Scalene em dois singles: Ponta do Anzol e Cartão Postal

‎ Por Camila Borges

Parece que aos poucos os fãs sedentos por novidades estão sendo agraciados.

Exatamente a meia-noite de quinta pra sexta (hoje) o Scalene lançou dois singles: Ponta do Anzol e Cartão Postal. Ambas farão parte do terceiro álbum da banda chamado Magnetite.

O álbum tem lançamento para o dia 18/8, com 12 faixas. A bela arte de capa foi feita pelo designer Bruno Luglio.

Capa Magnetite

Nota-se já de cara influências brazucas, alternando entre os novos elementos usados e as belas letras reflexivas.

Um bom exemplo é o que o próprio vocalista Gustavo Bertoni traduz no seu twitter: “Alma, corpo e mente derramados nessas composições”.

A banda promete algumas surpresinhas até o lançamento do cd, não fazemos ideia do que seja mas com certeza serão ótimas.

Agora é segurar a ansiedade (se for possível) e aguardar até que o Magnetite seja lançado.

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Versalle faz show intimista no Rio de Janeiro

Por Ygor Gomes

Na ultima terça (26), a banda Versalle se apresentou no New York City Center, no Rio de Janeiro, pelo projeto “MPB no Mall”, onde artistas de diversos gêneros estão marcando presença semanalmente.

O evento aconteceu no fim do dia e foi uma ótima forma de escapar do típico engarrafamento da hora do rush. Antes do show começar as pessoas já começavam a se juntar entorno do palco. Enquanto a banda passava o som, podíamos ver diversas famílias sentadas aguardando o início, tudo em um clima bastante intimista.

A apresentação começou às 19 hrs e haviam umas 40 pessoas assistindo, a banda se apresentou por uma hora e misturou canções do seu primeiro álbum Distante Em Algum Lugar de 2015 e também do EP Apenas lançado em 2016 e tocaram pela primeira vez duas músicas inéditas, O Porto e Tarde Cinza, que podem estar no próximo álbum deles, ainda sem nome divulgado e atualmente em processo de pré-produção.

Tudo pronto Rio de Janeiro, 19h no shopping NYC.

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Essa foi umas das poucas apresentações da Versalle em 2017, exatamente por estarem totalmente focados em produzir o próximo disco, portanto podemos esperar um ótimo material vindo por aí. Caso você esteja passando pelo New York City Center em alguma terça-feira no fim de noite, dê uma conferida no projeto “MPB no Mall”, sempre há uma boa atração por lá!


Entrevista: Bratislva fala sobre novo disco “Fogo”, influências e sua carreira

Por Felipe Sousa | @Felipdsousa

 

Composta pelos irmãos Victor Meira (vocais/synths) e Alexandre Meira (guitarra/vocal), além de Lucas Felipe Franco (bateria) e Sandro Cobeleanschi (baixo), a Bratislava está na estrada desde 2009. A banda, que é uma das ótimas revelações do underground, estreou com o EP “Longe do Sono”, em 2011; e em 2012, lançou o primeiro álbum, “Carne”. Os paulistas ainda têm mais dois discos lançados, “Um Pouco Mais de Silêncio” (2015), e o mais recente registro, e um dos melhore nacionais desse ano, “Fogo”.

O RIFF bateu um papo com um grupo, que nos falou um pouco sobre os quase oito anos de carreira, o início difícil da banda no cenário independente, a experiência que tiveram no Lollapalooza desse ano, o processo de composição e produção de seu novo álbum “Fogo”, e muito mais em uma entrevista exclusiva. Leia abaixo:

 

Foto por Fernanda Gamarano

Vamos começar pelo início, lá em 2009/2010, quando a banda foi formada. Conta pra gente, como a Bratislava surgiu?

Victor: Bratislava surgiu como projeto paralelo de uma bagunça que a gente fazia com vários amigos músicos. No começo éramos eu, Alexandre e Pedro – primeiro baterista da banda, que saiu ainda no mesmo ano. A gente se juntava pra tocar versões de diversos artistas que iam de Caetano a Beatles, de Gogol Bordello a Portishead. Por conta de um concurso da OiFM, de bandas com material autoral, resolvemos trabalhar em alguns rascunhos e temas que tínhamos na manga. Aí nunca mais paramos essa brincadeira de compor.

A sonoridade de vocês é bem original, além do nome, “Bratislava”, que é muito legal. Quais foram as influências para criar essa sonoridade e como definiram o nome? Que identidade pretendiam dar à banda?

Victor: A gente foi criando isso ao longo do tempo. Nos primeiros releases acho que a gente estava explorando gêneros e estéticas bem diferentes umas das outras… hoje ouço e acho meio esquizofrênico, mas isso foi ótimo para a nossa formação. O processo criativo era mais “acidental” também: a gente criava uma linha, se apegava e desenvolvia… As letras eram recortes de poemas que se encaixavam e eu me importava menos com o fator dialógico, isto é, com a expressão de uma mensagem clara. Gostava de como certos conjuntos de palavras soavam, num sentido estritamente estético/sonoro mesmo, e aí muitas delas soavam como sugestões de situações ou cenários fantásticos.

O primeiro álbum da banda foi o “Carne” (2012) e antes dele teve o EP “Longe do Sono” (2011). Como foram esses dois primeiros anos de carreira e a repercussão desses dois projetos?

Victor: Os primeiros anos foram de aprendizado. A Bratislava foi a nossa iniciação na música independente, o que significa que até então a gente nunca tinha feito um show, nunca tinha gravado um disco. Então teve gravação de demo em 2010 no estúdio em que ensaiávamos; teve show na lama pra apenas uma pessoa na plateia num pequeno festival de bandas em Embu das Artes; teve a gente caindo na falácia desses produtores que botam dez bandas pra vender ingressos pra um evento de “batalha de bandas”; teve todos os tombos e tropeços que uma banda pode levar. Mas tem histórias incríveis também. Organizamos muito bem o show de estreia da banda, que foi num galpão na Vila Madalena pra um público de 400 pessoas; fizemos o nosso primeiro show fora de São Paulo (Bar Valentino, em Londrina-PR); e de modo geral a gente foi sacando que é no coletivo que as coisas tem chances legais de funcionar, que não há lugar pra egotrip nessa estrada, que a conquista de hoje nunca garante a de amanhã e que é preciso de trampo firme e contínuo pra seguir fazendo o que se ama.

Aliás, Victor, falando nisso de projetos, você tem em paralelo à banda, pegadas literárias. Como está levando isso hoje? E de que forma a literatura tem influenciado a banda?

