Resenha: Plutão Já Foi Planeta + Evil Matchers @A Autêntica

Por Cristino Melo

Mesmo sendo um planeta gelado, Plutão, que voltou a ser planeta, conseguiu esquentar a noite fria da capital mineira nessa última quinta-feira (22). A banda natalense se apresentou na A Autêntica, casa de shows na Savassi.

Nota: A abertura do show ficou por conta da banda Evil Matchers. Mesmo destoando totalmente do estilo da Plutão, apresentando um punk rock, os caras conseguiram ter uma boa interação com público. Apresentando um som autoral, os músicos se mostraram individualmente bons, porém faltou sincronia ao conjunto.

A Plutão Já Foi Planeta se apresentou por quase uma hora e meia, apresentando todas as músicas do “A Última Palavra Feche a Porta”, além de mais algumas do primeiro álbum. Já de abertura apresentaram o primeiro single do CD, “O Ficar e o Ir da Gente” e mostraram um grande entusiasmo.

O público (que não lotou a casa) correspondeu a banda em boa parte do show. Cantou todas as músicas, batia palma, metrificava e gritava ‘Fora Temer’ junto com o quinteto. Destaque na música “Viagem Perdida” que fizeram um final estendido com a participação de todos.

Destaque também para o Gustavo e Sapulha nos vocais, não só apoiando a Natália, mas em várias canções. Sapulha também abusando do ukelele em várias músicas, deixava o show extremamente agradável. Esse ponto é muito bom. Todos da banda são versáteis. Tocam vários instrumentos, participam nos vocais e interagem com o público. Hora a Vitória estava no baixo e a Natália no sintetizador, depois invertiam com a maior naturalidade. Também é importante mencionar o Renato. Entrou para a banda há pouquíssimo tempo (quinto show) e já mostra uma naturalidade para puxar as músicas e fazer vários solos na bateria.

Nas músicas, “Insone”, a melhor música do último CD, cantada ao vivo, fica tão melódica quanto na versão de estúdio. “Você Não É Mais Planeta” fez toda a plateia pular bastante. E finalizar com “Alto Mar”, faixa um do disco, foi para acabar de vez com a garganta de todos os presentes.

Em resumo, A Plutão Já Foi Planeta provou que realmente é uma banda pronta para o sucesso. Segura, carismática e talentosa.

Anúncios

Festival CoMA: Brasília anuncia grande festival, confira o Line-Up

Por Gabriel Menezes | @menezessgabriel

O Brasil tem sido palco de grandes festivais e agora é a vez de Brasília, em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (22/6) foi anunciado o line-up e todas informações sobre Festival CoMAConvenção de Música e Arte.

A proposta é atrair os holofotes para capital durante o final de semana de 4 a 6 de agosto, com mais de 50 shows e 36 painéis, a programação reúne representantes da música de diversos estilos e traz grandes profissionais da área para falar sobre o mercado.

Lenine e Emicida são os headliners do festival, que conta com grandes nomes da música brasileira, como Clarice Falcão, Scalene, Silva e Far From Alaska. Além dos vários artistas nacionais, o CoMA também terá atrações internacionais como a banda O’Brother (foto). Confira o line-up completo logo abaixo:

O festival também será uma ótima oportunidade para quem busca conhecimento e network com programadores de festivais, imprensa e compradores de música. Serão 36 painéis, onde acontecerão palestras, debates e rodadas de negócios. Bandas poderão se inscrever para serem avaliadas por selos e terem orientação sobre administração de carreira, criação artística e comunicação por profissionais de renome em sessões de mentoring.

Serão cinco palcos localizados em pontos turísticos de Brasília (Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Funarte, Clube do Choro e Planetário).  Valores de R$ 10 (1 dia), R$ 50 (VIP – 1 dia), R$ 80 (VIP – 2 dias) e R$ 125 (credencial conferência 2 dias – passaporte completo). Compra de ingressos pelo site http://festivalcoma.com.br/

Royal Blood, Lorde, Bratislava… 8 lançamentos da semana que você precisa ouvir!

Por Felipe Sousa | @Felipdsousa

A última semana foi definitivamente uma das mais movimentadas no mundo da música em 2017. Com o destaque para sexta feira (16), onde muita coisa foi divulgada. O RIFF preparou uma lista bem interessante. Dá uma olhada!


Royal Blood – How Did We Get So Dark?

