teve a participação dos brasileiros do Scalene e Trampa (cujos membros fazem parte da organização do CoMA).

Sobre essa parceria, o começo “não oficial” do festival foi justamente na quinta-feira (09 de agosto), no evento Road to Indie Week — uma espécie de seletiva, com 5 bandas pré-selecionadas (Toro, Moara, Augusta, Alarmes e Mdnght Mdnght) competindo por 2 vagas nessa semana cultural canadense. O evento aconteceu na Cervejaria Criolina e as bandas Toro e Augusta se classificaram e vão representar a cena brasiliense lá no Canadá. Congrats!

O final de semana, com os eventos principais do festival, começou em grande estilo. Na sexta-feira, a Pré do Slap se mostrou uma versão mais organizada e voluptuosa da festa de abertura realizada no ano passado. Dessa vez, além de contar com DJ Set de figuras importantes das festas brasilienses e de algumas bandas nacionais (Far From Alaska + Supercombo + Plutão Já Foi Planeta), o evento teve também um show do MC Rashid. Tudo correu bem, apesar do ingresso relativamente caro comparado ao festival (R$40 pela festa vs. R$30 pelos dois dias de festival, pra quem comprou antecipadamente) e de um leve atraso. Uma das partes mais legais da festa era a mesa de beer pong montada e super bem organizada: jogava-se gratuitamente e os vencedores ainda ganhavam copos exclusivos da festa.

Invasão de palco no show da Supercombo (Foto: Matthew Magrath)

No sábado, primeiro dia no Complexo da FUNARTE, o festival começou com um leve sinal negativo: a entrada do público foi liberada enquanto algumas bandas ainda passavam som, o que se transformou em um atraso significativo no início do festival. No fim, esse acabou sendo praticamente o único momento negativo de todo o festival. O restante do dia correu super bem, sem atrasos entre as apresentações e sem nenhum problema técnico.

Como no ano passado, as performances se dividiram em 4 palcos + 1 tenda eletrônica: os palcos principais (Norte e Sul), o Clube do Choro e o cobiçado Planetário, além da Tenda Conexões. Nesse primeiro dia, o grande destaque dos palcos principais ficou por conta da apresentação da Supercombo e isso não se deu necessariamente pela banda em si. O público compareceu em peso e participou ativamente, coisa que não aconteceu tão fortemente com os shows do Rincon Sapiência e do ÀTTØØXÁ, que foram excelentes mas acabaram sendo um pouco prejudicados pelo atraso do começo do dia e cansaço das pessoas que estavam desde cedo. O que não significa, de jeito nenhum, que foram shows desanimados: o público que ainda tinha energia fez uma troca sensacional com os artistas e mostrou que cada vez mais a diversificação dos ritmos pode e vai tomar conta dos festivais.

É impossível deixar de falar também na performance estonteante da Elza Soares. Não só pela arte e paixão envolvidas em tudo que ela faz, mas pela importância de todo seu trabalho e pela consolidação da mudança de direção dos seus anos mais recentes de carreira, colocando-a sem dúvidas em um posto de rainha que é abraçado com carisma e humildade pela artista.

Além disso, as bandas que tocaram mais cedo também cumpriram com louvor seus papéis, especialmente o Menores Atos e o Maglore, que abriram respectivamente os palcos Sul e Norte com apresentações maduras e dignas de headlinear qualquer festival. Entre as surpresas, a banda Cachimbó que abriu o Clube do Choro com sua mistura de regionalidades e ritmos e a Alarmes com um show diferente e ousado estão entre as que deixaram marcas positivas.

Vale ressaltar, nesse momento, a quantidade de experiências simultâneas que o CoMA oferece — não só para justificar o tamanho desse texto, como para explicar porquê é humanamente impossível viver tudo que o festival proporciona. Os shows nos palcos principais são alternados, mas acontecem simultaneamente com as apresentações no Clube do Choro, no Planetário e na Tenda Conexões e ainda com as conferências. Além disso, ainda tivemos novidades esse ano: um espaço de Live Karaokê aberto ao público; mesa de beer pong (a mesma da festa de abertura) e até um simulador de corrida da Red Bull.

Apresentação do Gustavo Bertoni no Planetário (Foto: Matthew Magrath)

Dito isso, uma das experiências indispensáveis do festival é assistir a algum show no Planetário. As filas ficam enormes e poucos são atendidos (cabem apenas 80 pessoas no local), mas a proximidade e o intimismo são justamente alguns dos charmes desse formato. Apesar de infelizmente não ter conseguido ver o show do Gustavo Bertoni, tive o prazer de ver a canadense Julie Neff proporcionado uma performance inesquecível que misturava suas próprias músicas com alguns covers famosos, culminando em uma última música tocada de forma totalmente acústica (sem microfonação, sem nada) iluminada apenas pelas estrelas do domo. Se você vier pro CoMA do ano que vem, tire algum tempo e não deixe de viver isso: cada apresentação ali é única e especial.

Voltando ao tópico principal, os shows do domingo pareciam claramente voltados a um público diferente do sábado (com algumas exceções) e assim foi. A média de idade parecia maior, mas os shows continuaram atendendo a todos os gostos. A Céu fez talvez o grande show da noite, com um repertório excelente e com certeza com o público mais presente. Um dos mais esperados da noite, o Plutão Já Foi Planeta começou sem muita resposta do público, mas depois de algumas músicas e participações no palco a banda conquistou os presentes, ainda que majoritariamente aqueles que já eram familiarizados com a banda. No entanto, a Flora Matos foi uma gratíssima surpresa ao lado dos chilenos do Apokálipo que chegaram até a (literalmente) derrubar uma luz do Clube do Choro.