Victor: Tive uma produção literária bem prolífica entre 2006 e 2010. Coordenava 3 blogs coletivos de poesia (adorava essa época dos blogs) e participava esporadicamente de mais uns tantos. Com o início da banda naturalmente passei a dedicar mais tempo às composições e a atividade literária começou a se concentrar no formato da letra de música. Eventualmente rascunho um conto, uma narrativa, mas os poemas que inicio na maior parte das vezes acabo musicando. E sigo lendo sempre, poemas, romances, contos, o que vier. Gosto de ficção brasileira, latino-americana e francesa, de preferência coisa nova, de autores vivos ou lançados há menos de 50, 60 anos. Clássicos como Cortázar, Borges, Sartre e Camus estão entre meus favoritos.

Em 2015 vocês lançaram o segundo álbum, “Um Mais de Silêncio”, no formato de Zine. Como e por que decidiram apostar nesse tipo de trabalho? E pra quem quiser ter o Zine hoje, ainda é possível?

Victor: Claro! Qualquer um pode comprar nosso zine nos nossos shows ou na nossa lojinha on-line: bratislava.iluria.com. O zine foi um formato, pra nós, de dupla função: questionar a tradicional e quase-obsoleta mídia CD e explorar um formato que valoriza mais as artes gráficas do que um simples encarte enjaulado em um box acrílico. Na verdade você pode encarar o zine como um encarte de luxo, ou como um pequeno livro. O lance é que o objeto-protagonista deixa de ser a mídia (CD) e passa a ser o livrinho em si, as artes gráficas, as letras.

Lucas: A gente quebrou bastante a cabeça até chegar nesse formato. Surgiram outras opções, mas queríamos explorar uma vertente visual/gráfica forte e o zine veio como uma luva. Tanto que seguimos com esse formato no disco novo.

 

Zine do álbum Um pouco Mais de Silêncio

 

Ainda sobre o segundo disco, ao ouvirmos, fica claro a intenção da banda de fugir da previsibilidade, tantos nas letras quanto no instrumental. Como foi esse processo de composição?

Victor: Creio que você fala sobre o “Um Pouco Mais de Silêncio”, né? Pois é, acho que a questão do deslocamento do real (a sugestão do impossível e do absurdo) sempre foi um motor pra mim, como autor. O previsível é bobo. O complexo/estranho possui uma magia, que talvez seja a magia do desconhecido, do escuro. E o que brota da nossa cabeça, enquanto expressão, normalmente é amórfico mesmo, poucos sentimentos são classificáveis e menos ainda cabem em currais universais. Acho que é o que mantém o xadrez do “fazer humano” infinito. Então não acho que é uma fuga, como você propõe. É mais um fundamento pessoal. Acho que tudo o que componho e escrevo tem essa característica e isso deveria se evidenciar a cada lançamento. Mas aí em “Fogo” resolvi me dedicar mais à questão dialógica, comunicar além de expressar, e isso foi um conflito bom, estimulante.

Lucas: O “Um Pouco Mais de Silêncio” tem uma composição orquestrada demais, meio cabeçuda, eu acho. Mas era o que, de fato, era a Bratislava naquele momento. Experimentamos muito, gravamos em diversos estúdios, tínhamos claro o que queríamos produzir e esse foi o resultado.

Dois anos à frente na nossa linha do tempo, chegamos, em quem sabe talvez, seja o maior evento da banda. Lollapalooza. Como aconteceu o convite? E qual a sensação de tocar em um dos festivais de música mais disputados e queridos do circuito?

Victor: Recebemos o convite no dia 30 de agosto de 2016, dia em que fomos ver a Kalouv tocar no Prata da Casa e eu só pude dizer pros caras depois do show, porque ainda era informação sigilosa, toda aquela história. Fizemos festa baixinho, num cantinho lá no SESC Pompeia, foi bem engraçado. Meses antes, uma amiga nossa que é jornalista apresentou nosso som para um dos produtores do festival. Ela fez o contato na época em que saiu uma matéria no Caderno 2 apontando a Bratislava como promessa do rock nacional. Rolou um timing bom, acho que chamou a atenção deles. Pra nós era mais um tiro no escuro, coisa que fazemos todos os dias como parte integral da nossa atividade de booking, de participação em programações musicais e festivais. E aí em agosto veio a surpresa do convite, que explodiu nossa cabeça. Sobre a sensação de tocar no festival, já toda uma outra história. Foi uma experiência maravilhosa. Nos sentimos super-heróis naquele dia, com aquela estrutura que engrandecia a nossa figura, a nossa voz. Provamos um pedacinho do paraíso, acho que é a sensação que fica. E há toda uma história de evolução pessoal e musical dos quatro da banda, ligada aos preparativos para o grande dia. Foi uma fase deliciosa.

Lucas: Foi um baita momento! Aquela estrutura a favor do nosso som! Mas é só mais um tijolinho colocado na construção. Até hoje fica aquele gostinho de “será que foi verdade tudo isso”? E foi! Uma conquista enorme por uma banda que faz tudo independentemente.

 

Bratislava no Lollapalooza 2017 | Foto por Lucci Antunes

Conseguiram ver algum show? Algum que fez a banda vibrar como aquele verdadeiro fã?

Victor: Só consegui ver um único show inteiro, curtindo e me entregando ao som como fã, que foi o show da MØ. Against all odds, adoro o som pop dela, acho diferente de outros pops. Sinto honestidade, uma verdade ali no que ela faz, e a voz dela me hipnotiza. Foi um “showzásso”.

Lucas: De manhã, quando chegamos no palco pra passar o som a galera do The Weeknd estava terminando de passar o deles. Ficamos curtindo esse momento e depois trocamos uma ideia com os músicos da banda. Ali, pelo menos pra mim, já valeu o rolê todo.

Como foi a relação com um evento de porte tão grande? Acham que esses tipos de festivais podem prestigiar mais as bandas independentes?

Victor: Não sei se podem prestigiar mais do que já o fazem. O lineup é montado com base crescente no estimado número de fãs que cada artista tem, então é natural que as bandas menores e mais novas – que tem menos público – se apresentem mais cedo. Funciona assim em qualquer festival. E fomos muito bem tratados, o som estava animal, passamos o som sem correria, os traslados foram eficientes, nada faltando no camarim… enfim, tudo joia! Uma coisa que sentimos falta foram coberturas dos shows nacionais, especialmente por parte dos sites mais relevantes da cena independente, que lemos e acompanhamos. Muitos deles cobriram do meio do festival pra frente, em ambos os dias, deixando de lado as bandas menores. Tomara que nas próximas edições eles mudem esse mindset.

Aliás, como vocês enxergam a relação entre o mainstream e o underground hoje em dia? O quanto mudou de 2010 até aqui?

Victor: Acho que são duas coisas muito distintas. Fazer música significa uma coisa bem diferente pra quem tá jogando no mainstream. E nesses últimos 7 anos acho que estamos vivendo uma revolução constante no mercado fonográfico. Todo ano você tem que dar um refresh no seu set enferrujado de “certezas” em relação a esse mercado.

Lucas: Ás vezes eu comento que existe um mainstream dentro do underground. Bandas que se sobressaem e colhem frutos no underground de um jeito parecido com o que rola no mainstream, sei lá. E sim, é tudo muito dinâmico mesmo.