Depois de fazer muito barulho com seu primeiro álbum homônimo, o Royal Blood não sentiu a pressão pelo segundo, e divulgou nessa sexta-feira (16) o excelente “How Did We Get So Dark?”. Muito aguardado, o segundo trabalho do duo manteve um pouco da essência do seu antecessor, mas trazendo um pouco mais de melodia às canções e evidenciando ainda mais os vocais de Mike Kerr. “Lights Out”, “Hook, Line&Sinker” e “I Only Lie When I Love You”, são singles do disco. Ouça:

Portugal. The Man – Woodstock

Depois de já terem liberado as faixas “Number One”, “Feel It Still” e “Noise Pollution” e “So Young” o grupo americano divulgou também na sexta-feira (16) seu oitavo disco de estúdio, intitulado “Woodstock”. A quem diga que Portugal falha na coesão no disco novo, que exageram na amplitude de influências, som e conceitos trazendo a sensação de ser várias bandas em uma só; isso talvez seja verdade, mas não vai comprometer seus ouvidos. Bom álbum.

Lorde – Melodrama

A neozelandesa de apenas vinte anos, Lorde, também escolheu a sexta-feira (16) para liberar seu segundo disco. “Melodrama” é mais um excelente registro de uma artista que tão cedo não vai errar. Melodrama é cheio de experimentações e conceitos que só Lorde conseguiria expor. Ouça!

 Bratislava – Fogo

Lançamento é bom, mas lançamento NACIONAL é muito melhor. E quem se encarregou de nos dar essa alegria foram os paulistas da Bratislava. “Fogo” é o terceiro disco do grupo e mantém a ótima qualidade de produção que tínhamos visto em seu antecessor “Um Pouco Mais de Silêncio” (2015). Ouça e prestigie a música brasileira.

Nickelback – Feed The Machine

E olha só amigo riffeiro, os ora amados, ora odiados, do Nickelback surpreenderam ao divulgar na última sexta-feira (16) “Feed The Machine”, seu mais novo trabalho que conta com 11 músicas. Pra surpreender ainda mais, recentemente Chad Kroeger, vocalista do grupo, polemizou ao falar que o Stone Sour estava tentando ser o Nickelback. Concorda? Curte o grupo? Ouça e nos diga o que achou?

Belga – Âmbar

Já falamos o quanto curtimos música brasileira. E o segundo lançamento brazuca dessa lista vem lá de Brasília. “Âmbar” é o segundo EP da carreira da banda Belga. Depois de se passarem pouco mais um mês de seu primeiro EP homônimo, Âmbar é mais um registro de ótima qualidade de um rock alternativo muito bem produzido.

Fleet Foxes – Crack-Up

Depois de seis anos em hiato, o Fleet Foxes volta à cena com novo disco, intitulado “Crack-Up”. E se engana quem achou que essa pausa foi pra descanso. Ao ouvir o novo registro fica evidente que o tempo longe dos palcos serviu para Robin Pecknold, frontman do grupo, amadurecer seus conceitos. Ótimo trabalho. Ouça!

Clarear – Camaleão

Encerrando essa lista, temos “Camaleão”, EP de estreia dos cariocas da Clarear. Brenno Ottoni e Roger Santana, membros do grupo, já apareceram na cena carioca com a extinta Unify. Agora com a Clarear, eles propõem novos conceitos, influências e sonoridade. Ouça e prestigie.


Além dos álbuns, também tivemos alguns singles lançados. São eles, Walking The Wire, do Imagine Dragons, The Man, do The Killers, The Way You Used To Do, do Queens Of The Stone Age, Creature Confort, do Arcade Fire, Don’t Matter Now, do George Ezra, All Can Think About Is You, do Coldplay.

É, riffeiros, não brincamos quando falamos que a semana foi recheada. Muita coisa boa! Agora conta pra gente qual você mais curtiu e comenta qual álbum você não aguenta esperar mais pra sair.

Os Tijolos de Braza

Por Maria Paula

Ainda com a música Segue o Baile na cabeça, pertencente ao primeiro álbum auto intitulado Braza (2016), praticamente no início de junho a banda nos faz uma surpresa maravilhosa, seu mais novo álbum Tijolo Por Tijolo, estando disponível em todas as plataformas digitais!

Ao olharmos a capa, ficamos encantados com sua beleza e poética com o título. Desenvolvida pela banda em conjunto com Vagner DoNasc. e Marcel Gonçalves. O intuito aqui não é mergulhar no significado de cada música, pois como em qualquer outra arte, cada pessoa tem seu ponto de vista no momento da apreciação. Por isso, tentarei ser direta e mostrar o por quê de ouvir o Tijolo Por Tijolo.

O mesmo foi gravado por Pedro Garcia, BRAZA (Nícolas Christ – bateria; Danilo Cutrim – guitarra e Voz; Vitor Isensee – teclado e voz) e Pedro Lobo durante o verão e outono de 2017, nos estúdios Neblina e Cantos do Trilho, no Rio de Janeiro. Sendo mixado por Pedro Garcia no estúdio Garcia Mix Room, Laranjeiras, no Rio de Janeiro. E masterizado por Chris Hanzsek no estúdio Hanzsek Audio, Snohomish, em Washington.