No entanto, assim como o show da Elza Soares foi o mais importante do sábado, no domingo foi a vez da Linn da Quebrada dar voz ao público LGBT e periférico da melhor maneira possível. Uma performance visceral, imprescindível nos tempos atuais e com uma atitude quase inigualável entre os outros artistas não só do festival como de todo o país.

Apresentação do Plutão Já Foi Planeta (Foto: Matthew Magrath)

Pra resumir, o CoMA fez o que todos os festivais brasileiros têm medo de fazer: fugiu do status quo. Não apostou em grandes medalhões, deu espaço a grandes nomes que andam meio esquecidos pelo mainstream (afinal, os headliners do domingo foram Chico César e Mundo Livre S/A) e se propuseram ao desafio de não repetir absolutamente nenhuma banda que já havia tocado na edição anterior. Esse e todos os outros desafios impostos sobre o festival foram superados e resultaram em (mais) uma experiência inesquecível para a cultura do Centro-Oeste, que cada vez mais vê o CoMA se consolidar no cenário nacional e finalmente colocar Brasília no circuito de festivais.

Voa, CoMA! Nos vemos em 2019!

Um Festival para todas as tribos, O Festival CoMA

foto destaque por Breno Galtier

Música, arte, diversão, quem não gostaria de tudo isso num mesmo lugar? pois então, você pode ter acesso a tudo isso e muito mais na segunda edição do Festival CoMA (Convenção de Música & Arte) que acontece nesse final de semana (10 a 12 de agosto) em Brasília. E aproveitando que estaremos por lá, vamos tentar resumir o que é o Festival e como funciona.

O CoMa reúne shows de todos os estilos, palestras com os maiores nomes de conteúdo musical, festivais, games e tantas outras coisas que a gente resolveu dividir tudo isso em tópicos para que vocês possam entender um pouco mais.

Shows

Com um line up diversificado e para todos os gostos, o CoMA traz esse ano alguns nomes como Elza Soares, Chico César, Mundo Livre S/A, Céu, Menores Atos, Plutão já foi Planeta. A cena local com Alarmes, Cachimbó, Augusta, entre outros. E também atrações internacionais como a canadense Julie Neff e os chilenos do Apokálipo. Todas as atrações serão distribuídas em quatro palcos: Norte e Sul que são os palcos externos, Clube do Choro e Planetário, além da tenda eletrônica.

line up

Mas antes de tudo isso acontecer teremos outros shows, como por exemplo o Road to Indie Week que é uma parceria entre o Festival CoMA e o festival canadense Indie Week onde 5 bandas brasilienses Toro, Moara, Banda Augusta, Alarmes e MDNGHT MDNGHT  irão se apresentar e 2 serão selecionadas para tocar no festival no Canadá em novembro. O local escolhido para as apresentações é a Cervejaria Criolina e esse rolê todo acontece amanhã (09). Além disso, também ocorre o lançamento do novo EP da banda ETNO intitulado “Escarlate“, e o ingresso custa R$ 5,00.

E também a final do Brasília Independente, competição de bandas com trabalhos autorais realizada pelo DF TV. A mesma ocorrerá no Clube do Choro na sexta-feira (10), a partir das 18 hrs e a entrada é gratuita. Das 10 bandas escolhidas duas vão receber um troféu do Brasília Independente e ganhar, cada um, uma reportagem contando sua história e trajetória musical. o encerramento fica por conta de Dillo e seu show Guitarráfrica.

Conferências

Mais de 20 painéis que vão envolver debates sobre música, conteúdo, festivais, intercambio musical, mercado latino americano, inovações e tendências. Tudo isso no Centro de Convenção Ulysses Guimarães, que faz parte do complexo CoMA. As convenções serão divididas entre sábado e domingo, de acordo com o cronograma no site oficial. Terão acesso apenas os que adquiriram o Passaporte + Conferência Festival.

Conferência Games

A Conferência de Games será apenas na sexta-feira (10). Vai rolar participação do Yuri Uchiyama que é criador da Games Academy e Cofundador e CEO da Gamers Club, maior plataforma de esportes eletrônicos brasileira, e Pablo ‘xrm Oliveira que é narrador da Counter Striker Global Offensive, entre outros. No total serão 11 palestrantes falando sobre assuntos relacionados a programação e produção de games. Na convenção de games a entrada é gratuita e será no Planetário.

Festa

Na sexta-feira (10), a partir das 22 horas no Estádio Mané Garrincha, vai rolar a  Pré do Slap – Festa de Abertura do Festival CoMA que vai contar com atrações como Rashid, DJ Set das bandas Supercombo + Plutão Já Foi Planeta+ Far From Alaska, Dj A + DJ Chicco Aquino e  Gabriella Buzzi (Coletivo Índio).  O ingresso custa R$ 40,00, ou caso você tenha adquirido o Passaporte + Conferência Festival entra sem custo nenhum.

O CoMA ainda libera desconto para hospedagem no Hotel Meliã, que fica ao lado do Complexo. O “meu copo eco” onde estarão disponíveis 5 opções de copos que você pode adquirir por 5 reais. se quiser pode levar pra casa de recordação, se não quiser pode devolver no final do dia e receber de volta os R$ 5,00.

São três tipos de ingresso, o Acesso que dá direito a um dia de festival, o Passaporte Festival que dá direito aos dois dias do festival (11 e 12) e o Passaporte + Conferência Festival que dá acesso aos dois dias de festival, conferências e a Festa de Abertura.

Valores, horários e maiores informações vocês encontram em www.festivalcoma.com.br