Agora, finalmente vamos conversar um pouco sobre o mais recente trabalho da banda. O terceiro disco, “Fogo”. Lá atrás questionamos sobre a influência que a literatura exerce na Bratislava, e elas ficam claras ao ouvirmos Fogo. A gente percebe muita inquietação sobre o modelo de sociedade atual e insinuações existencialistas. Isso confere? Qual é a ideia desse álbum?

Victor: Sim. “Fogo” é um álbum no qual resolvemos transmitir com mais clareza o modo como nos vemos, como entendemos o nosso papel no mundo hoje. Acho que mesmo as canções mais introspectivas demonstram esse posicionamento.

Lucas: FOGO é música de mensagem. E tudo reflete o que, nós integrantes, vivemos.

 

Zine do álbum Fogo | Por Meli Melo Press

 

Como foi o processo de composição do “Fogo”? Como cada membro da banda contribuiu na composição?

Victor: Foram diversos processos, cada música feita de um jeito. “Enterro” começou com uma ideia do Xande, uma linha de guitarra. “Sonhando” eu compus no piano (e no disco nem gravamos piano) e já levei para a banda mais formatada. “Amor de Chumbo” nasceu de uma jam, de uma onda que o Sandro e o Lucas estavam tirando durante uma sessão de composição. “Trancado” nasceu dessa linha de baixo que o Sandro criou, que percorre a música toda.

“Céu de Pedra” tem uma história engraçada. Compus ela inicialmente para “Escorpião”, álbum do meu projeto paralelo, Godasadog. Parte dos vocais desse disco eu gravei no estúdio de um amigo, Pedro Rizzi, e ele, ao me ouvir gravar apertou um pause, veio até mim, olhou no meu olho e falou “cara, essa música é Bratislava”. Isso aconteceu em agosto ou setembro do ano passado, justamente no período em que a Bratislava estava trabalhando nas novas composições. Decidi dar ouvidos ao amigo.

“Dança de Doido” também partiu de uma jam entre eu, Sandro e Lucas, no quintal da casa dos meus pais, interior de São Paulo. “Fala Prescindível” é uma obsessão minha de longa data, mas que resolvi botar em prática só agora pra esse disco. Li “O Jogo da Amarelinha”, romance do escritor argentino Julio Cortázar, em 2010, e um trecho específico ficou vagando minha mente por todos esses anos. Trata-se do capítulo 143, presente na 3a parte do livro (nomeado “capítulos prescindíveis” – daí o nome da faixa), em que um dos personagens relata uma experiência de intersecção potencial de sonhos. A ideia me fascinou e grudou na minha cabeça por muito tempo. Reli o livro durante o processo criativo de “Fogo” e iniciei um “combate não-corporal” com o capítulo, reescrevendo-o inúmeras vezes, regravando também dezenas de vezes até chegar em algo que eu acho que fazia sentido pra mim – como se fosse uma memória minha, pessoal (o ponto onde não há mais diferenciação entre ficção e memória).

Por fim, “Fogo” talvez seja o único resgate de um tema que compus há alguns anos. Compus no baixo o tema inicial talvez entre 2013 e 2014, e a sequência da música foi desenvolvida junto à banda. As letras dela e de “Trancado” foram as últimas a serem escritas (finalizei ambas alguns dias antes da gravação dos vocais do disco, quando todo o restante já havia sido gravado). A primeira versão da letra de “Fogo” falava sobre criminalização do aborto. Na época quebrei muito a cabeça no assunto, lendo muita coisa, conversando com muitos amigos e amigas sobre isso. Naturalmente fui tendo vontade de abrir mais a discussão até chegar no ponto em que chegou: o meu lugar de fala e o meu papel social.

Já a ideia de “Trancado” surgiu durante a gravação de bateria. Chovia muito lá fora e, durante uma das gravações, fiquei olhando hipnotizado para o monitor da câmera de segurança. Alguns minutos antes o Sandro tinha comentado, na sala de gravação, que ele nunca tinha sonhado na vida, ou que não lembrava se já tinha sonhado alguma vez. Eu estava sob efeito dessa revelação assustadora (imagine, nunca ter sonhado!), olhando fixo para o pequeno monitor que mostrava as gotas de chuva resvalando contra o portão externo do estúdio. Então imaginei O Sonho, em si, a entidade-sonho, como se fosse um vulto vestido de trapos escuros, chegando à noite pra mostrar coisas ao seu “amo” adormecido, mas ao tentar entrar em sua mente encontrava o portão trancado e não conseguia entrar. Foi o ponto de partida, a inspiração.

Cada letra tem sua história, cada composição, cada linha instrumental. E todos os 4 mexem, opinam, mudam coisas ao longo do processo criativo. É bastante orgânico e até mesmo composições como “Sonhando” e “Céu de Pedra”, que eu já trouxe estruturadas e com letra, acabam se modificando, me inspirando mudanças de narrativa, incitando progressões harmônicas novas ou arranjos novos.

Sobre a produção/gravação do disco, como foi feita? Foi muito diferente do “Um Pouco Mais de Silêncio”?

Victor: Foi bem diferente. Em “Um Pouco Mais de Silêncio” gravamos cada instrumento em um estúdio diferente. Queríamos fazer um giro, entender os processos de vários produtores e passear por diversos pontos de vista ao longo da gravação. Foi um aprendizado incrível, uma puta experiência. Já em “Fogo” decidimos o contrário. Optamos por profundidade ao invés de abrangência e diversidade de pontos de vista. Fizemos uma gravação cautelosa e sem pressa junto ao produtor Hugo Silva, do Family Mob Studios. Ele se envolveu bastante e isso foi muito precioso para o processo. Enfim, duas experiências distintas, ambas com muitos aprendizados.

Em “Enterro” temos uma narrativa do triste desastre natural em Mariana (MG). Como a banda viveu esse incidente, e como ele inspirou na composição da música?

Victor: Vivemos essa tragédia específica como a maioria dos brasileiros, digo, através dos noticiários. Não estávamos presentes no local e no dia do ocorrido, mas o acontecimento em si é estarrecedor e tomar conhecimento dele nos comoveu muito. É um marco histórico no Brasil e uma história que merece ser relembrada sempre, que merece ter mais tempo de vida na memória dessa geração, tamanho o descaso das mineradoras responsáveis pelo desastre.

A faixa “Fogo” é sem dúvida uma das mais intensas do disco. Qual mensagem ela tenta passar?

Victor: Ela é canção situacional, uma auto-análise e um questionamento: pra que que eu tô aqui? Qual é meu papel? Eu tenho um papel? Eu mesmo! Homem, branco, hetero, estereótipo historicamente nefasto, perverso, lesivo e covarde… Eu-criatura, em meio a esforços e lutas por justiça, posso ter um papel ao mesmo tempo ativo e positivo em busca de um mundo sem diferenças, sem gangorras sociais? Como carrego essa herança maldita e não me deixo aniquilar pelo peso dela? Como sequer falar sobre isso, sempre sob o risco hermenêutico? É sobre isso, sobre externar um entendimento sobre si mesmo enquanto agente social. O mundo vive uma fase flamejante, maravilhosamente auspiciosa. Acho que as coisas nunca foram tão claras, tão quentes.