Contando com acréscimos de Pedro Lobo no baixo e vocais de apoio, de Lelei Gracindo no saxofone, Vander Nascimento no trompete, Jhonson de Almeida no trombone, e Mafran do Maracanã na percussão. Percebo que nas passagens das faixas do álbum, são marcadas por estes instrumentos, além da guitarra de Danilo.

A abertura do “Tijolo” ficou com Ande, que tem clipe gravado na cidade do Rio de Janeiro, trazendo elementos corriqueiros no compasso da música. Muito show. E com esta noção de irmos adiante, somos convocados para uma sessão, “é brisa, é BRAZA, é braço, é bala de canhão”. Isso é Selecta trazendo gírias corriqueiras num ritmo de dança envolvente, com destaque o trecho “Vida vivendo em nós/ Na batida, em melodia e voz”. Percorrendo essa vida corriqueira da batida encontramos desigualdades sociais, e Moldado em Barro nos mostra isso, com um toque da guitarra que me lembrou Baiana System, banda que também traz temas sociais em  suas composições. Entre tantos trechos a destacar,  posso dizer que o “Guerreiro na Babylon/ Talha seu destino, é por desatino ou não”.

Em Ela Me Chamou Para Dançar Um Ragga, quero aprender essa dança, isso sim! Um estilo de dança que vem da Jamaica e traz um reggae eletrônico bem envolvente. A música seguinte possui o mesmo nome do álbum, Tijolo Por Tijolo. Considerá-la  chave do significado do álbum, não se aplica, pois cada música parece simbolizar um tijolo que forma um muro pessoal, não uma barreira, mas nos sentido da construção  do próprio ser. A flauta introduzida nesta faixa, se permitam sentir sua suavidade, sensacional.

E Chão chão terra terra? Que letra. Destaco somente este refrão: “Amor não tem sinônimo Alma não tem gênero/ Poder não é virtude/ E a vida é sopro efêmero/ Chão, Chão. Terra, Terra/ O ser humano erra”.

Em DUBrasilis temos o instrumental de Braza, e aconselho que fechem os olhos e sintam a vibe. É raro uma banda brasileira incluir som instrumental num álbum, porém há uma voz que fala da diversidade racial brasileira; também percebam as puxadas fortes da guitarra.

E sim, “a dança é oração”, trecho da faixa Racha a canela, que tem a participação do DJ Negralha. Mais uma faixa envolvente na batida e composição, e lembrem que as “vibes nunca mentem, vibes don’t don’t lie”.

Em Exército Sem Fala, temos a participação especial da Sister Nancy, a primeira mulher DJ de dancehall, que canta muito, direto da Jamaica. Se não a conhecem, recomendo o chamado hino do reggae Bam Bam. Nesta música ela complementa a mensagem do amor, num exército onde não há “Força armada e o bom senso é o comandante”.

E para fechar ou não o álbum, temos o questionamento Qual é o rosto de Deus. Me fez lembrar a temática da música Oxalá, pertencente ao álbum “Braza” e que teve videoclipe, mas o pensamento da faixa é diferente, voltado mais às nossas dúvidas pessoais, sendo que ”Ninguém sabe a verdade, mas nunca será tarde/ Enquanto um problema for uma oportunidade.” E este refrão  mexe com nosso interior “Diz pra mim qual é o rosto de Deus/ Talvez seja o seu, talvez seja o meu/ Ou nada, ou tudo, ou luz”.

Para não concluir, Tijolo Por Tijolo traz mensagens para nossa vida, enfrentamentos, de momentos alegres ou tristes, mas principalmente reflexivas, e que diante de dificuldades podemos superá-las, e sempre lembrarmos que não estamos só. Somos seres humanos, em nossa individualidade, mas assim como na dança, faz mais sentido a aprendizagem ao estarmos junto com o outro, nos desenvolvermos com e para o outro. Que possamos superar nossos “tijolos” e montarmos nossos muros e construirmos casas com outros muros.

Por quê ouví-lo?

Se não conhecem a banda, saibam que recomendo o  álbum anterior, denominado Braza, pois ambos se complementam, e mostram quem é o Braza, em sua plenitude. Também recomendo, se possível, o show ao vivo deles! Eles trazem ritmos do rap, reggae e rock, composições sobre problemas sociais, o cotidiano da sociedade, enfim, eles continuam a trazer a arte do dia a dia para a  musicalidade.


E aí, qual a sua faixa favorita do Tijolo Por Tijolo?