Lucas: É essa inquietação social, esse cotidiano intenso. “Fogo” é sobre saber onde e como se colocar, sobre quando ser passivo ou ativo. Tanta coisa acontece o tempo todo e, né?, o que fazemos? Essas coisas queimam, saca?

 

Bratislava no Lollapalooza 2017 | Foto por Camila Cara

Falando sobre as participações de Gustavo Bertoni (Scalene) na faixa “Enterro”, e Aloizio na faixa “Dança de Doido”, como foram os convites e as escolhas das músicas que cada um participaria?

Victor: Chamei o Gustavo pra participar depois de uma jam que rolou no estúdio Family Mob. Nessa feita ele cantou um som do Far From Alaska, cantando de um jeito bem gritadão, e eu fiquei assombrado com o quanto aquilo era foda. Enxerguei a voz dele encaixando como uma luva nesse tema-ápice de “Enterro”. Já o Aloizio é um grande parceiro de jornada. Tocamos juntos no projeto solo do Beto Mejia (ex-Móveis Coloniais de Acaju) e começamos a trocar muitas ideias, muitas figurinhas. A gente acompanha de perto o trabalho um do outro, ainda faremos muitas coisas juntos. É muito massa poder compartilhar nosso som com caras tão talentosos.

O disco completo contém oito músicas – Gostamos de discos curtos assim. Mas dá aquela sensação de querer mais. Pensei, em tom de brincadeira, “é uma alusão aos oito anos da banda”. É isso mesmo? Ou existe alguma outra motivação?

Victor: Olha só, que massa! Não tinha feito essa conexão com o número 8! Queríamos mesmo lançar um disco mais conciso e direto. A gente ainda gosta muito de tocar músicas do anterior, “Um Pouco Mais de Silêncio”, então boa parte do repertório anterior nos shows permanece. Ao mesmo tempo, passamos a nos entender como uma banda melhor, mais bem preparada e pronta pra gravar um novo registro.

Quando pensaram em fazer um disco mais conciso, como mencionou, a ideia sempre foi ter oito faixas? Ou ficou alguma música ai guardada que os fãs de vocês podem esperar pra ouvir?

Victor: Haha, pergunta perniciosa! Não ficou nenhuma pra trás não. Sabemos que o processo criativo clássico de um artista é compor/gravar mais canções do que serão lançadas, às vezes 20, 30, 40 canções pra selecionar as 10 ou 12 que formarão o álbum. Mas a Bratislava nunca trabalhou assim. As composições que a gente inicia e não vê muito futuro a gente já larga desde o começo, antes de consolidar qualquer coisa. As que a gente leva pra frente a gente mexe de maneira insistente e inquieta até chegar aonde queremos.

Além disso, um dos princípios da nossa fase atual é ser fiel ao que estamos vivendo e sentindo HOJE, jamais resgatar ideias de 2 ou mais anos atrás. Acho que a gente vive uma transformação de mindset violenta, diariamente, e procuramos estar muito atentos a isso. Queremos que as mensagens que iremos passar nos shows não sejam desprovidas de um sentido real e forte pra nós quatro. Então, quer dizer, mesmo se tivéssemos deixado alguma composição pra fora do álbum, não a lançaríamos pois o tempo dela já teria escorrido. Nosso próximo lançamento vai ser sempre uma música recém-composta, refletindo as nossas ideias desse tempo futuro.

Como tem sido a divulgação e repercussão do álbum?

Victor: Tem sido bem positiva! Tem rolado convites para shows, tem aberto porta pra tocarmos em festivais e marcar shows em cidades nas quais ainda não tínhamos tocado. Cada álbum abre novas possibilidades, gera novas experiências. E temos recebido feedbacks muito carinhosos de fãs e amigos.

Lucas: Incrível demais. Na real a galera tem sacado a mensagem e isso não tem preço!

 

Capa do álbum Fogo | Arte por Pena Branca

Para a gente finalizar, como vocês enxergam a Bratislava de hoje em relação ao início da carreira? E o que podemos esperar daqui para frente?

Victor: A gente nunca teve uma formação tão firme e comprometida como essa, que se consolidou com a entrada do Sandro em 2014. Até então a banda já tinha visto muitas formações, as gravações tinham acontecido em meio a entrada e saída de membros, por motivos diversos. Hoje a gente se conhece bem e compõe com mais consciência da onda e da expectativa de cada um. Isso gera músicas e álbuns cada vez mais coesos, uma identidade cada vez mais forte. Só tende a melhorar!

Lucas: Eu entrei em 2013. Evoluímos muito de lá pra cá e isso é muito legal porque é o que a gente busca. A gente tem muita ideia e é muito massa poder concretizá-las em conjunto.

Ouça abaixo “Fogo”, o excelente terceiro disco da banda.

 

PicniK Festival @ Fonte da Torre de TV

Por Tayane Sampaio

Nos dias 24 e 25 de junho, a Fonte da Torre de TV, em Brasília, foi ocupada pelos moradores da Cidade. O que tirou as pessoas de casa, nesse final de semana frio de inverno, foi mais uma edição do PicniK, um dos eventos mais completos do DF.

O PicniK, que começou pequeno, como uma pequena feira de economia colaborativa, virou um evento que reúne multidões em pontos chaves da cidade, como a Praça dos Cristais, no Setor Militar Urbano, ou no Parque da Cidade. Lá você encontra de tudo: roupas, ilustrações, calçados, itens de decoração e até aplicação de piercing. O evento ainda conta com uma vasta área de alimentação, que inclui uma área com MUITAS opções veganas, além de espaços para meditação, massagem, brinquedos infláveis pra criançada e até uma tenda de música eletrônica.

A música não é o foco principal do evento, mas, ultimamente, os lineups do Festival têm atraído muitos fãs da música independente. Geralmente, a quantidade de bandas é modesta, mas a última edição foi em dose dupla, com dois dias de muita música. Depois de uma rápida cerimônia de abertura shamanica, começou a maratona de shows e, nos dois dias, assistimos às apresentações das bandas Transquarto, Brancunians, Teach Me Tiger, Firefriend, Congo Congo, Ava Rocha, Bixiga 70, Supervibe, The Raulis, The Dead Rocks, The Blank Tapes, Glue Trip, Mustache e os Apaches, O Terno, Tagore e Cassino Supernova.

O sábado começou com a viagem transcendental da Transquarto. O quarteto brasiliense, formado por Davi Mascarenhas (guitarra), Pepy Araújo (bateria), Gata Marques (baixo) e Tarso Jones (teclado) passa por várias sonoridades, por meio de suas experimentações. Até o momento, o grupo tem apenas um trabalho lançado, o EP Entre Baleias, que conta com duas faixas, mas só nesses quase vinte minutos de som, a banda já te prende com uma apresentação cheia de camadas.

Continuando com a prata da casa, a Brancunians foi a próxima banda a subir no palco. De chapéu, GAP GAP (voz e guitarra), Ana Laura Rodrigues (sintetizadores), Victor Chater (bateria), Rodrigo da Cruz (guitarra) e Fabio Resende (baixo) tocaram músicas de seu trabalho de estreia, +bsb, que tem um pé na psicodelia.

Logo depois, o trio mineiro Teach Me Tiger, formado por Chris Martins (voz e sintetizadores), Yannick Falisse (guitarra e voz) e Felipe Continentino (bateria), fez sua estreia em solo brasiliense. A apresentação da banda seguiu a tônica do disco de estreia, Two Sides: um bonito e harmonioso contraste entre a leveza do dream pop e o peso  do trip hop, que, misturados à outras sonoridades, resultam em um som extremamente sexy.

Julia Grassetti (voz e baixo), Caca Amaral (bateria) e Yury Hermuche (voz e guitarra), da Firefriend, subiram no palco do PicniK após o trio mineiro. O som denso, meio destoante e cheio de ruídos dos paulistanos segurou a onda da viagem do Teach Me Tiger e preparou o público pra brisa do Congo Congo.

Firefriend | Por Tayane Sampaio

O Congo Congo é composto por nomes de peso da cena belorizontina: André Travassos (voz e guitarra), Victor Magalhães (teclado), Gustavo Cunha (guitarra), Yannick Falisse (baixo), Leonardo Marques (guitarra) e Pedro Hamdan (bateria). A banda não cai na mesmice do psicodélico, que é um dos subgêneros mais saturados da atualidade, e consegue dar uma cara nova e legal para o estilo. A agitação do vocalista, que se movimenta bastante no palco, convida o público para dançar. O show terminou em clima de festa, com a participação de Yury Hermuche.

Performática e poderosa, Ava Rocha fez um dos shows mais esperados do dia. A cada música cantada, uma peça de roupa do figurino de Ava ia para o chão. A artista exala confiança e domina o palco e o público, que tem a oportunidade de vê-la bem de perto e até de contribuir com seu ritual. O público foi ao delírio com a apresentação, principalmente nas músicas do autêntico Ava Patrya Yndia Yracema, último álbum lançado pela cantora.

Encerramos a noite com um palco cheio, ocupado pelos músicos do Bixiga 70. Décio 7 (bateria), Rômulo Nardes (percussão), Gustávo Cék (percussão), Marcelo Dworecki (baixo), Mauricio Fleury (teclas e guitarra), Cris Scabello (guitarra), Cuca Ferreira (saxofone barítono), Daniel Nogueira (saxofone tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete) levaram a plateia à loucura. O instrumental dançante do grupo animou e aqueceu o público, que lotou a lona de circo em que o palco estava montado.

Congo Congo | Por Tayane Sampaio

O domingo começou com mais uma promessa da nova safra de bandas DF, a Supervibe. Sand Lêycia (bateria), João Ramalho (voz e guitarra) e Deivison Alves (baixo) apresentaram as canções de seu EP de estreia, Clarão. O psicodélico mais pesado da banda proporciona um show intenso, mas que tem alguns momentos mais leves e divertidos, com um indie rock bem executado.

Ava Rocha | Por Tayane Sampaio

Os veteranos da The Dead Rocks chegaram com tudo no palco do PicniK. Com direito a uniforme e a coreografias ensaiadas, Johnny Crash (guitarra), Paul Punk (baixo) e Marky Wildstone (bateria) animaram o público. Apesar do visual à la Beatles, o trio apresentou um set super dinâmico de surf music.

Na sequência, os recifenses do The Raulis deram continuidade à onda de surf music instrumental iniciada pela Dead Rocks. Em formato de trio, Arthur Soares (guitarra), Rafael Cunha (bateria) e Gabriel Izidoro (baixo) trouxeram a sensação de beira de praia pro centro da Capital Federal.

Os americanos da The Blank Tapes fizeram um show extremamente condizente com o clima leve de fim de tarde de um domingo. Matt Adams (voz e guitarra) e companhia mostraram uma gostosa psicodelia litorânea, cheia de solos de guitarra.

A Glue Trip, que é da Paraíba, deu continuidade ao clima praiano deixado pelas bandas anteriores, mas com muito mais calor, peso e energia. Com um dos melhores shows do Festival, a banda sabe muito bem transpor as músicas para o palco e fazer o público dançar e se envolver com a performance. Lucas Moura (voz e guitarra), Gabriel Araújo (baixo e voz), Uirá Garcia (guitarra, sintetizador e voz) e CH Malves (bateria) contaram com a ajuda do público pra cantar várias músicas e, em “Elbow Pain”, rolou a participação de uma mini fã, que surgiu do público, vestida de princesa e com uma guitarra de plástico em mãos. Um dos momentos mais bonitos e significativos do final de semana.

Em uma pausa na psicodelia, os paulistas da Mustache e os Apaches transformaram a tenda do PicniK em uma grande festa. Axel Flag (voz, percussão e viola), Jack Rubens (bandolim, lap steel, dobro, guitarra e voz), Lumineiro  (washboard, bateria e voz), Pedro Pastoriz (banjo, guitarra, kazoo e voz) e Tomas Oliveira (contrabaixo, piano e voz) bebem do folk raíz, mas transformam isso em uma linguagem totalmente nova. Um grupo grande, com vários instrumentos inusitados, em que todo mundo canta. A “bagunça” do palco terminou no público, pois a banda finalizou a apresentação do melhor jeito possível: no meio da galera.

O Terno | Por Tayane Sampaio

O clima da euforia deixado pelo show suado da Mustache e os Apaches só cresceu, pois agora o público se amontoava à espera d’O Terno. Tim Bernardes (voz e guitarra), Guilherme d’Almeida (baixo) e Biel Basile  (bateria), que tinham tocado na Cidade há pouco tempo, com o Boogarins, foram recebidos com muitos gritos dos fãs. O frisson do público, que começou antes do trio subir ao palco, se estendeu durante todo o show. Em alguns momentos, os fãs cantavam mais alto que Tim.

O penúltimo show do Festival ficou por conta dos pernambucanos da Tagore. Em turnê para divulgar o disco Pineal, Tagore Suassuna (voz, violão e guitarra), Julio Castilho (baixo, guitarra e teclado), Caramuru Baumgartner (percussão e teclado), Alexandre Barros (bateria e sample) e João Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados) chegaram em Brasília com energia pra dar e vender. O quinteto, que diz ter referências que vão de Tom Zé a Tame Impala, mostra um rock psicodélico totalmente abrasileirado, cheio de sonoridades pertencentes à música nacional, principalmente a nordestina. Pulando de um lado pro outro, com os cabelos na cara e de pés descalços, o frontman do grupo incita a plateia a curtir e interagir com o som tanto quanto ele faz no palco.

O encerramento da edição do PicniK Festival foi especial e cheia de significado. O Cassino Supernova, grupo super conhecido e respeitado na cena brasiliense, fez um show em homenagem ao Pedro Souto, prolífico músico brasiliense e baixista da banda, que faleceu no começo do ano. Gustavo Halfeld (guitarra), Raphael Valadares (guitarra), Márlon Tugdual (bateria) e Gorfo (voz), apresentaram os sucessos da banda, já conhecidos e cantados por um grupo expressivo de pessoas que ficaram para ver a banda.

Depois de dois dias de muita música e energia boa, fica a expectativa pra próxima edição do Festival!

MTV Music Awards 2017: Kendrick Lamar lidera lista de indicados

Por Felipe Sousa | @Felipdsousa

 

Na última terça-feira (25/07) foram divulgados os indicados ao MTV Music Awards 2017, que tem como grande destaque esse ano o rapper Kendrick Lamar, indicado em oito categorias, incluindo artista do ano. kedrick concorre ainda nas categorias de melhor clipe de hip hop, fotografia, direção, direção de arte, efeito visual e coreografia pela faixa “Humble.”, que está no seu mais recente disco, “Damn.”.

Na categoria de rock concorrem Coldplay com “A Head Full Dreams”, Fall Out Boy com “Young And Menace”, Twenty One Pilots com “Heavydirtsoul”, Green Day com “Bang Bang” e Foo Fighters com “Run”.

As novidades desse ano são a categoria “Melhor Luta Contra o Sistema”, que irá celebrar clipes que lutam contra injustiças e colocam em discussão questões sociais, e a abolição da separação por gênero. Antes, a categoria de artista do ano era dividida em melhor clipe feminino e masculino.

O evento acontece no próximo dia 27 de agosto e você pode conferir a lista completa dos indicados logo abaixo.

E aí riffeiros, fala pra gente quais são suas apostas.

 

Vídeo do Ano

Kendrick Lamar – “HUMBLE.” (TDE/Aftermath/Interscope)

Bruno Mars – “24K Magic” (Atlantic Records)

Alessia Cara – “Scars To Your Beautiful” (Def Jam)

DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts” (Epic Records/We The Best)

The Weeknd – “Reminder” (XO/Republic Records)

 

Artista do Ano

Bruno Mars (Atlantic Records)

Kendrick Lamar (TDE/Aftermath/Interscope)

Ed Sheeran (Atlantic Records)

Ariana Grande (Republic Records)

The Weeknd (XO/Republic Records)

Lorde (Republic Records)

 

Melhor Novo Artista

Khalid (RCA Records)

Kodak Black (Atlantic Records)

SZA (TDE/RCA Records)

Young M.A (3D)

Julia Michaels (Republic Records)

Noah Cyrus (Records)

 

Melhor Colaboração

Charlie Puth ft. Selena Gomez – “We Don’t Talk Anymore” (Atlantic Records)

DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts” (Epic Records/We The Best)

D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli” (Atlantic Records)

The Chainsmokers ft. Halsey – “Closer” (Disruptor Records/Columbia Records)

Calvin Harris ft. Pharrell Williams, Katy Perry & Big Sean – “Feels” (Columbia Records)

Zayn & Taylor Swift – “I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker)” (Republic Records)

 

Melhor Pop

Shawn Mendes – “Treat You Better” (Island Records)

Ed Sheeran – “Shape of You” (Asylum/Atlantic Records)

Harry Styles – “Sign Of The Times” (Columbia Records)

Fifth Harmony ft. Gucci Mane – “Down” (Syco Music/Epic Records)

Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm” (Capitol Records)

Miley Cyrus – “Malibu” (RCA Records)

 

Melhor Hip Hop

Kendrick Lamar – “HUMBLE.” (TDE/Aftermath/Interscope)

Big Sean – “Bounce Back” (Def Jam)

Chance the Rapper – “Same Drugs” (Chance the Rapper LLC)

D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli” (Atlantic Records)

Migos ft. Lil Uzi Vert – “Bad & Boujee” (300 Entertainment)

DJ Khaled ft. Justin Bieber, Quavo, Chance the Rapper & Lil Wayne – “I’m The One” (Epic Records/We The Best)

 

Melhor Dance

Zedd and Alessia Cara – “Stay” (Interscope)

Kygo x Selena Gomez – “It Ain’t Me” (Ultra/Interscope)

Calvin Harris – “My Way” (Columbia Records)

Major Lazer ft. Justin Bieber and MØ – “Cold Water” (Mad Decent)

Afrojack ft. Ty Dolla $ign – “Gone” (Wall Recordings/Latium/RCA Records)

 

Melhor Rock

Coldplay – “A Head Full of Dreams” (Parlophone/Atlantic Records)

Fall Out Boy – “Young And Menace” (Island)

Twenty One Pilots – “Heavydirtysoul” (Fueled by Ramen/Atlantic Records)

Green Day – “Bang Bang” (Warner Bros. Records)

Foo Fighters – “Run” (RCA Records)

 

Melhor Luta Contra o Sistema

Logic ft. Damian Lemar Hudson – “Black SpiderMan” (Race & LGBTQ) (Def Jam)

The Hamilton Mixtape – “Immigrants (We Get the Job Done)” (Immigration) (Atlantic Records)

Big Sean – “Light” (Race) (Def Jam)

Alessia Cara – “Scars To Your Beautiful” (Body image) (Def Jam)

Taboo ft. Shailene Woodley – “Stand Up / Stand N Rock #NoDAPL” (Environment)

John Legend – “Surefire” (Immigration & Anti-Muslim hate) (Columbia Records)

 

Melhor Cinematografia

Kendrick Lamar – “HUMBLE.” (TDE/Aftermath/Interscope) (Scott Cunningham)

Imagine Dragons – “Thunder” (KIDinaKORNER/Interscope) (Matthew Wise)

Ed Sheeran – “Castle On The Hill” (Asylum/Atlantic Records) (Steve Annis)

DJ Shadow ft. Run The Jewels – “Nobody Speak” (Mass Appeal Records LLC) (David Proctor)

Halsey – “Now or Never” (Astralwerks/Capitol) (Kristof Brandl)

 

Melhor Direção

Kendrick Lamar – “HUMBLE.” (TDE/Aftermath/Interscope) (Dave Meyers & the little homies)

Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm” (Capitol Records) (Mathew Cullen)

Bruno Mars – “24K Magic” (Atlantic Records) (Cameron Duddy & Bruno Mars)

Alessia Cara – “Scars To Your Beautiful” (Def Jam) (Aaron A)

The Weeknd – “Reminder” (XO/Republic Records) (Glenn Michael)

 

Melhor Direção de Arte

Kendrick Lamar – “HUMBLE.” (TDE/Aftermath/Interscope) (Spencer Graves)

Bruno Mars – “24K Magic” (Atlantic Records) (Alex Delgado)

Katy Perry ft. Migos – “Bon Appetit” (Capitol Records) (Natalie Groce)

DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts” (Epic Records/We The Best) (Damian Fyffe)

The Weeknd – “Reminder” (XO/Republic Records) (Creative Director: Lamar C Taylor / Co-creative Director: Christo Anesti)

 

Melhores Efeitos Visuais

Kendrick Lamar – “HUMBLE.” (TDE/Aftermath/Interscope) (Company: Timber/Lead: Jonah Hall)

A Tribe Called Quest – “Dis Generation” (Epic Records) (Company: Bemo/Lead: Brandon Hirzel)

KYLE ft. Lil Yachty – “iSpy” (Atlantic Records) (Company: Gloria FX/Leads: Max Colt & Tomash Kuzmytskyi)

Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm” (Capitol Records) (Company: MIRADA)

Harry Styles – “Sign Of The Times” (Columbia Records) (Company: ONE MORE/Lead: Cédric Nivoliez)

 

Melhor Coreografia

Kanye West – “Fade” (Def Jam) (Teyana Taylor, Guapo, Jae Blaze & Derek ‘Bentley’ Watkins)

Ariana Grande ft. Nicki Minaj – “Side To Side” (Republic Records) (Brian & Scott Nicholson)

Kendrick Lamar – “HUMBLE.” (TDE/Aftermath/Interscope) (Dave Meyers)

Sia – “The Greatest” (Monkey Puzzle Records/RCA Records) (Ryan Heffington)

Fifth Harmony ft. Gucci Mane – “Down” (Syco Music/Epic Records) (Sean Bankhead)

 

Melhor Edição

Future – “Mask Off” (Epic Records/Freebandz/A1) (Vinnie Hobbs of VHPost)

Young Thug – “Wyclef Jean” (300 Entertainment/Atlantic Records) (Ryan Staake & Eric Degliomini)

Lorde – “Green Light” (Republic Records) (Nate Gross of Exile Edit)

The Chainsmokers ft. Halsey – “Closer” (Disruptor Records/Columbia Records) (Jennifer Kennedy)

The Weeknd – “Reminder” (XO/Republic Records) (Red Barbaza)

 

 

Rolling Stones gravará novo álbum segundo Keith Richards

Por Felipe Sousa | @Felipdsousa

Depois de Mick Jagger alarmar o mundo da música postando uma foto com o rapper Skepta usando a legenda “em estúdio”, agora foi a vez de Keith Richards dá ainda mais indícios de que o Rolling Stones produzirá disco novo.

Em seu canal no youtube, Keith afirma que a banda vai gravar material inédito. No vídeo, o músico é questionado sobre um possível novo álbum, e responde: “Sim, na verdade, sim, bem em breve”.

Essa experiência- se confirmada – será umas das poucas dos Stones com o hip hop. Skepta é o principal nome do grime, subgênero de hip hop desenvolvido em Londres, e conquistou públicos mais amplos nos últimos anos. Richards, contudo, disse que o novo disco também poderia adaptar clássicos do blues, lembrando do prazer que a banda sentiu ao gravar “Blue and Lonesome”.

O que acharam da notícia? Será que podemos comemorar?!

 

 

Resenha: The Maine @Circo Voador

     Por Natalia Salvador | Fotos: Thaís Huguenin

A banda americana The Maine desembarcou no Rio de Janeiro, no domingo, dia 23 de julho, para o último show da turnê Lovely Little Lonely no país. Para mim, esse era o primeiro contato com a banda e, para os fãs que ali estavam parecia que todo encontro é como se fosse a primeira vez. Depois de passar por São Paulo, Limeira, Porto Alegre, Curitiba, Brasília e Belo Horizonte e serem acompanhados por muitos desses fãs por essas cidades, era hora de lavar a alma, mais uma vez, no palco do Circo Voador.

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Michael Band @2017

Para começar a aquecer a noite – quase – fria na cidade maravilhosa, Michael Band, ex-integrante do grupo P9, se apresentou e foi muito bem recebido pela plateia ansiosa. Com o apoio de Felipe Lopes – baixista da banda OutroEu -, Michael apresentou músicas autorais, com uma pegada mais folk, que combinam muito com a voz suave. Além disso, o carioca se arriscou com uma versão apenas voz e violão de Take Me Dancing e a galera acompanhou em alto e bom som, dando uma pequena amostra do que estava por vir.

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The Maine @2017

Com um cenário simples, mas muito bonito, John O’Callaghan (vocal), Kennedy Brock (guitarra e vocal), Jared Monaco (guitarra), Garrett Nickelsen (baixo) e Pat Kirch (bateria) subiram no palco arrancando gritos e suspiros de uma platéia cheia de paixão. Eu sempre tive amigas fãs de The Maine, mas eu nunca tinha visto essa relação de perto. Logo nas primeiras músicas se tornou muito difícil ficar parado, aquela história de energia que contagia.

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The Maine @2017

Guardem seus celulares para essa próxima música e dancem. Vocês pagaram por isso, vamos estar aqui juntos, sem desculpas”, convidou John, em uma das muitas trocas que o vocalista tem com o público durante o show, antes de puxar o coro para a faixa de My Heroine. Outra música que ganhou destaque na noite entre solos e entusiasmo foi Ice Cave. E é claro que essa banda, com essa proximidade com seus fãs, não deixaria de atender a um pedido. “Nós tocamos essa música em Brasília, mas vocês sabem como é, não praticamos muito. Vamos precisar da ajuda de vocês”. E mais uma vez, Taxi foi adicionada ao set list de última hora, para alegria de todos.

Como já é de costume, John chamou uma pessoa para ajudar a cantar no palco Girls Do What They Want. O sortudo da vez foi o Vitor, lá de Maceió, e que também estava vivendo a experiência The Maine pela primeira vez. Os dois ainda escolheram mais uma fã, a carioca Mariane mal conseguia se conter de tanta emoção. Os dois cantaram abraçados e aproveitaram aquele momento único.

 

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The Maine @2017

Quase no fim do show, John falou do quanto é importante sentir as emoções e deixar que elas se libertem de nós. Segundo ele, podemos ficar tristes e felizes mas, acima de tudo, temos que ser bons uns para os outros. Foram tantas alegrias naquelas 1 hora e 30 minutos de música, tantos sorrisos, tanto carinho, tantos rebolados, que os problemas com o microfone não atrapalharam em nada a noite.

 

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Depois de tanto tempo acompanhando isso tudo de longe, me senti feliz por finalmente entender um pouquinho do que se passava no coração das minhas amigas fãs de The Maine no ensino médio. “Obrigada por acolherem a gente no seu país, nós amamos muito vocês. Se cuidem e a gente se vê”, afirmou o vocalista ao se despedir. É, John, o Brasil também ama muito vocês e, sem dúvidas, já não vê a hora para encontrar vocês de novo. Quem sabe não rola uma segunda primeira vez pra mim também?


Resenha: The Maine @ Arena Futebol Clube

Por Gabriel Menezes e Tayane Sampaio

Brasília pode te proporcionar algumas experiências interessantes. Tipo ir no show de uma banda gringa que tem quase 800.000 likes no Facebook, mas parecer que você está no show daquela banda do underground nacional, que ainda tem poucos, mas fervorosos, fãs. Isso praticamente resume o show do The Maine em Brasília.

Na última sexta-feira (21), os estadunidenses fizeram o pequeno palco do Arena Futebol Clube ficar gigante.  Em turnê com o novo disco, Lovely Little Lonely, a banda voltou ao Brasil pela quinta vez, apesar dessa apresentação ter sido a estreia do quinteto em Brasília. O show, com clima intimista, virou praticamente um culto, tamanha a dedicação dos fãs em cantar (muito) alto todos os versos de todas as músicas.

Os integrantes do The Maine não foram os primeiros a subir no palco, pois a abertura ficou por conta de Michael Band. Michael, que estava acompanhado apenas de seu violão, fez uma apresentação encantadora. O folk muito bem tocado conquistou os ouvidos da plateia, que, apesar da ansiedade para a apresentação principal, recebeu muito bem o músico e até fez alguns pedidos de música. O cantor, que se declarou fã do grupo do Arizona, foi escolhido pela própria banda para abrir os shows de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

Michael Band | Por Tayane Sampaio

Logo depois do show de Michael e dos devidos ajustes no palco, foi a vez do The Maine aparecer, minutos depois dos fãs puxarem um coro apaixonado de “Into Your Arms”. John O’Callaghan, o vocalista do grupo, começou o show pedindo pra galera guardar os celulares e curtir um show de rock como as pessoas faziam antes dos smartphones. A banda já abriu o show com muita energia, ao som de “Black Butterflies & Dèjà Vu”, faixa do novo álbum, que os fãs cantaram a plenos pulmões. Em seguida, eles tocaram “Am I Pretty?”, que fez as poucas pessoas que estavam mais contidas também tirarem o pé do chão.

The Maine | Por Tayane Sampaio

Não é só John que tem uma presença de palco impecável, a sinergia dos músicos é fantástica. Garrett Nickelsen (baixo), Kennedy Brock (guitarra), Jared Monaco (guitarra) e Pat Kirch (bateria) não param um segundo e também não deixam o público ficar parado. John disse que queria ver todo mundo suando e realmente conseguiu. Logo no começo do show, em “Like We Did (Windows Down)”, ele subiu na grade e dividiu o microfone com o público. Os fãs retribuíram o carinho e a entrega da banda com balões brancos, durante a balada “(Un)Lost”.

The Maine | Por Tayane Sampaio

Durante toda a apresentação, houve uma troca de energia muito boa entre público e banda. Kennedy e Garrett eram só sorrisos. A animação estava tão grande que o quinteto deixou a triste “Raining in Paris” fora do setlist e tocou “Taxi”, música que nunca tinha sido tocada ao vivo e era uma das mais pedidas pelos fãs brasileiros, desde que a tour começou.

Um dos pontos altos da apresentação foi “Girls Do What They Want”, um clássico do grupo. Nessa hora, o vocalista já tinha se desfeito da jaqueta e da camiseta e foi assim que ele foi parar no meio da galera, rodeado pelos fãs que gritavam a letra da música e pulavam sem parar. John voltou ao palco com dois ajudantes, Tatyana e Fillipe, pra terminar de cantar a música no palco.

O show reuniu canções de vários momentos da banda, de discos mais recentes até os mais antigos. O pedido de “zero phones” de O’Callaghan foi ignorado, mas, ainda assim, foi um momento muito bonito de conexão entre artista e fã. Depois de pouco mais de uma hora de total catarse, a despedida foi ao som de “Another Night on Mars”.

O show é um dos que vale muito a pena ver ao vivo. Sem dúvidas, foi uma noite memorável. Os caras amam o Brasil e, provavelmente, vão voltar em breve. Então, se você ainda não foi a um show do The Maine, não perde a próxima chance!

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Resenha: Noahs – Lançamento EP Rise @Teatro Renascença

Por Camila Borges

Domingo, 23 de julho de 2017. Tempo relativamente agradável como vem sendo nos últimos dias na capital gaúcha.

Já era passado das 20h quando o Noahs adentrou ao palco. Primeira vez em Porto Alegre, num dos teatros mais conhecidos da cidade: o Teatro Renascença.

Quarteto formado pelos goianos Murilo Brito (vocal) e Danilo Brito (baixo), pelo mineiro Bruno Bastos (guitarra) e por Felipe Hipólito (bateria), de Florianópolis. A banda  tem dois EPS: o primeiro Cedar & Fire com cinco musicais autorais, todas em inglês e lançado em 2014. E Rise, lançado em Fevereiro deste ano.

Ep Rise

Posicionados no palco, o show já começa com belos arranjos na introdução, as luzes dão um contraste do espetáculo que iria surgir a seguir. As músicas alternam entre os dois Ep’s. Começamos por Colours, primeira faixa do segundo Ep. Fãs sentados, apesar de grande parte querer ficar lá na frente e dançar ao ritmo da música que é contagiante. Passamos então por Take Me Higher, Love Will Save Us, The River, Carry On. E no intervalo de cada música a banda interage com a platéia mesmo ela sendo ainda um pouco tímida. Logo depois tivemos Suddenly, música que foi composta ao estilo “Frankenstein”, de acordo com o vocalista. Foi a última música a entrar no Rise. Talvez a parte mais emocionante do show pra muitos tenha sido a bela canção Home Again. A partir dali o público marcava mais sua presença. Em Bridges, a iluminação que nunca deixou a desejar dava um ar mais forte a música, principalmente no seu final. Logo após fomos embalados pela famosa Talk To Me, aliás música que já ultrapassa 271.00 ouvintes no Spotify, e ao som da platéia que cantava tímida o refrão. E o fim chegou ao som de Catching Stars, com o público de pé em frente ao palco e acompanhando nas palmas.

No meio de tudo isso a banda também resolve agraciar o público gaúcho com uma nova canção, porém ainda sem nome.

Há muitas bandas Indie/Folk por esse mundo, mas Noahs veio pra mostrar que não é necessário sair do país pra se ter um belo espetáculo de sonoridade, voz e simpatia. A conexão dos integrantes no palco é algo de se admirar. Qualquer um que não conheça  facilmente confundiria com uma banda internacional. A banda tem alguns projetos, entre eles lançamento de produtos que ainda não são comercializados, dentre eles os belos pôsteres criados.

Um show pra se aproveitar do início ao fim, prestando atenção em cada detalhe. Nunca uma noite de domingo foi tão agradável como essa.